D. José Pereira participou na primeira sessão de um ciclo de tertúlias dedicado ao antigo e novo instrumento musical, na ExpoEcclesia

Guarda, 09 jun 2026 (Ecclesia) – O bispo da Guarda defende que o novo órgão da Sé da cidade, cuja instalação se iniciou em janeiro, poderá desempenhar um papel relevante na dinamização da Pastoral da Cultura, do Turismo e da Liturgia da catedral.
As declarações foram feitas na primeira sessão do ciclo de tertúlias dedicado ao antigo e ao novo instrumento de tubos naquela igreja, no passado sábado, na ExpoEcclesia, na Guarda.
“Espero que antes do final do ano estejamos a inaugurar o órgão da nossa catedral”, disse o responsável católico, segundo informa uma nota enviada à Agência ECCLESIA.
D. José Pereira considera que a instalação do novo instrumento representa um processo de renovação cultural, artística e espiritual.
O bispo da Guarda refletiu sobre os conceitos de “ruína” e “esplendor” aplicados à arte sacra e ao património religioso.
Segundo o responsável católico, o primeiro dos conceitos surge frequentemente quando uma realidade perde a função ou o sentido para que foi criada, afastando-se das pessoas e degradando-se ao longo do tempo.
D. José Pereira referiu ainda que a arte sacra deve manter uma dimensão simbólica capaz de conduzir à contemplação e à compreensão do mistério que representa.
O bispo alertou também para os riscos do reducionismo conceptual e do instrumentalismo ativista, correntes que, na sua perspetiva, podem comprometer a profundidade simbólica da arte religiosa.
Em contraste, a intervenção destacou um “esplendor interior”, enraizado e duradouro, capaz de atravessar o tempo, regenerar património e contribuir para o crescimento espiritual das pessoas.

Além do bispo da Guarda, a iniciativa com o título “Órgão de Tubos: da Ruína ao Esplendor” incluiu a participação do presidente da Assembleia Municipal da Guarda, José Relva, do arquiteto Joaquim Luís da Costa Gomes, do engenheiro Jorge de Novais Telles de Faria Correia Bastos, por videoconferência, e do cónego Manuel Pereira de Matos.
Em janeiro, iniciou-se a instalação do novo órgão de tubos da Sé da Guarda com a desmontagem do guarda-vento existente na porta voltada para a Praça Velha.
O instrumento foi construído pelo organeiro e organista francês Frédéric Desmottes, nas oficinas da sua organaria, em Landete, Espanha.
Com cerca de oito metros de altura, quase cinco metros de largura e um peso aproximado de seis toneladas, o novo órgão dispõe de 41 registos sonoros, distribuídos por quatro departamentos (positivo de costas, grande órgão, órgão expressivo e pedal) integrando cerca de 2.700 tubos.
LJ/OC
