04 - Editorial

      Paulo Rocha

06 - Foto da semana

07 - Citações

08 - Nacional

14 - Internacional

       D. Manuel Linda

22 - Semana de...
       Luís Filipe Santos

 


 

 

       D. António Francisco dos Santos

78 - Estante

80 - Por estes dias

82 - Programação Religiosa

83 - Minuto Positivo

84 - Liturgia

86 - Fátima 2017

90 - Fundação AIS

92 - LusoFonias

Foto de capa: DR

Foto da contracapa:  DR

 

 

AGÊNCIA ECCLESIA 
Diretor: Paulo Rocha  | Chefe de Redação: Octávio Carmo
Redação: Henrique Matos, José Carlos Patrício, Lígia Silveira,
Luís Filipe Santos,  Sónia Neves
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Opinião

 

 

 

D. António Francisco dos Santos, 1947-2017

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Transparência na ajuda pós-incêndios

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Viagem do Papa à Colômbia

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D. Manuel Linda | Paulo Rocha| Luis Filipe Santos | Manuel Barbosa | Tony Neves

 

A via da bondade

  Paulo Rocha    

  Agência ECCLESIA   

 
 

 

Foi preciso ultrapassar fortes resistências para começar a publicar notícias, no início desta semana de trabalho. A causa era única: todas ou quase todas se referiam a um acontecimento completamente inesperado que abalou este 11 de setembro de 2017: a morte de D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto.

Foi impossível ignorar! O que vemos, ouvimos e lemos tem de fazer parte de um quotidiano informativo, neste caso num ambiente de silêncio, de uma pausa absolutamente necessária à limitada compreensão das surpresas de Deus no quotidiano das mulheres e homens de cada tempo! Para depois avançar!

Avançar! Foi sempre essa a atitude do bispo do Porto. Não de forma poderosa, estrondosa. Não: D. António Francisco dos Santos comprovou que a bondade é o caminho de todos neste tempo. Também e sobretudo da Igreja Católica, onde era um "Bom Pastor". Diante de perguntas, perplexidades, problemas, ataques, foi sempre essa a resposta do bispo da Diocese do Porto, conseguindo dessa forma superar obstáculos, vencer espinhos, superar oposições. E sempre, sempre pela via da bondade.

Sobre D. António Francisco dos Santos não interessa dizer muito - por muito que haja para dizer. O bispo do Porto, ao mostrar que a via da bondade é possível, é sobretudo um caminho a seguir, nas sendas do Mestre!

Vamos por aí…

Obrigado D. António Francisco dos Santos!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

Imagens da destruição provocada pelo furacão Irma @Lusa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"O próximo Orçamento será de continuidade face à linha que temos vindo a seguir com reposição dos rendimentos das famílias, criação de condições de investimento e redução sustentada do défice e da dívida pública". António Costa, primeiro-ministro, Lisboa, 13.09.2017

 

“Não vemos como é que é possível manter o Serviço Nacional de Saúde assim nos próximos quatro anos”

Pedro Passos Coelho, presidente do PSD, Rio Maior, 13.09.2017

 

“Ontem [quarta-feira] fizemos um cálculo de que cerca de seis mil cirurgias de rotina foram adiadas durante todo o período da greve. Isto dá uma média de 80 a 90 por cada grande hospital”. José de Azevedo, presidente dos Sindicato dos Enfermeiros, Lisboa, 14.09.2017

 

“Quero manifestar a minha profunda indignação com o que está a acontecer nesta campanha eleitoral. Soube hoje que houve denúncias anónimas feitas ao Ministério Público, denúncias anónimas que foram também feitas chegar por mão de candidaturas adversárias a jornais que fizeram circular factos que são falsos”. Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa e candidato pelo PS, Lisboa, 13.09.2017

 

"À justiça o que é da justiça, à política o que é da política. Portanto, não fazemos política com base nestes casos, mas também tenho de dizer ao senhor presidente da Câmara de Lisboa que não aceitamos o manto de suspeição que ontem veio lançar ". Assunção Cristas, candidata do CDS-PP à Câmara de Lisboa, Lisboa, 14.09.2017

 

Solidariedade e transparência
depois dos incêndios

 

O Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) deixou elogios à solidariedade das populações na resposta aos incêndios que atingiram o país este verão. O secretário da CEP, padre Manuel Barbosa, disse aos jornalistas, no final dos trabalhos, que os bispos católicos mantêm a sua atenção sobre os incêndios que “dizimaram

 

 

muita gente” e muitos bens, nos últimos meses.

“É uma situação que nos envolve a todos”, assinalou o porta-voz, esta terça-feira.

No início de julho, a Igreja Católica recolheu donativos nas Missas para o apoio às vítimas dos  incêndios na região centro de Portugal.

O padre Manuel Barbosa sublinhou

 

 

 

 a generosidade das comunidades católicas e a “solidariedade do povo português”, que contribuíram para a reconstrução de casas e bens, sobretudo nas Dioceses de Coimbra e de Portalegre-Castelo Branco, territórios mais atingidos pelos fogos florestais. “As Cáritas [diocesanas] têm feito um precioso trabalho, no terreno, e continuam a fazê-lo”, observou.

Para o secretário da CEP, a prioridade é ajudar as pessoas a recuperar a “dignidade” da sua vida, sem que existam “desvios” ou polémicas de qualquer género.

“No que diz respeito às instituições da Igreja, tem havido transparência na comunicação dessa informação”, assinalou o padre Manuel Barbosa, falando dos donativos entregues à Cáritas e à União das Misericórdias Portuguesas.

O sacerdote defendeu rapidez nas respostas, mesmo tendo em consideração as dificuldades naturais no “processo de reconstrução”.

 

 “Não vamos esmorecer esta preocupação, colaborando com todas as entidades”, prosseguiu.

A Conferência Episcopal Portuguesa publicou a 27 abril deste ano a nota pastoral ‘Cuidar da casa comum – prevenir e evitar os incêndios’, onde alertava para o “flagelo” dos incêndios e pedia a toda a sociedade que se mobilize para contrariar uma “chaga” de “proporções quase incontroláveis”.

A reunião serviu para preparar a assembleia plenária de novembro, na qual vão estar em debate o novo documento orientador para a formação dos sacerdotes, a exortação apostólica pós-sinodal sobre a família e a preparação do Sínodo de 2018, dedicado aos jovens.

O secretário da CEP adiantou que a próxima reunião magna dos bispos católicos se vai concluir a 16 de novembro, em Lisboa, com a inauguração da nova sede da Conferência Episcopal.

 

A União das Misericórdias Portuguesas anunciou o lançamento da plataforma digital ‘Juntos por Todos’ para a consulta pública dos donativos angariados no âmbito da campanha de mobilização após os incêndios deste verão. Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a instituição católica sublinha a ação de “apoio humanitário e social à população afetada” na região centro do país. 

 

 

Responsáveis debatem novo documento sobre formação nos seminários

A Comissão Episcopal Vocações e Ministérios (CEVM) reuniu os formadores dos seminários em Portugal para analisar o novo documento do Vaticano sobre a preparação dos sacerdotes católicos que realça a “formação integral” e a maturidade psíquica, sexual e afetiva. “Há novas linguagens, há novas questões, há novos desafios, para os quais temos de preparar os futuros pastores que hoje estão nos nossos seminários”, disse o presidente da CEVM à Agência ECCLESIA.

Segundo D. António Augusto Azevedo, a mudança não deve ser entendida “no sentido radical, profundo”, mas de “renovação, ajustamento”: “Uma formação integral e integrada é um desafio importante para o futuro.”

O bispo auxiliar do Porto destaca o “conceito importante” que na formação dos sacerdotes têm que procurar, cada vez mais, “integrar as várias dimensões”, como indica o documento da Santa Sé.

A dimensão humana, a formação, e a de fé dos jovens que “cresceram nas comunidades” com “sonhos, projetos e, por ventura, debilidades”, sem esquecer também a “formação 

 

intelectual”, tendo em atenção que hoje “quem chega ao seminário maior, muitas vezes, não tem formação de base” do seminário menor.

“Dai a importância que começa a ter e vai ter o tempo propedêutico, prévio, preparatório do seminário maior, e depois toda a formação espiritual e pastoral”, acrescentou D. António Augusto Azevedo.

A Congregação para o Clero (Santa Sé) publicou em dezembro de 2016 o decreto orientador para a formação de futuros padres na qual é sublinhada a importância da “formação integral” e da maturidade psíquica, sexual e afetiva.

Sobre o crescimento afetivo, D. António Augusto Azevedo observa que é importante ter presente o que foi “o crescimento dos jovens que estão nos seminários, acompanhando esse crescimento e percurso”.

 

 

Comunhão e Libertação publica manifesto para as eleições autárquicas

O movimento ‘Comunhão e Libertação’ (CL) publicou um manifesto para as eleições autárquicas de 1 de outubro, apelando a um esforço conjunto, que ultrapassa os que “já estão envolvidos na política”. “Para responder aos desafios atuais, não são necessários partidos de plástico impostos de cima, mas pessoas profundamente inervadas num povo real e não virtual”, refere o documento enviado à Agência ECCLESIA.

O movimento católico assinala que é preciso empenho em “reconhecer quem são os candidatos” que, além dos lugares comuns e das ideias que os meios de comunicação popularizam, “representam aquilo que verdadeiramente move”.

Para o CL, aquilo de que há hoje “maior urgência” é de sujeitos que possam “nas coisas pequenas ou nas grandes”, encontrar-se, dialogar e fazer propostas credíveis.

O movimento observa que nas pessoas e nas realidades sociais “parece dominar o pessimismo” que é “muito alimentado” pela incerteza e os problemas. “O aumento da pobreza; a ausência de referências na sociedade civil e de propostas  

 

capazes de incidir na vida real das pessoas; a marginalização, os idosos, a falta de alojamento para os mais carenciados e os jovens casais”, elenca o documento.

No manifesto ‘Razões de um empenho para o bem de todos’, os membros do CL indicam que a “seriedade” em relação à realidade e às suas urgências “alimenta o empenho” por aquele bem comum, o bem de todos, que o Papa Francisco “aponta como um desafio a acolher”.

Neste contexto, defende-se a construção de “corpos intermédios” que permitam às pessoas viver melhor, segundo o princípio de subsidiariedade. “O primeiro empenho pelo próximo e pelo bem comum, qualquer que seja o ideal em que se acredita, é não deixar de construir a partir de baixo respostas à necessidade”, desenvolve o movimento ‘Comunhão e Libertação’.

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial portuguesa nos últimos dias, sempre atualizados em www.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Concerto encerra comemorações do Centenário das Aparições

 

Renovamento Carismático Católico. Entrevista a José Luís Oliveira, coordenador nacional

 

 

 

Colômbia espera um antes
e depois do Papa Francisco

 

O Papa concluiu este domingo a sua primeira viagem à Colômbia, após cinco dias marcados por apelos em favor da paz e da reconciliação num país que procura sair de 52 anos de guerra civil. “Colômbia, o teu irmão precisa de ti! Vai ao seu encontro, levando o abraço da paz, livre de toda a violência”, pediu, na saudação de 

 

 

despedida que pronunciou na zona portuária da cidade de Cartagena, a norte do país.

Francisco, que esperou pelo fim das negociações de paz para se deslocar à Colômbia, sublinhou desde a sua primeira intervenção a necessidade de evitar a tentação de “vingança” entre as partes que estiveram no conflito. 

 

 

 

“Que este esforço [de paz] nos faça fugir de qualquer tentação de vingança e busca de interesses particulares e de curto prazo”, assinalou, perante o presidente da República e outras autoridades civis, em Bogotá.

A mesma mensagem foi deixada aos jovens, desafiados a perdoar, depois dos momentos “difíceis e obscuros” que o país viveu, em busca de uma paz “autêntica e duradoura”.

O Papa encontrou-se com os bispos da Colômbia, chamados por ele a estar na linha da frente contra a violência e corrupção no país, falando depois do “rosto mestiço” da Igreja Católica, perante os membros do Comité Diretivo do Conselho Episcopal Latino-Americano. Ainda em Bogotá, Francisco presidiu a uma Missa para mais de um milhão de pessoas tendo deixado gestos e palavras em defesa da vida.

O terceiro dia da viagem foi centrado nas vítimas do conflito, com várias celebrações em Villavicêncio, na região oriental, como a beatificação de D. Jesús Emilio Jaramillo e do padre Pedro Maria Ramírez, assassinados no século XX.

Centenas de milhares de pessoas viram o Papa reforçar o apelo à reconciliação do país e à rejeição da “vingança”, numa Missa com a presença de soldados, agentes da  

 

polícia e ex-guerrilheiros, além de representantes das 102 comunidades indígenas.

Um dos pontos altos do programa foi a “grande vigília” de oração pela reconciliação nacional da Colômbia, na presença de 6 mil vítimas do conflito armado. "O ódio não tem a última palavra", disse Francisco, depois de ouvir, com a multidão, os testemunhos de pessoas atingidas pela guerra civil das últimas décadas e de ex-combatentes.

Nova multidão esperava o Papa em Medellín, onde o dia começou com uma mensagem centrada na comunidade católica e na necessidade de “renovação” da Igreja. O pontífice visitou depois uma instituição de acolhimento para crianças desfavorecidas, na qual alertou para o “sofrimento injusto” de menores em todo o mundo.

