{"id":101198,"date":"2018-04-01T00:10:07","date_gmt":"2018-03-31T23:10:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=101198"},"modified":"2018-04-03T17:37:11","modified_gmt":"2018-04-03T16:37:11","slug":"101198-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/101198-2\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Jos\u00e9 Cordeiro, bispo de Bragan\u00e7a-Miranda, na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p>Vig\u00edlia Pascal<!--more--><\/p>\n<p>Catedral, 31.03.2018<\/p>\n<p><strong>Fonte da Luz, da Palavra, da \u00c1gua e do P\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O simbolismo fundamental da celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da Vig\u00edlia Pascal \u00e9 o de ser uma \u201c<em>noite clara<\/em>\u201d, ou melhor \u00ab<em>a noite que brilha como o dia e a escurid\u00e3o \u00e9 clara como a luz<\/em>\u00bb. Esta noite inaugura o \u201c<em>Hodie=Hoje<\/em>\u201d da liturgia, como se tratasse de um \u00fanico dia de festa sem ocaso (o dia da celebra\u00e7\u00e3o festiva da Igreja que se prolonga pela oitava pascal e pelos cinquenta dias do Tempo pascal), no qual se diz \u00ab<em>eis o dia que fez o Senhor, nele exultemos e nos alegremos<\/em>\u00bb (Sl 118).<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Luz, Palavra, \u00c1gua, P\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Na noite, em que Jesus Cristo passou da morte \u00e0 vida, a Igreja convida os seus filhos a reunirem-se em vig\u00edlia e ora\u00e7\u00e3o. Na verdade, a Vig\u00edlia pascal foi sempre considerada a m\u00e3e de todas a vig\u00edlias e o cora\u00e7\u00e3o do Ano lit\u00fargico. A sensibilidade popular poderia pensar que a grande noite fosse a noite de Natal, mas a teologia e a liturgia da Igreja adverte que \u00e9 a noite da P\u00e1scoa, \u00abna qual a Igreja espera em vig\u00edlia a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo e a celebra nos sacramentos\u00bb (Normas gerais sobre o Ano lit\u00fargico, 20).<\/p>\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o da Vig\u00edlia pascal articula-se em quatro partes: 1) a liturgia da luz ou \u201clucern\u00e1rio\u201d; 2) a liturgia da Palavra; 3) a liturgia baptismal; 4) a liturgia eucar\u00edstica.<\/p>\n<ul>\n<li>A liturgia da luz consiste na b\u00ean\u00e7\u00e3o do fogo, na prepara\u00e7\u00e3o do c\u00edrio e na proclama\u00e7\u00e3o do prec\u00f3nio pascal. O lume novo e o c\u00edrio pascal simbolizam a luz da P\u00e1scoa, que \u00e9 Cristo, luz do mundo. O texto do prec\u00f3nio evidencia-o quando afirma que \u00aba luz de Cristo (&#8230;) dissipa as trevas de todo o mundo\u00bb e convida a \u00abcelebrar o esplendor admir\u00e1vel desta luz (&#8230;) na noite ditosa, em que o c\u00e9u se une \u00e0 terra, em que o homem se encontra com Deus!\u00bb.<\/li>\n<li>A liturgia da Palavra prop\u00f5e sete leituras do Antigo Testamento, que recordam as maravilhas de Deus na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e duas do Novo Testamento, ou seja, o an\u00fancio da Ressurrei\u00e7\u00e3o segundo os tr\u00eas Evangelhos sin\u00f3pticos, e a leitura apost\u00f3lica sobre o Baptismo crist\u00e3o como sacramento da P\u00e1scoa de Cristo. Assim, a Igreja, \u00abcome\u00e7ando por Mois\u00e9s e seguindo pelos Profetas\u00bb (Lc 24,27), interpreta o mist\u00e9rio pascal de Cristo. Toda a escuta da Palavra \u00e9 feita \u00e0 luz do acontecimento-Cristo, simbolizado no c\u00edrio colocado no candelabro junto ao Amb\u00e3o ou perto do Altar.