04 - Editorial:

       Tolentino Mendonça

06 - Foto da semana

07 - Citações

08 - Nacional

12 - Opinião

        D. António Marcelino

14 - A semana de

        Luís Santos

16- Entrevista

        Ana Patrícia Fonseca

24- Dossier

        Encíclica «Lumen fidei»

38 - Espaço Ecclesia

 

40 - Internacional

44 - JMJ 2013

46- Cinema

48 - Multimedia

50 - Estante

52- Vaticano II

54 - Agenda

56 - Liturgia

58 - Programação Religiosa

59 - Por estes dias

60 - Apps pastorais

62 - Fundação AIS

64 - Luso Fonias

 

Foto da capa: News.va
Foto da contracapa:  Agência Ecclesia

 

 

AGÊNCIA ECCLESIA 
Diretor: Paulo Rocha  | Chefe de Redação: Octávio Carmo
Redação: José Carlos Patrício, Lígia Silveira, Luís Filipe Santos, Margarida Duarte, Sónia Neves, Carlos Borges, Catarina Pereira
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Opinião 

 

 

 

Voluntariado Missionário

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Primeira encíclica de Francisco

Luz da Fé

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Papa em Lampedusa

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D. António Marcelino|Tolentino Mendonça|Padre Tony Neves

 

 

A Luz da fé

José Tolentino Mendonça

 

O escritor António Alçada Baptista conta uma história exemplar, na primeira pessoa: «Uma vez eu fui operado e estava só no hospital com  meu pai. Tinha uma dor pegada das unhas dos pés às pontas dos cabelos e meu pai estava ao pé de mim. Eu tinha já 19 anos, mas apeteceu-me a sua mão humana e paterna e disse-lhe:

- Deixe-me ver a sua mão.

- Para quê?

- Preciso da sua mão.

Ele sorriu-se e deu-ma, mas imediatamente começaram a funcionar dentro de si as pesadas estruturas marialvas e académicas que recusam a um filho de 19 anos a mão terna dum pai. E, disfarçadamente, começou a retirar a sua mão até que a minha continuou pedinte, mas só e unilateral.».

 

«Preciso da tua mão». O conhecimento de Deus só pode ser um conhecimento vivido, profundamente experimental. Essa é uma afirmação espantosa que atravessa toda a Revelação Bíblica, tanto do Antigo como do Novo Testamento. Deus está. O Deus transcendente “vê”, “escuta”,

 

 

 

“compadece-se”, “mostra-se”, “permite o encontro”. Pense-se no passo fundamental do Livro do Êxodo: «Eu vi, Eu vi a miséria do Meu povo que está no Egipto, ouvi o seu clamor por causa dos seus opressores, pois Eu conheço as suas angústias. Por isso desci a fim de libertá-lo» ( Ex 3,7). A Escritura foge assim a definições e constrói uma gramática eminentemente narrativa. Não conceptualiza: narra, relata, exemplifica. E as imagens que nos oferece de Deus atestam que Ele está presente. 

Com mais razão ainda, o Evangelho de Jesus desautoriza-nos a persistir em fórmulas obscuras. A viragem que Jesus introduz é considerar Deus a partir de dentro. Jesus apresenta-Se como o Filho de Deus. E a relação que mantém com Deus é uma relação filial. Isto é, Jesus vem dizer que Deus O impregna profundamente a ponto de Ele ser Filho e

 

se descobrir como tal. Não é apenas um conhecimento especial que Jesus fornece de Deus. É outra coisa: Deus é a fonte que plasma e
 ilumina a criatividade messiânica das Suas palavras e dos Seus gestos (Jo 14,8-11)... De certa maneira, o programa de Jesus outra coisa não é que esta filiação. Mergulhados na sua páscoa, somos chamados a viver do seu Espírito, configurados à sua realidade, atravessados e guiados pela sua luz.     
È fundamental percebermos que a  relevância do discurso cristão parte, antes de tudo, da sua essência. Claro que o papa Francisco ir ao desembarcadouro de Lampedusa, reclamar corajosamente por políticas mais humanas, deve colher a atenção de todos. Mas de igual maneira deveria ser escutado quando nos propõe, com límpido desassombro, uma reflexão sobre a fé.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Jorge Coelho/Lusa

Quinta das Quebradas, Mogadouro. 

A entrega e o cansaço de muitos bombeiros contrasta com o poder devastador dos incêndios

 

 

 

 

 

 


"Como o próprio nome indica, a concórdia começa nos corações, quando ninguém desiste de ninguém, seja em que campo for. (Homilia de D. Manuel Clemente na missa de entrada no Patriarcado de Lisboa, 7 de julho de 2013)

 

 

 

 

É esse o caminho que deveremos percorrer em conjunto. Darei o meu firme apoio a esse acordo, que, na atual conjuntura de emergência, representa verdadeiramente um compromisso de salvação nacional. (Comunicação ao País do Presidente da República, dia 10 de julho de 2013)

 


 


 

 

 

 

 

 

 

 

“Senti que tinha de vir hoje aqui rezar, realizar um gesto de proximidade, mas também despertar as nossas consciências para que aquilo que aconteceu (mortes no mar) não se repita, que não se repita, por favor” (Papa Francisco em Lampedusa, dia 8 de julho de 2013)

 

 

 

 

"O crente não é arrogante; pelo contrário, a verdade torna-o humilde, sabendo que, mais do que possuirmo-la nós, é ela que nos abraça e possui". (Papa Francisco, Encíclica Lumen Fidei, 5 de julho de 2013)

 

 

 

 

 

 

D. Manuel Clemente tomou posse

D. Manuel Clemente pediu às comunidades cristãs que acolham todas as pessoas e recordou as consequências socioculturais do Evangelho, nomeadamente a dignidade da pessoa humana desde a “conceção à morte natural”. Na homilia da missa de entrada solene no Patriarcado de Lisboa, que decorreu este domingo no Mosteiro dos Jerónimos, o prelado deixou votos de que na diocese se constituam “comunidades de acolhimento e missão”.

“E que importante é e será, que nas nossas comunidades todos possam encontrar um “sim” à pessoa que são, mesmo quando não devamos conceder o que imediatamente peçam”, disse o patriarca de Lisboa.

Sem adiantar “detalhes programáticos”, D. Manuel Clemente declarou que “a Igreja de Lisboa seguirá as indicações” saídas do Sínodo dos Bispos sobre a nova evangelização e as propostas da Conferência Episcopal Portuguesa,

 

na Nota Pastoral de 11 de abril sobre a “renovação da Pastoral da Igreja em Portugal” D. Manuel Clemente pediu depois aos políticos presentes na missa da sua entrada na diocese para fazerem “o melhor” porque o momento “é complexo” e é necessário apostar na “criação de emprego”. Em declarações aos jornalistas, no fim da celebração e após ter cumprimentados todos os presentes que o quiseram saudar, incluindo os responsáveis por cargos públicos, o patriarca afirmou que o fundamental é que “em todas as equações" se pense no “bem comum, no que é para todos”.

D. Manuel Clemente tinha tomado posse no sábado como 17º patriarca de Lisboa, na Sé da diocese, sucedendo a D. José Policarpo, responsável pelo Patriarcado durante 15 anos.

Para o novo patriarca de Lisboa, a designação “tomada de posse” tem um significado “impreciso”, porque “a única posse é de Cristo” e hoje, mais do que

 

 

 

 

 

assumir um cargo afirma a disponibilidade para que a diocese “tome conta” dele. “Esta tomada de posse significa, na verdade, uma despossessão de mim próprio para que a Igreja de Lisboa tome conta de mim”, referiu.

“A única coisa que peço a Deus é que seja assim: Que todos nos

 

desapossemos de nós próprios para que Jesus Cristo seja em nós o único sinal a apresentar ao mundo”, referiu aos presentes na Sé de Lisboa.

“Que a Igreja de Lisboa tome conta de mim, que o Senhor tome conta das nossas vidas, e que deixemos que Ele seja tudo em nós”, disse D. Manuel Clemente.

 

 

Bispo propõe pastoral na praia

O bispo de Aveiro dirigiu uma mensagem à diocese para propor uma presença das comunidades católicas nas “zonas balneares de referência” do território, durante os meses de verão, com uma “Tenda de Deus”. “As nossas praias já se habituaram a esta presença da Igreja em iniciativas inspiradas pela pastoral de verão e pautadas pelo desejo de ir ao encontro das pessoas para anunciar o evangelho de Jesus. Em plena areia, beijada pelo mar e procurada por milhares de pessoas, encontraremos este ano a Tenda de Deus”, escreve D. António Francisco dos Santos, numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

A referida tenda vai estar nas praias da Torreira, da Barra e da Vagueira, para ser “casa de oração e de festa”. “Não fazemos férias de Deus nem a Igreja está em férias. Aproveitamos, isso sim, o verão e as férias para nos reunirmos com tempo e com disponibilidade para rezar”, explica o bispo de Aveiro.

 

 

 

 

O prelado recorda que Aveiro atrai todos os anos muitos veraneantes, pelo que diz ser necessário “abrir caminhos de proximidade onde o acolhimento se faça missão e o diálogo construa comunhão”. “Nos caminhos de vida e de fé que a Missão Jubilar nos propõe tem todo o sentido valorizar as noites de verão como tempo abençoado de silêncio dado à oração e espaço necessário de encontro de pessoas que se juntam para rezar”, explica D. António Francisco dos Santos.

 

 

 

Bispos atentos a «sobressaltos» políticos

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) pediu em Fátima que os líderes políticos encontrem soluções para os “sobressaltos” do país, em “consonância” com "as aspirações e dificuldades" do povo e com “urgência”. “Todas as crises são de grande preocupação para a Igreja, porque estas oscilações, estas ondas no mar da vida social e política, criam sempre pobres”, disse o padre Manuel Morujão aos jornalistas, no final da reunião do Conselho Permanente da CEP que decorreu esta terça-feira.

O sacerdote jesuíta aludiu aos “sobressaltos na política e na sociedade portuguesa", numa referência indireta às recentes demissões e indefinições na formação do Governo, sublinhando que é preciso "saber responder a estes sobressaltos com soluções positivas, o mais possível consensuais".

“O que nós pedimos é a procura séria do bem comum, ninguém fica bem na fotografia quando o povo português fica pior”, alertou, pedindo que apopulação fique “bem".

 

 

 

 

 O secretário da CEP deixou votos de que “funcionem” os órgãos de soberania “eleitos democraticamente” em Portugal para encontrar "soluções justas, apropriadas para cada caso".

Os bispos portugueses anunciaram ainda que o seu Observatório Social vai começar a trabalhar em duas dioceses, antes de se estender a todo o território nacional, “para ter informação atualizada” sobre as “necessidades experimentadas” pela população.
 

 

Cristãos à escala universal?