Ainda na cidade-símbolo do narcotráfico, Francisco evocou a “memória dolorosa” das vítimas da droga, apelando à “conversão” dos traficantes.

O Papa deixou mensagens em defesa da dignidade das mulheres, das vítimas do tráfico humano, do ambiente e das comunidades afroamericanas, particularmente evocadas em Cartagena, antigo mercado de escravos.

 

 

 

Mais representatividade internacional e mais mulheres na Cúria Romana

O conselho consultivo de cardeais que o Papa criou para a reforma da Cúria Romana reuniu-se esta semana e apontou a necessidade de maior representatividade internacional e feminina nos órgãos administrativos da Santa Sé.

O encontro, que se concluiu esta quarta-feira, foi o 21.º do Conselho de Cardeais, o chamado C9, tendo debatido questões como a relação entre a Cúria Romana e as Igrejas locais, o papel das Nunciaturas Apostólicas e a seleção dos funcionários na administração da Santa Sé, que se pretende “menos  

 

clerical e mais internacional, com um aumento de jovens e mulheres”.

A informação foi avançada aos jornalistas pelo porta-voz do Vaticano, Greg Burke, em conferência de imprensa.

O cardeal Sean Patrick O’Malley atualizou os membros do C9 sobre os trabalhos da Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores. Ausentes dos trabalhos estiveram os cardeais D. George Pell e D. Laurent Monsengwo Pasinya.

A próxima reunião do C9 está marcada para os dias 11, 12 e 13 de dezembro.

 

História julgará decisões políticas sobre alterações climáticas

O Papa Francisco deixou críticas aos governantes que questionam as alterações climáticas, falando aos jornalistas no voo de regresso a Roma, desde Bogotá. “A história julgará as decisões” desses políticos, defendeu.

Francisco foi questionado sobre a série de furacões que atingiram a região das Caraíbas e a sua relação com as mudanças climáticas a nível global. “Quem nega isto, deve ir perguntar aos cientistas, eles falam com clareza”, disse, em conferência de imprensa, após uma viagem de cinco dias à Colômbia, que se encerrou este domingo (madrugada de segunda-feira em Lisboa).

O Papa sublinhou que a defesa dos recursos naturais é uma responsabilidade comum: “Todos nós temos uma responsabilidade, todos, grande ou pequena, uma 

 

responsabilidade moral”. “Devemos levar isto a sério, é algo com que não se deve brincar, é muito sério”, acrescentou.

O pontífice falou depois do “dever de gratidão” perante o acolhimento aos imigrantes que foi dado pela Itália e a Grécia, pedindo “coração aberto, paciência, integração e proximidade humanitária” a populações que enfrentam os perigos da travessia do Mediterrâneo e dos “lager no deserto”.

Questionado sobre a decisão da administração Trump de terminar o programa que protege 800 mil jovens indocumentados nos EUA, Francisco deixou votos de que a decisão possa ser revertida, em nome de uma política “pró-vida”. “Se é um bom pro-life, entende que a família é o berço da vida e deve ser defendida na sua unidade”, precisou. 

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial internacional nos últimos dias, sempre atualizados em www.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Papa recebeu sacerdote raptado em 2016 no Iémen

 

 

 

Mensagem de paz do Papa na Colômbia

 

 

Os incêndios são um problema moral

  D. Manuel Linda    
  Bispos das Forças   

  Armadas e Forças de  

  Segurança  

 

Mais ou menos todos os anos, de Junho a Setembro, a notícia está feita: “incêndio de grandes dimensões lavra e consome....”. A única coisa que muda é a localização.

Somos a vergonha da Europa. Nos outros países, também há incêndios. Mas não com a dramaticidade dos nossos. Por algum motivo, este ano, quase metade da área ardida aconteceu num Portugal que representa menos de 1% da superfície da Europa! E com um contínuo crescendo de vítimas, quase sempre mortais: nada pode justificar esse número «obsceno» de quase setenta, desde o acidente de Pedrógão até aos que os combatiam.

É por isto que os incêndios são um problema moral. Não somente na óptica dos incendiários, que esses, como diz o povo, são uns «desalmados». Se se tratar de cristãos, não deveriam ser readmitidos à vida eclesial sem uma longa penitência pública, tal como acontecia na Igreja primitiva.

São um problema moral pela tal vergonha de que falei: é o nosso bom nome que está em causa. São-no por causa do imenso esforço que se pede a quem os combatem. São-nos a nível das vítimas: quem assume a responsabilidade destas mortes, o sofrimento dos queimados, os custos dos tratamentos, a dor dos familiares? A moral cristã fala em «estruturas de pecado»: não somos nós, individualmente, quem causa este mal, mas ele acontece. E não há pecado sem pecador.

Mas são ainda um problema moral por causa 

 

 

  

dos efeitos. Para o todo nacional, os prejuízos dos incêndios serão irrisórios a nível do PIB. Mas não assim para as populações do interior, já por natureza abandonadas à sua sorte, que vêem ser consumido num ápice o que constituiria a fonte da sua subsistência. Por vezes, a única! De tal forma que tem pleno cabimento o que ouvi a uma senhora muito humilde: “Dá a ideia que nos querem tirar daqui pela fome”. Está tudo dito. E está intuído que esta gente entra numa de desânimo e não mais investe, pois, “se escapar agora, queima-se para o ano”. E então, não vale a pena insistir...

O povo fala da «indústria dos incêndios», pelos vistos, rentável para alguns. E acusa os técnicos de alcatifa dos Ministérios da tutela e os próprios Governos de responsabilidade directa neste estado de coisas. De facto, o princípio da subsidiariedade afirma que os organismos superiores devem suprir o que os inferiores não conseguem realizar. E aqui, por incúria ou falta de rentabilidade política, muito pouco se tem feito. E pouco é mesmo...  pouco.

Ora, se a política é, por natureza, a estrutura de mediação entre a ética e a realidade, o completo falhanço dos técnicos e dos governantes não poderá ser classificado como grave falta moral? Quem se confessa dela?

 

 

 

 

Um olhar que jamais esqueço

  Luis Filipe Santos   
  Agência ECCLESIA   

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

Escrever sobre alguém que admiramos é difícil… A emotividade das palavras pode trair o coração, este órgão vital que apunhalou o meu amigo António Francisco dos Santos.

Conheci-o nos finais do século passado na diocese natal. Apresentado por amigo comum, memorizei os elogios que este lhe fez. Locuções que guardei e o tempo veio confirmar.

Nunca esperei chegar da vilegiatura e deparar-me com a triste notícia do falecimento do bispo do Porto. O pastor que lia a vida com atos e não excluía nenhum campo da evangelização.

Sem artifícios de linguagem, o pastor que a diocese de Aveiro «chorou» quando recebeu a notícia da sua ida para as terras do Douro deixou marcas inapagáveis pelos terrenos onde lançou sementes evangélicas. Os olhos deste lavrador com os lavradores abraçavam as pessoas de forma calorosa. O seu olhar era luminoso e transparente. Dialogava com os mais frágeis e com as elites.

Recordo alguns diálogos com António Francisco… Alguns deles tiveram lágrimas. Afinal somos humanos e temos sentimentos. Trocamos várias mensagens através do telemóvel… Desculpa-me, não respondi à última. Mas sabes que tentarei realizar a tua solicitação.

Se a cidade de Paris simboliza a luz e a capital italiana personifica a arte, D. António Francisco dos Santos consegue reunir estas duas características nos seus gestos pastorais.

Se Aveiro viu partir «o nosso bispo» (expressão utilizada por muitos diocesanos), o Porto recebo-o de braços abertos em abril de 2014. A imensidão

 

 

 do seu brilho iluminou todos os cantos e recantos da diocese duriense. O calor da sua fogueira aqueceu os tecidos universitários e a nudez dos mais desprotegidos. O movimento das suas ondas pastorais espelhou o azul da ressurreição nos locais por onde passou… Quem contactou com este pastor sentia os gestos pascais a brotarem nas palavras e ações.

No dia em que foi nomeado para bispo do Porto, partilhou com a Agência ECCLESIA episódios da sua vida. No final da entrevista teve um gesto que espelha bem a sua forma de estar e de ser. Convidou-nos para almoçar… Gestos com aromas bíblicos que iluminaram a textura das suas palavras. Ações que tatuaram

 

a nova evangelização.

No último acontecimento diocesano, peregrinação da Diocese do Porto ao Santuário de Fátima, abriu novamente o coração e concedeu-nos uma entrevista onde falou de assuntos que estão na ordem do dia. Um verdadeiro testamento espiritual que pode ler na edição deste semanário.

Amigo… Não fui ao teu funeral, mas sei que a Sé do Porto e o terreiro que a circunda eram pequenos para te prestarem a última homenagem. O coração traiu-te, mas tu entraste no coração das pessoas.

Obrigado D. António Francisco Santos por teres sido meu amigo. A Agência ECCLESIA vai sentir falta das tuas palavras motivadoras.

 

 

 

 

 

D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto, faleceu esta segunda-feira aos 69 anos, na Casa Episcopal da diocese, que anunciou a morte, em comunicado oficial. Um choque que provocou muitas emoções e que levou a um aturado trabalho, por parte da ECCLESIA, de que damos conta também nesta edição do Semanário digital.

O falecimento aconteceu apenas dois dias depois da peregrinação da Diocese do Porto ao Santuário de Fátima. Nessa ocasião, tínhamos tido a oportunidade de gravar uma entrevista que agora reproduzimos na íntegra, sublinhando o caráter testemunhal da mesma, como uma espécie de “testamento”.

Somam-se ainda vários depoimentos e escritos de bispos portugueses, testemunhos pessoais e institucionais, além da evocação da Liturgia Exequial.

D. António Francisco dos Santos foi nomeado bispo do Porto em fevereiro de 2014, sucedendo a D. Manuel Clemente, e tomou posse a 5 de abril do mesmo ano. Foi ainda bispo de Aveiro e auxiliar de Braga, tendo sido ordenado bispo em março de 2005, na Sé de Lamego.

O falecido bispo era natural de Tendais, no Concelho de Cinfães (Diocese de Lamego) e foi ordenado padre em dezembro de 1972.

Após os estudos no seminário da sua diocese, licenciou-se em Filosofia na 'École Pratique de Hautes Études Sociales', com mestrado no Instituto Católico de Paris, onde obteve ainda o diploma de Sociologia Religiosa. Durante os estudos em Paris, foi membro da equipa sacerdotal da Paróquia de São João Batista de Neuilly-sur-Seine, assumindo a responsabilidade pastoral da comunidade portuguesa.

João Paulo II nomeou-o auxiliar de Braga, a 21 de dezembro de 2004; Bento XVI escolheu-o como bispo da Diocese de Aveiro, em setembro de 2006 e tomou posse a 8 de dezembro do mesmo ano.

Na Conferência Episcopal Portuguesa, ocupava o cargo de presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana e de vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé.

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

«Diálogo, abertura, presença e proximidade»

 

A Agência ECCLESIA transcreve a última entrevista concedida por D. António Francisco dos Santos, falecido bispo do Porto, concedida durante a peregrinação diocesana ao Santuário de Fátima, a 9 de setembro. Uma conversa sobre temas sociais, a família, o trabalho, a vida da diocese e o poder local que fica como um testemunho do percurso e do pensamento do prelado.

Entrevista conduzida por Henrique Matos

 

Agência ECCLESIA (AE) – A Diocese do Porto peregrinou ao Santuário de Fátima. Um momento significativo no centenário das aparições da Cova da Iria e um início de uma tradição?

D. António Francisco Santos (AFS) – É a segunda vez que a Diocese do Porto faz uma peregrinação diocesana ao Santuário de Fátima. A primeira ocorreu em 1968, e este ano, depois da bênção que constituiu a visita da imagem peregrina a toda a diocese. Depois de ver a afluência o entusiasmo, o encanto e a alegria que todos os diocesanos/as, nós sentimos que devíamos vir agradecer essa visita. Sentimos que devíamos vir celebrar também aqui, no Santuário de Fátima, o dia da dedicação da nossa catedral. Abrindo assim um espaço novo fora de portas e para lá de fronteiras nesta dedicação Igreja

 

 da catedral e do início do ano pastoral.

A Diocese veio agradecer a visita da Virgem Peregrina, vimos celebrar o centenário e vimos iniciar uma nova etapa do caminho pastoral da diocese que queremos que seja sempre abençoada por Nossa Senhora que teve sempre presente no percurso da Igreja. Não sejamos nós, a cidade da Virgem, dedicada a Nossa Senhora de Vandoma, e uma diocese que tem como padroeira Nossa Senhora da Assunção.

A afluência e o encanto destes mais de 30 mil diocesanos do Porto e mais de duzentos sacerdotes e a presença de todas as 477 paróquias e da 22 vigararias e de muitos movimentos apostólicos. Uma grande moldura humano onde víamos jovens, crianças, idosos e famílias. Estiveram mais 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

de 300 doentes e frágeis e uma presença muito significativa de 50 pessoas sem-abrigo da cidade do Porto para que também aqui Nossa Senhora nos inspire a irmos a todas as periferias e abrirmos caminhos novos de renovação pastoral.

 

AE – Para quando a próxima peregrinação diocesana ao Santuário de Fátima?

