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Semanário Ecclesia

 

04 - Editorial:

     Octávio Carmo

06 - Foto da semana

07 - Citações

08 - Nacional

14 - Internacional

20 - Semana de..

     Paulo Rocha

    Missão na 1ª pessoa

24 - Entrevista

     Rita Sacramento Monteiro

   

 

54 - Entrevista

     Cardeal Robert Sarah

62 - Estante

64 - Multimédia

66 - Concílio Vaticano II

68- Agenda

70 - Por estes dias

72 - Programação Religiosa

73  - Minuto Positivo

74 - Liturgia

76 - Jubileu da Misericórdia

78 - Fundação AIS

80 - LusoFonias

Foto da capa: DR

Foto da contracapa:  DR

 

 

AGÊNCIA ECCLESIA 
Diretor: Paulo Rocha  | Chefe de Redação: Octávio Carmo
Redação: Henrique Matos, José Carlos Patrício, Lígia Silveira,
Luís Filipe Santos,  Sónia Neves
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Opinião

 

 

 

A Crise de Deus no Ocidente

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Elogio aos universitários católicos

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Testemunhos de missão em português

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D. Manuel Linda  | Octávio Carmo| Paulo Rocha |Fernando Cassola Marques | Manuel Barbosa

Paulo Aido | Tony Neves

 

Uma Missão sem fim

  Octávio Carmo  
  Agência ECCLESIA   

 
 

 

 

A Igreja Católica dedica em outubro uma atenção particular à ação missionária, reforçando os apelos ao compromisso evangelizador de todos os batizados. Talvez por uma questão histórica ou cultural, à figura do missionário está (justamente) associada uma imagem de heroísmo, de superação, numa justa homenagem ao esforço tantas vezes sobre-humano de tantos homens e mulheres que levaram a mensagem do Evangelho aos cinco continentes, ao longo dos séculos.

A questão é que essa imagem acaba por ser muitas vezes uma “barreira” à ação concreta dos católicos no seu quotidiano. Claro, nem todos são chamados a sair da sua terra, mas há uma ideia de 

 

 

 

“normalidade” associada à missão, em todos os ambientes onde os crentes se encontram, que convém descobrir. Num mundo globalizado, a ausência de afirmação de valores e convicções cria um espaço em branco que rapidamente é ocupado por outras propostas e protagonistas.

Tudo isto sem menosprezo para a missão “ad gentes”, essencial para que a fé se espalhasse para lá das fronteiras anteriormente estabelecidas e chegasse efetivamente a todo o mundo, segundo o mandato explícito

 

de Jesus Cristo registado pelos Evangelhos.

A missionação trouxe, historicamente, mais consequências religiosas e sociais do que um aumento do número de Batismo e de participantes na Missa, indo para além de meras estratégias de conquista ou reconquista. A originalidade do Cristianismo é mais do que as formas ou os sistemas a que deu origem, durante séculos, mas a sua capacidade permanente de integrar e suscitar novidades, aceitando o confronto com o desconhecido. É por isso, uma Missão que não tem fim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um novo desenhao do Papa apareceu perto do Vaticano, no bairro Borgo Pio. Francisco foi retratado a ganhar ao jogo do galo com o símbolo da paz, enquanto uma guarda suíço vigiava a rua. A obra não assinada foi apagada poucas horas depois. @ ANSA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Infelizmente para o primeiro-ministro, o ordenado do primeiro-ministro é muito inferior ao ordenado que existe na banca, mas não me queixo, porque escolhi estar aqui”, primeiro ministro de Portugal, António Costa, sobre ordenados dos administradores da Caixa

 

 

"Se há fundos públicos, não é possível nem desejável pagar o que se pagaria se fosse um banco privado sem fundos públicos”, presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

 

 

“Este Orçamento do Estado é o princípio do fim da geringonça”, Luís Marques Mendes, na conferência Portugal em Exame

 

 

“A Direcção de Informação foi surpreendida pela redução de 2,6 milhões de euros na verba prevista no Orçamento do Estado para a Lusa e vê também com grande preocupação a nota enviada à agência Lusa hoje pelo ministério da Cultura, onde se afirma que, face à realidade orçamental, os termos do contrato programa que esteve a ser negociada até agora serão 'reequacionados'”, director de informação da Lusa, Pedro Camacho

 

Presidente da República elogia universitários católicos

 

O presidente da República destacou o “significativo contributo” que os universitários católicos deram ao longo do período de crise em Portugal, durante o primeiro encontro de núcleos de estudantes católicos das faculdades de Lisboa. Numa mensagem vídeo enviada ao evento de sábado, e remetida à Agência ECCLESIA pelo gabinete de imprensa do Patriarcado de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa recordou o empenho que muitos destes alunos, jovens e 

 

 

adultos, mostraram não só no meio académico mas também na sociedade civil, ao serviço de “instituições de solidariedade social, em Misericórdias, em instituições culturais”.´

“A crise foi porventura menos crítica ou menos penosa no sacrifício dos portugueses devido ao contributo de instituições em muitas das quais está presente o vosso papel”, salientou o presidente da República, expressando uma “gratidão” que representa 

 

 

 

também o reconhecimento de “todos os portugueses”.