D. António Marcelino, Bispo emérito de Aveiro

 

Uma das interrogações a fazer hoje é de saber até que ponto a fé cristã pode influir na humanidade atual com as características da mesma. Quando tudo se comandava a partir da Europa, a pergunta não teria grande sentido, porque o cristianismo dominava. Hoje, com uma Europa que foi perdendo a sua hegemonia e a sua força e se discute mesmo o grau de influência que lhe resta, a pergunta sobre o sentido da fé deve fazer-se, quanto antes, com abertura e sem medo. 

Há uma preocupação ecuménica no campo religioso, e por ela se tem ficado a Igreja. Há ainda uma dimensão de universalidade plural de ordem humana, na qual a Igreja não teve intervenção, mas a que não se pode alhear. Esta deve-se à abolição das fronteiras provocada pelos fluxos migratórios, à globalização dos problemas, aos direitos humanos reconhecidos, à difusão de uma cultura laica, e, como meio de fácil acesso, às modernas tecnologias da comunicação, que fizeram do mundo uma “aldeia global”, como já se previa há décadas.  

 A Igreja, durante séculos, deixou de correr riscos especiais por força da missão. Foi perdendo a sua força mais profunda e limitou-se a controlar e a impedir moções e atitudes que a punham em causa ou contrariavam os seus objetivos. Esqueceu-se que o Evangelho a precede, no tempo e nas

 

 

 

 

 

suas opções apostólicas. O cristão praticante do culto que professa, de modo acrítico, a fé que lhe é proposta, não se pode confundir, e menos ainda identificar, com o cristão que, a exemplo de Cristo e no Seu seguimento, joga a sua vida, de modo claro e consciente, para que a Vida de Deus chegue a todos, quem quer que sejam e onde quer que se encontrem. A dinâmica missionária nasce do Evangelho e traduz a aceitação do mandato de Cristo. Não nasce da instituição eclesial, também ela enviada, mas durante séculos mais se preocupada consigo e sua imagem que com a missão que lhe fora confiada. Perdeu, assim, em favor de alguns, o ardor e a inquietação que expressam a urgência missionária.

Ser cristão à escala universal exige formação, abertura e respeito. Nada sacrificando do que é essencial à sua fé, o cristão inserido na história do cristianismo, carrega, consigo e com os demais, o encargo de ser testemunha de Cristo, até aos confins da terra e do tempo. “ Só o cristianismo, pela sua

 

originalidade e história, será capaz de dar sentido e consistência e levar a
 cabo a integração interna e externa da humanidade” Diz Walter Kasper que é este o caminho para tocar o novo ecumenismo.

Não o fará a partir de fora, mas da abertura ao bem e à verdade que existe nas pessoas concretas, que procuram, noutros caminhos sentido para a sua vida. Estas pessoas estão perto de nós, em nossa casa ou no trabalho,  convivem connosco e esperam dos crentes respeito, abertura e apreço.

O cardeal Martini, para abrir caminhos novos no diálogo com não crentes, alguns deles denegriam com suspeitas os seus propósitos, interrogava-se sobre o “que crê, quem não crê”. Era maneira de lançar pontes, fazer propostas, manifestar, para com todos, sentimentos evangélicos, positivos e fraternos. Quem não é da Igreja não quer dizer que não seja de Deus e não procure ser fiel a valores divinos que leva consigo, mesmo que não os julgue tais.
 

 

Programa governativo:
escutar o silêncio da Serra da Arrábida

Luís Filipe Santos, Agência Ecclesia

 

1 - Esta semana, devido à temperatura que assolou o país, os alertas vermelhos inscreveram o seu nome, não apenas nos termómetros mas, também, na sociedade portuguesa. Os aplausos no Mosteiro dos Jerónimos (tomada de posse de D. Manuel III, como Patriarca de Lisboa) foram capa de jornais. Alguns, à chegada do presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, bateram palmas. Não estive presente na cerimónia, mas não se deve confundir o político e o ser humano na sua dimensão religiosa.

Apesar de terem sido colocados em local de destaque na celebração, confesso que não sei se os políticos citados foram à tomada de posse de D. Manuel Clemente como cristãos ou no exercício das suas funções. Os aplausos foram notícia… Se existissem apupos também eram manchete. O silêncio talvez fosse matéria noticiosa porque alguém se lembrava de dizer que os presentes mostraram um sentimento alheio ou indiferente à presença das pessoas citadas. Só as pedras rendilhadas dos Jerónimos sabem o segredo dos aplausos.

 

2 – Os termómetros subiram a escalada. Mergulhar na Arrábida, não significa banhar-se nas águas

 

 

 

 

 

 

atlânticas que tocam na serra. Neste caso, mergulhar significa entrar na palavra e no verbo de Sebastião da Gama e de frei Agostinho da Cruz. A paisagem inspira e foi um autêntico altar para muitos poetas portugueses. Percorrer os trilhos verdejantes com o azul marítimo a fazer companhia é um óptimo manjar para os caminheiros.

Na Serra da Arrábida não há aplausos nem assobios, apenas se escuta o silêncio na companhia das cigarras. Este silêncio não é notícia… Mas senti uma atmosfera positiva/espiritual nos miradouros da serra com odor poético que observa de forma permanente a «pedra d´anicha».

 A minha decisão não é irrevogável, mas aconselho uma visita – com paragem para dialogar com o silêncio - aos mistérios da «serra mãe». Talvez a música silenciosa possa ajudar a encontrar a verdadeira salvação para Portugal. A escuta é boa conselheira… Mas sem os holofotes da comunicação social.

 

3 – Portugal tem sido notícia na imprensa internacional por motivos pouco abonatórios. Um novo resgate… Uma crise política… Atraso no regresso aos mercados. Num mundo globalizado, a vertente material domina o ser humano. Cada pessoa é um número e o resto é apenas roupagem que serve de panejamento. A imagem do «bom aluno» está a desaparecer com o tempo. Será culpa dos lusitanos ou da classe dirigente que adoptou a demagogia e as decisões irrevogáveis?

Em França, um ciclista português, Rui Costa, percorre quilómetros e quilómetros com as cores da bandeira nacional. O poveiro que está a fazer, até ao momento, um excelente Tour (Volta à França em bicicleta) não é citado na imprensa generalista. Apenas umas linhas nos jornais desportivos. Este ano já ganhou a volta à Suíça em bicicleta, tal como no ano anterior. O que é positivo não vende… Mas, como disse Sebastião da Gama: «Pelo sonho é que vamos».

 

 

 

Voluntariado missionário,
dinâmica solidária

A Fundação Fé e Cooperação (FEC), da Igreja Católica, revelou que  1478 pessoas vão este ano integrar projetos de voluntariado missionário dentro e fora de Portugal, sinónimo de uma “dinâmica de solidariedade” bem enraizada na sociedade. Em entrevista ao Programa ECCLESIA, Patrícia Fonseca, coordenadora da Rede de Voluntariado Missionário, destaca o número recorde de 405 jovens e adultos que estão a preparar-se para prestar serviço em países mais desfavorecidos, especialmente no continente africano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agência ECCLESIA (AE) – O que é o voluntariado missionário?

Patrícia Fonseca (PF) – O voluntariado missionário é uma tipologia muito específica de voluntariado, assemelha-se ao voluntariado para a cooperação, o voluntariado internacional, mas tem uma matriz católica.

No fundo, estes missionários integram missões católicas, muitas vezes ligadas a institutos missionários, outras ligadas a paróquias ou dioceses com cariz missionário, e trabalham em missões católicas em países em vias de desenvolvimento, sobretudo nos países de expressão portuguesa.

 

AE – Ao longos destes 25 anos, mais de 5 mil pessoas foram formadas, menos se calhar partiram. Explique-nos um pouco este processo de formação.

PF – O voluntariado missionário integra um plano de vida estruturado que estas pessoas já têm, não aparece do nada, um dia acordam e querem fazer voluntariado, faz parte do seu projeto de vida.

Como tudo aquilo que faz parte do nosso plano de vida, requer

 

 

 

amadurecimento, reflexão, discernimento, e a formação que é dada aos voluntários é precisamente esse processo.

O voluntário, ao longo deste tempo de formação, normalmente um ano letivo, vai percebendo o que é chamado a fazer, se isso vai ao encontro do que é proposto.

Este processo de formação é este casamento, é este encontro da vontade do voluntário e da vontade de Deus, que é expressa através da organização pela qual ele é enviado.

É também este discernimento, do voluntário se quer ou não partir, e da organização perceber se ele tem ou não a capacidade de integrar as missões a que é chamado.

 

 

 

AE – Uma formação que é oferecida tanto pela Fundação Fé e Cooperação como por parte das entidades a que os voluntários estão agregados.

PF – Sim, a FEC oferece um plano de formação que é sempre complementar, e eu gosto de frisar isto, ao plano de formação que cada organização oferece aos seus voluntários.

O nosso plano é curto, são cinco sessões, cinco fins-de-semana ao longo do ano mas nas organizações os voluntários têm encontros semanais, alguns quinzenais de preparação.

Os encontros da FEC, para além da complementaridade dos temas, são também um espaço de encontro entre diferentes realidades, porque apesar de serem todos voluntários missionários, têm diferentes carismas, formas de estar, porque as organizações são diferentes.

É uma forma também de se encontrarem as diferentes expressões do voluntariado missionários, naqueles fins-de-semana que normalmente congregam cerca de 40 a 50 pessoas, um espaço para perceber como é que o outro faz, como é que eu também estou a fazer.


 

 

AE – 61 entidades fazem parte desta Rede de Voluntariado Missionário. Apresentam diferentes projetos pastorais nos países de missão?

PF – A intervenção é muito semelhante, são sobretudo intervenções na área da educação, com jovens, com professores, com campanhas de sensibilização na área da saúde, também para determinadas doenças.

Também na área pastoral, da dinamização de comunidades cristãs, de apoio à catequese, e também muito na área da animação sociocultural das comunidades.

Quase todas as organizações trabalham nestas quatro áreas, depois a forma como trabalham e o que fazem é uma resposta às necessidades locais.

Apesar de trabalharem nas diferentes áreas, procuramos sempre ir ao encontro daquilo que a população local tem necessidade, da sua cultura, da sua forma de estar, portanto há também esta aproximação, a intervenção difere consoante a população que encontramos.


 

 

 

 

 

AE – Este ano partem 405 pessoas em missão “ad gentes”. Cá em Portugal, 1073 vão estar envolvidos em projetos de missão. Que significado representam estes números, nos dias de hoje?

PF – Quero frisar que há muitos mais voluntários em Portugal. Estes números que recolhemos são só destas organizações que integram a Rede de Voluntariado Missionário.

Do ano passado para este ano, o número de voluntários destas organizações que fazem trabalho em Portugal aumentou significativamente - o ano passado foram cerca de 600 e este ano são cerca de 1000.

Isto mostra as duas dinâmicas

 

onde estes voluntários estão envolvidos: olham para dentro da sua casa, aqueles que trabalham em Portugal, para as dificuldades do país, sobretudo nas aldeias mais isoladas.

O trabalho é muito feito com os idosos que vivem sozinhos e também com as crianças que nesta altura das férias não saem e estão nas suas aldeias.