AFS – Agora vamos fazer a avaliação desta bela iniciativa. Depois, penso que este espírito que nos envolveu

 

 e mobilizou a todos vai continuar com novas iniciativas. Nós temos muito o sentido da criatividade da ação pastoral. Não é a repetição pela repetição. Temos de fazer sempre as coisas com sentido, com horizonte, com objetivos e com metas. Daqui podemos levar mais vigor, entusiasmo e dinamismo para a ação pastoral.

O ano pastoral que hoje [09 setembro NR] iniciámos tem como lema: «Movidos pelo amor de Deus». Um ano centrado no serviço da caridade e na atenção aos que mais precisam. 

 

 

 

Esta experiência de sermos uma Igreja Diocesana por inteiro que se reúne e congrega em Fátima, nos 600 

autocarros que vieram, diz-nos que por aqui passa o caminho de futuro da Igreja do Porto.

 

AE – Para além de bispo do Porto, D. António Francisco Santos é também presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana. Como encara este desafio que a Igreja lhe confiou?

AFS – Fui surpreendido para este cargo por parte dos meus irmãos bispos. Vejo este cargo com alguma apreensão, mas também com algum realismo. Todos somos necessários e a Igreja tem de estar muito presente nesta vanguarda da missão. Iniciei 

 

o meu trabalho há um mês… Estamos a dar passos e temos preocupações, mas temos também sonhos e propósitos. Temos também um desejo muito grande de trabalhar e estar presente neste espaço tão necessário como é a ação socio-caritativa da Igreja. Temos de ter capacidade de lermos a realidade e escutarmos o mundo. Temos de estar disponíveis para dar resposta às novas formas de pobreza e aos novos desafios da sociedade moderna.

A Igreja sempre teve capacidade de estar presente onde é necessário. O Papa Francisco lidera também e abre-nos caminhos. Saibamos aprender com ele e a Pastoral Social da Igreja em Portugal saberá cumprir a sua missão. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AE – A Semana da Pastoral Social realiza-se de 19 a 21 deste mês e coloca o sublinhado na importância da família. É no seio da família que se trabalha a caracterização social e a capacidade transformadora das sociedades.

AFS – É verdade. É ali que se acolhe o melhor do amor de Deus por cada um de nós. Este desígnio e este lema vai ajudar-nos a perceber que a família é um eixo essencial e imprescindível da renovação da Igreja e da transformação da sociedade. Temos de olhar com gratidão, estima e compreensão porque muitas vezes as famílias são vulneradas e fragilizadas na sua vida e nós, às vezes, não nos apercebemos. A Igreja tem de estar cada vez mais atenta às dores, sofrimentos e clamores da família. Mas também, cada vez mais, decidida em envolver a família por inteiro na transformação da sociedade.

 

AE – Embora a família vá registando mutações ao longo dos tempos. É necessário estar atento aos vários desenhos familiares?

AFS – Devemos dar espaço a que a ciência faça progressos e avanços. Devemos estar abertos aos caminhos novos da cultura. Devemos estar muito convictos e presentes daqueles 

 

valores que são sagrados e perenes, mas devemos ter também uma grande capacidade de diálogo, abertura, presença e proximidade das famílias na sua diversidade e complexidade. A Igreja não se pode fechar nem voltar as costas à realidade atual. Ela tem de saber iluminar e escutar esta realidade. Não somos os únicos a querer o bem do mundo, mas temos uma mensagem que nos vem do Evangelho. A mensagem do Evangelho não é apenas para ser estudada como um repertório da história que já passou, mas um desafio para a história que se constrói.

 

AE – As famílias têm sido esquecidas, mesmo nas políticas governamentais.

AFS – Nós, muitas vezes, temos esquecido a família. Mesmo na Igreja, a nossa ação pastoral é muito sectorizada. Pensamos nas crianças da catequese, nos jovens e a pastoral juvenil… mas a família no seu todo, que nos traz e traduz a beleza e a perfeição, nem sempre é bem cuidada e nem sempre é bem tratada. Penso que o Papa, na exortação apostólica, nos abre muitos caminhos que nós ainda não fomos capazes de percorrer. Nem fomos capazes de perceber como sinais dos tempos e inspirações do Espírito para o futuro.

 

 

 

AE – Os tempos atuais falam muito de retoma económica, aumento de produtividade e baixa do desemprego. Existe um clima de otimismo. Todavia, isso não evita que continuam a existir muitas situações de fragilidade.

AFS – É fundamental olharmos o futuro numa atitude positiva e proactiva de esperança e confiança. A confiança leva-nos a pensar que todos juntos somos capazes de resolver os problemas, é já de si um passo em frente. Estou contente com esta capacidade de olharmos o futuro com esperança e de não passarmos a vida a lamentar-nos e a queixar-nos da crise e a viver submetidos a esta tirania de que tudo é mau e que estamos no pior tempo da história. Mas depois disso, não podemos esquecer aqueles que mais precisam, que mais sofrem e aqueles em quem ninguém pensa. Não podemos viver o idealismo do otimismo fácil e não vivermos a realidade de uma exigência concreta. Temos a obrigação para as situações reais e objetivas. A conjugação do ânimo, da esperança e da capacidade de ver o futuro com a certeza que somos capazes é essencial, sem esquecer a atenção aos mais pobres. Quando temos vontade

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

de fazer o bem e nos unimos para o fazer em conjunto, conseguimos dar respostas reais aos problemas reais.

 

AE – O Papa Francisco tem sido muito crítico em relação ao sistema económico vigente e também como as empresas lidam com os colaboradores. A Igreja também faz esta denúncia com frequência, mas também é uma entidade empregadora. Ela precisa de olhar para dentro?

AFS – Tem razão. Todos nós temos as nossas fragilidades. Nós, como diocese, somos dos maiores empregadores da área geográfica

 

 

 do Porto e nem sempre tivemos capacidades para manter os mesmos trabalhos e os mesmos empregos para dar respostas com realismo de aumentos dos salários a quem o merece. Isto obriga-nos a sermos mais competentes, mais profissionais e também mais ousados no sistema da justiça e da equidade entre todos.

Há muito a fazer na Igreja no campo laboral. Eu próprio sinto isto no dia-a-dia e é uma das minhas preocupações prementes neste campo. Nós crescemos naquele humanismo próprio de querer dar emprego a toda a gente e agora estamos circunscritos

 

 

 

 

pela realidade. Muitas vezes não somos capazes de dar respostas através das nossas instituições para manter todos os trabalhadores. Isso dói-nos, rasga-nos a alma e dilacera-nos o coração. A Igreja tem de saber denunciar, mas saber também em denunciar-se a si própria quando não é capaz de viver aquilo que a Doutrina Social da Igreja nos propõe e nos impõe. 

 

AE – As eleições autárquicas estão próximas, fala-se muito do local e do poder local. Os discursos falam muito no valor das pessoas, mas é importante que isso não se esqueça após a contagem dos votos.

AFS – Creio que todos nós somos devedores, após o 25 de Abril de 1974, a um grande caminho feito no poder autárquico. O serviço dos autarcas, a quem eu presto homenagem e admiração, quando realizado como tónica de dimensão de serviço. Aqueles que servem, tanto nas juntas de freguesia como nas câmaras municipais, são os que estão mais próximos de nós e conhecem melhor a realidade. Todavia há realidades que demoram muito tempo. A burocracia e a administração são muitas vezes lentas. Estas atrasam 

 

soluções que prejudicam e tornam a injusta a vida das populações. Este é um caminho grande a percorrer… E depois a transparência. Acho que a verdade, a autenticidade e entrega são essenciais. Todavia, considero que o rosto das cidades, vilas e aldeias transformou-se e, graças a Deus, para bem de todos.

 

AE – Este poder autárquico devia ser reforçado para aumentar a proximidade às populações?

AFS – Entendo que sim. Devemos fazer uma grande reforma da administração central, administração regional e local. Quanto mais aproximarmos os servidores, seja a nível do Estado, das autarquias e instituições daqueles a quem servem para que seja olhos nos olhos, coração a coração, rosto a rosto… Nós estamos a construir um Portugal melhor, mas nesta área temos muito a aprender com outros povos para reforçar o poder autárquico. Aqueles que nos conhecem podem servir-nos melhor.

 

 


 

No coração de Cristo, o nosso Bom Pastor

Homilia na Missa exequial
de D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto

Irmãos caríssimos

Surpreendido ainda pelo súbito falecimento do Senhor D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto, nosso irmão e amigo, correspondo à indicação que me foi feita para presidir a esta Santa Missa Exequial.

Com simplicidade e emoção o faço. Longos anos de amizade, a coincidência de idade e de percurso eclesial, tudo me aproximou do Senhor D. António Francisco, em muitos encontros institucionais e pessoais, projetos e desafios das nossas missões e tarefas. Sempre nele encontrei disponibilidade e competência, além da muita estima recíproca.

Num momento como este, são muitas as palavras possíveis, como aliás têm sido proferidas por grande número de pessoas da Igreja e da sociedade, não faltando o depoimento de altas figuras da vida nacional e local. Todas aliam sentimentos de admiração e já saudade pela grande figura pessoal, eclesial e social que entre nós viveu e verdadeiramente conviveu, pois

 

grande e marcante era a sua capacidade de estar com os outros e, ainda mais, de estar para os outros.

Assim sendo, continuará connosco pelo que de si mesmo nos ofereceu e passou a integrar também. Se, em boa parte, somos o que os outros nos fazem ser, grande vantagem foi – e motivo de ação de graças agora – termos podido disfrutar da presença, da palavra, da grande generosidade do Senhor D. António Francisco. Os homens bons são a garantia do mundo, os bons pastores são a glória da Igreja.

Não precisei de procurar muito a alusão bíblica que melhor o identificasse, como pessoa, como cristão e como bispo. Logo se impôs a que o próprio Cristo escolheu para si, ao apresentar-se como Pastor – o Bom Pastor das ovelhas que somos.

Lembramos o passo evangélico, como acabámos de ouvir. No capítulo décimo do Evangelho de João, o Bom Pastor distingue-se pelo conhecimento que tem das ovelhas - de cada um dos seus, nome a nome, assim

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

mesmo os conduzindo e defendendo. Jesus diz também, e sobretudo, que não apenas as conduz mas dá a própria vida pelas ovelhas.

É esta a novidade, pois não tinham faltado nos profetas e nos salmos preciosas referências a Deus como Pastor do seu povo. Mesmo os antigos reis e outros responsáveis o podiam e deviam ter sido, de algum modo. A imagem não era totalmente nova, mas a novidade estava ainda por cumprir de modo definitivo e sensível.

 

Também nós o esperamos de quem tenha responsabilidades na cidade dos homens e na Igreja dos crentes. Tocados como fomos e permanecemos pela tradição evangélica, há imagens de Cristo que se tornaram profundamente culturais, no sentido mais preenchido do termo. Creio mesmo ser essa a realidade que ainda nos pode definir coletivamente – e cheia de futuro, aliás.

Não é por acaso que, quando queremos significar a verdadeira 

 

 

 

 

ajuda, o serviço dos outros, usamos – mais ou menos conscientemente – os termos tão evangélicos de “bom samaritano” ou de verdadeiramente “próximo”. Não é por acaso que, quando se acolhe benevolamente quem regressa, falamos do “filho pródigo” e sobretudo do pai que o recebe. Não é por acaso que se classificam as grandes dedicações profissionais ou cívicas como “sacerdócio”, no sentido novo que o Cristianismo lhe deu.

Mas de todas as imagens que Jesus 

 

toma para o Pai ou para si sobressai como particularmente impressiva a do “Bom Pastor”. Numa sociedade agrária e pastoril, como ainda era a sua e fora por tantos séculos a dos seus, a imagem evocava imediatamente o cuidado por todos e cada um, a atenção especial aos mais fracos, o aconchego duma presença certa. Por isso se impôs nas primeiras comunidades e na antiga iconografia cristã. Como se continua a impor na nossa meditação e oração. Cristo é o rosto definitivo e próximo de Deus, 

 

 

 

 

como nosso Pastor, como Pastor de todos.

E no entanto, caríssimos irmãos, creio que a alusão nunca seria tão forte e distintiva se não tivesse encontrado pleno e quase excessivo cumprimento na pessoa de Cristo, que não apenas guardou as suas ovelhas mas por elas deu a própria vida. Esta nova maneira de ser pastor, esta absoluta maneira de ser connosco, de ser por nós e para nós, é que dá ao passo evangélico a força e a sugestão que tão salutarmente mantém.

Digamos ainda que, assim como Jesus Cristo deu à imagem do Bom Pastor a realidade mais concreta e convincente, assim a sua presença ressuscitada encontra o sinal e o sacramento em quem, pela participação no seu Espírito, lhe dê agora o rosto e o gesto.

É precisamente neste ponto que – sem extrapolações nem lugares comuns – podemos e devemos reencontrar a figura do Senhor D. António Francisco, com toda a justiça em relação ao que foi entre nós e muita ação de graças a Deus que no-lo deu como sacramento de Cristo Pastor – em Lamego, em Braga, em Aveiro, no Porto e em todos os lugares que a sua vida visitou.

 

Ser bispo, nas atuais circunstâncias, é um trabalho complexo e quase inabarcável para quem o exerce. Não se está acima de nada nem de ninguém, muito pelo contrário, mas sim no centro de tudo ou quase tudo, no que à igreja se refere e mesmo além da vida da Igreja. A pressão é grande, inclusive a mediática, e as estruturas intermédias quase se desfazem, pois sempre se espera que quem está no centro responda imediatamente seja ao que for, por mais inesperado ou casual que possa ser.

