{"id":101312,"date":"2018-04-01T23:00:56","date_gmt":"2018-04-01T22:00:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=101312"},"modified":"2018-04-02T09:40:23","modified_gmt":"2018-04-02T08:40:23","slug":"homilia-do-bispo-de-coimbra-na-missa-da-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-coimbra-na-missa-da-pascoa\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Coimbra na Missa da P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-87943 alignleft\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/321virgilio_antunes2-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/321virgilio_antunes2-300x214.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/321virgilio_antunes2-768x547.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/321virgilio_antunes2-1024x729.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/321virgilio_antunes2-400x284.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/321virgilio_antunes2-1080x769.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/321virgilio_antunes2.jpg 1220w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Car\u00edssimos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<br \/>\nA P\u00e1scoa ilumina a Igreja e o cora\u00e7\u00e3o de todos os seus fi\u00e9is com a nova luz de Cristo. A sua passagem da morte \u00e0 vida \u00e9 portadora de esperan\u00e7a para os que O acolhem na f\u00e9 e lhe d\u00e3o lugar nas suas vidas tantas vezes mergulhadas na penumbra ou nas mais densas trevas.<\/p>\n<p>Cristo Ressuscitado est\u00e1 sempre dispon\u00edvel para nos encontrar nas nossas noites escuras, como encontrou Paulo no caminho de Damasco, como se fez companheiro dos dois disc\u00edpulos a caminho de Ema\u00fas e como tem surpreendido homens e mulheres de todos os tempos e de todas as latitudes ao longo da hist\u00f3ria da Igreja.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois mil anos, na manh\u00e3 do primeiro dia da semana, as mulheres e os disc\u00edpulos que acorreram ao sepulcro, deram-se com a maior novidade da hist\u00f3ria, cujo alcance n\u00e3o ousavam esperar: aquele Jesus que viram condenado \u00e0 morte e que acompanharam ao calv\u00e1rio e \u00e0 cruz, n\u00e3o estava ali. Alguns mensageiros declararam que estava vivo e puderam encontrar-se com Ele, sentir a alegria da sua presen\u00e7a e o reconforto do reencontro, que duraria para sempre.<\/p>\n<p>Naqueles tempos fundantes, os que acreditaram no Senhor, come\u00e7aram a ver o mundo e a vida de outra forma, sentiram-se interiormente renovados e capazes de enfrentar tudo o todos, n\u00e3o com esp\u00edrito de oposi\u00e7\u00e3o a ningu\u00e9m, mas com a proposta que os transformara, com o entusiasmo da novidade, a que chamaram Boa Nova ou Evangelho.<br \/>\nDesde ent\u00e3o, uma multid\u00e3o incont\u00e1vel teve acesso \u00e0 mesma novidade e continua a chama-lhe Boa Nova, porque conhece a sua for\u00e7a e experimenta que tem capacidade para transformar cora\u00e7\u00f5es, vidas e comunidades, quando algu\u00e9m se deixa tocar interiormente por ela.<\/p>\n<p>Estamos tamb\u00e9m n\u00f3s envolvidos nessa corrente de gra\u00e7a em virtude do an\u00fancio que recebemos e da f\u00e9 que despertou em n\u00f3s. Celebramos a P\u00e1scoa porque essa feliz not\u00edcia chegou at\u00e9 n\u00f3s, transformou-nos por dentro e mobilizou-nos para ajudarmos o mundo a mudar. N\u00e3o podemos permitir que a Boa Nova fique aprisionada em n\u00f3s, mas estamos dispon\u00edveis para cumprir o mandato que recebemos de a levar a todos os cantos da terra, por meio da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria.<\/p>\n<p>Nesta P\u00e1scoa que agora celebramos vemos em n\u00f3s, nas nossas casas e \u00e0 nossa volta muitas realidades que precisam de um novo e vigoroso an\u00fancio da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo como an\u00fancio da possibilidade da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer os sinais de falta de Deus no mundo, que s\u00e3o ao mesmo tempo graves falhas de humanidade. Preocupam-nos de um modo especial os atropelos \u00e0 dignidade humana, que alastram onde continuam e nascem novas guerras, quando esper\u00e1vamos a paz num mundo mais civilizado; a explora\u00e7\u00e3o de mulheres e crian\u00e7as, no tempo em que mais se proclamam direitos iguais para todos; o desprezo por idosos e doentes, numa sociedade cheia de institui\u00e7\u00f5es para os proteger; a escalada da persegui\u00e7\u00e3o por motivos religiosos, diante das mais veementes declara\u00e7\u00f5es da liberdade de pessoas e povos.