{"id":101141,"date":"2018-03-30T22:49:52","date_gmt":"2018-03-30T21:49:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=101141"},"modified":"2018-03-30T22:49:52","modified_gmt":"2018-03-30T21:49:52","slug":"porto-homilia-de-d-antonio-augusto-azevedo-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/porto-homilia-de-d-antonio-augusto-azevedo-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Porto: Homilia de D. Ant\u00f3nio Augusto Azevedo na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesta tarde de Sexta-feira Santa somos convidados a colocarmo-nos em atitude de sil\u00eancio e adora\u00e7\u00e3o diante da cruz em que Nosso Senhor Jesus Cristo deu a vida pela salva\u00e7\u00e3o da humanidade. O mist\u00e9rio desta cruz n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 diante de n\u00f3s, mas nos envolve e abre-nos ao sentido \u00faltimo e definitivo da nossa exist\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No relato da Paix\u00e3o evocamos os passos decisivos da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e da revela\u00e7\u00e3o de Deus. Ao apresentar-se como aquele que nasceu e veio ao mundo \u00abpara dar testemunho da verdade\u00bb (Jo 18,37), Jesus ajuda-nos a entender aqueles acontecimentos como momentos da verdade. A verdade da sua pr\u00f3pria pessoa, o Messias que realiza em plenitude a miss\u00e3o de Servo de Jav\u00e9 que suporta a dores e males da humanidade; a verdade do seu Reino que n\u00e3o \u00e9 deste mundo nem se imp\u00f5e pela for\u00e7a das armas; a verdade do seu sacerd\u00f3cio que se exprime na entrega da pr\u00f3pria vida como sacrif\u00edcio de expia\u00e7\u00e3o. No fundo, a verdade de Deus que na pessoa do Filho carrega os nossos sofrimentos,expia o nosso pecado,nos liberta e reconcilia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Paix\u00e3o do Senhor constitui tamb\u00e9m revela\u00e7\u00e3o \u00edmpar da verdade do pr\u00f3prio homem. Na figura de Jesus apresentado \u00e0 multid\u00e3o &#8211; <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ecce homo &#8211; <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">e no rosto do crucificado reconhecemos os \u00edcones mais eloquentes de uma humanidade desfigurada. Vemos a\u00ed representados os rostos de todos os seres humanos v\u00edtimas de injusti\u00e7as, da viol\u00eancia, da tortura, as v\u00edtimas inocentes do terrorismo, da explora\u00e7\u00e3o, de maus tratos ou de abandono. Humanidade sofredora, humanidade crucificada mas humanidade redimida, com futuro. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No rosto de Jesus transparece a imagem de um Deus compassivo perante a humanidade ferida, de um Deus solid\u00e1rio com todos os rejeitados. \u00c9 o testemunho de que \u00abna verdade n\u00f3s n\u00e3o temos um Sumo Sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas\u00bb (Heb 4,15). Esta \u00e9 a verdade mais profunda sobre Deus e sobre o homem que a P\u00e1scoa proclama. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas a for\u00e7a desta verdade depara-se tantas vezes com o mesmo ceticismo de que Pilatos \u00e9 porta-voz ou com a mesma insensibilidade da multid\u00e3o. Ent\u00e3o como hoje est\u00e3o \u00e0 vista os riscos que constituem para a abertura \u00e0 verdade quer o autoconvencimento de quem est\u00e1 instalado no seu poder ou o da raz\u00e3o individual como \u00fanico crit\u00e9rio da verdade, quer a irracionalidade das multid\u00f5es suscet\u00edveis de todas as manipula\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na cruz descobrimos a verdade sobre Deus e sobre n\u00f3s pr\u00f3prios, mas nela encontramos tamb\u00e9m a grande palavra de Deus perante o mist\u00e9rio do mal. Essa realidade que se reveste de tantas modalidades, que afeta a nossa exist\u00eancia, envenena o mundo e obscurece a imagem de Deus. Neste dia reconhecemos que o mal n\u00e3o pode simplesmente ser ignorado e tomamos mais consci\u00eancia da nossa pr\u00f3pria culpa. Percebemos sobretudo como Deus n\u00e3o permaneceu silencioso ou impotente perante a monstruosidade do mal. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A cruz lan\u00e7a nova luz sobre a dimens\u00e3o do mal e a imensid\u00e3o da miseric\u00f3rdia divina. A for\u00e7a do amor manifestado por Jesus Cristo na cruz \u00e9 que verdadeiramente salva o homem e o liberta de todo o mal. A for\u00e7a do bem que brota do cora\u00e7\u00e3o do crucificado \u00e9 maior, mais poderosa, que todo o mal. Na cruz \u00aba obscuridade e absurdo do pecado encontram-se com a santidade de Deus\u00bb (Bento XVI).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na narra\u00e7\u00e3o dos instantes finais da vida de Jesus, o evangelista S\u00e3o Jo\u00e3o refere o seu \u00faltimo dito: \u00abTudo est\u00e1 consumado\u00bb (Jo 19,30). Esta palavra Jesus manifesta a sua consci\u00eancia de ter cumprido at\u00e9 ao fim a vontade do Pai, atesta o seu entendimento da pr\u00f3pria vida como obedi\u00eancia ao Pai, de confian\u00e7a sem limites no seu amor. Antes tinha dito: \u00abTenho sede\u00bb (Jo 19,28). Esta sede \u00e9 sinal de car\u00eancia f\u00edsica acrescida da secura do abandono e da rejei\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 sobretudo sinal de que Jesus, como todo o que est\u00e1 no fim do seu caminho, est\u00e1 sedento e aspira a ser acolhido nos bra\u00e7os do Pai da miseric\u00f3rdia. A partir destas derradeiras palavras de Jesus, este dia, celebrando a paix\u00e3o e a morte, \u00e9 celebra\u00e7\u00e3o da vida e da esperan\u00e7a. Da vida vivida com sentido at\u00e9 ao fim; da vida dada por amor; da vida entregue a Deus e por isso cheia de esperan\u00e7a e de futuro. Com inspira\u00e7\u00e3o na morte do Redentor, que a morte humana seja sempre digna, entrega amorosa nas m\u00e3os do Pai, abertura confiante \u00e0 vida em plenitude que s\u00f3 Deus pode dar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante da cruz em que o Salvador do mundo deu a vida por n\u00f3s, rezamos com o Papa Francisco: \u00ab\u00d3 Cristo, pedimos-te que nos ensines a nunca nos envergonharmos da tua cruz, a n\u00e3o a instrumentalizar mas a honr\u00e1-la e ador\u00e1-la porque com ela tu nos manifestaste a monstruosidade dos nossos pecados, a grandeza do teu amor, a injusti\u00e7a dos nossos julgamentos e o poder da tua miseric\u00f3rdia. AMEN\u00bb.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Porto, 30 de mar\u00e7o de 2018\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">D. Ant\u00f3nio Augusto de Oliveira Azevedo<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":101142,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187,308],"class_list":["post-101141","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101141","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101141"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101141\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/101142"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}