04 - Editorial:

   Paulo Rocha

06 - Foto da semana

07 - Citações

08 - Nacional

14 - Internacional

20 - Opinião

     José Luis Gonçalves

22 - Opinião

     Pedro Jerónimo

24 - Semana de...

     Luís Filipe Santos

26 - Dossier

    Quaresma 2017

 

50 - Multimédia

52 - Estante

54 - Concílio Vaticano II

56 - Agenda

58 - Por estes dias

60 - Programação Religiosa

61 - Minuto Positivo

62 - Liturgia

64 - Fátima 2017

68 - Fundação AIS

70 - LusoFonias

72 - Cuidados Paliativos

Foto de capa: DR

Foto da contracapa:  DR

 

 

AGÊNCIA ECCLESIA 
Diretor: Paulo Rocha  | Chefe de Redação: Octávio Carmo
Redação: Henrique Matos, José Carlos Patrício, Lígia Silveira,
Luís Filipe Santos,  Sónia Neves
Grafismo: Manuel Costa | Secretariado: Ana Gomes
Propriedade: Secretariado Nacional das Comunicações Sociais 
Diretor: Padre Américo Aguiar
Pessoa Coletiva nº 500966575, NIB: 0018 0000 10124457001 82.
Redação e Administração: Quinta do Cabeço, Porta D
1885-076 MOSCAVIDE.
Tel.: 218855472; Fax: 218855473.
agencia@ecclesia.pt; www.agencia.ecclesia.pt;

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Opinião

 

 

 

Papa, peregrino em Fátima

[ver+]

 

 

 

 

 

 

Irmã Lúcia, mais perto da beatificação

[ver+]

 

 

 

 

 

 

Quaresma 2017, mensagem do Papa

[ver+]

 

 

 

 

 

 

José Luís Gonçalves | Pedro Jerónimo | Paulo Rocha |Luís Filipe Santos | Manuel Barbosa | Paulo Aido | Tony Neves

 

Pontificado em ritmo quaresmal

  Paulo Rocha   

  Agência ECCLESIA   

 
 

 

 

Construir pontes em vez de muros, estar na fronteira e não no interior de muralhas, habitar as periferias recusando a auto-referencialidade. É este o programa do Papa Francisco, expresso insistentemente desde a primeira hora por mensagens e sobretudo por gestos, pela surpresa dos seus gestos. Em causa estão atitudes que permitem o abandono de estratégias de poder como meio de consolidação de um grupo, elegendo a atenção ao outro, a qualquer outro, com todas as fragilidades e diferenças, como a melhor opção para dar vitalidade a uma família que segue uma Pessoa, Jesus Cristo.

O Papa que veio “quase do fim do mundo” vive esta determinação e força a mudança de paradigma naqueles que com ele colaboram diretamente e na instituição que anima, no decorrer deste pontificado. Uma insistência que dá relevância crescente à palavra “reforma”. E exige uma outra, a palavra conversão, para que se compreendam os meios e os fins propostos por Francisco e sobretudo sejam dados passos efetivos nesse itinerário.

No último discurso à Cúria Romana, nas proximidades do Natal, Francisco dizia que reformar dá vida, é sinal de vitalidade e a única forma de apagar manchas do passado, ou seja os erros e os pecados. Dirigindo-se aos cardeais e outros responsáveis pelos órgãos do Vaticano, o Papa sublinhou que “a reforma não é fim em si mesma, mas constitui um processo de crescimento e sobretudo de conversão”, não tem uma “finalidade estética, como se se quisesse tornar mais bela a Cúria” através de qualquer “maquilhagem”

 

 

 

 

 

 para “embelezar o velho corpo curial” ou de uma “operação plástica para tirar as rugas”. E concluiu: “Amados irmãos, não são as rugas que se devem temer na Igreja, mas as manchas!”

O Papa Francisco sugere, assim, uma autêntica caminhada quaresmal para o seu pontificado, propondo reformas que exigem conversão, pessoal e pastoral. E vai sugerindo pistas, nos encontros que mantém, nos documentos que publica,

nos projetos que

concretiza.

A Mensagem do Papa para a Quaresma, que se publica integralmente neste semanário, a que se seguem análises dos diferentes temas sugeridos por Francisco, contém mais um conjunto de sugestões que possibilitam o acontecer da conversão e, por essa via, a concretização de um programa de reformas. Uma vez mais em torno do rico e do pobre, primeiro referindo a parábola de Jesus e depois aplicando-a ao quotidiano de cada tempo onde a história é constantemente reescrita. Só o nome dos intervenientes e o enredo, porque as conclusões permanecem com a mesma acuidade, agora como há dois mil anos. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

Não é a foto da semana mas do ano. A 60.ª edição do World Press Photo distinguiu a foto de Burhan Ozbilici que retrata a expressão do assassino do embaixador russo em Ancara, na Turquia.

 

 

 

 

 

“A fotografia de Özbilici é uma imagem de impacto, sem dúvida. Contudo, apesar de ter sido totalmente a favor de lhe atribuir o prémio de spot news [notícias locais], que também venceu, opus-me firmemente à sua escolha como fotografia do ano”,  Stuart Franklin, presidente do júri da 60.ª edição do World Press Photo, no jornal ‘The Guardian

 

“Vejo o mundo a caminhar em direção a um abismo. Este é um homem que claramente chegou a um ponto de rutura”, fotojornalista luso-sul-africano João Silva, júri desta edição do World Press Photo (Público)

 

“Completar a prestação de contas com os portugueses”, Cavaco Silva, antigo presidente da República, com o novo livro ‘Quinta-feira e outros dias’

 

“O direito ao consentimento prévio deve sempre prevalecer. Só então é possível garantir uma cooperação pacífica entre as autoridades governamentais e os povos indígenas”, Papa Francisco recebeu participantes de fórum do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Rádio Renascença)

 

“[Custo ] integralmente suportado através das receitas aeroportuárias, mantendo a competitividade destes aeroportos face aos principais aeroportos concorrentes”, ministro do Planeamento   das Infraestruturas, Pedro Marques, na assinatura do memorando de entendimento entre o Estado e a ANA-Aeroportos de Portugal para a expansão da capacidade aeroportuária de Lisboa (JN)

 

 

Coimbra em festa no final do inquérito diocesano para canonização da Irmã Lúcia

 

A igreja do Carmelo de Coimbra encheu-se para a sessão solene de clausura do inquérito diocesano para a canonização da Irmã Lúcia (1907-2005), vidente de Fátima, 12 anos após a sua morte. O processo implicou a análise de milhares de cartas e textos, além da auscultação de 61 testemunhas, resultando em mais de 15 páginas de documentação que segue agora para a Congregação das Causas dos Santos (Santa Sé).

 

A cerimónia de encerramento foi presidida pelo bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, na presença dos responsáveis da causa de canonização, do Santuário de Fátima e do Carmelo de Santa Teresa, onde a irmã Lúcia residiu durante décadas.

Esta fase do processo de canonização da vidente de Fátima reuniu todos os escritos da Irmã Lúcia, os depoimentos das testemunhas ouvidas acerca da sua fama de santidade e das suas 

 

 

 

 

virtudes heroicas, passando agora para a competência direta da Santa Sé e do Papa.

A sessão incluiu uma série de juramentos dos responsáveis envolvidos no processo, bem como a assinatura de decretos e atas, posteriormente selados e lacrados.

D. Virgílio Antunes falou num dia “histórico” para a Diocese de Coimbra, elogiando o empenho de todos os que contribuíram para um processo que visou chegar à “certeza moral” da santidade da Irmã Lúcia. O bispo de Coimbra espera que “tudo avance com segurança” e a “bom ritmo” e deseja que a conclusão do processo seja “tão breve quanto possível.

“Que do céu venham sinais para confirmar o que se tem vindo a 

 

 

 

fazer cá em baixo na terra”, afirmou D. Virgílio Antunes à Agência ECCLESIA. 

Para o bispo de Coimbra, a clausura da fase diocesana do processo de canonização da Irmã Lúcia é “um dia de festa” pelo “trabalho longo” que foi realizado e pelas “expectativas, esperanças e o olhar” de muitas pessoas que “está posto na Irmã Lúcia, em Fátima e na Igreja”.

 

O responsável pela Causa de Canonização da Irmã Lúcia disse à Agência ECCLESIA que o processo exige “calma”, face à dimensão do trabalho realizado. “A Igreja faz bem em ir com calma, é uma oportunidade para todos nós”, sublinhou o padre Romano Gambalunga, postulador da causa, para quem é necessário eliminar quaisquer equívocos sobre “a vida e a missão” da vidente de Fátima.

“Lúcia já é santa para as pessoas, também muitos clérigos, mas o caminho prudente da Igreja é para que seja proposta a todos, não só a quem já acredita” na sua santidade.

 

 

 

 

Igreja ao encontro dos jovens

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) vai debater na sua próxima Assembleia Plenária (24-27 de abril) um documento dedicado à catequese e à transmissão da fé às novas gerações. O secretário da CEP, padre Manuel Barbosa, disse em conferência de imprensa que o texto propõe "reflexão de fundo" após um ano de debate nas dioceses e organismos, numa consulta das "bases", seguindo o "bom exemplo" do Papa Francisco.

O documento "A alegria do encontro com Jesus Cristo" procura ainda promover a "autenticidade" na busca de um sentido para a vida. "Não é uma questão quantitativa, é uma questão qualitativa, no sentido de as pessoas aderirem, fazerem o discernimento da sua vida, da sua vocação", sublinhou o porta-voz do episcopado católico, após a reunião mensal do Conselho Permanente da CEP, em Fátima.

Os resultados do trabalho levado a cabo junto das várias comunidades mostram a necessidade de que a catequese seja "mais de experiência" e não "tão escolar".

O texto teve o "parecer de jovens", assinalou o padre Manuel Barbosa, após ser questionada sobre os

 

alertas que o Papa Francisco deixou aos bispos portugueses, na última visita 'ad Limina', relativamente à "debandada da juventude". "Esperemos que esse processo, esse movimento continue", e que "não haja uma debandada tão grande como isso", observou.

A próxima Assembleia Plenária da CEP vai ainda analisar uma nota pastoral sobre os incêndios, para manifestar a intenção, por parte da Igreja Católica, de colaborar "com as autoridades no terreno", apresentando "princípios práticos".

Esta reunião magna vai incluir eleições para a presidência e as comissões episcopais da CEP.

O Conselho Permanente analisou ainda as propostas lançadas pelo Vaticano para o Sínodo dos Bispos de 2018, dedicado aos jovens e ao discernimento vocacional.

 

 

 

Cáritas Portuguesa refugiados na Grécia

Uma equipa da Cáritas Portuguesa partiu esta quinta-feira para a Grécia, onde vai estar seis dias com o objetivo de conhecer a situação dos milhares de refugiados ali radicados e avaliar novas formas de ajuda. Em entrevista à Agência ECCLESIA, o presidente da Cáritas Portuguesa, que lidera a comitiva, destacou a importância de em primeiro lugar “perceber aquilo que as pessoas desejam”.

“A solidariedade passa por esse conhecimento, que nos faz depois comungar melhor a vida daquela gente, os seus problemas e anseios”, salientou.

O destino da equipa da Cáritas Portuguesa será o campo de refugiados da Ilha de Lesbos, bem como outros centros de acolhimento existentes no território grego.

Para Eugénio Fonseca, esta visita será também uma forma de estar ao lado da Cáritas grega, “uma Cáritas minoritária no contexto da Grécia, mas que está a fazer um trabalho extraordinário”. “Esse trabalho passa por um conjunto de projetos e nós estamos ligados a dois, no âmbito do programa Linha da Frente, da Plataforma de Apoio aos Refugiados, que é o apoio aos campos de 

 

refugiados propriamente dito”, adiantou.