<\/p>\n<p>Se pensamos na economia que mata, na legisla\u00e7\u00e3o que atenta contra a fam\u00edlia, na relativiza\u00e7\u00e3o do valor da vida humana, no favorecimento de costumes desumanos ou na corrup\u00e7\u00e3o e na fraude que atentam contra a justi\u00e7a, na viol\u00eancia, no terrorismo, nos fundamentalismos de sinais variados, no uso abusivo e difamat\u00f3rio da liberdade de express\u00e3o, sentimos que h\u00e1 necessidade de Evangelho nas consci\u00eancias e nos sociedades como nunca.<\/p>\n<p>P\u00e1scoa significa sempre passagem e mudan\u00e7a: da morte \u00e0 vida, das trevas \u00e0 luz; significa desenvolvimento e progresso, novos caminhos de amor e esperan\u00e7a para toda a humanidade.<br \/>\nJesus ofereceu a sua vida para que esta passagem se torne realidade; trouxe-nos a certeza da presen\u00e7a de Deus em todas as situa\u00e7\u00f5es que precisam de uma luz nova, como que a dizer-nos: nunca vos faltarei, estarei convosco em todos os vossos caminhos de mudan\u00e7a. Ele que vive por todo o sempre, convida-nos a fazermos a nossa parte e segue sempre connosco, envolve-se connosco nas causas, entra connosco nos lugares que precisam de renova\u00e7\u00e3o. Jesus Ressuscitado n\u00e3o se limita a enviar-nos para o meio do mundo, mas vai connosco, acompanha-nos com a grandeza do amor de Deus e com a esperan\u00e7a da eterna novidade.<\/p>\n<p>A segunda leitura lan\u00e7ava-nos um forte apelo no sentido da purifica\u00e7\u00e3o como sinal de acolhimento da passagem operada por Jesus: \u201cpurificai-vos do fermento velho para serdes nova massa\u201d.<\/p>\n<p>Jesus n\u00e3o ficou \u00e0 espera que todos tivessem compreendido a mensagem ou estivessem dispostos a iniciar esse caminho, n\u00e3o ficou \u00e0 espera para reunir todos os consensos, nem para iniciar a sua obra com a anu\u00eancia das multid\u00f5es: come\u00e7ou Ele mesmo por nos dar o exemplo, de uma forma simples, discreta, mas comprometida. Custou-lhe a vida, mas n\u00e3o foi em v\u00e3o. Nunca mais a not\u00edcia da sua entrega ficou calada e Ele arrasta ainda hoje atr\u00e1s de si multid\u00f5es que procuram p\u00f4r-se a caminho, dar o seu contributo, sacrificar-se pela multid\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando a Palavra de Deus fala de um pouco de fermento que leveda toda a massa, quer dizer-nos que, nenhum de n\u00f3s se sente capaz de mudar o mundo de uma vez, mas isso n\u00e3o significa que n\u00e3o nos ponhamos a caminho, come\u00e7ando pela purifica\u00e7\u00e3o progressiva do nosso interior, passando \u00e0s nossas op\u00e7\u00f5es e ao nosso estilo de vida.<\/p>\n<p>\u00c0 forte palavra prof\u00e9tica, Jesus juntou o gesto mais eloquente do seu sacrif\u00edcio. Juntamente com Ele, a Igreja continua a ter a miss\u00e3o de fazer uma en\u00e9rgica den\u00fancia prof\u00e9tica de tudo quanto no mundo atenta contra a dignidade humana, mas sente ainda mais a urg\u00eancia de se p\u00f4r no caminho do testemunho simples e aut\u00eantico, disposta ela mesma a viver uma verdadeira p\u00e1scoa interna, no sentido da mudan\u00e7a em ordem a uma maior fidelidade a Cristo, \u00e0 Sua Palavra e ao seu testemunho.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s, que cada um de n\u00f3s, pessoas, fam\u00edlias, comunidades e institui\u00e7\u00f5es, a partir da f\u00e9 no Ressuscitado nos ponhamos em atitude pascal, ou seja, de passagem e de mudan\u00e7a. Que tudo comece por n\u00f3s e pela nossa casa, que a Igreja v\u00e1 \u00e0 frente e que acompanhe os homens em todos os seus felizes anseios, sabendo que o fermento bom pode levedar grande quantidade de massa. Jesus vai \u00e0 frente na oferta de si mesmo e agora caminha connosco, para que nunca nos falte companhia, quando tudo e todos parecerem ir por outros caminhos.<\/p>\n<p>Que a luz de Cristo Ressuscitado entre em cada um de n\u00f3s e nas nossas fam\u00edlias como o fermento novo capaz de levedar grande quantidade de massa em ordem \u00e0 renova\u00e7\u00e3o espiritual que \u00e9 a chave de toda a mudan\u00e7a. \u00c1men.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Coimbra, 1 de abril de 2018<br \/>\nVirg\u00edlio do Nascimento Antunes<br \/>\nBispo de Coimbra<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":3,"featured_media":98582,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[174,275],"class_list":["post-101312","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-coimbra","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101312\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}