Mas também têm outra dinâmica que é olhar para fora, para aquilo que nós não conseguimos ver com os nossos olhos mas sabemos que existe, e porque sabemos que existe queremos intervir.

Acho muito interessante esta dupla dinâmica, de olhar para dentro mas também para fora.

 

 

 

AE – Este é um número que se tem consolidado, no voluntariado missionário em Portugal?

PF – Sim, todos os anos vão cada vez mais voluntários, do ano passado para este ano vão mais ou menos os mesmos, cerca de 400, mas há cinco anos iam cento e poucos, não chegavam a 200, e há 25 anos foram os primeiros 9.

Olhar para trás e perceber que no primeiro ano partiram 9 e 25 anos depois já são mais de cinco mil é uma dinâmica crescente mas também é uma dinâmica consolidada.

 Não interessa crescer só para sermos muitos, interessa crescer para que as comunidades com quem trabalhamos possam ter mais apoio, se possam desenvolver e elas próprias crescerem.

 

AE – Sendo o voluntariado missionário uma marca da Igreja, tem uma matriz cristã, pode-se dizer que estas quase 1500 pessoas que este ano estão envolvidas em projetos de missão assumiram a sua vocação batismal?

PF – Disso não tenho muitas dúvidas, é um voluntariado de

 

matriz cristã e estes voluntários ou leigos assumem a sua condição de batizados, é nessa condição que querem intervir.

É este ponto que nos distingue do voluntariado para a cooperação, é o assumirmos a nossa condição de batizados e o querermos fazer como Jesus fez. No fundo, a vida de Jesus Cristo é a gramática que estes voluntários têm para a sua intervenção.

 

AE – Olhando para dados que a Rede de Voluntariado Missionário, através da FEC, lançou recentemente, eles referem que muitos pediram licença sem vencimento para partir, 20 por cento estão empregados e vão usar as suas férias de verão para estarem envolvidos nestes projetos missionários. O que é que isto nos diz?

PF – É curioso porque normalmente temos a ideia de férias, de querer descansar, ir para a praia, não fazer nada, e há muita gente que tem um conceito de férias diferente, de se colocar ao serviço e de doar aquilo que tem, que é tempo e conhecimento.

 

 

 

 

Significa esta dinâmica de solidariedade, de encontro com o outro, e é interessante também perceber que sobretudo entre aquelas que vão por períodos maiores, de um ano ou dois, há um número ainda significativo que se desemprega para partirem em missão.

Quando voltar não sabe o que vai encontrar, se vai ter emprego, se não vai, nesta situação que vivemos é possível que não tenha, mas ainda assim toma esta opção que não deixa de ser radical, de hoje deixarmos o nosso emprego para participarmos num projeto de solidariedade.

   
 

 

AE – Olhando para a forma como acompanha esta dinâmica do voluntariado missionário, pode-se dizer que tem marcado a própria forma como a Igreja e a própria sociedade olham para o voluntariado.

PF – Sim, nós somos sempre aliciados por esta questão do voluntariado missionário, gera sempre muita curiosidade, porque é que os jovens partem, se é uma questão de aventura, se é para acumularem experiências.

Aquilo que nós vamos percebendo é que o voluntariado missionário responde a um projeto de vida, que é dos voluntários e que é também o projeto de vida que Deus tem para estas pessoas.

Neste sentido vai marcando a vida da Igreja, porque vai tendo cada vez, de ano para ano, alguma expressão e algum significado.

 

AE – Dos voluntários que partem, que relatos é que lhes chegam depois destas experiências de um mês ou de um ano. O que é que lhe dizem?

PF – Que querem voltar, que aprenderam muito mais do que aquilo que deram, esta é a frase que mais se ouve.

Os voluntários sentem que têm muito a dar, sobretudo ao nível do conhecimento, mas aquilo que recebem do ponto de vista afetivo, emocional, de relação, é muito maior do que aquilo que à partida esperavam.

Nesse sentido, sentem que aquilo que recebem das pessoas com quem trabalham é muito mais do que aquilo que dão.

Mas também aprendem outras formas de ser, de estar, valorizam muito mais recursos naturais como a água. Aqui basta abrir a torneira

 

 

 

e temos água, mas nestas comunidades onde os voluntários trabalham muitas vezes têm de fazer muitos quilómetros a pé para terem água para beber, para se lavarem ou para cozinhar.

Portanto há esta valorização dos recursos e esta noção das interdependências e do mundo global em que vivemos.

 

AE – Porque os projetos são pensados em parceria com as comunidades locais, que recebem os voluntários, é importante também perceber de que forma é que essas próprias comunidades recebem ou percebem mudanças de intervenção. Que relatos é que vos chegam?

PF - Das comunidades há sempre a alegria grande de terem voluntários e pessoas de fora a trabalhar, a ajudar

  na dinâmica. Mas é preciso também perceber que os voluntários, mesmo aqueles que estão num período maior, um ou dois anos, é um período curto na vida das pessoas e das comunidades.

Aquilo que é muito valorizado nas comunidades é a presença da Igreja Católica, das missões católicas no terreno.

E porque os voluntários integram estas missões, nunca podemos desvincular a ação dos voluntários destas missões católicas, de padres, de irmãs, que estão todos os dias, há muitos anos, 30, 40 anos, no terreno.

Portanto, a experiência de um ano, dois anos, dos voluntários é valorizada pelas pessoas, mas mais do que isso é a presença contínua da comunidade católica, das missões católicas.

 

 

Lumen Fidei – uma breve teologia da fé

João Manuel Duque – UCP Braga

 

A primeira Encíclica do Papa Francisco – que em realidade é também e sobretudo a última de Bento XVI – completa o tríptico que orientou o pontificado do Papa emérito: as virtudes teologais, como núcleo do cristianismo, na medida em que articulam o modo fundamental como a ação salvífica de Deus se realiza na ação humana, enquanto os humanos amam, esperam e acreditam. Assim como as anteriores constituíam uma síntese teológica sobre a caridade e sobre a esperança, assente na tradição bíblico-eclesial mas em debate com questões centrais da cultura contemporânea, assim esta pode ser considerada uma breve teologia da fé, para os humanos de hoje, a contas com os seus típicos problemas existenciais e globais.

A organização da encíclica é simples: um primeiro capítulo, em que são apontados os núcleos histórico-salvíficos da fé cristã; um segundo capítulo, em que é trabalhado de modo concentrado o conhecimento de fé, sobretudo na sua dimensão pessoal; um terceiro capítulo, em que são apontados os elementos fundamentais da mediação eclesial da fé e um último capítulo sobre a sua dimensão sócio-política. Tudo termina com a evocação de Maria como ícone dos crentes, ou seja, como incarnação perfeita do ser humano crente – o que é, sem dúvida, sintomático, do ponto de vista da Mariologia, mas o meu tema é outro.

 

 

 

 

 

“A fé desvenda-nos o caminho e acompanha os nossos passos na história” (8). Partindo desta incarnação histórica da compreensão do que é a fé, do seu conteúdo e também do seu efeito sobre os humanos, o Papa conduz-nos pelos marcos mais significativos da história que constitui a nossa memória: Abraão, desafiado a crer em confiança e despojamento totais; toda a história de Israel, como história de um caminho de fé ou confiança em Deus, nas vicissitudes de um percurso humano, também sujeito a infidelidades; a história de Jesus como plena realização da fiabilidade de Deus, na dádiva da vida por amor, apesar do paradoxo aí presente, pois a promessa de Deus parece ruir na sua morte; a história dos cristãos, que são não apenas os que acreditam ou confiam em Jesus Cristo como Deus salvador, mas também aqueles que acreditam com e como Ele, isto é, que passam a ver o mundo e a realidade com olhos novos, que são precisamente os olhos da fé. É essa participação que permite considerar a

 

 

dimensão salvífica da fé, pois, em Cristo somos salvos, na medida em que partilhamos o seu modo de estar no mundo, por dádiva gratuita sua. Esse modo novo de ser e de estar realiza-se em comunidade, por isso a fé possui uma forma eclesial.

Antes de explorar o significado concreto dessa forma eclesial, a encíclica explora a sua forma pessoal – mesmo que estas duas dimensões não possam nunca ser separadas, quase nem sequer facilmente distinguidas, em muitos aspetos. A opção do Sumo Pontífice, é iniciar a análise do crer pessoal pela dimensão do conhecimento, partindo da famosa tradução de Isaías 7, 9: “Se não acreditardes, não compreendereis”. No entanto, para evitar reduções intelectualistas, fica claro que a compreensão de que aqui se fala tem a ver com as questões essenciais da vida, que apenas se conhecem com a lógica do amor. Esta, de facto, permite real acesso à verdade, e não apenas experiências sentimentais. Há, pois, uma espécie de fusão entre caminho do sentimento e caminho da verdade,

 

 

 

sem alternativas falsas: nem o sentimento (do amor) pode alhear-se da questão da verdade (ficaria puro sentimentalismo), nem esta pode ser profundamente compreendida sem a participação da emoção (ficaria frio racionalismo). Neste caminho que envolve a totalidade do humano, este responde a uma interpelação na palavra, na medida em que escuta um apelo (também ético) e, livremente, responde; e acolhe aquilo que lhe é dado a ver, numa dimensão da visão que só a fé pode abrir. Ver o mundo de outro modo, na fé, é a consequência da resposta positiva ao apelo que convoca a crer – não é, por isso, nem produto da capacidade humana, nem um força instintiva da natureza. Este modo de ver não é irracional mas implica a colocação da racionalidade num nível próprio, anterior mesmo a ouros exercícios dessa racionalidade. Por isso, em vez de se opor, complementa e reorienta até mesmo a racionalidade crítico-científica: “A fé desperta o sentido crítico, enquanto impede a pesquisa de se deter,

 

satisfeita, nas suas fórmulas e ajuda-a a compreender que a natureza sempre as ultrapassa. Convidando a maravilhar-se diante do mistério da criação, a fé alarga os horizontes da razão para iluminar melhor o mundo que se abre aos estudos da ciência” (34). Abre-se, assim, um perspetiva em que são acolhidos todos os humanos, mesmo os que explicitamente não creem, mas se encontram em busca do verdadeiro sentido da vida. “Configurando-se como caminho, a fé tem a ver também com a vida dos homens que, apesar de não acreditar, desejam-no fazer e não cessam de procurar” (35).