As duas referidas estruturas são espaços habitacionais, já fora dos campos de refugiados, hotéis geridos pela Cáritas, que visam favorecer a integração de pessoas e famílias na sociedade grega, isto numa fase já mais adiantada do processo de acolhimento.

Ainda recentemente, a Cáritas Portuguesa enviou um apoio monetário de 11 mil euros para ajudar refugiados na Grécia e Sérvia. A organização tem lançado também apelos à solidariedade no sentido de ajudar estas pessoas a ultrapassar as dificuldades em que se encontram, sobretudo no pico do inverno.

A visita de seis dias da Cáritas Portuguesa à Grécia, e aos campos de refugiados existentes no país, vai ser acompanhada no terreno pela reportagem da Agência ECCLESIA.

 

 

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial portuguesa nos últimos dias, sempre atualizados em www.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hospitaleiras: «Nunca tivemos um pedido de eutanásia»

 

 

 

Postulado da causa de canonização da Irmã Lúcia pede «calma» 

 

 

 

Francisco, peregrino em Fátima

 

O reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, vai ser o coordenador geral da visita do Papa Francisco a Fátima, por indicação da Conferência Episcopal Portuguesa. O responsável disse aos jornalistas, em conferência de imprensa, que o Papa virá “como peregrino, para rezar com os peregrinos” de Fátima, privilegiando, “por vontade expressa” de Francisco a dimensão espiritual.

“O Papa vem para rezar, para rezar em Fátima”, insistiu.

O padre Carlos Cabecinhas assinalou que os preparativos, em 

 

 

conjunto com o Estado português, estão a decorrer "em bom ritmo".
O reitor de Fátima tinha sido o diretor nacional das celebrações pontifícias durante a visita de Bento XVI a Portugal, em maio de 2010.
O padre Carlos Cabecinhas adiantou que o “programa detalhado” da visita do Papa, nos dias 12 e 13 de maio, por ocasião do Centenário das Aparições, só será divulgado cerca de “dois meses” antes da viagem, “em data ainda a anunciar”, tendo referido, no entanto, que Francisco não irá a Lisboa. "O Papa virá diretamente

 

 

para Fátima, portanto, a visita não começará em Lisboa", referiu.

A escolha do aeroporto de Monte Real, acrescentou o sacerdote, tem a ver com "o foco desta visita", dado que Francisco se apresenta "como peregrino que vem para rezar com os portugueses em Fátima".

Segundo este responsável, o Santuário de Fátima tem a expectativa de receber “muitos peregrinos” para a viagem pontifícia, admitindo que a afluência de peregrinos seja "muito significativa" e "maior" do que em 2010.

O recinto vai ser equipado com ecrãs gigantes em várias localizações, nos espaços anexos ao Santuário. O padre Carlos Cabecinhas lamentou, por outro lado, a "especulação" à volta dos alojamentos, embora entenda 

 

que essa não é uma prática "geral".

A peregrinação aniversária internacional vai seguir o horário habitual destas grandes celebrações, que decorrem de maio a outubro.

Para preparar esta visita, a Conferência Episcopal Portuguesa designou também o padre Vitor Coutinho, vice-reitor da instituição, como coordenador da Comissão de Acompanhamento dos Media para a visita do Papa Francisco.

Já o padre Joaquim Ganhão, da Diocese de Santarém, é o coordenador da Comissão de Liturgia. O sacerdote, atual diretor do Museu Diocesano de Santarém e do Secretariado de Liturgia desta diocese, é representante da Conferência Episcopal Portuguesa no Conselho Pastoral do Santuário de Fátima. 

 

 

O mal no coração humano

O Papa Francisco disse no Vaticano que os insultos, o adultério e a mentira são manifestações de “escolhas erradas”, numa intervenção em que abordou o ensinamento de Jesus sobre o mal no coração humano. “O adultério, como o furto, a corrupção e todos os outros pecados, são concebidos em primeiro lugar no nosso íntimo e, uma vez cumprida a escolha errada, no coração, são levados a cabo num comportamento concreto”, alertou, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro para a recitação da oração do ângelus.

Francisco disse que Jesus Cristo dá um novo “cumprimento” à lei matrimonial, que deixa de ser vista à luz do “direito de propriedade do homem sobre a mulher”. “Jesus, pelo contrário, vai à raiz do mal: da mesma forma que se chega ao homicídio através das injúrias e das ofensas, assim também se chega ao adultério através das intenções de posse em relação a uma mulher diferente da esposa”, precisou.

Francisco recordou que no ensinamento cristão, todo aquele olha para uma mulher, que não a sua própria, com sentimento de posse, “é um adúltero no coração”.

 

 

A intervenção alertou ainda para as consequências do “insulto”, lamentando que esta seja uma prática generalizada. “Quem insulta um irmão, mata o seu próprio irmão no coração”, assinalou.

O Papa falou da “insegurança” e da “dupla cara” nas relações humanas para pedir uma linguagem de verdade e um clima de “limpidez”, de forma a que todos possam ser vistos como pessoas “sinceras” sem ter de fazer juramentos ou de recorrer a “intervenções superiores”.

Francisco observou que a justiça proposta por Jesus vai para além do “formalismo”, em que se debate o que cada um pode ou não fazer, sendo animada “pelo amor, a caridade, e portanto capaz de realizar a substância dos mandamentos”.

 

 

Papa pede respeito por comunidades indígenas

O Papa apelou Vaticano ao respeito pelas “comunidades autóctones” por parte dos governos, ao receber uma delegação de 40 representantes de povos indígenas. Francisco sublinhou que estes povos são uma parte da população que merece ser “valorizada e consultada”, promovendo a sua “plena participação” a nível local e nacional.

O encontro decorreu à margem do 3.º Fórum de Povos Indígenas, convocado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (IFAD), no 40.º aniversário desta agência da ONU.

“O principal desafio é conciliar o direito ao desenvolvimento com a tutela dos povos e territórios indígenas”, sustentou o Papa, numa intervenção divulgada pela sala de

 

 

imprensa da Santa Sé. Francisco alertou em particular para o impacto de atividades económicas que “interferem com as culturas indígenas e a sua relação ancestral com a terra”.

Nesse sentido, o Papa convidou a fazer prevalecer ‘o direito ao consenso prévio e informado’, assegurado na Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas. “Os indígenas devem ser valorizados e consultados, ter plena participação, local e nacionalmente”, assinalou. Francisco afirmou que o IFAD pode contribuir com financiamento e assistência técnica, pois “um desenvolvimento tecnológico e económico que não deixa um mundo melhor e uma qualidade de vida integralmente superior não se pode considerar progresso”.

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial internacional nos últimos dias, sempre atualizados em www.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Papa elogia papel do desporto na inclusão de pessoas com deficiência

 

 

 

Crianças interrompem audiência do Papa 

 

 

Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória

  José Luís Gonçalves    
  Escola Superior  
  de 
 Educação   
  de Paula Frassinetti
   

 

Promovido pelo Ministério da Educação, foi apresentado e colocado em discussão pública um documento intitulado “Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória”. O documento propõe um quadro de referência das competências a desenvolver pelos alunos, ao longo da escolaridade obrigatória de doze anos, traçando o seu perfil para o século XXI a partir do interior das sociedades complexas que desejam manter em equilíbrio equidade e diversidade. Não sendo possível aprofundar, neste espaço, todo o alcance deste documento, optamos por destacar-lhe telegraficamente duas virtualidades e uma limitação.

A simplicidade da estrutura do documento – organizado em princípios, visão, valores, competências e respetivas aprendizagens, bem como os seus descritores operativos -, denota uma clarividência de intencionalidades educacionais só ao alcance de pessoas da cultura e de ideais como o é Guilherme d’Oliveira Martins, coordenador do grupo de trabalho responsável pelo documento. Este sublinhado sai tanto mais reforçado quanto é afirmado, no prefácio, que “um perfil de base humanista significa a consideração de uma sociedade centrada na pessoa e na dignidade humana como valores fundamentais”. Coerentemente, pese embora não separe, o documento há de fazer a pessoa do aluno preceder a do cidadão na ordem destas esferas.

 

 

 

 

Por outro lado, a tríade “conhecimentos, capacidades e atitudes”, retirada do esquema conceptual de definição de competências da OCDE “Education 2030”, permite explicitar o perfil de competências desejado. O documento, no entanto, não se identifica nem com meras competências operacionais/práticas – com foco no resultado e assentes num conhecimento reduzido ao saber instrumental do ‘como’ – nem com competências teóricas rígidas centradas nas proposições insípidas de um conhecimento cumulativo e estratificado. Pelo contrário, convoca os mundos de vida do aluno para dentro do seu processo de aprendizagem – criatividade, reflexividade, emoção, sensibilidade estética e ética – e outorga responsabilidades formativas especiais aos atores do seu contexto, atribuindo ao ethos escolar uma função axiologicamente determinante neste âmbito. As implicações práticas desta ótica estão descritas no documento e exigirão muito trabalho aos professores…

O documento, no entanto, omite uma 

 

dimensão fundamental da educação contemporânea e que é a de levar a pessoa à compreensão de si na sua integralidade, promovendo nela a unidade do conhecimento com a espiritualidade (não confundir com religiosidade), para além da sua realização como cidadão através de um laço social de natureza solidário. Se é verdade que o documento assinala a necessidade de aquele ser capaz de “utilizar de modo proficiente diferentes linguagens simbólicas”, e nos descritores operativos se explicita que estas devem ajudar o aluno a “compartilhar sentidos nas diferentes áreas do saber e exprimir mundividências”, a verdade é que não se assume a dimensão da espiritualidade como estruturante na educação. Educar para a interioridade como forma de escuta de si e de algo/alguém maior do que si mesmo – um sentido último ou uma pertença –, e ser capaz de o identificar e de o comunicar, constitui uma competência de maior importância. Há literacias que não podem deixar de ser promovidas pela escola do século XXI. 

 

 

 

Afirmar o jornalismo (ou fazer de conta)

  Pedro Jerónimo    
  Professor universitário  

   e investigador   

   de media e jornalismo   

 

Passou um mês desde que os jornalistas portugueses se reuniram em congresso, coisa que já não acontecia há quase 20 anos. Foram três dias de (re)encontros, muito debate e propostas – para recuperar em www.congressodosjornalistas.com. E depois?

Uma das resoluções que de lá saiu foi o boicote a conferências de imprensa sem direito a perguntas. Mereceu aplausos, que entretanto se ampliaram quando o Jornal de Barcelos decidiu deixar uma página em branco, guardada precisamente para dar conta do sucedido numa conferência de imprensa para o qual fora convocado e na qual as perguntas deveriam de ficar à porta. Muitos apelidaram de “coragem”, fazendo eco nas redes sociais online e daí rapidamente chegou aos media nacionais. Mas foi sol de pouca dura. Dias volvidos, eram alguns desses media a tratar e publicar notícias resultantes de conferências de imprensa onde os jornalistas não puderam questionar os intervenientes – primeiro o antigo primeiro-ministro José Sócrates e depois a apresentadora de televisão Cristina Ferreira. Então e a resolução do congresso? Esquecimento generalizado (jornalistas a editores)?

Procurando estar atento ao que se passa nos media e no jornalismo português em geral, e nos regionais e locais em particular, levei algumas propostas para aquele congresso. É preciso: 1) Afirmar o jornalismo, junto dos jornalistas. Porque, entre outras coisas, é difícil de compreender e aceitar que jornalistas de meios nacionais se sirvam de trabalhos desenvolvidos por colegas de meios 

 

 

 

regionais, sem indicar a origem – algo que já não sucede quando se trata de citar a concorrência ou os meios internacionais, inclusivamente regionais estrangeiros. 2) Afirmar o jornalismo, junto do poder central, organismos estatais e públicos. Não é admissível que seja vedado ou retardado o acesso a informação daquelas instituições aos jornalistas, só porque trabalham em meios 

 

 

Durante a sessão “O jornalismo de proximidade e a profissão fora dos grandes centros”, onde foi orador principal.

