{"id":101031,"date":"2018-03-29T23:59:55","date_gmt":"2018-03-29T22:59:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=101031"},"modified":"2018-03-29T23:59:55","modified_gmt":"2018-03-29T22:59:55","slug":"homilia-do-bispo-de-aveiro-na-missa-da-ceia-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-aveiro-na-missa-da-ceia-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Aveiro na Missa da Ceia do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><strong>O mist\u00e9rio do amor entregue por n\u00f3s<\/strong><br \/>\n<!--more--><\/p>\n<p>A festa da P\u00e1scoa, por estar relacionada com a liberta\u00e7\u00e3o do povo de Deus do Egito, \u00e9 a festa mais importante para o povo judeu. No Novo Testamento adquire um significado especial para os crist\u00e3os, uma vez que celebra a obra redentora de Cristo, o Cordeiro de Deus, o Cordeiro da Nova P\u00e1scoa.<\/p>\n<p>A P\u00e1scoa era, no in\u00edcio, a festa da Primavera, na qual os pastores n\u00f3madas deviam come\u00e7ar a peregrina\u00e7\u00e3o com os seus rebanhos \u00e0 procura de novas pastagens e, por isso, ofereciam as prim\u00edcias dos rebanhos para serem aben\u00e7oados e protegidos. Com a liberta\u00e7\u00e3o do povo judeu da terra do Egito, este \u201csair e peregrinar\u201d ganha um novo sentido com a oferta dos animais e do seu sangue, para que sejam protegidos pelo \u201canjo do Senhor\u201d. A P\u00e1scoa deixa de se celebrar em fun\u00e7\u00e3o dos rebanhos e passa a ser a comemora\u00e7\u00e3o da liberta\u00e7\u00e3o do \u00caxodo.<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto que Jesus celebra a \u00faltima ceia com os seus disc\u00edpulos. \u00c9 um ato \u2018memorial\u2019 atrav\u00e9s do qual o crist\u00e3o celebra a alian\u00e7a que Cristo realizou naquela noite, entregando a sua vida pela humanidade. Na celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor expressamos a plenitude da nossa f\u00e9, afirmando a presen\u00e7a do Senhor na sua Igreja. Unimo-nos como membros da fam\u00edlia de Deus \u00e0 volta da mesa eucar\u00edstica, afirmamos a nossa unidade como corpo de Cristo e proclamamos a vit\u00f3ria final de Jesus como Senhor de toda a cria\u00e7\u00e3o e vencedor da morte.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O servi\u00e7o do amor aos irm\u00e3os<\/em><br \/>\nO evangelista S. Jo\u00e3o n\u00e3o nos oferece a tradi\u00e7\u00e3o das palavras de Jesus na \u00faltima ceia, mas sim o discurso acerca do p\u00e3o da vida (cap. 6) e o lava-p\u00e9s como gesto de entrega da sua vida por cada um de n\u00f3s: \u00abAntes da festa da P\u00e1scoa, sabendo Jesus que chegara a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os Seus, que estavam no mundo, amou-os at\u00e9 ao fim\u00bb (Jo\u00a013, 1). Para dar for\u00e7a \u00e0 sua decis\u00e3o de dar a vida pelos seus, como os antigos profetas, realiza uma a\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica em tr\u00eas atos: tirou o manto, tomou uma toalha e colocou-a \u00e0 cintura. Vejamos o significado destas tr\u00eas a\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas realizadas por Jesus:<\/p>\n<p>A hora de Jesus, que \u00e9 o momento da sua entrega por n\u00f3s, exige uma luta, uma luta com aqueles que lhe querem impor o destino cego do \u00f3dio. N\u00e3o s\u00e3o os acontecimentos que decidem o destino de Jesus. Jesus n\u00e3o est\u00e1 disposto a que lhe imponham a sua morte, mas \u00e9 Ele que aceita a sua hora como vontade e projeto de Deus. O Pai entregou tudo nas suas m\u00e3os, pelo que a sua morte n\u00e3o \u00e9 um homic\u00eddio como tantos que acontecem fruto do \u00f3dio e da guerra, mas sim fruto da sua obedi\u00eancia ao Pai; uma entrega por todos os homens e mulheres de todos os tempos e lugares. Jesus, cingindo-se como os antigos guerreiros, n\u00e3o luta para n\u00e3o morrer, mas para que a sua morte tenha sentido e n\u00e3o seja absurda como a morte que o mundo d\u00e1.<\/p>\n<p>O lava-p\u00e9s\u00a0\u00e9 uma a\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da morte de Jesus; vemos como o Mestre se entrega pelos seus disc\u00edpulos, quando deviam ser eles que deveriam estar dispostos, segundo a mentalidade da \u00e9poca, a dar a vida pelo seu mestre. Com Jesus, este gesto adquire a dimens\u00e3o do amor que se entrega. Jesus cinge-se para n\u00e3o morrer odiando, mas amando. Esta \u00e9 a luta entre a luz e as trevas, entre o projeto de Deus e o do mundo. Vai morrer por todos, por isso lava tamb\u00e9m os p\u00e9s a Judas, que est\u00e1 sentado \u00e0 mesa.