A dimensão eclesial da fé é abordada, nesta encíclica, sobretudo na perspetiva da transmissão da fé. Mesmo que ninguém possa ser substituído diretamente na sua opção crente, o certo é que não chega a ela, sequer, sem a mediação concreta da comunidade eclesial, nem pode guardar o tesouro da sua fé para si mesmo. É neste dinamismo que a fé de cada cristão acontece sempre

 

 

 

 

 

em vida eclesial. A encíclica analisa, neste contexto, o significado dos sacramentos da iniciação neste processo de transmissão viva da fé, que incarna sempre na realidade existencial e celebrativa de cada sujeito e de cada comunidade local. A propósito desta dimensão da fé, o Sumo Pontífice coloca especial acento na unidade e integralidade da fé: “A fé é una, em primeiro lugar, pela unidade de Deus conhecido e confessado. Todos os artigos de fé se referem a Ele, são caminhos para conhecer o seu ser e o seu agir; por isso, possuem uma unidade superior a tudo quanto possamos construir com o nosso pensamento, possuem a unidade que nos enriquece, porque se comunica a nós e nos torna um. Depois, a fé é una, porque se dirige ao único Senhor, à vida de Jesus, à história concreta que Ele partilha connosco… Por último, a fé é una, porque é partilhada por toda a Igreja, que é um só corpo e um só Espírito”(47). O Magistério da Igreja, através da sucessão apostólica, está ao serviço desta unidade, que é também um serviço à integralidade da fé transmitida.

 

Por último, a encíclica aborda uma dimensão da fé que, de certo modo, não era habitual nos tratados tradicionais: aquilo que podemos considerar a sua dimensão sócio-política. Ou seja, a razão de ser do ato de fé de cada pessoa crente, assim como a razão de ser da comunidade eclesial em que se enquadra, não é, em últimas instância, apenas esse sujeito crente, nem sequer apenas a comunidade eclesial, como tal. O ato de crer, em todas as dimensões abordadas, orienta-se para a transformação do mundo, rumo à verdadeira cidade. “A firmeza da fé se refere também à cidade que Deus está a preparar para o homem. A fé revela quão firmes podem ser os vínculos entre os homens, quando Deus Se torna presente no meio deles. Não evoca apenas uma solidez interior, uma convicção firme do crente; a fé ilumina também as relações entre os homens, porque nasce do amor e segue a dinâmica do amor de Deus. O Deus fiável dá aos homens uma cidade fiável” (50). E essa cidade não pode ser uma qualquer, mas apenas

 

 

 

aquela que corresponde ao modo de ser na fé: “Devido precisamente à sua ligação com o amor (cf. Gl 5, 6), a luz da fé coloca-se ao serviço concreto da justiça, do direito e da paz”. (51). Nesse sentido, ganha-se clara consciência do contributo da fé para o percurso histórico de toda a humanidade, mesmo para aqueles que explicitamente não creem. Assim como a caridade e a esperança são fundamentais à vida e ao futuro dos humanos, assim a fé é essencial ao sentido de todos. “Por isso, a fé é um bem para todos, um bem comum: a sua luz não ilumina apenas o âmbito da Igreja nem serve somente para construir uma cidade eterna no além, mas ajuda também a construir as nossas sociedades de modo que caminhem para um futuro de esperança” (54). Dos modos de realização desse contributo da fé para o futuro da humanidade, a encíclica destaca a família, como antecipação básica da nova cidade (pela aliança na diferença entre homem e mulher, pela paternidade e maternidade, pela filiação e pela fraternidade). Desse exercício muito específico, resulta uma visão do humano inconfundível e

 

única: a consideração de cada humano como pessoa: “Quantos benefícios trouxe o olhar da fé cristã à cidade dos homens para a sua vida em comum! Graças à fé, compreendemos a dignidade única de cada pessoa, que não era tão evidente no mundo antigo” (54). Mas a luz da fé permite ainda outra visão sobre a natureza, que é dádiva a cuidar; sobre o perdão, que é possível, para além do conflito; e mesmo sobre a dura questão do sofrimento, que não é explicado mas enviado para a esperança: “A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho. Ao homem que sofre, Deus não dá um raciocínio que explique tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz” (57).

Nos vários momentos da encíclica, sobressai uma especial preocupação com a relação entre fé e verdade (entendida como referência comum ou universal). Acentua-se a dificuldade contemporânea de assumir essa

 

 

 

universalidade da verdade, diluindo-a na subjetividade da autenticidade ou no relativismo das opções. O caminho apontado, pela aliança com a fé, é o de uma universalidade compreendida e tornada possível através da universalidade do amor. A verdade da fé é a verdade do amor: “sentimos muita dificuldade em conceber uma unidade na mesma verdade; parece-nos que uma união do género se oporia à liberdade do pensamento e à autonomia do sujeito. Pelo contrário, a experiência do amor diz-nos que é possível termos uma visão comum precisamente no amor: neste, aprendemos a ver a realidade com os olhos do outro e isto, longe de nos empobrecer, enriquece o nosso

 

olhar. O amor verdadeiro, à medida do amor divino, exige a verdade e, no olhar comum da verdade que é Jesus Cristo, torna-se firme e profundo”(47).
Parece-me poder encontrar neste repetido gesto que procura o caminho para uma verdade comum aos humanos, claramente o gesto central do pontificado de Bento XVI. Talvez o acento da dimensão sócio-política possa anunciar o gesto do Papa Francisco, no início de um pontificado que já despertou tanta esperança. Seja como for, não há sequer alternativa entre um e outro, pois ambos são incarnação do único gesto que constitui a permanente missão do cristão e da Igreja.

 

 

Encíclica a quatro mãos sobre a fé
e o mundo contemporâneo

O Papa Francisco publicou a 5 de julho a sua primeira encíclica, dedicada ao tema da fé, na qual afirma que a mensagem cristã é uma resposta à crise contemporânea da “verdade”. “Lembrar esta ligação da fé com a verdade é hoje mais necessário do que nunca, precisamente por causa da crise de verdade em que vivemos”, pode ler-se no documento, intitulado ‘Lumen fidei’ (Luz da fé), que retoma uma reflexão iniciada por Bento XVI.

Francisco assume as preocupações do seu predecessor relativamente a um relativismo no qual a “questão sobre a verdade de tudo” já “não interessa”. “Na cultura contemporânea, tende-se frequentemente a aceitar como verdade apenas a da tecnologia”, pode ler-se.

Segundo o Papa, esta verdade parece ser “a única certa, a única partilhável”, restando depois “as verdades do indivíduo”, que não podem ser propostas aos outros.

A encíclica fala numa “verdade

 

grande” que explica o conjunto da vida pessoal e social, apesar de ser vista “com suspeita”, lamentando-se o que se denomina por “grande obnubilação da memória” no mundo contemporâneo.

Francisco sublinha que “a fé não é intransigente, mas cresce na convivência que respeita o outro” e que pode “pode iluminar as perguntas” da sociedade atual, na qual muitas vezes é “impossível distinguir o bem do mal”.

O texto refuta a ideia de que a fé cristã seja uma alienação, apresentando-a, pelo contrário, como um “bem comum”, que oferece à sociedade “um futuro de esperança”. “A fé não afasta do mundo, nem é alheia ao esforço concreto dos nossos contemporâneos”, frisa.

Para Francisco, “sem verdade, a fé não salva” e seria uma “linda fábula” ou “um sentimento bom que consola e afaga”, mas “incapaz de sustentar um caminho constante na vida”.

 

 

 

 

 

“Apenas na medida em que o amor estiver fundado na verdade é que pode perdurar no tempo, superar o instante efémero e permanecer firme para sustentar um caminho comum”, adverte o Papa, para quem “sem o amor, a verdade torna-se fria, impessoal, gravosa para a vida concreta da pessoa”.

Apresentando a fé como “escuta e visão”, Francisco observa que esta se transmite também “como

 

palavra e como luz”.

“A luz da fé coloca-se ao serviço concreto da justiça, do direito e da paz. A fé nasce do encontro com o amor gerador de Deus que mostra o sentido e a bondade da nossa vida”, assinala.

O Papa acrescenta que esta luz “é capaz de valorizar a riqueza das relações humanas”, oferecendo um “Pai comum” à “fraternidade universal entre os homens”.

 

 

Deus e a humanidade em busca de luz

O Papa Francisco afirma que a relação da fé com o mundo contemporâneo é marcada pela desconfiança e reitera a importância de acreditar num sentido transcendente para a vida. “Quando o homem pensa que, afastando-se de Deus, se encontrará a si mesmo, a sua existência fracassa”, escreve, na ‘Lumen fidei’.

O Papa argentino assinala que muitos veem na fé um elemento das “sociedades antigas” que não serve para “os novos tempos, para o homem tornado adulto, orgulhoso da sua razão”. “Nesta perspetiva, a fé aparecia como uma luz ilusória, que impedia o homem de cultivar a ousadia do saber”, observa, ao citar o filósofo alemão Nietzsche (1844-1900), segundo o qual “o crer opor-se-ia ao indagar”.

Assim, indica o Papa, a fé acabou por ser associada à “escuridão” e entendida como um “salto no vazio”, capaz de “aquecer o coração e consolar pessoalmente, mas impossível de ser proposta aos outros como luz objetiva e comum para iluminar o caminho”.

Francisco defende que a fé cristã

 

não é “um refúgio para gente sem coragem” e evoca o poeta norte-americano T. S. Eliot (1888-1965) para evidenciar que “quando a fé esmorece, há o risco de esmorecerem também os fundamentos do viver”. “Se tiramos a fé em Deus das nossas cidades, enfraquecer-se-á a confiança entre nós, apenas o medo nos manterá unidos, e a estabilidade ficará ameaçada”, avisa.

O Papa afirma que a fé não faz esquecer “os sofrimentos do mundo”, mas oferece a resposta de Deus para “abrir” nestes “uma brecha de luz”. Francisco destaca o facto de a crença no “amor de Deus criador” levar a um “maior respeito para a natureza”, recusando modelos de progresso que se baseiem apenas “na utilidade e no lucro”.

A reflexão papal sustenta também que o olhar da ciência “tira benefícios da fé”, pois “convida o cientista a permanecer aberto à realidade, em toda a sua riqueza inesgotável”. O texto passa em revista a história da fé na Bíblia, que passa por Abraão, o povo de Israel e Moisés, entre outros: “A fé é a resposta a uma Palavra que

 

 

 

interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama pelo nome”.

Segundo Francisco, esta fé, enquanto “memória do futuro”, está intimamente

 ligada com a esperança.

 

A encíclica evoca a “tentação da incredulidade” e a “idolatria”, que recusam “um convite para se abrir à fonte da luz, respeitando o mistério próprio de um Rosto que pretende revelar-se de forma pessoal e no momento oportuno”.

 

 

Papa Francisco

O Papa Francisco disse este domingo no Vaticano esperar que a sua primeira encíclica possa ser “útil” também para quem não tem fé. “Penso que esta encíclica, pelo menos nalgumas partes, pode ser útil também para quem está em busca de Deus e do sentido da vida”.

O texto defende que a fé tem a ver também com a vida dos que, apesar de não acreditarem, o “desejam” fazer, procurando “agir como se Deus existisse”.

 

 

Fé é património da Igreja

O Papa Francisco assinala na sua primeira encíclica, que publicou hoje, a dimensão eclesial da fé, a qual diz ser mais do que “um facto privado” ou “uma opinião subjetiva”. “A fé não é só uma opção individual que se realiza na interioridade do crente, não é uma relação isolada entre o ‘eu’ do fiel e o ‘Tu’ divino, entre o sujeito autónomo e Deus, mas, por sua natureza, abre-se ao ‘nós’, verifica-se sempre dentro da comunhão da Igreja”, escreve. Para o Papa, é “impossível” acreditar sozinho, pelo que a fé tem uma forma “necessariamente eclesial”.

