{"id":10022,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/atento-aos-sinais-da-presenca-de-deus-na-historia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"atento-aos-sinais-da-presenca-de-deus-na-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/atento-aos-sinais-da-presenca-de-deus-na-historia\/","title":{"rendered":"Atento aos sinais da presen\u00e7a de Deus na Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0 Conversa com&#8230; o Bispo eleito Auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo <!--more--> VP \u2013 Como foi este tempo de espera? Como conseguiu gerir estes 6 meses de intensos rumores, para j\u00e1 n\u00e3o ir ao ano de 1992, altura em que esteve na C.E.P. e em que j\u00e1 se antevia este acontecimento? Carlos Azevedo (CA) \u2013 O que importa na vida dum padre \u00e9 a dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o da Igreja e daqueles que se abrem ao Mist\u00e9rio de Deus. O resto s\u00e3o as oportunidades e as circunst\u00e2ncias que v\u00e3o ditando aqueles que melhor podem servir nos lugares, nos diferentes sectores em que vamos dando o nosso contributo. Portanto, fundamentalmente foi servindo sempre, foi dedicando \u00e0quilo que me era dado que eu fui vivendo. Mesmo agora nestes \u00faltimos meses fui tentando encontrar nas minhas tarefas e na ora\u00e7\u00e3o a melhor atitude para encarar essa situa\u00e7\u00e3o.  VP \u2013 De que forma pensa e sente a necessidade de ser Bispo na actualidade? Qual tem sido a principal preocupa\u00e7\u00e3o que lhe toca desde que foi nomeado para este novo minist\u00e9rio? CA \u2013 Para j\u00e1 \u00e9 mesmo uma pr\u00e9-ocupa\u00e7\u00e3o, porque uma coisa \u00e9 o conhecimento que n\u00f3s temos do documento \u2013 tenho estado a ler a exorta\u00e7\u00e3o p\u00f3s-sinodal do papel do Bispo \u2013 e outra coisa \u00e9 a realidade concreta de cada Diocese. Portanto, estou com paix\u00e3o de servir e com disponibilidade para encontrar quer naqueles com quem estarei em comunh\u00e3o, sobretudo com o Bispo de Lisboa, o Senhor Patriarca, e com os que est\u00e3o mais pr\u00f3ximos dele. Encontrar, com o meu contributo e com a minha sensibilidade tamb\u00e9m, os melhores caminhos para evangeliza\u00e7\u00e3o nesta hora da Hist\u00f3ria. Penso que o fundamental neste momento e nestas circunst\u00e2ncias \u00e9 uma atitude orante para criar disponibilidade e retirar do cora\u00e7\u00e3o aqueles obst\u00e1culos que naturalmente v\u00eam ao de cima, desde o temor \u00e0s ideias preconcebidas ou qualquer outra coisa que possa perturbar a disponibilidade interior para a tarefa. O que vejo hoje que um Bispo tem que ser \u00e9, antes de mais: muito amigo dos seus padres, daqueles que colaboram com ele; incentivador do carisma de cada um e animador desses carismas; depois, muito exigente na estrutura\u00e7\u00e3o da vida da Igreja para que ela seja \u00e1gil e se renove para corresponder aos novos tempos; e, tamb\u00e9m, muito atento aos sinais da presen\u00e7a de Deus na Hist\u00f3ria \u2013 seja na vida cultural, na vida econ\u00f3mica, na vida pol\u00edtica \u2013 a aten\u00e7\u00e3o permanente \u00e0quilo que Deus nos diz atrav\u00e9s do que acontece no mundo, com muita fidelidade \u00e0 Igreja e muita fidelidade \u00e0 Hist\u00f3ria.  VP \u2013 Poderemos dizer que tem o caminho mais facilitado e receptivo do Patriarcado de Lisboa por ter estado 4 anos na Reitoria da UCP? \u00c9 um ponto forte e a raz\u00e3o para ter sido nomeado para Bispo Auxiliar de Lisboa?  