A mentalidade é de contraste, o dia-a-dia atropela-se e a solicitação é forte ou latente. Por outro lado, tratando-se de acompanhar e conjugar a vida eclesial, a avaliação e a decisão requerem especial cuidado. São sempre realidades anímicas, trata-se afinal de pessoas.

D. António Francisco dos Santos foi um grande pastor da Igreja. No sentido plenamente cristão de quem dá a vida pelas ovelhas. Assim a deu generosamente, quase sem descanso e nas circunstâncias que esbocei.

Lembro-me de quando veio falar comigo, hesitante em aceitar o cargo. Estava feliz e realizado em Aveiro e tinha receio de não ser capaz. Foi 

 

 

 

capaz e capacíssimo, precisamente no essencial, de ser um pastor próximo e amigo de todos e cada um dos seus. Não lhe faltaram dificuldades, mas nenhuma lhe endureceu o espírito nem o trato. Sábio e bondoso, assim permaneceu e assim nos fica, como memória e como estímulo.

Fisicamente, o coração pode parar. Espiritualmente, isto é, realmente, 

 

continua connosco no coração de Deus. No coração de Cristo, o nosso Bom Pastor.

Muito obrigado, caríssimo irmão e amigo!

 

Sé do Porto, 13 de setembro de 2017

D. Manuel Clemente, cardeal-patrirca

presidente da Conferência Episcopal Portuguesa 

 

 

Palmas e mensagem do Papa no adeus

Milhares de pessoas despediram-se de D. António Francisco dos Santos, assinalando com uma salva de palmas o momento do rito da última 

 

 

encomendação, na liturgia exequial desta quarta-feira.

A cerimónia de despedida decorreu no Terreiro da Sé, onde a Missa presidida

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

por D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa, foi seguida através de ecrãs gigantes. O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa falou à multidão presente, depois do momento em que a urna deixou a catedral, para o rito da última encomendação.

“A vida e o trabalho do senhor D. António Francisco foram para todos nós um grande sinal do que é ser Cristo no mundo, precisamente como pastor”, declarou.

 

 

 

D. Manuel Clemente sublinhou a “preocupação por todos e cada um”, à imagem de Deus, do falecido bispo. “Demos graças a Deus por ter sido assim, tão convincente, tão próximo, tão generoso, na figura, na pessoa, no trabalho do senhor D. António Francisco dos Santos”, concluiu.

O Papa Francisco enviou uma mensagem para a Liturgia exequial, na Catedral diocesana. Antes da proclamação das leituras, o núncio apostólico em Portugal, D. Rino 

 

 

 

Passigato, apresentou a mensagem, na qual Francisco manifesta “o seu pesar e a sua solidariedade à comunidade diocesana do Porto, bem como aos seus familiares em luto”.

O texto, enviado através do secretário de Estado do Vaticano, evoca o falecido bispo do Porto como um “pastor afável, generoso”, que colocou os seus dons “ao serviço dos irmãos”.

O Papa reza pelo “incansável servidor do Evangelho e da Igreja” e associa-se à Liturgia exequial, concedendo a sua bênção apostólica.

D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), começara 

 

 por recordar um “queridíssimo irmão e amigo”. A evocação aconteceu no início da Missa que reuniu na Sé bispos portugueses, autoridades políticas, familiares e amigos do bispo do Porto.

Entre os participantes na celebração estavam o presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro António Costa e o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, além de líderes partidários e autarcas.

D. António Francisco dos Santos foi sepultado numa cripta na capela de São Vicente, nos claustros da catedral portuense.

 

 

 

Morreu um amigo

Carta aberta a D. António, bispo do Porto

Caro D. António, percorro as nossas memórias e pela primeira vez deixas-me mal. Dizemos que és um homem bom. É verdade. Pura verdade. Mas é pouco. Entre pensamentos comovidos, surgiu-me um que me rasgou o sorriso e que faz justiça à tua bondade e ao teu modo de ser pastor. O Papa Francisco diz-nos que quer que sejamos pastores com odor a ovelhas. Pois deixa-me dizer-te: da próxima vez que estiver com o Papa Francisco dir-lhe-ei que conheci um bispo que deixou as ovelhas com odor a pastor.

Procuro luz e consolação na Palavra de Deus e ocorre-me aquela passagem do Evangelho segundo S. João em que Maria unge os pés do nosso Senhor com nardo puro e a casa encheu-se com a fragrância do perfume. Encontro amigos, sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos e personalidades da nossa sociedade, e quando falamos de ti lá está a fragrância desse perfume que a tua morte libertou. Confirmam-se as palavras do Mestre: “Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto”. ( Jo 12, 23).

 

A tua passagem pela Arquidiocese deixou marcas indeléveis e profundas no coração dos fiéis. A tua inteligência lúcida e conselho amigo e competente foram sempre uma ajuda inestimável no meu exercício como pastor. Os sacerdotes recordam-te com carinho e profundo sentimento de gratidão. A tua memória prodigiosa e cheia de afeto não conhecia limites a mais um nome, um aniversário, uma história. O teu sorriso abriu corações, mitigou conflitos, encurtou distâncias. O teu olhar penetrante e límpido espelhava o coração de um homem inteiro. A tua morte aumentou a saudade que já sentíamos. Olhando para a tua inteligência, considero-te um homem com senso profundo das coisas; olhando para o teu coração, recordar-te-ei como pastor de consensos onde o amor unia numa cumplicidade que o tempo não conseguirá destruir.

D. António, desde segunda-feira que procuro um modo da Arquidiocese dizer obrigado pelo tanto que nos deste. Até que li a tua última homilia e encontro a homenagem perfeita, dar corpo ao teu sonho: “construir uma Igreja bela, como uma casa

 

 

 

de família”. Recordando-te, prosseguiremos na responsabilidade de dar beleza à Arquidiocese através de um envolvimento de todos, particularmente dos mais frágeis, no amor infinito de Deus. A casa do Pai, onde agora moras, é a mesma casa

 

onde ainda trabalharemos por um Reino de fraternidade e justiça.

Até ao dia do nosso encontro.

D. António, obrigado por tudo.

 

D. Jorge Ortiga,

Arcebispo de Braga

 

 

Na entrada na Casa do Pai do meu irmão no episcopado e ilustre filho da nossa Diocese de Lamego, D. António Francisco dos Santos

 

1. «Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós» (Jo 15,16). Sim, escolhidos desde antes do seio materno (Jr 1,5), desde antes da criação do mundo (Ef 1,4). E acrescentemos, sempre guiados pela Escritura Santa, aberta e lida, desde sempre escolhidos, amados, predestinados, agraciados, redimidos, mortos, sepultados, ressuscitados, 

 

 

vivificados, glorificados (cf. Rm 6,1-11; Cl 2,12-13), para sermos «filhos no Filho», filiação divina (hyiothesía) por graça recebida (cf. Rm 8,15-16; Gl 4,5; Ef 1,5; Gaudium et spes, n.º 22), feitos semelhantes a Deus e vendo-o como Ele é (cf. 1 Jo 3,1-2), que constitui o verdadeiro cume da vida dos filhos de Deus, em sentido muito explícito, denso e misterioso. De maior e de

 

 

 

 

mais belo, não há nada. A nossa maneira de viver e de fazer não é o corolário da visão de Deus; é a própria visão de Deus. A ética é uma ótica.

 

2. Deixem-me registar aqui um bocadinho de diário. Ainda há oito dias atrás, Dia de Domingo, 03 de setembro, estivemos juntos, na Igreja Matriz de Armamar, na celebração das bodas de ouro sacerdotais do Sr. P. Artur Mergulhão. Na viagem de regresso, ao final da tarde, de Armamar para o Porto, o Sr. D. António Francisco teve a amabilidade de fazer uma paragem e passagem pelo Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (Padre Américo), para visitar a minha irmã, que lá se encontra internada há mês e meio, deixando-lhe palavras de conforto simples e afável. Registo este acontecimento de profundo sabor humano e cristão, que traduz bem o modo de ser do Sr. D. António Francisco.

 

3. Tudo isto para dizer o que penso ser possível dizer e dever dizer do «servo bom e fiel» (cf. Mt 24,45), próximo, humanado, dedicado, humilde e humilhado, portanto, exaltado, até ao ponto de se sentir com todos irmanado, que foi e é o bom filho de Tendais e de Lamego, D. António 

 

Francisco dos Santos. Em boa verdade, sou dos que penso que poucas coisas nos é dado escolher. Sou cada vez mais levado a ver que o veio mais fundo e fecundo que vai urdindo a nossa identidade, que é aquilo que só eu posso fazer, e ninguém pode fazer em vez de mim, não depende de nenhuma das nossas escolhas, pois vem de antes de nós, de antes de a nossa memória registar qualquer sinal, de antes do ventre materno. Vem do «amor fontal» de Deus, nosso Pai (Ad gentes, n.º 2). Nós não escolhemos Deus nem o Amor nem o Bem. Deus entra-nos pela casa adentro, sem bater à porta e sem pedir licença, e elege-nos, sem nos ouvir, marca-nos com uma eleição que não prescreve nunca, confia-nos uma missão que não podemos rescindir, entrega-nos um Amor a que não nos podemos subtrair. Penso que foi assim que viveu e morreu o meu irmão, D. António Francisco.

 

4. O que fica dito, de teor muito bíblico e levinasiano, é para deixar o meu irmão, D. António Francisco, completamente na mão de Deus, ao dispor de Deus, ao sabor de Deus. E a viagem em que há 68 anos embarcou, e que agora continua, ao mesmo tempo transitiva e intransitiva, mais intransitiva do que transitiva, 

 

 

 

ainda é escrita fina de Deus. Quero dizer, para sempre escrita e oferecida ao esforço da leitura, como aquela viagem para Emaús e de Emaús, com os nossos olhos esbugalhados de espanto perante aquele ignorado companheiro que ocupa sempre o meio, quer quando faz perguntas fáceis para as nossas respostas sempre erradas e mirradas por míngua de leitura e compreensão, quer quando nos prega um bom par de fintas pedagógicas, quer quando bendiz e parte o pão, quer quando desaparece e nos deixa a contemplá-lo bem presente nessa ausência.

 

5. Acesa outra vez a vista do coração, aí vamos nós outra vez de volta; retomamos a viagem transitiva e sobretudo intransitiva, e reparamos que levamos tanta coisa para contar. Mas primeiro, sempre primeiro, temos de nos sentar e deixar aquecer e alumiar por aquela labareda do Senhor Ressuscitado (cf. Lc 24,34). Obrigado, D. António Francisco! Fala ao Senhor de nós.

 

D. António Couto, bispo de Lamego

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As memórias dos colaboradores
mais próximos

D. António Bessa Taipa, agora administrador diocesano, por decisão do Colégio de Consultores da Diocese do Porto, foi um dos três bispos auxiliares com quem D. António Francisco dos Santos contou, nos últimos meses da sua vida. 

Para este responsável, o maior legado do falecido bispo foi “a proximidade, o amor a toda a gente” de alguém que viveu com “serenidade” os problemas que teve de enfrentar, “como padre, como bispo”, um “homem bom”.

“Amou muito, muito, muito e rebentou o coração”, realçou, sublinhando a “intensidade” com que o falecido bispo viveu, alguém que

 

impressionava pela sua capacidade de trabalho.

“O D. António não falava de generalidades, falava da especificidade, o que significava que tinha de estudar, tinha de se pôr a par, e toda a gente o admirava por isso, era altamente culto e fortemente inteligente”, recordou D. António Bessa Taipa.

O administrador diocesano assinala que vê a nova função que lhe foi confiada como “um serviço”,  mostrando-se empenhado em “merecer” o que D. António Francisco dos Santos representou.

D. António Bessa Taipa, que em  

 

 

 

 

 

novembro completa 75 anos, admite que sejam necessários “seis meses” para se encontrar um novo bispo para uma diocese muito grande, com dois milhões e meio de pessoas.

“A nossa vida é uma resolução de problemas, permanente, e também a vida de bispo é resolver problemas, permanentemente”, acrescentou.

O administrador da Diocese do Porto lembra, a este respeito, a “bondade” com que o falecido bispo olhava para as questões a enfrentar, “sem dizer mal de ninguém” e sempre com um “olhar esperançoso”.

D. Pio Alves, bispo auxiliar do Porto, guarda na memória a pessoa “próxima, amiga, humilde e simples” que foi D. António Francisco dos Santos.
Para além destas “qualidades”, D. Pio Alves realça a sua capacidade 
 
de diálogo, visto que com ele se podia “falar e não havia qualquer receio em abordar as questões mais fáceis ou mais difíceis”, disse.

Das várias tarefas que D. António Francisco Santos assumiu no governo da Diocese do Porto, uma merece destaque, o dossier “com a temática de processos de canonização pendentes em Roma”, sublinhou.

Ele deu “um impulso a esses processos” e o que estava por “detrás desta sua preocupação era o recordar as pessoas e figuras relevantes que foram heroicamente fiéis à sua vocação”, recorda D. Pio Alves. Esta circunstância “ajuda a perceber a sua personalidade”, porque ele “estava atento ao que era mais importante”.

D. António Augusto Azevedo, o mais jovem dos bispos auxiliares do   

 

 

 

Porto, recordou o falecido D. António Francisco dos Santos como ser “um homem de Deus” que procurou “interpretar e viver no quotidiano” o exemplo e modelo de Cristo bom pastor.