Francisco pede que os crentes não se envergonhem de Deus ou se recusem a confessar a sua fé na “vida pública”. “A fé ilumina a vida social: possui uma luz criadora para cada momento novo da história”, observa.

A reflexão sustenta que a “profissão de fé” é mais do que concordar com “um conjunto de verdades abstratas”. "O fiel é convidado a entrar no mistério que professa e a deixar-se transformar por aquilo que confessa”, pode ler-se.

 

Francisco destaca, por outro lado, que no centro da fé bíblica há “o amor de Deus, o seu cuidado concreto por cada pessoa”, que “atinge o clímax na encarnação, morte e ressurreição de Jesus Cristo”.

O Papa argentino passa em revista “quatro elementos que resumem o tesouro de memória que a Igreja transmite”: a confissão de fé, a celebração dos sacramentos, o caminho do decálogo, a oração. “O passado da fé, aquele ato de amor de Jesus que gerou no mundo uma vida nova, chega até nós na memória de outros, das testemunhas, guardado vivo naquele sujeito único de memória que é a Igreja”, realça o texto.

Para Francisco, esta fé em Jesus não separa os cristãos da realidade, mas leva-o “a comprometer se, a viver de modo ainda mais intenso o seu caminho sobre a terra”. “A nossa cultura perdeu a noção desta presença concreta de Deus, da sua ação no mundo; pensamos que Deus se encontra só no além”, avisa.

 

 

 


 

O Papa refere que no Batismo, o homem recebe “uma doutrina que deve professar e uma forma concreta de vida que requer o envolvimento de toda a sua pessoa”. A este respeito, apresenta-se uma reflexão sobre “o sentido e a importância do Batismo das crianças”. “A fé é vivida no âmbito da

  comunidade da Igreja, insere-se num ‘nós’ comum. Assim, a criança pode ser sustentada por outros, pelos seus pais e padrinhos, e pode ser acolhida na fé deles que é a fé da Igreja”, precisa o documento.

A encíclica, divida em 60 pontos, conclui-se com uma oração a Maria, “Mãe da Igreja e Mãe da fé”.


 

 

A relevância da fé
perante mundo em descrença

Octávio Carmo, Agência ECCLESIA

 

A primeira encíclica de Francisco é, como o próprio admite, um texto escrito a quatro mãos, com uma marca significativa deixada pelo agora Papa emérito Bento XVI. Associando reflexão teológica, a análise bíblica, o contributo da literatura e os questionamentos da filosofia, a ‘Lumen fidei’ surge como um roteiro para os católicos em defesa da relevância da fé num mundo em que a descrença e, sobretudo, a desconfiança face à verdade vão ganhando terreno.

O objeto deste documento magisterial é claro: a palavra fé surge na encíclica mais de 350 vezes, sendo definida na sua relação com Deus e a Igreja, bem como em contraposição a várias ideologias ou preconceitos relativamente ao que é professado pelos católicos.

Para o Papa, na senda do seu antecessor, a fé uma proposta válida que ultrapassa os riscos do relativismo e visões individualistas, sem se limitar a uma visão estática da espiritualidade, a uma espécie de alienação da realidade.

A fé, escreve Francisco, não se impõe, não deve alimentar fundamentalismos, mas deve ajudar a dar sentido à vida humana e abrir horizontes para a construção de uma sociedade com esperança no futuro, mais justa e fraterna.

Esta primeira encíclica dirige-se sobretudo para o interior da Igreja e para a necessidade

 

 

 

 

de assumir a memória e o património da fé, uma experiência transformadora e libertadora que ninguém está dispensado de transmitir, segundo o Papa.

O texto, aproximadamente do mesmo tamanho da primeira encíclica de Bento XVI - ‘Deus caritas est’ – vai marcar por certo as análises aos primeiros meses do atual pontificado, mas fica também como um testemunho ao magistério do Papa emérito, cujo pensamento é perfeitamente reconhecível ao longo da encíclica, desde logo na referência inicial a Nietzsche e aos “tempos modernos” que questionam a fé

 

 como algo do passado, limitando o alcance da existência humana.

A resposta a este desafio é plenamente assumida por Francisco, que lança a Igreja ao encontro desta “crise” da verdade com a luz da fé, capaz de iluminar toda a existência, como escreve.

“Longe de nos endurecer, a segurança da fé põe-nos a caminho e torna possível o testemunho e o diálogo com todos” – uma constatação do Papa argentino que é também um pedido, fundamental num cenário internacional marcado pelas crises, os extremismos e a falta de esperança.

 

 

JMJ: A bomba do amor

O diretor do Departamento Nacional de Pastoral Juvenil espera que a próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Brasil seja um tempo para os jovens católicos desenvolverem dons e perspetivarem a sua missão.

Em entrevista concedida ao Programa ECCLESIA, na RTP2, o padre Eduardo Novo realça que “cada jovem transporta dentro de si uma grande bomba, o amor que se abre”, e as jornadas pretendem ajudar os mais novos a identificarem “o seu sentido de vida, o seu papel na construção da sociedade e da Igreja”.

Nesta perspetiva, o evento que vai decorrer entre 23 e 28 deste mês no Rio de Janeiro é também encarado pelo sacerdote como uma oportunidade para a Igreja reforçar que “confia nos jovens” e que “o mundo necessita que cada um se

assuma como protagonista da história”, nos mais diversos contextos.

 

No meio das “circunstâncias económico-financeiras que o país atravessa”, desafiar um jovem a pagar “mais de 1500 euros para participar na JMJ é uma realidade complicada e difícil”, reconhece o padre Eduardo Novo.

Foi precisamente por isso que o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil, em consonância com todos os secretariados diocesanos e movimentos juvenis, apostou na realização de um programa de atividades relacionado com as jornadas, em diversos pontos do território português. O “Rio in Douro”, no Porto, o “Mergulha in Rio”, em Viseu, “Do Cristo Rei ao Cristo Redentor”, em Setúbal, e o “Made in Rio”, na Madeira, nos próximos dias 27 e 28, são alguns

dos eventos direcionados para aqueles que não puderam seguir viagem para o Brasil.

Para o responsável pelo setor nacional da pastoral juvenil, o facto de algumas dioceses organizarem atividades e
 

 

 

 

muitas outras se associarem a elas mostra “a realidade de um povo, de um país, que o dinamismo da fé consegue reunir”.

Quanto ao programa dos peregrinos portugueses no Rio, além dos momentos de encontro com o Papa Francisco, em que a grande expectativa está centrada na mensagem que ele poderá trazer aos mais novos, o destaque vai para a realização de um grande

 

encontro com as comunidades portuguesas  residentes no Brasil, no dia 24. O principal objetivo deste projeto, que terá transmissão direta na WebTV oficial da JMJ 2013, é fazer com que a passagem dos jovens portugueses pelo Rio de Janeiro deixe uma “marca indelével” de união entre Portugal e os seus imigrantes, “para que esta ligação intima não se perca”, conclui o sacerdote.

 

 

Papa contra globalização da «indiferença»

O Papa visitou esta segunda-feira a ilha italiana de Lampedusa e apelou a uma maior atenção da comunidade internacional para o drama dos milhares de migrantes que tentam entrar na Europa acabando por perder a sua vida no mar. “Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa”, disse o Papa na homilia da missa a que presidiu no campo desportivo ‘Arena’, perante milhares de pessoas na ilha mediterrânica, situada a menos de 115 quilómetros da costa da Tunísia, porta da Europa para milhares de imigrantes africanos.

A intervenção deixou duras críticas ao que Francisco denominou como “globalização da indiferença” provocada por uma “cultura do bem estar” que leva as pessoas a viverem em “bolhas” na ilusão “do fútil, do provisório”.

“Senti que tinha de vir aqui hoje rezar, realizar um gesto de proximidade, mas

 

  também despertar as nossas consciências para que aquilo que aconteceu (mortes no mar) não se repita, que não se repita, por favor”, declarou.

Francisco usou vestes litúrgicas de cor roxa, numa celebração que teve um caráter penitencial e usou restos de barcos no ambão e no cálice, evocando os “imigrantes mortos no mar”, após viagens que “em vez de serem um caminho de esperança foram um caminho de morte”.

"Peçamos ao Senhor a graça de chorar sobre a nossa indiferença, sobre a crueldade que há no mundo, em nós, também naqueles que no anonimato tomam decisões socioeconómicas que abrem o caminho a dramas como estes", observou.

No final da missa, o Papa rezou junto de uma imagem da Virgem Maria por todos os que “enfrentam os perigos do mar” e suas famílias, pedindo

proteção para os migrantes e os que são “obrigados a fugir da sua terra, em busca de futuro e de esperança”.

 

 

 

 

O Papa passou pela paróquia de São Gerlando, partindo depois para o aeroporto, após aproximadamente 4 horas

 

 

de visita à ilha italiana, onde lançou ao mar uma coroa de flores em memória dos que ali perderam a vida.

 

Ano da Fé

O Papa Francisco disse este domingo no Vaticano que o sucesso da ação da Igreja se mede para lá de critérios humanos, alertando para os riscos do “ativismo” na vida dos padres e das pessoas consagradas. “A fecundidade pastoral, a fecundidade do anúncio do Evangelho não deriva do sucesso nem do insucesso, segundo critérios de avaliação humana, mas do conformar-se com a lógica da Cruz de Jesus, que é a lógica de sair de si mesmo e dar-se, a lógica do amor”, declarou, na homilia da missa a que presidiu na Basílica de São Pedro.

Perante os participantes na peregrinação mundial de seminaristas, noviços e “jovens em caminhada vocacional”, no contexto do Ano da Fé (outubro de 2013-novembro de 2013), Francisco pediu um “relacionamento constante com Deus” para que esta missão seja mais do que uma profissão. “Não é uma profissão, é uma coisa diferente”, insistiu.
Um dia antes, na audiência aos

 

 

 

 

participantes na jornada, o Papa deixou um forte apelo à pobreza: “Fico doente quando vejo um padre ou uma irmã com um carro do último modelo. Não pode ser! O carro é necessário. Mas arranjem um carro humilde… E se gostam dos carros bons, pensem: quantas crianças morrem de fome. Só nisso!”.

 

 

 

João Paulo II e João XXIII
a caminho da canonização

O Papa reconheceu oficialmente um segundo milagre de João Paulo II, depois de ter recebido o parecer favorável da Congregação para as Causas dos Santos, o que vai permitir a canonização do beato polaco. O decreto segundo o qual a cura inexplicável à luz da ciência atual pode ser atribuída à intercessão do falecido Papa foi assinado por Francisco, que vai agora convocar um consistório público para decidir a data da canonização, anunciou a sala de imprensa da Santa Sé.