<\/li>\n<li>A liturgia baptismal \u00e9 parte integrante da celebra\u00e7\u00e3o. Quando n\u00e3o h\u00e1 Baptismo, faz-se a b\u00ean\u00e7\u00e3o da fonte baptismal e a renova\u00e7\u00e3o das promessas do Baptismo. Do programa ritual consta, ainda, o canto da ladainha dos santos, a b\u00ean\u00e7\u00e3o da \u00e1gua lustral, a aspers\u00e3o de toda a assembleia com a \u00e1gua benta e a ora\u00e7\u00e3o universal. A Igreja antiga baptizava os catec\u00famenos nesta noite e hoje permanece a liturgia baptismal, mesmo sem a celebra\u00e7\u00e3o do Baptismo.<\/li>\n<li>A liturgia eucar\u00edstica \u00e9 o momento culminante da Vig\u00edlia, qual sacramento pleno da P\u00e1scoa, isto \u00e9, a mem\u00f3ria do sacrif\u00edcio da Cruz, a presen\u00e7a de Cristo Ressuscitado, o \u00e1pice da Inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e o antegozo da P\u00e1scoa eterna.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estes quatro momentos celebrativos t\u00eam como fio condutor a unidade do plano de salva\u00e7\u00e3o de Deus em favor dos homens, que se realiza plenamente na P\u00e1scoa de Cristo por n\u00f3s. Por consequ\u00eancia, a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 o fundamento da f\u00e9 e da esperan\u00e7a da Igreja.<\/p>\n<p>Gostaria de destacar dois elementos expressivos desta solene vig\u00edlia: a luz e a \u00e1gua.<\/p>\n<p>A Vig\u00edlia na noite santa abre com a liturgia da luz, evocando a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo e a peregrina\u00e7\u00e3o de Israel guiado pela coluna de fogo. A liturgia salienta a pot\u00eancia da luz, como o s\u00edmbolo de Cristo Ressuscitado, no c\u00edrio pascal e nas velas que se acendem do mesmo, na ilumina\u00e7\u00e3o progressiva das luzes da igreja, ao acender das velas do altar e com as velas acesas na m\u00e3o para a renova\u00e7\u00e3o das promessas baptismais. O s\u00edmbolo mais iluminador \u00e9 o c\u00edrio, que deve ser de cera, novo cada ano e relativamente grande, para poder evocar que Cristo \u00e9 a luz dos povos. Ao acender o c\u00edrio pascal do lume novo, o sacerdote diz: \u00ab<em>A luz de Cristo gloriosamente ressuscitado nos dissipe as trevas do cora\u00e7\u00e3o e do esp\u00edrito<\/em>\u00bb e depois apresenta o c\u00edrio como \u00ab<em>lumen Christi<\/em>=a luz de Cristo\u00bb. Quando algu\u00e9m nasce, costuma-se dizer que \u00ab<em>veio \u00e0 luz<\/em>\u00bb ou que \u00aba m\u00e3e deu \u00e0 luz\u00bb. Podemos, por isso dizer que a Igreja veio \u00e0 luz na P\u00e1scoa de Cristo. De facto, toda a vida da Igreja encontra a sua fonte no mist\u00e9rio da P\u00e1scoa de Cristo.<\/p>\n<p>A \u00e1gua na liturgia \u00e9, igualmente, um s\u00edmbolo muito significativo. \u00ab<em>A \u00e1gua \u00e9 rica de mist\u00e9rio<\/em>\u00bb (R. Guardini). Ela \u00e9 simples, pura, limpa e desinteressada. S\u00edmbolo perfeito da vida, que Deus preparou, ao longos dos tempos, para manifestar melhor o sentido do Baptismo. A ora\u00e7\u00e3o da b\u00ean\u00e7\u00e3o da \u00e1gua faz mem\u00f3ria da ac\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus na hist\u00f3ria atrav\u00e9s da \u00e1gua. Com efeito, a \u00e1gua \u00e9 benzida, para que o homem, criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, \u00ab<em>no sacramento do Baptismo seja purificado das velhas impurezas e ressuscite homem novo pela \u00e1gua e pelo Esp\u00edrito Santo<\/em>\u00bb. Na tradi\u00e7\u00e3o eclesial, a fonte baptismal \u00e9 comparada ao seio materno e a Igreja \u00e0 m\u00e3e que d\u00e1 \u00e0 luz.