“Era um homem bom, de profunda fé e profundo serviço e dedicação à Igreja, à Igreja do Porto que servia nos últimos anos, como foi certamente em Aveiro, Braga e Lamego”, disse à Agência ECCLESIA.

Para D. António Augusto Azevedo, o bispo do Porto era “um verdadeiro pastor” e ser “um homem de Deus” era “uma das suas marcas” tendo procurado, “como ninguém, interpretar e viver no quotidiano o exemplo e modelo de Cristo bom pastor”.

O último grande encontro entre o bispo do Porto e os seus fiéis foi este sábado, na peregrinação ao Santuário de Fátima. “Nunca tinha acontecido nada semelhante, teve dimensão, expressão e adesão que nos surpreendeu a todos e a ele particular”, assinala D. António Augusto Azevedo, recordando que o bispo do Porto viveu com “muita emoção, alegria e entusiasmo” a peregrinação e no final “estava imensamente feliz”.

 

O bispo auxiliar colaborava de perto com D. António Francisco dos Santos e guarda “memórias muito gratas, muito saudosas e muito sábias” para o futuro sem esquecer que foi quem presidiu à sua ordenação episcopal, a 19 de março de 2016. “De facto, deu grandes ensinamentos, grandes sinais e grandes testemunhos do que é ser bispo. Do que isso significa da entrega, significa de sabedoria, de espírito evangélico que foi assim que viveu o ser bispo”, desenvolveu.

Também o ecónomo da Diocese do Porto, nomeado em julho, recorda o trabalho direto com D. António Francisco dos Santos que tinha “uma forma extraordinária de governar a diocese” com o coração “aberto a todas as situações”. “Todos os dias conversava com ele, verificava como olhava para a diocese, para os problemas, para os dossiês ao pormenor, com nomes, com datas, com conhecimento profundo de todas as situações, de todas as pessoas”, recordou o padre Samuel Guedes.

O sacerdote realça que o falecido bispo do Porto tinha uma forma “extraordinária de governar” a diocese, “um governo com o coração escancarado, aberto a todas as situações”.

 

 

 

Em declarações à Agência ECCLESIA, a diretora do Secretariado Diocesano de Educação Cristã do Porto comenta que nos últimos três anos trabalhou com “um grande pastor, um grande homem de fé, alguém apaixonado pela educação”.

Para Isabel Oliveira, o serviço pastoral com o bispo do Porto foi uma “experiência muito enriquecedora” para o secretariado, para os catequistas e para toda a diocese “pelo dinamismo que imprimia, pela sua forma de ser e de fazer missão”.

“Estou em choque. Foi ele que me casou, que batizou o meu filho. É um irmão, um santo. Perdi um amigo mas a Igreja ganhou mais um santo”, testemunha quem tem no prelado “uma das melhores pessoas” que conheceu até hoje.

O secretário da Comissão Episcopal de Pastoral Social e Mobilidade Humana disse à Agência ECCLESIA que recebeu a notícia do falecimento de D. António Francisco dos Santos, presidente daquele setor na Conferência Episcopal Portuguesa, com “absoluta surpresa”.

O padre José Manuel Pereira de Almeida afirmou que o bispo do Porto estava a assumir a coordenação do trabalho social na Igreja Católica em Portugal com “muito empenho e com enorme inteligência”. “Era um tema   

 

que integrava toda a sua ação pastoral”, acrescentou o sacerdote.

Em comunicado, a Cáritas Portuguesa manifestou por sua vez “grande tristeza e dor”. “Um homem, sacerdote e Bispo que marcou a Igreja pela sua inteligência, delicadeza no trato cuidado inexcedível e capacidade de abertura aos outros. Uma personalidade cativadora”, sublinha o comunicado.

“Expressamos o nosso louvor ao Deus da vida pelo dom que foi para nós este insigne Bispo e os nossos sentimentos de esperança na certeza de que, pela comunhão dos Santos, continuará a acompanhar a nossa missão apostólica e nós nos manteremos unidos a ele pela oração”, acrescenta a instituição católica.

D. António Moiteiro, bispo de Aveiro e presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, falou ao portal EDUCRIS do trabalho de D. António Francisco dos Santos neste setor, a que presidiu entre 2011 e 2014. “[Lembro] o seu esforço e a sua preocupação em dotar a nossa Igreja de instrumentos válidos e necessários para a transmissão da Fé quer através da renovação dos catecismos quer com a disciplina de Educação moral e Religiosa Católica e sua regulamentação”, assinala. 

 

 

Bispos unidos na homenagem
a D. António Francisco

A Conferência Episcopal Portuguesa reagiu “com enorme tristeza e sentida consternação” à notícia do falecimento de D. António Francisco dos Santos, publicando uma nota através do secretário do organismo. “Na certeza da esperança, 

 

acreditamos que continua bem vivo entre nós o seu grande testemunho de Homem e Pastor simples e humilde, cheio de sabedoria e próximo das pessoas, intensamente dedicado aos seus diocesanos e sempre disponível para servir a Igreja em Portugal”, refere o texto.

 

 

 

A Diocese de Aveiro reagiu também de pronto à morte do seu antigo bispo, evocando alguém que se mostrou “muito amigo, muito próximo, muito inteligente”. “A notícia da morte de D. António Francisco dos Santos, atual bispo do Porto, deixa-nos a todos abalados”, começa por referir D. António Moiteiro, a respeito do seu predecessor na diocese aveirense.

O bispo de Aveiro sublinha que o falecido bispo “era um homem que pela fé acreditava na bondade do ser humano e que pela mesma fé 

 

manifestava muitas qualidades pessoais”. “Era muito amigo, muito próximo, muito inteligente. Sabia encontrar em cada pessoa um amigo e a todos correspondia com respeito e amizade”, escreve.

D. António Francisco dos Santos foi bispo de Aveiro de 8 de dezembro de 2006 a 21 de fevereiro de 2014, “tendo deixado marcas muito fortes de trabalho, amizade, proximidade, à maneira do Bom Pastor”, acrescenta o seu sucessor.

“Encontrando-me na peregrinação diocesana quando a sua morte se 

 

 

 

tornou notícia, pude constatar nos peregrinos a consternação que se instalou entre todos, sinal da amizade e dos seus modos de ser pastor à maneira de Cristo com que marcou a Diocese de Aveiro”, realça D. António Moiteiro.

Já no Porto, antes das exéquias solenes, o bispo da Diocese de Leiria-Fátima referiu que guarda de D. António Francisco dos Santos “a memória de um amigo do coração” com quem partilhava “a vida pessoal, a vida da Igreja e da sociedade”.

D. António Marto lembra o “testemunho de bispo próximo do seu povo”, que entrou no seu coração, e tinha “cheiro a ovelhas”, como pede o Papa Francisco. Neste contexto, destaca a “sensibilidade pastoral” do falecido bispo do Porto, “concretamente, o impulso missionário” que estava a imprimir à diocese nortenha “cheio de alegria e de entusiasmo”.

O prelado, vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, realça o “contributo” de D. António Francisco dos Santos no campo educativo – “da fé, das escolas católicas, da aula de Educação Moral e Religiosa Católica onde era perito” – e, agora, como para presidente da 

 

Comissão Episcopal da Pastoral Social. “É uma memória cheia de gratidão e inspiradora. Era a bondade por excelência”, conclui D. António Marto sobre o bispo do Porto.

O bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, recordou por sua vez “a serenidade” que D. António Francisco Santos “tinha e incutia nos outros”. Ao reviver os momentos que passou com o bispo do Porto, D. Manuel Quintas realça que ele “tinha uma harmonia muito grande: ao nível humano, espiritual e pastoral”.

Já o bispo de Portalegre-Castelo Branco recordou D. António Francisco Santos como um gerador de “rápida empatia”, através do seu “natural acolhimento e agradável diálogo”. D. Antonino Dias referiu que a Igreja vê partir um “Homem Bom, um bom Pastor, sempre atento e humilde, sempre acolhedor e ocupado com a melhor maneira de bem servir a Cristo e a Sua Igreja”.

Numa nota escrita, o bispo de Viana do Castelo recordou D. António Francisco dos Santos como um “amigo, um santo”, um homem de Deus e da Igreja “pela ternura e intensidade” com que se dava a todos. “O que mais conservo na memória, aquilo, que mais depressa me veio à mente, 

 

 

 

 

quando recebi a notícia da sua morte, foi o modo intenso como ele vivia a vida. Dava-se todo a todos”, escreve D. Anacleto Oliveira.

Também numa nota oficial, o bispo de Setúbal lamentou a morte de D. António Francisco dos Santos, de quem recordou a “presença amiga e sensível”. “Quem conheceu o D. António sabe bem avaliar a perda que a sua inesperada partida significa no panorama da Diocese do Porto, da Igreja e do país. A sua presença amiga e sensível, a sua visão clara e iluminada, a sua dedicação pastoral inspirada pelo Evangelho, permanecem na nossa memória e continuarão e inspirar uma postura de dignidade e de coerência humana e cristã”, refere D. José Ornelas.

O bispo de Santarém relembrou, por sua vez, que conheceu D. António Francisco dos Santos quando estava a estudar em Roma e o falecido bispo do Porto em Paris. D. Manuel Pelino recorda emocionado o “homem próximo” que “gostava muito de ouvir”, bem como os seus “conselhos sábios”.

“Fugia sempre do palco e sabia orientar aqueles que mandava para a frente”, acrescenta.

 

D. José Alves, arcebispo de Évora, sublinhou no dia da morte do bispo do Porto que se tratava de uma "grande perda", homenageando "um amigo de longa data". "Foi um choque profundo para todos nós, porque era um bispo ainda muito jovem e com uma atividade pastoral muito dinâmica, era um homem muito querido", refere, em declarações enviadas à Agência ECCLESIA pelo departamento de comunicação da arquidiocese alentejana.

D. José Cordeiro, bispo da Diocese de Bragança-Miranda, que se encontrava em Fátima na reunião mensal da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade, esta segunda-feira, mostrou-se chocado com a notícia e reagiu através da sua página no facebook. "É um choque grande. Na fé entregamos o nosso irmão. Que o Senhor o acolha na luz e na paz. Ele mesmo, com a Diocese do Porto, esteve aqui (em Fátima) no sábado passado em Peregrinação diocesana. Que a Senhora de Fátima o abrace", escreveu.

Nos Açores, a Diocese de Angra lamentou o falecimento de um bispo "a quem estava particularmente 

 

 

 

unida". O atual bispo de Angra, D. João Lavrador foi bispo auxiliar de D. António Francisco dos Santos, com quem trabalhou diretamente.

D. António Carrilho, bispo do Funchal, publicou uma nota na qual mostra “surpresa e grande tristeza” com esta notícia. “Manifesto a minha 

 

solidariedade aos seus familiares e a todo o povo de Deus da Diocese do Porto, que tive o gosto de servir, como Bispo Auxiliar, ao longo de oito anos, e à qual me sinto profundamente unido”, assinalou, em mensagem publicada no site da diocese madeirense.

 

 


 

O padre José Rafael Espírito Santo, vigário-regional do Opus Dei em Portugal, evocou uma personalidade marcada pela "simpatia e afabilidade" que era capaz de oferecer "um olhar cheio de fé serena e de otimismo realista sobre a Igreja e sobre as pessoas". "Poucas horas depois da partida de D. António para junto de Deus, estamos ainda tomados pela  

 

perplexidade e pela tristeza, fazendo um esforço por aceitar a vontade de Deus, mesmo sem a perceber", assinala, numa nota divulgada pela página da prelatura.

D. Manuel Linda, bispo das Forças Armadas e de Segurança, recorda ao jornal diocesano ‘Voz Portucalense’ a imagem dos “braços abertos” com que fica do falecido bispo. “Aliás era assim que, frequentemente, as fotografias o registavam. Esses braços exprimiam a sua alma: aberta, franca e acolhedora. Um beirão que, a partir de Cinfães, o ‘centro do mundo’, via o mundo como a sua aldeia e todas as pessoas como seus conterrâneos”.

Presente na Missa exequial, o bispo de São Tomé e Príncipe, natural da Diocese de Lamego como D. António Francisco dos Santos, lembrava a “amizade” do tempo do seminário. Estou aqui sobretudo para exprimir solidariedade de amigo”, disse D. Manuel António dos Santos.

D. Carlos Ximenes Belo, bispo emérito de Díli, sublinhou à ‘Voz Portucalense’ as dimensões de “afabilidade, bondade e proximidade”. “Em relação a Timor-Leste, mostrou muita simpatia e muita solidariedade, enquanto era vigário-geral da Diocese de Lamego”.

 

 

Memórias de um grande pastor

O Terreiro da Sé do Porto recebeu hoje milhares de pessoas para o funeral do seu bispo, falecido esta segunda-feira aos 69 anos, e de D. António Francisco dos Santos recordaram “o bom homem, o santo”, “um grande pastor”.

O bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, foi lembrado por vários sacerdotes pela proximidade e atenção que lhe dedicava, uma “mobilização” que começava pela “relação pessoal”.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o padre Álvaro Manuel Moreira  

 

da Rocha recorda que o bispo do Porto tinha uma relação “muito próxima” com os sacerdotes, de “muita atenção, sempre comungando com eles”, com as suas preocupações, os seus desafios e “preocupado com o seu bem-estar”.

