{"id":10105,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/eucaristia-contemplacao-do-rosto-de-cristo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"eucaristia-contemplacao-do-rosto-de-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/eucaristia-contemplacao-do-rosto-de-cristo\/","title":{"rendered":"Eucaristia, contempla\u00e7\u00e3o do rosto de Cristo"},"content":{"rendered":"<p>Catequese do Cardeal-Patriarca no 1\u00ba Domingo da Quaresma  <!--more--> 1. A P\u00e1scoa deste ano tem de ser especial para a Igreja de Lisboa. Aproxima-se a realiza\u00e7\u00e3o do Congresso Internacional da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o. Centr\u00e1mo-lo no an\u00fancio de Jesus Cristo Vivo, fonte da plenitude da Vida. Mas esse \u00e9 o an\u00fancio da Igreja sempre que celebra a Eucaristia: a proclama\u00e7\u00e3o da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, na intimidade de uma comunh\u00e3o de vida. A nossa ousadia de celebrar este Congresso tem de dar densidade e verdade \u00e0 nossa P\u00e1scoa, a cada Eucaristia que celebramos. Na P\u00e1scoa e no Congresso responderemos ao desafio do Papa Jo\u00e3o Paulo II, na sequ\u00eancia do Jubileu do Ano 2000: queremos contemplar o rosto de Cristo. \u201cContemplar o rosto de Cristo e contempl\u00e1-lo com Maria \u00e9 o programa que propus \u00e0 Igreja na aurora do terceiro mil\u00e9nio, convidando-a a fazer-se ao largo no mar da hist\u00f3ria, lan\u00e7ando-se com entusiasmo na nova evangeliza\u00e7\u00e3o. Contemplar Cristo implica saber reconhec\u00ea-lO onde quer que Ele se manifeste, com as suas diversas presen\u00e7as, mas sobretudo no sacramento vivo do seu Corpo e Sangue. A Igreja vive de Jesus eucar\u00edstico, por Ele \u00e9 alimentada e iluminada\u201d . Contemplar o rosto de Cristo \u00e9 um est\u00e1dio avan\u00e7ado da experi\u00eancia da f\u00e9, \u00e9 encontr\u00e1-l\u2019O na intimidade mais profunda do seu ser, numa comunh\u00e3o de vida que s\u00f3 o amor torna poss\u00edvel. No Ano da Eucaristia, na P\u00e1scoa que nos preparamos para celebrar, procuremos o rosto de Cristo na Eucaristia. H\u00e1 um rosto eucar\u00edstico de Jesus Cristo .  <i>O rosto eucar\u00edstico de Jesus Cristo<\/i> 2. Esta express\u00e3o \u00e9, de certo modo, paradoxal. Se h\u00e1 algo que eu n\u00e3o posso contemplar na Eucaristia, \u00e9 o rosto f\u00edsico de Jesus Cristo. Puderam faz\u00ea-lo aqueles que conviveram com o Senhor durante a sua vida terrena: Maria Madalena p\u00f4de fix\u00e1-lo longamente nos olhos, procurando a\u00ed o reflexo do seu mist\u00e9rio; os Ap\u00f3stolos e os disc\u00edpulos sentiram a atrac\u00e7\u00e3o irresist\u00edvel da sua Palavra, quando os convidou a segui-l\u2019O; Jo\u00e3o sentiu-se o \u201cdisc\u00edpulo predilecto\u201d, porque Jesus lhe deixou reclinar a cabe\u00e7a no seu peito; ficaram impressionados quando viram Jesus a rezar, tendo estampado no rosto o recolhimento da adora\u00e7\u00e3o e, no Tabor, ficaram extasiados porque viram brilhar no rosto de Jesus o an\u00fancio da sua Gl\u00f3ria. Tamb\u00e9m os bem-aventurados que Deus recebeu na sua Casa, t\u00eam o privil\u00e9gio de contemplar o rosto f\u00edsico de Cristo ressuscitado. Mas na Eucaristia n\u00e3o. Encontramos o Senhor e entramos na intimidade da comunh\u00e3o com Ele, na simplicidade e