04 - Editorial

      Paulo Rocha

06 - Foto da semana

07 - Citações

08 - Nacional

14 - Internacional

20 - Opinião
       D. Manuel Linda
       Miguel Oliveira Panão
24 - Semana de...
       Henrique Matos
       Centenário das Aparições
 

      

 


 

 

28 - Entrevista

       D. António Marto

66 - Multimédia

68 - App Pastoral

70 - Estante

72 - Agenda

74 - Vaticano II

76 - Por estes dias

78 - Programação Religiosa

79 - Minuto Positivo

80 - Liturgia

82 - Fundação AIS

84 - LusoFonias

Foto de capa: DR

Foto da contracapa:  DR

 

 

AGÊNCIA ECCLESIA 
Diretor: Paulo Rocha  | Chefe de Redação: Octávio Carmo
Redação: Henrique Matos, José Carlos Patrício, Lígia Silveira,
Luís Filipe Santos,  Sónia Neves
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Opinião

 

 

 

Novo bispo de Santarém

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300 anos de Aparecida

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Centenário das Aparições

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D. Manuel Linda |Paulo Rocha | Miguel Oliveira Panão | Henrique Matos | Manuel Barbosa | Tony Neves | Paulo Aido

 

Um século de peregrinos

  Paulo Rocha    

  Agência ECCLESIA   

 
 

 

Fátima não se diz pela multidão, mas pela história de cada pessoa, de cada peregrino. E muitas circunstâncias o comprovam, como as reações marcantes quando se fixa um rosto, mais do que nas ocasiões de olhar global sobre muita gente, a fotografia de um instante, de um pormenor, e não tanto a que regista um aglomerado de situações, e as velas, cada vela.

O mar de luz que flutua no recinto da Cova da Iria é sem dúvida único. Ainda mais a oscilação da chama de cada vela, aparentemente moldada pelas emoções de quem a sustenta, pelas memórias de que é reflexo e pelos desejos de que quer ser baluarte.

Particularizar o que acontece em Fátima significa dar o protagonismo de todos os capítulos de uma história com um século a cada pessoa que peregrina até ao Santuário, até à Capelinha das Aparições: 

 

O peregrino no centro

 

 

 

 

lugar simbólico e ambiente irrepetível para a proximidade entre o divino e o humano; terra de chegada para mulheres e homens que partem de muitas latitudes e procuram um regaço; um espaço e um tempo que reserva energia e luz para todos, para as mulheres e os homens que rezam, permanecem em silêncios e no altar do mundo colocam pedidos, angústias, graças… Sempre com a determinação de mudança, do bem e do belo na vida pessoal e daqueles com acontece o quotidiano.

A celebração do centenário das Aparições em Fátima foi uma ocasião para pensar demoradamente sobre o acontecimento, congregar projetos de estudo, criar novas expressões culturais, novos formatos e linguagens

 

 

surpreendentes para falar de um acontecimento com 100 anos.

Ao longo de cada tempo, o contexto da receção da mensagem determinou acentuações temáticas, formas de abordagem e rituais com diferentes acentuações litúrgicas que rapidamente contagiaram grupos, comunidades.

Em todos os tempos e lugares, no entanto, a pessoa está no centro. E em Fátima a pessoa é peregrino, desde a primeira hora e durante um século de histórias.

Acontecimento popular desde 1917, Fátima continua a contar-se pela narrativa de cada peregrino, seja qual for o seu perfil ou condição. Todos são igualmente importantes e a todos a mensagem tem de chegar. O resto são sempre adereços.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

Portugal continua na senda das vitórias

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- «Camilo Pessanha terá escrito pouco (ou chegou-nos pouco do que terá escrito), mas continua vivo, cada vez mais vivo» (In: Jornal de Letras de 11 de outubro de 2017; Fernando Pinto do Amaral).

 

 

 

- «Curiosamente, apesar da “ameaça” dos meios digitais, verifico que um dos setores editoriais que mantém maior dinamismo é o infanto-juvenil» (In. Jornal de Letras de 11 de outubro de 2017; Paulo Guinote).

 

 

 

- «Eu não esqueço. Aqui estarei para lembrar que Sócrates não ascendeu sozinho, não governou sozinho e, acima de tudo, não merece cair sozinho» (In: Jornal «Público» de 12 de outubro de 2017; João Miguel Tavares).

 

 

 

«O último grande duelo entre dois dos maiores jogadores da história do futebol ficou desde já marcado para a Rússia» (In: Jornal «Record» de 12 de outubro de 2017: Octávio Ribeiro).

 

D. José Traquina, novo bispo de Santarém

 

D. José Traquina, até agora auxiliar do Patriarcado de Lisboa, é o novo bispo de Santarém, sucedendo a D. Manuel Pelino, que renunciou por motivos de idade, anunciou este sábado a Santa Sé. A decisão do Papa Francisco foi comunicada à Agência ECCLESIA numa nota da Nunciatura Apostólica (embaixada da Santa Sé).

A entrada solene de D. José Traquina na Diocese de Santarém vai decorrer no dia 26 de novembro de 2017, pelas 16h00, na Igreja de Santa Clara.

 

 

Na mensagem dirigida à Diocese de Santarém no dia da sua nomeação para bispo diocesano, D. José Traquina agradeceu ao seu antecessor pelo “testemunho e a dedicação”, e saudou os sacerdotes e diáconos, de quem espera “a melhor vontade” para juntos trilharem “caminhos de fidelidade vocacional”.

D. José Augusto Traquina Maria, de 63 anos, nasceu a 21 de janeiro de 1954 em Évora de Alcobaça, (Patriarcado de Lisboa), e foi ordenado padre a 30 

 

 

 

de junho de 1985; a 17 de abril de 2014 foi nomeado bispo auxiliar de Lisboa, pelo Papa Francisco, e ordenado bispo a 1 de junho desse mesmo ano, numa celebração presidida pelo cardeal-patriarca, D. Manuel Clemente.

D. Manuel Pelino, que completou 76 anos de idade este sábado, definiu as linhas de atuação para o próximo ano pastoral e acredita que o seu sucessor vai pôr os “diocesanos a colaborar na missão”.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o responsável pela Diocese de Santarém nos últimos 19 anos falou da nomeação do seu sucessor como uma “grande prenda, uma dádiva”, referindo que não precisa de lhe deixar conselhos. “Sinto que D. José Traquina tem um sentido de proximidade, de alegria e simplicidade que o torna acolhido naturalmente, desde que sinta na diocese a sua família e ponha esta gente a participar ativamente e ter o gosto de ser Igreja, a colaborar na missão é o que desejo”.

Já o cardeal-patriarca de Lisboa 

 

 

afirmou que a vida e o ministério o novo bispo de Santarém se definem pela “generosidade, piedade e acerto pastoral” e felicitou a diocese “tão próxima” pela nomeação de D. José Traquina.

A Diocese de Santarém tem cerca de 3 mil quilómetros quadrados, e abrange 13 dos 21 concelhos do distrito, num total de 7 vigararias e 113 paróquias.

O primeiro bispo da Diocese de Santarém e antecessor de D. Manuel Pelino foi D. António Francisco Marques, falecido a 28 de agosto de 1997.

 

 

CEP preocupada com propostas legislativas sobre mudança de sexo

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) manifestou a sua “preocupação” perante a proposta do Bloco de Esquerda, que permitiria a menores de idade mudar de sexo, mesmo contra a opinião dos pais.

“O Conselho Permanente [da CEP] mostrou preocupação em relação à proposta legislativa sobre a mudança de sexo a partir dos 16 anos, sem autorização dos pais”, refere uma nota enviada à Agência ECCLESIA, após a reunião do organismo, que decorreu esta terça-feira em Fátima.

Os bispos católicos lamentam ainda o “modo como se está a tratar assunto tão importante sem debate sério na sociedade”.

A Assembleia da República debateu em setembro as propostas de lei do Governo e projetos do Bloco de Esquerda (BE) e do PAN, sobre esta matéria; os deputados aprovaram por unanimidade a descida dos trabalhos à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, sem votação, por 90 dias.

A proposta do BE pretende que os menores de 16 anos possam recorrer aos tribunais para contornar a opinião dos pais.

 

Em novembro de 2013, a CEP publicou a carta pastoral ‘A propósito da ideologia do género’, na qual sustentava que “no plano estritamente científico, obviamente, é ilusória a pretensão de prescindir dos dados biológicos na identificação das diferenças entre homens e mulheres”.

“Estas diferenças partem da estrutura genética das células do corpo humano, pelo que nem sequer a intervenção cirúrgica nos órgãos sexuais externos permitiria uma verdadeira mudança de sexo”, referia o documento.

Em outubro de 2016, Francisco disse aos jornalistas que é importante distinguir a “doutrinação” da teoria do género do acolhimento de cada pessoa. Para o Papa, o que está em causa é que as escolas apresentem às crianças “colonizações ideológicas” sobre os temas da identidade sexual.

 

 

 

Instituições do Porto criam prémio
D. António Francisco Santos

O presidente da Irmandade dos Clérigos anunciou a instituição do Prémio D. António Francisco Santos, no “valor de 75 mil Euros”, um mês após a morte do bispo do Porto. Este galardão internacional “vai ser entregue a cada dia 11 de setembro”, data do falecimento de D. António Francisco dos Santos, e pretende premiar, em Portugal ou no estrangeiro, “pessoas ou entidades que se tenham evidenciado na promoção da dignidade da pessoa humana, na defesa e promoção dos direitos humanos e na luta contra as desigualdades”, disse à Agência ECCLESIA o padre Américo Aguiar.

O 'Prémio D. António Francisco Santos' é instituído pela Irmandade dos Clérigos, a Associação Comercial do Porto e a Santa Casa da Misericórdia do Porto, “instituições com uma histórica ligação na promoção da cidade e na valorização dos cidadãos” e foi apresentado esta manhã no Palácio da Bolsa, naquela cidade.

“Estas três instituições são os mecenas deste prémio” porque pretendem “não deixar esquecer

 

o testemunho de D. António Francisco Santos”, precisou o padre Américo Aguiar.

A apresentação do prémio decorreu no Palácio da Bolsa, com a presença de Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto, e de António Tavares, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, além do presidente da Irmandade dos Clérigos.

Para além desta iniciativa, o 30.º dia do falecimento de D. António Francisco dos Santos foi recordado com uma Missa, na Catedral do Porto, às 19h00; com a apresentação de uma edição especial da ‘Voz Portucalense’, semanário diocesano, e uma revista editada pela Irmandade dos Clérigos com imagens que recordam o bispo do Porto e textos da Agência ECCLESIA e da Voz Portucalense.

 

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial portuguesa nos últimos dias, sempre atualizados em www.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diocese recordou «exemplo de fidelidade» e «espontânea bondade» de D. António Francisco dos Santos

 

Doença mental não pode continuar a ser «o parente pobre» da Saúde

 

300 anos de Nossa Senhora Aparecida

 

O Papa Francisco enviou uma mensagem aos católicos do Brasil por ocasião da comemoração dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, nas águas do Rio Paraíba do Sul. “O Brasil, hoje, necessita de homens e mulheres que, cheios de esperança e firmes na fé, deem testemunho de que o amor, manifestado na solidariedade e na 

 

 

 

partilha, é mais forte e luminoso que as trevas do egoísmo e da corrupção”, refere o pontífice.

Francisco recorda a sua passagem pelo santuário mariano brasileiro em 2013, altura em que manifestou o desejo de estar em Aparecida neste ano jubilar. “A vida de um Papa não é fácil. Por isso, quis nomear o cardeal Giovanni Battista Re como delegado pontifício

 

 

 

para as celebrações do dia 12 de outubro. Confiei-lhe a missão de garantir assim a presença do Papa entre vocês”, explica.

A mensagem deixa um apelo à esperança, sobretudo perante “as situações de desespero”, e à vivência dos valores da “espiritualidade, na generosidade, na solidariedade, na perseverança, na fraternidade, na alegria”.

“Que essa alegria que irradia dos seus corações transborde e alcance cada canto do Brasil, especialmente as periferias geográficas, sociais e existenciais que tanto anseiam por uma gota de esperança”, deseja, antes de sublinhar que um cristão “nunca pode ser pessimista”.

Já esta quarta-feira, o Papa tinha sido assinalado no Vaticano os 300 anos de Nossa Senhora de Aparecida e rezou pelo Brasil, falando num “momento difícil” para o país.

“A história dos pescadores que encontraram no Rio Paraíba do Sul o corpo e depois a cabeça da imagem de Nossa Senhora, e que foram em seguida unidos, lembra-nos que neste momento difícil do Brasil, a Virgem Maria é um sinal que impulsiona para a unidade construída na solidariedade e na justiça”, declarou, durante a audiência pública semanal, na Praça de São Pedro.

