Membros do sínodo vão participar no «caminho pan-amazónico» da Cruz

Foto: Lusa

Cidade do Vaticano, 18 out 2019 (Ecclesia) – Líderes indígenas, padres sinodais e especialistas de todo o mundo vão participar numa Via-Sacra onde vão alertar para os “problemas dos povos indígenas”, a partir das 08h30 (locais), deste sábado, na Via da Conciliação, em Roma.

“Marginalização, desigualdades sociais, expropriação dos territórios, indiferença, danos ao meio ambiente vão ser o fio vermelho do caminho que conduzir as 15 estações até a Praça de São Pedro”, afirmou a irmã Maria Eugênia Lloris Aguado.

Na informação enviada hoje à Agência ECCLESIA, pela organização, a religiosa explica vão seguir “a lógica e a estrutura da jornada católica da Cruz (Via-Sacra)” e incluir os problemas dos povos indígenas “em todas as estações”.

“Para muitos povos da Amazónia a vida parece uma Via Crucis. Todo o dia é uma estação onde eles experimentam o sofrimento da cruz”, alertou o irmão Antonio Soffientini,

O missionário Comboniano afirma que “celebrar com os indígenas” esta Via-Sacra significa “caminhar com eles e ajudá-los a carregar essas cruzes”, lembrando que a Sexta-Feira Santa não é a última palavra.

“Queremos ser solidários com o sofrimento de nossos irmãos. Por esse motivo, nas várias Estações lembraremos as várias violações dos direitos humanos e dos mártires que lutaram ao longo desses anos pelos ideais de liberdade, justiça social e solidariedade”, acrescentou o irmão Antonio Soffientini, sobre a celebração que começa às 08h30 locais (menos uma hora em Lisboa).

Ao longo do percurso, na Via da Conciliação, entre Castel Sant’Angelo e a Praça de São Pedro, vão ter imagens da Via Crucis da América Latina, do argentino Adolfo Pérez Esquivel, em 1992, para comemorar os 500 anos do início da conquista das Américas, que vão alternadas com “muitos mártires” como D. Óscar Romero, Dorothy Stang, Ezequiel Ramin, Chico Mendes, Cleusa Carolina Coelho e Marçal de Souza, “homens e mulheres que morreram em defesa da Casa Comum”.

Esta iniciativa faz parte do programa ‘Amazónia: Common House’ (Amazónia: Casa Comum), paralelo à Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a região pan-amazónica, com o nome ‘Amazónia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral’, que foi convocado pelo Papa Francisco e decorre até 27 de outubro, no Vaticano.

A região tem uma extensão de 7,8 milhões de km2, incluindo áreas do Brasil, Bolívia, Perú, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa; dos seus cerca de 33 milhões de habitantes, 3 milhões são indígenas pertencentes a 390 grupos ou povos.

A assembleia especial conta com 185 padres sinodais, 113 de circunscrições eclesiásticas pan-amazónicas (pertencentes a 7 conferências episcopais); marcam presença 13 responsáveis da Cúria Romana, 15 religiosos eleitos pelo superiores gerais e 33 membros nomeados por indicação pontifícia; seis delegados que representam outras igrejas e comunidades cristãs presentes no território; 12 convidados especiais como cientistas, peritos no setor do meio ambiente e outras disciplinas; 25 especialistas indicados pelas suas competências específicas.

CB

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