04 - Editorial:

       Cónego João Aguiar Campos

06 - Foto da semana

07 - Citações

08 - Nacional

12 - Opinião

       D. Pio Alves

14 - A semana de...

      Octávio Carmo

16- Entrevista

       Alfredo Bruto da Costa
26- Dossier

       Dia Mundial da Paz

 

 

 

 

 

 

38- Internacional

42 - Cinema

44 - Multimédia

46 - Estante

48 - Vaticano II

50 -  Agenda

52 - Por estes dias

54 - Programação Religiosa

55 - Minuto YouCat

56 - Liturgia

58 - Fundação AIS

60 -Intenção de oração do Papa

62 - LusoFonias

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tema do dossier da próxima edição:

Migrações

Foto da capa: D.R
Foto da contracapa:  Agência Ecclesia

 

 

AGÊNCIA ECCLESIA 
Diretor: Paulo Rocha  | Chefe de Redação: Octávio Carmo
Redação: Henrique Matos, José Carlos Patrício, Lígia Silveira, Luís Filipe Santos, Margarida Duarte, Sónia Neves
Grafismo: Manuel Costa | Secretariado: Ana Gomes
Propriedade: Secretariado Nacional das Comunicações Sociais 
Diretor: Cónego João Aguiar Campos
Pessoa Coletiva nº 500966575, NIB: 0018 0000 10124457001 82.
Redação e Administração: Quinta do Cabeço, Porta D - 1885-076 MOSCAVIDE. Tel.: 218855472; Fax: 218855473. agencia@ecclesia.pt; www.agencia.ecclesia.pt;

 

 

 

 

 

 

 

 


Opinião 

 

 

 

 

Faleceu D. Joaquim Gonçalves

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Apelos pela Paz em 2014

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Dia Mundial da Paz

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D. Pio Alves |Américo Mendes |Fernando Roque de Oliveira | Júlia Bacelar | Tony Neves | Elias Couto

 

Exercícios

João Aguiar Campos, 

Secretariado Nacional das Comunicações Sociais

 

Um percurso, mesmo diagonal, sobre  os media nestes dias levou-me ao habitual: à leitura ou escuta dos costumeiros balanços do ano findo e das igualmente habituais tentativas de perspetivar o novo ano.
Deparei-me com "exercícios" distintos: muitas foram, de facto, as divergências que anotei entre analistas e/ou comentadores  - o que não deixa de ser bom sinal acerca do esforço por cultivar o pluralismo.
Este afirmou-se de tal modo que, sobre o mesmo assunto, ouvi opiniões o mais distantes possível. Ou preto ou branco, sem admissibilidade do cinzento...
Ou seja: da minha leitura ou escuta não tirei mais que perguntas, mesmo que, naturalmente, uma vez ou outra ficasse mais próximo da opinião de A ou da perspetiva de Z.
Nem no olhar sobre a nuvem que pretendia ter no ventre a palavra do ano encontrei o conforto de um consenso; mesmo tendo em conta que alguém elegeu "selfie", não sei quem escolheu " indignado" e também não sei quem registou "irrevogável".
Admito que dou importância às palavras; mas dou importância maior à palavra. Por isso  lamento quando vejo alguém a quem ela falta. E a falta até pode vir, paradoxalmente, da abundância... Ter duas palavras é, ao fim e ao cabo, o mesmo que não ter palavra, não é?...
 

 

 

 

 

 

 

 

Se o balanço me deixou na corda bamba, as tentativas de perspetivar o futuro não me proporcionaram maior conforto: como diria Gedeão, "onde uns vêem luto e dores, outros vêem flores"...
Aqui, no entanto, tenho algo a acrescentar. Realmente, se o que foi já foi, o que vai ser podemos ainda construí-lo, com a inteligência de quem aprendeu com os erros e a paixão de quem não se aliena ou resigna.
Há caminhos a corrigir? Há. Há decisões atrasadas? Há. Há pessoas a grelhar no fogo lento de burocracias? Há...Mas creio que há também em cada um de nós a capacidade de incomodar, urgir, propor. A capacidade de fazer o papel de agitador das águas da piscina onde possam 

 

curar-se paralisias de muitos anos...
Quando me  questiono sob o novo ano, estou também a perguntar-me sobre a esperança e a determinação que me habitam.
A ajuda de Deus, peço-a solicitando o discernimento, sem o qual o bem e o mal correm o risco de serem escolhas circunstanciais ou de conveniência.
Retomo, por isso, cinco linhas de um texto que escrevi há anos e então chamei Oração de Ano Novo:
 

Olho o calendário com os olhos
de menino de escrita romba
em caderno de duas linhas.
Olho-Te, sabendo que nalguns desenhos
me hás-de conduzir a mão...

 

 

 

 

 

 

 Fogo de artifício na baía do Funchal  
 nas celebrações da passagem de ano, 2014.01.01 

 

 

“Como vivemos o tempo que Deus nos deu? Usámo-lo sobretudo para nós mesmos, para os nossos interesses, ou soubemos gastá-lo também para os outros?”, Papa Francisco, na oração das Primeiras Vésperas e do ‘Te Deum’, 2013.12.31

 

“Na história, foram por vezes suficientes umas poucas pessoas para fazer pender a balança em favor da paz. De regresso a casa, nos nossos diferentes países, sejamos, por causa de Cristo e do Evangelho, estes peregrinos da paz e da confiança”, Irmão Alois, meditação no encontro europeu em Estrasburgo, 2013.12.31

 

“O acesso aos mercados de financiamento externo a taxas de juro razoáveis exige que a conclusão do programa de ajustamento seja feita com sucesso. Este é um objetivo fulcral que tem no Orçamento do Estado para 2014 um instrumento da maior relevância”, Cavaco Silva, Mensagem de Ano Novo, 2014.01.01

 

 

 

 

 

“Com as últimas tomadas de posição do Tribunal Constitucional, uma no sentido negativo, outra no sentido da aprovação, não sei se haverá muito mais coisas para fiscalizar. Mas deixo os juristas responder”, D. Manuel Clemente sobre o Orçamento de Estado para 2014, à SIC, 20104.01.01

 

“É também possível que a expressão «greve», na maior parte destes casos, seja francamente exagerada – até porque dá mau nome a um direito fundamental dos trabalhadores, que ao longo da história foi conquistado à custa de muito sangue, suor e lágrimas”, João Miguel Tavares sobre os 500 dias de protestos desde junho de 2011, in Público, 2014.01.02

 

 

Faleceu D. Joaquim Gonçalves,
bispo emérito de Vila Real

D. Joaquim Gonçalves, bispo emérito de Vila Real, faleceu no último dia 31 de dezembro, aos 77 anos de idade, revelou à Agência ECCLESIA o bispo diocesano, D. Amândio Tomás.

O antigo bispo da diocese transmontana morreu na Póvoa de Varzim, onde residia com o seu irmão padre e uma irmã, enfermeira aposentada, 

 
vítima de ataque cardíaco.
O funeral do prelado foi celebrado hoje, pelas 11h00, na Sé de Vila Real.

D. Joaquim Gonçalves foi substituído por D. Amândio Tomás, seu coadjutor, a 17 de maio de 2011, cerca de três anos depois de ter sido submetido a um transplante cardíaco, em Coimbra.

 

 

 

 

O falecido prelado esteve à frente da diocese transmontana entre janeiro de 1991 e maio de 2011, depois de ter sido bispo auxiliar de Braga entre 1981 e 1987, quando João Paulo II o nomeou coadjutor de Vila Real.

D. Joaquim Gonçalves, natural de Fafe (Braga), disse em 2011 que deixava o cargo com a consciência de deixar “obra para durar”  

 

e com a satisfação de Vila Real ter pela primeira vez um bispo natural da diocese.

Em declarações à Agência ECCLESIA, D. Joaquim Gonçalves considerava então que os seus 20 anos à frente da diocese contribuíram para a “instituição de algumas balizas que dinamizaram a vida pastoral” da Igreja Católica em Vila Real.

 

Homem experimentado no sofrimento

Quando veio para Vila Real, acompanhava-o uma preocupação: a sinusite que o perseguia desde há anos. E, de facto, numa das primeiras noites sentiu-se mal. Chamado o médico do Seminário, o já falecido Dr. Campos (Filho) disse-lhe: “Senhor Bispo, não se trata de sinusite, ou eu me engano muito ou é do coração. Consulte quanto antes um bom cardiologista. Olhe que as coisas não estão bem”. E no dia seguinte foi ao Porto e já não voltou para Vila Real sem a operação às coronárias. A 12 de Janeiro de 2008, é novamente operado, desta vez para receber o transplante, o 1.º em Portugal numa pessoa com idade tão avançada. Foi o sucesso que lhe permitiu viver até hoje.

A Igreja e a Diocese perdem um grande bispo, de palavra fácil, bom comunicador, com grande capacidade de adaptação ao auditório, acessível à gente mais simples, com um sentido muito grande de pastoral.

Senhor Dom Joaquim, a Diocese de Vila Real está-lhe muito grata e pede ao Senhor da Messe e Cabeça da Igreja que lhe abra as portas do seu Reino.

http://www.diocese-vilareal.pt/

 

 

 

 

 

 

Desafios para a Família

O Departamento Nacional da Pastoral Familiar (DNPF) afirmou que o ano 2013 foi uma ocasião para abrir “portas de esperança” e para convocar os organismos do setor a prestar ajudas às famílias atingidas pela crise. “Neste ano de 2013, que agora finda, foram abertas portas de esperança para valorizar a Pastoral Familiar”, refere a ‘Mensagem do Dia da Sagrada Família 2013’, assinada pelo casal coordenador do DNPF, Fátima e Luís Reis Lopes, enviada à Agência ECCLESIA.