O sacerdote que em 2016 celebrou 25 anos de ordenação presbiteral lembrou que D. António Francisco “esteve muito presente” desde a sua paróquia como com o grupo de padres que também festejaram as 

 

 

 

boas de prata de ordenação. “Vi-o feliz pelos sacerdotes do Porto e guardo essa atenção, sinal e testemunho. 

É interpelação para os sacerdotes, a atenção aos outros”, desenvolve o padre Álvaro Manuel Moreira da Rocha.

O novo pároco de São João da Madeira recorda que um diálogo com o bispo do Porto, pela altura da nomeação, ter dito “o que queria” e que precisava que os sacerdotes 

 

“saibam fazer caridade”. “O sentido de humanidade era muito grande, o seu coração era imenso”, acrescenta ainda sobre D. António Francisco dos Santos.

O cónego Rui Osório reconhece que D. António Francisco dos Santos conseguiu, em “pouco tempo cativaros diocesanos, tanto o clero como o laicado”. O pároco da Foz, na cidade do Porto, sublinhou que o enfarte que vitimou D. António Francisco Santos “foi fulminante e roubou muito cedo um bispo”.

 

 

 

 

Já o padre Jorge Teixeira da Cunha guarda a “memória excelente” de um homem com uma capacidade de aproximação ao seu semelhante que “é raríssima entre os seres humanos”. “Marcou o clero, marcou a cidade e marcou o país porque era visível essa empatia, essa capacidade de aproximação que era completamente fora do vulgar e fez dele um pastor extraordinário”, explicou.

O professor da Universidade Católica Portuguesa, no núcleo regional do Porto, realça a “capacidade de governo” de D. António Francisco dos Santos que exercia a autoridade “de maneira benigna e marcou a todos a profundamente”.

Para o padre Jorge Teixeira da Cunha, o bispo do Porto desencadeou um processo de mobilização na diocese que “foi visível, notável com essa sua bondade, tenacidade”, e capacidade de trabalho que vão ter de continuar.

A Congregação dos Missionários do Espírito Santo (Espiritanos) em Portugal está presente no Porto e o atual provincial, que é desta diocese, lembrou a presença de D. António Francisco dos Santos nos 100 anos do padre Joaquim Martins e as visitas 

 

“praticamente” semanais ao padre José Manuel Sabença, que também era lamecense, doente com cancro nos pulmões. “Era querido, simples, próximo e um bom pastor que tem o cheiro das ovelhas como pede o Papa Francisco”, destacou o padre Tony Neves.

Luís Leal, membro do Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil do Porto (SDPJ - Porto) recorda D. António Francisco dos Santos “junto dos jovens e no meio dos jovens rejuvenescia”. “Sentia-se muito bem no nosso meio. Notava que quando os jovens se deixavam tocar pelas palavras ficava muito, muito contente, muito satisfeito”, afirmou.

Rosa Gomes, do Instituto Sagrado Coração de Maria, revela que “não acreditava” na morte do bispo do Porto quando viu nas notícias e recorda que “transmitia Deus com a bondade”. “Tinha a virtude da bondade”, acrescenta.

Da Paróquia de São Vicente, em Penafiel, José Carvalho adiantou que participou na peregrinação diocesana ao Santuário de Fátima e D. António Francisco dos Santos presidiu a

 

 

 

uma “Missa que não há palavras para agradecer”.

A peregrinação diocese à Cova da iria mobilizou a diocese que congregou mais de 30 mil pessoas no santuário mariano. “Como pastor da Igreja fez 

 

de Fátima um jardim de flores e Nossa Senhora veio buscar a melhor flor para ela”, acrescenta outro fiel.

O bispo do Porto vai ser lembrado “sempre no coração” das pessoas como “um bom homem”: “Deus está ao lado dele.”

Outro fiel, dos milhares de pessoas na Sé, fala da santidade de D. António Francisco dos Santos pela forma como falava com as pessoas, pela “sua meiguice, a sua simplicidade”. “Um santo que comparo com São João Paulo II”, afirmou.

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Reconhecimento institucional
a um homem da Igreja e de Portugal

O presidente da República Portuguesa publicou uma mensagem de condolências pelo falecimento de D. António Francisco dos Santos, evocando-o como uma pessoa de “integridade plena”.

O texto divulgado pela Presidência da República faz a “memória de um 

 

homem bom, de uma integridade plena, em comunhão de vida com os valores cristãos”. “É essa memória que hoje evocamos, ao ter a notícia da sua morte súbita”, refere Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado apresenta as suas condolências “à família enlutada e,

 

 

 

bem assim, a toda a Igreja portuguesa”. “Homem de Igreja, D. António Francisco dos Santos notabilizou-se pela sua carreira eclesiástica e por uma ação pastoral de muitas décadas, que culminou na sua designação, em 2014, para a exigente missão de prelado da diocese do Porto”, assinala a nota.

O presidente da República Portuguesa evoca o percurso de serviço à Igreja Católica do falecido bispo, que passou pela Diocese de Aveiro e como auxiliar na Arquidiocese de Braga “Não por

 

acaso, na Conferência Episcopal Portuguesa, D. António Francisco dos Santos ocupava atualmente os cargos de presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana e de vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé”, pode ler-se.

O primeiro-ministro, António Costa, manifestou a sua "enorme tristeza e profundo pesar" pela morte do bispo do Porto, recordado como "um homem bom" e "de uma dimensão que vai além da Igreja Católica".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na sua mensagem, Costa fala do prelado como “uma referência inspiradora que transcende a sua Diocese do Porto”. “É um nome que, pela sua importância, perdurará nas nossas memórias", acrescenta.

O chefe de Governo recorda uma personalidade de “palavras sábias e sensatas, de uma dimensão que vai além da Igreja Católica". "Portugal perde um homem bom que eu apreciava escutar", conclui a nota.

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, também manifestou o seu pesar pela morte de D. António Francisco dos Santos, elogiando as suas “preocupações sociais. "Quero registar publicamente o meu pesar pela morte de D. António Francisco dos Santos, Bispo do Porto”, escreve o responsável, numa mensagem publicada na página do Parlamento Português.

Eduardo Ferro Rodrigues recorda D. António Francisco dos Santos como “uma pessoa que estimava e respeitava pelas suas preocupações

          sociais e pelo perfil de homem

             bom e de bem”. “Expresso a

               familiares e amigos os meus

                 sentimentos pelo seu

 

 

falecimento, assim como à Diocese do Porto”, conclui.

A Câmara do Porto decretou três dias de luto municipal pela morte de D. António Francisco dos Santos. O presidente do município, Rui Moreira, lembrou o falecido bispo como “um homem da tolerância”.

“A notícia da morte do bispo do Porto é uma enorme tristeza e uma perda terrível para toda a cidade e toda a enorme Diocese. A cidade merecia ter um Bispo como o senhor D. António Francisco. Ele esteve cá muito pouco tempo, mas deixa uma obra notável”, observa.

O autarca elogia a “dimensão humana, religiosa e filosófica” do falecido bispo do Porto, que recorda como “uma pessoa jovem e jovial, que tinha com as pessoas uma relação de enorme afetividade”. A nota deixa uma particular referência ao “trabalho extraordinário junto dos mais necessitados”.

“Vai-nos fazer muita falta, para nós que olhamos para a cidade com tanta atenção e valorizamos tanto o papel da Igreja Católica. Temos a certeza de que a Igreja Católica continuará a ter este grande empenho pela solidariedade na cidade, mas é 

 

 

 

uma enorme perda”, realça Rui Moreira.

Também o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, decidiu decretar três dias de luto municipal pela morte do bispo do Porto, referindo-se a D. António Francisco dos Santos como "homem do povo".

A Câmara de Aveiro, onde o falecido bispo passou quase oito anos, decretou esta terça-feira como "Dia de Luto Municipal", lamentando a "perda de um Homem Notável e Bom".

A igreja e Torre dos Clérigos encerraram ao público na segunda-feira, por decisão da Irmandade, como forma de "homenagem" ao seu presidente honorário.

O Futebol Clube do Porto enviou as “sentidas condolências à família e amigos, bem como à Igreja Católica portuguesa”, pela morte de D. António Francisco dos Santos, que faleceu esta manhã aos 69 anos, na Casa Episcopal daquela cidade. O bispo do Porto tinha recebido, em novembro de 2015, das mãos de Jorge Nuno Pinto da Costa, “o Dragão de Honra, a mais alta distinção atribuída pelo clube”,

 

 lê-se numa nota colocada no site do clube.

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa prestaram homenagem ao bispo do Porto, marcando presença no funeral celebrado na Catedral da diocese. Na Missa exequial participou também o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, que recordou um “amigo”.

“Era uma pessoa de uma enorme afabilidade e simpatia. Um homem que, sendo homem da igreja, e não sendo por isso de espantar, era muito dedicado a todos, sabia ouvir toda a gente, tinha sempre uma palavra de conforto e um sorriso franco. Julgo que toda a sua obra pastoral será devidamente apreciada”, referiu.

Também a líder do CDS-PP, Assunção Cristas, marcou presença no “último adeus” a António Francisco dos Santos recordando-o como um “homem sábio e luminoso, sempre muito próximo de todas as pessoas”.

 

 

 

 

 

 

 

 

A bondade como marca de uma vida

O cónego Américo Aguiar, diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, recordou a disponibilidade pastoral do falecido bispo do Porto em estar próximo de todas as pessoas e disse que na memória de todos vai ficar com “o cognome ‘o bondoso’”. “Estamos a falar de um homem que deu a vida, que santificou como bispo, e que corre os passos mais próximos de todos aqueles que em tão pouco tempo são capazes de provocar à santidade de vida”, realçou.

O sacerdote da Diocese do Porto refere a disponibilidade de D. António Francisco dos Santos em estar próximo de todas as pessoas “sempre” com uma resposta que “era a bondade do coração”. “Mesmo quando os maus diziam não faça isso, não vá, não faça tantas coisas. Olhe que isso vai acabar mal, não pode ter tantos compromissos, não vá a tantos sítios, não fale com tanta gente”, desenvolve.

Já cónego João Aguiar disse guardar no coração a “amabilidade” de D. António Francisco Santos, sobretudo nos seus “momentos de dificuldade”. O antigo diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais

 

da Igreja, do clero da Arquidiocese de Braga, recorda que “todas as vezes que o encontrava, os braços dele pareciam de uma ave que abria as asas”.

Em Fátima, o Santuário lamentou a morte de D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto, mostrando-se “solidário com a família e a diocese”. O reitor da instituição, padre Carlos Cabecinhas, sublinha “o quanto D. António estava próximo da mensagem de Fátima”, algo que foi “particularmente visível no entusiasmado acolhimento à imagem da Virgem Peregrina” aquando da peregrinação à Diocese do Porto, em 2016.

Também a reitora da Universidade Católica Portuguesa manifestou “o mais profundo pesar” pela morte do bispo do Porto, que era membro do Conselho Superior da instituição de ensino superior, e destacou a “memória indelével” do seu magistério à Igreja.

“D. António Francisco dos Santos era um extraordinário mestre de humanidade, e essa ciência do amor fraterno constitui certamente um dos aspetos mais perenes e desafiadores do seu legado”, refere Isabel 

 

 

 

 

Capeloa Gil, em comunicado.

António Tavares, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto lembrou a dedicação “aos pobres” e afirmou que o falecido bispo era alguém que não tentava “impor-se às instituições” mas estava “sempre próximo, principalmente quando havia dificuldades”.

O Corpo Nacional de Escutas associou-se ao pesar pela morte do bispo do Porto, “escuteiro desde a sua juventude”.

“D. António Francisco dos Santos tantas vezes reconheceu que o escutismo foi para ele uma escola de amizade e discernimento vocacional, a partir da experiência no Agrupamento do Seminário de Lamego”, refere uma nota da instituição católica.

Carlos Magno, presidente do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC), falou do bispo do Porto como “um amigo daqueles que já não se fabricam”, um homem simples com “um sorriso permanente”.

O jurista Artur Santos Silva realçou

as “qualidades extraordinárias”

de D. António Francisco Santos,

falecido esta segunda-feira,

no Porto, que “rapidamente

 

conquistou as pessoas e a cidade”. O antigo presidente da Fundação Gulbenkian disse também que o “calor dos olhos” de D. António Francisco Santos “espalhava a sua ternura, alegria e sua esperança no futuro”.

 

 

“A noite não tem cancelas”

Neste momento de tristeza, queremos partilhar convosco a doce memória do D. António Francisco.
No período entre o falecimento do D. António Marcelino, em outubro de 2013 e a sua tomada de posse como Bispo do Porto em abril de 2014, foi Conselheiro Espiritual da equipa Aveiro 28, acompanhando generosamente os casais e respetivas famílias, sensibilizado da “orfandade” da equipa. Conhecedor e consciente do carisma do Movimento das ENS, já que acompanhava desde sempre uma equipa de Lamego, reuniu com os casais “uma mão cheia” de vezes, presidiu à eucaristia comemorativa dos 25 anos de matrimónio de um dos casais da equipa, partilhou apreensões e anseios relativos ao novo cargo na futura diocese.  

 

Nestes três  anos e meio enquanto Bispo do Porto, recebeu-nos por diversas vezes no Paço e foi almoçar ou jantar connosco em diversos restaurantes da “sua nova” cidade, onde era reconhecido e acarinhado por todos os presentes.