austeridade dos sinais. Como \u00e9 que conhecemos melhor uma pessoa amada, contemplando-lhe os tra\u00e7os fision\u00f3micos ou penetrando-lhe no cora\u00e7\u00e3o? O \u201crosto eucar\u00edstico de Cristo\u201d revela-nos o seu cora\u00e7\u00e3o. Cora\u00e7\u00e3o de Filho, o \u00fanico que conhece o Pai e nos conduz a Ele; cora\u00e7\u00e3o amoroso de irm\u00e3o que deu a vida, para que todos possam viver; cora\u00e7\u00e3o fiel, a quem O ama, pondo essa fidelidade acima da pr\u00f3pria vida; cora\u00e7\u00e3o bondoso e misericordioso, que perdoou a trai\u00e7\u00e3o de Pedro, leu a verdade \u00edntima daquela mulher ad\u00faltera e da pecadora arrependida, que nos d\u00e1 sempre a certeza de que os nossos pecados podem ser perdoados e n\u00e3o impedirem a vida; cora\u00e7\u00e3o jubiloso que nos comunica j\u00e1 a alegria da vida futura. \u00c9 este o rosto de Cristo que podemos contemplar na Eucaristia. O momento em que conhecemos melhor as pessoas que nos amam e amamos, \u00e9 quando partilhamos o mais \u00edntimo do seu cora\u00e7\u00e3o, aquela verdade que as define e que \u00e9 perene, embora possa ser ainda e apenas uma capacidade e um desejo. Nesse momento uma rela\u00e7\u00e3o de amor torna-se imortal e definitiva. Essa verdade que define uma pessoa e nos abre para o seu mist\u00e9rio, torna-se a base s\u00f3lida do crescimento do conhecimento e da comunh\u00e3o e a ela s\u00e3o reconduzidos todos os outros aspectos da vida. Na Eucaristia podemos tocar nessa verdade eterna de Jesus Cristo, que O define e resume tudo o que disse e fez: o Filho eterno do Pai, que na sua humanidade \u00e9 express\u00e3o do amor infinito de Deus por n\u00f3s, que \u201capagou\u201d a gl\u00f3ria da sua divindade, ao fazer-se homem, para a recuperar para si e para n\u00f3s, vencendo os obst\u00e1culos que impediam os outros homens, seus irm\u00e3os, de serem \u201cfilhos de Deus\u201d. E esses obst\u00e1culos eram o pecado e a morte e Ele venceu-os, num \u00fanico combate. Ao \u201cresolver\u201d o drama da morte, na grandeza com que a aceitou e ofereceu e na ressurrei\u00e7\u00e3o que assim mereceu, venceu o nosso pecado e garantiu-nos a possibilidade do triunfo da vida. A morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o s\u00e3o a verdade profunda e misteriosa daquele Homem, Verbo de Deus encarnado; a sua P\u00e1scoa resume a sua vida e miss\u00e3o e exprime o seu mist\u00e9rio. Comungar dessa verdade fundamental de Jesus Cristo \u00e9 estabelecer com Ele uma rela\u00e7\u00e3o perene e imortal. E \u00e9 esse seu mist\u00e9rio profundo e decisivo que Ele nos comunica na Eucaristia. O rosto eucar\u00edstico de Jesus Cristo \u00e9 um \u201crosto pascal\u201d, o rosto serenamente doloroso de quem oferece a vida, o rosto jubiloso onde brilha a alegria da vida em plenitude .  <i>Um rosto que s\u00f3 o amor revela<\/i> 3. A Eucaristia \u00e9 uma experi\u00eancia de comunh\u00e3o com Cristo, que gera o envolvimento pessoal pr\u00f3prio do amor. Celebrar a Eucaristia \u00e9 muito mais que o cumprimento de um dever ou o assegurar um meio necess\u00e1rio \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. A Eucaristia deseja-se, procura-se, luta-se por a conseguir, como se luta pelo amor. Entregamo-nos a ela, sem limites nem reservas, como acontece em toda a busca do amor. Jo\u00e3o Paulo II, tamb\u00e9m como testemunho pessoal, fala-nos de \u201cenlevo\u201d, \u201cgrande e reconhecido enlevo\u201d, que ele deseja suscitar na Igreja, ao falar da Eucaristia: \u201c\u00e9 este enlevo eucar\u00edstico que desejo despertar com esta enc\u00edclica\u201d. \u201cEste enlevo deve invadir sempre a assembleia eclesial reunida para a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica; mas, de modo especial, deve inundar o ministro da Eucaristia\u201d .  