Foto: Joana Ochoa/ESCS

 

 

regionais ou locais. 3) Afirmar o jornalismo, no acesso aos títulos profissionais. Por um lado, temos diretores de publicações – com carteira profissional de equiparado a jornalista – sem qualquer formação ou prática jornalística. Nunca leram o estatuto ou o código deontológico do jornalista, mas dirigem jornalistas. Ou então criam publicações e fazem tudo sozinhos, desmultiplicando-se com frequência por atividades incompatíveis – segundo o estatuto do jornalista, este não pode angariar publicidade, por exemplo. Por outro, também temos este tipo de cenário envolvendo pessoas com formação e carteira profissional de jornalista. Resumindo, é preciso analisar caso a caso e não “meter tudo dentro do mesmo saco”. A bem do rigor, honestidade e credibilidade.

Volvido este mês, importará lembrar que o estado das coisas, que vai muito além dos exemplos aqui referidos, não tem a ver só com os jornalistas ou com os responsáveis dos media. Envolve-nos a todos. Porque há coisas que os profissionais têm a obrigação de fazer e o público de exigir. E em pleno ano de eleições autárquicas, toda a atenção é pouca. Aos media, aos jornalistas, aos partidos políticos e aos candidatos.

 

 

 

 

As palavras do ventríloquo
e as ações de Francisco

  Luís Filipe Santos   
  Agência ECCLESIA   

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

A ventriloquia é a arte de projetar a voz sem que se abra a boca ou se movam os lábios. Quando isso acontece, até parece que o som sai de outra fonte falante. Quando vi a foto dos cartazes do Papa Francisco com um semblante carregado, pensei que ele estava a assistir a um espetáculo dessa natureza: o ventríloquo e o seu «boneco» falante.

Acredito que o Papa argentino – quase a completar quatro anos de pontificado – goste do ventríloquo, mas desconheço se acha graça aos bonecos que o artista tem – numa das suas mãos – para dar a noção que aquela figura pronuncia palavras. Mas pelo rosto, Jorge Bergoglio não deve gostar de «bonecos falantes» porque lhes falta o sopro da criatividade e a ousadia necessária para os tempos contemporâneos.

A voz metálica que parece sair da boca do «boneco» não ajuda a construir o bem comum, apenas se limita a repetir o que o ventríloquo pretende. Os movimentos desarticulados do «companheiro» do artista mostram um deambular sigiloso e enigmático. O «boneco» faz tudo para ser o centro das atenções… Uma caricatura da atualidade egocêntrica. O «ajudante» do ventríloquo pensa que o espetáculo gira à volta dele. Pobres «bonecos» que fazem tudo para atrair atenções, mas não têm ideias.

Terminada a atuação do ventríloquo e do seu «amigo falante», o boneco coloca-se em bicos dos pés para receber as palmas… Não fez nada, mas 

 


 

esteve no palco para receber os aplausos. Sintomas narcisistas que visualizamos ao virar de cada esquina. Agora percebo o rosto sisudo do Papa. Vê muitos bonecos falantes… Figuras que dizem: “Eu não sou contra nem a favor, muito pelo contrário!”

No entanto, acredito, plenamente, que o seu rosto se transfigurava, de forma célere, se estivesse a assistir aos artistas do trapézio. A jovialidade – uma das suas imagens de marca – voltava a brilhar nos seus olhos. A ousadia dos trapezistas tatuava naquele rosto uma expressão de espanto. O papa argentino prefere a criatividade dos movimentos e a forma arrojada como os corpos voam até encontrar um lugar seguro. Exercícios ousados… autênticas lições. O trapézio é um vício. Apesar da ténue segurança, os artistas aventuram-se 

 

e voltam a saltar. Não ficam no primeiro porto a pensarem nos aplausos.

Suponho também que o rosto de Francisco ficaria fascinado com os domadores das feras enjauladas do circo. Pessoas que não têm medo do perigo e de arriscar, ao contrário dos bonecos «falantes» que se exibiam quando tiraram aquela foto ao cardeal Jorge Bergoglio.

Em maio próximo, o homem vestido de branco aterra em Monte Real – um local periférico – para ir ao centro do catolicismo em Portugal, Santuário de Fátima. Tenho quase a certeza, que na bagagem traz uma fotografia sorridente. Todavia, é preciso sublinhar que multidão rima com cristão, mas não é sinónimo de cristão.

Um poeta português escreveu: «Não há caminhos fáceis para quem é responsável». 

 

 

O Papa Francisco e a sua mensagem para a Quaresma de 2017

estão no centro deste dossier do Semanário ECCLESIA.

O texto deixa apelos à defesa da vida “frágil” e alerta para

as consequências negativas de uma vida centrada no “dinheiro”.

A mensagem parte de uma passagem do Evangelho, sobre um

homem rico e um pobre, chamado Lázaro, que lhe pede ajuda

mas é ignorado.

A partir destas ideias centrais, propomos uma série de questões

para ajudar a viver o tempo de preparação para a Páscoa,

já com algumas indicações vindas de responsáveis

diocesanos em Portugal.

 

 

 

 

 

 

 

A Palavra é um dom. O outro é um dom

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2017

Amados irmãos e irmãs!

A Quaresma é um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), para não se contentar com uma vida medíocre, mas crescer na amizade com o Senhor. Jesus é o amigo fiel que nunca nos abandona, pois, mesmo quando pecamos, espera pacientemente pelo nosso regresso a Ele e, com esta espera, manifesta a sua vontade de perdão (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

A Quaresma é o momento favorável para intensificar a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui gostaria de me deter, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). Deixemo-nos inspirar por esta página tão 

 

significativa, que nos dá a chave para compreender como agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, exortando-nos a uma sincera conversão.

 

1. O outro é um dom

A parábola começa com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre: encontra-se numa condição desesperada e sem forças para se levantar, jaz à porta do rico e come as migalhas que caem da sua mesa, tem o corpo coberto de chagas que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21). Enfim, o quadro é sombrio e o homem é degradado e humilhado.

A cena revela-se ainda mais dramática, se se considera que o pobre se chama Lázaro: um nome carregado de promessas, que literalmente significa «Deus ajuda». Assim, este personagem não é anónimo, tem traços muito precisos e apresenta-se como um indivíduo a quem podemos associar uma história pessoal. Enquanto que para o rico ele é invisível, torna-se conhecido e quase 

 

 

 

familiar para nós, torna-se um rosto; e, como tal, um dom, uma riqueza inestimável, um ser querido, amado, recordado por Deus, apesar da sua condição concreta ser a duma escória humana (cf. Homilia na Santa Missa, 8 de janeiro de 2016).

Lázaro ensina-nos que o outro é um dom. A justa relação com as pessoas consiste em reconhecer com gratidão o seu valor. O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso, mas um apelo a converter-se e a mudar de vida. O primeiro convite que nos faz esta parábola é o de abrir a porta do nosso 

 

 

coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja o nosso vizinho seja o pobre desconhecido. A Quaresma é um tempo propício para abrir a porta a cada necessitado e nele reconhecer o rosto de Cristo. Cada um de nós encontra-o no próprio caminho. Cada vida que vem ao nosso encontro é um dom e merece acolhimento, respeito, amor. A Palavra de Deus ajuda-nos a abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil. Mas, para se poder fazer isto, é necessário tomar a sério também aquilo que o Evangelho nos revela a propósito do homem rico.

 

 

 

 

2. O pecado cega-nos

A parábola põe em evidência, sem piedade, as contradições em que se encontra o rico (cf. v. 19). Este personagem, ao contrário do pobre Lázaro, não tem um nome, é qualificado apenas como «rico». A sua opulência manifesta-se nas roupas que usa, de um luxo exagerado. De facto, a púrpura era muito apreciada, mais do que a prata e o ouro, e por 

 

isso estava reservada para os deuses (cf. Jr 10, 9) e os reis (cf. Jz 8, 26). O linho fino era um linho especial  que ajudava a conferir à posição da pessoa um caráter quase sagrado. Assim, a riqueza deste homem é excessiva, até porque era exibida todos os dias de modo habitual: «Fazia todos os dias esplêndidos banquetes» (v. 19). Entrevê-se nele, dramaticamente, a corrupção 

 

 

 

 

do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: o amor ao dinheiro, a vaidade e a soberba (cf. Homilia na Santa Missa, 20 de setembro de 2013).

O apóstolo Paulo diz que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tm 6, 10). Esta é o motivo principal da corrupção e fonte de invejas, litígios e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico (cf. Exortação apostólica Evangelii gaudium, 55). Em vez de ser um instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço para o amor e dificulta a paz.

Depois, a parábola mostra-nos que a ganância do rico torna-o vaidoso. A sua personalidade vive de aparências, fazendo ver aos outros aquilo que se pode permitir. Mas a aparência mascara o vazio interior. A sua vida está prisioneira da exterioridade, da dimensão mais superficial e efémera da existência (cf. ibid., 62).

O degrau mais baixo desta deterioração moral é a soberba. O homem veste-se como se fosse um 

 

rei, simula a posição de um deus, esquecendo-se que é um simples mortal. Para o homem corrompido pelo amor das riquezas, nada mais existe além do próprio eu e, por isso, as pessoas que o rodeiam não entram no seu olhar. Assim, o fruto do apego ao dinheiro é uma espécie de cegueira: o rico não vê o pobre esfomeado, chagado e prostrado na sua humilhação.

Olhando este personagem, compreende-se por que motivo o Evangelho é tão claro ao condenar o amor ao dinheiro: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

 

3. A Palavra é um dom

O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda-nos a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima. A liturgia de Quarta-Feira de Cinzas convida-nos a viver uma experiência semelhante à que faz de forma tão dramática o rico. Quando impõe as cinzas sobre a cabeça, o sacerdote repete estas palavras: 

 


 

 

«Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás de voltar». De facto, tanto o rico como o pobre morrem, e a parte principal da parábola desenrola-se no além. Os dois personagens descobrem subitamente que «nada trouxemos ao mundo e nada podemos levar dele» (1 Tm 6, 7).

Também o nosso olhar se abre para o além, onde o rico tem um longo diálogo com Abraão, a quem trata por «pai» (Lc 16, 24.27), dando mostras de fazer parte do povo de Deus. Este detalhe torna ainda mais contraditória a sua vida, porque até agora nada se tinha dito da sua relação com Deus. Com efeito, na sua vida não havia lugar para Deus, sendo ele mesmo o seu único deus.

Só no meio dos tormentos do além é que o rico reconhece Lázaro e queria que o pobre aliviasse os seus sofrimentos com um pouco de água. Os gestos solicitados a Lázaro são semelhantes aos que o rico poderia ter feito, mas nunca fez. Abraão, porém, explica-lhe: «Recebeste os teus bens na vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado» (v. 25). No além restabelece-se uma certa equidade

 

e os males da vida são contrabalançados pelo bem.

A parábola continua, apresentando uma mensagem para todos os cristãos. De facto o rico, que ainda tem irmãos vivos, pede a Abraão que mande Lázaro avisá-los; mas Abraão respondeu: «Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam» (v. 29). E face à objeção do rico acrescenta: «Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos» (v. 31).