 

Francisco nomeou o cardeal Giovanni Battista Re como seu legado para as celebrações do terceiro centenário do encontro da imagem de Nossa Senhora de Aparecida, padroeira do Brasil. O enviado especial entregou, em nome do pontífice, uma Rosa de ouro como símbolo da devoção do pontífice “à rainha do Brasil e do seu afeto ao povo brasileiro”.

O Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, considerado o maior dedicado a Maria, localiza-se no Vale do Paraíba, no eixo Rio de Janeiro – São Paulo – Minas Gerais. A imagem ali venerada foi encontrada em 1717 por três pescadores, que no porto de Itaguaçu viram nas suas redes o corpo de uma estátua partida, na altura do pescoço e, num segundo momento, a cabeça: juntando as duas partes, viu-se que se tratava da Senhora da Conceição.

Por assim ter aparecido, o povo chamou-a de ‘Aparecida’, nome consagrado pela devoção popular, que a levou a ser proclamada rainha (1904) e padroeira do Brasil (1930), sendo o santuário declarado de âmbito nacional (1984).

João Paulo II visitou Aparecida em 1980 e Bento XVI em 2007.

 

 

Misericórdia, grande novidade
do Cristianismo

O Papa Francisco apresentou no Vaticano a “Misericórdia” de Deus como a “grande novidade” do Cristianismo, que convidou a ver como mais de que uma “soma de preceitos e normas morais”. “A desilusão de Deus pelo comportamento malévolo dos homens não é a última palavra! Está aqui a grande novidade do Cristianismo: um Deus que, ainda que desiludido pelos nossos erros e os nossos pecados, não falha à sua palavra, não trava e, sobretudo, não se vinga”, disse, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro.

O tradicional clima de recolhimento antes da recitação do ângelus dominical foi esta manhã quebrado por um grande grupo de peregrinos italianos; perante o barulho da multidão, o Papa parou durante uns instantes, sorriu e disse: “Vamos começar de novo”.

Já depois de recomeçar a sua reflexão dominical, Francisco falou da dimensão “nova e original” do Cristianismo. “Ele não é tanto uma soma de preceitos e normas morais, 

 

mas é acima de tudo uma proposta de amor que Deus, através de Jesus, fez e continua a fazer à humanidade”, sublinhou.

Partindo da passagem do Evangelho lida hoje nas igrejas de todo o mundo – a parábola dos vinhateiros que assassinam o filho do dono da vinha para a roubar – Francisco sustentou que o “único impedimento” a esta vontade “terna” de Deus é a “arrogância” do ser humano, que por vezes se transforma “em violência”.

“Somos chamados a sair da vinha para nos colocarmos ao serviço dos irmãos que não estão connosco”, observou, desafiando os cristãos a marcar presença em todos os ambientes, incluindo os “mais longínquos e desconfortáveis”, as “periferias da sociedade”.

 

 

Papa denuncia perseguições dramáticas contra cristãos

O Papa Francisco denunciou em Roma as “perseguições dramáticas” contra os cristãos das Igrejas do Oriente, num encontro comemorativo que centrou a atenção sobre essas comunidades. “Vemos tantos dos nossos irmãos e irmãs cristãos das Igrejas orientais a sofrer perseguições dramáticas e uma diáspora cada vez mais inquietante”, disse, esta quinta-feira, na homilia da Missa a que presidiu na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma.

O Papa tinha deixado o Vaticano ao início da manhã para uma visita ao Pontifício Instituto Oriental, na Praça de Santa Maria Maior, onde se encontrou com cardeais, patriarcas, arcebispos maiores e metropolitas ‘sui iuris’ (Igrejas com direito próprio).

O Papa Francisco recordou que a Congregação para as Igrejas Orientais foi fundada no contexto da I Guerra Mundial, que considerou semelhante ao de hoje, onde se combate uma guerra mundial “aos bocados”.

A homilia sublinhou a importância da “coragem da fé”, em particular nos momentos de dúvida, com a confiança de que Deus “escuta”, convidando todos à oração.

 

No contexto do centenário do Pontifício Instituto Oriental e da Congregação para as Igrejas Orientais, o Papa enviou uma mensagem ao cardeal Leonardo Sandri, prefeito desta congregação da Santa Sé, sublinhando os gestos de atenção dos vários pontífices do século XX em relação a estas comunidades, que remontam ao início do Cristianismo. “Os tempos em que vivemos, por outro lado, e os desafios que a guerra e o ódio chegam mesmo às próprias raízes da convivência pacífica nas martirizadas terras do Oriente”, alertou Francisco.

“Com a queda dos regimes totalitaristas e das várias ditaduras, que infelizmente nalguns países criou condições favoráveis para a expansão do terrorismo internacional, os cristãos das Igrejas Orientais estão a sentir o drama das perseguições”, prosseguiu.

 

 

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial internacional nos últimos dias, sempre atualizados em www.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Papa chega aos 40 milhões de seguidores no Twitter

 

 

 

 

Papa assinala encerramento do Centenário das Aparições

 

 

Cultura dominante e integração juvenil

  D. Manuel Linda    
  Bispos das Forças   

  Armadas e Forças de  

  Segurança  

 

Todas as épocas apresentam debilidades éticas. Fazem-se sentir, de modo particular, nos mais novos. Não admira: a sua personalidade ainda não está suficientemente «óssea», enrijecida. Por isso, falamos nos anos sessenta como o tempo das drogas e de uma sexualidade desregulada; depois, o período das «directas» e dos excitantes colectivos, quase sempre tomados nas mega-discotecas; mais tarde, as bebedeiras de fim de semana -em Espanha, o célebre «botellón»- e da busca das substâncias psicadélicas; etc.

E hoje? É verdade que estas negatividades sociais não se delimitam no tempo com a mesma facilidade com que se talha uma fatia de bolo. Muitas vezes, convivem, simultaneamente, traços característicos de uma ou outra época. Ou até se interligam todos. E se potenciam!

Não obstante, hoje, verificam-se factores que, no passado, eram raros ou só aconteciam em determinadas classes sociais, quase sempre as «elevadas». Eis algumas, sem preocupação de as hierarquizar: dependência do jogo; sedentarismo; divertimentos associados a excentricidades; dificuldade em aguentar o nível de stress; maturidade emocional tardia. E muitas outras, obviamente.

As duas primeiras, porque quase sempre mais «escondidas», vividas no âmbito «caseiro», são perigosíssimas. Temos em grande parte, de facto, uma juventude de «chapa ganha, chapa gasta», profundamente endividada, que pede dinheiro

 

 

aos pais e amigos para os jogos «on-line», na esperança de poder pagar os débitos, mas que cada vez se afunda mais. Sabe-se que esta situação tem levado ao desespero de muitos, quando não ao roubo por parte de alguns e ao suicídio de outros.

O sedentarismo é um fenómeno paralelo: porque, a partir de uma consola ou de um telemóvel, se pode fazer (quase) tudo –relações imaginárias, conversas intermináveis, experiências para-sexuais, compras, jogos, passatempos, turismo virtual, etc.- o quarto onde se dorme tornou-se o refúgio frente a uma sociedade considerada agreste e selvagem. Por isso, para se não enfrentar a realidade, quase sempre se sai de casa somente pela calada da noite e em autêntica «alcateia» de pares.

Esta a radiografia. Aliás, fácil de fazer. 

 

Mas onde está a origem deste mal?

A resposta é mais difícil. Mas tenho para mim que este é o resultado sanitário de dois deficits profundos de vitaminas morais a que chamamos materialismo e hedonismo. Sim, uma sociedade que não vê mais nada do que aquilo que se pode fruir, o que dá gozo, que se consome e desfaz, uma maneira de ser que se volta para os «novos deuses» que as suas mãos modelaram que poderia esperar em troca? Entra-se na espiral do consumismo, do efémero, da sofreguidão, da avidez. Mas como sustentar estes deuses custa caro, as pessoas sentem-se aspiradas por essa máquina trituradora a que chamamos angústia existencial. E muitas não a aguentam.

Estejamos atentos, pois ela está mais presente do que imaginamos.

 

 

Um ponto-chave quando se entra na Universidade

  Miguel Oliveira Panão   

  Professor Universitário   

 

 

 

Em setembro iniciou-se um novo ano escolar. Para muitos jovens isso significa uma transição de um ensino secundário para o universitário. É uma transição mais delicada do que parece.

Uma vez li o texto de um professor de filosofia que ao fim de muitos anos voltou a dar aulas ao primeiro ano na Universidade. O que me impressionou na sua experiência foi a forma como caracteriza esta transição e que subscrevo. Enquanto no ensino secundário a responsabilidade da aprendizagem assenta no professor, pois, deve preparar bem os alunos para os exames nacionais, tudo se inverte na Universidade. Aí, a responsabilidade da aprendizagem assenta no estudante universitário e esse é o choque pedagógico que pode levar a muitas dificuldades de adaptação.

Na Universidade, o professor é um orientador no processo de aprendizagem. Ensina-se mais a aprender do que apenas a saber as coisas. Como professor não transmito meramente conhecimentos, mas modos de pensar sobre as coisas, a estar atento, a ir ao fundo das questões, e a ser crítico na forma como as encaramos. Ensino a aprender e com o modo como aprendem, aprendo a ensinar. Ou seja, é um jogo de aprendizagem recíproca que tem um elemento chave.

O relacionamento entre estudante e professor.

Embora sejam muitos alunos, a minha experiência é a de que o relacionamento com os professores, 

 

 

 

nossos orientadores no mar do conhecimento, pode ditar o desempenho que temos numa disciplina. Nesse sentido, cada aluno e cada professor devia fazer um exame de consciência e pensar se construímos relacionamentos que promovem a aprendizagem, ou nem por isso.

Para mim é sempre um desafio e o primeiro passo como professor é saber o nome dos meus alunos. Imaginas que acolhendo 200 alunos por ano na disciplina que lecciono isso não seja fácil, e não é. Mas descobri o segredo.

Experiências.

Através de uma experiência concreta com um aluno, por exemplo, um tirar de dúvidas, uma conversa no café, uma partilha de dificuldade académica, qualquer coisa que me induza a chamá-lo pelo nome cria 

 

uma memória que facilita esse aspecto.

Por outro lado, existe o desafio de um aluno procurar criar um relacionamento com o Professor e isso não é tarefa fácil porque muitos dos meus colegas podem ser tímidos ou ter uma personalidade difícil. A minha experiência como aluno e agora como Professor é a de que o respeito mútuo é o passo fundamental na construção  desse relacionamento. Se és aluno, procura desenvolver uma mente respeitadora. É uma das mentes do futuro segundo o psicólogo Howard Gardner (“Cinco mentes do futuro”).

Apostar nos relacionamentos é garantir o sucesso académico e viver no âmbito universitário aquilo que somos como imagem de Deus: seres relacionais. E sobre essa relacionalidade não assenta apenas o futuro de cada um, mas o futuro em si mesmo. 

 

 

Fátima: Ano 101...

  Henrique Matos   
  Agência ECCLESIA   

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

13 de outubro de 2017. A peregrinação aniversária encerra o centenário das aparições. A intensidade celebrativa dos últimos anos e, principalmente, a abertura do Santuário à contemporaneidade, leva-me a considerar que este lugar ficou diferente e pretende enfrentar o futuro sublinhando essa diferença. Não me refiro a qualquer distanciamento de práticas passadas ou tentativas de ganhar popularidade junto de novos públicos. O que distingo é que Fátima é hoje um lugar mais consensual. Esbateram-se alguns anticorpos que colavam o espaço a uma religiosidade rural ou pouco esclarecida. Este centenário e as iniciativas que o marcaram, mostraram o regresso de artistas, de criadores, de investigadores que não temem olhar Fátima como fenómeno de invulgar riqueza para compreender identidades e convicções profundas de um povo e o desenho cultural de um país.

Fátima assume hoje, a vontade de acolher cada um. De proporcionar uma ocasião de encontro. De despertar os sentidos... não esses da exterioridade, estimulados à exaustão pelos tempos que vivemos. Antes os outros, os da interioridade, do silêncio... a experiência de nos escutarmos a nós próprios, sabendo que isso nem sempre é uma experiência confortável para o homem do ruído...   

Investigadores, dizem que há quem passe pelo Santuário cumprindo o "frete" de levar a avó ou a tia que pede de forma insistente...  e que depois se depare com uma experiência inesperada de um bem-estar que não se consegue descrever, mas

 

 

que obriga a voltar. Estudos, falam-nos de quem visita o lugar numa atitude de reconciliação com a vida. Dos que ali descobrem uma experiência de Igreja que nunca os tocou no ambiente paroquial.

Fátima, a que chamam "altar do mundo", não é a massificação da fé. É antes a possibilidade que cada um fazer uma experiência pessoal de espiritualidade de, naquele lugar de paz e serenidade, perceber o significado do próximo e da dimensão comunitária... a experiência de Igreja.