Os responsáveis pela Pastoral Familiar referem que os organismos do setor devem corresponder a iniciativas da hierarquia da Igreja com “empenho redobrado” na ajuda às famílias que enfrentam os “difíceis momentos da crise social e económica”. “A convocação de um Sínodo sobre a Família, a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, do Papa Francisco e tantos outros sinais dos nossos Bispos, constituem desafios que devemos corresponder com generosidade e um empenho redobrado para que Dioceses,

 

 

Movimentos e Departamentos da Pastoral colaborem para ajudarem as famílias a enfrentar e ultrapassar os difíceis momentos de crise social e económica que atravessamos”, assinala a mensagem do DNPF.

Para este organismo da Conferência Episcopal Portuguesa, é necessário encontrar “os caminhos mais consistentes”, “mais retos” para que se construa uma “sociedade mais amiga da Família e da fecundidade” capaz de transformar “toda a realidade terrena”.

O casal coordenador da Pastoral Familiar refere no documento que o tempo litúrgico do Natal é um convite a “reforçar os laços, a relação de comunhão”.

 

 

 

Heróis de 2013 e desafios de 2014

 

O arcebispo de Braga publicou uma mensagem de ano novo, intitulada “Por onde ir?”, na qual destaca a coragem dos bombeiros como a “grande figura” de 2013 e apela à fraternidade para superar os vários dramas da pobreza.

D. Jorge Ortiga recorda os oito bombeiros que faleceram em serviço no verão: “É de louvar a coragem destes homens e mulheres que, a título voluntário, produzem gestos heroicos e silenciosos na defesa das pessoas e do seu património.”

O arcebispo de Braga revela-se impressionado com o lema das cooperações de bombeiros «Vida por vida» que considera serinterior que eles têm a uma 

 

 a “tradução perfeita do amor causa tão nobre como esta, e que nem sempre é valorizada e respeitada por todos”.

D. Jorge Ortiga começa a mensagem de ano novo lembrando o que escreveu há um ano atrás aquando do começo do ano de 2013 que agora termina: “O mundo não se constrói apenas com grandes presidentes, com grandes descobertas científicas ou com grandes discursos musculados, pois ele também se constrói com pequenos e silenciosos gestos”.

Para o arcebispo de Braga, com estes pequenos e silenciosos gestos “fundados na fé” podem salvar-se “muitas vidas humanas".

 

 

Ano Novo

D. Pio Alves

Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais

 

Estamos a estrear um novo ano. Poderá ser apenas mais um, a somar aos, muitos ou poucos, que Deus já nos concedeu; ou poderá transformar-se numa verdadeira nova oportunidade.

É uma nova etapa. E na mudança de uma para outra há, habitualmente, algum espaço para refazer forças e retocar projetos. Bom será olhar para fora de nós próprios, para os companheiros de caminho. Que são todos, a começar pelos que estão mais perto.

O Papa Francisco, na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz, convida a refletir e a viver a fraternidade. Não é um convite piedoso: é um apelo a construir sobre alicerces. Sem isso, sem o regresso às verdadeiras origens, seremos capazes de discursos mais ou menos inflamados, de programas interessantes e exigentes para serem cumpridos por outros, mas não passaremos de treinadores de bancada.

Escreve o Papa que “as graves crises financeiras e económicas dos nossos dias – que têm a sua origem no progressivo afastamento do homem de Deus e do próximo, com a ambição desmedida de bens materiais, por um lado, e o empobrecimento das relações interpessoais e comunitárias, por outro – impeliram muitas pessoas a buscar o bem-estar, a felicidade e a segurança no consumo e no lucro fora de toda a lógica duma economia saudável” (6). 

 

 

 

Podemos – podem alguns – ter mais dinheiro para esgotar saldos e satisfazer o gosto de gastar, mas se continuarmos a ignorar os que ficam nas margens do caminho, também nós não alcançaremos a meta da felicidade.

O Papa Francisco na exortação apostólica A Alegria do Evangelho (203), afirma que “a dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são questões que deveriam estruturar toda a política económica”. E enumera a seguir conteúdos incómodos: “incomoda que se fale de ética, incomoda que se fale de solidariedade mundial, incomoda que se fale de distribuição dos bens, incomoda que se fale de defender os postos 

 

de trabalho, incomoda que se fale da dignidade dos fracos, incomoda que se fale de um Deus que exige um compromisso em prol da justiça”.

Se estes alertas incómodos os transferirmos para longe serão apenas frases de mais um discurso. Se os trouxermos para o nosso contexto pessoal imediato, é provável que durmamos pior nessa noite mas que nos decidamos a fazer qualquer coisa útil pela dignidade do próximo no dia seguinte.

Depende de cada um, em primeiro lugar, que o ano de 2014 que estamos a iniciar não seja apenas um novo ano mas verdadeiramente um ano novo.

 

 

O valor do futuro

Octávio Carmo,

Agência Ecclesia

 

«O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz» (Nm 6, 24-26)

“São palavras que dão força, coragem e esperança; não uma esperança ilusória, assente em frágeis promessas humanas, nem uma esperança ingénua que imagina um futuro melhor simplesmente porque é futuro”.

(Papa Francisco, 01.01.2014)

 

Depois de dias de festa, em família e pelas ruas das cidades, 2014 começou ao som de uma voz cada vez mais de todos, a do Papa Francisco. Desde logo, com uma questão da máxima pertinência: que futuro queremos? Em que futuro acreditamos? Será mesmo o novo ano capaz de, por artes mágicas, transformar a vida de um dia para o outro? De onde nos vem a esperança?

Ninguém pode negar o valor simbólico de cada dia 1 de janeiro, com a perspetiva 

 

 

 

 

 

de novas oportunidades e desafios, mas o futuro, por natureza sem fim definido, começa em cada momento e tem de procurar raízes para lá das areias movediças do tempo. Por isso, os apelos do Papa ganharam um valor simbólico para todos os que, entre o entusiasmo e o desânimo, iniciaram mais um ano na história conturbada da humanidade.

 

Tive a oportunidade de projetar alguns dos acontecimentos que se preveem vir a marcar a vida da Igreja Católica em 2014, a convite do programa ‘LusoFonias’, que é também presença semanal nesta edição. Será um ano de sínodo extraordinário dos bispos, dedicado à família, um tema que vai começar a ser discutido já em fevereiro, no consistório para a criação de novos cardeais. A discussão tem merecido grande repercussão nos media

 

e mostra, se houvesse necessidade disso, que o tema proposto pelo Papa é da máxima pertinência para a Igreja Católica e a sua ação pastoral na sociedade contemporânea.

O novo ano verá também a primeira viagem de Francisco à Terra Santa, num momento particularmente delicado para a região, martirizada por conflitos sem fim e a braços, no caso das comunidades cristãs, com uma desertificação progressiva, face ao aumento da emigração dos batizados, em busca de uma vida melhor noutras paragens. Se 2013 nos ensinou alguma coisa, no entanto, é que é demasiado arriscado fazer previsões sobre a vida da Igreja e que os factos mais importantes podem estar, afinal, longe do que todos esperam. Uma boa lição para a vida de cada um, também, no arranque desta nova etapa.

 

 

Paz depende da fraternidade, que exige reconhecimento da mesma paternidade

Alfredo Bruto da Costa, Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, analisa mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz

 

Agência Ecclesia – Na mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco recorda que uma sociedade justa e uma paz firme apenas serão possíveis com a fraternidade. Que novidade traz este documento?

Alfredo Bruto da Costa - Eu penso que o Papa dá um passo em frente.

Nós temos tido vários temas para o Dia Mundial da Paz tais como a solidariedade, a justiça… O que o Papa Francisco faz, na mensagem deste ano, é pegar na noção de fraternidade com dois objetivos: Por um lado englobar todos os outros valores que têm sido utilizados em anteriores mensagens, porque não há fraternidade sem justiça, não há fraternidade sem solidariedade, não há fraternidade sem acolhimento do outro, etc. E, por outro lado, dá um passo em frente na medida em que não se limita à noção da fraternidade 

 

meramente "humana", mas desenvolve a temática da fraternidade com toda a sua riqueza teológica. Em certo sentido o Papa abarca os temas anteriores e dá um passo em frente.

Francisco considera a problemática humana da paz em toda a sua plenitude: não se limitar à dimensão humana e considera-a, na perspetiva da fé, é um elemento fundamental da própria noção cristã de reino de Deus. Por isso, a mensagem tem muito de comum relativamente às pessoas que não tenham fé, ou não a tenham de forma explícita, e permite aos cristãos ir mais além, aprofundando as implicações na linha da fé.

 

 

 

 

AE - Nesta referência teológica, o Papa afirma a experiência da fraternidade pela referência, entre os crentes, à filiação ao mesmo Pai. Uma dimensão que reforça a experiência da fraternidade entre a família humana?

ABC – Exatamente. Francisco começa por dizer que a própria noção de fraternidade sem a aceitação de um Pai é “manca”. Até em termos lógicos, haver irmãos sem um pai comum é uma coisa que não faz sentido. Mas acrescenta que esse Pai tem que ser um Pai transcendente.

O Papa avança, não necessariamente na linha da fé. Na linha da simples filosofia eventualmente fala de um Pai transcendente. Depois disso, fala do Pai enquanto pessoa da Santíssima Trindade, já numa perspetiva cristã e envolvendo todo o processo de encarnação e de salvação de Jesus Cristo que necessariamente tem de estar presente na nossa noção de construtores da paz.

 

 

 

 

 

 

AE – O Papa faz também esse contraponto da fraternidade diante de um mundo excessivamente marcado pela concorrência?

ABC - Nessa passagem em que o Papa fala de uma vocação humana para a fraternidade, para os sermos irmãos, exorta a tratarmos o outro não como um rival, um concorrente ou alguém a eliminar, mas como um irmão de quem devemos cuidar. Portanto não é só aceitar de uma forma neutra, mas devemos cuidar. É uma atitude perante o outro e os outros que é contra corrente com tudo o que se está a passar no mundo.