CA \u2013 Penso que n\u00e3o \u00e9 uma prepara\u00e7\u00e3o especial. O facto de ter estado em Lisboa, j\u00e1 me d\u00e1 mais algum conhecimento de Lisboa, mas a actividade que tinha do ponto de vista do contacto pastoral era muita limitada. Era mais com alguns alunos da Faculdade de Teologia e, portanto, com o Semin\u00e1rio, e com antigos alunos l\u00e1 da Faculdade tamb\u00e9m; o contacto com uma ou outra Par\u00f3quia que pediu os meus servi\u00e7os; e com um grupo de jovens, esses sim, de forma\u00e7\u00e3o de animadores. Tive uma s\u00e9rie de encontros de fim-de-semana com eles e ainda est\u00e1 marcado um para Mar\u00e7o, que espero passar por l\u00e1. Foi assim o contacto, as conversas que ia tendo e o Retiro que fiz ao Clero de Lisboa, h\u00e1 cerca de 2-3 anos. Os padres v\u00e3o-me conhecendo um pouco pelos Retiros e pelos Simp\u00f3sios do Clero. Eles a mim conhecem-me mas eu a eles n\u00e3o os conhe\u00e7o t\u00e3o bem. Esta ser\u00e1 uma oportunidade para nos conhecermos e criarmos la\u00e7os de comunh\u00e3o. A realidade da vida da Igreja diocesana n\u00e3o a conhe\u00e7o, ser\u00e1 uma descoberta.  VP \u2013 O que \u00e9, de grosso modo, vai mudar\/abdicar na sua vida pastoral e apost\u00f3lica de tudo aquilo em que estava inserido e que foi fazendo, como o ser Professor, as Confer\u00eancias v\u00e1rias, o Movimento O\u00e1sis?  CA \u2013 Evidentemente que a fun\u00e7\u00e3o episcopal cria outras aberturas de resposta \u00e0 Igreja e, portanto, quer as Confer\u00eancias \u2013 que exigem um pouco de reflex\u00e3o, tempo e prepara\u00e7\u00e3o \u2013 ficar\u00e3o ligeiramente limitadas; como tamb\u00e9m a parte da investiga\u00e7\u00e3o, a parte da Hist\u00f3ria religiosa e da Iconografia religiosa, que foram campos do meu trabalho, ficar\u00e3o agora na gaveta. Estes sectores da arte, da investiga\u00e7\u00e3o e da interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o quer dizer que ficam totalmente de lado, mas tamb\u00e9m o meu contributo at\u00e9 levando outros a entusiasmarem-se e fazerem aquilo que acho que \u00e9 importante continuar a fazer, mas n\u00e3o directamente, porque o tempo n\u00e3o dar\u00e1 para tudo.  VP \u2013 Pelo que sabemos, cada Bispo Auxiliar tem uma \u00e1rea pr\u00f3pria de ac\u00e7\u00e3o pastoral relacionada com os Movimentos, Grupos e Institui\u00e7\u00f5es Eclesiais. Se puder optar por uma \u00e1rea qual \u00e9 aquela que gostaria de lhe ver entregue? CA \u2013 Eu at\u00e9 hoje n\u00e3o tenho escolhido as \u00e1reas em que quero trabalhar. As pessoas v\u00e3o vendo em que posso ser \u00fatil e eu vou servindo aquilo que me pedem. O que tenho feito \u00e9 aquilo que me pedem, n\u00e3o aquilo que eu quero, embora muitas vezes coincida aquilo que me pedem com aquilo de que eu gosto. Mas acho que s\u00f3 depois de reunir com o Senhor Patriarca e os outros Bispos \u00e9 que distribuiremos essas tarefas. Em Lisboa h\u00e1 a distribui\u00e7\u00e3o por zonas pastorais, por isso h\u00e1 uma zona que \u00e9 entregue a um Bispo Auxiliar. Ser\u00e1 definido a partir de Abril, quando inserir a nova equipa, quer os sectores da pastoral como uma zona pastoral. Ficarei dispon\u00edvel para isso, para o que for n\u00e3o sei. Com certeza que, por uma quest\u00e3o de recursos humanos, \u00e9 bom sempre que estejamos naquilo em que temos maior aptid\u00e3o. H\u00e1 uns que estamos mais preparados, outros onde estamos menos. Isso depois ser\u00e1 certamente tido em conta.  