Cem anos depois, penso que Fátima não pretende o revivalismo da grande cristandade mas antes, a possibilidade

 

da experiência pessoal do encontro com o transcendente. E quando o homem contemporâneo percebe Deus, entende que Ele se percebe melhor na experiência com o outro. Fátima não é de velhos, doentes, ou iletrados... é cada vez mais uma descoberta e uma experiência intensa para crianças e intelectuais, agricultores ou desempregados, mulheres domésticas ou executivas...  gente nova e de mais idade, com saúde ou sem ela... não há perfil para o peregrino de Fátima, aquele é um lugar onde todos cabem, sem pré-requisitos, e onde cada um encontra um itinerário que o desafia e compromete.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

O Semanário ECCLESIA evoca nesta edição o encerramento das celebrações

do Centenário das Aparições, em Fátima, com um olhar detalhado

sobre a peregrinação do 13 de outubro, a mensagem do Papa para

este momento e as várias intervenções de D. António Marto. O bispo

de Leiria-Fátima é o entrevistado desta revista, projetando para

o futuro a mensagem revelada em 1917, na Cova da Iria,

e que nos últimos ganhou uma nova dimensão.

 

 

 

 

 

 

 

As marcas do Centenário
no futuro de Fátima

O bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto, disse à Agência ECCLESIA que a celebração do Centenário das Aparições, que se encerrou esta sexta-feira, promoveu uma reconfiguração de Fátima, em torno da “redescoberta da mensagem”. “[O Centenário] Deixa as coisas diferentes no sentido em que foi uma redescoberta da mensagem, uma passagem daquela atenção só aos segredos e às devoções para o coração da mensagem, vista na sua globalidade”, refere, numa entrevista que vai ser emitida este domingo, pelas 13h30, no Programa ‘70x7’ (RTP2).

O responsável apresenta Fátima como escola de “santidade popular”, “acessível e possível a todos”, e confessa que a canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, a 13 de maio, foi “um momento comovente”, revelando que chegou a solicitar a dispensa do milagre ao Papa Francisco, o qual lhe pediu que se procurasse seguir a “via normal”, como acabou por acontecer.

 

Entrevista conduzida

por Henrique Matos

 

 

 

 

 

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

 

 

Agência ECCLESIA (AE) – As celebrações do centenário das aparições da Cova da Iria foram preparadas com alguma antecedência… Anos antes, o Santuário de Fátima abordou vários temas que ajudaram nas comemorações.

D. António Marto (AM) – A ideia da preparação remota do centenário surgiu de uma frase do Papa Bento XVI, em 2010, na homilia durante a missa. Ele disse: «Voltareis aqui dentro de sete anos para celebrar o centenário da primeira aparição de Nossa Senhora». Quando ouvi esta frase, veio-me a ideia de fazer uma preparação, exatamente, durante esses sete anos. Foi um desafio lançado pelo Papa e eu transmiti-o ao reitor da altura [padre Virgílio Antunes que, atualmente, é o bispo de Coimbra NDR] e ele concordou.

Criou-se uma equipa de teólogos e outros colaboradores e desenhou-se o programa para sete anos. Foi uma coisa original, para não reduzir o centenário a uma série de eventos apenas durante um ano.

 

 

 

 

 

 

 

AE – Isso ajudou as pessoas a entrarem no clima celebrativo…

AM – Exatamente. Entrámos progressivamente e gradualmente numa descoberta ou redescoberta neste aprofundamento da Mensagem de Fátima em todas as suas dimensões. O primeiro ano foi dedicado às aparições do Anjo… Depois cada ano apanhou a temática de cada uma das aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos. Isso permitiu aos peregrinos sentirem-se envolvidos numa celebração progressiva.

 

AE – Não era apenas a celebração de uma efeméride, mas a criação de um percurso reflexivo. Um caminho que levasse as pessoas a meditar e a refletir sobre estas temáticas.

AM – Concordo plenamente. Havia um tema escolhido que era aprofundado do ponto de vista teológico num congresso. Sem esquecer a dimensão catequética e celebrativa. Havia também um itinerário do peregrino correspondente a essa temática. Foram aspetos muito belos e que captaram o coração dos peregrinos. Estes sentiram-se envolvidos a celebrar o centenário.

 

AE – Neste percurso que antecedeu as comemorações do centenário, pode-se também realçar a visita da Imagem Peregrina às dioceses portuguesas. Esta viagem revelou-se um sucesso. Momentos fortes neste itinerário da Imagem Peregrina. Ela percorreu muitos ambientes, até foi às periferias como fala o Papa Francisco.

AM – Tudo isto foi pensado em conjunto com a Conferência Episcopal Portuguesa. Foi uma ideia muito bem recebida pelas dioceses. Esta iniciativa superou todas as expetativas. 

 

 

 

Foi uma envolvência de todo o povo católico. Uma grande adesão e com muita ternura. A visita às periferias, locais de mais sofrimento, [prisões, hospitais, Bairros problemáticos NDR] teve um grande acolhimento.

 

AE – Em todos esses locais notava-se uma grande afetividade…

AM – É a afetividade do nosso povo. Ele expressa-se assim… tanto no recinto do Santuário de Fátima como nas localidades. Onde a Imagem Peregrina passava era uma festa. Nas periferias, Nossa Senhora tocou nos corações… Isso faz vir as lágrimas. Mesmo daqueles que, porventura, estavam afastados, mas sentiram o toque da ternura. Eu vi isso espelhado nos rostos e nos olhos das pessoas.

 

AE – Numa sociedade tão virada para o imediato e que vive tanto na superficialidade, o resultado deste acontecimento podia levantar dúvidas. Todavia, as manifestações de carinho vieram demonstrar o contrário.

AM – A dimensão espiritual e religiosa pode estar um pouco escondida, tal como acontece com as brasas debaixo da cinza. 

 

No entanto, há acontecimentos que despertam este desejo íntimo de relação com Deus. Reacendem o calor do amor que existe no coração das pessoas.  

Estes acontecimentos foram uma ocasião de reavivar a fé e revitalizar uma fé esmorecida.

 

AE – Alargou-se o perímetro do Santuário de Fátima a todo o país.

AM – Foi lindo o momento de envio e de acolhimento da Imagem Peregrina. Sentiu-se o vibrar dos corações. A Imagem da Senhora foi visitar as dioceses, e estas retribuíram também com o seu carinho. 

 

 

 

 

AE – Quem esteve também no Santuário de Fátima, e a sua presença não passou despercebida, foram os jovens e as crianças. Com a sua alegria e entusiasmo marcaram muito este período celebrativo. Fátima é cada vez mais a casa dos jovens e das crianças?

AM – É verdade. A peregrinação das crianças atingiu uma dimensão nacional. Com elas vêm os pais, avós e demais familiares. É uma peregrinação que «rivaliza» quase com a peregrinação de Maio. É de uma beleza extraordinária. No fundo, é uma festa… As nossas celebrações não podem ser apenas para os adultos. Celebrações para todas as idades e com várias linguagens.

 

AE – É difícil para quem prepara as celebrações?

AM – Tem um potencial muito grande, mas temos equipas para isso. O bispo sozinho não fazia isso. É fundamental criatividade. Todos os anos, os temas são diferentes. Em relação aos jovens, ainda não atingimos a dimensão que é de esperar. 

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

 

 

 

Existem muitos jovens ligados à Igreja, mas através de movimentos. Existe uma tentação… cada movimento faz a sua peregrinação. Cada um vive no seu quintal e ainda não são capazes de se unirem e darem as mãos e fazerem uma grande peregrinação. Uma peregrinação que enchesse o recinto. Esperemos chegar lá…

 

AE – No fundo é um desafio aos movimentos…

AM – É um desafio aos movimentos abrirem-se à universalidade e à comunhão. Todavia, eu compreendo que as pessoas valorizem mais a comunidade próxima. Isso também acontece nas paróquias, movimentos ou congregação religiosa.

 

AE – Este período das celebrações ficou também marcado pela criatividade artística, pela reflexão científica e manifestações culturais.

AM – Uma das minhas preocupações pessoais foi que se aprofundasse a mensagem. Estes congressos tiveram uma adesão grande. Pedi também que se desse relevo à dimensão cultural. Para muitas pessoas, para uma determinada elite, Fátima é reduzida a uma subcultura. É para os pobres, 

 

ignorantes e analfabetos… Segundo esse modo de ver. Era necessário mostrar que Fátima é capaz de se exprimir em linguagens culturais para o nosso tempo.

 

AE – Encomendaram mesmo diversas obras musicais…

AM – Foram várias. Mesmo no teatro fizemos coisas interessantes. Tivemos espetáculos que encheram quatro vezes seguidas. Hoje, Fátima impôs-se do ponto de vista cultural. E até chegou às universidades. Um investigador fez uma tese de doutoramento na Universidade de Coimbra. Fizemos cursos em parceria com a Universidade Católica Portuguesa. Estas atividades causaram-nos alguma surpresa. Fátima é muito apreciada… Muitas vezes, já nem necessitamos de fazer o convite… Os artistas oferecem-se para fazer algo.

 

 

 

AE – Fátima é um lugar para todos…

AM – Fátima cativa e tem renome, mesmo internacional.

 

AE – Mesmo para as pessoas que estão afastadas… Elas estão desligadas da paróquia, mas gostam de estar em Fátima. Isso é notório aos fins-de-semana.

AM – Fátima tornou-se uma espécie de oásis onde as pessoas vêm refrescar a sua espiritualidade e a sua fé. Aqui têm um encontro com Deus e consigo mesmas. Muitos vêm buscar ao santuário um acolhimento. Temos muitas pessoas com feridas na vida e que querem ser acolhidas. Acolhidas sem julgamento…

 

AE – Pode-se dizer Fátima entrou no espírito do Átrio dos Gentios?

AM – Aqui, temos pessoas com diferentes experiências e diferentes vivências. No fundo vêm à casa da Mãe e é acolhido. Não podemos pensar que se fazem cristãos da noite para o dia. É preciso oferecer-lhes depois caminhos graduais de descoberta da fé. No entanto, não podemos pensar que Fátima oferece tudo… Costumo dizer que não se compreende a Igreja em Portugal sem Fátima, como coração espiritual do

 

país, mas também não se compreende Fátima sem a Igreja. Não se pode pensar que Fátima é uma varinha mágica.

 

AE – É um grande fator de mudança?

AM – É fator de mudança… Mas não é a varinha mágica da Igreja.

 

AE – Mas é uma experiência de santidade. O Papa Francisco declarou santos, Francisco e Jacinta Marto, e encerrou-se a fase diocesana da irmã Lúcia.

AM – Foi um momento muito comovente e muito emocionante, porque não tínhamos a certeza se andaria tão rapidamente como andou para ser no dia 13 de maio. Fui uma vez ao Papa Francisco, pedir-lhe para dispensar do milagre para a canonização dos pastorinhos… Ele quis saber como as coisas estavam e disse-me: “Segue a via normal e vê se encontrais o milagre. Se porventura não encontrardes, voltas cá…”. O dedo da providência andou… e a postuladora encontrou este milagre. Uma coisa única porque foi aprovada pela comissão dos médicos por unanimidade. Ainda por cima de uma criança… O que vem valorizar o ato.

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

 

Rezai o Rosário como Ela pediu

 

O Papa Francisco assinalou hoje o encerramento do Centenário das Aparições, em Fátima, com uma mensagem transmitida aos peregrinos reunidos na Cova da Iria. “Deixo-vos um conselho: nunca deixeis o Rosário, nunca deixeis o Rosário, rezai o Rosário como Ela pediu”, disse, concedendo a bênção, após ter mostrado o terço que transportava no seu bolso.

A mensagem foi transmitida nos ecrãs gigantes espalhados ao longo do recinto de oração, aos participantes na celebração da peregrinação internacional do 13 de outubro. 

 

 

“Nunca vos afasteis da mãe: como um menino está ao lado da sua mãe e se sente seguro, assim, junto da Virgem, nos sentimos muito seguros, ela é a nossa garantia”, pediu o Papa.

Francisco dirigiu, em espanhol, os seus cumprimentos a todos os que assinalam o “encerramento do Centenário das Aparições da Santíssima Virgem em Fátima”.

“Ainda tenho no coração as memórias desta viagem, as bênçãos que  a Virgem Maria quis dar-me e quis dar à Igreja nesse dia”, realçou.

A intervenção deixou uma mensagem 


 

 

de esperança a todos os crentes: “Nunca tenham medo, Deus é melhor do que todas nossas misérias, ele gosta muito de nós, ide em frente”

O Papa já tinha recorrido esta manhã à rede social Twitter para assinalar a data: “No Centenário das Aparições de Nossa Senhora de Fátima, agradecemos a Deus pelas inúmeras bênçãos concedidas sob sua proteção”.

D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, explicou que a mensagem do Papa foi gravada durante uma audiência privada concedida a responsáveis da diocese portuguesa, a 30 de setembro, agradecendo o gesto de Francisco.