O primeiro encontro de núcleos de estudantes católicos das faculdades de Lisboa (NECTalks), promovido na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, teve como tema central “Transformados em Cristo, transformaremos o mundo”.

Durante o evento, vários oradores, entre os quais o cardeal-patriarca de Lisboa, vários professores e alunos, abordaram “os desafios que se colocam hoje aos universitários”.

D. Manuel Clemente, considera que as missões realizadas pelos núcleos de estudantes católicos das faculdades de Lisboa “acertaram no alvo” e têm sido um “sucesso”.

O patriarca de Lisboa referiu que  

 

o propósito daqueles estudantes universitários “não se limitou a fazer mais ciclo de conferências” sobre temáticas da igreja “mas foram ao encontro das populações”. Segundo um comunicado do Patriarcado de Lisboa, enviado à Agência ECCLESIA, este evento é “impulsionado pelo crescimento” do número de núcleos de estudantes católicos nos meios académicos da região, que “em cinco anos aumentaram 400 por cento”.

Ao explicar o sucesso das «missões país», D. Manuel Clemente sublinhou o encontro de “gente envelhecida e debilitada” com estes jovens que dedicam parte do seu tempo ao ouvir o outro. Esta experiência “demonstra que Jesus não é uma abstração, mas uma realidade viva”.

 

 

Ano Jubilar assinala 500 anos da Sé
do Funchal

O bispo do Funchal abriu esta terça-feira o Ano Jubilar dos 500 anos da Dedicação da Sé do Funchal, destacando um monumento que é símbolo do “amor de Deus” e da “fé em Jesus Cristo” desde há várias “gerações”.

Na homilia da celebração, publicada na página online da diocese madeirense, D. António Carrilho realçou que a Catedral é sempre um “sinal da habitação de Deus na cidade” e ao mesmo tempo um “testemunho” da “fé” que congrega “toda a comunidade”, a cada domingo. O prelado espera que a comemoração dos 500 anos da Sé do Funchal, que vai ter o seu ponto alto em outubro de 2017, contribua para que as pessoas façam uma “memória” agradecida da sua história cristã e continuem a dar testemunho da “herança do Evangelho vivido a cada época”. Isto porque tal como a fé tem que ser constantemente alimentada e reforçada, a Catedral é também sempre “um edifício em construção”, frisou D. António Carrilho.

Na Missa que marcou o início deste jubileu, e neste caso os 499 anos da Sé do Funchal, estiveram também 

 

 

como concelebrantes os bispos eméritos D. Teodoro de Faria (Funchal) e D. António Montes (Bragança-Miranda), e também diversos seminaristas.

A celebração deste aniversário está em destaque no programa pastoral da Diocese do Funchal para 2016-2017, que tem como tema “Viver, em Igreja, a alegria de ser cristão”.

Um período que vai também ser marcado pelo centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima e pela visita do Papa Francisco a Portugal, em maio de 2017. Sobre todas estas datas especiais, D. António Carrilho já fez também votos de que elas constituam para as comunidades “verdadeiras oportunidades de reflexão e renovação do ser cristão e da ação pastoral diocesana”.

 

 

 

Elevada abstenção preocupa bispo de Angra

O bispo de Angra disse que a “demasiado elevada” taxa de abstenção, de 60% nas eleições para a Assembleia Regional dos Açores realizadas este domingo, pode “contagiar a democracia e enfraquece a participação cívica dos cidadãos”. “Apesar do facto de já termos a experiência democrática de mais de quarenta anos, na realidade falta uma verdadeira formação e educação para a participação. Isto faz-se nas famílias, nas escolas, nas associações, nas igrejas e nas áreas de intervenção politica”, escreve D. João Lavrador.

Para o bispo de Angra e das Ilhas dos Açores a Igreja deve “alertar para o dever e o direito” de cada cidadão participar no ato eleitoral, algo que foi feito em todas as comunidades paroquiais pelos respetivos párocos.

Num comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA pelo sítio na internet ‘Igreja Açores’, o prelado observa que apesar da mobilização para as eleições para a Assembleia Regional dos Açores “as pessoas decidiram por uma margem muito expressiva de abstenção”, que atingiu os 60%.

D. João Lavrador, numa “interpretação pessoal” das últimas eleições nos Açores, observa

 

 

 que numa “democracia consolidada” como a portuguesa as pessoas “sentem-se dispensadas” de participar nos atos que elegem os seus representantes. O afastamento dos políticos em relação aos seus eleitores e a forma como as pessoas “vêm ou não resolvidos os seus problemas” são outros fatores apontados para a abstenção.

