{"id":101014,"date":"2018-03-30T16:31:02","date_gmt":"2018-03-30T15:31:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=101014"},"modified":"2018-03-29T22:14:32","modified_gmt":"2018-03-29T21:14:32","slug":"homilia-do-bispo-de-angra-na-celebracao-da-paixao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-angra-na-celebracao-da-paixao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do bispo de Angra na celebra\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o do Senhor"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p>No sil\u00eancio e na interioridade deste acontecimento desconcertante para a nossa intelig\u00eancia, contemplando a paix\u00e3o e a morte de Jesus de Nazar\u00e9, procuramos penetrar no mist\u00e9rio da revela\u00e7\u00e3o de Deus que no Seu amor infinito entrega o Seu Filho em resgate da humanidade perdida e escravizada pelo pecado.<\/p>\n<p>Come\u00e7a a Palavra do Senhor, na leitura do Profeta Isa\u00edas por nos transpor at\u00e9 \u00e0 figura do Servo de Jav\u00e9 cujos tra\u00e7os est\u00e3o a\u00ed delineados. Ao mesmo tempo que fala da sua prosperidade, exalta\u00e7\u00e3o e glorifica\u00e7\u00e3o, revela-se como estranho e repugnante aos olhos dos homens porque tinha perdido o aspeto de homem.<\/p>\n<p>Mas o espanto ir\u00e1 at\u00e9 ao limite de as na\u00e7\u00f5es se surpreenderem pela vitalidade e pela for\u00e7a exercida pelo bra\u00e7o de Deus ao apresentar-se como um rebento que brota de um deserto de sofrimento e de repulsa.<\/p>\n<p>Por\u00e9m Ele \u00e9 o homem de dores, trespassado pelos nossos pecados e esmagado devido \u00e0s nossas faltas. Por causa das suas chagas \u00e9 que fomos curados.<\/p>\n<p>Esmagado pelo sofrimento, carregou com todas as nossas culpas. Mas por fim, pela Sua sabedoria, o verdadeiro Justo receber\u00e1 como pr\u00e9mio as multid\u00f5es dos povos.<\/p>\n<p>Esta descri\u00e7\u00e3o toma o verdadeiro significado com a contempla\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, tal como nos \u00e9 apresentado na Carta aos Hebreus real\u00e7ando n\u2019Ele o Seu sacerd\u00f3cio, \u00fanico e eterno, que oferece a garantia de que nos conhece e entende o nosso sofrimento. Da\u00ed o convite a caminharmos decididamente ao Seu encontro para obtermos d\u2019Ele toda a Gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Serve-nos de consola\u00e7\u00e3o e de esperan\u00e7a, de orienta\u00e7\u00e3o e de estimulo o facto de sendo Filho aprendeu de quanto sofrera o que \u00e9 obedecer.<\/p>\n<p>Eis o nosso Salvador. Verdadeiro conhecedor da pessoa humana, em oferta de amor redentor Aquele que se entrega totalmente pela salva\u00e7\u00e3o da humanidade e Aquele que orienta a raz\u00e3o humana para o mist\u00e9rio de amor que se traduz na Vida Nova que surge pela morte e despojamento total de cada um.<\/p>\n<p>No sil\u00eancio e na contempla\u00e7\u00e3o, integrando a nossa pr\u00f3pria vida, as nossas d\u00favidas, sofrimentos e perplexidades, percorramos o itiner\u00e1rio que leva Jesus de Nazar\u00e9 da Ceia Pascal at\u00e9 ao Calv\u00e1rio. Unindo a nossa vida ao Seu percurso melhor saborearemos o que significa a riqueza e a for\u00e7a do amor que se manifesta na Vida Nova do Ressuscitado.<\/p>\n<p>\u00c9 muito oportuna a cena descrita em S. Jo\u00e3o segundo a qual alguns gregos pediram a um dos disc\u00edpulos que lhes fizesse ver a Jesus. Perante tal inquieta\u00e7\u00e3o Jesus de Nazar\u00e9 revela o Seu destino ao afirmar que \u00abse o gr\u00e3o de trigo, lan\u00e7ado \u00e0 terra, n\u00e3o morrer, fica ele s\u00f3; mas, se morrer, d\u00e1 muito fruto\u00bb.