Lembramos algumas frases e conselhos nas reuniões da equipa: “Nem sempre, quem semeia é quem colhe os frutos” ou “O tempo dos filhos não é exatamente igual ao tempo dos pais”.

Verdadeiro mestre na arte de acolher, ouvíamos-lhe dizer, a propósito do prolongamento das reuniões: “A noite não tem cancelas”. Numa das reuniões, deixou-nos a jantar pois tinha dois ou três compromissos. Ficamos à sua espera, só tendo voltado depois da meia-noite. A 

 

 

 

 

 

anfitriã perguntou: «come uma sopa, D. António?». Foi sopa, prato e sobremesa pois…não tinha jantado!

Admirados pela sua memória (fixava os nomes de todos à primeira vez), capacidade de trabalho, sabedoria, humor e, sobretudo, pela mansidão do seu olhar e do seu sorriso sereno, só hoje avaliamos o real alcance daquela frase “a noite não tem cancelas. Verdadeiro mestre na “arte” do acolhimento, quando estava, estava sempre sem pressas. Atendia sem “despachar” e nem a hora tardia da noite era impedimento para ouvir e estar. “Impunha-se” pela bondade e cativava com o coração. Ninguém 

 

ficava indiferente ao seu olhar. Nos que o conheceram, é tão sincero o sentimento de perda como o de gratidão pelo dom da sua vida.

Cada homem é único, mas todos, bem lá no fundo, gostávamos de ser um pouco como ele. Como todos os que ambicionaram e ambicionam ser grandes em Deus, foi permeável e cristalino ao Seu Espírito e transmitiu-o aos outros fielmente, em palavras e atos.

Terminava todas as mensagens com «Dedicado e grato, António bispo do Porto». Hoje retribuímos:

«Saudosos e gratos, Equipa Aveiro 28»

 

 

 

Santo Surfista

A Paulus Editora apresentou na praia do Baleal, Peniche, o livro «Um ‘Santo’ Surfista - O servo de Deus Guido Shäffer». De acordo com um comunicado da editora católica, enviado à Agência ECCLESIA, a publicação é da responsabilidade de Ricardo Figueiredo, um sacerdote do Patriarcado de Lisboa, e vai ser apresentada no Wave Center - Baleal, pelas 18h00.

A sessão de lançamento deste projeto contará ainda com a presença de Miguel Medeiros Cardoso, um jovem surfista que prefaciou a obra.

O livro apresenta a vida do Servo de Deus Guido Schäffer, surfista, médico e seminarista brasileiro, nascido em 1974 e que faleceu em 2009 enquanto praticava surf, poucos dias antes de ser ordenado padre.

Na abertura do processo de canonização de Guido Schäffer, em 2015, a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, no Brasil, destacou alguém que desde muito novo seguiu o caminho de Deus. “Guido dizia que é da adoração que nasce o amor aos 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

mais pobres e aos irmãos. E dessa adoração que ele fazia brotava aquele amor que ele tinha pelas pessoas”, explicava Maria França Schäffer, mãe do seminarista surfista.

Praticante de surf como passatempo, 

 

formou-se em medicina e dedicou-se a ajudar as irmãs Missionárias da Caridade no cuidado aos sem-abrigo: “Isso fez com que ele descobrisse sua verdadeira vocação”, realça a referida arquidiocese.

 

 

 

setembro 2017

Dia 15 de Setembro

*Divulgação dos vencedores do Concurso Escolar «Centenário das Aparições de Fátima» promovido pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

 

*Lisboa - Igreja de São João de Deus - O Serviço da Juventude de Lisboa e os Salesianos promovem a conferência ‘Sínodo dos Bispos 2018 e os desafios da Pastoral Juvenil’, com o padre Rossano Sala, a 15 de setembro, na igreja de São João de Deus.

 

*Porto - Convento de Cristo Rei - Conferência sobre «Vivemos numa cultura indiferente ao cristianismo?» pelo padre Anselmo Borges e promovida pelos Dominicanos.

 

*Fátima - Domus Carmeli - A Ordem do Carmo e a Ordem dos Carmelitas Descalços vão organizar um Congresso Mariano Internacional, inspiradas pelo Centenário das Aparições na Cova da Iria (15 a 17)

 

Dia 16 Setembro

*Fátima - Casa do Bom Samaritano - Dia das Oficinas de Oração e Vida da Diocese de Leiria-Fátima.

 

*França: «Selo Igreja Verde» é apresentado no Dia Nacional do Ambiente - As Igrejas Cristãs na França vão assinalar o Dia Nacional do Ambiente com o lançamento do ‘Selo Igreja Verde’, uma iniciativa ecuménica.

 

*Fátima - Peregrinação Jubilar das Bandas Filarmónicas.

 

*Fátima - Colégio do Sagrado Coração de Maria - O bispo de Portalegre-Castelo Branco vai ser o orador do quarto encontro das Jornadas Locais das Escolas Católicas, desta vez para as dioceses do centro.

 

*Fátima - Jornadas Missionárias 2017 com o tema «Missão do coração ao coração» (16 e 17)

 

Dia 17 de Setembro

*Itália – Roma - O Conselho Pontifício da Cultura, departamento da Santa Sé, em parceria com o organismo «Roma Capitale», organizam a primeira meia-maratona inter-religiosa pela paz.

 

*Braga - Santuário do Sameiro - O Departamento Arquidiocesano da Pastoral da Saúde de Braga vai 

 

 

 

 

 

promover uma ‘Peregrinação dos Frágeis’ ao Santuário do Sameiro com tema “O olhar de Maria, Consoladora dos Aflitos”.

 

* Fátima - Seminário dos Claretianos - Retiro sobre «Desafios à intimidade - A arte de encontrar Deus dentro de ti» promovido pelos Missionários Claretianos e orientado por franciscano Armindo Carvalho (17 a 23)

 

Dia 18 de Setembro

* Açores - Início do ano lectivo da casa de formação do clero dos Açores que tem como tema «discernimento vocacional».

 

Dia 19 de Setembro

* Steyler Fátima Hotel - O Secretariado Nacional da Pastoral Social vai promover o seu encontro anual, em volta do tema ‘Família e transformação social — uma perspetiva a partir da Exortação Apostólica «Amoris Laetitia»’, entre 19 e 21 de setembro.

 
Dia 20 de Setembro

* Leiria - Três jovens portugueses, naturais de Leiria, colocaram em marcha um projeto solidário que tem como objetivo recolher 1200 meias para pessoas refugiadas e deslocadas.

 

* Vaticano - O Papa Francisco vai receber a nova obra ‘Portugal Católico – A beleza na diversidade’ no próximo dia 20 de setembro, no Vaticano.

 

* Lisboa - Convento de São Domingos - Conferência sobre «Os desafios da Eco-Espiritualidade. A propósito da 'Laudato Si' do Papa Francisco» por frei Rui Grácio e promovida pelos Dominicanos

 

 

II Concílio do Vaticano: Um conceito
de Igreja bem diferente

 

Quando se realizou o II Concílio do Vaticano (1962-65), o padre Ramón Cazallas Serrano estudava em Roma e teve a oportunidade de ver e sentir o pulsar deste acontecimento do século XX. “A igreja passou a ter uma Teologia e Eclesiologia, um tipo de conduta e de vida religiosa diferentes”, sublinhou este missionário da Consolata.

Na obra «Quando a Igreja desceu à Terra – Testemunhos de memória e futuro nos 50 anos do Concílio Vaticano II», o sacerdote espanhol revelou ao jornalista António Marujo que ainda estava “impresso” na sua cabeça, o momento em que foi aprovada a constituição sobre a Igreja «Lumen Gentium».

No dia seguinte à promulgação, o professor de eclesiologia chegou à aula e disse: «Podem fechar o livro porque a eclesiologia era particamente uma apologética. Agora vamos estudar isto»; e “mostrou as folhas com o documento aprovado no dia anterior, que trazia consigo”, disse na entrevista concedida a António Marujo.

Com o II Concílio do Vaticano surgiu um conceito de Igreja bem diferente daquela que era vivida. Gestos novos nasceram com o decorrer desta assembleia convocada pelo Papa João XXIII e continuada pelo seu sucessor. O missionário espanhol – nascido em 1942 em Castela, La Mancha – recorda o encontro com os bispos conciliares nas paragens de autocarro, na cidade romana. E lembra-se que, um dia, participou com alguns colegas num debate de teólogos com Henry de Lubac como conferencista. Essa iniciativa contava também com a presença de muitos bispos. “Apareceu D. Hélder da

 

 

 

 

Câmara, que se sentou nas escadas, porque o anfiteatro estava cheio. Levantámo-nos para ceder o lugar, porque ele era arcebispo e ele disse. «Não, não. Eu sou uma pessoa como vocês, fiquem nos vossos lugares»” (In: «Quando a Igreja desceu à Terra – Testemunhos de memória e futuro nos 50 anos do Concílio Vaticano II»; página 17).

O missionário da Consolata revela também que a constituição «Gaudium et Spes» é o “olhar amoroso da Igreja sobre o mundo, a cara carinhosa da Igreja sobre as realidades terrenas. 

 

Toca os temas candentes da Igreja de há 50 anos mas, em embrião, estão lá todas as situações que hoje afligem a humanidade: a fome, a guerra e a paz, a dignidade e os direitos humanos”. Baseada no Evangelho, ela ilumina a pessoa humana e a sua problemática existencial. “A Igreja não pode ficar fechada na sacristia, mas deve sair ao encontro do homem na sua realidade existencial”.

O sonho e a ousadia de João XXIII lançaram a Igreja num diálogo aberto com a modernidade.    

 

 

 

 

 

   

O Santuário de Fátima vai acolher no dia 16 de setembro a Peregrinação Jubilar das Bandas Filarmónicas, com a presença prevista de 1750 músicos, anunciou hoje a instituição em comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

 

 

A Ordem do Carmo e a Ordem dos Carmelitas Descalços organizam um Congresso Mariano Internacional, inspiradas pelo Centenário das Aparições na Cova da Iria, entre 15 a 17 de setembro, na Domus Carmeli, em Fátima.

 

 

As Obras Missionárias Pontifícias estão a organizar as suas jornadas 2017 com o tema ‘Missão do coração ao coração’ e já divulgaram o programa para os dias 16 e 17 de setembro, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima.

 

 

O Departamento Arquidiocesano da Pastoral da Saúde de Braga vai promover no dia 17 de setembro uma ‘Peregrinação dos Frágeis’ ao Santuário do Sameiro. De acordo com o gabinete de comunicação da Arquidiocese de Braga, o evento vai ter como tema “O olhar de Maria, Consoladora dos Aflitos”.

 

 

Programação religiosa nos media

Antena 1, 8h00

RTP1, 10h30

Transmissão da missa dominical

 

 

11h00 - Transmissão missa

 

 

 

Domingo:

10h00 - Porta Aberta; 11h00 - Eucaristia; 23h30 - Entrevista de Aura Miguel

 

Segunda-feira:

12h00 - Informação religiosa

 

Diariamente

18h30 - Terço

 

 

 
RTP2, 13h00

Domingo, 17 de setembro - D. António Francisco dos Santos - O bispo próximo, sábio e bondoso.

 

Segunda-feira, dia 18 de setembro, 15h00 -  Portugal Católico - Um projeto editorial apresentado ao Papa

 

Terça-feira, dia 19 de setembro, 15h00 - Informação e entrevista Teresa Cruz, voluntária dos Leigos para o Desenvolvimento.

 

Quarta-feira, dia 20 de setembro, 15h00 - Informção e entrevista a Rita Carvalho.

 

Quinta-feira, dia 21 de setembro, 15h00 - Informação e análise à atualidade.

 

Sexta-feira, dia 22 de setembro, 15h00  -  Entrevista. Comentário à liturgia do domingo.

 

Antena 1

Domingo, 17 de setembro, 06h00 - D. António Francisco dos Santos: memórias de um amigo

 

Segunda a sexta, 18 a 22 de setembro, 22h45 - Início do ano escolar com António Estanqueiro;  Crianças e jovens refugiados  em início de aulas; Fernando Moita e a disciplina de EMRC.

 

  

 

 

     

 

 

 

 

 

 

Ano A – 24.º Domingo do Tempo Comum 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
Perdoar sempre
 
 

O Evangelho deste 24.º domingo do tempo comum acentua a necessidade de perdoar sempre, de forma radical e ilimitada. Trata-se de uma das exigências mais difíceis que Jesus nos faz. Ele deu testemunho, em gestos concretos, sobretudo na cruz, do amor, da bondade e da misericórdia do Pai.

Estes valores tornam-se mais complicados à luz da lógica que preside à construção do nosso mundo, segundo a qual perdoar é próprio dos fracos, dos vencidos, dos que desistem de impor a sua personalidade e a sua visão do mundo. Para Deus, perdoar é dos fortes, dos que sabem o que é verdadeiramente importante, dos que estão dispostos a renunciar ao seu orgulho e autossuficiência para apostar num mundo novo, marcado por relações novas e verdadeiras entre os homens. A lógica do mundo só tem aumentado a espiral de violência, de injustiça, de morte. A lógica de Deus tem ajudado a mudar os corações e frutificado em gestos de amor, de partilha, de diálogo e de comunhão. Nós dizemo-nos e somos seguidores de Cristo, mas nem sempre nos colocamos no dinamismo do perdão, ajudando a instaurar uma realidade mais humana, mais harmoniosa, mais feliz.