<\/p>\n<p>Jesus cinge-se\u00a0para a sua morte, para a sua hora, porque na sua morte est\u00e1 a vit\u00f3ria divina sobre o \u00f3dio do mundo. Na sua morte est\u00e1 toda a sua glorifica\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o \u00e9 uma morte absurda, mas assumida pelo pr\u00f3prio Jesus como consequ\u00eancia de uma vida entregue por amor a todos n\u00f3s. Este mundo n\u00e3o deixa que viva o amor. Jesus tamb\u00e9m vai ser sacrificado pelo mundo, como tantos outros, e como vamos vendo em tantas zonas de guerra na S\u00edria, Sud\u00e3o\u2026, mas n\u00e3o deixa que lhe roubem o amor. O lava-p\u00e9s continua a ser o gesto no qual cada disc\u00edpulo de Jesus e cada comunidade crist\u00e3 podem continuar a oferecer ao mundo a sua vida em gestos de entrega e de amor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Dai-lhes v\u00f3s mesmos de comer<\/em><br \/>\nA Eucaristia, que n\u00e3o se esgota na Missa, \u00e9 muito mais que o deixarmo-nos deslumbrar pela presen\u00e7a real de Cristo nas esp\u00e9cies eucar\u00edsticas do p\u00e3o e do vinho. Deve ajudar-nos a descobrir o verdadeiro significado do gesto eucar\u00edstico da entrega. Quem comunga e se torna um com Cristo une-se intimamente com cada irm\u00e3o e deve express\u00e1-lo no amor e no servi\u00e7o aos outros. A centralidade da Eucaristia na vida da Igreja \u00e9 atestada na fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o. \u00abAs nossas comunidades, quando celebram a Eucaristia, devem consciencializar-se cada vez mais de que o sacrif\u00edcio de Jesus \u00e9 por todos; e, assim, a Eucaristia impele todo o que acredita n\u2019Ele a fazer-se \u201cp\u00e3o repartido\u201d para os outros e, consequentemente, a empenhar-se por um mundo mais justo e fraterno. Como sucedeu na multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e dos peixes, temos de reconhecer que Cristo continua, ainda hoje, a exortar os seus disc\u00edpulos a empenharem-se pessoalmente: \u201cDai-lhes v\u00f3s de comer\u201d (Mt\u00a014,16)\u00bb (Sacramentum Caritatis\u00a088).<\/p>\n<p>O Congresso Eucar\u00edstico Diocesano, que vamos celebrar entre 31 de maio e 3 de junho, exige que aprofundemos a rela\u00e7\u00e3o que existe entre o mist\u00e9rio eucar\u00edstico, a a\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e o novo culto espiritual que deriva da Eucaristia enquanto sacramento da caridade. Da\u00ed a necessidade de empreender iniciativas que levem a despertar e aumentar a f\u00e9 eucar\u00edstica, melhorar o cuidado das celebra\u00e7\u00f5es e promover a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, para encorajar uma real caridade que, partindo da Eucaristia, atinja os necessitados.<\/p>\n<p>Jesus Cristo continua a olhar-nos com amor e conta com o nosso testemunho e compromisso transformador, abrindo-nos ao mist\u00e9rio de uma vida gratuitamente oferecida por amor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhor Jesus, fonte de todo o bem,<\/p>\n<p>abri os olhos do nosso cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>\u00e0s necessidades e aos sofrimentos dos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Inspirai as nossas palavras e obras<\/p>\n<p>para confortarmos os que andam cansados e oprimidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fazei que a nossa Igreja de Aveiro,<\/p>\n<p>animada pelo Congresso Eucar\u00edstico Diocesano<\/p>\n<p>e transformada pela caridade,<\/p>\n<p>saiba viver e anunciar o amor de Cristo,<\/p>\n<p>presente na Eucarsitia,<\/p>\n<p>e testemunhe a esperan\u00e7a de um mundo novo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00f3s Vos pedimos, Senhor Jesus,<\/p>\n<p>concedei-nos muitas e santas voca\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>laicais, sacerdotais e de consagra\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>a fim de que as nossas obras deixem um rasto de luz<\/p>\n<p>e todos juntos saibamos testemunhar<\/p>\n<p>a alegria do Evangelho.<\/p>\n<p>Amen.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Catedral de Aveiro, 29 de mar\u00e7o de 2018<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>D. Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos,\u00a0Bispo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mist\u00e9rio do amor entregue por n\u00f3s<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":101032,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[170,308],"class_list":["post-101031","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-aveiro","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101031","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101031"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101031\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/101032"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101031"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101031"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101031"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}