Deste modo se manifesta o verdadeiro problema do rico: a raiz dos seus males é não escutar a Palavra de Deus; isto levou-o a deixar de amar a Deus e, consequentemente, a desprezar o próximo. A Palavra de Deus é uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e de orientar de novo a pessoa para Deus. Fechar o coração ao dom de Deus que fala tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Amados irmãos e irmãs, a Quaresma é o tempo favorável para nos renovarmos no encontro com Cristo vivo na sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo. O Senhor – que nos quarenta dias passados no deserto venceu as ciladas do Tentador 

 

 

 

 

 

– indica-nos o caminho a seguir. Que o Espírito Santo nos ajude a realizar um verdadeiro caminho de conversão, para redescobrir o dom da Palavra de Deus, ser purificados do pecado que nos cega e servir Cristo presente nos irmãos necessitados. Encorajo todos os fiéis a expressar esta renovação espiritual, participando também nas Campanhas de Quaresma que muitos organismos eclesiais, em várias partes do mundo, promovem para fazer crescer  

 

a cultura do encontro na única família humana.

Rezemos uns pelos outros para que, participando na vitória de Cristo, saibamos abrir as nossas portas ao frágil e ao pobre. Então poderemos viver e testemunhar em plenitude a alegria da Páscoa.

 

Vaticano, 18 de outubro de 2016, Festa do Evangelista São Lucas

 

Papa Francisco

 

 

Deus ajuda

A mensagem do Papa para a Quaresma intitula-se muito sugestivamente “A palavra é um dom. O outro é um dom”. Duas asserções unidas pelo ideal da justiça e pelo amor a Deus. Ou, por outras palavras, juntando tempo de renovação, de conversão e de purificação.

No texto, Francisco chama, veementemente, a atenção para o mal que advém da idiolatria do dinheiro, do egocentrismo do possuir e da 

 

indiferença perante o outro. Para isso, recorda-nos a parábola de Jesus sobre o homem rico (sem nome) e o homem pobre (com nome, Lázaro, que quer dizer “Deus ajuda”).

O Papa adverte para a primazia do dinheiro e da ostentação material como “o motivo principal da corrupção e fonte de invejas, litígios e suspeitas. O dinheiro pode chegar a dominar-nos até ao ponto de se tornar um ídolo tirânico”.

 

 

 

O nosso viver confronta-se invariavelmente entre a liberdade de se ser, a necessidade de se ter, a responsabilidade de se dar, a capacidade de se fazer, a exigência de se saber, o impulso de se amar.

Num tempo cada vez mais dominado pelas tecnologias poderosas e pela obsessão da circunstância, é, sobremaneira, entre o ser e o ter que nos vemos constantemente desafiados.

A economia da troca, tantas vezes sem regras morais e sem uma aragem sequer de sensibilidade para com os mais pobres, tem de ser completada com a economia do dom de que Francisco nos fala na sua Mensagem.

O dom do outro está associado a uma ética generosamente assimétrica: eu e o outro, eu e o todo. Não só dando ao outro o que dele é (justiça), como dar ao outro o que nosso é (caridade). Mas também, fortalecendo uma autêntica economia do dom, que promova o princípio ético da gratuitidade (dar sem perder e receber sem tirar).

No fundo, estamos sempre confrontados com os princípios fundamentais do ensinamento social da Igreja: centralidade e dignidade da pessoa, prossecução plena do bem 

 

comum, destinação universal dos bens e opção preferencial pelos últimos, pelos Lázaro da parábola.

“Em vez de ser um instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço para o amor e dificulta a paz”, sublinha o Papa Francisco.

Por isso, é imperativo combater a indiferença e o relativismo, a ditadura da aparência, o vazio do interior. O dinheiro e o progresso tecnológico são meios para o bem comum, não fins que escravizem pelo excesso (o rico da parábola) ou pela carência (o Lázaro da parábola).

Investiu-se no progresso, mas tem-se desinvestido no espírito. Só a partir do nosso interior se faz a mudança exterior. Ou, como conclui o Papa, “a raiz dos seus males é não escutar a Palavra de Deus”.

 

António Bagão Félix

 

(por decisão do autor, texto escrito com a grafia anterior ao Acordo Ortográfico)

 

 

Em busca da Ressurreição!

"O próprio pobre à porta do rico não é um empecilho fastidioso,

mas um apelo a converter-se e a mudar de vida."

(Da mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2017)

 

Alguém que nos atrapalha, incomoda ou estorva é, normalmente, um “empecilho”. E, se esse “empecilho” é fatigante, maçador e rabugento, podemos qualificá-lo de “fastidioso”. E vejamos se esses “empecilhos fastidiosos” não abundam por aí: os famintos, os sem abrigo, os drogados, os alcoólicos, os imigrantes, os presos, os que pertencem a minorias étnicas, os que têm outra religião, os que não fazem as manobras certas e em tempo real na azáfama do trânsito, alguns que trabalham a nosso lado, alguns que nos batem à porta e até alguns que estão dentro da nossa própria casa. E assim vamos vivendo no meio de tantos “empecilhos fastidiosos” ora ocultando-os da nossa vista, ora vociferando contra eles, ora, simplesmente, sendo-lhes indiferentes. E assim se vão passando os dias, meses, anos, a vida, sem darmos conta que esta parábola do Além é bem daqui. O “empecilho fastidioso”, mais do que uma categoria, é um ser particular, 

 

com um nome concreto e uma histórica concreta. O que o considera como tal, também, pese embora a sua indefinição. O “empecilho fastidioso” é um desafio à nossa capacidade de atenção e, sobretudo, à nossa identidade humana e cristã. O “Lázaro” em particular e o rico em geral, tocam-se a cada momento, sem que este queira dar conta daquele. No entanto, a relação entre ambos, como diz o Papa Francisco, é “a chave para compreender como agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna”. O outro que se encontra, sobretudo, na situação de fragilidade, é a oportunidade para dar sentido à vida do rico, pois, o do “pobre” está garantido. O “empecilho fastidioso” é um autêntico “dom” para aquele que se encontra com ele. Neste encontro com o outro pode acontecer o encontro de si. Aqui se poderá perscrutar, atrevo-me a dizer, uma espécie de Teologia do “empecilho fastidioso” como coração do Evangelho. Aqui podemos enquadrar 

 

 

 

 

 

o “pobre”, o “frágil” e o “excluído”. Aqui podemos enquadrar o “rico”, o “soberbo” e o “vaidoso”. Aqui podemos dar conta de uns e de outros. Aqui podemos dar conta de nós. Assim queiramos ver. Assim 

 

queiramos ouvir. Assim queiramos dar conta. Nesta quaresma e não só. Em busca da Ressurreição!…

 

Paulo Neves

 

 

 

A fragilidade como valor da vida humana

 

O que é ser humano? Esta não é uma mera pergunta teórica, reservada a diálogos filosóficos ou sociológicos ou a quaisquer investigações científicas. Esta é a pergunta. A pergunta a que cada um de nós tem de dar uma resposta concreta na vida de todos os dias e que a nossa história individual exprime e concretiza. É esta, também, a pergunta central que organiza uma sociedade e a constrói.

 

 

Ser humano é ser frágil; é ser finito! Condições que não estão apenas presentes em situações-limite de doença ou da proximidade com a morte, mas que são próprias da condição humana desde que se nasce. Não passamos a ser frágeis e finitos; somos frágeis e finitos. E limitados. Assim, assumir a nossa fragilidade não é assumir um fracasso, mas entender uma realidade que nos é própria, 

 

 

 

 

que nos define e nos confere uma dignidade que necessita de cuidado, como tarefa da vida de cada pessoa e de uma sociedade que se quer verdadeiramente humana.

Assistimos, hoje, contudo, a profundas e vertiginosas transformações culturais, que alteram a relação entre os sistemas de organização da sociedade e a vida humana concreta, com graves problemáticas e perigosas consequências. Marcada por uma visão negativa do ser humano, acompanhada de uma ausência de sentido para a vida, a sociedade deixa de tratar cada ser humano como um dom irrepetível, parecendo haver vidas ou momentos da vida que já não fazem sentido ser vividas.

Centrada e promovendo o sucesso e a “performance” em todas as áreas da vida, a sociedade actual vê-se incapaz de lidar com as fragilidades do ser humano concreto, sendo mais fácil e mais barato descartá-lo quando já não tem “utilidade” para a “economia produtiva”.

Importa, então, reflectir sobre a pretensão que o poder político tem vindo a manifestar em legalizar a eutanásia, mostrando como, também neste campo, o “sistema” pretende 

 

colonizar o “mundo da vida”, sobretudo a vida dos mais vulneráveis, os doentes, físicos ou psíquicos e, sobretudo os mais idosos, porque menos produtivos e mais onerosos, numa sociedade onde impera o valor do dinheiro.

Nesta quaresma, o Papa Francisco, chama a atenção do mundo para a “riqueza inestimável” que é o outro, seja qual for a sua condição concreta, desafiando-nos, nesse sentido, para a necessidade imperativa de “abrir os olhos para acolher a vida e amá-la, sobretudo quando é frágil”.

Aos médicos é dado o  privilégio de poder ver e tocar a fragilidade de cada pessoa que se confia aos seus cuidados, reconhecendo a imensa dignidade de cada ser humano (que a doença não modifica nem transforma), a ela dedicando a sua actividade profissional, entendendo que a prática da eutanásia é, em todas as circunstâncias, uma agressão radical contra a vida humana, não podendo nunca aceitar uma visão limitada e, sobretudo, uma visão negativa dela; a sua missão é sempre cuidar da vida.

 

Sofia Reimão

 

 

“Cada vida que vem ao nosso encontro é um dom e merece acolhimento, respeito, amor”

Esta frase do Papa Francisco, tirada da sua mensagem para a quaresma deste ano, é profundamente inspiradora para a nossa vivência cristã e um verdadeiro suporte espiritual para muitas instituições que se dedicam ao acolhimento dos migrantes e refugiados no nosso país.

Quando o Papa recorda os tradicionais meios, como a oração, o jejum, a esmola, como caminho de conversão no seguimento de Jesus, é necessário entender hoje, de forma adequada, o conteúdo destas realidades. Para isso, ele escolhe como ponto de partida a tão conhecida parábola do homem rico e do pobre Lázaro (Lc.16,19-31) que nos dá a chave para percebermos melhor o convite a uma verdadeira conversão.

 

1 – O Outro é um dom – Esta parábola apresenta-nos como que duas cenas com dois personagens: o rico e o pobre, chamado Lázaro. São dois estilos de vida totalmente opostos. A primeira cena desenrola-se no mundo presente em que um homem vive na riqueza e na opulência. É um homem cego pelo dinheiro que vai 

 

corrompendo a sua vida a tal ponto que para ele não existe mais ninguém, nem sequer o pobre esfomeado, prostrado e humilhado que, à sua porta, pede ajuda e compaixão.

 

 2 – O pecado cega-nos - O Evangelho faz notar que este rico não tem nome! Porquê? Porque a sua identidade de ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, está completamente destruída pelo egoísmo que domina e esvazia a sua vida. Ele vive para as riquezas e o dinheiro; vive para si mesmo. Deus e os outros não têm lugar na sua relação.

É curioso notar que o Evangelho dedica uma longa apresentação do pobre chamado Lázaro (quer dizer “Deus ajuda”). Este homem tem nome porque embora sendo pobre, tem a sua história pessoal marcada pelo infortúnio, desprezo e marginalização. Ele está à porta do rico na esperança de ao menos comer as migalhas que caem da mesa dele, mas é recebido pelos cães que vêm lamber-lhe as feridas. O rico não lhe abre a porta para o escutar e perceber o seu problema. Simplesmente o despreza.

 

 

 

 

 

3 – A Palavra é um dom – Entramos na segunda cena da Parábola que nos recorda a realidade da vida humana, isto é, somos mortais. O homem rico e o pobre Lázaro morrem. É isso que nos recorda o gesto da imposição das cinzas sobre as nossas cabeças na quarta-feira de cinzas. Nesta cena, o nosso olhar abre-se ao Além, à Eternidade. Agora sim, o rico mostra-se só e abandonado. E clama por Deus, a quem nunca ligou, a Abraão, a Lázaro…para aliviarem as suas dores e enviarem alguém para advertir os seus enquanto é tempo. Mas a resposta é 

 

clara: “Têm Moisés e os Profetas, que os oiçam”, o mesmo é dizer que têm a Igreja e é preciso escutá-la.