“Hoje, estamos aqui a viver um momento histórico e único, para Fátima, para a Igreja, para Portugal e para todos os peregrinos de Fátima, 

 

o encerramento solene do Centenário das Aparições”, acrescentou.

O responsável deixou uma palavra de saudação aos peregrinos, que considerou os responsáveis por manter a atualidade da mensagem de Fátima.

“Fátima é sempre nova, não envelhece”, declarou D. António Marto.

Por ocasião das celebrações do Centenário, o Papa visitou a Cova da Iria, onde canonizou, na Missa do 13 de maio, os pastorinhos Francisco e Jacinta Marto, dois dos três videntes de Fátima.

Francisco passou mais de 23 horas na Cova da Iria, “como peregrino de esperança e de paz”, tendo percorrido a pé uma parte do percurso até à Capelinha das Aparições, antes de ali recitar o Rosário.

 

 

Septenário Celebrativo do Centenário das Aparições de Fátima

Tema geral do Centenário – “O meu Coração Imaculado conduzir-vos-á até Deus”

 

Ano 2010/11 – “SANTÍSSIMA TRINDADE ADORO-VOS PROFUNDAMENTE”

I Ciclo De Conferências

24 a 26 junho 2011 – Simpósio Teológico-Pastoral «Adorar Deus em espírito e verdade – Adoração: acolhimento e compromisso»

Fevereiro de 2011 lançamento do 1º Itinerário do Peregrino

 

Ano 2011/12 – “QUEREIS OFERECER-VOS A DEUS?”

01 dezembro 2011 - Jornada de apresentação do tema do ano pastoral de 2011-2012; abertura da exposição “No trilho da Luz – As Aparições de Fátima”

 II Ciclo de Conferências

 

Ano 2012/2013 - “NÃO TENHAIS MEDO”

 Exposição Temporária evocativa da aparição de junho de 1917, “Ser, o 

 

 Segredo do Coração” – Convivium de Santo Agostinho | 24 de novembro 2012 a 31 de outubro 2013

 Simpósio Teológico Pastoral 21 a 23 de junho- Centro Pastoral de Paulo VI- “Não Tenhais Medo. Confiança- Esperança- Estilo Crente”.

 I Edição Curso Mensagem de Fátima- 7 a 9 de junho

 

 

 

 

 

Ano 2013/2014 - “ENVOLVIDOS NO AMOR DE DEUS PELO MUNDO”

 Exposição Temporária evocativa da Aparição de julho de 1917 – “Segredo e Revelação” – Convivium de Santo Agostinho | 30 de novembro 2013 a 31 outubro 2014

 Revista Cultural do Santuário de Fátima, Fátima XXI- apresentada a 12 de maio de 2014 e publicada no final do mês

 Visita da Imagem Peregrina às Comunidades Religiosas Contemplativas de Portugal | maio 2014 a fevereiro 2015

 

Ano 2014/2015 - “SANTIFICADOS EM CRISTO”

 Novo Presbitério de Oração apresentado- sessão pública, 20 março 2015

Visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora às Dioceses Portuguesas | maio 2015 a maio 2016

 Centenário com Prémio de Fotografia e Mural Online de Testemunhos- protocolo de colaboração, dia 17 de julho 2015, no Santuário de Fátima, IPL Leiria e Santuário de Fátima

 

 

Concerto Evocativo dos Três Pastorinhos de Fátima “Sem amor nenhuns olhos são videntes” – Coro Anonymus, Coro Infantil do Instituto Gregoriano de Lisboa, João Santos- Sé Patriarcal de Lisboa | 20 fevereiro 2015

 

 

 

 

 

Ano 2015/2016 - “EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA”

 Jogo dos Pastorinhos | 10 março 2016

 Concerto de inauguração órgão- músico francês Olivier Latry, organista titular da Catedral de Notre Dame de Paris

 Início do Prémio Jornalismo Centenário das Aparições de Fátima | 1 abril de 2016

 Espetáculo “A Luz do Anjo” - projeções de vídeo mapping- Valinhos e Aljustrel | 24 e 26 de junho 2016

 “O dia em que o Sol bailou” - Vortice Dance Company -| 11, 13 e 15 de maio 2016

 “Entre o Céu e a Terra – O Musical 

 

 

sobre Fátima” | 13 de outubro 2016 | musical oficial da Celebração do Centenário das aparições | 14 e 15 de outubro 2016

 “Ver Fátima no silêncio do coração” - passatempo online do Santuário de Fátima | início a 1 de abril de 2016 ate 31 de outubro

Consagração das Dioceses Portuguesas a Nossa Senhora de Fátima | 13 maio 2016

 1ªEdição Cursos de Verão “Introdução ao Fenómeno de Fátima” – Centro Pastoral de Paulo VI | 14, 15 e 16 julho 2016

 Oficinas Musicais Criativas - 1 de abril 2016 (a partir dos 4 meses)

 

 

 

 

Ano 2016/ 2017 - “O MEU IMACULADO CORAÇÃO SERÁ O TEU REFÚGIO E O CAMINHO QUE TE CONDUZIRÁ ATÉ DEUS”

“Mural de Testemunhos”, desenvolvida em parceria com o Instituto Politécnico de Leiria| 8 de dezembro 2016

“Vozes do Centenário” - Projeto conjunto do Santuário de Fátima e da Rádio Renascença | 2 de fevereiro 2017

 

I Jornadas de Comunicação Social do Santuário de Fátima |Centro Pastoral de Paulo VI |22 de março 2017

Abertura da exposição “Prémio Fotografia Centenário das Aparições de Fátima” | 1 maio 2017

Peregrinação do Papa Francisco a Fátima e Canonização de Francisco e Jacinta Marto | 13 maio 2017

Colóquio Comemorativo dos 100 anos das Aparições de Fátima | 26 e 27 maio 2017

 Pensar Fátima – Leituras interdisciplinares- Congresso Internacional do Centenário de Fátima | 21 a 24 de junho 2017

 

 

 

 

Como é bela a Senhora do Rosário,
Rainha da Paz

Homilia na Missa da Vigília da Peregrinação Aniversária ao Santuário de Fátima

Celebramos hoje, na fé e na alegria espiritual, a solenidade da Dedicação da Basílica de Nossa Senhora do Rosário.

 

Como é admirável a vossa morada, Senhor do universo!

O refrão do salmo responsorial pode sintetizar bem a mensagem da Palavra de Deus proclamada: Como é admirável a vossa morada, Senhor do universo! Estas palavras são um convite a levantar o olhar e o coração bem acima deste templo feito de pedras. Nele descobrimos o sinal da presença misteriosa de Deus que escolheu habitar no meio do seu povo, que o acompanha, que o visita e reúne no seu amor, que faz dele a Igreja das pedras vivas.

Como é admirável a vossa morada, Senhor! Estas palavras são também um convite a contemplar Aquela em honra da qual foi erguida esta basílica e da qual ela é titular. “Sou a Senhora do Rosário”, foi assim que ela se apresentou aos pastorinhos aqui na 

 

Cova da Iria onde veio visitar-nos com uma mensagem em nome do Senhor. Um aspeto desta mensagem é precisamente a oração do rosário para nos unir mais a Jesus e invocar o dom da paz para o mundo.

Como é bela a Senhora do Rosário, Rainha da Paz!

A imagem tradicional da Senhora do Rosário representa Maria com um braço a amparar o Menino Jesus e com o outro apresenta a coroa do rosário a São Domingos. Esta iconografia é muito significativa: mostra que o rosário é um meio oferecido pela Virgem para contemplar Jesus e, meditando a sua vida, amá-lo e segui-lo sempre fielmente. Foi a recomendação que Nossa Senhora deixou aqui em Fátima há 100 anos. Aos três pastorinhos Lúcia, Jacinta e Francisco recomendou com insistência que se recitasse o rosário todos os dias, para obter o fim da guerra e alcançar a paz.

Como é bela a iconografia que nos apresenta a Senhora do Rosário 

 

 

 

como Mãe de Ternura que nos convida a deixarmo-nos guiar por ela na meditação dos mistérios de Cristo. A oração do Rosário ajuda-nos a contemplar a beleza do rosto de Cristo e a profundidade do seu amor com o olhar e com o coração da Mãe, que é modelo insuperável da contemplação do Filho.

Através da contemplação dos mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos, ao longo das “Ave-Marias”, contemplamos todo o mistério de Jesus, desde a Encarnação até à Cruz e à glória da Ressurreição; contemplamos a participação íntima de Maria neste mistério e também a nossa vida com Cristo hoje, que é tecida de momentos de alegria e de dor, de sombras e de luz, de trepidação e de esperança. As próprias velas que nesta noite acompanharam a recitação do terço, erguidas em louvor e adoração, significam também a conversão de cada um e a sua passagem a uma nova existência iluminada por Jesus Cristo, o Mistério indizível que contemplamos nos mistérios do Rosário.

Como é bela a Senhora do Rosário que em Fátima se apresenta como Mãe de Misericórdia e Rainha da paz, que acompanha os sofrimentos dos filhos e lhes oferece o seu Imaculado Coração como refúgio e garantia do triunfo

 

 do amor nos dramas da história, pedindo-lhes a colaboração com a recitação do terço.

Hoje, queremos confiar à intercessão da Virgem Mãe, Nossa Senhora do Rosário de Fátima, os nossos anseios mais íntimos, as esperanças e as dores da humanidade ferida, os problemas do mundo e, de modo particular, a grande causa da paz entre os povos: “Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei! E depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria”!

Fátima, 12 de outubro de 2017

† António Marto,

Bispo de Leiria-Fátima

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

 

Fátima é sempre nova

Homilia na Peregrinação Aniversária ao Santuário de Fátima 13 de outubro de 2017
Encerramento das celebrações
do Centenário de Fátima

 

 

"Fátima é sempre nova para quem repete a subida à Serra d'Aire e procura penetrar, cada vez mais fundo, nos mistérios da mensagem de Nossa Senhora, nas aparições de 1917, aos três Pastorinhos”. Assim afirmou aqui São João Paulo II, de santa memória. 

 

 

 

Com que emoção ouvimos hoje estas palavras no encerramento do Centenário das Aparições! Compreendeis que para mim é um momento particularmente emocionante presidir a esta Eucaristia. Com o coração cheio de alegria e emoção quero desde já saudar todos os peregrinos presentes, a cada um em particular, com todo o afeto, no amor de Jesus Cristo e de Maria Santíssima; uma saudação para os mais pequenitos, que vi durante a procissão de Entrada: caros amiguitos e amiguitas, o vosso amigo bispo de Fátima envia-vos uma saudação cheia de afeto e carinho e uma bênção especial em nome de Jesus e de Nossa Senhora.

 

 

 

Meus caros irmãos e irmãs,

Aqui voltamos, como todo o peregrino de Fátima, "com o terço na mão, o nome de Maria nos lábios e o canto da misericórdia de Deus no coração". Que canto é este? Este canto é o Magnificat, cuja beleza a poetisa Sophia de Mello Breyner tão bem exprimiu, ao dizer: "Penso muitas vezes que o Magnificat é talvez o mais belo poema que existe. É um poema que anuncia, que não canta apenas a terra como Homero. Entre dois mundos, na encruzilhada da história, uma mulher levanta-se e diz o poema da salvação". Que melhor cântico poderíamos nós escolher para este momento? Com o Magnificat, unidos intimamente unidos a Maria, queremos proclamar, cantar e agradecer as pequenas e grandes 

 

 

 

maravilhas da graça que Deus realizou através da sua visitação aqui a esta terra de Fátima e com a sua mensagem a favor da humanidade, da Igreja e de milhões de peregrinos ao longo destes cem anos.

 

"A minha alma engrandece o Senhor..."

Nas aparições de 13 de maio e junho, Nossa Senhora proporcionou aos três Pastorinhos uma extraordinária experiência mística da intimidade de Deus e do seu amor. A luz que irradiava das suas mãos maternais mergulhou-os, aos três videntes, no oceano imenso da luz de Deus, da beleza do amor de Deus, da sua intimidade e santidade. Ficaram verdadeiramente fascinados, encantados e enamorados de Deus a ponto do pequeno Francisco exclamar: "Gostei muito de ver o anjo. Gostei mais de ver Nossa Senhora. Mas do que gostei mais foi de ver Nosso Senhor naquela luz que Nossa Senhora nos metia no peito. Gosto tanto de Deus!... Oh como é Deus! Isso é que não podemos [não somos capazes, não temos palavras] dizer!". Oh, gosto tanto de Deus!

 

Nesta época em que estamos a viver uma certa indiferença religiosa, uma espécie de eclipse, ocultamento cultural de Deus, Maria convida-nos hoje a descobrir o gosto e o encanto de Deus e da sua beleza, a proclamar como Deus é grande. Ela sabe que se Deus é grande, também nós somos grandes. A nossa vida não é oprimida, mas antes elevada e dilatada: torna-se grande na beleza e grandeza do Amor que salva. É por Deus ser grande que também o ser humano é grande, em toda a sua a sua dignidade.