Por outro lado, quando o Papa fala das comunicações, das tecnologias de informação que criam maior proximidade com um grande potencial de fraternidade, cita o Papa Bento XVI quando este diz: "Não se esqueçam, as comunicações criam proximidade, tornam-nos vizinhos, mas não tornam o próximo nosso irmão". Portanto, há uma proximidade física à qual nem sempre corresponde uma proximidade humana.

 
Este Papa tem uma caraterística curiosa: Sempre que fala da nossa ligação ao outro, nunca fala dessa ligação de uma forma neutra. Fala do outro, da doação ao outro, do cuidar do outro, de zelar pelo bem-estar do outro. É uma relação pró-ativa.

Sob esse ponto de vista esta mensagem é muito rica e não só no que diz respeito à construção da paz, mas na sua própria noção. A paz não é um simples aceitar os outros.

Curioso também, nesta mensagem, é que Francisco especifica quem é o outro: pessoa, grupo ou nação.

Francisco dá à palavra "outro" uma amplitude muito maior englobando o outro indivíduo, mas também outros grupos e outras nações, acho isto muito interessante.

 

AE - É uma noção de fraternidade que não se limita a uma simples tolerância, implica envolvimento com outro…

ABC – Francisco dirá que o modelo que apresenta é a figura de Jesus Cristo que por amor aos outros 

 

 

 

consentiu em dar a Sua vida. Para o Papa, o limite dessa doação, dessa dádiva total, no limite, é dar a vida!

 

AE - A par desta referência à fraternidade, o sermos irmãos do nosso próximo por referência a um Pai único que é caraterística dos cristãos, apresenta também a família como grande escola de fraternidade?

ABC – O Papa começa por dizer 

 

que é na família que aprendemos a ser fraternos. Sem desenvolver muito a temática da família, refere-se a ela logo no início da mensagem quando refere algumas caraterísticas da fraternidade em sentido humano e coloca a família como o meio onde começamos por aprender a noção da fraternidade.

 

 

 

 

AE - Nesta mensagem o Papa refere que grandes problemas que afetam hoje a humanidade radicam precisamente nesta ausência de fraternidade que faz aumentar o interesse pessoal, a ganância, a ausência de escrúpulos... Uma realidade que o Papa lê também na situação económica que atravessamos?

ABC - É curioso que o Papa fala das guerras com armas, mas 

 

depois diz que há outras guerras mais silenciosas, mas não menos danosas. E expõe todo o rol de problemas relacionados com o tráfico humano, o egoísmo do lucro, aspetos financeiros e económicos, e portanto a própria noção da construção da paz, afirmando que não é uma atitude subjetiva de cada pessoa mas, uma organização da sociedade, da economia, das finanças, etc.

 

 

 

 

 

 

AE - Como Presidente da Comissão Nacional da Justiça e Paz (CNJP), e já que estamos a fazer a leitura deste contributo que o Papa nos dá para o primeiro dia do ano, como é que o enquadra na realidade portuguesa, também ela muito dilacerada, muito necessitada de solidariedade e de fraternidade entre os membros que compõem o tecido social deste país?

ABC - Coloca um problema muito importante. Como sabe, poucas semanas antes da divulgação desta mensagem foi publicada a exortação apostólica do Papa sobre a nova evangelização, onde se insere um capítulo muito forte sobre o problema da justiça no mundo, da distribuição dos bens, etc.

Quando exortação apostólica “A Alegria do Evangelho” saiu tive a noção de que a nossa postura na sociedade portuguesa estava muito aquém daquilo que resultava da exortação. E então propus à CNJP que reservássemos próximas reuniões para refletir sobre o nosso trabalho na Comissão à luz do documento.

Agora, a mensagem para o Dia Mundial da Paz também, muito

 

na linha da exortação apostólica no que diz respeito à justiça e à paz, também fará parte da nossa análise.

Tenho a sensação que, em Portugal, a comunidade cristã como um todo está a ter uma presença muito fraca enquanto voz profética na situação em que nos encontramos.

Há muitas instituições cristãs e muitos cristãos e até não cristãos dedicados aos problemas da fome e da falta de bens essenciais. É conhecida a solidariedade geral da população portuguesa e o papel das instituições cristãs neste serviço. Mas há qualquer coisa que tem de ser dita sobre o modelo de sociedade que temos, da estrutura de poder que temos. Os documentos do Papa mais recentes dão-nos a entender a ligação evidente entre o meio económico e financeiro e as estruturas do poder nas sociedades. E esta é uma situação que não se altera quando nos limitamos apenas a ajudar as pessoas a matar a fome, por mais importante que isso seja.

 

 

 

AE - Entende que o facto de a Igreja possuir uma vasta rede de estruturas de apoio social vai gerar, nas comunidades cristãs, um sentimento de desresponsabilização, de que já nada lhes é pedido nesse sentido, pois o trabalho social cabe a essas estruturas que já pertencem à Igreja?

ABC - O Papa Bento XVI, na primeira encíclica que escreveu, Deus Caritas Est, fala da responsabilidade da Igreja como comunidade relativamente à prática da caridade e diz que, embora a caridade seja um dever dos indivíduos, a Igreja enquanto comunidade também está chamada a praticar a caridade. Disso resulta que aquilo que a Igreja faz neste domínio deverá ser - e esta é já uma ilação que eu tiro - expressão da caridade da comunidade cristã.

Um Centro Social de uma paróquia nem sempre é expressão da caridade comunitária da comunidade religiosa que pertence à paróquia. Por isso eu, por vezes, que o Centro Social é um centro criado por um prior ajudado por um conjunto de bombeiros voluntários…

 
AE - Entende que as comunidades cristãs "profissionalizaram" num determinado grupo o exercício da caridade?

ABC - Tem de haver um certo profissionalismo porque hoje os problemas têm um cunho científico e técnico que se resolvem só com boas vontades. Penso, no entanto, que o problema não está naquilo que se faz.

O que se está a fazer é bem feito e é necessário. Mas fica por fazer a componente de mudança social para ir de encontro às causas dos problemas. Essa dimensão de mudança social ainda não está assumida pela comunidade cristã como um aspeto absolutamente inseparável do dever da caridade.

 

 

 

 

 

AE - Ainda na linha económica, há nesta mensagem um apelo muito forte à justa repartição dos bens cuja concentração excessiva na posse de uns poucos é uma radical negação da fraternidade entre os homens. Que condenação faz o Papa ao facto de alguns recorrem ao seu semelhante e o utilizarem como mero fator de produção e geração de riqueza?

ABC - Não só na perspetiva cristã mas humana, esse é um fenómeno extremamente grave. O que é curioso é que o Papa ao propor um determinado tipo de sociedade acrescente que o primeiro dever recai sobre os mais favorecidos. Não é frequente encontrarmos este tipo de referência por duas razões: 

 

porque para além da existência dos mais favorecidos e dos que o são menos, há o problema do Estado.

Aquilo que compete aos indivíduos fazer, a sociedade civil, independentemente daquilo que o Estado faça, compete primariamente aos mais favorecidos. É algo evidente e lógico. Aquilo que está na mão dos mais favorecidos ainda é muito, mas o problema da distribuição é também o desafio de modificarmos os mecanismos que numa sociedade provocam a desigualdade, a mantêm e até a alargam.

 

 

 

AE - Vê nesta mensagem um desafio aos próprios Estados no sentido de redefinirem o seu papel no apoio aos cidadãos? O apelo da fraternidade importa ser lido também por quem governa?

ABC - A grande força da mensagem é que pressupõe que não há fraternidade sem solidariedade, sem justiça. Nós não podemos pensar que o Papa imagina uma fraternidade que seja um mero sentimento. Como disse o Papa Bento XVI, a caridade sem justiça, sem a ligação à verdade, passa a ser um fenómeno sentimental sem consequência nenhuma. E é hoje claro que o pensamento da Igreja é muito exigente nesta matéria: nós temos a justiça como o mínimo e tudo o resto se constrói sobre o pressuposto da justiça. A caridade, a fraternidade, a solidariedade tudo isto pressupõe a justiça, o que tem de ser assumido como um elemento da nossa cultura. De outro modo não reabilitamos palavras tão fortes como a caridade ou fraternidade. São palavras fortíssimas que corremos o risco de esvaziar se retirarmos o seu 

 

conteúdo e as suas ligações à justiça, verdade e à noção de bem comum.

 

AE - Vivemos dias de austeridade, porventura com a esperança do regresso à abundância de outros tempos, mas o Papa Francisco lembra nesta mensagem, que uma vida sóbria facilita a fraternidade...

ABC - É curioso que há muitos anos eu ouvi da boca de Jacques Delors, na altura presidente da Comissão Europeia, uma proposta para a Europa de um estilo de vida frugal. “Frugal” foi a palavra que ele usou. E o Papa vem retomar esta noção.

Há o estilo de vida rico, o estilo de vida pobre, daqueles que fazem o voto de pobreza, e há uma coisa que se chama uma certa sobriedade no modo de vida que não corresponde à pobreza do voto nem está na linha do consumismo e do luxo. O que o Papa vem dizer, não só para os cristãos, mas certamente para os cristãos, é que há um estilo de vida que estabelece uma relação sóbria com os bens materiais, com os confortos da vida, que exige 

 

 

 

 

 

preocupação com os limites, com uma vida frugal como forma normal de vida e para a qual não se pedem grandes decisões ou vocações para seguirmos este modelo.

 

AE - Pela sua riqueza e oportunidade, esta mensagem merece uma reflexão especial por parte das comunidades cristãs?

ABC - Sem dúvida! Tal como a 

 

Exortação Apostólica, esta mensagem contém algumas ideias muito fortes que seriam importantes para a vida da comunidade cristã e da própria sociedade.

 

 

Construção de uma sociedade mais fraterna

A Fraternidade é o conceito chave desta Mensagem e é pela construção de uma sociedade mais fraterna que o Papa Francisco indica o caminho para a paz e para o pleno desenvolvimento do homem na família, no trabalho, no seu país e no mundo.

