{"id":101301,"date":"2018-04-01T16:43:04","date_gmt":"2018-04-01T15:43:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=101301"},"modified":"2018-04-01T16:43:04","modified_gmt":"2018-04-01T15:43:04","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-domingo-de-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-no-domingo-de-pascoa\/","title":{"rendered":"Homilia do cardeal-patriarca de Lisboa no Domingo de P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-101302\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/40264599305_7c7f572338_b-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/40264599305_7c7f572338_b-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/40264599305_7c7f572338_b-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/40264599305_7c7f572338_b.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><em><strong>Se Cristo nos espera, porque demoramos n\u00f3s?<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00abMaria Madalena correu ent\u00e3o e foi ter com Sim\u00e3o Pedro e com o disc\u00edpulo predileto de Jesus e disse-lhes. \u201cLevaram o Senhor do sepulcro e n\u00e3o sabemos onde O puseram.\u201d Pedro partiu com o outro disc\u00edpulo e foram ambos a sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro disc\u00edpulo antecipou-se, correndo mais depressa que Pedro\u2026\u00bb<\/p>\n<p>Detenhamo-nos um pouco nesta passagem do Evangelho que ouvimos. Ou dizendo melhor, porventura, corramos tamb\u00e9m n\u00f3s espiritualmente ao sepulcro, como o fizeram fisicamente os disc\u00edpulos, alertados por Maria Madalena, que tamb\u00e9m correra a avis\u00e1-los.<br \/>\n\u00c9 intencional a insist\u00eancia do evangelista na pressa de qualquer deles. Como \u00e9 salutar o convite a imit\u00e1-los. Para encontramos o t\u00famulo vazio. Para sermos encontrados pelo Ressuscitado, como aconteceu com eles depois.<br \/>\nDesde aquela madrugada \u00e9 isto mesmo que nos define como crentes, ou seja, a urg\u00eancia em divisar a presen\u00e7a do Ressuscitado e sermos encontrados por Ele. S\u00e3o Paulo definia-se nesses termos, ou na mesma corrida: \u00ab\u2026 Assim posso conhecer a Cristo, na for\u00e7a da sua ressurrei\u00e7\u00e3o e na comunh\u00e3o com os seus sofrimentos, conformando-me com ele na morte, para ver se atinjo a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos. N\u00e3o que j\u00e1 o tenha alcan\u00e7ado ou j\u00e1 seja perfeito; mas corro, para ver se o alcan\u00e7o, j\u00e1 que fui alcan\u00e7ado por Cristo Jesus\u00bb (Fl\u00a03, 10-13).<br \/>\nUrg\u00eancia de alcan\u00e7ar a Cristo, que j\u00e1 nos alcan\u00e7ou a n\u00f3s. Ansiou pela chegada daquela hora absoluta em que nos encontrou no mais profundo e dram\u00e1tico da condi\u00e7\u00e3o humana, para nos salvar de vez. Acolhamos a exorta\u00e7\u00e3o de Paulo, ainda h\u00e1 pouco ouvida: \u00abAfei\u00e7oai-vos \u00e0s coisas do alto e n\u00e3o \u00e0s da terra. Porque v\u00f3s morrestes, e a vossa vida est\u00e1 escondida com Cristo em Deus.\u00bb<br \/>\n\u00c9 a afei\u00e7\u00e3o \u00e0s coisas do alto, isso mesmo que s\u00f3 Cristo nos conseguiu e oferece, que explica e incita a nossa corrida espiritual de todos os dias, sempre e s\u00f3 ao seu encontro. E o t\u00famulo vazio que os primeiros disc\u00edpulos encontraram foi apenas o sinal da presen\u00e7a total com que hoje corresponde \u00e0 nossa procura.<br \/>\nCrist\u00e3o, podemos dizer, \u00e9 quem anseia deparar com o Ressuscitado em cada momento da sua vida \u2013 para vir a dizer, tamb\u00e9m com S\u00e3o Paulo: \u00abJ\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, mas \u00e9 Cristo que vive em mim.\u00bb (Gl\u00a02, 20). Para ressuscitar com o Ressuscitado. Esse mesmo que nos prometeu: \u00abEu estarei sempre convosco at\u00e9 ao fim dos tempos\u00bb (Mt\u00a028,20).<\/p>\n<p>Certamente que o Tr\u00edduo Pascal, que Deus nos concedeu celebrar mais uma vez, tanto nos encheu a alma como agora nos refor\u00e7a o prop\u00f3sito. Gra\u00e7as s\u00e3o encargos e a gra\u00e7a pascal redunda em procura e miss\u00e3o, sempre mais urgentes. Procura do Ressuscitado nos sinais mais garantidos da sua presen\u00e7a; miss\u00e3o de os repercutir na vida do mundo, do pequeno mundo de cada um ao grande mundo de n\u00f3s todos.