“A falta de novidade, as exíguas ideias para os problemas culturais, económicos e sociais e os ataques pessoais acabam por desmobilizar as pessoas” e são, para D. João Lavrador, motivos que afastam os eleitores das mesas de voto.

Neste contexto, o prelado acrescenta que o facto de os programas eleitorais “não serem respeitados” na gestão governativa faz com que os cidadãos sintam “desconfiança”.

 

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial portuguesa nos últimos dias, sempre atualizados emwww.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Portugal: Presidente da República agraciou reitora da Universidade Católica

 

 

 

Pastoral Juvenil: A «cidadania evangélica» é o caminho dos jovens 

 

 

Em defesa das crianças refugiadas

 

 

Sete novos santos para a Igreja

O Papa presidiu este domingo ao rito de canonização de sete fiéis católicos e afirmou na homilia da Missa que os santos "rezaram com todas as forças, lutaram e venceram". "Os santos são homens e mulheres que entraram profundamente no mistério da oração, que lutaram com a oração, deixando rezar e lutar neles o Espírito Santo", afirmou Francisco na celebração que acontece a pouco mais de um mês do final do Jubileu da Misericórdia (20 de novembro). O Papa lembrou que rezar

 

 

 

não é "refugiar-se num nundo ideal", mas "lutar" e deixar que o Espírito Santo reze em cada mulher e homem. "Os sete testemunhos que hoje foram canonizados, combateram a boa batalha da fé e do amor coma oração. Pelo seu exemplo e a sua intercessão, Deus nos conceda também a nós de sermos homens e mulheres de oração", referiu Francisco na homilia da Missa, na Praça de São Pedro.

Entre os santos canonizados por Francisco está a monja francesa Isabel da Trindade (Isabel Catez), da Ordem

 

 

 

das Carmelitas Descalças. A Rádio Vaticano apresenta a santa francesa como uma “grande mística”, contemporânea de Santa Teresinha do Menino Jesus.

A religiosa carmelita morreu em 1906 aos 26 anos, após um longo sofrimento causado pela Doença de Addison.

Francisco canonizou também uma das figuras que o inspirou, José Gabriel del Rosario Brochero (1840-1914), conhecido como o ‘Cura Brochero’, que percorreu a Argentina numa mula para levar a mensagem do Evangelho no século XIX.

Em 2013, após a beatificação deste sacerdote, o Papa desejou no Vaticano que haja mais padres capazes de “dar a sua vida ao serviço da evangelização, seja de joelhos diante do crucifixo, seja dando testemunho em todos os lugares do amor e da misericórdia de Deus”.

Outro dos novos santos é o jovem José Sánchez del Río, mexicano (1913-1928), martirizado aos 14 anos durante a perseguição religiosa no México.

A lista inclui ainda o mártir Salomão Leclercq (1745-1792), dos Irmãos das Escolas Cristãs; o fundador da União Eucarística Reparadora e da

 

Congregação das Irmãs Missionárias Eucarísticas de Nazaré, D. Manuel  González García (1877-1940), bispo de Palença (Espanha); o padre Ludovico Pavoni (1784-1849), fundador da Congregação dos Filhos de Maria Imaculada; o padre Alfonso Maria Fusco (1839-1910), fundador da Congregação das Irmãs de São João Batista.

Francisco proclamou até hoje 29 santos (o italiano Antonio Primaldo foi canonizado juntamente com 812 companheiros leigos) em oito cerimónias no Vaticano, duas fora da Itália (EUA e Sri Lanka) e sete canonizações por equipolência (sem necessidade de novo milagre).

Entre os santos proclamados no pontificado de Francisco estão os Papas João XXIII e João Paulo II, a Madre Teresa de Calcutá e o padre nascido na então Goa Portuguesa, São José Vaz.

 

 

Idosos, um tesouro precioso

O Papa Francisco recebeu, este sábado, no Vaticano, representantes da Associação Nacional Trabalhadores Idosos, e considerou a terceira idade um “tesouro precioso” e “indispensável”. No encontro com milhares de pessoas da terceira idade, o Papa argentino começou por reafirmar que a Igreja olha para as pessoas idosas com afeto, gratidão e grande estima, pois são parte essencial da comunidade cristã e da sociedade, e representam as raízes e a memória de um povo.

A maturidade dos idosos e sabedoria acumulada ao longo dos anos, “pode ajudar os mais jovens, apoiando-os no caminho do crescimento e abertura ao futuro, em busca do seu caminho”, disse o Papa Francisco.

Em seguida, o Papa falou dos muitos idosos que “generosamente” empregam o seu tempo e talentos no apoio aos outros e que nas paróquias dão um contributo precioso. No mundo atual, “onde muitas vezes são mistificadas a força e aparência”, os idosos têm “a missão de testemunhar os valores que realmente contam e que permanecem para sempre porque estão gravados no coração de cada ser humano e garantidos pela Palavra de Deus”.

