{"id":101396,"date":"2018-04-02T14:37:06","date_gmt":"2018-04-02T13:37:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=101396"},"modified":"2018-04-02T14:37:29","modified_gmt":"2018-04-02T13:37:29","slug":"homilia-do-bispo-do-funchal-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-do-funchal-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo do Funchal na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-101398 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Celebra\u00e7\u00e3o-da-Paix\u00e3o-do-Senhor_Funchal_2018_1-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Celebra\u00e7\u00e3o-da-Paix\u00e3o-do-Senhor_Funchal_2018_1-300x199.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/Celebra\u00e7\u00e3o-da-Paix\u00e3o-do-Senhor_Funchal_2018_1.jpg 632w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Contemplar a Cruz do Senhor!<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 maior prova de amor do que dar a vida pelos amigos&#8221; (Jo 15,13). A centralidade lit\u00fargica desta tarde de Sexta-feira Santa \u00e9 a Adora\u00e7\u00e3o da Cruz. Sinal de despojamento, de obedi\u00eancia ao Pai e de entrega amorosa, a Cruz envolve e abra\u00e7a toda a Humanidade, desde o princ\u00edpio at\u00e9 ao fim do mundo. Ela \u00e9 sabedoria de Deus para os que acreditam, mist\u00e9rio do amor indiscrit\u00edvel de Deus por cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Cristo, o Pobre Crucificado, carregou sobre si os nossos pecados para nos dar a salva\u00e7\u00e3o eterna. Ao contemplar o mist\u00e9rio da Sua morte, somos penetrados de profunda rever\u00eancia e amor, pela f\u00e9 na admir\u00e1vel ci\u00eancia e sabedoria da Cruz.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia e a sabedoria da Cruz<\/p>\n<p>O grande profeta Isa\u00edas anunciou os sofrimentos de Cristo, a cura e a for\u00e7a libertadora, que dela nos adv\u00e9m. &#8220;Terminados os sofrimentos, ver\u00e1 a luz e ficar\u00e1 saciado na sua sabedoria. O justo, meu servo, justificar\u00e1 a muitos e tomar\u00e1 sobre si as suas iniquidades&#8221; (Is 53,11). Colocado ao lado dos pecadores, como malfeitor, Cristo assumiu o castigo do nosso pecado, libertou-nos do mal e da morte.<\/p>\n<p>Neste dia de Sexta-feira Santa, toda a Igreja acompanha e contempla em sil\u00eancio a Paix\u00e3o e morte de Jesus na Cruz, como o maior sinal do amor de Deus. &#8220;Cristo continua a sofrer at\u00e9 ao fim do mundo&#8221;, dizia Pascal. A Paix\u00e3o n\u00e3o terminou no Calv\u00e1rio. Jesus continua a sofrer em cada irm\u00e3 ou irm\u00e3o que sofre. Nos caminhos deste mundo, s\u00e3o muitos ainda aqueles que experimentam &#8220;ao vivo&#8221; os sofrimentos de Jesus e solicitam a nossa solidariedade, aten\u00e7\u00e3o e amor concreto. Ent\u00e3o, todos somos chamados a ser &#8220;cireneus&#8221; desses irm\u00e3os que sofrem, testemunhando a alegria da F\u00e9, a coragem da Esperan\u00e7a e a for\u00e7a do Amor!<\/p>\n<p>De fato, o Crucificado do Calv\u00e1rio est\u00e1 presente nos sofrimentos dos pobres desprezados e sem abrigo, que morrem sozinhos; nos doentes dos hospitais ou em suas casas, nos idosos abandonados, nas fam\u00edlias com dificuldades financeiras ou provadas pelo desamor; nos refugiados que fogem da guerra e at\u00e9 de persegui\u00e7\u00f5es religiosas; nos que sofrem o peso da injusti\u00e7a, da fome, da mentira e da cal\u00fania, da incompreens\u00e3o, enfim de tantos crucificados que s\u00f3 o Senhor conhece.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria definitiva do Amor<\/p>\n<p>A Cruz emerge triunfante e luminosa, como vit\u00f3ria sobre o pecado, o sofrimento e a morte. A derradeira palavra de Deus para os seus filhos e filhas \u00e9 a plenitude da Vida e do Amor, que se manifesta no lado trespassado de Cristo: &#8220;Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que j\u00e1 estava morto, n\u00e3o lhe quebraram as pernas; mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lan\u00e7a, e logo saiu sangue e \u00e1gua&#8221; (Jo 19, 33-34).