<br \/>\nLembremos brevemente os sinais garantidos da presen\u00e7a do Ressuscitado, como a eles devemos acorrer todos os dias, com particular refer\u00eancia ao Tempo Pascal que hoje come\u00e7a. Falando da sua uni\u00e3o connosco, Jesus usou esta compara\u00e7\u00e3o: \u00abEu sou a videira; v\u00f3s os ramos. Quem permanece em mim e eu nele, esse d\u00e1 muito fruto [\u2026] Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em v\u00f3s, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecer\u00e1. Nisto se manifesta a gl\u00f3ria do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus disc\u00edpulos\u00bb (Jo\u00a015, 5-8).<br \/>\nCar\u00edssimos: Este \u00e9 o primeiro sinal que devemos ativar todos os dias: a Palavra de Cristo ouvida, meditada e assimilada. Quando tal acontece, tudo muda de figura, passando a ser visto a partir de Deus, o \u00fanico que absolutamente conhece o cora\u00e7\u00e3o do homem e o sentido das coisas. Palavra ressuscitadora, uma vez que ressoa no sil\u00eancio que fizermos, como o an\u00fancio da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo soou no t\u00famulo vazio. Precisamente com esta condi\u00e7\u00e3o silenciosa e acolhedora, todos os\u00a0dias exercitada e de cada vez correspondida por Cristo Palavra de Deus.<br \/>\nOutro sinal \u2013 ou a decorr\u00eancia do primeiro \u2013 \u00e9 a Eucaristia para que nos convida. \u00c9 tamb\u00e9m no Evangelho de Jo\u00e3o que encontramos esta alus\u00e3o ao Ressuscitado, aparecendo aos disc\u00edpulos que tinham voltado \u00e0 sua faina de pescadores &#8211; mas igualmente a cada um de n\u00f3s, na faina de todos os dias: \u00abDisse-lhes Jesus: \u201cVinde almo\u00e7ar.\u201d E nenhum dos disc\u00edpulos se atrevia a perguntar-lhe: \u201cQuem \u00e9s tu?\u201d, porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-se, tomou o p\u00e3o e deu-lho, fazendo o mesmo com o peixe\u00bb (Jo\u00a021, 12-13).<br \/>\nA alus\u00e3o \u00e9 certamente eucar\u00edstica, pelo gesto de \u201ctomar o p\u00e3o e d\u00e1-lo\u201d. E traz outra refer\u00eancia importante, uma vez que o \u201cpeixe\u201d era para os primeiros crist\u00e3os um modo de designar o pr\u00f3prio Cristo. Significando isto que num sacramento \u2013 na Eucaristia como em todos os outros &#8211; \u00e9 da pr\u00f3pria pessoa de Cristo que se trata, requerendo tanta correspond\u00eancia e coer\u00eancia da nossa parte, como da sua \u00e9 a entrega.<br \/>\nMais dois sinais da presen\u00e7a do Ressuscitado, a que devemos acorrer, encontramo-los no Evangelho de Mateus, sobremaneira eclesial. Um \u00e9 mantermo-nos em ora\u00e7\u00e3o, especialmente a comunit\u00e1ria: \u00abSe dois de entre v\u00f3s se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, h\u00e3o de obt\u00ea-la de meu Pai que est\u00e1 no C\u00e9u. Pois, onde estiverem dois ou tr\u00eas reunidos em meu nome, eu estou no meio deles\u00bb (Mt\u00a018, 19-20).<br \/>\nTamb\u00e9m, e por excel\u00eancia, a caridade ativa, que nos leve ao encontro das necessidades dos outros, assim mesmo encontrando o Ressuscitado que em cada um nos espera. Mencionando as fomes que saci\u00e1mos, as sedes que dessedent\u00e1mos, os peregrinos que recolhemos, os nus que vestimos, os doentes e presos que visit\u00e1mos, responde perentoriamente: \u00abSempre que fizeste isto a um destes irm\u00e3os mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes\u00bb (Mt\u00a025, 40).<br \/>\n&#8211; Assim sendo, car\u00edssimos irm\u00e3os, que nos falta ou retarda, para vivermos plenamente em P\u00e1scoa, procurando e testemunhando a presen\u00e7a do Ressuscitado, como garantidamente se oferece? Para que tamb\u00e9m dos vazios tumulares deste mundo a sua presen\u00e7a irrompa, t\u00e3o forte e luminosa como na madrugada daquele primeiro dia. &#8211; Se Cristo nos espera, porque demoramos n\u00f3s?<\/p>\n<p>S\u00e9 de Lisboa, 1 de abril de 2018<\/p>\n<p><em>D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca\u00a0 de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":101302,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[343,275],"class_list":["post-101301","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-lisboa","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101301","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101301"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101301\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/101302"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101301"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101301"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101301"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}