A reflexão do Papa Francisco à luz desta parábola é muito oportuna para percebermos o rumo do mundo contemporâneo e os desafios que coloca a todos nós cristãos se queremos mesmo ser discípulos de Cristo.

Vivemos num mundo que nos preocupa. Os radicalismos ideológicos e religiosos que levam à intolerância parecem acentuar-se cada vez mais. Como consequência disso, vemo-nos 

 

 

 

 

 

envolvidos numa situação de rutura das relações humanas entre povos e nações. Daí, a deslocação de povos em massa para buscar segurança e melhores condições de vida. Estes migrantes e refugiados são, na verdade os “Lázaros” do nosso tempo que vêm bater às portas

dos países mais estáveis e ricos. Mas o que acontece? Alguns comportam-se como o “homem rico” e negam-se a abrir-lhes as portas das fronteiras reforçando-as com muros inultrapassáveis… É este espetáculo vergonhoso a que estamos assistindo, mas não podemos ficar insensíveis. Que podemos fazer?

O Papa Francisco convida-nos a olhar para estes “Lázaros” que são um grande dom para nós. Estas pessoas são um forte convite a vivermos a quaresma inquietos com a sua situação e aprendermos a viver na prática o sentido do verdadeiro jejum e esmola. Hoje gastamos tanto tempo na utilização das redes sociais, internet…talvez tenhamos de jejuar

 

 reduzindo esse tempo gasto, muitas vezes sem interesse, para nos dedicarmos mais à escuta da Palavra de Deus, à oração e a fazer o bem a quem precisa; darmos  “esmola”, ou seja, um pouco de nós mesmos para minorarmos o sofrimento dos outros ajudando-os com os nossos dons e capacidades pessoais, mesmo de ordem material e trabalharmos para darmos o verdadeiro nome a estas pessoas no respeito pela sua identidade de pessoas humanas.

É este o objetivo do Centro Padre Alves Correia -CEPAC[1] que acolhe migrantes e refugiados que, pelo facto de não terem documentos (como se não tivessem “nome”), têm mais dificuldade em se inserir na sociedade portuguesa. Por isso mesmo, estas pessoas encontram-se em situação muito difícil e precisam de todo o tipo de ajuda: assistência médica, logística, alimentação, vestuário… Atualmente, o CEPAC acolhe e ajuda cerca de 400 famílias 

 


[1] O Centro P. Alves Correia nasceu nos anos 60 para acolher, sobretudo os migrantes de Cabo Verde, Angola, Guiné… Hoje, mais estruturado, com instalações próprias, acolhe migrantes e refugiados do mundo inteiro que buscam no nosso país segurança e melhores condições de vida - www.cepac.pt.

 

 

 

 

em colaboração com o banco alimentar, banco de roupa próprio, escola de costura, assistência médica, documental e busca de trabalho através de um gabinete para esse efeito. É um serviço prestado à base de voluntariado. Felizmente temos um bom grupo de profissionais voluntários que se dedicam na gratuidade, na discrição, muito na linha do que pede o Papa Francisco para que estas pessoas sejam reconhecidas na sua dignidade.

Apesar de tantas dificuldades e 

 

limitações, sobretudo, de ordem financeira contamos com a ajuda da Segurança Social e a partilha de muitos benfeitores, muitos deles canalizam para esta causa os tais 0,05 do seu IRS, sensíveis a esta causa humanitária. Isto é muito gratificante e dá-nos força e coragem para continuarmos este serviço de amor ao próximo quaisquer que sejam as dificuldades e desafios.

 

P. José Lopes de Sousa

Direção do CEPAC

 

 

 

Da hostilidade à hospitalidade

“O amor pelo nosso país é uma coisa maravilhosa. Mas por que deve o amor parar na fronteira?” (Pablo Casals)

 

Hostilidade e Hospitalidade são dois conceitos foneticamente semelhantes, mas que não podiam ser mais antitéticos. As constantes violações dos direitos humanos face aos refugiados levam-me, enquanto responsável pelo Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS), a fazer uma breve reflexão sobre a hostilidade exercida sobre estas pessoas e, em oposição, sobre a importância de trazer para o espaço público a ideia da hospitalidade como valor fundamental a defender e a colocar em ação nas nossas sociedades. A hospitalidade tem sido a bandeira sobre a qual se encontram várias dimensões do trabalho a favor das pessoas migrantes que o JRS desenvolve.

É importante, antes de mais, começar por refletir sobre o próprio conceito de fronteiras. Estas converteram-se em lugares de dor e morte, representando o conceito em si mesmo um duplo paradoxo. Por mais altas e reforçadas, as fronteiras não 

 

param o fluxo de migrantes. Os muros têm maior poder simbólico do que efetivo, mantêm a aparência de controlo, mas sabemos que as políticas de controlo são muito ineficazes. Sabemos, igualmente, que perante uma fronteira física ou simbólica, quem procura salvar a vida e obter proteção acaba por encontrar caminhos alternativos. As fronteiras serviram também para favorecer o negócio dos traficantes e passadores, apesar de a retórica que constrói a hostilidade querer transmitir a ideia contrária.

Perguntam-nos então, legitimamente, se devemos abrir as fronteiras. Esta questão levanta sempre medo e insegurança. Não há dúvidas que cabe ao estado o dever de controlar as suas fronteiras, mas cabe também aos estados o dever de respeitar e proteger os direitos humanos.

É por isso, essencial, que exijamos que qualquer medida de regulação da circulação de pessoas seja compatível com os direitos humanos e seja sujeita a um controlo legal, judicial e político que seja efetivo. É fundamental situar a questão também em termos de justiça social internacional.

Além da construção efetiva ou 

 

 

 

 

simbólica destas fronteiras e do endurecimento das suas políticas de controlo, temos vindo a assistir, igualmente, à construção da ideia de hostilidade face aos refugiados, através de discursos públicos e de práticas que estigmatizam e que se autoalimentam. Não é necessário elencar exemplos, porque todos somos testemunhas do que tem sido feito e dito na Europa e que tem contribuído para a indignação face a estas pessoas.
Por outro lado, e felizmente, temos assistido também a uma resposta social que envia sinais positivos de acolhimento e de solidariedade que, em parte, podem contribuir para que algumas políticas sejam mudadas.
Talvez a crise das pessoas refugiadas atual e, obviamente, a gravidade e a urgência de ações que em si encerra, nos possa levar a perceber que a mobilidade de pessoas, e não só causada pela guerra, venha a pautar o futuro do continente europeu. E que, com isso, virá uma inadiável urgência de replantar os princípios, valores e políticas que afetam esta realidade e sobre os quais a ideia europeia foi fundada.
É aqui que a tradição da hospitalidade surge e encontra o seu lugar. Aquele que pode parecer hoje um valor em desuso, renegado para segundo plano, tem mostrado serenamente 

 

que não está esquecido, através dos inúmeros gestos de pessoas e comunidades que abrem as portas de casa e os seus corações ao estrangeiro. Hospitalidade é alargar o conceito de “nós”. É o acolhimento do diferente de mim, é lembrarmo-nos que acolhemos porque fomos acolhidos pelos nossos pais, comunidade e sociedade. Perante o ideal de uma vida segura contra todos os riscos, a ideia de hospitalidade recorda-nos a nossa condição de dependentes e necessitados.

E esta é a primeira condição para a construção da hospitalidade: ligarmo-nos à nossa condição de seres vulneráveis e necessitados de cuidados sem nos esquecermos de que precisamos do outro, dos outros, para viver. Não só individualmente, mas enquanto uma nação ou sociedade.

A segunda prende-se com o valor da hospitalidade enquanto expressão pública, através das leis e instituições. As práticas pessoais e comunitárias são o substrato para a construção da política pública. É urgente questionarmo-nos como se pode fazer a ponte entre estas iniciativas pessoais, comunitárias, locais e as responsabilidades públicas.

Fazendo esta ponte, a hospitalidade pode dissolver fronteiras.

 

André Costa Jorge, diretor-geral do JRS

 

 

Fazer da Quaresma um tempo de misericórdia centrado nos mais necessitados

O bispo de Bragança-Miranda desafiou as comunidades católicas da região transmontana a fazerem da preparação para a Páscoa um tempo aberto à misericórdia, tendo como modelo Maria, e propôs como sinal concreto que a renúncia quaresmal deste ano seja destinada à Cáritas Diocesana e ao apoio a milhares de pessoas necessitadas.

De acordo com um comunicado enviado à Agência Ecclesia, aquele organismo sociocaritativo da Igreja Católica presta atualmente auxílio “a mais de 17 mil pessoas”, como indicam os dados relativos a 2016.

D. José Cordeiro destaca sobretudo as pessoas que enfrentam o “desenprego sem subsídio”, as situações de “trabalho precário” ou de “baixos salários” e as famílias cujo “rendimento é insuficiente” para fazer “face a despesas essenciais”.

No território transmontano existem ainda outros desafios, apontados pelo bispo de Bragança-Miranda, como “a baixa escolaridade” e o  

 

“analfabetismo” que marca uma franja da população, “e problemas relacionados com a saúde”.

“Muitas das situações, são os chamados casos de pobreza envergonhada, devido ao desemprego e extinção de postos de trabalho”, e que “têm aumentado de forma significativa”, apontou D. José Cordeiro.

O responsável católico recorda que os tempos da Quaresma e da Páscoa, além de oportunidades de “oração”, de “expetativa pelo dom do Espirito da Igreja nascente” e de festa pela “ressurreição do Senhor”, são também ocasiões propícias à concretização das obras da misericórdia.

D. José Cordeiro pede por isso “o envolvimento de todos” no auxílio aos mais necessitados da região transmontana, ainda mais numa altura em que “muitos dos apoios existentes foram extintos, o que dificulta o atendimento a situações muitas vezes de desespero”.

O programa da Diocese de 

 

 

 

 

 

Bragança-Miranda para a vivência da Quaresma e da Páscoa 2017 tem como tema ‘Celebrar e viver a Páscoa, com Maria e como Maria’, e inclui propostas de reflexão acerca da 

 

Palavra de Deus (lectio divina) dinamizadas por grupos de jovens, instituições de acolhimento de crianças e jovens e pelos movimentos diocesanos.

 

A Quaresma, que começa com a celebração de Cinzas (1 de março, em 2017), é um período de 40 dias, marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão. Neste contexto, surge a renúncia quaresmal, prática em que os fiéis abdicam da compra de bens adquiridos habitualmente noutras épocas do ano, reservando o dinheiro para finalidades especificadas pelo bispo da sua diocese.

 

 


 

 

Quaresma com visita do Papa no horizonte

 

O bispo do Porto desafiou as comunidades diocesanas a preparar a vinda do Papa Francisco a Portugal e ao Santuário de Fátima, por ocasião do Centenário das Aparições, durante o próximo tempo da Quaresma e da Páscoa. “Temos presente o desejo já manifestado do Papa Francisco de ser peregrino com os peregrinos de Fátima, em Portugal, no próximo

 

 

mês de maio”, escreve D. António Francisco dos Santos, que convida as suas paróquias a uma caminhada de aprofundamento da fé, a partir dos sacramentos de iniciação cristã.

Numa carta pastoral publicada online, o prelado destaca três atitudes essenciais que os cristãos devem ter neste tempo, “saborear”, “partilhar” e “revitalizar” as graças recebidas 

 

 

 

 

através dos sacramentos do batismo, do crisma e da primeira comunhão.

