Trabalho dos jornalistas António Marujo e Joaquim Franco foi distinguido na seção «Testemunhos de Esperança»

Lisboa, 11 dez 2025 (Ecclesia) – A reportagem televisiva ‘A Lista do Padre Carreira’, um trabalho do jornal digital português ‘7MARGENS’ e da TVI/CNN Portugal, foi uma das vencedoras da 8ª edição do Prémio Jornalístico Giuseppe de Carli, em Itália.
“A reportagem de António Marujo e Joaquim Franco reconstrói com rigor e intensidade a figura do padre Joaquim Carreira, que durante a ocupação nazi de Roma salvou dezenas de perseguidos, oferecendo-lhes refúgio [no Pontifício Colégio Português]”, destacou o júri do Prémio Jornalístico Giuseppe de Carli, explica uma nota enviada à Agência ECCLESIA pelo ’7MARGENS’.
“Graças a uma cuidadosa pesquisa e a uma linguagem sóbria e eficaz, o trabalho reconstitui uma página pouco conhecida da Shoah romana, com autenticidade e valor cívico”, acrescenta sobre a reportagem televisiva ‘A Lista do Padre Carreira’.
A cerimónia de entrega do Prémio Giuseppe de Carli, que tem três secções – ‘Testemunhos de Esperança’, ‘Comunicação e Migrantes’, e ‘Jornalismo e Tradições Religiosas’ – realizou-se esta quarta-feira, 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, na Universidade Pontifica Santa Croce, ligada à Obra Opus Dei, em Roma.
Joaquim Franco (TVI) agradeceu “a todos os jornalistas que insistem em manter” a informação religiosa “na agenda jornalística”, salientando que, “em Itália, devido à proximidade do Papa e do Vaticano, pode não se sentir muito, mas em Portugal é cada vez mais difícil manter o tema na agenda”.
“Não seremos justos se excluirmos da equação jornalística o fenómeno religioso, com as suas luzes e sombras”, salientou o jornalista português, que já venceu este galardão, com uma reportagem sobre o Arquivo Secreto do Vaticano (SIC), em 2014.
O padre Joaquim Carreira, reitor Pontifício Colégio Português em Roma, na Segunda Guerra Mundial, acolheu várias dezenas de pessoas judeus, mas também socialistas, resistentes antifascistas e outros cidadãos italianos que se opunham ao nazi-fascismo, entre setembro de 1943 e junho de 1944.
O jornalista António Marujo, do jornal digital ‘7MARGENS’, citou excertos do relatório do padre Carreira de 1943-44, relativo ao período em que acolheu cinco dezenas de refugiados e perseguidos, e afirmou que “hoje, a atitude do padre Carreira volta a ser essencial e contracorrente”, quando cresce em Portugal, por toda a Europa e no mundo, “um extremismo político, apoiado num sistema financeiro e em poderes tecnológicos, que voltam a propor o que levou à tragédia de há 90 anos”.
O Pontifício Colégio Português de Roma que recebe a projeção da reportagem televisiva ‘A Lista do Padre Carreira’ e um debate sobre a figura deste sacerdote português e a sua história, às 16h00 locais desta quinta-feira, 11 de dezembro, tem o título de ‘Casa da Vida’, pelo acolhimento de judeus e outras pessoas perseguidas pelo regime nazi na II Guerra Mundial, numa iniciativa da Fundação Raoul Wallenberg, atribuído no dia 30 de maio de 2017.
O Prémio ‘Giuseppe De Carli’, que evoca o jornalista italiano que morreu há 15 anos, é promovido pela Associação Cultural ‘Giuseppe De Carli’, em colaboração com a Associação ISCOM e a Faculdade de Comunicação Institucional da Universidade Pontifícia da Santa Cruz.
“O jornalismo religioso pode e deve ser uma forma de tecelagem, capaz de remendar o que a comunicação muitas vezes exacerba ou polariza. É a melhor maneira de homenagear aqueles que, como Giuseppe De Carli, souberam unir competência e moderação, paixão e respeito”, disse o presidente da associação cultural, Giovanni Tridente, no seu discurso introdutório.

Foram vencedores também desta 8.ª edição do Prémio ‘Giuseppe de Carli’ a jornalista Lucia Bellaspiga (Avvenire) na secção ‘Testemunhos de Esperança’, Lorenzo Giroffi (RAI 3), venceu em ‘Comunicação e migrantes’, e Fausta Speranza (Revista Famiglia Cristiana) foi escolhida na secção ‘Jornalismo e tradições religiosas’; a jornalista Gianluca Vannuchi, a chefe de redação da Ansa, foi galardoada com o Prémio Carreira pelos seus 30 anos de “rigor, equilíbrio e uma discrição diligente” na agência oficial de notícias de Itália, e integrou também o júri.
A cerimónia de entrega dos galardões contou com uma mesa redonda, este ano sobre o tema ‘Da esperança à ação: reconstruir o mundo’, que teve como intervenientes a jornalista Safiria Leccese (Mediaset), o professor Massimiliano Padula, da Universidade Pontifícia Lateranense, em Roma, e o cardeal Fabio Baggio, subsecretário do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integra da Santa Sé.
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