{"id":100965,"date":"2018-03-29T18:54:30","date_gmt":"2018-03-29T17:54:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=100965"},"modified":"2018-03-29T19:08:43","modified_gmt":"2018-03-29T18:08:43","slug":"homilia-da-missa-crismal-de-d-jose-traquina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-da-missa-crismal-de-d-jose-traquina\/","title":{"rendered":"Homilia da Missa Crismal de D. Jos\u00e9 Traquina"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Quinta Feira Santa &#8211; Missa Crismal <\/strong><\/p>\n<p><strong>Santar\u00e9m, 29 de Mar\u00e7o de 2018<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Caros irm\u00e3os no minist\u00e9rio sacerdotal<\/p>\n<p>Esta celebra\u00e7\u00e3o atualiza-nos no livre acolhimento do dom da Eucaristia e do minist\u00e9rio sacerdotal que o Senhor Jesus nos chamou a exercer na sua Igreja.<\/p>\n<p>O Esp\u00edrito do Senhor nos ungiu com o \u00f3leo da alegria e nos disp\u00f5e a anunciar os novos tempos da gra\u00e7a do Senhor. Os pobres, os presos, os cegos e todos os oprimidos s\u00e3o os referenciados como aqueles a quem o Esp\u00edrito nos envia.<\/p>\n<p>A melhor atitude para retomarmos esta gra\u00e7a do nosso minist\u00e9rio, \u00e9 reconhecermo-nos como os primeiros pobres a quem o Evangelho \u00e9 comunicado. Somos obra de Deus; trazemos em vazos de barro os tesouros divinos. Somos o que somos por que, como aconteceu com Nossa Senhora, e como aconteceu com os primeiros Ap\u00f3stolos, tamb\u00e9m o Senhor olhou para n\u00f3s e nos chamou; n\u00e3o por m\u00e9rito da nossa parte mas por sua iniciativa. Fazemos parte do des\u00edgnio de Deus acerca do seu Povo, a Igreja.<\/p>\n<p>Somos pobres ainda porque exercemos um minist\u00e9rio sacerdotal que n\u00e3o \u00e9 nosso. \u00c9 de Cristo e da sua Igreja; somos conhecidos pela miss\u00e3o sacerdotal que exercemos, representando e tornando presente Cristo em favor de todo o Povo.<\/p>\n<p>A pobreza e a humildade da Virgem Maria, bem presente no alegre c\u00e2ntico do Magnificat, inspira-nos a reconhecer que \u00e9 esta a atitude que Deus quer em n\u00f3s. A pobreza como virtude permite-nos saborear o Amor que nos perdoa e purifica e fortalece-nos no minist\u00e9rio sacerdotal em total disponibilidade. E nada sobrepondo a Cristo, nosso mestre e Senhor, possamos crescer nesta identifica\u00e7\u00e3o de tal modo que possamos dizer como S. Paulo: \u201c<em>J\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo, \u00e9 Cristo que vive em mim<\/em>\u201d (Gal 2,20).<\/p>\n<p>A pobreza como virtude deve corresponder a uma mod\u00e9stia e afirma\u00e7\u00e3o de f\u00e9 no que respeita aos bens materiais. A vi\u00fava pobre que no Templo de Jerusal\u00e9m deu de esmola duas pequenas moedas (cf Mc 12,41-44), foi a que ofereceu mais porque deu tudo o que tinha. Jesus quis que os seus ap\u00f3stolos vissem aquela mulher para lhes servir de exemplo: a Deus devemos dar tudo o que somos e tudo o que temos.<\/p>\n<p>Um sacerdote n\u00e3o \u00e9 um funcion\u00e1rio religioso; \u00e9 um escolhido e ungido do Senhor a favor de todo o seu Povo, tem como refer\u00eancia de conduta a lei suprema: <em>\u201c<\/em><em>Amar\u00e1s o Senhor teu Deus, com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma, com todas as for\u00e7as e com todo o entendimento. E amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo<\/em> (Lc 10,27), busca \u201cum cora\u00e7\u00e3o puro\u201d e um \u201cesp\u00edrito firme\u201d (cf Salmo 50), alimenta-se da Palavra, da ora\u00e7\u00e3o e da mesma Eucaristia a que preside. \u201cA espiritualidade sacerdotal \u00e9 intrinsecamente eucar\u00edstica; a semente desta espiritualidade encontra-se nas palavras que o Bispo pronuncia na liturgia da ordena\u00e7\u00e3o: <em>Recebe a oferenda do povo santo para a apresentares a Deus. Toma consci\u00eancia do que vir\u00e1s a fazer; imita o que vir\u00e1s a realizar, e conforma a tua vida com o mist\u00e9rio da cruz do Senhor<\/em>\u201d (Sacramentum Caritatis, 80).<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s<\/p>\n<p>Uma forma habitual de nos referenciarmos a um sacerdote de Cristo, \u00e9 chamar-lhe \u201cPadre\u201d. Porqu\u00ea assim? Na verdade, considerando o sacerdote identificado com Cristo, o Padre foi consagrado para nos olhar e amar como Deus Pai, para nos perdoar e aben\u00e7oar como o Pai do c\u00e9u e nos dirigir uma palavra de exorta\u00e7\u00e3o, conforto e discernimento como um bom pai deve dirigir a um filho. E para ser realmente uma verdade do cora\u00e7\u00e3o, o Padre \u00e9 o pai que faz tudo o que \u00e9 poss\u00edvel para bem dos filhos; os filhos de Deus que lhes est\u00e3o confiados. Era exatamente assim que Jesus procedia quando olhava, exortava, perdoava e curava.