Perdoar não é ceder sempre diante daqueles que nos magoam e nos ofendem, não é encolher os ombros e seguir adiante quando nos confrontamos com uma situação que causa morte e sofrimento a nós ou a outros nossos irmãos, não é “deixar correr” enquanto forem coisas que não nos afetem diretamente, não é pactuar com a injustiça e a opressão, não é tolerar tudo num silêncio feito de cobardia e de conformismo.

O perdão não pode ser confundido com passividade,

 

 

 

 

 alienação, conformismo, cobardia, indiferença… Perdoar significa estar sempre disposto a ir ao encontro do irmão, a estender a mão, a recomeçar o diálogo, a dar outra oportunidade.

O Evangelho recorda-nos – talvez ainda de forma mais clara e concludente – aquilo que a primeira leitura já sugeria: quem faz a experiência do perdão de Deus envolve-se numa lógica de misericórdia que tem, necessariamente, implicações na forma de abordar os irmãos que falharam. Não podemos dizer que Deus não perdoa a quem é incapaz de perdoar aos irmãos; mas podemos 

 

dizer que experimentar o amor de Deus e deixar-se transformar por Ele significa assumir uma outra atitude para com os irmãos, uma atitude marcada pela bondade, pela compreensão, pela misericórdia, pelo acolhimento, pelo amor.

Perdoando e acolhendo o perdão, pertencemos ao Senhor e vivemos para Ele, como nos diz São Paulo.

Que a festa da Exaltação da Cruz, máxima expressão do amor e do perdão de Deus, que celebrámos há dias, nos motive a viver sempre o dinamismo do perdão.

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

 

 

 

Fátima, profecia e atualidade

O cardeal Mauro Piacenza, penitencieiro-mor da Santa Sé, denunciou em Fátima o que qualificou como um ataque “sem precedentes” à família e à vida na sociedade contemporânea. “Este violento ataque à família é sem precedentes na história, tanto de um ponto de vista cultural como sob o aspeto jurídico”, disse, na homilia da Missa conclusiva da peregrinação internacional do 13 de setembro, na Cova da Iria.

 

O responsável da Santa Sé falou de uma “destruição cultural da família”, convocando os peregrinos a “resistir, resistir, resistir com a força da fé e da caridade”.

D. Mauro Piacenza alertou para as consequências do “tremendo ataque ao matrimónio que, em todo o mundo, foi desencadeado, qual último assalto do maligno”. “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, e pô-lo nessa irrenunciável relação de 

 

 

unidade-dual entre homem e mulher, que é pressuposto indispensável para a vida”, sustentou.

Como fizera na Missa da Vigília da peregrinação, o cardeal italiano sublinhou o caráter “profético”. “Estamos convencidos de que nada é mais profético, mais moderno, mais anticonformista do que defender a vida, a educação, reconhecendo que elas constituem hoje uma verdadeira emergência”, assinalou o responsável pela presidência da Penitenciaria Apostólica, um dos três tribunais da Cúria Romana.

Para o penitencieiro-mor, ser cristão na “velha e cansada Europa” é hoje “uma atitude contracorrente; sob certo ponto de vista, até mesmo uma atitude escarnecida”.

A peregrinação internacional aniversária de setembro contou com 157 grupos provenientes de 35 países; marcaram presença dois cardeais, 

 

 

18 bispos e 340 sacerdotes.

O Santuário de Fátima destacou a peregrinação do Apostolado Mundial de Fátima da Republica Checa, acompanhada pelo cardeal Dominik Duka, presidente da Conferência Episcopal do país. No final da celebração, o cardeal checo recebeu solenemente uma Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que vai permanecer na República Checa até 8 de outubro. Por sua vez, D. Dominik Duka entregou ao Santuário de Fátima uma réplica da imagem do Menino Jesus de Praga.

Além da peregrinação nacional da República Checa, estiveram presentes na Cova da Iria mais de mil colaborados e benfeitores da fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, que celebra 70 anos de existência e o 50.º aniversário da sua consagração a Nossa Senhora de Fátima.

 

O cardeal Dominik Duka, presidente da Conferência Episcopal da República Checa, agradeceu em Fátima a “liberdade reconquistada” no país, falando no final da peregrinação internacional de setembro. “Estamos aqui reunidos, pela segunda vez, para a peregrinação nacional de agradecimento. Na primeira peregrinação, aqui, demos graças pela e, hoje, damos graças pela nova geração, que cresceu nesta liberdade: uma geração que não conheceu a prisão nazi, a prisão comunista, o ultraje, a perda da liberdade, a perseguição pelo exercício da fé religiosa”, disse.

 

 

Jovens em festa
pelo Centenário das Aparições

 

O Santuário de Fátima recebeu entre sábado e domingo mais de 3 mil participantes Jubileu dos Jovens (JubJovem), uma proposta de espiritualidade que assinalou o Centenário das Aparições.

D. Joaquim Mendes, presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família, elogiou a adesão dos mais novos à iniciativa que explorou uma "cultura da noite", diferente  

 

 

da discoteca, para "entrar no coração, para um encontro com eles mesmos, com Deus".

D. Joaquim Mendes espera que esta seja uma "experiência forte" para os participantes com "repercussões na sua vida".

Inserido nas celebrações do Centenário das Aparições de Nossa Senhora, o JubJovem teve como tema ‘O segredo da paz, o caminho

 

 

 

 

do coração’, para um público entre os 16 e os 35 anos; foi desenvolvido pelo Santuário de Fátima em parceria com o Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ), envolvendo os secretariados diocesanos e movimentos de juventude católicos.

“Este ano, inseridos no Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, decidimos com o Santuário celebrar e dar vida a este Jubileu dos Jovens, esta Igreja viva, peregrina, alegre, que é festa”, afirmou o diretor do DNPJ à Agência ECCLESIA.

O padre Eduardo Novo fala num "desafio à interioridade" para que a fé "contagie" e ajuda os jovens a "olhar o outro".

O bispo de Leiria-Fátima presidiu no domingo à Missa que integrou a celebração de encerramento do Jubileu dos Jovens. “Só o que passa pelo coração transforma a vida. Não há verdadeira Paz sem esta conversão. Isto é fonte de esperança, porque é possível a mudança, mudar o mundo!”, realçou D. António Marto, na homilia da celebração.

O bispo exortou os jovens a construir a paz “artesanalmente dia a dia na família, na escola”, combatendo a “indiferença e o descarte face ao outro”. “A globalização atual quebra distâncias, torna-nos mais próximos, 

 

mas não nos faz irmãos”, afirmou o  responsável, para quem “é necessário promover a cultura do encontro, da vida fraterna em comunidade”. 

Os jovens participaram nas atividades habituais do santuário - às 21h30 de sábado marcaram presença no Rosário e na Procissão das Velas -, para depois assistirem a um concerto de António Zambujo e Miguel Araújo, que compuseram temas inéditos sobre a paz.

Miguel Araújo falou aos jornalistas de uma “uma experiência muito positiva”, sublinhando que, no seu entender, “a música também é uma forma de oração”. “A música é um mistério”, refere falando sobretudo da melodia, algo que o “intriga”

António Zambujo, por sua vez, recordou episódios de pessoas que lhe revelaram ter-se sentido ajudadas pela música, atenuando “problemas”.

“Isso é uma forma também de ajudar, espiritual”, acrescentou.

O padre José Nuno Silva, responsável pelo acompanhamento da Pastoral Juvenil no Santuário de Fátima, foi questionado sobre a presença de “dois artistas de top”, sublinhando que os mesmos são capazes de “transformar o simples em sublime”.

“Fátima também é um lugar de top para os jovens”, realçou. 

 

 

Preservar a presença cristã no Médio Oriente

 

O cardeal italiano D. Mauro Piacenza, presidente internacional da fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), alertou em Fátima para a necessidade de preservar presença cristã no Médio Oriente.

O responsável manifestou aos jornalistas a sua preocupação com

 

 

“focos” de potenciais “graves guerras”, lembrando que a AIS começou o seu trabalho há 70 anos, após a destruição do nazismo e da perseguição religiosa nos países do antigo bloco comunista do Leste da Europa. “O panorama não é idêntico ao final da II Guerra Mundial, mas há muitíssimas

 

 

 

necessidades”, assinalou, destacando a ação da fundação pontifícia junto das comunidades cristãs no Médio Oriente, “para que as terras bíblicas não fiquem desprovidas da vida cristã”.

Segundo o responsável, os esforços da AIS estão concentrados no Iraque e Síria, com reconstrução de casas e Igrejas, inclusive de comunidades ortodoxas, num esforço “ecuménico”, para que a presença cristã não se “evapore”.

A peregrinação da AIS, com mais de mil pessoas, acontece nos 70 anos da fundação e nos 50 anos da Consagração da Obra à Virgem Maria, agora renovada.

O cardeal Mauro Piacenza sublinhou a ligação da AIS à mensagem de Fátima, “uma luz que diz toda a misericórdia de Deus com a sua gente”. “A AIS quer ser baços e mãos desta solicitude”, acrescentou.

A conferência de imprensa contou com a presença do secretário-geral internacional da AIS, Philipp Ozores, 

 

que realçou a ação da fundação em 150 países para “fortalecer a Igreja Católica na sua mensagem de fé”, com particular ênfase nos cristãos perseguidos.

Catarina Martins de Bettencourt, diretora da Fundação AIS em Portugal, falou, por sua vez, numa peregrinação “muito importante”, considerando que a presença de mais de mil pessoas manifesta a “vitalidade da obra”, centrada nos que sofrem em todo o mundo “por causa da perseguição religiosa”.

A responsável deixou ainda uma homenagem a D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto, que faleceu esta segunda-feira, recordando a sua “simpatia, generosidade e partilha de afetos, especialmente para com os mais pobres”.

A peregrinação da AIS, fundada pelo padre Werenfried van Straaten, decorre até hoje, juntando benfeitores e colaboradores de 23 secretariados nacionais.

 

 

D. Raul Biord Castillo, bispo de La Guaira, na Venezuela, disse à Agência ECCLESIA que o país precisa de “soluções pacíficas e democráticas”, lamentando a implantação de um regime “socialista-comunista” no país. “Nos últimos anos, a Igreja Católica teve de apresentar uma palavra crítica do Governo, em diversas situações, em primeiro lugar por causa das políticas económicas e do modelo económico geral, socialista-comunista, aumentou a pobreza e levou à miséria”, referiu o prelado, que participação na peregrinação internacional promovida pela AIS.   

 

 

Obrigado, meu Bispo!

  Tony Neves   
  Espiritano   

 
 

Há notícias que fulminam mais que tiros de metralhadora e emocionam profundamente. Esta foi uma delas: a morte repentina de D. António Francisco, o meu querido Bispo do Porto.

Era um pastor simples, próximo, com cheiro às ovelhas, como pedia o Papa Francisco. Gastava dias e dias a visitar os seus padres doentes ou idosos. Investia muito da sua Missão episcopal nas longas conversas com os seus padres e com o povo, sobretudo no quadro das habituais visitas pastorais. Encantava pela serenidade que irradiava e pela alegria que transmitia na sua relação próxima com todos.

Partiu sem dar sinais, na noite de hoje, após uma Peregrinação a Fátima que congregou mais de 30 mil pessoas da Diocese do Porto. Vimos lá um Bispo feliz, qual pastor no meio do seu rebanho amado. A sua morte provocou um choque enorme e uma consternação que só se tem por quem se ama. A onda de dor que se gerou e vai aumentando prova a grandeza de alma deste Homem de Deus, todo ele dedicado ao povo que a Igreja foi confiando ao longo 69 anos da sua vida.

Conheci-o quando ele era Bispo Auxiliar de Braga. Chamava a atenção o seu sotaque de Cinfães mas, sobretudo, a simpatia das suas palavras e gestos. Mais tarde seria nomeado Bispo do Porto e passou a ser o meu Pastor. Presidiu ao funeral da minha Mãe. Prefaciou com amizade um dos meus livros (´Crónicas com Missão’) e deu-me a alegria de o vir apresentar à minha paróquia natal, a Foz do Sousa (Gondomar). Não faltou ao convite para as

 

 

minhas Bodas de Prata Sacerdotais, participando no jantar de confraternização que congregou centenas de pessoas no belíssimo pomar da Paróquia, ali junto ao Rio Sousa. Também nos deu a alegria de participar nas Bodas de prata Sacerdotais do P. Álvaro Rocha, meu pároco.

Os últimos tempos foram conturbados para os Espiritanos com a doença inesperada e a morte prematura do P. José Manuel Sabença, natural de Lamego e nosso Assistente Geral em Roma. Como viveu no Porto o seu calvário (e a sua morte), tinha uma visita frequente e animadora: a de D. António Francisco, Bispo do Porto. 

 

Quantas vezes D. António me ligava a partilhar o encontro tido e a preparar-me para a morte do meu confrade que se desenhava na linha do horizonte.

Sempre que nos encontrávamos, em Fátima ou aqui no Porto, era uma alegria. Muitas vezes me ligava para conversarmos sobre assuntos pastorais, quer relativos á Missão, quer à Diocese. Ainda na semana passada me tinha telefonado, fazendo um pedido que vou tentar cumprir de alma e coração.

Que descanse em paz este grande Homem de Deus e do Povo. A Missão estava-lhe no coração. Obrigado, meu Bispo!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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