{"id":100690,"date":"2018-03-29T10:00:06","date_gmt":"2018-03-29T09:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=100690"},"modified":"2018-03-28T13:08:48","modified_gmt":"2018-03-28T12:08:48","slug":"homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-crismal-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-arcebispo-de-braga-na-missa-crismal-3\/","title":{"rendered":"Homilia do arcebispo de Braga na Missa Crismal"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ministros de Deus<\/strong><!--more--><\/p>\n<p>Segundo Isa\u00edas, somos \u201csacerdotes do Senhor\u201d ou, se preferirmos, \u201cMinistros do nosso Deus\u201d. Somo-lo, de facto, e n\u00e3o podemos estruturar a nossa vida segundo outras categorias ou miss\u00f5es. Fomos chamados a ser servos para uma vida de doa\u00e7\u00e3o. Fora do servi\u00e7o, nunca encontraremos a nossa identidade e, como tal, sentir-nos-emos desintegrados, desfocados, perdidos num ativismo sem sentido.<\/p>\n<p>Sempre no pensamento de Isa\u00edas, repetido por Cristo no Evangelho, importa centrar o servi\u00e7o eclesial em aspetos essenciais que transpare\u00e7am a presen\u00e7a de Deus. S\u00f3 estes sinais mostram que o caminho seguido e a seguir \u00e9 verdadeiro. Sintetizo a nossa miss\u00e3o em quatro atitudes. Espero que se tornem refer\u00eancia no exerc\u00edcio do minist\u00e9rio e objeto de permanente exame de consci\u00eancia. A Palavra de Deus \u00e9 acutilante. Deixemos que nos toque e converta.<\/p>\n<ol>\n<li>Vivemos para anunciar. As nossas palavras, nos espa\u00e7os sagrados, fun\u00e7\u00f5es religiosas e na rela\u00e7\u00e3o com as pessoas, deveriam ter apenas um prop\u00f3sito: anunciar a Boa Nova. Sabemos que, n\u00e3o obstante a prolifera\u00e7\u00e3o de tantas palavras, a Palavra de Deus \u00e9 sempre nova, boa, alegre, festiva, positiva e norteadora de comportamentos. N\u00e3o condenamos nem julgamos ningu\u00e9m. Mas o mundo moderno continua a ser infeliz pois falta-lhe o essencial. E, curiosamente, o cristianismo tem um tesouro que parece desperdi\u00e7ar ou desvalorizar. Falo do incondicional amor de Deus entregue a todo o ser humano, em qualquer situa\u00e7\u00e3o em que se encontre e para todas as op\u00e7\u00f5es que tenham sido tomadas. Importa, por isso, ser um alegre anunciador da Boa Nova.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>O an\u00fancio exige atitudes. N\u00e3o somos uns te\u00f3ricos! Temos o princ\u00edpio de um amor ativo que exige que mergulhemos no cora\u00e7\u00e3o da cidade dos homens. Por mais que tente disfar\u00e7ar, a cidade moderna est\u00e1 ferida com problemas e dramas que a afligem. Somos reparadores de brechas, curadores dos males e corremos ao encontro dos cora\u00e7\u00f5es atribulados. \u00c9 no \u00edntimo que o homem moderno est\u00e1 ferido. Ser capaz de ouvir, escutar os lamentos silenciosos e fazer-se um com as dores das pessoas confere ao minist\u00e9rio uma dimens\u00e3o curativa. Bastar\u00e1 uma palavra de alento ou o sil\u00eancio de uma companhia e as curas acontecer\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Libertar das amarras. A sociedade hodierna vai prendendo as pessoas a depend\u00eancias e atitudes que deveriam envergonhar. As cr\u00f3nicas dos jornais mostram como se caminha com ilus\u00f5es e elaborando esquemas indignos que aprisionam. Somos ordenados para proclamar a liberta\u00e7\u00e3o de tantos cativos e prisioneiros e denunciar realidades escandalosas. Denunciamos o erro e acolhemos quem o pratica, indicando a Verdade que liberta.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>Disponibilidade para a miss\u00e3o. Sabemos que o progresso \u00e9 uma marca dominante da sociedade contempor\u00e2nea. Mas no meio de tantas coisas, possu\u00eddas ou desejadas, cresce a afli\u00e7\u00e3o. As pessoas andam preocupadas. Parece que a alegria dos rostos s\u00f3 acontece na frui\u00e7\u00e3o de determinados aditivos ou nas experi\u00eancias fugazes de prazer. Quando nos aproximamos das pessoas \u2013 e como \u00e9 importante sair dos nossos tronos \u2013 apercebemo-nos dos cora\u00e7\u00f5es aflitos e preocupados. Temos o amor de Deus a oferecer nas conversas e, sobretudo, no sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o. As pessoas n\u00e3o aparecem? Pode parecer verdade. Mas quando h\u00e1 disponibilidade, por vezes sem hor\u00e1rios pr\u00e9-estabelecidos, os cora\u00e7\u00f5es abrem-se e a consola\u00e7\u00e3o acontece. Como s\u00e3o importantes os encontros pessoais e individuais pois a vida de cada um \u00e9 irrepet\u00edvel. Da\u00ed que a Igreja continue a afirmar a import\u00e2ncia da confiss\u00e3o individual e da dire\u00e7\u00e3o espiritual.