Esta \u00e9 uma linguagem amorosa, que aponta para a Eucaristia como experi\u00eancia de amor, a Cristo e, por Ele, \u00e0 Sant\u00edssima Trindade. A Ceia Pascal revelou-se, para os disc\u00edpulos, que tinham vivido tantos momentos de intimidade com Jesus, a mais forte e envolvente experi\u00eancia de uni\u00e3o e comunh\u00e3o com Cristo. Diz o Papa: \u201cNo Cen\u00e1culo, os Ap\u00f3stolos, tendo aceite o convite de Jesus: \u00abTomai, comei\u2026 bebei\u00bb (Mt 26,26-27), entraram pela primeira vez em comunh\u00e3o sacramental com Ele\u201d . O gesto sacramental leva-os mais longe na comunh\u00e3o vital com Cristo do que todas as experi\u00eancias vividas at\u00e9 a\u00ed. Estava feita a \u201cpassagem\u201d, que relativizava a conviv\u00eancia natural como caminho de comunh\u00e3o com Cristo, s\u00f3 tornada radicalmente poss\u00edvel no gesto sacramental. \u201cDesde ent\u00e3o e at\u00e9 ao fim dos s\u00e9culos, a Igreja edifica-se atrav\u00e9s da comunh\u00e3o sacramental com o Filho de Deus imolado por n\u00f3s: \u00abfazei isto em minha mem\u00f3ria (\u2026) todas as vezes que o beberdes, fazei-o em minha mem\u00f3ria\u00bb (1Cor 11,24-25) .  S\u00f3 este envolvimento amoroso com Cristo, que n\u00f3s recebemos e que recebe cada um de n\u00f3s , na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, se prolonga na adora\u00e7\u00e3o do Senhor, na reserva eucar\u00edstica. Quando, cada um de n\u00f3s, se encontrou com o \u201cseu amado\u201d, como pode separar-se d\u2019Ele, se Ele continua presente, \u00e0 nossa espera, com a mesma for\u00e7a de amor? S\u00f3 a dimens\u00e3o amorosa da Eucaristia revela a insepar\u00e1vel unidade entre a celebra\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio pascal, e a presen\u00e7a real do Senhor, na reserva eucar\u00edstica. Ou\u00e7amos o comovido testemunho pessoal de Jo\u00e3o Paulo II: \u201c\u00c9 bom demorar-se com Ele e, inclinado sobre o seu peito como o disc\u00edpulo predilecto (Jo 13,25), deixar-se tocar pelo amor infinito do seu cora\u00e7\u00e3o. Se actualmente o cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela arte da ora\u00e7\u00e3o, como n\u00e3o sentir de novo a necessidade de permanecer longamente, em di\u00e1logo espiritual, adora\u00e7\u00e3o silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Sant\u00edssimo Sacramento? Quantas vezes, meus queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, fiz esta experi\u00eancia, recebendo dela for\u00e7a, consola\u00e7\u00e3o, apoio!\u201d .  