 

Existem muitos idosos que convivem com a doença, dificuldades de locomoção e precisam de assistência, observou ainda o Papa, agradecendo a Deus por tantas pessoas e estruturas que se dedicam diariamente ao serviço da terceira idade.

O Papa Francisco exortou também as instituições que abrigam idosos a serem lugares de “humanidade e atenção amorosa”, onde os mais fracos “não são esquecidos ou negligenciados, mas visitados, recordados e tratados como irmãs e irmãos mais velhos”.

As instituições e diferentes realidades sociais ainda podem fazer muito para ajudar os idosos a exprimir melhor as suas capacidades, para facilitar a sua participação ativa, sobretudo para garantir que sua dignidade como pessoas seja sempre respeitada e valorizada, sublinhou o Papa.

 

 

 

 

Pobreza deve interpelar os cristãos

O Papa alertou no Vaticano para a necessidade de responder à pobreza, lembrando os que sofrem com a fome e a sede no mundo atual. “Quantas vezes, os media informam-nos sobre populações que sofrem com a falta de comida e de água, com graves consequências, especialmente para as crianças”, declarou, na audiência pública semanal que decorreu na Praça de São Pedro.

Francisco falou aos cerca de 35 mil peregrinos presentes no encontro das consequências do “chamado bem-estar”, que leva as pessoas a fechar-se em si mesmas. “A pobreza em abstrato não nos interpela, mas faz-nos pensar, faz-nos lamentar. Se tu vês a pobreza na carne de um homem, de uma mulher, de uma criança, isso sim, interpela”, observou.

O Papa lamentou que exista o “costume de fugir dos necessitados”, afastando as pessoas desta realidade. Francisco advertiu para os efeitos de “modelos de vida efémeros”, como se a vida fosse uma “moda”, e sublinhou que é preciso ir além das campanhas de solidariedade que respondem a casos pontuais.

“Esta forma de caridade é 

 

importante, mas talvez não nos envolva diretamente. Pelo contrário, quando vamos pela rua e encontramos uma pessoa em necessidade ou então um pobre vem bater à porta da nossa casa, é muito diferente”, realçou.

A intervenção aludiu à importância das obras para dar vida à fé, partilhando mesmo o “pouco” que se tenha. “Há sempre alguém que tem fome, sede, e tem necessidade de mim. Não posso delegar em ninguém: este pobre tem necessidade de mim, da minha ajuda, da minha palavra, do meu compromisso”, concluiu.

Já nas tradicionais saudações aos grupos de peregrinos, Francisco deixou uma palavra especial para os lusófonos: “Desejo-vos neste Ano Jubilar a graça de experimentar a grande força da Misericórdia, que nos faz entrar no coração de Deus e nos torna capazes de olhar o mundo com mais bondade”.

 

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial internacional nos últimos dias, sempre atualizados em www.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Padre Arturo Sosa é o 30.º sucessor de S. Inácio de Loiola,
primeiro da América Latina

 

 

 

Vaticano: Papa lembra responsabilidade missionária de cada católico 

 

 

Pedagogia do Sentido

  José Luís Gonçalves    
  Escola Superior  
  de 
 Educação   
  de Paula Frassinetti
   

 

As implicações educacionais das mudanças paradigmáticas que estão a ocorrer na área da educação em todo o mundo são, simultaneamente, ambivalentes e desafiantes ao deixar de lado a ideia moderna de progresso e apontar muito mais para a noção de evolução criativa, promovendo na pessoa a unidade da ciência com a espiritualidade e a sua realização cidadã através de um laço social de natureza solidário. Neste contexto, às Escolas Católicas não basta estar na vanguarda destas dinâmicas, mas necessitam de munir-se de ferramentas pedagógicas adequadas. Como estas têm por missão ajudar cada pessoa a desenvolver-se plenamente, introduzindo sentido cristão na existência humana, urge optar por uma abordagem pedagógica que faça da descoberta do “sentido” da própria vida a sua mola impulsionadora.

De forma simples, entende-se aqui “sentido” numa perspetiva existencial, semelhante a ‘orientação’ e ‘razão de ser’ da própria vida e da realidade. Se cada pessoa tem necessidade de dar sentido à sua vida, à sua atividade e ao seu mundo, a pergunta pelo sentido, nos seus níveis distintos de significação e de profundidade, constitui, pois, uma característica do ser humano. Para captar o sentido (do todo), para além do significado (parcial), é preciso ampliar o horizonte vital. Por isso, algo tem sentido quando tem um propósito e adquire importância, tecendo círculos de significação, unificando os significados parciais e/ou as situações desgarradas da vida num todo orientado para um fim, integrando nele até o sem-sentido.

