{"id":100273,"date":"2018-03-25T15:39:56","date_gmt":"2018-03-25T14:39:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=100273"},"modified":"2018-03-26T10:49:40","modified_gmt":"2018-03-26T09:49:40","slug":"porto-homilia-de-d-antonio-augusto-de-oliveira-azevedo-no-domingo-de-ramos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/porto-homilia-de-d-antonio-augusto-de-oliveira-azevedo-no-domingo-de-ramos\/","title":{"rendered":"Porto: Homilia de D. Ant\u00f3nio Augusto de Oliveira Azevedo no Domingo de Ramos"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_100274\" aria-describedby=\"caption-attachment-100274\" style=\"width: 1198px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-100274 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Optimized-_JLC3802.jpg\" alt=\"\" width=\"1198\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Optimized-_JLC3802.jpg 1198w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Optimized-_JLC3802-300x200.jpg 300w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Optimized-_JLC3802-768x513.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Optimized-_JLC3802-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Optimized-_JLC3802-1080x721.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 1198px) 100vw, 1198px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-100274\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Jo\u00e3o Lopes Cardoso\/Diocese do Porto<\/figcaption><\/figure>\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o do Domingo de Ramos e da Paix\u00e3o \u00e9 o grande p\u00f3rtico da Semana Santa. Conduzidos pelo Esp\u00edrito e iluminados pela Palavra de Deus somos convidados a viver esta semana maior como a celebra\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios essenciais do cristianismo e a redescobrir a centralidade de Jesus Cristo e da sua P\u00e1scoa para a nossa f\u00e9.<\/p>\n<p>No primeiro dia desta semana tudo come\u00e7a com a entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m. O acolhimento festivo que a multid\u00e3o de homens, mulheres e crian\u00e7as lhe presta \u00e9 digno de um rei que entra na sua cidade, digno de um Messias aclamado por um povo ansioso pela sua chegada. Por\u00e9m \u00e9 ainda e s\u00f3 o primeiro andamento, o primeiro cap\u00edtulo (n\u00e3o o \u00faltimo) da hist\u00f3ria decisiva para a nossa salva\u00e7\u00e3o. Na vida pessoal podemos iludir-nos com entusiasmos f\u00e1ceis ou triunfos prematuros; em sociedade pode-se resvalar para exalta\u00e7\u00f5es precipitadas ou promo\u00e7\u00f5es de her\u00f3is fugazes e inconsistentes; na vida da igreja podemos tentar-nos por triunfalismos f\u00e1ceis ou ades\u00f5es epid\u00e9rmicas. Mas como disc\u00edpulos de Jesus que querem estar com Ele e viver com Ele esta P\u00e1scoa, entremos com alegria na cidade conscientes de que \u00e9 preciso ir com Ele at\u00e9 ao fim, porque s\u00f3 ent\u00e3o, no rosto do crucificado e no brilho do Ressuscitado se d\u00e1 a plena revela\u00e7\u00e3o do aut\u00eantico Messias de Deus. Mais do que n\u00famero de multid\u00e3o vibrante, queremos fazer parte do grupo daqueles e daquelas que est\u00e3o junto \u00e0 cruz ou da comunidade em que o ressuscitado se faz presente.<\/p>\n<p>Para estar com Cristo nesta P\u00e1scoa, para seguir os seus passos, importa ter presente o movimento de fundo da sua vida, traduzida por S\u00e3o Paulo no Hino da Carta aos Filipenses: \u00abCristo Jesus, que era de condi\u00e7\u00e3o divina, aniquilou-se a si pr\u00f3prio, assumindo a condi\u00e7\u00e3o de servo, tornou-se semelhante aos homens\u00bb. Este movimento de descida, esvaziamento, dom de si at\u00e9 ao fim e obedi\u00eancia at\u00e9 \u00e0 morte na cruz credibiliza e autentica a sua humanidade. Chegado ao extremo do humano, este movimento inverte-se e torna-se, por obra do Pai, ascendente, feito de exalta\u00e7\u00e3o e glorifica\u00e7\u00e3o. Ao disc\u00edpulo que quer celebrar a P\u00e1scoa com o Mestre, \u00e9 dirigido o apelo que S. Paulo faz no vers\u00edculo precedente; \u00abTende os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus\u00bb (Fil.2,5). Estar com Cristo ao longo dos dias desta semana implica por isso sair de si mesmo e estar dispon\u00edvel para cumprir a vontade do Pai sendo fiel at\u00e9 ao fim, ousando amar e servir at\u00e9 ao limite das suas capacidades. Caminhar com Cristo nesta via sagrada sup\u00f5e a coragem de uma f\u00e9 livre e aberta \u00e0 novidade de Deus.<\/p>\n<p>A viv\u00eancia da semana pascal mergulha-nos nas contradi\u00e7\u00f5es mais profundas com que o homem se confronta: morte e vida; humilha\u00e7\u00e3o e exalta\u00e7\u00e3o; solid\u00e3o e multid\u00e3o. Experimentando-as na sua carne humana, Jesus ensina-nos a n\u00e3o nos resignarmos a uma l\u00f3gica bipolar em que os termos se excluem, mas a enfrenta-los acreditando que supera\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. De facto s\u00f3 pela ac\u00e7\u00e3o de Deus, a morte pode dar lugar \u00e0 vida, a humilha\u00e7\u00e3o \u00e0 exalta\u00e7\u00e3o, o sofrimento \u00e0 alegria e \u00e0 gl\u00f3ria. Desta forma, o mist\u00e9rio pascal dever\u00e1 constituir a resposta a um paradoxo em que vive mergulhada a cultura na modernidade: a oposi\u00e7\u00e3o entre Deus e o homem. Conceber que entre ambos existe uma concorr\u00eancia ou contraposi\u00e7\u00e3o \u00e9 um equ\u00edvoco. De facto quando uma sociedade esquece a Deus, o nega ou marginaliza, n\u00e3o se torna mais humana ou fraterna, pelo contr\u00e1rio, evidencia sinais de indiferen\u00e7a e de car\u00eancia de valores.