D. António Francisco dos Santos realça que, “para aqueles que já são batizados, crismados e alimentados na Eucaristia, a Quaresma é oportunidade de se deixarem renovar nas fontes da alegria”. Já a Páscoa é um tempo “propício” para levar a todos, com “chave missionária”, o que significa ser cristão, para que esses sinais “transbordem e irradiem, ao longe e ao largo”.

O responsável católico recorda que “Maria tem um lugar insubstituível neste caminho” e sustenta que a visita do Papa ajudará a compreender melhor aquilo “que a mensagem de Fátima oferece à Igreja e ao mundo”. Nesse contexto, D. António Francisco 

 

 

espera que “cada grupo, comunidade ou movimento, a seu jeito, e no seu ritmo, mas todos juntos” aproveite esta oportunidade de caminho.

Para que ele ajude “a fortalecer a comunhão diocesana e a intensificar a aprendizagem pastoral, nesta amada Diocese do Porto, que deseja avançar, com Maria, em caminho sinodal”, exorta o bispo. Na página online da Diocese do Porto, é possível encontrar e descarregar os materiais da caminhada proposta para a Quaresma e a Páscoa, que inclui a meditação do Rosário.

D. António Francisco dos Santos pede a “meditação de, pelo menos, um mistério do rosário por semana, de modo a revitalizar a família, como Igreja orante”.

 

Os secretariados diocesanos de Catequese de Leiria-Fátima, Lisboa, Portalegre-Castelo Branco, Santarém e Setúbal desafiam crianças e adolescentes a uma preparação da Páscoa centrada em Maria e no Centenário das Aparições de Fátima.

Segundo a campanha apresentada pelo Secretariado Nacional da Educação Cristã, a ideia é que os mais novos “vivam a Quaresma e a Páscoa ao ritmo da liturgia dominical e iluminados pelas Aparições de Nossa Senhora”. Um caminho em que vão ter oportunidade de “aprofundar o conhecimento” acerca das aparições marianas na Cova da Iria, e o seu significado 100 anos depois.

 

 

 

Por uma Internet Mais Segura

http://www.internetsegura.pt/

 

Sob o lema “Marca a Diferença: Unidos por uma Internet Melhor” celebrámos, no passado dia 7 de fevereiro, o Dia Europeu da Internet Mais Segura. O objetivo desta jornada passou por “promover a sensibilização e a consciencialização para uma utilização mais segura da Internet pelos cidadãos, em particular crianças e jovens”.

Porque cada vez mais temos de estar alerta para esta realidade que nos acompanha diariamente, esta semana sugiro uma visita ao espaço virtual da responsabilidade do consórcio coordenado pela FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia. O projeto Internet Segura tem como principais objetivos: combater os conteúdos ilegais; minimizar os efeitos de conteúdos ilegais e lesivos nos cidadãos; promover a utilização segura da Internet e consciencializar a sociedade para os riscos associados à utilização da Internet.

Quanto entramos no sítio www.internetsegura.pt, além das habituais notícias sobre estudos

 

e programas em curso na área das novas tecnologias no âmbito do projeto internet segura, e os eventos mais próximos, o grande destaque é dado ao espaço “Linha Internet Segura”. Uma visibilidade que faz sentido pois este novo serviço tem como objetivos: “Prestar apoio telefónico ou online, de forma anónima e confidencial, a crianças, jovens, pais e professores, sobre questões relacionadas com o uso da tecnologia; Informar ativamente os utilizadores (crianças, jovens, pais e professores) sobre a atividade da linha de apoio e de como entrar em contacto; Dispor de um sistema para remeter ocorrências graves às autoridades competentes quando uma criança parecer estar em perigo; Analisar, discutir e fornecer resultados que contribuam para as estratégias de sensibilização na área da Internet Segura”..

Para conhecer melhor todo este extraordinário projeto, basta que clique em “sobre internet segura”. Aqui pode perceber qual a sua missão e visão, qual a estratégia associada, quais os projetos em 

 

 

desenvolvimento e ainda quem são os parceiros.

Na opção “riscos e prevenção”, são explicadas, de uma forma bastante elucidativa, algumas ferramentas digitais usadas pela maioria das pessoas (redes sociais, blogues, smartphones, chats, jogos, vírus, etc.). Uma área vital porque é necessário conhece-las e saber como as devemos usar para que a nossa segurança não esteja posta em causa.

Na secção “recursos online”, temos acesso a vários conteúdos que têm como mote a disponibilização de “um conjunto de recursos que podem ser mobilizados para a aprendizagem pessoal, mas também sensibilizar outros”, como forma de criar “mais 

 

familiaridade com as temáticas da segurança na utilização da Internet e das tecnologias da informação e da comunicação”.

Usem e abusem na leitura e estudo deste projeto, pois as atividades que são desenvolvidas por adultos, adolescentes e jovens, com o recurso da internet, são múltiplas. No entanto, como a sua utilização pode envolver alguns riscos, a prevenção e a sensibilização para uma navegação mais segura e consciente, é a melhor forma de se evitarem eventuais problemas.

 

Fernando Cassola Marques

fernandocassola@gmail.com

 

 

 

 

O Visionário de Nampula

A obra «Manuel Vieira Pinto: O Visionário de Nampula», da autoria do padre José Luzia, vai ser lançada, no dia 21 deste mês, no Centro de Cultura Católica no Porto.

Com a chancela da Paulinas Editora, o livro vai ser apresentado, pelas 21h00, por Mário Robalo numa sessão que conta com a presença de D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto, lê-se em nota enviada à Agência ECCLESIA.

 

 

D. Manuel Vieira Pinto, nascido em 1923 em Aboim, Amarante, foi ordenado presbítero da diocese do Porto em 1949, vindo a trabalhar pastoralmente na introdução em Portugal do Movimento por um Mundo Melhor.

Em 1967 foi nomeado para bispo de Nampula, em Moçambique, diocese “que pastoreou até à sua jubilação no ano 2000” e foi “ainda administrador apostólico de Pemba de 1992 a 1998”.

 

 

 

 

 

O Patriarcado de Portugal

O cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, e Jorge Bacelar Gouveia, professor da Universidade Nova, apresentam o livro «O Patriarcado de Portugal» da autoria de Luís Salgado de Matos.

A obra vai ser apresentada dia 20 deste mês, às 18h30, no auditório B da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, no campus de Campolide, lê-se numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

A sessão vai presidida pelo presidente da Comissão de Liberdade Religiosa, José Vera Jardim, e após as duas apresentações “haverá debate com o público”, realça o comunicado.

O livro propõe “uma nova interpretação do Patriarcado de Portugal, articulando-o com o passado e o futuro do país” e as suas teses “desafiam tanto católicos como não católicos”.

 

 

 

II Concílio do Vaticano: Quando acabou
o clima de asfixia intelectual

 

O II Concílio do Vaticano encerrou no mês de dezembro de 1965, mas só no ano seguinte (14 de junho), se abria para muitos católicos uma nova fase com a abolição do índice dos livros proibidos.

Na passada semana fiz referência a livros de intelectuais e filósofos que foram apanhados na rede das proibições. Desta vez, irei entrar no campo da história da igreja, exegese e teologia. Os catálogos dos livros proibidos começaram a surgir em Paris (1544); Veneza (1549); Lovaina (1550); Florença (1552) e Milão (1554). Mas “o primeiro índice de livros proibidos de origem papal só aparece em 1559 quando presidia aos destinos da Igreja o Papa Paulo IV” revela Manuel Augusto Rodrigues num artigo publicado no jornal «Correio de Coimbra» (22-08-96).

Depois surgiram mais de 40 índices atualizados. A inquisição e os tribunais diocesanos representaram outro meio de controlar o livro e aquele que lia a obra. Em Portugal, o primeiro rol de livros defesos apareceu em 1547; em 1561, 1581 e 1642 foram promulgados outros índices expurgatórios. Com o Papa Leão XIII, dado o cada vez maior número de livros proibidos, determinou-se (1896) que deixavam de o ser os que foram editados antes de 1600.

No caso de um livro ser proibido, os católicos não podiam lê-lo nem editá-lo, nem vendê-lo ou guardá-lo. Semelhantes atitudes eram consideradas pecado e, por vezes, os seus promotores eram excomungados. Mas sucedia que uma pessoa podia pedir uma autorização especial para ler determinado livro condenado por 

 

 

 

 

motivos especiais e então o ordinário diocesano podia conceder a dispensa requerida. “Os teólogos e filósofos eram os mais interessados em obter tal concessão”, escreveu Manuel Augusto Rodrigues.

Dos livros mais censurados figuram os relativos à história da Igreja e à exegese bíblica. O Santo Ofício e a Comissão Bíblica (criada pelo Papa Leão XIII para promover os estudos nesta área) encarregaram-se de excluir da leitura importantes obras publicadas na última parte do século XIX e inícios do século passado. Questões vitais para a interpretação de determinados livros bíblicos (Pentateuco, Salmos, Isaías, Sinópticos e São João) eram sempre objeto de grande vigilância por parte dos responsáveis da Igreja.

No fundo era a busca da autenticidade da verdade revelada que se procurava

 

 

por meio do contributo da razão e da ciência. Teólogos como Congar, Chenu, Rahner, Schillebeeckx e Kung merecem ser evocados neste contexto pelo corajoso trabalho desenvolvido tantas vezes sob o “olhar céptico e até mesmo condenatório de Roma”, lê-se no artigo citado. Com o desaparecimento do índice de livros proibidos em 1966 encerrou-se uma página da história da Igreja que teve implicações de vária ordem na vida das instituições e das pessoas.

De notar que, em geral, os seus autores não tinham oportunidade de pessoalmente se poderem defender em Roma, esclarecendo, por exemplo equívocos de interpretação. A condenação assentava apenas na obra escrita pelo seu autor. Um clima de asfixia intelectual pairava sobre os espíritos.

 

fevereiro 2017

. 18 de fevereiro de 2017

. Fátima - Centro Paulo VI - A peregrinação nacional ao Santuário de Fátima dos Centros de Preparação para o Matrimónio (CPM) realiza-se nos dias 18 e 19 de fevereiro e tem como tema «A Mensagem de Fátima na Espiritualidade da Família».

 

. Coimbra - Colégio da Rainha Santa Isabel - Reflexão sobre «O Meu Imaculado Coração triunfará» pelo padre Dário Pedroso e promovido pelo Movimento da Mensagem de Fátima.

 

. Santarém -  Encontro diocesano da Liturgia

 

. Lisboa - Torres Vedras - Jornada de comunicação do Patriarcado de Lisboa com o tema «Se o Papa fosse à sua paróquia? Como comunicava?»

 

. Ourém - A Paróquia de Nossa Senhora da Piedade, em Ourém, promove três iniciativas, de 18 a 20 deste mês, relacionadas com os pastorinhos de Fátima e o centenário das aparições da Cova da Iria.

 

 

Alcochete - Núcleo de Arte Sacra do Museu Municipal - A Comissão Diocesana de Arte Sacra de Setúbal promove no Núcleo de Arte Sacra do Museu Municipal de Alcochete, umas jornadas sobre «Arte e Família: representações, expressões e relações».

 

Lisboa – Sintra, 15h00 - O Departamento da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa promove uma caminhada para namorados, na localidade de Sintra. Com o tema «Somos templos de Deus (1 Cor 3,16)», os participantes vão ter oportunidade de dialogar e refletir, entre as 15:00 e as 19:00 sobre esta frase bíblica.

 

Lisboa - Convento de São Domingos, 15h30 - Conferência «O atual mapa político-religioso da Europa» por Adriano Moreira e promovida pelo O Instituto São Tomás de Aquino.

 

Lisboa - Centro de Congressos de Lisboa, 19h00 - Edição do «Faith's Night Out» promovida movimento católico das «Equipas de Jovens de Nossa Senhora».