Meus caros e irmãs,

Esta é a primeira conversão que a mensagem de Fátima pede: abrir o coração a Deus-Amor e confiar-se a Ele com a oração dos Pastorinhos: "Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos". Esta é, a meu ver, a grande prioridade para o futuro da fé cristã: tornar Deus presente, próximo e íntimo ao coração humano, Deus amigo dos homens, fonte de humanização, de confiança na bondade e na beleza da vida. Por isso, Fátima é e continuará a ser sempre reflexo da luz e da beleza de Deus.

 

 

 

 

"A sua misericórdia se estende de geração em geração"

No poema do Magnificat, Maria proclama a misericórdia de Deus que se estende de geração em geração. Nas Aparições em Fátima fez ecoar esta mensagem para a humanidade, ameaçada de se afundar no inferno

 

 de duas guerras mundiais, com os genocídios de milhões de inocentes, e aqui também vai ressoar para a Igreja esta mensagem, ferozmente perseguida em risco de ser aniquilada por regimes totalitários. "É a dor da 

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

 

 

mãe que a faz falar; está em jogo a sorte de seus filhos" disse aqui o Papa São João Paulo II. É verdade, quando Maria se move, não é por coisas de somenos importância, está em causa a sorte dos seus filhos.

A página do Apocalipse, que escutamos na primeira leitura, ilumina este aspeto da mensagem. Põe diante de nós o drama da história, sob a figura simbólica da luta entre o dragão aterrador e a mulher frágil e indefesa.

O dragão é a representação impressionante e inquietante de

 

 todos os poderes do mal e da violência no mundo. Parece invencível! Mas a figura da "mulher revestida de sol e coroada de doze estrelas", símbolo da Igreja e de Maria, diz-nos que esses poderes não são invencíveis. Porque a misericórdia de Deus é mais poderosa que a força do mal. Deus não quer deixar o mundo abandonado, mergulhado na tristeza e no luto do abatimento, da solidão e da morte.

Com o símbolo do seu Coração Imaculado, cercado de espinhos, a mãe celeste mostra que sente a dor

 

 

 

 dos filhos e vem em seu auxílio com o conforto da misericórdia divina. Ao mesmo tempo, esta mensagem vem acompanhada pelo apelo à conversão e à reparação. Nossa Senhora vem buscar colaboradores nos desígnios de misericórdia para não se resignarem à fatalidade do mal. A resignação não é uma virtude cristã, diz o Papa Francisco.

Também hoje nos pergunta como aos Pastorinhos: "Quereis oferecer-vos a Deus" para serdes seus colaboradores na reparação do pecado do mundo?”. Sim, não se pode passar indiferente ao mal, nem tentar iludi-lo olhando para o lado. Há que reparar o que ele 

 

estraga, reconstruir o que ele destrói nos corações e nas relações com Deus, com os outros, com a sociedade e entre os povos. Com o escritor Vitorino Nemésio podemos afirmar: "Com Fátima entrou um certo sinal de eterno nos ajustamentos da história". Em Fátima, a humanidade passou a valer mais.

Meus caros irmãos e irmãs,

Como acontece sempre que somos chamados e advertidos pela mãe, também em Fátima nos sentimos interpelados, de modo sério e vigoroso, pela melhor de todas as mães para acolher as suas advertências e responder aos 

 

 

 

seus pedidos. Queremos acolher as suas advertências e responder aos seus pedidos?

O Papa Francisco repetiu aqui duas vezes: "Temos Mãe"! Eu permito-me acrescentar: sim, temos mãe de ternura e de misericórdia, solícita e defensora dos pobres, dos que sofrem, dos humildes e humilhados, dos oprimidos, dos sós, dos abandonados e descartados pela cultura da indiferença, de quem diz: que me importa o outro? Cada um que se arranje.

 

Fátima, mensagem de Paz

Fátima confia-nos uma mensagem profética de esperança e não um segredo intimidatório, de medo; uma palavra de bênção e não de maldição; uma promessa consoladora de paz e não de destruição. A própria Senhora se oferece como garantia, quando diz: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará... e será concedido ao mundo um período de paz". Quer dizer, "No final, o Senhor é mais forte do que o mal e Nossa Senhora é para nós a garantia visível, materna, da bondade de Deus que é sempre a última palavra da história" (Bento XVI). A paz é um tema central da mensagem da Senhora. Ao pedir

 

para se rezar o terço pela paz todos os dias, Nossa Senhora quer desencadear, através da oração, uma mobilização geral do povo católico que leve ao compromisso ativo pela paz no mundo.

Apraz-me terminar com o apelo premente que o Papa Paulo VI, de santa memória, aqui fez há cinquenta anos, dirigido aos homens de todo o mundo. Um apelo tão atual, hoje que persistem as tensões entre as grandes potências, continuam os conflitos configurando uma "terceira guerra mundial em episódios", alastra o terrorismo e a ameaça nuclear é tão aguda como então.

Ouçamos o que disse aqui Paulo VI:

"Homens, sede homens. Homens, sede bons, sede cordatos, abri-vos à consideração do bem total do mundo. Homens, sede magnânimos. (...) Homens, não penseis em projetos de destruição e de morte, de revolução e de violência; pensai em projetos de conforto comum e de colaboração solidária. Homens, pensai na gravidade e na grandeza desta hora, que pode ser decisiva para a história da geração presente e futura; e recomeçai a aproximar-vos uns dos outros com intenções de construir um mundo novo; sim, um mundo de homens verdadeiros, o qual é impossível 

 

 

 

de conseguir se não tem o sol de Deus no seu horizonte.

(...). Vede como o quadro do mundo e dos seus destinos se apresenta aqui imenso e dramático. É o quadro que Nossa Senhora abre aos Nossos olhos, o quadro que contemplamos com os olhos aterrorizados, mas sempre confiantes; o quadro do qual Nos aproximamos sempre seguindo a admoestação que a própria Nossa Senhora nos deu, a admoestação da oração e da penitência; e, por isso, queira Deus que este quadro do mundo nunca mais venha a registar lutas, tragédias e catástrofes, mas sim as conquistas do amor e as vitórias da paz".

 

Caros irmãos e irmãs: de Fátima irradiam para todo o mundo os esplendores da Graça e da Misericórdia divinas e as advertências proféticas da Mãe de Deus e dos homens. "Deixemo-nos, pois, guiar pela luz que vem de Fátima. Que o Coração Imaculado de Maria seja sempre o nosso refúgio, a nossa consolação e o caminho que nos conduz a Cristo" (Papa Francisco). E como bons filhos, mesmo trazendo connosco as nossas misérias, elevemo-nos para a Mãe e digamos-lhe: Querida Mãe, dá-nos a tua bênção! Ámen.

D. António Marto, 

Bispo de Leiria-Fátima

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

 

Caros irmãos e irmãs: de Fátima irradiam para todo o mundo os esplendores da Graça e da Misericórdia divinas e as advertências proféticas da Mãe de Deus e dos homens. "Deixemo-nos, pois, guiar pela luz que vem de Fátima. Que o Coração Imaculado de Maria seja sempre o nosso refúgio, a nossa consolação e o caminho que nos conduz a Cristo" (Papa Francisco). E como bons filhos, mesmo trazendo connosco as nossas misérias, elevemo-nos para a Mãe e digamos-lhe: Querida Mãe, dá-nos a tua bênção! Ámen.

 

D. António Marto, 

Bispo de Leiria-Fátima

Reitor do Santuário fala em «novo
capítulo» após ano do Centenário

 

 

 

Foto: Ricardo Perna/Família Cristã

 

 

 

 

O reitor do Santuário de Fátima disse que o final das celebrações do Centenário das Aparições, com a peregrinação internacional de outubro, representa o início de um “novo capítulo” na história da Cova da Iria. “A grande mensagem é que não estamos a falar de um final, mas de um começo”, referiu o padre Carlos Cabecinhas, em conferência de imprensa, antes do início das celebrações comemorativas da última aparição da Virgem Maria, em 1917.

O responsável sublinhou a vontade de continuar a viver o “momento de graça” que foi o Centenário das Aparições, procurando “abrir um novo capítulo na vida do Santuário”, com “entusiasmo e alegria”.

O reitor promete um Santuário “fiel à sua matriz”, que é a de procurar chegar a todos os peregrinos. “Fátima foi sempre um fenómeno popular, mas foi sempre um fenómeno transversal”, observou.

   Neste contexto, o padre Carlos 

          Cabecinhas falou da

             importância de “ir ao encontro

           de peregrinos de Fátima”

       através de propostas culturais e eruditas.

 

O sacerdote realçou o desejo de promover um concerto que marcasse o “ano festivo” e fosse “marcante” pela “excelência” nos compositores e nos intérpretes, antecipando assim a sessão solene desta sexta-feira. “Esperamos que este seja um momento marcante da vivência do Centenário das Aparições de Fátima”, concluiu.

A maestrina Joana Carneiro falou aos jornalistas do “privilégio” de participar no encerramento do Centenário das Aparições com um concerto centrado na “expressão contemporânea da espiritualidade da humanidade”, o que considerou como um “sinal muito importante”. MacMillan manifestou, por sua vez, o “prazer” de estar ligado a este projeto, que classificou como um dos “mais entusiasmantes” da sua vida.

A 2 de novembro, pelas 11h00, a Reitoria do Santuário de Fátima vai promover uma conferência de imprensa de “balanço” das celebrações do Centenário das Aparições.

 


A 2 de novembro, pelas 11h00, a Reitoria do Santuário de Fátima vai promover uma conferência de imprensa de “balanço” das celebrações do Centenário das Aparições.

Encerrar o centenário
com os olhos postos no futuro

 

O Santuário de Fátima tem patente até outubro de 2018 a exposição temática ‘As cores do Sol: a luz de Fátima no mundo contemporâneo’, que recorda o chamado “Milagre do Sol”, a aparição de outubro de 1917.

A mostra, no ‘Convivium de Santo Agostinho’ da Basílica da Santíssima Trindade, quer ser uma proposta para “os anos futuros”, realçando que a partir de 1917 os grandes protagonistas são “os peregrinos deste lugar”, explica à Agência ECCLESIA Marco Daniel Duarte, 

 

 

diretor do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário de Fátima.

Partindo dos acontecimentos do dia 13 de outubro de 1917, a exposição procura recriar, através de vários mecanismos sensoriais, os cenários relacionados com a paisagem do dia da última aparição da Virgem Maria em Fátima.

Marco Daniel Duarte recorda que a 13 de outubro de 1917, havia na Cova da Iria um “cenário de chuva”, alterado radicalmente pela aparição, pelo que se propõe aos visitantes de Fátima 

 

 

 

discurso “sempre à volta da ideia do sol, enquanto Cristo, e da lua que espalha a luz do sol, Maria, que deixa uma mensagem específica que vai sendo descodificada à medida que os visitantes percorrem este espaço”.

Desde então, sublinha o responsável, “não mais deixa de acorrer a Fátima o Povo de Deus, uma multidão imensa” que ali vive a sua fé, num espaço configurado “como uma plataforma” para essa vivência.

“Esse percurso iniciado em 1917 e ainda hoje vivido por multidões que vêm de Portugal e um pouco de todo o mundo, têm um segredo”, observa o diretor do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário de Fátima: “Cada ser humano pode ser habitação de 

 

Deus, sacrário, lugar íntimo onde Deus habita”.

A última visita temática à exposição temporária `As cores do Sol: a luz de Fátima no mundo contemporâneo´ foi conduzida no início deste mês pelo padre Carlos Cabecinhas, reitor do Santuário de Fátima.

O sacerdote referiu a importância das procissões em Fátima, que a par da oração do terço, são “marcas do imaginário” deste lugar e sublinhou o sentido da procissão como “uma caminhada comum”. Em todos estes momentos, realçou o reitor, os peregrinos são “os grandes protagonistas de Fátima”.

Até ao momento visitaram esta exposição mais de 230 mil peregrinos.

 

O Milagre do Sol na imprensa de 1917

 

O relato do “Milagre do Sol”, a 13 de outubro de 1917 na Cova da Iria, chegou até nós, para além das palavras da própria Lúcia, sobretudo através do relato de Avelino de Almeida (1873-1932).

O anunciado acontecimento prodigioso - “para que todos acreditem”- em Fátima tinha sido 

 

 

anunciado pela Virgem Maria um mês antes, segundo o relato recolhido por Lúcia, uma das três videntes da Cova da Iria. À espera estavam dezenas de milhares de pessoas, desde crentes a meros curiosos.

O fenómeno foi relatado por Avelino de Almeida, correspondente de ‘O Século’, acompanhado pelo fotógrafo

 

 

 

 

 Judah Bento Ruah, publicado a 15 de outubro (data de redação: 13 de outubro de 1917), que se deslocou até ao local das aparições para acompanhar este acontecimento.