<\/p>\n<p>Na liturgia de hoje ecoa o grito do salmista: \u00abMeu Deus, meu Deus porque me abandonastes?\u00bb, a \u00faltima palavra que Jesus dirige ao Pai no alto da cruz. Esta ora\u00e7\u00e3o, express\u00e3o suprema de dor, traduz o abandono sem reservas do Filho nas m\u00e3os do Pai e porventura como nenhuma outra na hist\u00f3ria, exprime a impot\u00eancia e a fragilidade humana perante o mist\u00e9rio do sofrimento e o abismo da morte. Na celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa afirmamos a nossa convic\u00e7\u00e3o de que o Pai que escutou o grito do lilho \u00e9 o mesmo Deus que n\u00e3o esquece o homem mas acredita nele; n\u00e3o desiste da criatura, obra das suas m\u00e3os, antes, pelo seu infinito amor, com ela se compromete at\u00e9 ao fim.<\/p>\n<p>A P\u00e1scoa \u00e9 a grande proclama\u00e7\u00e3o de que o homem pode aspirar \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m n\u00e3o uma salva\u00e7\u00e3o como sobrevaloriza\u00e7\u00e3o das capacidades humanas, mas dom de Deus por Jesus Cristo. Como esclarecia uma recente carta da Congrega\u00e7\u00e3o da Doutrina da F\u00e9, a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende das for\u00e7as do indiv\u00edduo ou das estruturas humanas nem se reduz apenas a uma interioridade extr\u00ednseca ao corpo e ao mundo. A aut\u00eantica viv\u00eancia pascal ajuda-nos a aprofundar a consci\u00eancia de que o homem n\u00e3o pode salvar-se a si mesmo sem reconhecer a necessidade de Deus e dos outros. \u00abA salva\u00e7\u00e3o plena da pessoa n\u00e3o consiste nas coisas que o homem poderiatgl\u00edt\u00e9r por si mesmo (ter, bem-estar, ci\u00eancia, t\u00e9cnica, poder influ\u00eancia, fama&#8230;)\u00bb. A boa nova da salva\u00e7\u00e3o tem um nome e um rosto: Jesus Cristo, Filho de Deus e realiza-se na entrega da sua vida na cruz.<\/p>\n<p>A celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa leva-nos a descobrir que, da salva\u00e7\u00e3o entendida como dom de Deus, ningu\u00e9m est\u00e1 exclu\u00eddo. Todos s\u00e3o convidados para a P\u00e1scoa de Cristo; todos s\u00e3o desafiados a caminhar com Ele; todos s\u00e3o atra\u00eddos \u00e0 sua contempla\u00e7\u00e3o na cruz. Nesse sentido verificamos, sintomaticamente, que o relato da paix\u00e3o segundo S. Marcos come\u00e7a com o gesto inusitado de uma mulher an\u00f3nima e termina com a afirma\u00e7\u00e3o de f\u00e9 de um improv\u00e1vel centuri\u00e3o. Ela, durante aquela refei\u00e7\u00e3o em Bet\u00e2nia, derrama o perfume de nardo puro sobre a cabe\u00e7a de Jesus. Perante a censura dos presentes, Jesus esclarece que aquele gesto representava uma un\u00e7\u00e3o antecipada do seu corpo para a sepultura. De forma inconsciente mas prof\u00e9tica aquela mulher reconheceu em Jesus o verdadeiro Messias, mostrando-nos como a ades\u00e3o pessoal e de cora\u00e7\u00e3o a Ele \u00e9 um passo determinante. O centuri\u00e3o, proveniente de outra cultura, foi capaz de interpretar sabiamente aqueles acontecimentos e chegar \u00e0 conclus\u00e3o da f\u00e9: \u00abNa verdade este homem era o Filho de Deus\u00bb.<\/p>\n<p>Para cada um de n\u00f3s, para a Igreja e para o mundo, cada semana santa \u00e9 sempre especial, experi\u00eancia espiritual \u00fanica porque nos permite celebrar e meditar no mist\u00e9rio infinito do amor de Deus por n\u00f3s e por todos. Celebrar esse mist\u00e9rio atual e sempre novo confirma a nossa f\u00e9; meditar nesse mist\u00e9rio ajuda-nos a perceber como \u00e9 esse amor divino que nos sustenta e s\u00f3 ele responde \u00e0s nossas inquieta\u00e7\u00f5es mais profundas.<\/p>\n<p>No primeiro dia desta semana santa manifestemos a disposi\u00e7\u00e3o de caminhar com Cristo nestes dias em que Ele se entrega ao Pai para nossa salva\u00e7\u00e3o. Na eucaristia, e como Ele nos mandou, fa\u00e7amos mem\u00f3ria viva dessa entrega, afirmando a nossa f\u00e9 de que comungando o seu corpo e o seu sangue, viveremos por Ele e com Ele passaremos da morte \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Porto, 25 de mar\u00e7o de 2018<br \/>\nD. Ant\u00f3nio Augusto de Oliveira Azevedo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":2,"featured_media":100274,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187,308],"class_list":["post-100273","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto","tag-semana-santa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=100273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/100273\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/100274"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=100273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}