4. \u00c9 nesta experi\u00eancia de comunh\u00e3o que nos \u00e9 revelado o \u201crosto eucar\u00edstico de Cristo\u201d. De Eucaristia em Eucaristia, de adora\u00e7\u00e3o em adora\u00e7\u00e3o, Ele vai-se afirmando como vivo, atraente, proposta de amor. E quanto mais se entrega a n\u00f3s, mais manifesta o seu desejo de nos introduzir no seio de Deus, na intimidade do amor trinit\u00e1rio. A Eucaristia revela-se um sacramento decisivo para a nossa aprendizagem da ora\u00e7\u00e3o e aprofundamento da caridade. \u00c9 certo que podemos rezar em qualquer lugar e em todas as circunst\u00e2ncias. Mas h\u00e1 uma gra\u00e7a pr\u00f3pria do sacramento da Eucaristia para aprender a louvar e a mergulhar cada vez mais no mist\u00e9rio insond\u00e1vel do amor de Deus. A Eucaristia, como nenhum outro meio de salva\u00e7\u00e3o, suscita em n\u00f3s o desejo, cada vez mais profundo, de conhecer Deus e mergulhar no seu mist\u00e9rio. \u00c9 nessa experi\u00eancia forte de atrac\u00e7\u00e3o por Jesus Cristo, gra\u00e7a pr\u00f3pria da Eucaristia, que nasce o desejo da frequ\u00eancia da celebra\u00e7\u00e3o. H\u00e1, ainda hoje, tantos crist\u00e3os que procuram a celebra\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, prolongada em adora\u00e7\u00e3o. Passar do obrigat\u00f3rio ao gratuito \u00e9 sinal de que se foi envolvido pela voragem de amor, o amor de Jesus Cristo pelo Pai e pelos homens, em que a Eucaristia nos introduz.  <i>A Eucaristia torna-nos contempor\u00e2neos de Jesus Cristo<\/i> 5. A P\u00e1scoa de Jesus, a sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, torna Cristo, Verbo encarnado, contempor\u00e2neo de todos os homens e \u00e9 a Eucaristia que torna perene a P\u00e1scoa do Senhor. Jo\u00e3o Paulo II afirma: na Eucaristia \u201cJesus Cristo entrega \u00e0 Igreja a actualiza\u00e7\u00e3o perene do mist\u00e9rio pascal. Com ele institu\u00eda uma misteriosa contemporaneidade entre aquele Triduum e o arco inteiro dos s\u00e9culos. Este pensamento suscita em n\u00f3s sentimentos de grande e reconhecido enlevo. H\u00e1, no acontecimento pascal e na Eucaristia que o actualiza ao longo dos s\u00e9culos, uma capacidade imensa, na qual est\u00e1 contida a hist\u00f3ria inteira, enquanto destinat\u00e1ria da gra\u00e7a da reden\u00e7\u00e3o\u201d . \u00c9 esta actualidade de Cristo morto e ressuscitado, vivida na Eucaristia, que nos permite mergulhar na P\u00e1scoa e ser protagonistas do acontecer da reden\u00e7\u00e3o. Cristo \u00e9 actual e vivo, na sua oferta sacrificial e n\u00f3s podemos, no momento presente que \u00e9 o nosso, mergulhar nesse acontecimento, reagir a ele, definir atitudes, comprometer a vida. S\u00f3 tem sentido participarmos na Eucaristia em inter-ac\u00e7\u00e3o com o seu protagonista principal, Jesus Cristo. \u00c9 por isso que a Eucaristia nunca \u00e9 repeti\u00e7\u00e3o, mas sim acontecimento surpreendentemente novo, que nos envolve a n\u00f3s, no realismo do nosso momento presente. \u00c9 nela que se torna vivo todo o drama da nossa hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o, simbiose de pecado e de gra\u00e7a, de fidelidade e infidelidade, de certeza e de d\u00favidas. Em cada Eucaristia podemos definir o rumo da nossa liberdade. \u00c9 por isso que a Eucaristia \u00e9 comunh\u00e3o de amor. S\u00f3 h\u00e1 amor entre pessoas vivas, contempor\u00e2neas no momento que passa, face a face, aceitando fazer comunh\u00e3o e unir as suas vidas num destino comum. Na Eucaristia, Cristo morto e ressuscitado n\u00e3o \u00e9 apenas mem\u00f3ria de um passado ou promessa de um futuro. Ele est\u00e1 agora, perante n\u00f3s, no drama da sua P\u00e1scoa que nos revela o drama da nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia, a convidar-nos a essa \u201cpassagem\u201d, a sermos P\u00e1scoa com Ele, realizando a nossa salva\u00e7\u00e3o e contribuindo, n\u2019Ele, para a salva\u00e7\u00e3o do mundo. A Eucaristia \u00e9 o lugar de todos os \u201csins\u201d, da actualiza\u00e7\u00e3o de todas as voca\u00e7\u00f5es, de vit\u00f3ria sobre todas as indecis\u00f5es. \u00c9-nos a\u00ed oferecida essa possibilidade imensa da nossa liberdade de reduzir a vida a um momento.  <i>Contemplar o rosto eucar\u00edstico de Cristo guiados pelo olhar maternal de Maria<\/i> 6. De todos aqueles que, durante a vida terrena de Jesus, puderam contemplar o seu rosto com o seu olhar natural, a maneira como a M\u00e3e de Jesus contemplou o rosto do seu Filho, \u00e9 a que se aproxima mais do olhar crente com que somos chamados a contemplar o rosto de Cristo, na Eucaristia, o que levou o Santo Padre a chamar a Maria mulher eucar\u00edstica . Diz\u00edamos atr\u00e1s que a Eucaristia \u00e9, para n\u00f3s, o momento de todos os \u201csins\u201d. O \u201csim\u201d de Maria ao projecto de Deus \u00e9 o que inspira mais os \u201csins\u201d que somos chamados a dar em cada Eucaristia. Escreveu Jo\u00e3o Paulo II: \u201cexiste uma profunda analogia entre o fiat pronunciado por Maria, em resposta \u00e0s palavras do Anjo, e o \u00e1men que cada fiel pronuncia quando recebe o Corpo do Senhor\u201d . As atitudes fundamentais que a Eucaristia exige de n\u00f3s, encontram modelos nas atitudes de Maria. \u201cFazei tudo o que Ele vos disser\u201d (Jo 2,5). \u00c9 por isso que cumprimos a sua palavra: \u201cfazei isto em Minha mem\u00f3ria\u201d. A Eucaristia \u00e9 \u201cmist\u00e9rio de f\u00e9\u201d. \u201cFeliz \u00e9s tu porque acreditaste\u201d, disse-lhe Isabel (Lc 1,45). \u00c9 como se ela nos dissesse, antes de cada Eucaristia: \u201cn\u00e3o hesiteis, confiai na palavra de Meu Filho. Se Ele p\u00f4de mudar a \u00e1gua em vinho, tamb\u00e9m \u00e9 capaz de fazer do p\u00e3o e do vinho o seu Corpo e Sangue\u201d . Maria compreendia tudo com o cora\u00e7\u00e3o (Lc 2,51). Ao contemplar o rosto do seu Filho, habituou-se a contemplar o invis\u00edvel no que via com os seus olhos humanos. N\u00e3o \u00e9 comum que uma m\u00e3e, ao contemplar o seu filho, tenha de balbuciar, n\u00e3o apenas eu amo, mas tamb\u00e9m eu creio. Essa \u00e9 a atitude de cada crente, na Eucaristia, balbuciando: eu amo, porque creio; eu creio porque amo. Maria \u00e9 mulher eucar\u00edstica porque, num certo modo, h\u00e1 uma contemporaneidade no seu olhar maternal, com que nos ensina a contemplar o rosto do seu Filho, na Eucaristia que o actualiza. E esse ser\u00e1 sempre um caminho belo para nos introduzir no mist\u00e9rio: deixar-se atrair por um olhar que fixa o infinito.  S\u00e9 Patriarcal, 13 de Fevereiro de 2005 <i>\u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Catequese do Cardeal-Patriarca no 1\u00ba Domingo da Quaresma<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[108,127,237,268,275,91],"class_list":["post-10105","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-da-eucaristia","tag-catequese","tag-joao-paulo-ii","tag-nova-evangelizacao","tag-pascoa","tag-quaresma"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10105\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}