“O astro lembra uma placa de prata fosca e é possível fitar-lhe o disco sem o mínimo esforço. Não queima, não cega. Dir-se-ia estar-se realizando um eclipse”, lia-se no já citado relato, sobre um “espetáculo único e inacreditável para quem não foi testemunha dele”.

Fátima passaria a estar, mais do que nunca, debaixo da atenção de crentes e não crentes. Do ponto de vista da imprensa, os campos estavam bem definidos, entre jornais de orientação católica e as publicações de inspiração republicana, maçónica e do Livre Pensamento, com destaque para o ‘Mundo’ (órgão oficial do Partido Democrático de Afonso Costa) e o ‘Livre Pensamento’ (órgão oficial do próprio Livre Pensamento).

Há que somar a este lote as publicações de duas organizações, a Associação do Registo Civil e a Federação do Livre Pensamento.

A 15 de outubro, o ‘Diário de Notícias’ publica um despacho com data do dia 13, de Vila Nova de Ourém, 

 

aludindo a um “extraordinário número de pessoas”; este jornal voltaria a falar de Fátima a 24 de outubro, realçando o “tão afamado fenómeno do dia treze do corrente mês”, noticiando o abate de uma árvore, erradamente tomada como a azinheira das aparições.

A Documentação Crítica de Fátima integra no seu primeiro volume (documento 27) o depoimento do padre Luís Andrade e Silva, que narra o que viu em 13 de outubro, afirmando que aí se passou “qualquer coisa de extraordinário”, mesmo que não garanta tratar-se de um milagre; e o depoimento de Luís António Vieira de Magalhães e Vasconcelos (documento 28), advogado em Vila Nova de Ourém, que testemunha a sua prudência inicial e a posterior convicção de que se estava “em face de um milagre”.

 
 

 

Salve Regina, de Eurico Carrapatoso

 

Quando fui contactado pela Comissão das Comemorações do Centenário das Aparições de Fátima, no sentido de escrever uma obra coral sinfónica para celebrar tal efeméride, ocorreram-me de imediato três elementos estruturantes: a escolha da oração preferida de minha mãe, Salve Regina, uma escolha instintiva, confesso; a inspiração na devoção e no culto mariano tão sincero e fundo dos meus conterrâneos, naquele ritmo lento e solene atrás do andor de Nossa Senhora, no adro da igreja de Alvites, e de onde me chegam, verdes e frescos ainda, ecos desses cânticos processionais marcados pelo organum espontâneo das terceiras e das quintas paralelas que os ornam e defendem; por fim, a minha continência ao gesto maravilhoso de D. João IV, o primeiro rei da dinastia brigantina, que ofereceu a coroa portuguesa a Nossa Senhora, proclamando-a padroeira e rainha de Portugal, em Vila Viçosa, naquele dia de Ramos do ano de 1646.

A minha música tem, muito precisamente, esses três elementos vivificantes dos quais partiu e aos quais chegou: o latim extático do Salve Regina, cintilando mesmo, aqui e 

 

acolá, fragmentos do belo hino do séc. XI, vogando ao sabor do marulhar da doce memória de minha mãe que o cantava tão bem, com os seus olhos extáticos, as suas mãos ogivais apontando ao alto, no céu mariano, a curva gregoriana daquela antiquíssima melodia; um tempo vagaroso e processional, sem pressas quaisquer, projetado numa harmonia que, de tão cíclica, mais se parece verter em cousa hipnótica, como se a música tivesse sido fundida na mesma forja em que o bronze dos sinos da minha aldeia foi forjado: é dali que se decanta o meu som, um som memorial transfigurado pelo efeito doppler do vento estival, o vento do meu contentamento; enfim, tudo isto resumido a uma música sóbria, despojada e em absoluto recolhimento, sem a coroa da vaidade, na melhor tradição dos Braganças.

 

Eurico Carrapatoso

Olivais, 27 de julho de 2017

 

 

 

The Sun Danced, de James MacMillan

The Sun Danced [O Sol Bailou] é uma obra para soprano solista, coro e orquestra, encomendada pelo Santuário de Fátima, em Portugal, para assinalar a celebração do Centenário das Aparições.

Os textos foram retirados das palavras do Anjo e de Nossa Senhora e também de expressões verbais da multidão presente no Milagre do Sol em 13 de outubro de 1917. O trabalho está escrito em três línguas – Latim, Inglês e Português - incluindo textos de hinos associados a Fátima como Sanctissimae Trinitatis e Ave Theotokos.

A obra foi escrita num único movimento contínuo, iniciando com uma introdução orquestral misteriosa antes de se ouvirem as palavras do Anjo (interpretadas pelo naipe do baixos). O coro, agora completo, canta versos latinos, antes de se ouvirem as palavras de Nossa Senhora, cantadas pelo soprano solista. Estes fragmentos foram retirados das várias aparições da Virgem Maria durante o verão de 1917 culminando com o anúncio do milagre em outubro. Estes textos, entrelaçados, são a base de uma ária de soprano encaminhando o enredo musical para a fantasia orquestral central – uma “dança” instrumental 

 

inspirada em estórias do milagre do sol, testemunhado por milhares de pessoas em Fátima em 13 de outubro de 1917.

Pontualmente, ao longo desta movimentada secção central, ouvimos o coro exclamar algumas das interjeições que foram ouvidas na multidão naquele dia. A secção final é outro 'arioso' para o solista soprano, baseado em fragmentos litúrgicos associados às celebrações de Fátima. Desta vez, o estilo vocal é mais "eclesiástico", como o canto gregoriano, acompanhado de acordes suaves nas cordas e coro.

A coda final apresenta o coro exclamando palavras latinas de louvor à Virgem Maria e um alegre movimento orquestral conduz a obra até ao seu encerramento. Esta obra é dedicada à minha filha Catherine.

 

Sir James MacMillan

Ayrshire, agosto de 2017

 

 

Sir James MacMillan

Ayrshire, agosto de 2017

14 minutos de luz e som para contar história das Aparições

 

A Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima encheu-se de luz com uma projeção audiovisual de 14 minutos, “reconstruindo os 

 

 

fundamentos históricos e espirituais” das aparições da Virgem Maria na Cova da Iria.

Encomendada pelo Santuário de 

 

 

 

 

Fátima, a projeção multimédia ‘Fátima-Tempo de Luz’ foi apresentada como uma “inovadora apresentação audiovisual”, que combinou a projeção de videomapping com efeitos em 3D, efeitos luminosos e banda sonora original.

A apresentação foi desenvolvida pela ACCIONA Producciones y Diseño (APD) e poderá ser visto também nos dias 13 e 14 de outubro às 22h30, depois da procissão das Velas.

A fachada da Basílica da Nossa Senhora do Rosário de Fátima, com 140 metros de largura e 58 metros de altura, é assim transformada num ecrã de projeção de 3100 metros quadrados, “tornando-se no eixo narrativo de uma história que pretende projetar simbolicamente 

 

a luz de Fátima no coração de todos os crentes”.

O espetáculo evocou a experiência dos milhares de peregrinos que todos os anos visitam o Santuário, ao longo de sete cenas: “O reflexo da luz de Deus”; “O Coração de Maria, imaculado e triunfante, conduz até Deus”; “A Igreja canta a Mensagem de Fátima”; “Os caminhos dos peregrinos”; “Em Fátima ouvimos uma mensagem de paz para o mundo”; “Em Fátima celebramos o Deus que está próximo do ser humano” e “Em Fátima iluminamos o nosso coração”.

O Santuário de Fátima promoveu em junho de 2016, em Aljustrel e Valinhos, uma experiência multimédia do género, que assinalou os 100 anos de história das aparições do Anjo aos três pastorinhos.

 

 

Prémio Jornalismo Centenário das Aparições partilhado por jornalistas da RTP e da RR

 

As reportagens de televisão “Maria, de Fátima”, de Berta Freitas, jornalista da RTP e multimédia “Fátima na Bielorrússia, uma chama que a URSS não apagou” de Aura Miguel e Joana Bourgard, da Rádio Renascença, venceram o Prémio de Jornalismo Centenário das Aparições.

 

 

 

O Júri presidido pelo reitor do Santuário de Fátima, Pe. Carlos  Cabecinhas e composto por Carmo Rodeia, Clara Almeida Santos, Eduardo Cintra Torres, Manuel Pinto, Rogério Santos e Paulo Agostinho, decidiu atribuir o prémio ex aequo atendendo à qualidade de ambas as reportagens,

 

 

 

 

quer na forma quer na narrativa.

No caso da reportagem “Maria, de Fátima”, de Berta Freitas, emitida no programa Linha da Frente do canal 1 da RTP, no passado dia 6 de maio, o Júri destacou a “visão coerente de Fátima quer como espaço de oração quer como espaço geográfico com vida própria”, salientando-se “o excelente aproveitamento do arquivo da RTP”. Já a reportagem multimédia da Rádio Renascença “Fátima na Bielorrússia, uma chama que a URSS não apagou” foi sublinhado “o elevado nível estético das imagens” e o aproveitamento conjugado de “várias perspetivas informativas, nomeadamente, o crente, o religioso, o histórico e o social”.

O Santuário de Fátima institui um prémio de jornalismo, designado Prémio Jornalismo Centenário das Aparições de Fátima, com a finalidade de destacar trabalhos de jornalismo, do género “reportagem”, publicados em órgãos de comunicação social, em língua portuguesa, que tivessem por objeto o fenómeno Fátima, nalgum dos seus aspetos: santuário, peregrinação, mensagem, 

 

espiritualidade, história, património, repercussões sociais, entre outros.

O papel dos meios de comunicação social na divulgação do Acontecimento e da Mensagem de Fátima foi, ao longo destes cem anos, imprescindível para a difusão amplificada quer do espaço quer da Mensagem de Fátima. E, por isso, o Santuário entendeu valorizar esta forma de comunicação, através da criação de um Prémio de Jornalismo.

Este prémio era aberto a todos os profissionais da comunicação social e os trabalhos a submeter teriam de ser publicados entre os dias 1 de abril de 2016 e 31 de julho de 2017.

Ao todo concorreram 25 trabalhos, alguns em coautoria, todos no género reportagem para televisão, rádio, imprensa ou multimédia. Todos eles estavam centrados na temática de Fátima, sendo a peregrinação o tema prevalecente na esmagadora maioria dos trabalhos. Entre os trabalhos existiram quatro estrangeiros: três brasileiros e um italiano.

 

 

Santuário é fenómeno «global» porque vai ao encontro da «ambição» humana pela paz

 

O historiador Bruno Cardoso Reis diz que o Santuário de Fátima permanece hoje como um fenómeno “global” sobretudo pela capacidade que tem em tocar numa das maiores “ambições” da humanidade, que é a busca da paz.

“Uma das chaves para o sucesso de Fátima, para esta relevância continuada, tem a ver com a 

 

 

maleabilidade da sua mensagem, com um núcleo central que se vai mantendo embora a sua leitura vá variando, que é esta questão da paz, com adaptações aos diferentes tempos. Uma grande ambição da humanidade mas infelizmente ainda não completamente concretizada”, salienta, em entrevista à Agência ECCLESIA.

 

 

 

 

Bruno Cardoso Reis é investigador do Centro de Estudos de História Religiosa, da Universidade Católica Portuguesa, e trabalha também no Centro de Estudos Internacionais do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. Em parceria com o historiador José Eduardo Franco, publicou a obra ‘Fátima Lugar Sagrado Global’, para estudar o desenvolvimento daquele local de culto e da devoção a Nossa Senhora de Fátima ao longo dos anos.

Em 1917, a relevância do fenómeno Fátima teve “muito a ver com a procura desesperada por milagres, numa época em que com a guerra morriam milhões, em que havia muita falta de alimentos”, recorda o autor. “Quando aparece esta notícia em que a padroeira de Portugal está a aparecer no centro do país, há muitas pessoas que começam a acorrer”, só na aparição de outubro de 1917 foram “dezenas de milhares”, acrescenta.

É preciso ter também em conta todo o contexto político da época em Portugal, que anos antes tinha passado da Monarquia à República. “O governo republicano era muito belicista, fazia da guerra uma grande cruzada patriótica. Aparecer Nossa 

 

Senhora já era um grande desafio ao anticlericalismo do regime, por outro lado, aparecer Nossa Senhora com uma mensagem de paz, ainda mais”, frisa o historiador.

Mas, de acordo com Bruno Cardoso Reis, existem outros fatores que fazem com que a mensagem de Fátima mantenha toda a sua vitalidade, 100 anos depois. Desde logo a sua credibilidade, “validada” pelos sucessivos Papas que foram “muito importantes” para “dar visibilidade em vários contextos, em vários momentos, ao santuário”.

E depois pelo cariz “multidimensional” da sua mensagem, que chega mesmo às pessoas que “têm uma vivência muito intelectual da fé”.