VP \u2013 Est\u00e1 agora a decorrer uma grande exposi\u00e7\u00e3o em Santa Maria da Feira, sobre S. Sebasti\u00e3o, que se deve pratica e essencialmente ao P. Carlos, ao seu trabalho de Comiss\u00e1rio Geral. Sentiu-se isolado de meios e apoios nesta execu\u00e7\u00e3o, de curta e acelerada prepara\u00e7\u00e3o? CA \u2013 O facto de nestes 3 meses desde que vim de Lisboa, da Reitoria da UCP, e em que continuei a dar as aulas, o resto do tempo pude entreg\u00e1-lo, sobretudo, a esta tarefa de preparar a exposi\u00e7\u00e3o. O resto das dificuldades s\u00e3o dificuldades inerentes ao pa\u00eds em que vivemos, onde tudo o que \u00e9 invent\u00e1rio de arte est\u00e1 por fazer, onde h\u00e1 uma dificuldade enorme de encontrar e seleccionar um conjunto de pe\u00e7as. E depois, tamb\u00e9m, cheguei aqui e n\u00e3o tive uma equipa com quem estava habituado a trabalhar. Essa equipa est\u00e1 agora dispersa.  VP \u2013 Com a espiritualidade que lhe \u00e9 devida, tanto \u00e0 de S. Sebasti\u00e3o como \u00e0 do P. Carlos, o que \u00e9 lhe trouxe de novo na procura e maior envolv\u00eancia na figura deste Santo? O que regista com maior apre\u00e7o e quer dar a conhecer a quem conhece mal S. Sebasti\u00e3o? CA \u2013 Todas as exposi\u00e7\u00f5es que tenho feito fa\u00e7o-as sempre como Padre, disse isso nas minhas palavras de abertura desta Exposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fiz nenhuma para simplesmente mostrar arte. As exposi\u00e7\u00f5es t\u00eam todas um intuito pastoral, catequ\u00e9tico, uma mensagem. Quero dizer com isto que as pe\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o tratadas como devem ser, n\u00e3o estudadas do ponto de vista hist\u00f3rico, mas para al\u00e9m de tudo isto que se deve fazer, h\u00e1 ali um outro acrescento, que \u00e9 a dimens\u00e3o dum percurso que as pessoas fazem \u2013 ao entrar na exposi\u00e7\u00e3o at\u00e9 sair \u2013 duma mensagem que as faz interrogar, que as faz reflectir e que tamb\u00e9m as enriquece culturalmente. Ora s\u00e3o estes aspectos, alguns v\u00e3o l\u00e1 s\u00f3 pelo enriquecimento cultural, mas outros tamb\u00e9m trar\u00e3o algum proveito espiritual, alguma frui\u00e7\u00e3o de beleza, que tamb\u00e9m \u00e9 espiritual, e uma mensagem do que \u00e9 importante na vida e do que vale a pensa na vida. Ora, certamente, que a imagem de um S. Sebasti\u00e3o \u2013 toda a hist\u00f3ria embora passada pela passio legend\u00e1ria do s\u00e9c. V, mas que depois os pintores retrataram \u2013 ao passar trazia uma grande fortaleza e um grande al\u00edvio para as pessoas, porque em momentos de peste, a grande raz\u00e3o da divulga\u00e7\u00e3o do culto sebastianino, encontravam a\u00ed grande al\u00edvio. Isso foi fundamental para as suas vidas. Tamb\u00e9m podemos dizer que o facto das pessoas olharem para S. Sebasti\u00e3o e verem nele algu\u00e9m que deu a vida por Cristo, isso \u00e9 significativo para as adversidades do mundo contempor\u00e2neo, onde h\u00e1 muita realidade dif\u00edcil, que exige muita fortaleza. Essa mesma fortaleza est\u00e1 hoje presente na vida da sociedade, no testemunho de algu\u00e9m que persistiu e lutou pela liberdade.  