<\/p>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, bispo e doutor da Igreja, afirma que &#8220;esta \u00e1gua e este sangue simbolizavam o Batismo e a Eucaristia. Foi destes sacramentos que nasceu a Igreja&#8221;. O seu lado perfurado pela lan\u00e7a do soldado ficou para sempre aberto. Na ferida mortal do cora\u00e7\u00e3o de Cristo, imolado como Cordeiro inocente, nasceu uma fonte perene de \u00e1gua viva, que sacia a nossa sede de luz, de amor e de verdade. &#8220;\u00c9 da sua plenitude que todos n\u00f3s recebemos gra\u00e7a sobre gra\u00e7a&#8221;, disse o ap\u00f3stolo Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>A Luz que brilha no sil\u00eancio<\/p>\n<p>No Calv\u00e1rio, Maria-M\u00e3e, Jo\u00e3o e algumas mulheres acompanham a agonia e a morte de Cristo na Cruz. &#8220;Uma espada de dor trespassar\u00e1 a tua alma&#8221;, havia profetizado Sime\u00e3o. Aqui, neste espa\u00e7o de sil\u00eancio, de imensa dor, amor e morte, encontramos a semente de esperan\u00e7a, que nos diz e explica todos os nossos sofrimentos. &#8220;Se o gr\u00e3o de trigo, caindo na terra, n\u00e3o morrer, fica ele s\u00f3; mas, se morre, d\u00e1 muito fruto&#8221; (Jo 12,24).<\/p>\n<p>No final desta celebra\u00e7\u00e3o teremos o enterro do Senhor com a participa\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is. &#8220;Ent\u00e3o tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho&#8221; (40). Mas este gesto n\u00e3o \u00e9 o fim, porque a Palavra que Jesus havia pronunciado anteriormente, mant\u00e9m todo o potencial de vida nova. &#8220;Mas, na consuma\u00e7\u00e3o de sua vida, tornou-se causa de salva\u00e7\u00e3o eterna para todos os que lhe obedecem (Hebreus 4, 9).<\/p>\n<p>No Cora\u00e7\u00e3o de Maria, transformado em altar do sacrif\u00edcio, brilha a \u00fanica Luz, que se mant\u00e9m acesa, na noite deste mundo. Ela sabe que a morte n\u00e3o \u00e9 a resposta definitiva do sil\u00eancio sem retorno, mas o abra\u00e7o de eternidade do amor que nos une totalmente a Deus. O Papa Francisco recorda-nos o papel fundamental da M\u00e3e da Igreja, no Calv\u00e1rio: &#8220;Ao p\u00e9 da cruz, na hora suprema da nova cria\u00e7\u00e3o, Cristo conduz-nos a Maria; conduz-nos a ela porque n\u00e3o quer que caminhemos sem uma m\u00e3e; e, nesta imagem materna, o povo l\u00ea todos os mist\u00e9rios do Evangelho&#8221; (A Alegria do Evangelho 285).<\/p>\n<p>&#8220;Tenho sede&#8221;<\/p>\n<p>Como resson\u00e2ncia da longa escuta da Paix\u00e3o do Senhor, levemos para as nossas casas e para a nossa vida a palavra de Jesus na Cruz: &#8220;Tenho sede&#8221; (Jo 19, 28). Urge dessedentar os l\u00e1bios moribundos do Crucificado. Como? Ele tem sede do nosso olhar, do nosso abra\u00e7o silencioso e do nosso amor.<\/p>\n<p>Com Jesus, aprendamos a verdadeira ci\u00eancia e sabedoria da Cruz. Nela resplandece a gl\u00f3ria do amor. No Calv\u00e1rio compreendemos o valor redentor do sofrimento unido ao de Jesus. Na clara Luz que irradia da Cruz do Senhor, ajudemos os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, que precisam de n\u00f3s e sofrem o peso do abandono, da solid\u00e3o, da doen\u00e7a ou da proximidade da morte. Sejamos testemunhas luminosas da esperan\u00e7a e do abra\u00e7o amoroso de Jesus Salvador.<\/p>\n<p>M\u00e3e de Miseric\u00f3rdia, Senhora da Piedade, rogai por n\u00f3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Funchal, 30 de Mar\u00e7o de 2018<br \/>\n\u2020Ant\u00f3nio Carrilho, Bispo do Funchal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":101399,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[186,308],"class_list":["post-101396","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-funchal","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101396","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101396"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101396\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/101399"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101396"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101396"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101396"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}