\u00a0 E acrescenta que \u00abquem se ama a si mesmo, perde-se; quem se despreza a si mesmo, neste mundo, assegura para si a vida eterna\u00bb.\u00a0 Deste modo, diz Jesus de Nazar\u00e9, \u00abse algu\u00e9m me serve, que me siga, e onde Eu estiver, a\u00ed estar\u00e1 tamb\u00e9m o meu servo\u00bb.\u00a0 Na verdade \u00abse algu\u00e9m me servir, o Pai h\u00e1 de honr\u00e1-lo\u00bb (Jo. 12,24-26).<\/p>\n<p>Participar na morte de Cristo e na Sua revela\u00e7\u00e3o \u00e9 integrarmo-nos no Seu caminho de entrega total ao Pai e aos irm\u00e3os. Por isso, a celebra\u00e7\u00e3o da paix\u00e3o e morte de Jesus Cristo manifesta-se na comunh\u00e3o de vida que cada batizado \u00e9 chamado a viver na rela\u00e7\u00e3o com Ele. Eis o caminho de aprendizagem de uma vida que nos escapa quando vivemos para n\u00f3s, na auto-sufici\u00eancia e no ego\u00edsmo.<\/p>\n<ol>\n<li>Jo\u00e3o Paulo II, a partir desta passagem do Evangelho de S. Jo\u00e3o questiona a Igreja dizendo: \u00abe n\u00e3o \u00e9 porventura a miss\u00e3o da Igreja refletir a luz de Cristo em cada \u00e9poca da hist\u00f3ria, e por conseguinte fazer resplandecer o seu rosto tamb\u00e9m diante das gera\u00e7\u00f5es do novo mil\u00e9nio?\u00bb (NMI, 16)<\/li>\n<\/ol>\n<p>E, acrescenta dizendo que \u00abo nosso testemunho seria excessivamente pobre, se n\u00e3o f\u00f4ssemos primeiro contemplativos do seu rosto\u00bb (Ib., 16)<\/p>\n<p>E focando o rosto sofredor de Cristo sublinha que \u00aba nossa contempla\u00e7\u00e3o do rosto de Cristo trouxe-nos at\u00e9 ao aspeto mais paradoxal do seu mist\u00e9rio, que se manifesta na hora extrema \u2014 a hora da Cruz\u00bb. Como ele pr\u00f3prio diz \u00abMist\u00e9rio no mist\u00e9rio, diante do qual o ser humano pode apenas prostrar-se em adora\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<p>De facto, \u00abpassa diante dos nossos olhos, em toda a sua intensidade, a cena da agonia no Horto das Oliveiras\u00bb. Sem d\u00favida, \u00aboprimido ao pressentir a prova que O espera, Jesus, sozinho com Deus, invoca-O com a sua habitual e terna express\u00e3o de confid\u00eancia: \u201cAbba, Pai\u201d\u00bb (Ib. 25).<\/p>\n<p>Porque nunca acabaremos de penetrar no abismo deste mist\u00e9rio, como refere S. Jo\u00e3o Paulo II \u00abo grito de Jesus na cruz n\u00e3o traduz a ang\u00fastia dum desesperado, mas a ora\u00e7\u00e3o do Filho que, por amor, oferece a sua vida ao Pai pela salva\u00e7\u00e3o de todos\u00bb (Ib. 26).<\/p>\n<p>Deste modo, n\u00e3o estamos perante um derrotado mas perante Algu\u00e9m que carrega todo o sofrimento humano e o encaminha para o pleno significado que \u00e9 a Vida Nova do Ressuscitado.<\/p>\n<p>Entrar neste caminho da cruz de Cristo \u00e9 abrirmo-nos \u00e0 sorte dos irm\u00e3os que mais sofrem e oferecer-lhes os sinais de esperan\u00e7a que brotam da entrega no amor para reconhecerem a Vida Nova que inunda de esperan\u00e7a a sua vida.<\/p>\n<p>Imploramos de Nossa Senhora, M\u00e3e e Rainha dos A\u00e7ores, que acompanhou o Seu Filho na Paix\u00e3o e na Sua morte nos conduza \u00e0 alegria da Sua ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Amen.<\/p>\n<p><em>D. Jo\u00e3o Lavrador, bispo de Angra e Ilhas dos A\u00e7ores<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[169,308],"class_list":["post-101014","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-angra","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101014"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101014\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}