Num longo parágrafo (n.º 7) o Papa detém-se na forma como a fraternidade extingue a guerra. Manifesta a sua solidariedade a todos os “que vivem em terras onde as armas impõem terror e destruição”.

Aponta à Igreja a missão de “levar o amor de Cristo às vítimas indefesas das guerras esquecidas, através da oração pela paz, do serviço aos feridos, aos famintos, aos refugiados, aos deslocados e a quantos vivem no terror”.

E, logo adiante, instiga a que “a Igreja levante a sua voz para fazer chegar aos responsáveis o grito de dor desta humanidade atribulada e fazer cessar, juntamente com as hostilidades, todo o abuso e violação dos direitos fundamentais do homem”.

Não podemos deixar passar o exemplo do que ocorre na República Centro

 

Africana, dado pelo Arcebispo de Bangui Dieudonné Nzapalainga que, há muitos meses, tem unido esforços com o Imã Oumar Kobiné Layama e o Bispo Protestante para reduzir tensões sectárias promovidas ao longo de linhas confessionais, ao serviço de jogos de poder, sublinhando, vigorosamente a mensagem: Nós somos irmãos!

Agora, não obstante os seus esforços, perante o eclodir da violência armada, estas figuras religiosas têm procurado a proteção indiscriminada dos seus fiéis, ao mesmo tempo que redobram os apelos à paz, ao perdão e à reconciliação.

Perante este exemplo, perguntamo-nos se a Igreja não poderia encontrar meios precoces, mais coordenados, e, por isso, mais eficazes, - utilizando também os seus meios diplomáticos e a sua vocação para o diálogo inter-religioso – de denúncia e de apaziguamento de tensões artificialmente criadas entre comunidades de crentes, para satisfação de puras lutas pelo poder nas relações entre

 

 

 

 

 

estados ou dentro de um mesmo estado.

Mais adiante na sua Mensagem o Papa Francisco lança um forte apelo aos que semeiam violência e morte com as armas para ir ao encontro do outro com o diálogo, o perdão e a reconciliação, recordando “enquanto houver uma quantidade tão grande como a atual de armamentos, poder-se-á sempre encontrar novos pretextos para iniciar hostilidades.

Este aspeto da sua Mensagem

 

recorda-nos a urgência em se chegar a uma prática no comércio internacional de armamentos, nele incluindo o de armas ligeiras e de pequeno calibre, que conduza a um controle efetivo das transações, reduzindo eficazmente a sua proliferação.

E não nos podemos alhear da lentidão com que tem decorrido os esforços ao longo de mais de seis anos nas Nações Unidas para obter um Tratado sobre o Comércio de Armamentos, adotado, finalmente, em abril de 2013,

 

 

 

assinado a partir de junho por 115 países, mas com, apenas, 9 ratificações até ao Natal, quando 51 ratificações são necessárias para que entre em vigor.

E, ironia das ironias, nenhum dos países da União Europeia o ratificou – União que tanto se bateu por um Tratado abrangente e forte – porque este processo de ratificação foi apanhado pela máquina burocrática da U.E. que tem impedido os países membros de iniciarem os respetivos processos de ratificação.

 
A Mensagem do Papa Francisco tem, assim, destinatários muito precisos, também no Primeiro Mundo, e revela uma atualidade acutilante.

Fernando Roque de Oliveira,

Observatório Permanente sobre a Produção, o Comércio e a Proliferação de Armas Ligeiras

 

 

  

 

 

 

 

 

 

Fraternidade como caminho para a paz

Marcelo Rebelo de Sousa e Guilherme d’ Oliveira Martins realçam a preocupação do Papa Francisco, na mensagem do Dia da Paz, em ser entendido por todas as pessoas e o apelo contra as exclusões e desigualdades.

“É uma mensagem que abrange diversos domínios porque põe a tónica na fraternidade. A fraternidade não é uma palavra abstrata, obriga a um sentido de compreensão dos outros, da diversidade, da globalização, da paz, do combate contra a corrupção, contra a exclusão”, revela Guilherme d’Oliveira Martins.

O presidente do Centro Nacional de Cultura considera que a mensagem do Papa merece uma leitura “muito atenta” porque é um texto “muito cuidado” e “de novo bastante inovador”, uma vez que Francisco “procura aproximar-se das pessoas e dos problemas concretos”.

A noção concreta de fraternidade “exige uma responsabilização das pessoas, uma responsabilização dos povos”, acrescenta.

 

À Agência ECCLESIA o responsável explica o que considera serem os “domínios” de preocupação da mensagem: “O Papa é muito claro ao dizer que é indispensável percebermos que o agravamento das desigualdades tem-se feito à custa da especulação e da utilização indevida dos recursos. A outra preocupação, se é verdade que há uma economia emergente ou um conjunto de economias onde se sente fortemente a indiferença, a exclusão, e diz que não podemos ser indiferentes”.

Marcelo Rebelo de Sousa começa por destacar a linguagem “muito direta” e a “preocupação” do Papa Francisco em ser entendido por todos, “sem tirar nada de fundamental do conteúdo”: “Há o assumir que hoje comunicar é diferente do que era noutros tempos.”

“Há um estilo diferente, uma preocupação pela simplificação linguística, os parágrafos e os períodos são mais curtos, as ideias são mais concretas”, exemplifica.

 

 

 

 

 

O professor universitário assinala a necessidade da mensagem pela Paz, num tempo sem guerras regionais ou blocos opostos, pela “pulverização de conflitos que justificam um número sem precedente de refugiados, ações intensas, sociedades dizimadas” que continuam sem “uma solução à vista”, principalmente no Médio Oriente, na Ásia e África.

Segundo Marcelo Rebelo de 

 

 

Sousa, existe um apelo “universal, global” que coincide, no tempo, “com a situação da Igreja Católica, ou mais genericamente as igrejas cristãs” estarem a sofrer “perseguições intensas nos últimos anos”.

“A Igreja Católica não quer pôr-se em bicos dos pés e fazer disto um caso mas não pode ignorar”, acrescenta o comentador político.

 

 

A indiferença face ao tráfico de pessoas

Na sua 1ª Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2014, o Papa Francisco exorta com veemência para a “Fraternidade, fundamento e caminho para a Paz”.      

Uma e outra vez, sempre com ousadia, o Papa tem vindo a alertar, oportunamente, para as “graves lesões dos Direitos Humanos fundamentais” denunciando as suas variadas formas e os mecanismos obscuros.

Nesta Mensagem, o Papa põe de relevo, porventura um dos mais profundos atropelos aos Direitos Humanos como é o “abominável Trafico de Pessoas”. Este dramático fenómeno, converte o ser humano em objeto de mercadoria, passível de ser explorado das mais variadas formas: laboral, sexual, entre outras.

É um crime que assenta no aproveitamento da especial vulnerabilidade das pessoas empobrecidas, e portanto, mais fragilizadas. Condenável desde todos e qualquer ponto de vista, é um crime que pulula e está em crescendo, pese aos esforços que recentemente têm vindo a ser desenvolvidos pelos

  Estados e Organizações.

A complexidade do Trafico de Pessoas, a invisibilidade das vítimas, a ‘normalidade’ com que hoje funciona, é facilitadora de uma exploração agora mais sofisticada e, portanto, mais lucrativa.

O Trafico de Pessoas danifica e prejudica a Paz, obviamente! Esta não se coaduna com a exploração das Pessoas, com a ganancia a qualquer custo, com o absoluto desprezo pelos seres humanos e a criação. Há que afirmá-lo até á exaustão, de forma permanente e contundente, sempre, em todas as instâncias, politicas, eclesiais, sociais, para criar uma onda gigante de indignação e de repulsa por este crime contra a humanidade.

Sabiamente, nesta Mensagem, o Papa Francisco refere o texto bíblico de Caim e Abel. Antes como agora, é horrenda a resposta á pergunta ‘onde está irmão’: Não sei dele. Longe de ser uma resposta evasiva, ela revela a despreocupação e o desrespeito pelo irmão. Ela reflete a sociedade, onde impera a “globalização da indiferença” onde tudo (ou quase tudo) é

 

 

 

 

descartável, inclusive os seres humanos.

Este não sei dele”… deve levar-nos a uma séria e profunda reflexão. Por vezes, é assustadora a indiferença com que nos deparamos. As pessoas são generosas em campanhas solidárias, mas geralmente vezes, trata-se de uma solidariedade intermitente…pois as pessoas “não sabem do irmão”. Desconhecem a sua dor, a sua solidão, as suas 

 

angústias. Mas temos que saber! Temos que querer saber. Temos que procurar saber. É um dever informar-se, interessar-se, implicar-se, agir. De nada adianta fazer zapping social…tirar o som…

Urge, pois, como Igreja, abrir o coração para ver…e ajudar o irmão a erguer-se ( Talitha Kum), pois só “o serviço é a alma da fraternidade que edifica a paz”.

 

Ir. Mª Júlia Bacelar, adoradora

 

 

A redescoberta da fraternidade
na economia

1. Na sua Mensagem para a Celebração do XLVII Dia Mundial da Paz, o Papa dedica uma secção à “redescoberta da fraternidade na economia” centrada nas crises económicas e financeiras dos nossos dias para as quais aponta as seguintes causas:

- “a ambição desmedida de bens materiais”;

- “o empobrecimento das relações interpessoais e comunitárias”.

Para o Papa, esta crise está a gerar em muitas pessoas a busca do bem-estar, da felicidade e da segurança “no consumo e no lucro fora de toda a lógica de uma economia saudável.”. Isto é ir ao contrário do caminho que é preciso seguir, caminho esse que, segundo ele, dever ser o de “recuperar” as virtudes cardeais da prudência, temperança, justiça e fortaleza.  

