Angra, Açores, 19 Mai 2020 (ECCLESIA) – O arquipélago dos Açores precisa de uma Igreja mais “inculturada, horizontal e inclusiva” que adote uma “pastoral de missão” centrada no Evangelho, afirma o documento síntese elaborado pela Comissão Diocesana de Coordenação da Caminhada Sinodal.

O instrumento de trabalho que vai ser analisado e discutido na assembleia diocesana que se realiza de 02 a 05 de outubro em São Miguel, reunindo 55 elementos dos conselhos presbiteral e pastoral diocesano, o que acontece pela primeira vez na diocese insular, terá em conta esta síntese, garantiu ao site Igreja Açores o cónego Hélder Fonseca Mendes, coordenador da referida comissão que integra leigos, presbíteros e religiosos.

O novo ano pastoral aguarda diretrizes da assembleia pré-sinodal e pela primeira vez a diocese faz coincidir abertura do novo ano pastoral com a abertura do novo ano litúrgico, o que acontecerá no domingo de Cristo-Rei, em 22 de novembro, realça.

O roteiro que os conselheiros vão discutir assenta em cinco grandes temas: “Uma Igreja que seja evangelizadora, centrada em Jesus Cristo; uma Igreja missionária, uma Igreja em diálogo com o mundo, comunitária e participativa e uma Igreja integradora dando sempre preferência aos mais pobres, sobretudo neste tempo de pandemia” refere o coordenador desta Caminhada Sinodal que a diocese iniciou em outubro do ano passado e que só conhecerá os passos seguintes depois de outubro deste ano, quando forem aprovados pela assembleia pré-sinodal.

Este roteiro com os pontos-chave de análise vai ser discutido a 22 de maio ao nível da Comissão de Coordenação da Caminhada Sinodal, num “dia também simbólico para a diocese já que se trata do dia da festa litúrgica do seu padroeiro, o beato João Batista Machado”.

O documento síntese constata que a “realidade social e cultural da igreja nos Açores mudou” e o “crescente laicismo acabou por se infiltrar” nas famílias e na sociedade.

As pessoas “sentem pouco a presença da Igreja no seu dia-a-dia” e a “diocese no seu todo, as paróquias e os organismos da Igreja, são distantes e inacessíveis”.

Embora presente no mundo dos Açores a Igreja “não tem quantitativa e qualitativamente uma presença de influência” nas ilhas, revelando “dificuldade em ter uma leitura real dos problemas atuais e muito mais em fazer uma leitura crente da atualidade”.

O documento assinala, ainda, que a Igreja “esta desacreditada” e tem uma “linguagem do passado”. “Existe uma minoria de cristãos comprometidos”, que desenvolvem “uma pastoral de manutenção” e a prática dominical “é constituída por gente de idade avançada”.

LFS

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