O Vaticano não deu qualquer informação sobre a natureza deste segundo milagre. O Papa polaco foi proclamado beato por Bento XVI a 1 de maio de 2011, na Praça de São Pedro.

O Papa Francisco também aprovou a canonização de João XXIII, falecido há 50 anos, dispensando o reconhecimento de um novo milagre.

A decisão de avançar com o processo

 

 

 

do Papa que convocou o Concílio Vaticano II (1962-1965) foi tomada após análise da sessão ordinária da congregação responsável por estes casos.

Angelo Giuseppe Roncalli, João XXIII, beatificado por João Paulo II em setembro de 2000, nasceu em 1881 na localidade de Sotto il Monte, Bérgamo (Itália).

 

 

Papa no Brasil pela relevância da fé

O Vaticano apresentou a viagem do Papa Francisco ao Brasil, entre os 22 e 28 deste, mês como um apelo à “evangelização” das nações de tradição cristã, “vítimas da indiferença de uma sociedade neopaganizada”. “Num tempo em que se verifica um afastamento da prática religiosa e até mesmo uma recusa dos valores cristãos, em muitas regiões cuja história e cultura foram marcadas pela fé cristã, a Igreja, que nos convida a uma nova evangelização, convoca os jovens a serem protagonistas de um novo e redobrado anúncio do evangelho”, destaca a introdução do missal da viagem, publicado pelo Departamento das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.

 

O Papa vai participar na 28ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ), iniciativa que tem como lema ‘Ide e fazei discípulos de todos os povos’, expressão baseada no evangelho segundo São Mateus. Segundo o organismo da Santa Sé, o tema “recorda a urgência missionária do momento histórico”, marcado pelo “secularismo que tenta apagar a presença da fé cristã na sociedade pós-moderna”.

O documento estima que o Rio de Janeiro acolha jovens de 190 países, durante a JMJ, com a previsão de cerca de dois milhões de peregrinos, 11 mil sacerdotes, 1500 bispos e 60 cardeais na primeira viagem de Francisco fora da Itália, desde o início do pontificado.

O programa do Papa inclui um encontro com “o mundo do sofrimento”, na visita ao Hospital de São Francisco, às 18h30 (mais quatro horas em Lisboa) de dia 24, onde vai inaugurar um centro médico-

 

 

 

 

hospitalar destinado ao tratamento e recuperação de jovens toxicodependentes.

No dia seguinte há uma iniciativa ligada ao mundo desportivo, a partir das 09h45 locais, com a entrega das chaves da cidade a Francisco e a bênção das bandeiras olímpicas no Palácio da Cidade no Rio de Janeiro.

Poucos depois, às 11h00, o Papa “encontra-se com a realidade da pobreza extrema” na visita aos jovens e moradores da comunidade da Varginha, favela que foi alvo de um programa de recuperação pelas autoridades brasileiras.

 

 

O missal destaca outros momentos, como a reunião com alguns jovens detidos, no palácio arquiepiscopal do Rio de Janeiro, na sexta-feira (11h30), e o encontro com a sociedade civil (sábado, 11h30), que “salienta a importância de evangelizar o mundo da cultura”.

No Ano da Fé (outubro de 2012-novembro de 2013), o missal da viagem de Francisco ao Brasil deixa votos de que “a Jornada Mundial da Juventude possa ser para todos um momento forte do anúncio do evangelho e que cada peregrino possa ser protagonista da nova evangelização”.

 

 

A Batalha de Tabatô

Há 4500 anos, enquanto tu fazias a tua guerra, criámos a agricultura. Há 2000 anos, enquanto tu fazias a tua guerra, criámos a boa governação dos reinos. Há 1000 anos,enquanto tu fazias a tua guerra, criámos as bases do reggae e do jazz. Hoje, superando a tua guerra, construiremos contigo a tua paz.

Assim começa ‘A Batalha de Tabatô’, galardoado em Cannes com uma Menção Honrosa na categoria de primeira obra, reafirmando João Viana (realizador de ‘A Piscina’, 2004) como um dos mais interessantes realizadores do cinema de expressão portuguesa do nosso tempo.

Nascido em Angola em 1966 e filho de pais portugueses, João Viana escolheu a Guiné para, simultaneamente, sua primeira longa e a sua quarta curta metragem, ambas selecionadas, por diferentes comités, para competição em Cannes. A extraordinária riqueza cultural da Guiné e a diversidade de grupos étnicos – mais de trinta – com os seus hábitos e costumes até hoje tão preservados, são, nas palavras

  do próprio, um fator de atração determinante para um contador de histórias como  se considera. Formado em direito, desbrava os caminhos do cinema como autodidata, defendendo que o mais importante a fazer num filme não se aprende nas escolas de cinema.

‘A Batalha de Tabatô’, uma obra entre o documental e a ficção, fortemente enraízada na essência identitária de uma aldeia de músicos que cumpre a arte musical como vivência e garante da harmonia entre as pessoas – cada qual com seu lugar, todas juntas numa sintonia possível – é uma incrível metáfora da atual situação da Guiné: inclui o peso e o horror da guerra, explicitado no trauma, também ele enraízado, de uma personagem que não se consegue libertar dessa memória e aponta o amor e a arte como claros caminhos de resgate, se não de cada personagem, da alma de um povo.

A história é a de Fatu, do seu noivo Idrissa e do seu pai, Baio. Fatu é professora universitária e o noivo, Idrissa, um músico de Tabatô –

 

 

 

uma aldeia de músicos, aristocratas que entendem a música como fiel da justiça e da concórdia entre os povos. Regressado de Portugal, Baio chega à Guiné para o casamento da filha. Consigo traz apenas uma mala. O seu regresso, após décadas de ausência, fá-lo reencontrar-se com as memórias horríficas da guerra que ali viveu. Apesar das tentativas de Fatu, e enquanto Idrissa e os músicos de Tabatô se preparam para a celebração de um sacramento que fecundará um futuro selado pelo amor, a esperança, a concórdia e a paz, Baio trava uma trágica batalha com os seus demónios, arriscando sacrificar o futuro dos jovens...

A história destas três personagens é evidentemente a da própria Guiné (poderia ser a do mundo): uma batalha onde o seu presente e futuro se jogam, entre o peso de dois passados identitários que exprimem as possibilidade de Bem e de Mal (a arte e a guerra), da edificação ou da destruição... filmado a preto e branco, os contrastes são evidentes e apenas pontuados por um gritante vermelho que evidencia o grau de tragédia do que se joga nesta história, como na história do país.

 

 

Pelo pulsar de uma cinematografia bem viva e atenta ao mundo que somos, ‘A Batalha de Tabatô’ vem, mais uma vez, provar a qualidade do cinema português para o qual urge divulgação, reflexão, mobilização e investimento, não apenas nos apoios monetários concedidos à produção e distribuição nacional e internacional, mas sobretudo no acesso de novos públicos que o possam apreciar e genuinamente CRESCER consigo!

E se tarda a sua inclusão nos curricula escolares, a que a existência de um Plano Nacional de Cinema abriria alguma esperança, cabe a cada um de nós, comunicadores, educadores, animadores ou gestores de comunidades familiares, pastorais ou qualquer outra facilitar esse acesso.

Margarida Ataíde

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Turismo Religioso online

http://www.turismoreligioso.org/

Numa altura em que os dias são mais longos e o sol está mais presente, vamos continuar com sugestões para melhor passar as suas férias ou tempos livres. Esta semana a nossa proposta recai sobre um sítio inteiramente dedicado ao turismo religioso. Este espaço promove “um mundo onde o turismo cultural e religioso seja um instrumento privilegiado para o entendimento e a paz entre os povos através do conhecimento recíproco das suas gentes e culturas”. Onde os valores defendidos passam pelo “respeito profundo pelo ser humano, independentemente da sua condição ou cultura”.

Ao digitarmos o endereço www.turismoreligioso.org temos

 

os habituais destaques e uma lista com as festividades religiosas mais próximas. No item “Turel”, ficamos a saber que a responsabilidade deste sítio é da cooperativa sem fins lucrativos designada TCR - Desenvolvimento e Promoção do Turismo Cultural e Religioso e ainda qual o seu organograma e correspondentes estatutos.

Na opção “a visitar”, encontramos um motor de busca de locais de âmbito religioso na zona norte de Portugal. Podemos pesquisar por região, concelho, estilo arquitetónico, época e automaticamente nos é listado um conjunto de espaços e edifícios religiosos.

Caso pretenda saber quem são as entidades que cooperam com a TCR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(associações, câmaras municipais, confrarias, irmandades, dioceses e fundações) basta entrar em “cooperadores”.

Em “eventos”, encontra um elevado número de acontecimentos (festas, exposições, romarias, teatros, etc.) distribuídos pelos mais variados

locais, todos eles associados aos valores defendidos por esta cooperativa.

No espaço “notícias”, tem ao seu

dispor um conjunto de artigos que foram publicados na imprensa nacional e que têm como tema a questão do turismo religioso.

Na “loja on-line”, pode adquirir diretamente os guiões turísticos dos mais diversos santuários (Nossa Senhora da Franqueira, Nossa Senhora do Porto de Ave, Nossa Senhora do

 

Sameiro, São Bento da Porta Aberta, São Torcato, Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora da Abadia e Bom Jesus do Monte). Esta “coleção é o reflexo de um trabalho minucioso de pesquisa sobre os diversos santuários que estão agregados a esta cooperativa”. Onde “cada guião fornece informação sobre o Santuário e as suas infraestruturas, dá-lhe a conhecer a vida e descreve-lhe a imagem do orago aí venerado, dá indicações de onde comer e onde dormir e sugere locais de visita”.

Podemos então concluir que a consulta deste sítio é indispensável para preparar a sua visita, aos mais diversos locais religiosos espalhados por este nosso país à beira-mar plantado.

Fernando Cassola Marques

 

 

 

 

Teologia do Corpo

A tradução portuguesa da obra “Teologia do Corpo”, que reúne a reflexão do Papa João Paulo II (1920-2005) sobre temas como a vida humana, as relações entre as pessoas e o matrimónio, chega esta sexta-feira às livrarias.

Em comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, a editora Alêtheia, responsável pela publicação, adianta que a apresentação do livro está marcada para esta tarde, às 18h30, na sacristia do Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

Com prefácio do patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, e coordenado pelo padre Miguel Pereira, o projeto comporta 129 catequeses que o Beato João Paulo II realizou nas audiências públicas de quarta-feira entre 5 de setembro de 1979 e 28 de novembro de 1984.

Durante esse período ocorreram dois acontecimentos importantes que marcaram as reflexões do Papa polaco: o Sínodo dos Bispos

 

 

de 1980, dedicado à missão da família cristã; e o lançamento da exortação apostólica Familiaris Consortio, um ano depois.

A apresentação do livro “Teologia do Corpo” vai ser promovida por D. Nuno Brás, bispo auxiliar de Lisboa, e pelo monsenhor Duarte da Cunha, secretário-geral da Conselho das Conferências Episcopais da Europa.

