«É necessário que resgatemos o morrer do abandono, o morrer da solidão» – Padre Fernando Sampaio

Lisboa, 14 fev 2019 (Ecclesia) – A Associação «Mateus 25» e o Departamento Diocesano da Pastoral da Saúde, do Patriarcado de Lisboa, vão promover a ação de formação ‘Acompanhamento espiritual a doentes em fim de vida – na paróquia e no hospital’, este sábado.

“Ajudemos as famílias nas paróquias, ajudemos as famílias nos hospitais, é necessário retirar o doente que está morrendo do isolamento para que se morra humanamente no meio das pessoas, no meio da ternura, no meio do carinho”, disse o responsável pelo Departamento da Pastoral da Saúde do Patriarcado de Lisboa.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o padre Fernando Sampaio afirma que “é necessário” resgatar “o morrer do abandono, o morrer da solidão”, uma vez que os doentes, muitas vezes, “são abandonados”.

“Esta ideia do acompanhamento espiritual de doentes em fim de vida tem a ver com tentar ajudar as pessoas a aproximarem-se destes doentes que necessitam tanto do contacto humano na parte final da vida, particularmente, no enfrentar da morte. Precisa de significados também e ai também está presente a dimensão espiritual”, desenvolveu o também coordenador diocesano dos capelães hospitalares.

A ação ‘Acompanhamento espiritual a doentes em fim de vida – na paróquia e no hospital’ destina-se a voluntários, párocos, estudantes, visitadores de doentes, Ministros Extraordinários da Comunhão, agentes pastorais e familiares de doentes.

O frade Franciscano Hermínio Araújo, por exemplo, vai apresentar a definição de conceitos de Bioética, como distanásia, eutanásia, morte assistida, cuidados paliativos ou testamento vital, Cristina Pinto fala sobre ‘Acompanhar os doentes – Relação e Comunicação’, e durante a tarde, estão previstos workshops temáticos – ‘Sacramentos (confissão, santa unção e viático)’, pelo padre Hospitaleiro Alberto Mendes; ‘Acompanhar o Silêncio dos Morrentes’, com Fernando d’Oliveira, e ‘Bênçãos e Orações com e pelos moribundos’, pelo padre Fernando Sampaio.

O responsável pelo Departamento da Pastoral da Saúde, do Patriarcado de Lisboa, realça que há pessoas que “querem fazer caminho” e é necessário ajudar “a refletir”, a saber “estar junto” das pessoas que “vivem o último momento da vida” e que “atitudes devem ter”.

Segundo o capelão hospitalar, “a morte denuncia” a juventude, o belo, o perfeito que a sociedade valoriza com “o medo do próprio morrer” e não descreve “o último capítulo da vida”.

“Podemos deixar uma mensagem bonita e esta dimensão espiritual nos releva de outras importâncias ligadas ao morrer: O deixar um legado, o testemunho de capacidade de enfrentar até ao fim, o reconciliar-se com pessoas, o perdoar e ser perdoado”, salienta o padre Fernando Sampaio afirmando que “há muitos dinamismos que é necessário resgatar”.

O encontro de formação organizado pela Associação «Mateus 25» e o Departamento Diocesano da Pastoral da Saúde começa a partir das 09h00 e termina às 18h00, do programa consta a celebração da Eucaristia, no auditório do Externato São Vicente de Paulo, das irmãs Vicentinas, em Lisboa.

HM/CB/OC

 

Partilhar:
Share