 

2. Apontar como uma das principais causas destas crises “a ambição desmedida de bens materiais” é coisa que não costuma ser feita por muitos dos que ocupam os 

 

principais espaços dos meios de comunicação social onde se comentam estes assuntos. O Papa aqui diverge desse discurso dominante e não poupa as palavras.  Só um caso, de entre muitos, que mostra como ele aponta o dedo na direcção certa. A crise que rebentou nos EUA, em Setembro de 2008, com a falência da Lehman Brothers, teve a sua origem próxima nessa “ambição”. Foi ela que levou os administradores desta e doutras instituições financeiras similares a esconderem crédito mal parado de maneira a que as suas remunerações não fossem postas em causa. Como estas remunerações estavam ligadas aos lucros que conseguissem alcançar, havendo prejuízos ganhariam menos.

Por sua vez, este crédito também estava “mal parado” devido a essa “ambição”. Com efeito, ele não estava a conseguir ser pago por uma classe média que tinha empobrecido devido a uma série de políticas económicas

 

 

 

 

que a puseram nesse estado enquanto uma minoria ficava cada vez mais rica.

3. Uma consequência do que o Papa aqui diz é que a saída para estas crises exige formas de redistribuição menos desigual do rendimento. Se não se fizer isso, vai sempre dizer-se que o dinheiro não chega para o que é necessário quando, de facto, chega. Só que, para chegar, é preciso que governantes, empresários, e cidadãos, em 

 

geral, pautem os seus comportamentos pelas quatro virtudes cardeais. Por mais difícil que isto possa ser, a Igreja, a todos os níveis, nunca poderá deixar de o dizer e de praticar porque é o caminho para que aponta o 1.º Mandamento da Lei de Deus que o Papa tão bem e tão oportunamente lembra nesta mensagem.

Américo M. S. Carvalho Mendes

(Universidade Católica Portuguesa – Porto)

 

 

A paz e os problemas
dos refugiados no mundo

O diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados em Portugal, André Costa Jorge, acredita que a visita do Papa Francisco à ilha italiana de Lampedusa foi “determinante e simbólica” porque chamou a atenção para o problema dos refugiados no mundo.

“A visita de Francisco a Lampedusa foi determinante e tem uma dimensão simbólica porque representa muitos outros locais, tanto a sul como a leste da Europa, e alertou os dirigentes europeus e a opinião pública para a forma como se tem ignorado o sofrimento de milhares de homens, mulheres e crianças que arriscam tudo para salvar a vida”, refere, em declarações à Agência ECCLESIA.

A missão do Serviço Jesuíta aos Refugiados é acompanhar, servir e defender os migrantes, os refugiados e as pessoas deslocadas dos seus países de origem, pretendendo com o seu trabalho “ser um sinal da Igreja para o mundo na defesa dos refugiados”, sendo por isso 

 

“muito compensador” ver que a primeira visita do Papa foi a Lampedusa, uma ilha em Itália “onde todos os dias chegam centenas de refugiados que tentam entrar na Europa”, refere André Costa Jorge.

O Serviço Jesuíta aos Refugiados pede que “não se ignorem os milhares e milhares de pessoas que estão às portas da Europa a pedir refúgio” porque acolher “cada homem, cada mulher, cada criança refugiada” é acolher “também Cristo”.

“Jesus também foi refugiado, porque teve de fugir perseguido e também não foi acolhido em terra estranha e por isso este acolhimento é uma mensagem cristã, uma mensagem também para homens de boa vontade, para a humanidade inteira”, afirmou André Costa Jorge.

Para o diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados “a Igreja pobre e para os pobres” de que o Papa Francisco fala “é um caminho que tem e deve ser feito com todos, focados naqueles que estão 

 

 

 

 

 

 

 

 

em grande sofrimento”, entre eles os refugiados.

André Costa Jorge afirma que a forma como os refugiados são recebidos atualmente na Europa “é uma vergonha” que deve ser repensada pelos governos para que existam “respostas reais que não levantem monstros, fantasmas e medos que não 

 

correspondem à realidade”.

“A Europa e os europeus têm gasto mais dinheiro e recursos nas áreas de segurança e na restrição da entrada de emigrantes a nível militar e de vigilância do que em ações que salvem as vidas dos refugiados”, lamenta o diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados.

 

 

Apelos de paz no início do novo ano

O Papa Francisco apelou no Vaticano a um compromisso global na luta contra a violência e as injustiças sociais, assinalando o Dia Mundial da Paz, dedicado ao tema ‘Fraternidade, fundamento e caminho para a paz’. “Somos chamados a aperceber-nos das violências e das injustiças presentes em tantas partes do mundo e que não nos podem deixar indiferentes e imóveis: há necessidade do compromisso de todos para construir uma sociedade verdadeiramente mais justa e solidária”, disse, perante dezenas de milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro para a recitação do ângelus, no primeiro dia de 2014.

 

 

 
Francisco convidou todos a trabalhar para que “o mundo se transforme numa comunidade de irmãos que se respeitam, que se aceitam na sua diversidade e tomam conta uns dos outros”. “Que a coragem do diálogo e da reconciliação prevaleça sobre as tentações de vingança, de prepotência, de corrupção”, apelou.

O Papa falou de uma carta que recebeu no último dia de 2013, na qual alguém lhe relatava uma “tragédia” familiar e manifestava, depois, o seu espanto perante as “tragédias” e as guerras que continuam a atingir o mundo. “É preciso parar neste caminho de violência e procurar a paz”, disse.

“O que é se passa no coração do homem, o que se passa no coração da humanidade? É hora de parar”, acrescentou Francisco.

Antes, o Papa tinha presidido à missa dominical, afirmando que o início de um novo ano representa o momento de viver a “esperança” e “alegria verdadeira”, apresentando a Virgem Maria como modelo de fé para todos os católicos. Francisco sublinhou

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 que os cristãos devem ter “força, coragem e esperança”: “Não uma esperança ilusória, assente em frágeis promessas humanas, nem uma esperança ingénua que imagina um futuro melhor simplesmente porque é futuro”, declarou.

O Papa despediu-se de 2013 com uma celebração de ação de graças na Basílica de São Pedro, na qual deixou um apelo em favor das pessoas pobres e necessitadas. “Roma é uma cidade cheia de turistas, mas também de refugiados. Roma está cheia de gente que trabalha, mas também de pessoas que não têm trabalho ou que desempenham trabalhos mal pagos e por vezes indignos: 

 

todos têm direito a ser tratados com a mesma atitude de acolhimento e equidade, porque cada um é portador da dignidade humana”, disse, na homilia da cerimónia de final de ano, que está tradicionalmente ligada à capital italiana.

A intervenção questionou ainda a forma como cada um usa o seu tempo e se o dedica aos outros e a Deus, “em oração, no silêncio”.

"Deixem que corajosamente perguntemos: como vivemos o tempo que Deus nos concedeu? Usámo-lo, acima de tudo, para nós mesmos, para os nossos interesses, ou soubemos também usá-lo para os outros”, perguntou.

 

 

Passagem de ano ao estilo de Taizé

A comunidade ecuménica de Taizé anunciou que a capital da República Checa, Praga, vai acolher o próximo Encontro Europeu de Jovens, de 29 de dezembro de 2014 a 2 de janeiro de 2015. A revelação foi feita pelo prior da comunidade, irmão Alois, perante o arcebispo de Praga, cardeal Dominik Duka, e o presidente do Conselho Ecuménico das Igrejas checas, pastor Fajfr, em Estrasburgo (França), onde decorreu o encontro deste ano, que reuniu cerca de 30 mil pessoas, incluindo 300 portugueses.

O cardeal Duka afirmou que Praga é “um centro espiritual e cultural” não só da República Checa, mas “de toda a Europa Central”.

O irmão Alois destacou, por sua vez, que o encontro de Estrasburgo, concluído na quarta-feira, evocou o esforço de reconciliação na Europa, após “guerras destruidoras”, no século XX. O prior de Taizé falou ainda na “reconciliação entre cristãos”, pedindo que esta seja “um sinal do Evangelho e para que se possa tornar fermento de reconciliação entre os homens e 

 

entre os povos”.

“A história recente da África do Sul dá-nos um exemplo. Mesmo se o caminho para uma maior justiça é ainda longo, Nelson Mandela, ao oferecer o perdão, tornou possível a cura de feridas que tinham, mesmo assim, sido terríveis no passado do seu país”, disse o responsável, durante as meditações que encerravam os dias de oração e de reflexão.

O irmão Alois adiantou que durante o ano de 2014 a comunidade ecuménica sediada na localidade francesa de Taizé vai promover vários encontros com jovens da América, com passagens pelo Texas (estados Unidos da América), México, República Dominicana, Haiti, Porto Rico e Cuba.

 

 

 

Vaticano promove conferência
de paz para a Síria

A Pontifícia Academia das Ciências, da Santa Sé, vai promover no próximo dia 13 um encontro internacional sobre a guerra na Síria, com representantes do mundo da política, da diplomacia, da cultura e da economia.

Personalidades como o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair ou o egípcio Mohamed ElBaradei, antigo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, com a qual recebeu o Nobel da Paz, vão “analisar e refletir sobre a dramática situação síria” e “a guerra que se estende há mais de dois anos, provocando milhares de vítimas e refugiados, grande parte delas crianças, mulheres e idosos”, revela o portal de notícias do Vaticano.

O encontro intitula-se ‘Síria, Como ficar indiferente?’ e procura caminhos que possam contribuir para um “cessar-fogo que torne possível a ajuda humanitária num país dilacerado pela guerra civil”.

A situação dos cristãos sírios, com particular atenção às perseguições religiosas e ao diálogo entre as diversas 

 

 

confissões, também estará no centro dos debates.

A abertura do encontro – cinco dias antes do início da conferência internacional de paz ‘Genebra 2’, na Suíça - estará a cargo do presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, cardeal Jean-Louis Tauran.

