Pastorinho foi canonizado pelo Papa Francisco em 2017

Fátima, 04 abr 2019 (Ecclesia) – O Santuário de Fátima assinala hoje centenário da morte de São Francisco Marto, com um programa especial que inclui a leitura da Quarta Memória das Memórias da Irmã Lúcia.

As celebrações começaram às 10h00, com a recitação do terço na Capelinha das Aparições, seguindo-se a procissão, às 10h45, para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima com o ícone de São Francisco Marto, onde teve lugar a Missa Votiva dos Pastorinhos de Fátima.

Na sua homilia, o cardeal D. António Marto pediu a intercessão de São Francisco Marto,  para curar as feridas da humanidade, “dilacerada por tantas formas de violência” e reparar a Igreja “tão dolorosamente abalada pela corrupção e pelos escândalos”.

Está agendada para as 14h00 a leitura da Quarta Memória das Memórias da Irmã Lúcia, na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima e uma hora depois haverá adoração eucarística no mesmo local.

A partir de hoje é distribuída uma pagela comemorativa do centenário da morte do Francisco, que será disponibilizada exclusivamente na casa do Francisco e da Jacinta, em Aljustrel, até ao fim do ano pastoral.

No dia 7 de abril, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário acolhe o concerto comemorativo do centenário da morte de São Francisco Marto, pelas 15h30, pelo Grupo Vocal LUSIOVOCE, com direção de Clara Alcobia Coelho.

Também a Fundação Francisco e Jacinta Marto vai assinalar esta efeméride com uma iniciativa intitulada «Entre-Luz – Encontros de espiritualidade e cultura na Casa das Candeias”» inspirado na experiência dos Pastorinhos na aparição de maio.

Este primeiro encontro cultural e de aprofundamento da espiritualidade de Fátima e dos Santos Francisco e Jacinta, com uma abordagem multidisciplinar, está marcado para as 21h00, tem como mote “O que se ouve no silêncio?” e vai refletir sobre a vida de Francisco Marto.

Os oradores serão a irmã Ângela Coelho, postuladora da causa de canonização,  e Pedro Valinho Gomes, responsável pelo Departamento para Acolhimento de Peregrinos, o qual, em declarações à Sala de Imprensa do Santuário de Fátima, considerou que “100 anos depois da morte do Francisco, recorda-lo tendo em conta que ele foi canonizado em 2017, é recordar à Igreja uma característica fundamental da santidade cristã, que é a abertura ao absoluto”.

São Francisco Marto foi canonizado, juntamente com a sua irmã, Santa Jacinta, a 13 de maio de 2017, pelo Papa Francisco, numa cerimónia que decorreu no Santuário de Fátima.

O santo português nasceu em 11 de junho de 1908 e foi batizado no dia 20 desse mês, na igreja paroquial de Fátima; em 1916, na primavera, no verão e no outono, Francisco Marto, a sua irmã Jacinta e a sua prima Lúcia veem o Anjo da Paz; entre maio e outubro de 1917, em cada dia 13 (em agosto, no dia 19) foram visitados pela Virgem Maria, na Cova da Iria.

Em outubro de 1918, Francisco Marto adoece, vítima da epidemia broncopneumónica; no dia 2 de abril de 1919 confessa-se e no dia 3 de abril recebe o viático; no dia seguinte, em 4 de abril, pelas 22h00, morre serenamente em sua casa, rodeado pelos seus familiares.

Em 13 de março de 1952, os seus restos mortais foram trasladados para a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, no Santuário de Fátima.

LFS/OC

Do perfil de Francisco sobressai o seu jeito pacífico e sereno. A partir das aparições do Anjo e de Nossa Senhora desenvolverá um estilo de vida caracterizado pela adoração e pela contemplação. Sempre que podia, refugiava-se num lugar isolado para rezar. Frequentemente, passava longas horas no silêncio da igreja paroquial, junto ao sacrário, para fazer companhia a «Jesus escondido».

Na sua intimidade com Deus, Francisco entrevê um Deus triste face aos sofrimentos do mundo; sofre com Ele e deseja consolá-lo. Sendo o mais contemplativo dos três videntes, a sua vida de oração alimenta-se da escuta atenta do silêncio em que Deus fala. Deixa-se habitar pela presença indizível de Deus – «Eu sentia que Deus estava em mim, mas não sabia como era!» – e é a partir dessa presença que acolhe os outros na oração.

D. António Marto, apresentação da biografia na cerimónia de canonização de São Francisco Marto

 

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