Sobre a investigação dedicada ao Santuário de Fátima, Bruno Cardoso Reis reconhece que no meio da comunidade científica “cada vez mais há o reconhecimento de ser um tema importante, há cada vez uma maior abertura”. Neste âmbito, foi fundamental “a publicação da documentação crítica” do Santuário, um aspeto “muito valorizado e que ajudou a validar o estudo destes temas”, concluiu o historiador.

 

 

O ABC da catequese

http://www.abcdacatequese.com

 

No arranque de mais um ano pastoral e em pleno início de ano catequético a sugestão que lanço é dirigida precisamente aos nossos catequistas. Foi atendendo à necessidade constante de novos materiais e novas abordagens aos temas habituais que um grupo de catequistas se uniu e criou o sítio www.abcdacatequese.com. Na realidade o “abc da catequese”, pretende ser uma plataforma online onde se partilhem os recursos que circulam pela internet e que vão sendo produzidos por este Portugal fora. Os materiais encontram-se disponíveis num só ambiente e devidamente catalogados para todos os catequistas, servindo também como ponto de encontro.

Na página inicial encontramos as publicações mais recentes, os destaques, a possibilidade de ler as leituras do dia e claro aceder ao habitual menu.

Em “ABC” podemos saber quem é a equipa que compõe este projeto, quais os seus objetivos e ainda existe a possibilidade de nos tornarmos

 

colaboradores, porque “a catequese precisa do teu contributo!”.

Na opção “evangelização”, encontramos um elevado número de recursos. A título de exemplo, semanalmente poderemos aceder aos cartazes referentes a cada domingo, disponibilizados no sítio “A Caminho”, em «cartaz da semana». Podemos também entrar em “lectio divina”, onde a palavra se torna oração, e assim com a ajuda dos Salesianos encontramos uma ferramenta interessantíssima na abordagem a esta, cada vez mais atual, maneira de nos encontrarmos com Deus.

A área de “partilha” é aquela onde possivelmente iremos aceder mais vezes. Desde o fórum, que é o espaço por excelência de encontro, partilha e comunhão de ideias, debates e assuntos relacionados com a área catequética, passando pelo item “recursos”. Aí são disponibilizados uma quantidade enorme de conteúdos, desde temas referentes à catequese, à liturgia, à formação cristã, à espiritualidade, às reflexões e à pastoral juvenil, entre outros. Encontramos ainda sugestões várias de leitura que irão ajudar a explorar

 

 

 

 

 

o potencial desta ferramenta pedagógica. A equipa lança um repto interessante e que não pode ser esquecido: " este é um projeto que, devido às várias limitações existentes, só se realizará plenamente com a ajuda de todos os catequistas e das várias organizações existentes em Portugal".

Na opção “notícias” dispomos de um ambiente onde podemos consultar as várias novidades referentes à Igreja, seja a nível internacional bem como nacional.

Por último somos presenteados

 

com uma forma mais direta de nos  mantermos próximos deste projeto, basta para isso que nos registemos no item “entrar”.

Fica aqui então a sugestão para os catequistas e todos os apaixonados por este grande serviço de Evangelização em Igreja. Aqui encontrarão um fantástico espaço com ótimos recursos e que podem perfeitamente ser explorados nas sessões de catequese para este ano.

 

Fernando Cassola Marques

fernandocassola@gmail.com

 

 

 

BEEN.TO, Criar Álbuns com o Instagram

Já escrevi sobre a aplicação Instagram. O crescimento tem sido enorme. É das aplicações mais usadas pelos jovens. O insta stories em muito tem contribuído para esta forte implementação.

 Hoje todas ou quase todas as pastorais da comunicação das nossas dioceses, paróquias, grupos, usam hoje o Instagram. Caso não seja verdade, passem a usar!

Em cada atividade ou evento geramos, publicamos, um grande número de publicações, fotografias. É fácil fazer um registo fotográfico do evento, através de uma máquina fotográfica, smartphone ou através da própria aplicação que possibilita tirar fotografias. A aplicação ainda não permite a classificação. Para isso servimo-nos do BEEN.TO.

BEEN.TO é um site que permite que nos identifiquemos, com a nossa conta de Instagram, para que este gere álbuns de forma automática, fazendo uma classificação em função dos lugares visitados, através das 

 

etiquetas e da própria localização de cada fotografia. O segredo é adicionar informação sobre o que está acontecer.

Os álbuns são gerados automaticamente, gerando um link que pode ser partilhado. As imagens podem ser guardadas pelos destinatário caso assim desejem. A usabilidade é amigável.

No próximo evento vamos ter em atenção a geolocalização (ligada), as hashtags que vamos usar. Bons trabalhos pastorais.

 

Bento Oliveira

@iMissio

http://www.imissio.net

 

 

 

 

 

 

 

 

História do Ensino da Doutrina Cristã
na Escola

A obra «História do Ensino da Doutrina Cristã na Escola» do padre José Martins Belinquete, da Diocese de Aveiro, vai ser lançada esta sexta-feira, às 21h00, Centro Universitário Fé e Cultura (CUFC) daquela cidade.

Com prefácio do antigo ministro da Educação, Roberto Carneiro, a obra sobre a história do ensino religioso nas escolas em Portugal tem mais de mil páginas e na apresentação vai estar o bispo de Aveiro, D. António Moiteiro, lê-se na nota enviada à Agência ECCLESIA.

O professor da Universidade de Coimbra, Sebastião Tavares de Pinho, apresenta a obra do padre José Martins Belinquete e está previsto um momento musical pelo Coro da Misericórdia de Ílhavo.

O livro «História do Ensino da Doutrina Cristã na Escola» resultou da investigação de “mais de seis anos do padre José Belinquete, sacerdote que durante décadas foi responsável pelo ensino religioso das escolas na Diocese de Aveiro e foi autor e coautor de uma série de livros para a EMRC (Educação Moral e Religiosa 

 

 

Católica) e de manuais de catequese, tal como colaborou na elaboração dos primeiros projetos de lei sobre a EMRC e a formação de professores para a EMRC, na década de 1980”, lê-se no comunicado.

Ao longo de 22 capítulos, o autor aborda, entre outros temas, o ensino de Jesus, o ensino da doutrina cristã na Lusitânia, as escolas monacais, as cartinhas ou cartilhas – primeiros livros impressos pelos quais os portugueses aprenderam a ler –, os Jesuítas e a ação do Marquês de Pombal, a República e a reintrodução do ensino da doutrina cristã no programa das escolas, terminando com uma apresentação do programa e dos respetivos manuais dos alunos atualmente em uso nas escolas.

Publicado pela Editora Tempo Novo (da Diocese de Aveiro), o livro está à venda por 25 euros.

 

 

 

 

 

 

 

Começou esta quarta-feira a Feira do Livro de Frankfurt, o maior evento do mundo editorial, que decorre até 15 de outubro. A PAULUS Editora está presente neste certame internacional onde apresenta 24 títulos de autores nacionais.

O Pe. José André Ferreira, diretor editorial da PAULUS, representa a editora portuguesa no stand da PAULUS internacional, que congrega 41 países dos cinco continentes. Das propostas para este ano destacam-se as obras de José Luís Nunes Martins, Thereza Ameal, Pe. Dário Pedroso e D. João Marcos.

Para além destes autores já mais conhecidos, seguem também na bagagem da PAULUS Editora, os novos livros de crónicas Em tua casa e Descalça as tuas feridas, de Teresa Power e Marta Arrais, respetivamente.

 

 

outubro 2017

14 de outubro

. Lisboa - Seminário da Torre d´Aguilha - Colóquio «Comunidade Espiritana em Portugal: Memória e Promessa - 150 anos» integrado no Jubileu dos Missionários Espiritanos. 

 

. Fátima - Setor da Catequese do Patriarcado de Lisboa dinamiza peregrinação de adolescentes ao Santuário de Fátima.

 

. Lisboa - Igreja do Sagrado Coração de Jesus - A jornada de liturgia, arte e arquitetura, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, tem como tema «Património Moderno da Igreja».

 

. Elvas - As comemorações de encerramento dos 750 anos da Fundação do Convento Dominicano de Nossa Senhora dos Mártires de Elvas, organizadas pela Fraternidade Leiga de São Domingos daquela localidade.

 

. Évora - Évora Hotel - Jornadas diocesanas da Pastoral da Saúde com o tema «Envelhecer: desafios e estratégias».

 

 

Coimbra - Casa Episcopal - Conselho Pastoral Diocesano sobre a implementação do novo plano pastoral.

 

Lisboa - Convento dos Dominicanos, 15h30 - Colóquio sobre «500 Anos da Reforma Luterana: alcance ecuménico da visita à Suécia  do Papa Francisco» com intervenções de frei Gonçalo Diniz,op e da pastora Ilse Berardo

 

15 de outubro

Lisboa - Seminário de Penafirme - Celebração dos 60 anos do Movimento familiar Casais de Santa Maria presidida por D. Manuel Clemente.

 

Encerramento das candidaturas ao «Prémio Liberdade Religiosa» intituído pela Comissão da Liberdade Religiosa (CLR)

 

. A Confederação Portuguesa do Voluntariado (CPV) recebe até 15 de outubro candidaturas ao Troféu Português do Voluntariado que tem como principal finalidade “homenagear” o trabalho realizado e “incentivar” à essa prática.

 

 

 

Santa Sé - Canonização do sacerdote português Ambrósio Francisco Ferro, morto no Brasil 

 

Lisboa - Cascais (Hipódromo), 11h00 - Ordenação presbiteral de João Paulo Freitas, CSSP, presidida por D. Joaquim Mendes.

 

Lisboa - Igreja de Nossa Senhora de Fátima, 15h30 - Cantata «As maravilhas de Fátima» - O Apóstolo de Fátima Padre Formigão»

 

16 de outubro

Itália – Roma - O Papa Francisco visita sede da FAO por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, que este ano se propõe refletir sobre o tema «Mudar o futuro da migração».

 

17 de outubro

Lisboa - Auditório do Montepio - O economista Paulo Macedo e o escritor Jacinto Lucas Pires vão participar no fórum da «Impossible – Passionate Happenings» e da Cáritas Diocesano de Lisboa, neste Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza.

 

Lisboa - Conselho de Consultores do Ordinariato Castrense

 

Funchal - Abertura de uma exposição no Museu de Arte Sacra dedicada à arte sacra da Sé e aos trabalhos do padre Manuel Juvenal Pita Ferreira, que escreveu um livro sobre a Sé do Funchal.

 

18 de outubro

Funchal - Eucaristia dos 500 anos da Dedicação da Sé do Funchal presidida por D. António Carrilho

 

Lisboa - Igreja de Santa Isabel, 19h00 - Celebração da Eucaristia em memória do 1º presidente da secção portuguesa da Pax Christi, D. Manuel Martins (falecido no passado dia 24 de Setembro) presidida por D. Manuel Linda.

 

 

 

II Concílio do Vaticano: Paulo VI utilizou duas vezes a palavra «colegialidade»

 

A cerimónia de abertura da terceira etapa do II Concílio do Vaticano (1962-65), realizada numa segunda-feira de manhã, na Basílica de São Pedro, deu “a prova palpável de que o concílio já mudou qualquer coisa na Igreja romana” (Henri Fesquet – O Diário do Concílio, Volume II, página 22). O autor da obra editada pelas publicações Europa-América afirma: “Que diferença entre a liturgia deste dia e a que inaugurara a primeira sessão! A solidão do Papa desapareceu em proveito de um coro de vinte e cinco prelados – um deles o bispo de Roma – que celebraram conjuntamente ao mesmo nível, com a mesma voz e quase os mesmos gestos, a Eucaristia”.

Os trabalhos conciliares da III etapa começaram com a celebração (14 de setembro de 1964) e o discurso do Papa Paulo VI. A concelebração estava em vigor no Oriente, mas tornou-se cada vez mais rara na Igreja latina desde o século XII. Restaurando-a, o II Concílio do Vaticano quis manifestar claramente a unidade do sacerdócio e o fim de um “certo estilo de piedade demasiado individualista”, (Henri Fesquet – O Diário do Concílio, Volume II, página 23).

Enquanto se alternava o canto do salmo 131 com o «Tu es Petrus» repetido pela assembleia, Paulo VI deu entrada na Basílica precedido pelos 24 concelebrantes. Para que os concelebrantes pudessem conservar-se ao mesmo nível em torno do Papa durante a missa foi necessário transformar completamente o «altar da Confissão», dominado pelas célebres colunas de Bernini. Momento particularmente significativo foi aquele em que as cinquenta mãos dos concelebrantes se 

 

 

estenderam simultaneamente sobre as três grandes hóstias e sobre o cálice antes da consagração, cuja fórmula foi recitada em comum.