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, enviou uma mensagem ao Papa Francisco através de uma delegação que foi recebida este sábado pelos responsáveis máximos da diplomacia da Santa Sé. “O secretário de Estado da Santa Sé, D. Pietro Parolin, e o secretário para as Relações com os Estados, D. Dominique Mamberti, receberam uma delegação do governo sírio”, revelou o porta-voz do Vaticano.

 

 

Comunidade ecuménica de Taizé online

http://www.taize.fr/pt

 

O sítio que esta semana sugerimos vem de encontro à data que acabamos de passar, precisamente o final de ano. Como é sabido, a comunidade ecuménica de Taizé (França) no final de cada ano organiza um encontro europeu de jovens nas mais variadas cidades. O encontro Europeu deste ano decorreu “na região francesa da Alsácia e em Ortenaukreis, na região alemã de Baden. Preparado pela Comunidade de Taizé a convite das dioceses católicas e das igrejas protestantes dos dois 

 

lados do rio Reno”, reuniu cerca de trinta mil jovens “para uma nova etapa da «Peregrinação de Confiança através da Terra», que o irmão Roger iniciou no final da década de 1970”.

Permitam então esta sugestão de navegação neste fabuloso sítio: primeiro podemos parar nos conteúdos sobre o encontro de Estrasburgo, onde por exemplo podemos ler as mensagens que algumas personalidades mundiais endereçaram aos jovens lá reunidos (desde o papa Francisco, ao secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-Moon, ao patriarca de Moscovo, ao 

 

 

 

arcebispo de Cantuária, Justin Welby e ao presidente do conselho europeu, Herman van Rompuy). Ainda dentro do mesmo item podemos vislumbrar as fotografias do encontro e claro está a mensagem do irmão Alois, com uma forte componente meditativa indo de encontro ao Filho de Deus que se fez homem.

Passando depois aos conteúdos usuais do sítio, encontramos um enorme manancial de informação, sendo necessárias várias horas para os conhecermos minimamente. Desde os escritos do irmão Roger, passando por guias de orientação para se fazer a oração comunitária com textos e músicas interessantíssimos. Podemos ainda aceder a um dos mais agradáveis tópicos, intitulado “as fontes da fé”, 

 

onde são colocados artigos sobre os pontos e razões fundamentais da fé, bem como as reflexões bíblicas que diáriamente são proferidas a meio do dia em Taizé, também em formato podcast. Por último além da possibilidade de adquirirmos online material relacionado com a comunidade (livros, cd’s, dvd’s) temos ainda informações de como podemos chegar a esse bonito e paradisíaco local de França.

Aqui fica a sugestão de um sítio diferente, agradável e com um elevado sentido de Deus. Quem sabe, pode muito bem ser o mote para seguirmos regularmente este espaço virtual neste novo ano que agora inicia.

Fernando Cassola Marques

 

 

As Humanidades e as Ciências

Dois modos de ver o mundo

Nesta obra reúnem-se os textos das palestras apresentadas no colóquio "Recontextualizing Science from a Humanistic Perspective", uma das atividades do projeto de investigação intitulado "Epistemological Theories-Ways of Seeing the World" do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura.

Ao juntar os investigadores do projeto com estudiosos de alto gabarito científico de outras áreas, como a Medicina ou a Economia, procura-se contribuir para um novo modo de pensar, agir e "ver o mundo" que não pode ser realizado apenas do ponto de vista de uma única disciplina. Tentando alterar o 'mapa intelectual' e a ideologia das "duas culturas", a dos cientistas e a dos humanistas - marcadas, por vezes, pela ignorância mútua e até pelo desdém - e defender a interdisciplinaridade, incluem-se igualmente os textos e reflexões de alguns dos distintos assistentes às palestras, 

 

esperando que as ideias e as perspetivas de todos os participantes provoquem e influenciem os leitores.

Conclui-se a reflexão sobre as Humanidades e as Ciências, e o papel relevante das imagens em ambas as áreas nos dias de hoje, conscientes de que deve haver sinergia ou cooperação entre esses dois mundos, simbolicamente tão bem representados na capa do volume através do quadro Fusão de Dois Mundos de António Flores.

Universidade Católica Editora

 

Área: Cultura

Coleção: Estudos de Comunicação e Cultura

Ano: 2013

Pág.: 208

ISBN: 9789725403952

Preço: 15.50€

 

 

 

 

A Esperança do Perdão
Uma abordagem a partir
da obra de Paul Ricoeur

Pensar o perdão é fazer uma navegação às profundezas da falta e descobrir a marca do absurdo com que ela sela a vida humana. E, desde esse fundo tenebroso, reinventar uma vida. Se de todo ele é possível, o perdão será dom transbordante no seio de uma dívida dolorosa. Mas não se chega da dívida ao dom sem passar pela reinvenção do sentido. Porque o passado é irreversível. O que resta é a leitura com que ele é olhado, que pode ser recriada. E recriadora. Face ao irreversível e ao imperdoável, o perdão representará uma reconfiguração na história de uma vida. Dom desproporcional, excessivo, transcendente, o perdão mostra-se como renarração, luto, promessa, reconhecimento e hospitalidade. Dá-se como caminho de acolhimento do outro, do outro inimigo, do outro culpado, na recriação de uma vida e do viver juntos. Talvez só nele se dê o milagre de fazer do inimigo um amigo.

 
 

A obra tem prefácio de D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa

Universidade Católica Editora

 

Autor: Pedro Valinho Gomes

Área: Teologia

Coleção: Investigação

Ano: 2013

Pág.: 240

ISBN: 9789725403938

Preço: 16.60€

 

 

II Concílio do Vaticano: A homilia deve ser um momento de reflexão para os que participam na celebração.

 

Com a publicação da constituição conciliar sobre a Sagrada Liturgia (Sacrosanctum Concilium), a 04 de dezembro de 1963 no encerramento da segunda sessão do II Concílio do Vaticano (1962-65), e do «Motu Próprio» de 25 de janeiro que determinou a entrada em vigor de algumas das suas prescrições, a reforma litúrgica decidida nesta assembleia magna entrou na fase das realizações concretas.

“Salta desde logo à vista do observador atento, que o interesse e a inteligência com que os dois documentos foram recebidos, variaram notavelmente de país para país, de diocese para diocese, de lugar para lugar, de pessoa para pessoa” (cf. Boletim de Informação Pastoral, nº 28-29; janeiro-fevereiro 1964). Paulo VI, no «Motu Próprio» de 25 de janeiro em que determina a entrada em vigor do documento, diz que, em primeiro lugar, a constituição deve ser estudada.

Num dos pontos da Sacrosanctum Concilium, onde se fala da homilia, o documento realça que “muito se recomenda, como parte da própria liturgia, a homilia, pela qual, no correr do ano litúrgico, se expõem, a partir do texto sagrado, os mistérios da fé e as normas da vida cristã; e mais: nas missas celebradas com a presença de povo aos domingos e festas de preceito não seja omitida, senão por motivo grave”.

 

 

 

 

Na celebração da liturgia é, sumamente grande, a importância da Sagrada Escritura. Dela, com efeito, se tiram os textos que se lêem e que na homilia se explicam, bem como os salmos que se cantam; foi pela força da sua inspiração que brotaram as preces, orações e hinos litúrgicos, e é dela que as acções e sinais recebem a sua significação.

As leis da Igreja reforçam esta orientação e, actualmente, a homilia dominical é “um dado adquirido e indiscutível”. (D. António Marcelino; «Notícias de Beja», 15 de março de 2012 – “Homilia, momento privilegiado e de grande sentido pastoral”). Compreende-se esta preocupação do concílio, dado que a história trazia, de “bem longe, muitas falhas, neste campo”. (Cf. D. António Marcelino). O Concílio Plenário Português (1926) tornou obrigatória, para os párocos, a homilia dominical. “Sinal de que muitos a não faziam”, recorda o antigo bispo de Aveiro, no artigo citado.

 
A diversidade das assembleias dominicais constitui, em relação à homilia, “uma dificuldade” para o presidente. A “comunicação tem de ser simples e directa, compreensível e clara, breve e orientada para a vida”. A homilia deve ser um momento de reflexão para os que participam na celebração, “não para os ausentes”, acrescenta D. António Marcelino.

A seguir ao II Concílio do Vaticano verificou-se um cuidado especial na preparação da homilia. Não faltaram padres a prepará-la com a colaboração de um pequeno grupo de paroquianos. Segundo o prelado, falecido no último ano, o pregador “é o primeiro ouvinte e o povo percebe bem quando assim é”. Vêem-se, cada vez mais, presidentes da celebração a ler a homilia. “A leitura empobrece a comunicação directa com a assembleia, e esta comunicação é um elemento importante na pregação”, aconselha D. António Marcelino no artigo citado.

 

 

janeiro 2014

Dia 03

* Aveiro - Seminário de Santa Joana Princesa - Celebração dos 60 anos de ordenação presbiteral de monsenhor João Gaspar
* Braga - Taipas - Visita de D. Manuel Linda ao Centro Social Padre Manuel Joaquim de Sousa. 
* Santarém - Entroncamento - Encerramento da exposição de presépios. 
* Itália - Roma - O Papa Francisco visita a «Chiesa del Gesù», (igreja de Jesus), uma igreja simbólica da Companhia de Jesus.
Data limite para a inscrição no curso «Envelhecer é viver» promovido pela Cáritas Portuguesa
* Algarve - Vila do Bispo (Centro Cultural) - Encerramento da exposição «Natal ecológico» com trabalhos realizados por crianças. 
* Madeira - Museu de Arte Contemporânea do Funchal -Encerramento da exposição «Cristos de José Rodrigues».   

Dia 04

* Braga - Auditório Vita - Dia arquidiocesano do coordenador paroquial.

 

* Guarda - Covilhã (Igreja da Misericórdia) (17h00m) - Cantadas as janeiras e mostra do presépio ao vivo.
* Porto - UCP - A Cátedra Poesia e Transcendência e o Centro de Estudos do Pensamento Português da Universidade Católica Porto evocam a memória do poeta Guilherme de Faria [no 85.º aniversário da sua morte].