 

 

 

 

 

 

Teologia do Corpo

A «Teologia do Corpo» é hoje em dia um corpo doutrinal muito concreto e consistente que tem na sua origem as catequeses de quarta­?feira que o Papa João Paulo II proferiu desde 1979 até 1984. Há depois uma série de outros textos do magistério do Papa João Paulo II, como a Familiaris Consortio (1982), a Mulieris Dignitatem (1988), a Carta às Famílias (1994), mas também é necessário incluir a Encíclica de Bento XVI Deus Caritas est (2005) como um texto fundamental para se perceber o valor e a dignidade que a Igreja confere ao amor, ao corpo, à sexualidade.

(…)Porque o texto pode, por vezes ser complexo, propomos como introdução um artigo do bispo Jean Laffite, actual Secretário do Conselho Pontifício da Família e autor de diversos livros sobre a família cuja paixão nasceu no contacto com João Paulo II e com a sua constante atenção pastoral pela família.

A leitura da introdução não dispensa, mas esperemos que ajude, a leitura dos próprios textos de João Paulo II. Estes podem ser lidos em grupos de estudo, podem ser a base para um aprofundamento teológico de quem quer estudar a fundo a doutrina da Igreja sobre a pessoa humana, sobre o amor e sobre a família e podem, também, ser estudados pessoalmente por todos os que querem descobrir melhor a própria vocação e perceber que só o amor, que envolve a pessoa inteira, corpo e alma, é capaz de realizar a felicidade que Deus nos promete.

A equipa responsável por esta edição,

Pe. Miguel Pereira

Pe. Jorge Sobreiro

Maria José Vilaça

Mons. Duarte da Cunha

 

   

 

 

 

Diplomados católicos portugueses
em ritmo conciliar

 

Nos finais de maio de 1963, os diplomados católicos portugueses reuniram-se para reflectir sobre as perspectivas que um cristão pode/deve ter sobre o desenvolvimento económico.

Como o desenvolvimento económico e a evolução social constituem dois aspectos de um mesmo processo evolutivo, Adérito Sedas Nunes, um dos oradores do encontro, destacou algumas das principais transformações que a sociedade portuguesa sofria na altura. Segundo o conferencista, entre 1950 e 1960, enquanto nos quatro distritos de Lisboa, Porto, Aveiro e Setúbal a população aumentou cerca de 12%, contra apenas 4,7% no conjunto do continente. A população de metade dos distritos do continente (Beja, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Portalegre, Viana do Castelo e Viseu) diminuiu. Na década de 60 verificava-se uma concentração crescente da população nas zonas urbanas e circum-urbanas.

Entre 1953 e 1961 o produto nacional bruto aumentou cerca de 77% nas indústrias, 56% nos serviços e apenas 7,2% no sector primário. Verifica-se, assim, ao lado de uma estagnação do sector primário, mormente na agricultura, um desenvolvimento económico relativamente rápido das actividades secundárias e terciárias (indústrias e serviços).

Estes dois ritmos diferentes de desenvolvimento aliados à concentração crescente da população

 

 

 

 

formam duas sociedades economicamente e sociologicamente distintas: “uma sociedade moderna, em expansão económica e demográfica, e uma sociedade tradicional, estagnada e em retrocesso económico e demográfico, que rodeia a primeira e cujos recursos materiais e humanos são por esta amplamente aspirados” (cf. Boletim de Informação Pastoral; nº 26; Setembro-Outubro de 1963, pág 19).

Na conferência, Adérito Sedas Nunes falou da irradiação crescente da sociedade moderna sobre a sociedade tradicional. Esta irradiação opera-se através das vias e meios de transporte melhorados, das trocas comerciais intensificadas, da invasão dos produtos industriais, da publicidade, do turismo e do incremento das comunicações de massa. “Dela resulta o despertar, na sociedade tradicional, de uma consciência de «atraso» e de «oportunidades de melhoria», que ocasiona a formação de novas

 

«aspirações», nos meios rurais, o despontar de uma «consciência de direitos» e, finalmente, apoiada na rarefacção de mão de obra agrícola em certas regiões, o aparecimento de «reinvidicações»”. (cf. revista citada).

Estas transformações gerais provocam uma evolução psico-cultural. Assim, o comportamento das pessoas tende a ser cada vez menos motivado pela «tradição» para se tornar mais receptivo para o que é «moderno e novo». As pessoas cada vez menos se conformam com a situação em que nascem procurando melhores condições de vida. A posição social adquire no contexto psico-cultural uma importância cada vez maior. Por isso, o consumo vai deixando de ser meio de satisfazer as necessidades individuais de cada pessoa para se transformar cada vez mais em símbolo da posição social.

Esta era a sociedade portuguesa, aos olhos de Adérito Sedas Nunes, na época do II Concílio do Vaticano.

 

 

julho 2013

Dia 12

* Lisboa - Basílica da Estrela (16h00m) - Missa para os finalistas da Escola Superior de Educação Maria Ulrich presidida por D. Nuno Brás.
* Braga - Encontro de D. Jorge Ortiga com o conselho editorial do «Diário do Minho».
* Braga - Centro Pastoral - Encontro de D. Jorge Ortiga com os párocos que sejam responsáveis de Centros Sociais Paroquiais.
* Braga - Terras de Bouro - Conferência sobre «O Estado actual da investigação sobre Martins Capela» por António Matos Ferreira.
* Guarda - Reunião do Secretariado diocesano da coordenação pastoral.
 

 

* Porto - Igreja de São Francisco - Concerto integrado no III Festival Internacional de Polifonia Portuguesa.
* Aveiro -Sé - Bênção e inauguração do novo órgão de tubos da Sé de Aveiro
* Braga - claustro lateral do auditório Vita - Sessão do ciclo de cinema ao ar livre com o tema “Olhar o mundo com os olhos da fé”.
* Fátima - Peregrinação aniversária presidida por D. Luis Quinteiro Fiuza, bispo de Tuy-Vigo, Espanha, com o tema «Deus permanece Fiel».  (12 e 13)
* Açores - Ilha de são Jorge (Velas) - XIII Jamboree açoriano iniciativa do Corpo Nacional de Escutas. (12 a 21)

 

Dia 13

* Portalegre - Museu Municipal de Portalegre - Apresentação do livro «Santo António na Região de Portalegre» da autoria de Ruy Ventura
* Guarda - Centro Apostólico - Encontro dos diáconos permanentes com D. Manuel Felício.

 

 

 

 

* Lisboa - Odivelas (Mosteiro de S. Diniz) - Missa para os finalistas do Instituto Superior de Ciências Educativas presidida por D. Nuno Brás.
* Beja - Sines (igreja do Santíssimo Salvador) - Concerto de encerramento do 9º Festival Terras Sem Sombra
* Guarda - Sé - Bênção dos finalistas da Escola Superior de Saúde da Guarda.
* Braga - Barcelos - Igreja de Nossa Senhora do Terço - Concerto integrado no III Festival Internacional de Polifonia Portuguesa.
* Braga - Igreja do Bom Jesus - Concerto integrado no III Festival Internacional de Polifonia Portuguesa.
* Porto - Gondomar (Igreja Paroquial de Gondomar - São Cosme) (21h30m) - Conferência sobre «A fé da Igreja - que nos gloriamos de professar, à luz da Lumen Gentium» por D. João Miranda e integrada no ciclo de conferências sobre o Ano da Fé.  
* Braga - Amares e Sameiro - Jornadas nacionais da Ação Católica Rural (ACR). (13 e 14)

 

 
Dia 14

* Santarém - Largo da Sé - Ordenações
* Braga - Famalicão (Igreja de Santa Maria de Landim) - Concerto integrado no III Festival Internacional de Polifonia Portuguesa.
* Setúbal - Sé - Ordenação presbiteral do diácono Rui Simão
* Porto - Sé - Ordenações sacerdotais e diaconais.
* Lamego - Auditório do Centro Paroquial de Almacave (16h00m) - Apresentação do livro «História da Igreja de Lamego» do padre Joaquim Correia Duarte.
* Bragança - Sé - Ordenação sacerdotal e diaconal.
* Vila Real - Chaves (Igreja da Sagrada Família) - Bênção da imagem do beato Pedro Fontoura  (um dos 40 Mártires do Brasil) pelo bispo de Vila Real, D. Amândio Tomás.
* Itália - Roma (Castel Gandolfo) - Oração do Angelus pelo Papa Francisco.

 

Dia 15
* Coimbra - Conselho Provincial dos Dehonianos. 
* Bragança - Encontro de D. José Cordeiro com os padres novos da diocese.

 

Ano C – 15º Domingo do Tempo Comum

 

 

 

 

 

 

 

 

Vai ao encontro do próximo, ama, tem compaixão!
 

O Evangelho deste 15.º domingo do tempo comum diz-nos que é o amor, a Deus e ao próximo, que dá sentido pleno à vida, que em Deus é eterna. “Vai e faz o mesmo”, diz Jesus a cada um dos que querem seguir esse caminho. Faz o mesmo que o samaritano, um herege, um infiel, segundo os padrões judaicos, mas que é capaz de deixar tudo para estender a mão a um irmão caído na berma da estrada.

A parábola do Bom Samaritano é tão conhecida que podemos perder o sabor e o sentido que dela podemos tirar para a nossa vida. Sabemos bem que Jesus muda a ordem das coisas: não se trata de saber quem é o meu próximo, mas de me fazer, eu próprio, o próximo de qualquer pessoa. Toda a pessoa torna-se próxima para mim, na medida em que eu a considero como um irmão.

Nesta parábola, Jesus não escolhe os protagonistas da história por acaso. O doutor da Lei que se dirige a Jesus é certamente conhecedor e fiel observante da Lei. Jesus apresenta, em primeiro lugar, o exemplo de um sacerdote e um levita, dois especialistas do culto celebrado no Templo de Jerusalém. A Lei dá prescrições muito estritas aos membros do clero da época. Deviam respeitar escrupulosamente as leis da pureza e, em particular, evitar a qualquer preço qualquer contacto com os mortos, à exceção dos mais próximos da sua família. O sacerdote e o levita, além de não se aproximarem do

 

 

 

infeliz ferido meio morto, afastaram-se dele, porque obedeciam à Lei.

Depois, Jesus coloca em cena um samaritano. São João precisa: “os judeus não tinham relações com os samaritanos”. Este estrangeiro, este pária aos olhos dos judeus fiéis, não está encerrado no sistema da Lei. Pode encontrar a liberdade do amor sem fronteiras.

Eis a grande lição de Jesus. A Lei é boa, sem dúvida, mas com a condição de estar ao serviço do crescimento do amor. “O sábado foi feito para o homem, não o homem para o sábado”.

 

A Igreja promulgou numerosas leis, convidando-nos a respeitá-las. Por exemplo, é bom não faltar à missa ao domingo. Mas se, no resto da minha vida, esqueço as exigências

evangélicas do amor, arrisco passar ao lado do meu irmão ferido. Afinal, estou do lado do sacerdote e do levita, ou do lado do samaritano? É a mim que Jesus diz: “Então vai e faz o mesmo”. Vai ao encontro do próximo, ama, tem compaixão!