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>O C\u00edrio Pascal <\/strong>(<em>cereus<\/em>, cera produzida pelas abelhas)<\/li>\n<\/ol>\n<p>Atendendo \u00e0s novas realidades das Unidades Pastorais, da diminui\u00e7\u00e3o de Presb\u00edteros a quem s\u00e3o confiadas v\u00e1rias comunidades, \u00e9 frequente fazer estas e outras perguntas acerca da Vig\u00edlia pascal, a m\u00e3e de todas as vig\u00edlias, especialmente acerca do C\u00edrio Pascal: <em>C\u00edrio pascal ou c\u00edrios pascais na maior de todas as Vig\u00edlias? <\/em><em>Como fazer em rela\u00e7\u00e3o ao C\u00edrio Pascal, quando, sendo p\u00e1rocos de v\u00e1rias par\u00f3quias onde o C\u00edrio, durante o ano, tamb\u00e9m deve estar, ma s\u00f3 h\u00e1 uma Vig\u00edlia Pascal, numa dessas Par\u00f3quias?<\/em> <em>Quando uma Unidade Pastoral tem v\u00e1rias Par\u00f3quias ou uma Par\u00f3quia possui v\u00e1rias comunidades, como deve proceder-se, na \u00fanica Vig\u00edlia pascal celebrada anualmente numa dessas comunidades, a fim de que todas possuam o seu c\u00edrio pascal, onde possam acender-se as velas nos Baptismos que tiverem lugar, em cada uma, durante esse ano? Como deve proceder-se, no come\u00e7o da Vig\u00edlia, quanto \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o dos c\u00edrios? E quanto ao acend\u00ea-los: acendem-se todos, um ap\u00f3s outro, quando se acende o c\u00edrio pascal principal da pr\u00f3pria comunidade, antes da primeira aclama\u00e7\u00e3o \u201cA luz de Cristo\u201d, ou acendem-se com todos os outros c\u00edrios comuns (velas), na segunda aclama\u00e7\u00e3o \u201cA luz de Cristo\u201d?<\/em><\/p>\n<p>Para responder com rigor a estas perguntas<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, come\u00e7amos por fazer uma pequena averigua\u00e7\u00e3o sobre o tema da Vig\u00edlia Pascal e do C\u00edrio Pascal. Em nenhum dos nove documentos consultados (<em>Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, Ritual da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, Direct\u00f3rio das Missas com Crian\u00e7as, Ritual das B\u00ean\u00e7\u00e3os, Prepara\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o das Festas Pascais, O dia do Senhor, Direct\u00f3rio sobre a piedade popular e a liturgia, Cerimonial dos Bispos\u00a0<\/em>e<em>\u00a0<\/em><em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>) se encontra a express\u00e3o \u201c<em>c\u00edrios pascais<\/em>\u201d, e muito menos \u201c<em>b\u00ean\u00e7\u00e3o dos c\u00edrios pascais na Vig\u00edlia pascal<\/em>\u201d. A express\u00e3o por eles utilizada \u00e9 sempre e s\u00f3 \u201cc\u00edrio pascal\u201d, que a\u00ed aparece 41 vezes, com realce para o documento sobre as \u201cfestas pascais\u201d (7 vezes) e o Cerimonial dos Bispos (25 vezes). Em cada um dos outros documentos aparece apenas uma ou duas vezes.<\/p>\n<p>Seria l\u00f3gico encontrar, pelo menos no documento que trata directamente da prepara\u00e7\u00e3o e celebra\u00e7\u00e3o das festas pascais, alguma refer\u00eancia a \u201cc\u00edrios\u201d, no plural, uma vez que a\u00ed se diz o seguinte: <em>\u00ab&#8230; Onde v\u00e1rias par\u00f3quias pequenas s\u00e3o confiadas a um s\u00f3 presb\u00edtero, conv\u00e9m que, na medida do poss\u00edvel, os seus fi\u00e9is se re\u00fanam na igreja principal para participarem nas mesmas celebra\u00e7\u00f5es. Para o verdadeiro bem dos fi\u00e9is, onde o p\u00e1roco tem a seu cuidado duas ou mais par\u00f3quias, nas quais os fi\u00e9is participam em grande n\u00famero e podem ser realizadas as celebra\u00e7\u00f5es com a perfei\u00e7\u00e3o e a solenidade devidas, os mesmos p\u00e1rocos podem repetir as celebra\u00e7\u00f5es do Tr\u00edduo pascal, respeitando-se todas as normas estabelecidas&#8230;\u00bb<\/em>\u00a0(Carta circular da Congrega\u00e7\u00e3o do Culto Divino sobre a prepara\u00e7\u00e3o e a celebra\u00e7\u00e3o das festas pascais, n.