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio reconhecer que muitos padres, t\u00eam uma dedica\u00e7\u00e3o alargada promovendo o que \u00e9 necess\u00e1rio pastoralmente e lhe parece bem e poss\u00edvel na anima\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s. Desgastados e cansados, fr\u00e1geis e \u00e0s vezes duvidosos acerca dos frutos positivos do seu minist\u00e9rio, merecem uma palavra de compreens\u00e3o, gratid\u00e3o e de est\u00edmulo dos seus paroquianos.<\/p>\n<p>Caros irm\u00e3os sacerdotes, pertencemos ao Senhor e esta perten\u00e7a \u00e9 colegial. Procuremos corresponder ao que ensina o Conc\u00edlio Vat. II: \u201c<em>Os presb\u00edteros (&#8230;) constituem com o seu Bispo um presbit\u00e9rio (&#8230;). Em virtude da comum sagrada ordena\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, todos os presb\u00edteros est\u00e3o entre si ligados em \u00edntima fraternidade, que espont\u00e2nea e livremente se deve manifestar em aux\u00edlio m\u00fatuo, tanto espiritual como material (&#8230;).<\/em><\/p>\n<p><em>Assumam-se como pais em Cristo, pelos fi\u00e9is que espiritualmente geraram pelo Batismo e pela doutrina\u00e7\u00e3o.<\/em> <em>Fazendo-se, de cora\u00e7\u00e3o, os modelos do rebanho, de tal modo dirijam e sirvam a sua comunidade local que esta possa dignamente ser chamada com aquele nome com que se honra o \u00fanico Povo de Deus todo inteiro, a saber, a Igreja de Deus<\/em>\u201d. (LG 28).<\/p>\n<p>Na igreja o minist\u00e9rio exerce-se em comunh\u00e3o com o Bispo e com os outros companheiros presb\u00edteros; nenhum padre diocesano \u00e9 chamado para viver isolado ou por conta pr\u00f3pria. Ainda que alguma coisa nos distancie, \u00e9 muito o que nos une; todos fomos chamados e Ordenados pelo mesmo Senhor e no mesmo Esp\u00edrito Santo. Hoje retomamos e refor\u00e7amos esta gra\u00e7a, conscientes de que desta comunh\u00e3o de vida em Cristo, em fidelidade e amor generoso, depende a alegria de muitas pessoas a quem somos enviados.<\/p>\n<p>Nos tempos que correm, importa que os crist\u00e3os valorizem a dimens\u00e3o da vida em castidade consagrada a que s\u00e3o chamados os seus pastores. Um padre n\u00e3o constituiu uma fam\u00edlia, mas foi chamado e consagrado para ser familiar de todos. Ent\u00e3o, que todos descubram a beleza dessa vida, o seu significado sacramental e o tesouro espiritual que \u00e9 para a Igreja e para o mundo. Aquilo que mais interpela (ou incomoda) a sociedade do nosso tempo, \u00e9 saber que algu\u00e9m seja capaz de viver consagrado a Deus e aos outros. Por\u00e9m, esta capacidade \u00e9 dom de Deus \u00e0 sua Igreja; cada sacerdote assumir\u00e1 hoje a palavra do Evangelho: \u201c<em>o Esp\u00edrito do Senhor est\u00e1 sobre mim<\/em>\u201d. Por isso, o nosso compromisso de consagrados de alma e corpo inteiro n\u00e3o d\u00e1 lugar \u00e0 vaidade, nem a complexos de inferioridade; \u00e9 antes motivo de alegria, por sabermos que \u00e9 por elei\u00e7\u00e3o e gra\u00e7a de Deus que \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no nosso tempo, um padre est\u00e1 sujeito a ser avaliado pela capacidade de lideran\u00e7a, se \u00e9 ou n\u00e3o um bom l\u00edder, um bom animador. Na verdade, o sacerdote \u00e9 um pastor mas n\u00e3o pode deixar de ser aquilo que \u00e9: um homem chamado e tocado por Deus. \u00c9 nessa condi\u00e7\u00e3o que a todos ele se dedicar\u00e1 como um pai, um irm\u00e3o e um amigo.<\/p>\n<p>A certeza de que Deus ama o seu povo e \u00e9 surpreendente na sua gra\u00e7a, leva-nos a celebrar a P\u00e1scoa com as nossas comunidades com renovada esperan\u00e7a. Al\u00e9m disso, valorizando a nossa voca\u00e7\u00e3o e sabendo das necessidades das nossas comunidades, procuremos despertar nos jovens crist\u00e3os o sentido da disponibilidade interior para acolher a vontade de Deus. Seguir Cristo como seu disc\u00edpulo Padre, \u00e9 uma aventura a propor, mas s\u00f3 poss\u00edvel como um chamamento e uma resposta \u00e0 luz da F\u00e9.<\/p>\n<p>Temos na nossa Diocese v\u00e1rios sacerdotes idosos que j\u00e1 n\u00e3o podem exercer o minist\u00e9rio sacerdotal com a mesma for\u00e7a de outros tempos. Quero agradecer-lhes e pedir-lhes que continuem a dar-nos o testemunho da sua alegria e da sua dedica\u00e7\u00e3o; continuem a unir-se a Cristo\u00a0 na Eucaristia e oferecerem-se pela santifica\u00e7\u00e3o de todos os sacerdotes, de toda a Igreja, de todo o Povo de Deus, especialmente a nossa Diocese.<\/p>\n<p>Que a gra\u00e7a desta celebra\u00e7\u00e3o e a renova\u00e7\u00e3o das promessas sacerdotais, a todos ajude a retomar a unidade da vida espiritual e pastoral. Quanto mais fi\u00e9is a Deus, melhor amaremos e serviremos o seu Povo.<\/p>\n<p>D. Jos\u00e9 Traquina, Bispo de Santar\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":4,"featured_media":86945,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-100965","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=100965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100965\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86945"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=100965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}