Oxalá que as nossas comunidades não sejam clubes fechados, reservados a sócios, onde é proibida a entrada a estranhos, mas sejam comunidades acolhedoras de todos sem exceção, onde todos se sentem amados e têm lugar, em particular aqueles que a vida atira para a berma da estrada.

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

 

 

 

Programação religiosa nos media

Antena 1, 8h00

RTP1, 10h00

Transmissão da missa dominical

 

11h00 - Transmissão missa

 

12h15 - Oitavo Dia

 

Domingo: 10h00 - O Dia do Senhor; 11h00 - Eucaristia; 23h30 - Ventos e Marés; segunda a sexta-feira: 6h57 - Sementes de reflexão; 7h55 - Oração da Manhã;  12h00 - Angelus; 18h30 - Terço; 23h57-Meditando; sábado: 23h30 - Terra Prometida.

 
RTP2, 11h30

Domingo, dia 14 - O Papa que os jovens vão encontrar no Rio de Janeiro na JMJ.

 

RTP2, 18h00

Segunda-feira, dia 15 - Entrevista. Jornada Mundial da Juventude: a expectativa de participantes de Portugal.

Terça-feira, dia 16 - Informação e rubrica sobre o Concílio Vaticano II com padre Tony Neves;

Quarta-feira, dia 17 - Informação e rubrica sobre a Jornada Mundial da Juventude;
Quinta-feira, dia 18 - Rubrica "O Passado do Presente", com D. Manuel Clemente
Sexta-feira, dia 19 - Apresentação da liturgia dominical pelo padre Rosbon Cruz e Juan Ambrosio.
 

Antena 1

Domingo, dia 14 de julho,  06h00 - Testemunnhos e dados de 2013 do Voluntariado Missionário. Patricia Fonseca, Bruno Leite e Rita Lopes falam do voluntariado com marca cristã. 

 

Segunda a sexta-feira, dias 15 a 19 de julho, 22h45 - Olhares e expetativas de voluntários e da organização portuguesa para a participação na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, Brasil. 

 

 

   

 


A Diocese de Aveiro vai inaugurar esta sexta-feira o novo órgão de tubos da Sé, com uma cerimónia de bênção e um primeiro concerto que serão transmitidos em direto através da internet, a partir das 21h30.

 

Entre sexta-feira e sábado, milhares de peregrinos evocam em Fátima as aparições do 13 de julho, em celebrações presididas por D. Luis Quinteiro Fiuza, bispo de Tuy-Vigo, Espanha, com o tema ‘Deus permanece Fiel’.

 

Várias dioceses estão em festa, no próximo domingo, com a celebração de ordenações sacerdotais. Um momento especial para Bragança-Miranda, Porto, Santarém e Setúbal.

 

Braga acolhe entre sábado e domingo as jornadas nacionais da Ação Católica Rural (ACR), com a presença de representantes dos grupos de base do movimento implementados em dezasseis dioceses do continente, Madeira e Açores.

 

No domingo, o Papa Francisco desloca-se até Castel Gandolfo, para a recitação do Angelus, num dos raros compromissos públicos a que vai presidir nos próximos dias, de preparação para a viagem ao Brasil (22 a 29 de julho).

 

 

Aplicações Pastorais

JMJ

 

iJuventude

 

O iJuventude é uma aplicação para smartphone produzido pela Arquidiocese de Campinas com o objetivo de levar à juventude católica do Brasil e dos países de língua portuguesa todas as informações sobre a Jornada Mundial da Juventude, além de contribuir para a vida espiritual dos jovens.

Através desta aplicação é possível conhecer a história das JMJ's, a trajetória da Cruz Peregrina e do Ícone de Nossa Senhora e os hinos oficiais (incluindo o MP3 para ouvir!).

Esta aplicação dá-nos acesso a informação sobre os Encontros Celebrativos; as mensagens de Bento XVI; Espiritualidade para o jovem. Não esquecer de consultar a Cristoteca, uma biblioteca com mais de 70 músicas dos principais cantores e bandas católicos.

É uma aplicação gratuita, que não tem versão para iPad.

 

Links

iPhone | Android

   

 

 

 

Luanda: A história esquecida dos meninos de rua

Crianças sem nome

São mais de 5 mil, as crianças que vivem nas ruas em Luanda, a capital angolana. Elas são o elo mais fraco de uma terrível realidade de pobreza.

Com 5 milhões de habitantes, Luanda é considerada hoje uma das mais caras cidades do mundo, só comparável a Tóquio e Nova Iorque. A prolongada guerra civil, de quase três décadas, deixou marcas além dos edifícios ainda esventrados. A guerra civil matou também a esperança de uma vida normal a milhões de angolanos. Isso vê-se na terrível estatística de mais de 40 % da população a viver abaixo do limiar da pobreza.
Nas ruas de Luanda, há quem ainda esteja mais vulnerável do que os muito pobres. São as crianças da rua. Ninguém sabe ao certo quantos são, como ninguém sabe ao certo quantos milhares de barracas se comprimem em ruas estreitas, ao lado de esgotos a céu aberto, nas dezenas de bairros de lata da capital angolana. Estas crianças estão nas ruas como se fossem

 

invisíveis. Segundo o padre Júlio, salesiano, haverá cerca de “cinco mil crianças abandonadas à sua sorte”: talvez mais, talvez muitos mais.

 

Casa Mama Margarida

Estas crianças são órfãs ou fugiram de casa por causa da violência a que estavam sujeitas, vítimas do alcoolismo dos pais, ou simplesmente saíram para as ruas como se de um instinto de sobrevivência se tratasse. Os padres procuram acolher o maior número possível. Os que ficarem de fora arriscam-se a não sobreviver. “As crianças de rua estão muito vulneráveis”, explica Alberta André, uma mulher coragem que aceitou o desafio de colaborar com a comunidade salesiana neste esforço de resgatar os meninos a um destino fatal. “Tenho cinco filhos biológicos e 15 no projecto, da casa, sobre a minha tutela”. A casa de acolhimento chama-se Casa Mama Margarida. As crianças que chegam trazem consigo

 

 

 

 

tudo o que têm: roupa esfarrapada, olhos carregados de medo, histórias de drogas, de exploração sexual, de violência, de doença.

 

Exploração

A evolução da SIDA é mais uma realidade negra à triste verdade dos meninos de rua de Luanda. Muitos são explorados em redes de prostituição. Durante o dia, é fácil encontrar crianças obrigadas a trabalhar como carregadores, lavadores de automóveis, engraxadores, mendigos. A maioria destas crianças já conhece o mundo das drogas e do álcool. Muitos “cheiram” gasolina, que é a droga das

  periferias, mais barata, mas que tem um efeito devastador na saúde. Segundo a UNICEF, cerca de 30 % destas crianças, entre os 5 e os 14 anos, são obrigadas a trabalhar.
Projectos como a Casa Mama Margarida, ou a Casa Magone, apoiadas pela Fundação AIS, são oásis numa tragédia terrível que o mundo parece não querer ver. Nestas casas, as crianças descobrem nos sorrisos dos que os acolhem que o amor não tem preço e que há um mundo inteiro por descobrir para lá do inferno das ruas.

 

Saiba mais em: www.fundacao-ais.pt

 

 

 

 

Lusofonias

S. Tomé e Príncipe

Tony Neves

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

S. Tomé e Príncipe é um paraíso equatorial. Sim, a linha do equador passa no Ilheu das Rolas, ao largo da Ilha de S. Tomé. O calor e a humidade fazem desta terra um lugar de muita exuberância da natureza que tudo dá às populações. É impressionante ver como ilhas tão pequenas têm, por exemplo, uma diversidade enorme de qualidades de bananas, a ponto do povo dizer que há uma para cada dia do ano.

Durante muitos anos, S. Tomé viveu à custa do cacau. Quando outros países do continente africano apostaram nesta cultura, S. Tomé perdeu mercado porque é pequeno demais e, sendo ilha, tem mais dificuldade de escoar a produção.

A partir daí, a população de S. Tomé e Príncipe passou a viver pior. Fome não há, porque a terra e o mar garantem a alimentação mínima. Mas há casos de desnutrição por desequilíbrio alimentar e a pobreza é generalizada com consequências graves na qualidade de vida das pessoas, sobretudo no que diz respeito á educação, à saúde e ao desenvolvimento tecnológico. O turismo, com enorme potencial, não tem sido suficientemente  incentivado pela criação de condições para quem quer passar férias e visitar um país lindo.

Durante muitos anos, a malária fez milhares de vítimas. Nos últimos tempos, com um trabalho bem sucedido de desinfestação do mosquito, a malária desceu para índices reduzidos, mas continuam fortes alguns

 

 

Luso Fonias

 

problemas de saúde pública, mormente no que diz respeito à Sida.

A minha ligação a S. Tomé deve-se ao facto de D. Abílio Ribas, missionário Espiritano, ter sido nomeado Bispo nos tempos que se sucederam à independência do país. A fundação do Centro Social de Apoio à Infância, em Ribeira Afonso, a parte mais pobre e abandonada da Ilha de S. Tomé, levou-me lá algumas vezes. A paisagem é de sonho e as pessoas são muito hospitaleiras, como acontece em todo a África. Senti, contudo, que os jovens não viam futuro à sua frente, muitas crianças estavam abandonadas à sua sorte, as famílias estavam bastante desestruturadas e os idosos abandonados. O Centro de Ribeira Afonso quis ajudar em todos estes aspetos e julgo que continua a atingir alguns destes objetivos.

Tive a oportunidade de acompanhar uma quinzena de Jovens Sem Fronteiras num projeto de missão ao

 

serviço do desenvolvimento. Ficamos todos fascinados com a vontade de aprender mais e melhor que caracteriza as crianças e jovens são-tomenses. Regressamos todos convencidos de que o futuro de S. Tomé estaria assegurado pelas novas gerações.

A estabilidade política também tem tido altos e baixos. Nunca houve guerra, mas foram acontecendo alguns golpes de estado, mais ou menos radicais. Quando a democracia deixa muito a desejar, o futuro também fica comprometido.

A Igreja está a desenvolver um trabalho notável de evangelização integral das pessoas. Não é por acaso que, a par da pastoral direta, há um investimento forte em saúde, educação, desenvolvimento, informática, pastoral social.

Só posso desejar a S. Tomé e Príncipe, por ocasião do aniversário da independência, mais democracia, mais desenvolvimento, mais futuro.

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O homem renunciou à busca de uma luz grande, de uma verdade grande, para se contentar com pequenas luzes que iluminam por breves instantes, mas são incapazes de desvendar a estrada. Quando falta a luz, tudo se torna confuso: é impossível distinguir o bem do mal, diferenciar a estrada que conduz à meta daquela que nos faz girar repetidamente em círculo, sem direcção.

(Encíclica Lumen Fidei)

 

 

 

 

sair