 

 

 

Existem vários tipos de sentido: o imediato, o sentido mediato e o sentido último. Esta classificação advém das diferentes intencionalidades que movem o ser humano na descoberta da realidade, mas também das modalidades de conhecimento que este mobiliza em cada momento: o lógico, o pictórico ou o meta-lógico. E se na educação é importante apreender bem estes três níveis, numa educação integral seria incoerente reduzir a ideia de sentido aos âmbitos estritamente lógico-racional ou pictórico. Existem determinadas experiências (silêncios, situações-limite, felicidade) que ‘excedem’ a realidade e cujo sentido é meta-lógico e não tem referência necessária ao mundo objetivo ou descritivo. Insere-se aqui o nível simbólico-religioso…

Como sabemos, a educação do sentido nunca é neutra, porque se encontra vinculada a uma determinada tradição simbólica. No caso das Escolas Católicas, a um ideário educativo e a um estilo de educar protagonizado pelas testemunhas dessa realidade finalística que constitui o sentido da vida em Cristo. O sentido não se 

 

transmite através de conteúdos abstratos ou impessoais, mas através de gestos, perspetivas e ações que têm um profundo impacto pessoal no educando. O sentido, ao conferir um horizonte que excede o real, abre espaço à liberdade-responsabilidade, permitindo desenhar novas configurações do humano. Fica, pois, o desafio da introdução, na educação formal e não-formal, de uma pedagogia do sentido que vá além das estratégias e técnicas pedagógicas ou de uma racionalidade utilitária que tomou conta de muitas das nossas práticas educacionais. 

 

 

Os sem teto e os sem tempo

  Paulo Rocha   
  Agência ECCLESIA   

 

 

 

Esta semana assinalou-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Felizmente, são muitas as iniciativas que não deixam passar em claro esta Jornada, com o perigo de reduzir uma causa da humanidade a algumas horas de promoção de eventos. Uns podem ajudar a resolver o problema; outros levam à mudança de atitudes e comportamentos que deixam rasto, que provocam alterações de paradigmas, pessoais e comunitários.

A organização ‘IMPOSSIBLE - Passionate Happenings’ abordou o problema da pobreza a partir do tempo, de uma circunstância que a todos assiste, mesmo aqueles que nada têm: viver permanentemente à procura de respostas para problemas que nos impedem de olhar ao longe e preenchem o quotidiano sem deixar que o ponto de partida para cada dia seja uma vontade, um projeto, a possibilidade de pensar sobre o que quero e devo fazer, como pessoa e como comunidade.

‘Socorro! Estou sem tempo’ foi o tema para um seminário onde se ouviram economistas, psicanalistas, artistas e profissionais de diversas áreas sobre o tempo que os ocupa. Entre todos, a constatação de que com facilidade o tempo é uma categoria que está ao alcance de poucos. Mesmo os sem-abrigo, os pobres e os sem teto, que aparentemente têm todo o tempo do mundo. Mas não! Porque o tempo que preenche os seus dias é um tempo sem recursos, sem a possibilidade de definir e cumprir um projeto.

   

 

 

 

  

 

Depois, muitos dos que têm, pouco ou muito, ocupam todo o tempo a pagar o que têm ou a querer ter mais. Em causa não estão só hábitos adquiridos, mas categorias da vida de uma geração, uma cultura, uma forma de estar em da sociedade.

Pagar o que se tem ou procurar mais do que aquilo que se tem… Assim vivemos no momento atual… Assim se configuram os Estados, ocupados permanentemente a pagar dívidas, soberanas quase todas, sem

  parar de contrair outras tantas…
Pagar o que se tem ou procurar mais do que aquilo que se tem… É o paradigma que espera mudança. E só depois de mudar esse paradigma é que se torna possível conjugar dois verbos propostos pela ‘IMPOSSIBLE - Passionate Happenings’ neste Dia Internacional para a Irradicação da Pobreza: imaginar-se e recriar-se! É esse o desafio para todos e para a comunidade. Para os sem teto e para os sem tempo! 
 

 


 

A Igreja Católica vai celebrar este domingo o Dia Mundial das Missões 2016. Uma ocasião para “refletir sobre a urgência do compromisso missionário da Igreja e de cada cristão”, como disse o Papa durante a audiência pública semanal que decorreu na Praça de São Pedro.

A Mensagem de Francisco para o Dia Mundial das Missões sublinhava a importância da evangelização em contextos de dificuldades, saudando a “crescente presença feminina” na ação missionária da Igreja Católica. “Sinal eloquente do amor materno de Deus é uma considerável e crescente presença feminina no mundo missionário, ao lado da presença masculina”, refere.

 

 

 

 

 

 

 

 

O texto intitulado ‘Igreja missionária, testemunha de misericórdia’ assinala que muitas mulheres, leigas ou consagradas, estão empenhadas em vários campos da missão, desde “o anúncio direto do Evangelho ao serviço sociocaritativo”.

A mensagem liga o Dia Mundial das Missões de 2016 à celebração do Jubileu da Misericórdia (dezembro 2015-novembro 2016), convidando os católicos a “levar a mensagem da ternura e compaixão de Deus a toda a família humana”.