VP \u2013 Tem tamb\u00e9m outra grande responsabilidade em suas m\u00e3os: o ser Postulador do processo de Canoniza\u00e7\u00e3o da Irm\u00e3 Maria Rita de Jesus. Como est\u00e1 a decorrer e vai continuar este processo? CA \u2013 Felizmente que o processo coincide tamb\u00e9m com o encerramento destes dias. Portanto, o trabalho do Postulador \u201cterminou\u201d, na medida em que o processo vai para Roma e l\u00e1 vai ser analisado. Em Roma \u00e9 que vai haver um Postulador, ser\u00e1 um Padre Capuchinho que j\u00e1 est\u00e1 escolhido e que j\u00e1 estava previsto, porque o Postulador tem que estar e viver em Roma, \u00e9 das normas. E o Postulador, que preparou at\u00e9 aqui a causa, passa a Vice-Postulador. Em Portugal o Boletim que vai continuar a animar a mem\u00f3ria da Irm\u00e3 Rita poder\u00e1 continuar a contar comigo na escrita de um ou outro artigo, mas penso que as Irm\u00e3s encontrar\u00e3o uma Vice-Postuladora ou um Vice-Postulador para c\u00e1 e eu ficarei mais livre deste processo. Nesta miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 costume que os Bispos sejam Postuladores ou Vice-Postuladores. Terminei a minha miss\u00e3o, fiz o que era pretendido, e num tempo recorde, n\u00e3o s\u00f3 na aprova\u00e7\u00e3o em Roma no nihil obstat, mas tamb\u00e9m no trabalho excepcional de 8 meses do Tribunal Eclesi\u00e1stico, em que pode ouvir 35 testemunhas e reorganizar o processo. Parab\u00e9ns por isso ao Tribunal, pelo seu trabalho t\u00e3o dedicado, para que tudo pudesse terminar a tempo.  VP \u2013 Al\u00e9m de ter sido, como Padre, Director Espiritual do Semin\u00e1rio, P\u00e1roco da Sr.\u00aa da Concei\u00e7\u00e3o, Assistente do Movimento O\u00e1sis, Professor e Vice-Reitor da UCP, o que gostaria de ter feito mais? Que ideais tinha para o futuro? CA \u2013 Gostaria de ter feito muita coisa melhor do que fiz. De resto, fazer outras experi\u00eancias. N\u00e3o fui eu que quis, n\u00e3o fiz t\u00e3o bem como era vontade de Deus, certamente, mas procurei fazer o melhor poss\u00edvel. Agora estava a pensar que seria interessante uma experi\u00eancia rural, que ainda n\u00e3o tinha tido, de um desafio duma unidade pastoral numa zona onde estivesse com meia d\u00fazia ou mais Par\u00f3quias, nos arredores urbanos, onde se sonhasse um novo tipo de pastoral numa unidade pastoral. Era um sonho que acalentava. Outro era tamb\u00e9m uma casa de Ora\u00e7\u00e3o, um Eremit\u00e9rio. Estava agora tudo a encaminhar-se para avan\u00e7ar, em S. Pedro das \u00c1guias, junto ao T\u00e1vora. Estava j\u00e1 feita a escritura, tinha ido l\u00e1 com um grupo de jovens desbravar silvas, est\u00e1 um arquitecto a fazer o projecto, vamos ver como avan\u00e7a agora noutra direc\u00e7\u00e3o. Eram 2 projectos do ponto de vista pastoral.  VP \u2013 Mas n\u00e3o quer dizer que morra a concretiza\u00e7\u00e3o do seu 2\u00ba projecto, j\u00e1 que as coisas v\u00e3o a bom andamento para um bom fim&#8230; CA \u2013 Esse projecto vem da minha liga\u00e7\u00e3o ao Daniel Faria e da visita que faz\u00edamos todos os anos l\u00e1, na altura do Carnaval, ver as amendoeiras em flor e passar a manh\u00e3 em S. Pedro das \u00c1guias. Veio depois a ideia de arranjar uma casinha velha e fazer l\u00e1 um Eremit\u00e9rio. Depois da morte do Daniel, fiz mesmo o compromisso de fazer isso que j\u00e1 tinha sido sonhado na presen\u00e7a da vida dele, de fazer l\u00e1 a \u201cCasa Daniel\u201d, uma Casa de Ora\u00e7\u00e3o, que seria tamb\u00e9m um pouco mem\u00f3ria dessa nossa experi\u00eancia. H\u00e1 um grupo tamb\u00e9m que est\u00e1 ligado a isso e esse grupo ficar\u00e1 com maior responsabilidade. Teremos que formalizar o modo de dar seguimento a essa iniciativa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 Conversa com&#8230; o Bispo eleito Auxiliar de Lisboa, D. 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