\u00a043;\u00a0EDREL\u00a03892)<em>.<\/em><\/p>\n<p>O texto citado refere duas situa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p><em>Quando v\u00e1rias par\u00f3quias pequenas est\u00e3o confiadas a um s\u00f3 p\u00e1roco<\/em>, conv\u00e9m que os fi\u00e9is de todas elas se re\u00fanam na igreja principal (ou, cada ano, rotativamente, na igreja de cada uma das par\u00f3quias), a fim de participarem nas mesmas celebra\u00e7\u00f5es (v.g. na Vig\u00edlia pascal). Pergunta-se: como fazer para que cada uma das pequenas par\u00f3quias n\u00e3o fique privada do seu \u201cc\u00edrio\u201d pr\u00f3prio, nos anos em que a celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 feita numa das outras par\u00f3quias? O documento acerca das festas pascais nada diz sobre isso.<\/p>\n<p><em>Quando o p\u00e1roco tem a seu cuidado duas ou mais par\u00f3quias com alguma dimens\u00e3o de pr\u00e1tica religiosa<\/em>, pode repetir as celebra\u00e7\u00f5es do Tr\u00edduo pascal, nomeadamente a Vig\u00edlia. \u201cRepetir\u201d \u00e9 dizer ou fazer uma segunda vez, o que no caso da Vig\u00edlia j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 pouco. E se as par\u00f3quias forem mais de duas? Donde vir\u00e1 o c\u00edrio pascal para aquela ou aquelas em cuja igreja, nesse ano, n\u00e3o h\u00e1 Vig\u00edlia?<\/p>\n<p>De novo o documento guarda sil\u00eancio. Porqu\u00ea? Certamente, porque embora haja v\u00e1rios \u201cc\u00edrios pascais\u201d numa mesma celebra\u00e7\u00e3o, todos e cada um deles simboliza sempre e s\u00f3 Jesus Cristo, Luz do mundo, como Ele mesmo disse: \u00ab<em>Eu sou a Luz do mundo. Quem Me segue n\u00e3o anda nas trevas, mas ter\u00e1 a Luz da Vida<\/em>\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a08, 12). A Luz de Cristo \u00e9 uma s\u00f3, quer seja difundida por um \u00fanico c\u00edrio ou por v\u00e1rios. A multiplicidade de \u201cc\u00edrios\u201d significa que os grupos crist\u00e3os a que se destinam s\u00e3o v\u00e1rios, mas a luz \u00fanica proveniente de muitas \u201cluzes\u201d diz-nos que Jesus Cristo \u00e9 sempre o mesmo, ontem, hoje e para sempre.<\/p>\n<p>Dado, por\u00e9m, que a pergunta pode vir a ser feita por algu\u00e9m (quem sabe se o n\u00e3o foi j\u00e1!), penso que esta poderia ser uma das respostas liturgicamente poss\u00edveis: as comunidades em cuja igreja paroquial n\u00e3o se celebra em determinado ano a Vig\u00edlia, poderiam encarregar um paroquiano de levar, para a celebra\u00e7\u00e3o comum, o seu c\u00edrio pascal que, depois de aceso, juntamente com os outros c\u00edrios durante a b\u00ean\u00e7\u00e3o do lume novo, a seguir tomaria parte, juntamente com os outros c\u00edrios, na prociss\u00e3o atrav\u00e9s da igreja. Terminada a prociss\u00e3o, todos os c\u00edrios seriam colocados nos respectivos suportes e incensados, e a\u00ed ficariam at\u00e9 ao fim da Vig\u00edlia, sendo ent\u00e3o levados para a respectiva igreja paroquial, pelos fi\u00e9is que os tivessem trazido, onde seriam colocados no suped\u00e2neo previamente preparado.