Não foi indiferente o modo como o Papa Paulo VI falou de si mesmo. Ele mesmo diz que não é só o «chefe» do colégio apostólico, mas também o «irmão» de todos os bispos. O Papa recorda que o II Concílio do Vaticano, sem retirar o que quer que seja à doutrina do concílio anterior sobre prerrogativas do sucessor de Pedro, deve “completar o enunciado dessa doutrina e tornar públicas as prerrogativas constitucionais do episcopado”. (Henri Fesquet – O Diário do Concílio, Volume II). No seu discurso, Paulo VI citou a fórmula do Papa Gregório Magno evocada por ocasião de uma intervenção no decurso da sessão precedente: “A minha honra é a força dos meus irmãos” e disse aos bispos que 

 

eles são “os mestres, os pastores, os  santificadores do povo cristão”, exprimindo-lhes o seu “respeito” e a sua “solidariedade”.

Paulo VI serviu-se duas vezes da palavra “colegialidade” a propósito da autoridade episcopal, tornando assim definitivamente legítima essa expressão “há pouco contestada por certos padres do concílio” (obra citada anteriormente). Finalmente, falando da “restauração da unidade” das igrejas e empregando a palavra “pluralismo”, Paulo VI saudou os observadores e os hóspedes não católicos, “sem se esquecer de fazer alusão às igrejas ortodoxas que julgaram não dever mandar os seus representantes”.

No início e no fim da cerimónia, Paulo VI foi transportado, como era usual, na «sedia gestatória», mas o modelo utilizado na circunstância, muito mais simples que de costume, não se apresentava cercado de «flabelos».

 

 

 

 

   

Os sacerdotes missionários do Espirito Santo estão em festa: este sábado acontece oColóquio «Comunidade Espiritana em Portugal: Memória e Promessa - 150 anos» integrado no Jubileu dos Missionários Espiritanos, na Torre da Aguilha em Lisboa.  E no domingo, pelas 11h, em Cascais (Hipódromo) têm a ordenação presbiteral de João Paulo Freitas, CSSP, presidida por D. Joaquim Mendes.

 

 

Já por Fátima o Setor da Catequese do Patriarcado de Lisboa dinamiza peregrinação de adolescentes ao Santuário de Fátima.

 

 

No fim-de-semana a família vicentina está reunida em Simpósio internacional no Vaticano, uma forma de assinalar os 400 anos de existência que inclui no sábado um encontro com o Papa, na Praça de São Pedro.

 

 

No domingo os olhos estarão postos no Vaticano, porque vai acontecer a Canonização do sacerdote português Ambrósio Francisco Ferro, morto no Brasil. 

 

 

E na segunda-feira o Papa Francisco visita a sede da FAO, no âmbito do Dia Mundial da Alimentação, que este ano se propõe refletir sobre o tema «Mudar o futuro da migração».

 

 

 

 

 

 

Programação religiosa nos media

Antena 1, 8h00

RTP1, 10h30

Transmissão da missa dominical

 

 

11h00 - Transmissão missa

 

 

 

Domingo:

10h00 - Porta Aberta; 11h00 - Eucaristia; 

 

Segunda-feira:

12h00 - Informação religiosa

 

Diariamente

18h30 - Terço

 

 

 
RTP2, 13h00

Domingo, 15 de outubro - Celebrações centenárias das Aparições de Fátima - Análise do bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto.

 

 

Segunda-feira, dia 16 outubro, 15h00 -  Entrevista sobre o Dia Mundial da Alimentação.

 

Terça-feira, dia 17 de outubro, 15h00 - Informação e entrevista  à irmã Mafalda Moniz, sobre o jubileu da COngregação, no Dia para a Erradicação da Pobreza.

 

Quarta-feira, dia 18 de outubro, 15h00 - Informção e entrevista a Alexandra Viana Lopes, sobre o IV Encontro Nacional de Leigos.

 

Quinta-feira, dia 19 de outubro, 15h00 - Informação e entrevista ao padre António Oliveira sobre o livro "O padre de Savimbi".

 

Sexta-feira, dia 20 de outubro, 15h00  -  Entrevista. Comentário à liturgia do domingo com o padre Armindo Vaz e frei José Nunes.

 

Antena 1

Domingo, 15 de outubro, 06h00 -  Centenário das Aparições de Fàtima.

 

Segunda a sexta, 16 a  20 de outubro, 22h45 - Novas linguagens para dizer o Evangelho.

 

  

 

 

     

 

 

 

 

 

 

Ano A – 28.º Domingo do Tempo Comum 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
Aceitar o convite para o banquete
 
 

A liturgia do 28.º Domingo do Tempo Comum utiliza a imagem do banquete para descrever o mundo de felicidade, de amor e de alegria sem fim que Deus quer oferecer a todos os seus filhos.

Jesus compara Deus seu Pai a um rei que celebra as bodas do seu filho: nada é mais belo para a festa, e os convidados são numerosos, mas eles declinam o convite, encontrando desculpas, algumas que vão até a maltratar e a matar os que fazem o convite.

O rei poderia resignar-se, mas não. Quer que todos tenham recebido o convite, «os maus e os bons». Deus convida sempre e convida todos: «felizes os convidados para a Ceia do Senhor». E espera uma resposta. Portanto, a questão decisiva não é se Deus convida ou não; mas se aceitamos ou não o convite de Deus para o banquete do Reino.

Os convidados que não aceitaram o convite representam aqueles que estão demasiado preocupados em conquistar os seus cinco minutos de fama, ou a impor aos outros os seus próprios esquemas e projetos, ou a explorar o bem estar que o dinheiro lhes conquistou e não têm tempo para os desafios de Deus.

Os convidados que não aceitaram o convite representam também aqueles que estão instalados na sua autossuficiência, nas suas certezas, seguranças e preconceitos e não têm o coração aberto e disponível para as propostas de Deus. Até podem ser pessoas sérias e boas, que se empenham na comunidade cristã e que desempenham papéis fundamentais na estruturação dos organismos paroquiais. Mas sabem tudo sobre Deus, já construíram um deus à medida dos seus interesses, 

 

 

 

desejos e projetos e não se deixam questionar nem interpelar. Os seus corações estão talvez fechados à novidade de Deus.

Os convidados que aceitaram o convite representam todos aqueles que, apesar dos seus limites e pecados, têm o coração disponível para Deus e para os desafios que Ele faz. Percebem os limites da sua miséria e finitude e estão permanentemente à espera que Deus lhes ofereça a salvação. São humildes, pobres, simples, confiam em Deus e na salvação que Ele quer oferecer a cada homem e a cada mulher e estão dispostos a acolher os desafios de Deus. 

 

Na segunda leitura, Paulo apresenta-nos a comunidade de Filipos como exemplo concreto de uma comunidade que aceitou o convite do Senhor e vive na dinâmica do Reino. É generosa e solidária, verdadeiramente empenhada na vivência do amor e em testemunhar e anunciar o Evangelho a todos e em toda a parte.

Que assim seja nas nossas vidas, famílias e comunidades, ao longo desta semana, que é também de oração em preparação da celebração do Dia Mundial das Missões no próximo domingo.

 

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

 

 

 

 

Crise humanitária no Sudão do Sul afecta milhões de pessoas

Tragédia sem fim

A guerra com contornos tribais no Sudão do Sul está a provocar uma crise humanitária que afecta já milhões de pessoas. Por causa da violência demente que tomou conta do país, muitos foram forçados a fugir até de suas casas. A maioria dos refugiados são crianças. E por serem cristãs, sofrem a dobrar. Há relatos de meninos que fugiram para o Sudão mas que só recebem comida se recitarem orações islâmicas…

Desde que eclodiu a guerra entre partidários do presidente Salva Kiir e do ex-vice-presidente Riek Machar, milhares de pessoas já perderam a vida e pelo menos 3 milhões tiveram de fugir de suas casas e estão agora em campos de refugiados na região. Esta é, sem qualquer dúvida, uma das maiores crises humanitárias em África. Em confronto estão dois grupos rivais que correspondem às duas principais etnias do país: os dinka e os nuer. O presidente Salva Kiir pertence à etnia dinka, enquanto o seu antigo braço-direito é um nuer. Desde fevereiro que o próprio governo já declarou que em diversas áreas do Sudão do Sul as populações passam fome. Como se não bastasse

 

tudo isto, há cada vez mais relatos de atrocidades que têm vindo a ser cometidas contra as populações. Mesmo nos campos de refugiados. Até nas Igrejas. Ninguém se sente seguro em lugar algum. Todos os dias há novas histórias de violações de mulheres e raparigas, de crianças forçadas a pegar em armas. De massacres. No mês passado, os Bispos do Sudão do Sul publicaram uma Carta Pastoral onde denunciam este horror que tomou conta do país. “As pessoas têm medo”, escreveram os prelados, acusando todas as partes envolvidas no conflito de “matarem, roubarem e saquearem”. Os Bispos falam mesmo em “crimes de guerra”. Houve casos – afirmam – de “pessoas trancadas em casa e queimadas” vivas. “Há um total desrespeito pela pessoa humana”, pode ler-se ainda na Carta Pastoral.

 

Chantagem

Uganda, Quénia e Sudão são alguns dos países que mais têm acolhido os refugiados do Sudão do Sul. Sinal maior da tragédia em curso é o facto de mais de 60 por cento desses 

 

 

refugiados serem crianças. Relatos que têm chegado à Fundação AIS dão conta de situações de verdadeira chantagem, ocorridos em campos de refugiados, em que crianças cristãs provenientes do Sudão do Sul só recebem alimentos se recitaram previamente orações islâmicas. Se não o fizerem, ficam sem comida. O clima de perseguição aos Cristãos tem vindo a agudizar-se nos últimos tempos neste país. Um padre, que por questões de segurança não pode revelar a sua identidade, afirmou à Fundação AIS que “o governo tem vindo a destruir as igrejas alegando medidas de planeamento urbanístico, mas as mesquitas, no entanto, continuam de pé…” A destruição de templos e edifícios paroquiais

 

é uma forma astuta e cruel de se acabar com a presença da Igreja no Sudão. É que a Igreja Católica, além de estar impedida de receber qualquer ajuda do exterior, está também proibida de adquirir novas propriedades. Por isso, as igrejas demolidas não voltam a ser reerguidas. Há uma tragédia em curso nesta região de África e que afecta profundamente a comunidade cristã. Fome, violência, atrocidades, guerra e perseguição religiosa. Perante esta tragédia sem fim, a Fundação AIS já assumiu como prioritária a ajuda aos refugiados do Sudão do Sul. Será que o mundo não vê o que se está a passar?

 

Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt

 

 

 

 

 

Outubro rima com Missão

  Tony Neves   
  Espiritano   

 
 

‘A Igreja é missionária ou não é a Igreja de Cristo’ – é o Papa Francisco quem o diz na Mensagem para o Dia Mundial das Missões, a celebrar a 22 de Outubro. ‘A Missão no coração da Fé Cristã’ é o tema desta jornada que nos atira para Cristo, como Caminho, Verdade e Vida.

O Papa Francisco recorda que a Igreja não é uma organização social e humanitária, mas a Comunidade dos Baptizados que seguem Cristo, remando contra ventos e marés. Pede uma Igreja de portas abertas, vivendo uma espiritualidade de peregrinação. Na parte final da Mensagem, o Papa apresenta os jovens como os mais sensíveis à Missão laical, sempre prontos a partir para projetos de voluntariado missionário. Daí a convocação de um Sínodo com o tema ‘os jovens, a fé e o discernimento vocacional’.

O Mês da Missão é também o Mês do Rosário, sendo Maria apresentada como a missionária por excelência, que soube dizer ‘sim’ a todos os projetos que Deus quis que passassem pela sua disponibilidade para servir.

A Igreja em Portugal produz, ano após ano, o ‘Guião Missionário’, distribuído por todas as comunidades cristãs. Ajuda a viver o mês de Outubro, mas atira muito para além dele, tendo agora o título de ‘Guião Missionário’. Para além da mensagem do Papa, tem mensagens do Presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização e do Presidente dos Institutos 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Missionários Ad Gentes. Depois, seguem-se temas de reflexão para todas as semanas de Outubro, bem como propostas de meditações para o Rosário e a Via Sacra. Há dois grandes temas: ‘os pés dos que anunciam a paz’ e ‘tráfico humano’. Finalmente, há uma Vigília Missionária e uma celebração para a Infância Missionária.

Este ‘Guião Missionário’ já tem 20 anos de edição e vai crescendo na sua divulgação e utilização por mais e melhor missão em Portugal, podendo inspirar o aparecimento de projetos

 

equivalentes noutras paragens do nosso grande espaço lusófono.

Fátima celebrou o seu ano centenário e este Guião recorda-o na apresentação, citando o Papa Francisco na visita a Portugal onde a dimensão missionária esteve sempre presente: ’semeou ternura, apelou ao futuro, deu lugar à esperança’.

Este Guião vai pôr o coração dos cristãos a bater ao ritmo do coração de Deus e da Igreja que o Papa Francisco quer sempre em saída, em direção às periferias e às margens.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sair