 

 

 

 

19 de fevereiro

Lisboa - Cascais (Hipódromo), 11h00 - Bênção de imagem de Nossa Senhora de Fátima para ser enviada para o Iraque por D. Manuel Clemente.

 

Porto - Paços de Ferreira, 09h30 - A vigararia de Paços de Ferreira (Diocese do Porto) e o padre Samuel Guedes vão lançar os «Encontros de Vida Cristã: uma caminhada com a Venerável Sílvia Cardoso». Trata-se da “primeira recoleção para leigos, inspirada nos retiros que Sílvia Cardoso organizava” e o primeiro decorre, a 19 deste mês, no centro Paroquial de Ferreira, Paços de Ferreira, entre as 9.30 e as 17.00, orientado pelo padre Samuel Guedes, vice-postulador da causa de Beatificação e Canonização da venerável Sílvia Cardoso.

 

Évora - Coruche (Parque do Soraia), 15h30 - O Movimento da Mensagem de Fátima da Arquidiocese de Évora organiza, com o apoio do município de Coruche, uma mostra com 2017 pares de sapatos de peregrinos devotos de Fátima e 6051 terços oferecidos pelas crianças daquele concelho.

 

Fátima - Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, 15h30 - Concerto evocativo dos Três Pastorinhos estreia obra de Eugénio Amorim

 

20 de fevereiro

Porto - Gaia (Seminário dos Redentoristas) - Semana de reflexão «Pastoral Online» promovida pelo Centro de Espiritualidade Redentorista (até dia 24 de fevereiro)

 

Lisboa - Capela do Rato, 18h15 - Sessão do curso «grandes correntes da ética ocidental» na Capela do Rato

 

Lisboa - Auditório B da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, 18h30 - O cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, e Jorge Bacelar Gouveia, professor da Universidade Nova, apresentam o livro «O Patriarcado de Portugal» da autoria de Luís Salgado de Matos. A obra vai ser apresentada no auditório B da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, no campus de Campolide.

 

21 de fevereiro

Fátima - Domus Carmeli - «A Vida Humana - Interpelações a partir da doença e da morte» é o tema do curso, a realizar na Domus Carmeli, em Fátima, de 21 a 23 deste mês, para capelães hospitalares e assistentes espirituais. A ação de formação é uma iniciativa da coordenação nacional de capelães e da Associação Portuguesa de Capelães e Assistentes Espirituais Hospitalares.

 

 

 

 

 

Este sábado o Departamento da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa promove uma caminhada para namorados, em Sintra. Com o tema «Somos templos de Deus (1 Cor 3,16)». Os participantes vão ter oportunidade de dialogar e refletir, entre as 15:00 e as 19:00 sobre esta frase bíblica. Já por Torres Vedras acontece a Jornada de comunicação do Patriarcado de Lisboa com o tema: «Se o Papa fosse à sua paróquia? Como comunicava?»

 

Por Fátima acontece a peregrinação nacional dos Centros de Preparação para o Matrimónio (CPM), nos dias 18 e 19 de fevereiro, e tem como tema «A Mensagem de Fátima na Espiritualidade da Família». Este encontro peregrinação, promovido pela Federação Portuguesa dos CPM, tem como oradores o casal António Costa e Maria Vilas-Boas; o padre Paulo Jorge; Padre Carlos Cabecinhas; a irmã Maria Amélia Costa e D. José Cordeiro.

 

No domingo a vigararia de Paços de Ferreira (Diocese do Porto) e o padre Samuel Guedes vão lançar os «Encontros de Vida Cristã: uma caminhada com a Venerável Sílvia Cardoso». Trata-se da “primeira recoleção para leigos, inspirada nos retiros que Sílvia Cardoso organizava” e o primeiro decorre no Centro Paroquial de Ferreira, Paços de Ferreira, entre as 9.30 e as 17.00, orientado pelo padre Samuel Guedes, vice-postulador da causa de Beatificação e Canonização da venerável Sílvia Cardoso.

 

Já pelas 15h30, em Coruche, o Movimento da Mensagem de Fátima da Arquidiocese de Évora organiza, com o apoio do município de Coruche, uma mostra com 2017 pares de sapatos de peregrinos devotos de Fátima e 6051 terços oferecidos pelas crianças daquele concelho.

 

Programação religiosa nos media

Antena 1, 8h00

RTP1, 10h30

Transmissão da missa dominical

 

 

11h00 - Transmissão missa

 

 

 

Domingo:

10h00 - Porta Aberta; 11h00 - Eucaristia; 23h30 - Entrevista de Aura Miguel

 

Segunda-feira:

12h00 - Informação religiosa

 

Diariamente

18h30 - Terço

 

 

 
RTP2, 13h00

Domingo, 19 de fevereiro, 13h30 - Festival Terras Sem Sombra

 

Segunda-feira, dia 20, 15h00 

Entrevista a Aura Miguel: Perspetivas sobre a visita do "peregrino" Papa Francisco a Portugal. 

 

Terça-feira, dia 21, 15h00  - Informação e entrevista a António Marujo sobre o livro "A Senhora de Maio"

 

Quarta-feira, dia 22, 15h00 - Informação e entrevista  a Rita Caetano da Fundação GOnçalo da Silveira sobre o projeto Bailado Solidário. 

 

Quinta-feira, dia 23, 15h00 - Informação e entrevista à irmão Bernardino Frutuoso sobre os 50 anos da revista Audácia.

 

Sexta-feira, dia 24, 15h00  -  Análise à liturgia de domingo com os padres Robson Cruz e Vitor Gonçalves.

 

Antena 1

Domingo, dia 19 de fevereiro - 06h00 - Os Pastorinhos de Fátima

 

Segunda a sexta-feira, dias 20 a 24 de fevereiro - 22h45- Videntes de Fátima: testemunho da Irmã Ana Sofia (Carmelo de Coimbra); Apresentação da visita do Papa; Irmã Ângela Coelho; D. Virgílio Antunes; padre João Luis Silva

 

  

 

 

     

 

 

 

 

 

 

Ano A – 7.º Domingo do Tempo Comum

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
Ser santo é ser de Cristo
 
 

A liturgia do sétimo domingo do tempo comum convida-nos à santidade. Sugere que o caminho cristão é um caminho nunca acabado, que exige de cada homem e mulher, em cada dia, um compromisso sério e radical, feito de gestos concretos de amor e partilha com a dinâmica do Reino de Deus.

A primeira leitura apresenta um veemente apelo à santidade: ser santo é viver na comunhão com Deus e no amor ao próximo. «Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor».

Na segunda leitura, Paulo convida-nos a sermos de Cristo, a sermos o lugar onde Deus reside e Se revela, a renunciar definitivamente à sabedoria do mundo e optar pela sabedoria de Deus, qual dom da vida, amor gratuito e total. «Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Tudo é vosso; mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus».

No Evangelho, Jesus propõe, de forma muito concreta, a Lei da santidade, no contexto do sermão da montanha. «Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus... Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito».

O convite à santidade pode soar como algo de estranho para as pessoas de hoje. Uma certa mentalidade contemporânea vê os santos como extraterrestres, seres estranhos que pairam um pouco acima das nuvens sem se misturar com os seus irmãos e que passam ao lado dos prazeres da vida, ocupados em conquistar o céu a golpes de renúncia, de sacrifício e de longos trabalhos ascéticos. A santidade não é uma anormalidade, mas uma 

 

 

 

 

exigência da comunhão com Deus. É o estado normal de quem se identifica com Cristo, assume a sua filiação divina e quer caminhar ao encontro da vida plena em Cristo. A santidade deve estar no horizonte diário que procuramos construir sem dramas nem exaltações, com simplicidade e naturalidade, na fidelidade aos compromissos.

Ser santo não significa viver de olhos voltados para Deus esquecendo as pessoas. A santidade implica um real compromisso com o mundo, passa pela construção de uma vida de verdadeira relação com os irmãos, implica a eliminação de qualquer

 

tipo de agressividade, vingança e rancor, implica amar o outro como a si mesmo.

Aí está a santidade que é caminho para todos. O Concílio Vaticano II veio repor este essencial dinamismo da vida cristã. A santidade é para todos, o que foi esquecido durante séculos na Igreja, e não apenas para o grupo de consagrados, religiosos e clérigos. Há que procurar no quotidiano da existência esse dom de Deus para cada um de nós. Ser santo, afinal, é simplesmente ser de Cristo.

 

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

 

 

 

Santuário apresenta cartaz oficial
da visita do Papa

 

O reitor do Santuário de Fátima apresentou em conferência de imprensa a identidade visual para a visita do Papa à Cova da Iria, nos dias 12 e 13 de maio, elaborada pelo designer Francisco Providência.

O cartaz para a visita tem uma imagem do Papa em fundo, onde se desenha um coração com a inscrição 'Papa Francisco' e 'Fátima 2017', a "assinatura motivacional" 'Com Maria peregrino na esperança e na paz'

 

 

e o logótipo do centenário das Aparições de Fátima.

Para o designer Francisco Providência, a identidade visual para a visita do Papa a Fátima quer comunicar "o estilo de simplicidade e clareza que o caracteriza", proposta pela escolha dos diferentes elementos que a compõem, nomeadamente a fonte tipográfica. "No cartaz procurámos valorizar a proximidade física e simpática do Papa que, a sorrir, acena com a mão 

 

 

 

 

num gesto de saudação e bênção", acrescenta o texto de explicação da identidade visual para a visita do Papa distribuído pelo Santuário de Fátima , elaborado a partir da nota do autor.

Francisco Providência acrescenta que a visita do Papa foi caraterizada com a ideia do Coração Imaculado de Maria, através de um desenho de coração, que se pudesse vincular mais "ao vazio recetor de Maria, do que à inflamação passional que muitas vezes simboliza, propondo, por isso, a construção geométrica da figura em dupla elipse simétrica e convergente". "Pretendia-se que o coração (em vez da cruz), pudesse caraterizar mais o amor misericordioso do Pai do que o sofrimento redentor do Filho", sublinha.

"A intenção projetual foi a de traduzir pela comunicação gráfica, um Papa mensageiro da misericórdia e da paz, tão simples e acessível como o Santo que lhe deu nome, mas associando a sua visita ao Santuário Mariano de Fátima, recorrendo para isso aos seus sinais mais universais (coração e rosário)", conclui o designer Francisco Providência.

 

 

 

O Papa vai estar na Cova da Iria de 12 a 13 de maio de 2017, na sua primeira visita ao santuário português, em "peregrinação", segundo anunciou o Vaticano no último mês de dezembro. 

 
 

 

Imagem de Nossa Senhora
coroada em Inglaterra

 

 

A catedral católica de Westminster vai receber este sábado a cerimónia inaugural da peregrinação da imagem nacional de Nossa Senhora de Fátima pelas dioceses da Inglaterra e País de Gales. A imagem vai ser abençoada e coroada pelo cardeal Vincent Nichols,

 

arcebispo de Westminster, que irá depois presidir à Missa.

A coroa, em prata dourada, foi oferecida por uma joalharia portuguesa, a mesma que, em 1942, elaborou a obra oferecida pelas mulheres portuguesas com a qual 

 

 

 

 

a imagem venerada na Capelinha das Aparições foi solenemente coroada.

A ‘imagem nacional da Virgem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima’ foi oferecida à Igreja Católica na Inglaterra e País de Gales em 1968, pelo bispo de Leiria, D. João Pereira Venâncio, após ter sido abençoada por Paulo VI um ano antes; o gesto seria repetido por João Paulo II em 1982.

Durante a celebração deste sábado, o cardeal Nichols vai renovar a consagração do país ao Coração Imaculado de Maria.