O Semanário ECCLESIA traz até si testemunhos de quem está no terreno, num serviço evangelizador ao próximo, dando rosto concreto a esta Missão que não tem fim.

 

 

 

 

 

Falta um compromisso político que acompanhe o empenho da sociedade civil

 

Rita Sacramento Monteiro partilha a sua experiência de missão junto de refugiados em Itália, na Grécia e em Portugal

 

Agência ECCLESIA (AE) – Como é que entrou na sua vida esta paixão pela missão, pelas causas humanitárias?

Rita Sacramento Monteiro (RSM) – Penso que é algo que já nasceu comigo. Eu sou escuteira e desde pequenina pude fazer muito serviço aos outros, e o serviço aos outros torna-se parte de nós até porque o lema escutista é deixarmos o mundo melhor do que o encontrámos.

Agora recentemente, em 2015, tive oportunidade de fazer missão fora de Portugal o que para mim foi uma novidade, foi fruto de uma sensação de que era possível e eu era chamada a fazer mais.

Quando comecei a ver as notícias sobre esta crise humanitária e sobretudo as imagens de famílias, de pessoas a entrarem em barcos, a tentarem chegar a uma margem que é a Europa e a morrerem pelo caminho, ver corpos no mar e ouvir estas notícias de que o Mar Mediterrânio

 

e o Mar Egeu se tinham tornado um cemitério, senti que tinha que fazer mais.

E quis muito conhecer estas pessoas, conhecer histórias, saber os nomes, ver as caras, tocar as mãos. É muito fácil quando só ouvimos falar de números e de massas, é muito natural distanciarmo-nos da realidade e não termos a perceção clara do que é que está a acontecer e o impacto que está a ter na vida das pessoas.

 AE – Esteve primeiro num campo de assistência a refugiados na Sicília, em Itália, durante 20 dias. O que é que mais a marcou nesta experiência?

RSM – Marcou-me muito perceber que estas pessoas, ao chegarem à Europa, enfrentam uma espera de meses e até de anos. Mais do que chegarem e precisarem de um abrigo, de comida, de vestuário, de trabalho e dinheiro para viver, estas pessoas estão à espera antes de tudo de uma resposta e de poderem continuar as suas vidas.

 

 

Eu na Sicília estive num centro de acolhimento a requerentes de asilo e refugiados, como há muitos centros destes em Itália e na Grécia. Era um centro só de homens, cerca de 50 homens vindos de vários países de África e também do Bangladesh.

E impressionou-me ver que ali, dia após dia, estes homens continuavam a aguardar uma resposta que lhes possibilitasse construir uma nova vida aqui na Europa.

Mas também me impressionou a resiliência e a capacidade deles, o testemunho de fé – na sua maioria muçulmanos – de pessoas que quase perderam a vida, que arriscaram tudo por uma nova esperança, e ainda 

 

assim têm uma força interior e a convicção inabalável de que as coisas se vão resolver. E isso é marcante.

 

AE – Como era o seu dia-a-dia neste centro, junto destes refugiados?

RSM – Este projeto tinha uma base católica e o desafio era mesmo estar nas fronteiras, estar com as pessoas, acompanhá-las. Naturalmente entrar também nas atividades que estavam pensadas e propor novas atividades, no fundo para as pessoas ocuparem o seu tempo, desde aulas de línguas até atividades mais práticas, workshops culturais, jogos de futebol, de ping-pong, de xadrez.

O voluntário é chamado a pôr os seus talentos e as suas competências a 

 

Eu na Sicília estive num centro de acolhimento a requerentes de asilo e refugiados, como há muitos centros destes em Itália e na Grécia. Era um centro só de homens, cerca de 50 homens vindos de vários países de África e também do Bangladesh.

E impressionou-me ver que ali, dia após dia, estes homens continuavam a aguardar uma resposta que lhes possibilitasse construir uma nova vida aqui na Europa.

Mas também me impressionou a resiliência e a capacidade deles, o testemunho de fé – na sua maioria muçulmanos – de pessoas que quase perderam a vida, que arriscaram tudo por uma nova esperança, e ainda assim têm uma força interior e a convicção inabalável de que as coisas se vão resolver. E isso é marcante.

 

render, das mais variadas maneiras. Mas sobretudo estar, conversar.

Muito do meu tempo lá durante o dia era ganho - não perdido mas ganho! – a conversar com as pessoas e a saber de onde é que tinham vindo, quais eram as suas histórias. E a contar também a minha história.

 

AE - Além desta experiência de Itália tem outra história de missão mais recente na Grécia.

RSM – Sim, voltei a ter este ano uma nova oportunidade de estar ao serviço de refugiados, integrada na Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), indo para a Grécia e para a Ilha de Lesbos.