 

Dia 05

* Lisboa - Queijas (Auditório Paroquial de Queijas) (16h00) - Concerto de Reis com «St. Dominic's Gospel Choir». 
* Braga - Auditório Vita - Concerto “Do Natal aos Reis”
* Braga - Póvoa de Lanhoso (Garfe) - Encerramento (início a 15 de dezembro) da XII Edição da iniciativa «Aldeia dos Presépios». (Exposição de 15 présépios gigantes pela aldeia).
* Aveiro - Sé - Concerto de Reis.  
* Lisboa - Igreja de São Domingos (15h30m) - Concerto de Reis com «Coro Santo Inácio» e da «Capela Gregoriana Laus Deo»

 

 

 

Dia 06

* Guarda - Almeida (Turismo Municipal) - Encerramento da exposição de presépios «Nascer em Dezembro» da autoria de Maria Adélia Alvadia. 
* Lisboa - Galeria «Arte da Terra» (antigas Cavalariças da Sé) - Encerramento (início a 02 de dezembro) da exposição de presépios de vários artistas.
* Évora - Estremoz (Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte)- Encerramento (início a 08 de dezembro) da exposição «Presépios do mundo» (mostra de algumas peças da coleção particular do Major-General Fernando Canha da Silva.
* Évora - Estremoz (Coreto) -  Encerramento (início a 07 de dezembro) do EcoPresépio (Presépio criado com materiais reutilizáveis de acordo com o projeto Ecomontras).
* Évora - Estremoz (Galeria Municipal D. Dinis) - Encerramento (início a 08 dezembro) da VII Exposição de presépios de artesãos do concelho de Estremoz.
* Guarda - Seia (Galerias da Casa da Cultura) - Encerramento da exposição de presépios «O Presépio pelo país e pelo mundo - evoluções» de Miranda Garcia. 

 

* Portalegre - Vila de Rei - Encerramento (início a 02 de dezembro) da exposição de presépios
Encerramento (início a 06 de novembro) da campanha natalícia «Presentes Solidários 2013» promovida pela Fundação Fé e Cooperação (FEC)
* Itália - Roma (Piazza del Popolo - Sala Bramante) - Encerramento (início a 28 de novembro) da exposição «100 Presépios»
* Braga - Vieira do Minho (Casa Museu Adelino Ângelo) - Encerramento (início a 07 de dezembro) da exposição «O Natal no museu - Presépios» de Luís Pereira e Gil Rocha

 

Dia 07

* Braga - Tesouro-Museu da Sé de Braga - Encerramento (início a 04 de dezembro) da exposição de presépios de artesãos da região. 
* Porto - Centro de Cultura Católica - Conferência sobre «De Jesus de Nazaré ao Cristo de Deus» por Maria do Rosário Soveral

 

Dia 08

* Lisboa - UCP - Sessão do ciclo de conferências «Teologia Pública» sobre «Um Deus Fiável - Uma leitura de Pierangelo Sequeri» por José Frazão Correia.

 

 

 

Nesta sexta-feira, dia 3 de janeiro, dia em que o calendário litúrgico assinala o "Santíssimo Nome de Jesus" o Papa Francisco visita em Roma a "Chiesa del Gesù", (igreja de Jesus), uma igreja simbólica da Companhia de Jesus que guarda o corpo de São Inácio de Loyola.

 

Dia 3 de janeiro é também o dia em que termina o prazo para a inscrição no curso “Envelhecer é viver” promovido pela Cáritas Portuguesa. Este curso, que vai decorrer em Lisboa até maio de 2014, destina-se a profissionais da área da saúde, da assistência social e a todos as áreas de conhecimento relacionadas com o envelhecimento.

 

No domingo, dia 4 de janeiro assinala-se o dia mundial do Braile, data que pretende chamar a atenção da sociedade para os problemas dos cidadãos invisuais. O Braile é um processo de escrita em relevo para leitura tátil, inventado por Luís Braille (1809 – 1852). Trata-se de um alfabeto convencional cujos caracteres se indicam por pontos em alto-relevo que o deficiente visual distingue através do tato.

 

Na segunda-feira, dia 6 de janeiro, celebra-se o dia de Reis e um pouco por todo o país cantam-se as janeiras, uma tradição em Portugal, que junta grupos de pessoas a cantar, pelas ruas, anunciando o nascimento de Jesus. O dia de Reis corresponde à solenidade da Epifania do Senhor no calendário litúrgico da Igreja Católica. A Epifania, palavra de origem grega que significa ‘brilho’ ou ‘manifestação’, celebra-se a 6 de janeiro nos países em que é feriado civil, enquanto que nos restantes, como é o caso de Portugal, se assinala no domingo entre 2 e 8 de janeiro.

 

No dia 8 de janeiro decorre em Aveiro uma tertúlia promovida pelo Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro (ISCRA) com o título “É possível uma sociedade sem corrupção?” que vai contar com a presença de Paulo Morais, vice presidente da ONG “Transparência e Dignidade”.

 

 

   
 


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Programação religiosa nos media

Antena 1, 8h00

RTP1, 10h00

Transmissão da missa dominical

 

11h00 - Transmissão missa

 

12h15 - Oitavo Dia

 

Domingo: 10h00 - O Dia do Senhor; 11h00 - Eucaristia; 23h30 - Ventos e Marés; segunda a sexta-feira: 6h57 - Sementes de reflexão; 7h55 - Oração da Manhã;  12h00 - Angelus; 18h30 - Terço; 23h57-Meditando; sábado: 23h30 - Terra Prometida.

 
RTP2, 11h22

Domingo, dia 05 - Fraternidade, caminho para a paz - Análise à mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz.

 

RTP2, 18h00

Segunda-feira, dia 06 - Entrevista a Margarida Neto, da Comissão para a Cidadania da Cáritas Portuguesa.

Terça-feira, dia 07 - Informação e apresentação de iniciativas de cidadania.

Quarta-feira, dia 08 - Informação e apresentação de iniciativas de cidadania.
Quinta-feira, dia 09 - Informação e apresentação de iniciativas de cidadania.
Sexta-feira, dia 10 - Apresentação da liturgia dominical pelo padre João Lourenço e Juan Ambrosio.
 

Antena 1

Domingo, dia 5 de janeiro,  06h00 - Análise com Marcelo Rebelo de Sousa, Guilherme d’Oliveira Martins e Alfredo Bruto da Costa sobre mensagem para o Dia Mundial da Paz.

 

Segunda a sexta-feira, dias 6 a 10 de janeiro, 22h45 - Desafios e projetos de cidadania: Eugénio Fonseca, Margarida Alvim, Orquestra Geração, Cristina Carita e Irmã Júlia Barroso.

 

 

Quem criou o mundo?

 

 

 

 

 

 

 

 

Ano A - Solenidade da Epifania do Senhor

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
Acolher a luz e pôr-se a caminho
 

A liturgia deste domingo da Epifania do Senhor celebra a manifestação de Jesus a todos os homens. Jesus é a luz que encarna e ilumina os nossos caminhos, conduzindo-nos ao encontro da salvação, da vida definitiva.

A primeira leitura anuncia a chegada da luz salvadora de Deus, que transfigurará Jerusalém e que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo.

A segunda leitura apresenta o projeto salvador de Deus como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos numa mesma comunidade de irmãos, a comunidade de Jesus.

No Evangelho, vemos a concretização dessa promessa: ao encontro de Jesus vêm os magos do oriente, representantes de todos os povos da terra. Reconhecem a luz da salvação e adoram o Messias.

Mateus apresenta-nos as atitudes de várias personagens em confronto com Jesus: os magos em adoração; Herodes em rejeição total; os sacerdotes e os escribas em indiferença.

Os magos são apresentados como os homens dos sinais, que sabem ver na estrela o sinal da chegada da libertação. Como eles, sejamos pessoas atentas aos sinais, sejamos capazes de ler os acontecimentos da nossa história e da nossa vida à luz de Deus, procuremos perceber nos sinais que aparecem no nosso caminho a vontade de Deus.

Os magos viram a estrela, deixaram tudo, arriscaram tudo e vieram procurar Jesus. Como eles, sejamos capazes da mesma atitude de 

 

 

 

 

 

desinstalação, não fiquemos demasiado agarrados ao nosso sofá, ao nosso colchão especial, à nossa televisão, à nossa aparelhagem, à nossa internet. Procuremos deixar tudo para responder aos apelos que Jesus nos faz através dos irmãos.

Os magos representam as pessoas de todo o mundo que vão ao encontro de Cristo, que acolhem a proposta libertadora que Ele traz e que se prostram diante d’Ele. É a imagem da Igreja, essa família de irmãos de muitas cores e raças, que aderem a Jesus e O reconhecem como o seu Senhor.

Ponhamo-nos a caminho. Mesmo não sabendo exatamente o que será a aventura, tenhamos 
 

confiança, ergamos os olhos. A luz vem de Deus, deixemo-nos iluminar. Procuremos sem cessar, não tenhamos demasiadas certezas. Tenhamos somente convicções, descubramos os sinais da sua presença. Como os magos, ofereçamos presentes: a oração, o respeito e a atenção a cada pessoa. Procuremos agradar a Deus e aos irmãos. Aceitemos começar um novo caminho.

Que o espírito da Solenidade da Epifania se mantenha ao longo de 2014. Deixemo-nos interpelar por Deus e pelo seu Evangelho, levado com alegria e esperança junto dos homens e mulheres do nosso tempo.

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

 

 

Dias de sobressalto para os Cristãos na Nigéria

“Ainda me resta um filho”

Não há dia que passe sem que os olhos de Chioma não fiquem alagados em tristeza e revolta quando repara no seu filho, doente, ainda ferido pela explosão criminosa que destruiu a Igreja de Santa Teresa, no Natal de 2011.