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estas quatro atitudes mostram que o Ministro do Senhor vive para derramar o \u00f3leo da alegria. Hoje vive-se triste. As pessoas est\u00e3o intranquilas, as fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam tempo para saborear o amor, as comunidades transformaram-se numa ag\u00eancia de servi\u00e7os. Falta-nos aquela presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo que transforma quem por Ele se deixa possuir. O Papa Francisco tem sido prof\u00e9tico ao nortear a renova\u00e7\u00e3o da Igreja e da pastoral segundo a t\u00f3nica da alegria. F\u00ea-lo na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica A Alegria do Evangelho e agora na Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u2018Veritatis Gaudium\u2019, A Alegria da Verdade, sobre as universidades e as faculdades eclesi\u00e1sticas. Como \u00e9 interessante e interpelativo este t\u00edtulo. Saber que a alegria est\u00e1 na Verdade e que a Verdade \u00e9 Cristo.<\/p>\n<p>Neste itiner\u00e1rio de ser Ministro do Senhor, anunciar a Boa Nova, curar os atribulados, proclamar a liberta\u00e7\u00e3o, consolar os aflitos e levar o \u00f3leo da alegria n\u00e3o podemos esquecer, como compromisso de trabalho pastoral e viv\u00eancia pessoal, que devemos ser \u201cAlegres na esperan\u00e7a\u201d (Rom 12, 9-13). Sabemos que Deus est\u00e1 connosco e nunca nos abandona. Mais ainda, a esperan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um conceito. \u00c9 Cristo vivo, presente em n\u00f3s e na nossa hist\u00f3ria pessoal. Ele habita tamb\u00e9m nos nossos irm\u00e3os e nas nossas comunidades crist\u00e3s. Com Ele, e s\u00f3 Ele, vivemos alegremente o presente, norteados pela esperan\u00e7a e pelo alento necess\u00e1rio para enfrentar as perplexidades e enigmas que nos rodeiam, na Igreja e no mundo. Se Ele, pela ressurrei\u00e7\u00e3o, est\u00e1 em n\u00f3s, temos obriga\u00e7\u00e3o moral de ser semeadores da ressurrei\u00e7\u00e3o. Isto significa dar \u201craz\u00f5es da esperan\u00e7a que est\u00e1 em n\u00f3s\u201d (Cf. 1Pe 3,8-17), derramar o \u00f3leo da consola\u00e7\u00e3o e fomentar caminhos de paz. Fa\u00e7amos resplandecer a luz da P\u00e1scoa na escurid\u00e3o, sejamos protagonistas do an\u00fancio da esperan\u00e7a, como algo que caracteriza o nosso minist\u00e9rio, e d\u00eamos visibilidade \u00e0quilo em que acreditamos.<\/p>\n<p>Como linha operativa, de quem pretende ser \u201cMinistro do nosso Deus\u201d, quero confiar-vos duas preocupa\u00e7\u00f5es. Este ano teremos o S\u00ednodo dos Bispos sobre \u201cA f\u00e9, os jovens e o discernimento vocacional\u201d. Prestemos maior aten\u00e7\u00e3o aos jovens. \u00c9 importante ir aos lugares onde se encontram, ouvir o seu projeto de sociedade e, se tiverem algo a referir sobre a Igreja, ofere\u00e7amo-lhes o dom da f\u00e9. Porque n\u00e3o fazer tamb\u00e9m uma proposta vocacional? N\u00e3o permitamos que haja alguma par\u00f3quia sem um grupo de jovens. Penso que um p\u00e1roco n\u00e3o deve dormir tranquilo enquanto n\u00e3o tiver um grupo. Confiemos nos jovens. S\u00e3o irreverentes? Nem sempre s\u00e3o coerentes? Se virem o amor da comunidade, e n\u00e3o a repress\u00e3o acr\u00edtica, saber\u00e3o, talvez com erros, caminhar no amadurecimento da f\u00e9.<\/p>\n<p>Despertar a esperan\u00e7a \u00e9 aquilo que nos une nas agendas pastorais. Acreditamos, ainda, que o Esp\u00edrito Santo continua a derramar a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o sobre a Igreja. E f\u00e1-lo, de um modo particular, atrav\u00e9s dos Movimentos Eclesiais. Houve um tempo em que tinham uma forte presen\u00e7a nas par\u00f3quias. E hoje?<\/p>\n<p>Importa que os multipliquemos e rejuvenes\u00e7amos. Sem comunidade n\u00e3o se cresce e sem espiritualidade nunca avan\u00e7aremos na renova\u00e7\u00e3o da Igreja. Os grupos \u201cSemeadores da Esperan\u00e7a\u201d s\u00e3o obrigat\u00f3rios. Obrigat\u00f3rios porque s\u00e3o uma exig\u00eancia da nova evangeliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante, cada vez mais, apostar em grupos onde se cresce na espiritualidade.<\/p>\n<p>Propusemos como itiner\u00e1rio para este tempo Quaresmal e Pascal \u201clibertar para caminhar\u201d. N\u00f3s, que temos sapatos, olhemos para os que n\u00e3o t\u00eam p\u00e9s e passam car\u00eancias materiais e espirituais. Mostremos as raz\u00f5es da nossa esperan\u00e7a ativa e caminhemos na alegria que isto nos oferece.<\/p>\n<p>S\u00e9 de Braga, 29 de mar\u00e7o de 2018<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>D. Jorge Ortiga, arcebispo primaz<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ministros de Deus<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":100692,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,308],"class_list":["post-100690","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=100690"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100690\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/100692"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=100690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}