 

 

 

Além da imagem, a peregrinação vai colocar à veneração dos católicos relíquias dos Beatos Francisco e Jacinta Marto, em catedrais, abadias e igrejas inglesas e galesas, como forma de assinalar o Centenário das Aparições (1917-2017).

O calendário da visita da imagem peregrina estende-se até outubro deste ano. A iniciativa é promovida pelo Apostolado Mundial de Fátima na Inglaterra e País de Gales.

 

Capelinha Das Aparições

O verdadeiro coração do Santuário foi o primeiro edifício construído na Cova da Iria, no lugar das Aparições de Nossa Senhora. O local exato está assinalado por uma coluna de mármore sobre a qual é colocada a imagem de Nossa Senhora.

A imagem que se venera na Capelinha é feita em cedro do Brasil, mede 1,04 metros, é obra do escultor José Ferreira Thedim e foi oferecida por Gilberto Fernandes dos Santos. Encontra-se neste local desde 13 de junho de 1920. Nos dias mais solenes é adornada por uma coroa preciosa, na qual está encastrada a bala do atentado ao Papa João Paulo II, em 13 de maio de 1981. Nos outros dias, a coroa encontra-se em exposição no edifício da Reitoria.

A azinheira grande é a única árvore que restou das que existiam no local em que Nossa Senhora apareceu.

 

 

 

Populações aterrorizadas com guerra sem fim no Sudão do Sul

“Os ataques foram brutais…”

É um conflito tribal que já provocou mais de 10 mil mortos e dois milhões de refugiados. Ninguém está a salvo. A violência parece imparável. Quase todos os dias há relatos de violações de mulheres, de rapazes recrutados à força por grupos armados, de populações em fuga. Do Sudão do Sul chegam-nos lamentos e pedidos de ajuda.

 

No Sudão do Sul, ninguém está a salvo. A guerra no mais jovem país do mundo tem vindo a ganhar uma crueldade sem precedentes e é raro o dia em que não se conhece alguma história de horror, de violência, de pessoas em lágrimas. A história deste conflito é também a história do fracasso do Sudão do Sul como país. A independência chegou em Junho de 2011, mas logo em 2013 começaram a escutar-se os primeiros tiros quando o presidente Salva Kiir, de etnia dinka, afastou o vice-presidente Riek Machar, do povo Nuer. Na verdade, tudo se resume a isso: a um conflito entre tribos rivais, que tem levado o país para o desastre absoluto. Monsenhor Roko Taban nunca 

 

mais irá esquecer os dias de horror que se abateram sobre as cidades de Bentiu, Malakal e Bor, em Julho de 2014. Calcula-se que, então, cerca de 30 mil casas ficaram em ruínas e mais de 100 mil pessoas foram obrigadas a fugir. Foi como uma descida aos infernos. “Os ataques foram brutais. Muitas das nossas igrejas e casas foram destruídas e tudo o que tínhamos foi saqueado. Estamos num estado miserável.” Perante a violência demente de quem mata, viola, destrói tudo à sua passagem, que fazer? O Bispo de Malakal pede-nos ajuda: “Por favor, lembrem-se de nós nas vossas orações. Não nos abandonem!”

 

História de conflitos

A Fundação AIS falou recentemente com uma irmã que nos pede para preservarmos a sua identidade, pois todos por ali correm risco de vida. Vamos chamar-lhe Judith. Nesta guerra tribal não há bons nem maus. Todos têm as mãos manchadas de sangue. “O exército é responsável pelo assassinato de civis inocentes e pela 

 

 

 

destruição das suas casas”, denuncia a irmã Judith. Cidades devastadas, campos abandonados, miséria total.

Por causa da guerra, quase todos perderam tudo o que tinham: gado, casas, terra. Como diz a Irmã Judith, “as pessoas, agora, estão apenas a tentar sobreviver”. Todos conhecem alguma história terrível. “Alguns foram recrutados à força, até mesmo crianças”, diz a irmã. “As mulheres são muitas vezes violadas e depois são estigmatizadas por causa disso…” No Sudão do Sul ninguém está a salvo. Nem a Igreja. A própria comunidade da irmã Judith foi atacada. “Houve até mesmo um caso de violação.” As irmãs foram forçadas a fechar uma 

 

 

das missões. Era demasiado arriscado. 

Mas, apesar da violência demente, há ainda esperança de que a guerra venha a terminar. Todos os dias, a Irmã Judith, assim como Monsenhor Taban, procuram contrariar o horror, auxiliando as populações em fuga. Com o apoio da Fundação AIS, a Igreja tem vindo a trabalhar na construção da paz e reconciliação. Há sempre esperança. Diz ainda a Irmã Judith, que agradece, comovida, a ajuda que a Fundação AIS tem feito chegar ao seu país: “Continuamos empenhados em servir o povo do Sudão do Sul, porque esta é a nossa missão e vocação.”

Paulo Aido

www.fundacao-ais.pt

 

Fátima no planalto central de Angola

  Tony Neves   
  Espiritano   

 
 

Cheguei a Angola no auge da guerra civil que dizimava o povo, sobretudo no interior do país. As cidades tinham sido mais ou menos poupadas até à minha chegada. A destruição veio depois.

O Kuito-Bié (antiga cidade de Silva Porto) foi a minha primeira Missão, naquele ano em que caiu o muro de Berlim: 1989. Só se chegava ali de avião, em descida em espiral que metia medo. Uma vez aterrados, bastou vir a primeira noite para ouvir o festival de tiros que acompanhava os ataques da UNITA para se abastecer nos armazéns da cidade e dizer que estávamos em guerra! O centro da pequena cidade era um modesto oásis de calma no coração de uma guerra fratricida e cruel.

Fui enviado para o Kuito, antes de mais e acima de tudo, para uma experiência de imersão na cultura e na língua deste povo. Mas os compromissos  pastorais tomaram logo conta de minha agenda e, para surpresa, foi-me confiada a Paróquia da Fátima, fundada nas periferias da cidade por missionários espiritanos portugueses. Lá havia uma leprosaria que tinha uma capela, mas a Igreja Paroquial funcionava numas oficinas de carpintaria e serração. Durante um ano, ali celebrei quase diariamente e ali rezávamos a Nossa Senhora de Fátima que trouxesse a paz a este povo.

Há quatro anos, voltei, mais uma vez ao Kuito e fiquei emocionado quando pude visitar uma enorme Igreja em construção, dedicada a Nossa Senhora de Fátima. Será a futura Igreja Paroquial. E mais: no Chinguar, a meio caminho entre o 

 

 

 

 

 

 

Huambo e Kuito, o P. Agostinho Loureiro, espiritano de Barcelos, construiu um santuário belíssimo no cimo do Monte Chibango. Falarei deste santuário noutro comentário.

Do Kuito segui para o Huambo, onde os Seminários esperavam por mim. Ali encontrei logo a grande Igreja de Nossa Senhora de Fátima, um santuário enorme, no coração da cidade, fundado pelo P. Manuel Moutinho, espiritano, com uma enorme devoção a Nossa Senhora de Fátima. Ainda no tempo colonial, este espiritano lançou-se na aventura da construção da Igreja e de um centro social e pastoral para a evangelização e o apoio aos pobres. Celebrei muitas vezes nesta Igreja e senti-me sempre em casa.

Em Março passado estive no Huambo. Celebrei, no Domingo de Ramos, na minha comunidade de periferia (a 

 

Tchiva que foi erigida como Paróquia no domingo de Páscoa!). Mas não pude deixar de participar na Via-Sacra que concluiu na Igreja de Nossa Senhora de Fátima.

Fátima conta muito para os católicos do planalto central de Angola. É grande a devoção deste povo que foi confiando, ano após ano, a paz aos cuidados de Nossa Senhora.

Quando lá vou, muitas pessoas me perguntam: o Padre não trouxe um terço de Fátima para mim? Tenho levado muitos terços, pagelas e medalhas, mas o mais importante já está no coração deste povo: uma devoção enorme à Senhora que veio à Cova da Iria explicar os caminhos da Paz.

 

 

Resposta à campanha para denegrir Cuidados Paliativos e sobre Sedação paliativa

Ciclicamente, quase sempre em torno do debate da eutanásia, assistimos a declarações públicas por parte de pessoas com suposta responsabilidade profissional e cívica, sobre a prática dos Cuidados Paliativos e sobre a realização da sedação paliativa. Lamentamos que se lancem afirmações que são falsas, facilmente rebatíveis pela evidência científica e pela prática. Lamentamos, sobretudo, que se queira assim confundir e desinformar os portugueses. Não é sério e não vale tudo em nome da luta política.  

Diz-se que a sedação paliativa é o mesmo que eutanásia, diz-se que ela apressa a morte e é irreversível, diz-se que a maioria dos doentes nos Cuidados Paliativos morre obnibulado, “zombie”. 

Falará agora quem conhece de perto e trabalha na realidade dos Cuidados Paliativos há muitos anos, com milhares de doentes tratados e acompanhados, dentro e fora do SNS. 

A sedação paliativa (chamá-la de terminal é errado!) é uma 

 

intervenção bem fundamentada e estudada, com indicações médicas precisas e procedimentos recomendados. Não é uma medida universal, é aplicada nos sintomas que não cedem às medidas terapêuticas de primeira linha. Faz-se recorrendo a sedativos e não à morfina. Deverá ser realizada por quem tem competência e treino para tal, nunca com a intenção de tirar a vida. Não deve ser confundida com más práticas de fim de vida (doses indevidas de morfina, por exemplo), que não cumpram as recomendações rigorosas para esta intervenção. A sedação não se aplica à larga maioria dos doentes que recebem Cuidados Paliativos de qualidade (realiza-se a menos de 15% dos doentes) e são vários os estudos científicos credíveis que desmistificam a ideia errada que  a sedação paliativa antecipa a morte do doente. E porque é de ciência e não de opinião que se trata, convirá a esse respeito estudar e ler, por exemplo, Maltoni M, Scarpib E, Nannib O; Palliative sedation for intolerable 

 

 

 

 

 

 

suffering; Curr Opin Oncol 2014; 26:389–394.

O que se lamenta mais é o profundo desconhecimento técnico e científico da realidade, do processo de morrer e da realidade dos Cuidados Paliativos, prestados sempre por profissionais qualificados e com a devida competência para tal (não falamos de sucedâneos). É bastante grave, para não dizer mais, pelo desconhecimento que revela e pela irresponsabilidade que comporta, a forma infeliz e enganosa como se sugere que os Cuidados Paliativos “arrastam para um estado vegetativo” e deixam as pessoas “num estado obnibulado ou zombie”. 

Somos médicos/as, trabalhamos com Ciência e Evidência, e o tema dos Cuidados Paliativos não é uma questão de fé ou crença, como por vezes se sugere. É de cuidados de saúde que falamos, uma intervenção técnica global no sofrimento dos doentes graves e em fim de vida, que não pode ser distorcida em nome do “vale tudo”, e um tema do maior interesse para a sociedade, até 

 

 

porque a maioria dos portugueses continua a não ter acesso a eles.

Exige-se mais responsabilidade e verdade nas afirmações que se difundem quando se pretende emitir opinião. É preciso conhecer bem a realidade que se comenta e, sobretudo, ter mais respeito pelos doentes tratados em Cuidados Paliativos, pelas suas famílias e, já agora, pelos profissionais que efectivamente os acompanham. 

 

 

Ana Bernardo (Azeitão); Catarina Amorim (Lisboa); Cristina Galvão (Beja); Edna Gonçalves (Porto); Hugo Domingos (Lisboa); Isabel Duque (Castelo Branco); Isabel Galriça Neto (Lisboa) José Eduardo Oliveira (Porto); Licínia Araújo (Funchal); Rita Abril (Lisboa); Rosário Vidal (Ponta Delgada); Rui Carneiro (Porto); Vilma Passos (Funchal) 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sair