 

No final da missa, um carro armadilhado embateu contra o edifício. O estrondo fez-se ouvir em toda a cidade de Madalla. Chioma estava a fazer o almoço. O marido e os quatro filhos tinham ido à missa. Era dia de Natal. Estavam a sair da Igreja, rumo a casa, quando se deu a explosão. Chioma ficou viúva, perdeu três filhos, dois rapazes e uma menina, e agora tem de sobreviver, nem sabe como, com o filho a seu cuidado e que continua a ostentar as feridas causadas pela bomba. “Ainda me resta um filho pequeno”, diz ela comum olhar triste, vazio. “Ele ficou gravemente ferido nos olhos, nas mãos, na cabeça.”

Chioma Dike não se envergonha das lágrimas que continua a 

 

chorar, nem se perturba quando olha em volta e vê a sua enorme impotência. “Ponho tudo nas mãos do Senhor. Ninguém pode ajudar-me. Só Deus pode consolar-me”.

A Nigéria vive assolada por uma vaga de atentados desde 2009, da autoria de um grupo terrorista, o Boko Haram, que pretende instaurar um estado islâmico no país. Boko Haram, que significa “a educação ocidental é proibida”, tem ligações à Al Qaeda e à Al-Shabaab. A Nigéria é um país rico onde a maioria da população vive numa pobreza abjecta. Apesar de ser um dos maiores produtores mundiais de petróleo, essa riqueza não se espalha no dia-a-dia da maioria dos seus 170 milhões de habitantes, dos quais, cerca de metade são Cristãos.

 

A força da fé

 

Para Chioma, a única coisa que conta, agora, é salvar o seu único filho e sobreviver a um futuro que se afigura dramático. Mas nada 

 

 

 

disso, porém, a faz vacilar na sua fé: “Rezo para que o Senhor nos proteja e peço-vos que rezem pelo filho que me resta e que continua ferido”.

Infelizmente, a história de Chioma banalizou-se nos últimos anos. Desde 2009 já se contabilizaram mais de 3 mil mortos e largos milhares de feridos em resultado dos ataques terroristas.

Da Nigéria, quase todas as semanas chegam-nos notícias de ataques a comunidades Cristãs. A violência dos relatos é assustadora. Há pessoas 

 

que são mortas à machadada, queimadas vivas, brutalmente executadas a tiro, num desrespeito absoluto pela vida humana.

No meio da sua impotência, com o filho que lhe resta nos braços, Chioma apenas pede as nossas orações. Faltam uns dias para o Natal. Foi há dois anos que a vida de Chioma Dike se transformou num enorme pesadelo.

 

Paulo Aido | Departamento de Informação | www.fundacao-ais.pt | info@fundacao-ais.pt 

 

 

APOSTOLADO DA ORAÇÃO

Economia e justiça

Para que seja promovido um autêntico desenvolvimento económico, respeitoso da dignidade de todas as pessoas e de todos os povos. [Intenção universal do Papa para o mês de Janeiro]

 

1.  S. João Crisóstomo, lá pelos séculos IV-V, denunciava sem meias-palavras a avidez dos ricos e, sobretudo, o esbulho dos pobres e dos seus direitos. Antes e depois dele, outros Padres da Igreja o fizeram. E não era à toa, pois a Sagrada Escritura é particularmente dura para com aqueles que exploram os desprotegidos e abusam do poder que a riqueza lhes confere. Ou seja, a revelação bíblica, apesar das inevitáveis cedências ao modo de pensar do tempo, presta uma atenção aos pobres sem paralelo no  mundo antigo. E as religiões que dela brotaram, não obstante o mesmo tipo de cedências, assumiram naturalmente esta característica, com consequências revolucionárias nas sociedades de que se tornaram referência vital.

 

2. O enorme desenvolvimento económico proporcionado pela 

 

ciência e a tecnologia nos dois últimos séculos não podia senão agudizar as questões relativas à riqueza, à pobreza e à justiça na distribuição dos bens da terra. Depois do colapso das ideologias igualitárias, tornado mais evidente nos finais do século XX, a economia de mercado apresenta-se sem rival à altura. E, verdade seja dita, nenhum outro modelo económico foi capaz de produzir tantos bens de consumo para tantas pessoas e levar tanta gente a ter condições de acesso a esses bens. No entanto, isso não eliminou as desigualdades na distribuição dos rendimentos produzidos; pelo contrário, em muitos casos (também naqueles que adoptaram um capitalismo de Estado), aprofundou essas desigualdades até níveis obscenos. E sociedades nas quais as desigualdades económicas atingem extremos, divididas entre um grupo relativamente reduzido de pessoas imensamente ricas e uma enorme maioria de pessoas empobrecidas ou na miséria, além de serem estruturalmente injustas são também sociedades à beira do colapso.

 

 

 

3.  O desenvolvimento económico é um bem. A possibilidade de, através do trabalho, tirar da miséria milhões de pessoas, em todo o mundo, é um feito sem precedentes na história da humanidade – e foi conseguido, nas últimas décadas, graças ao desenvolvimento da economia global, uma economia fundado no mercado livre, de tipo capitalista. Neste contexto, muitos conseguiram ser bem sucedidos nas suas actividades e tirar proveito disso, ao mesmo tempo que, com a sua capacidade de iniciativa, proporcionavam a muitos outros o acesso a trabalhos bem remunerados. Infelizmente, também é verdade que há quem aproveite as vantagens do modelo económico actual para desrespeitar a dignidade das pessoas e, por vezes, para explorar povos inteiros. E há, sobretudo, modelos financeiros que não correspondem a nenhuma economia real, cujos responsáveis jogam nas margens do sustentável e que, inevitavelmente, vêm a provocar graves crises financeiras com repercussões tremendas na vida das pessoas e na economia real.

 

4. Na exorta apostólica Evangelii gaudium (nn. 53-60), 

 

o Santo Padre Francisco alerta para este tipo de comportamentos económicos, considerando que os mesmos violam a dignidade das pessoas e “devoram” os mais frágeis. Trata-se de um alerta sempre actual, presente na doutrina social da Igreja, desde o seu início, com o Papa Leão XIII. Ao retomar esse alerta, o Papa Francisco demonstra que a Igreja, por tradição e convicção, não faz seu um modelo económico sem nenhum tipo de regulação, deixado inteiramente ao livre arbítrio individual e à lei do mais forte. Também na economia, como na política, é necessário dispor de instrumentos capazes de limitar o excesso de poder de uns e a extrema fragilidade de outros. Isto significa que a economia de mercado precisa de leis e de quem tenha poder para as fazer cumprir. E precisa que as leis sejam justas, de modo a não estrangularem a livre iniciativa dos cidadãos e o seu sucesso e a não permitirem que o sucesso de uns seja construído espezinhando os direitos de outros, sobretudo dos mais frágeis. É um equilíbrio difícil, mas precisa de ser continuamente buscado, para que o desenvolvimento económico respeite, de facto, a dignidade das pessoas e dos povos.

Elias Couto

 

 

2014 com justiça e paz

Tony Neves

 

2014 nasce, como todos os anos, cheio de desafios, angústias e esperanças. Como todos os projetos por construir, o seu sucesso dependerá da forma como o mundo viver os 365 dias que estão pela frente. Não há nunca razões para atirar a toalha aos chão e desistir do compromisso por um mundo mais humano, mais fraterno, mais inclusivo.

De 2013 herdamos o Papa Francisco e o arejamento feliz das suas intervenções e propostas. A ‘Alegria do Evangelho’ rasgou sorrisos nos lábios e corações e avançou propostas ousadas para uma ‘reforma’ da Igreja e da sociedade que implica conversão e empenho.

2014 será terreno fértil para a  implementação de algumas das sábias orientações do Papa Francisco. A ‘Alegria do Evangelho’ termina com um grande apelo a uma espiritualidade mais profunda, assente na vivência dos Sacramentos e na escuta da Palavra de Deus. No início há uma apelo a um estilo de vida mais simples e humilde que leve a uma conversão constante, à ‘reforma’ de que tanto se fala e tão pouco parece fazer-se. Mais adiante, o Papa explica que é urgente fazer uma opção pelos mais pobres, ajudando-os a sair de uma vida de pobreza que esmaga a dignidade e cria instabilidade política e social. Há uma crítica cerrada a políticas de injustiça  e desperdício que permite deitar fora toneladas de comida enquanto milhões morrem de fome. Finalmente, o Papa pede mais otimismo, 

 

 

Luso Fonias

 

mais alegria, mais felicidade porque, com caras de funeral, não convencemos ninguém de que ser cristão é uma opção que dá sentido à vida, traz salvação, gera futuro fraterno e solidário.

O Papa Francisco quis que 2014 fosse o ano da Família. O Sínodo a realizar em outubro já fez correr muita tinta e obrigou a fazer muitas reuniões para responder ao questionário. O envolvimento de tanta gente é o primeiro sinal positivo de um Sínodo que terá que ajudar o Papa a tomar decisões, quem sabe ousadas pela novidade, em relação à Família hoje, uma realidade marcada por avanços fantásticos mas também por problemas à procura de luz para uma solução que corresponda aos tempos que correm.

 

A crise económica e social que vitima muitos países por esse mundo além terá que ser enfrentada com coragem e um enorme sentido de responsabilidade. Da  forma como os governos e a sociedade civil gerirem este período crítico vai depender o encontrar ou não de soluções para o momento dramático que atira para a miséria milhões de pessoas.

Como pede o Papa Francisco, haja alegria, esperança e otimismo pois Deus quer que construamos um futuro de Justiça e Paz, com solidariedade e fraternidade. É esse o coração da Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz. Esse deve ser o grande objetivo para 2014.

 

 


 

“Pode ouvir o programa Luso Fonias na rádio SIM, sábados às 14h00, ou em www.fecongd.org. O programa Luso Fonias é produzido pela FEC – Fundação Fé e Cooperação, ONGD da Conferência Episcopal Portuguesa.”

 

 

 

 

 

 

 

 

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