<\/p>\n<p>Esta seria tamb\u00e9m a solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel nas situa\u00e7\u00f5es referidas na sua pergunta, isto \u00e9, no caso de\u00a0<em>v\u00e1rias comunidades da mesma par\u00f3quia<\/em>\u00a0(v.g. pequenas aldeias com a sua capela) onde se celebram sacramentos (v.g. baptismo, matrim\u00f3nio, primeira Comunh\u00e3o), ou ainda no de outro tipo de comunidades (v.g. col\u00e9gios, movimentos, comunidades de base, santu\u00e1rios, etc.).<\/p>\n<p><em>Como deve proceder-se<\/em>\u00a0<em>no come\u00e7o da Vig\u00edlia<\/em>? Tudo deve ser feito ao mesmo tempo e no mesmo lugar: prepara\u00e7\u00e3o dos c\u00edrios, sua ilumina\u00e7\u00e3o uns ap\u00f3s outros depois de acender o c\u00edrio pascal principal da pr\u00f3pria comunidade, antes de se entrar na igreja.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>Noite clara como a Luz<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>N\u00e3o se conhece exatamente a origem do c\u00edrio pascal. Provavelmente deriva do c\u00edrio do <em>lucernarium<\/em>, ou seja, do of\u00edcio vespertino com o qual, desde a antiguidade se iniciavam em quase todas as igrejas a vig\u00edlia do domingo e da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>O c\u00edrio pascal representa Cristo, o <em>Kyrios<\/em>, sol de justi\u00e7a que n\u00e3o escurece. A tipologia da luz do c\u00edrio pascal vem claramente sublinhada no Prec\u00f3nio Pascal ou <em>Laus Cerei<\/em>, o <em>Exsulte<\/em>t. A prociss\u00e3o do <em>Lumen Christi<\/em> na Vig\u00edlia Pascal \u00e9 a anamnese da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>No texto do Prec\u00f3nio pascal, chamado o hino \u201c<em>Exsultet<\/em>\u201d e que se canta nesta celebra\u00e7\u00e3o, diz-se que esta noite \u00e9 \u00ab<em>bendita<\/em>\u00bb, porque \u00e9 a \u00ab<em>\u00fanica a ter conhecimento do tempo e da hora em que Cristo ressuscitou do sepulcro! Esta \u00e9 a noite, da qual est\u00e1 escrito: a noite brilha como o dia e a escurid\u00e3o \u00e9 clara como a luz<\/em>\u00bb. Por isso, a Igreja celebra a P\u00e1scoa anual, solenidade das solenidades, com um vig\u00edlia nocturna.<\/p>\n<p>Assim cantamos e caminhamos na intelig\u00eancia do Dom para o caminho: \u00ab<em>Exulte de alegria a multid\u00e3o dos Anjos, exultem as assembleias celestes, ressoem hinos de gl\u00f3ria para anunciar o triunfo de t\u00e3o grande Rei. Rejubile tamb\u00e9m a terra, inundada por t\u00e3o grande claridade, porque a luz de Cristo, o Rei eterno, dissipa as trevas de todo o mundo<\/em>. <em>Alegre-se a Igreja, nossa m\u00e3e, adornada com os fulgores de t\u00e3o grande luz, (&#8230;) Oh noite ditosa, em que o c\u00e9u se une \u00e0 terra, em que o homem se encontra com Deus!<\/em>\u00bb<\/p>\n<p>\u03a7\u03c1\u03b9\u03c3\u03c4\u03cc\u03c2 \u1f00\u03bd\u03ad\u03c3\u03c4\u03b7!<\/p>\n<p>Cristo Ressuscitou. Aleluia!<\/p>\n<p>+ Jos\u00e9 Manuel Cordeiro<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cf. SECRETARIADO NACIONAL DE LITURGIA, <em>A beleza da Liturgia<\/em>, Secretariado Nacional de Liturgia, F\u00e1tima 2018, 370-373.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vig\u00edlia Pascal<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":101199,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[275,308],"class_list":["post-101198","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-pascoa","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101198","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101198"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101198\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/101199"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}