Tavira, 29 nov 2019 (Ecclesia) – A Paróquia de Tavira vai inaugurar no dia 8 de dezembro a exposição “Assim na terra como no céu”, na Igreja de Santa Maria do Castelo, que mostra a ligação da cidade à fé católica.

De acordo com os curadores da exposição, Marco Lopes, diretor do Museu Municipal de Faro, e Daniel Santana, técnico de património da Câmara Municipal de Tavira, há «uma forte carga religiosa e espiritual, que tem repercussão natural na história, na arquitetura e na arte em Tavira”.

A matriz católica na região descobre-se na “na conquista do território, na administração dos templos, na construção de novos edifícios religiosos e nos hábitos sociais da comunidade local, que participa nos ofícios litúrgicos ou nas procissões”.

De acordo com um comunicado enviado à Agência ECCLESIA a exposição “Assim na terra, como no céu” significa que “a Igreja, enquanto intérprete da vontade divina, estabelece as regras e os comportamentos da sociedade e dos ministros da Fé, traduzindo-os depois numa série de objetos artísticos que devem respeitados e adorados”.

Os visitantes encontram “essencialmente peças de caráter religioso, com funções devocionais, usadas em contexto de cerimónia litúrgica ou como elementos de culto”, explicam Marco Lopes e Daniel Santana.

Desde “pinturas, a imagens religiosas de vulto, passando por extraordinárias peças de arte nanbam, paramentaria, livros e ourivesaria, muitos deles originais de Santa Maria, outros de Santiago e alguns de São Paulo”, todos estarão acessíveis e com informação que explicará a sua origem e função.

“Este núcleo expositivo terá textos explicativos, que desenham um fio condutor entre a história de Tavira e a vida religiosa local, durante os séculos XV e XVIII”, indicam os curadores da exposição, onde as peças não se limitam a exibir “uma legenda lacónica, com data e títulos, mas a uma descrição breve do seu significado histórico e artístico”.

O comunicado de imprensa acrescenta que os  textos serão divulgados também em inglês, uma vez que que a cidade é muito “frequentada por turistas estrangeiros”, anunciando ainda a publicação de um “catálogo, com textos mais desenvolvidos em relação aos temas e às peças em exibição”.

Para o padre Miguel Neto, pároco de Tavira, a exposição insere-se na valorização do património religioso da região e no “trabalho conjunto” que tem promovido para “criar valor”, criando “verdadeiras testemunhas” da história local.

“Acredito que a comunhão se gera no trabalho conjunto, um trabalho sincero, honesto, voltado para a valorização do património, mas também do sentido de comunidade, pois o que mais gostaria, no final do meu percurso por estas terras, era perceber que as pessoas são capazes de abdicar da si mesmas, das suas particulares idiossincrasias, para criarem valor para todos, para serem verdadeiras testemunhas da sua história, da sua tradição, preservando-as”, afirmou.

Desde a sua chegada a Tavira, em 2017, o padre Miguel Neto tem trabalhado na salvaguarda do património religioso, criando recursos que garantam a a sua “fruição e compreensão” e a “sua relação com a história da cidade”, assim como “a segurança e a recuperação deste acervo tão vasto e tão importante”.

“Desde logo que a minha inquietação foi encontrar formas, nomeadamente ao nível dos recursos financeiros, para poder investir num projeto deste tipo”.

O padre Miguel Neto acrescentou que as receitas geradas pela cobrança de entradas nos espaços visitáveis de algumas igrejas de Tavira e a da ARTgilão, que vende produtos regionais, custearam a nova exposição, que não contou com “investimento algum de dinheiro público”.

LFS/PR

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