Aqui a PAR tem há vários meses uma missão na linha da frente, enviando para Lesbos um grupo de voluntários. Um trabalho de resposta humanitária, de alivio do sofrimento, de 

 

acompanhamento destas pessoas, com projetos de educação não formal, também com apoio psicossocial.

Portanto em Julho deste ano estive um mês nesta ilha a trabalhar sobretudo em duas áreas: num abrigo da Cáritas onde vivem 200 pessoas, e num campo de refugiados onde estão cerca de mil pessoas, o campo de Kara Tepe.

E encontrei ali uma realidade muito diferente da Sicília, muito mais de emergência. As pessoas estarem num campo, a viverem em tendas, só por si é uma situação muitíssimo frágil, temporária. Devia ser temporária mas não é.

Estas pessoas estão ali há meses, já passaram o Verão e vão passar o Inverno num acampamento à espera de uma resposta, à espera que a Europa se decida a acolher para poderem construir um novo futuro.

Portanto era uma realidade muito 

 

 

 

mais emergente do que na Sicília, apesar de agora na Sicília estar a chegar muito mais gente, pela rota do Mediterrâneo, e de na Grécia - devido ao acordo com a Turquia - esse número ter diminuído consideravelmente.

Mas ainda assim estão a chegar a Lesbos cerca de 100 pessoas por dia, continuam a chegar.

 

AE – Utilizou a expressão ‘deveria ser temporário’, esta passagem pelos centros de refugiados deveria ser temporária. Onde esteve sente-se de facto esta burocracia e demora, sente-se o desespero das pessoas por não verem a sua situação resolvida?

RSM – Sim, sente-se muito. Sente-se sobretudo um grande caos ao nível dos processos e aí a Europa está a falhar. Desde os documentos, a língua em que estão os documentos, as pessoas que estão a requerer asilo na Europa não entendem a língua. A necessidade de mediações que também implicam que o processo dure mais tempo.

As pessoas estão semanas, meses para irem a uma entrevista, depois ficam mais semanas, meses à espera de uma resposta.

Repare, o programa europeu de recolocação que supostamente era 

 

um esforço concertado da Europa para acolher estas pessoas nos vários Estados-membros previa recolocar 160 mil pessoas e há data de hoje recolocou entre 4 a 6 mil, está muito longe da meta que traçou.

Uma meta que em si até é uma meta curta na minha opinião, porque esse número está muito longe do número de pessoas que entraram na Europa pelo mar.

Alguma coisa está a falhar e eu acho que é a nossa vontade em acolher, dos Estados-membros acolherem e a Europa mobilizar os seus serviços e as pessoas para este acolhimento.

 

AE – Numa entrevista que deu falou da questão do compromisso, que a missão e o voluntariado implicam que as pessoas sejam capazes e estejam disponíveis a comprometerem-se umas pelas outras. É isso que falta à Europa, a nível institucional e comunitário?

RSM – Nós estamos todos comprometidos a partir do momento em que falamos de homens e mulheres que, na mesma terra em que vivemos, estão a fugir de situações de guerra, fome, perseguição, das mais variadas formas de ausência de paz e de liberdade, a procurar abrigo e a precisar do nosso acolhimento.

A partir daí estamos comprometidos,

 

 

 

trata-se antes de mais de uma realidade humana, que diz respeito a cada um de nós. E depois tem que haver um compromisso grande, político, que permita desbloquear a situação.

E um compromisso que acompanhe, na minha opinião, o empenho que tem havido na sociedade civil. Este é o tempo da sociedade civil, quem tem respondido nas fronteiras são voluntários, são organizações que estão a pôr os meios para acolher estas pessoas e para dar o essencial, a primeira resposta: abrigo, comida, o que vestir, e depois o acesso aos pedidos e ao requerimento de asilo.

Mas faz falta que o compromisso político acompanhe esta vontade civil de acolher. E depois na sociedade civil sabemos que ainda há muita

gente que precisa de entender

a necessidade de acolhimento,

há muita gente que está contra

ou que não entende este acolhimento.  

 

E portanto cabe a cada um de nós, que vimos esta realidade, que conhecemos estas pessoas, de sensibilizar, de desmistificar e de informar as pessoas. Porque como diz, este é um compromisso de todos.

Não é toda a gente que vai para as fronteiras, mas é toda a gente que aqui em Portugal vai fazer parte de um acolhimento.

 

AE – Se tivesse que dar um conselho a alguém que esteja a pensar em partir em missão, o que é que diria?

RSM – Eu diria primeiro para explorarem as opções de voluntariado existentes e para se aconselharem,

        para tentarem ir com um

          projeto que estejam

          estruturados.

           Existem muitos projetos agora,

            temos uma referência que é a

             Plataforma de Apoio

 

 

 

 

aos Refugiados que – e eu fui testemunha disso – está a fazer um trabalho incrível nas fronteiras, com as pessoas que consegue mobilizar para serem resposta e a darem rosto, para serem rosto de Portugal e isso é incrível.

