«É necessário que se reconheça o seu papel como atores de solidariedade imediata» – Secretário-geral da organização católica, Aloysius John

Foto Caritas Indonésia

Cidade do Vaticano, 18 ago 2020 (Ecclesia) – A Caritas Internationalis apela ao “fortalecimento (empowerment) das comunidades locais”, afirmando que “como mostrou o Covid-19, são os principais atores na resposta humanitária”, numa mensagem pelo Dia Mundial da Humanidade, que se assinala esta quarta-feira, 19 de agosto.

“Num momento em que as crises se tornam cada vez mais complexas e cada vez mais agudas, o primeiro apoio aos necessitados é dado pelas comunidades locais, que conseguem garantir uma ajuda imediata e eficaz às populações afetadas. Para isso, é necessário que se reconheça o seu papel como atores de solidariedade imediata”, disse o secretário-geral da Caritas Internationalis, Aloysius John.

Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, a Caritas Internationalis destaca o “papel essencial” das comunidades locais como “atores de solidariedade imediata” e “apela a um maior apoio às organizações da sociedade civil locais”, especialmente as de inspiração religiosa como a Caritas, “que em todo o mundo apoia, ajuda e fortalece as comunidades locais”.

“Este Dia Mundial da Humanidade deve contribuir para a inovação da resposta humanitária e para isso é essencial que os governos e a comunidade humanitária internacional se concentrem no empoderamento (empowerment) das organizações da sociedade civil. É essencial que essas organizações tenham os recursos necessários para que possam preparar as comunidades locais para responder de forma independente às emergências”, desenvolveu Aloysius John.

A Caritas Internationalis “exorta” os governos e a comunidade internacional a “alocar fundos locais” para o “empowerment” das organizações da sociedade civil local e as suas estruturas de base e “fundos especiais” para “capacitá-las a tomar as medidas adequadas em caso de desastre”, bem como, a “garantir a proteção dos trabalhadores humanitários, e a proteção dos interesses das comunidades locais”.

O Dia Mundial da Humanidade 2020, esta quarta-feira, dia 19 de agosto, é assinalado no contexto da pandemia originada pelo coronavírus Covid-19, e a organização mundial católica lembra que as comunidades locais foram “os principais atores na resposta humanitária”, e a Caritas Internationalis destaca também as “explosões que devastaram Beirute” (Líbano), que vão permanecer “gravadas na memória da comunidade internacional”.

O secretário-geral da Caritas Internationalis – uma confederação de 162 membros – afirma que a comunidade internacional “recorda a generosidade de milhares de trabalhadores humanitários, dos pobres” e, sobretudo, “dos sobreviventes das catástrofes que aspiram a viver com dignidade”.

“Defender, servir e acompanhar as comunidades mais pobres, especialmente no momento do desastre, é a missão da Caritas Internationalis e seu papel principal é ajudar as pessoas a ajudar outras”, acrescentou Aloysius John, sobre a organização que é a “segunda rede católica mais importante da sociedade civil” e está presente em “quase todos os países do mundo”.

A Assembleia Geral da Nações Unidas adotou uma resolução que designou 19 de agosto como Dia Mundial da Humanidade, cinco anos depois do ataque à bomba ao Canal Hotel, em Bagdade, que matou 22 trabalhadores da ajuda humanitária, incluindo o representante especial do Secretário-Geral da ONU para o Iraque, Sérgio Vieira de Mello, a 19 de agosto de 2003.

Este ano a ONU está a dinamizar uma campanha global que celebra o trabalho humanitário, num “obrigado” às pessoas que comprometeram suas vidas a ajudar os outros, apresentando “histórias pessoais inspiradoras”, com o hashtag (marcador) #RealLifeHeroes.

CB

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