Mas existem outros projetos, portugueses e não só, portanto eu diria para a pessoa se informar.  

E depois para testar a sua vontade em ir, ou seja, ainda bem que há muita gente a querer ir além-fronteiras mas há muito trabalho a fazer cá.

Será que neste momento eu, que tenho esta vontade de ir além-fronteiras não sou chamada também a estar cá? Diria que a pessoa se deve informar, temos comunidades portuguesas que já acolheram famílias à data de hoje e estas instituições precisam de ajuda, precisam de 

 

voluntários, as pessoas acolhidas precisam de amigos.

 

AE – Sobre o acolhimento aos refugiados aqui em Portugal, concretamente. Como é que analisa a forma como ele tem decorrido?

RSM – Ao voltar da Sicília em 2015 tive a oportunidade incrível de na minha comunidade paroquial ter um conjunto de pessoas despertas para esta realidade e no último ano trabalhámos no sentido de sermos uma instituição anfitriã da Plataforma de Apoio aos Refugiados. Hoje já acolhemos uma família e temos estado a trabalhar nisso.

Agora veja bem, passou um ano. Como é que eu olho para o acolhimento em Portugal? Vejo que tem demorado muito também, por um bloqueio que não é português, não me parece

 

 

 

 

um bloqueio nosso porque as instituições estavam disponível, porque a PAR tem estado a fazer um trabalho nesse sentido.

Tem sido sobretudo um bloqueio lá, na Grécia e em Itália onde estão estas pessoas. A PAR fez nos últimos meses um esforço para desbloquear esta situação, com as autoridades portuguesas.

Conseguimos agora que chegassem mais famílias, há uma previsão até de que brevemente cheguem a Portugal mais algumas centenas de famílias, cerca de 400.

Eu espero que este bloqueio seja resolvido, porque há muita vontade em acolher na sociedade portuguesa, muitas instituições, casas preparadas, e agora parece que é mais uma questão política do que vontade.

E espero que na atual disponibilidade em Portugal, de instituições e de casas, possa haver mais respostas, mais gente a acolher, mais casas disponíveis, mais instituições, para podermos receber os milhares a que nós nos disponibilizámos.

Portugal começou por se disponibilizar a receber 5 mil pessoas, depois duplicámos essa oferta e portanto há muito caminho ainda a fazer e espero que esse acolhimento se torne rapidamente uma realidade e caminhemos para esses números.

 

AE – Como disse há pouco, a sua comunidade, a União Pastoral de Nova Oeiras e de São Julião da Barra, acolheu há pouco tempo uma família de refugiados. Como é que tem estado a decorrer o processo de integração?

RSM – A nossa família, a família Alush, é constituída por um mãe de 46 anos, um jovem de 15 e uma jovem de 20 anos. Eu diria que está a ser uma aventura, desde o último ano que trabalhávamos para os acolher e sem os conhecermos já tínhamos uma ligação.

É bonito ver como uma Unidade Pastoral se mobiliza, duas comunidades se mobilizam e as pessoas quase se cativam por uma família que ainda não conhecem e já estão ligadas a eles.

O momento em que fomos buscá-los ao aeroporto (nr. 23 de setembro) foi muito emocionante. Eu senti que ia buscar a minha família e que esperava por estas pessoas há muito tempo, que estavam muito longe e agora íamo-nos finalmente encontrar.

E é primeiro um desafio a desinstalarmo-nos porque há a barreira da língua, toda uma realidade cultural diferente, e depois um desafio a sermos mais, a descobrimos em nós o verdadeiro serviço e testarmos a vontade em acolher.

Porque o acolhimento depois 

 

 

 

torna-se uma realidade e passa por coisas muito pragmáticas como ter tempo, ser misericordioso, ter paciência para todas as questões mais complexas, ser alegres, tentarmos animar estas pessoas à construção de uma vida em Portugal.

Portanto tem sido uma aventura, possível graças a uma comunidade que tem sido muito generosa, a uma equipa de trabalho que tem sido incansável, com pessoas que também têm os seus empregos, as suas famílias, e que com uma entrega enorme procuram as melhores soluções.

Desde arranjar aulas de português, para poder integrar estas pessoas no sistema de ensino português, a arranjar de trabalho para a mãe desta família de modo a poder suportar as despesas.

Para mim esta tem sido uma oportunidade de crescimento pessoal e de alargamento de coração que nos foi dada e perante a qual é impossível ficarmos indiferentes.

 

AE – Esta família síria é proveniente de Alepo, uma das cidades mais fustigadas pela guerra e onde ainda está neste momento outro membro do agregado familiar, neste caso o pai.

RSM – Exatamente, esta família tem mais dois filhos maiores, um está na Síria e outro na Turquia, e o pai ainda trabalha em Alepo e continua lá, o que é uma situação difícil.

Esta família vai pedir reunificação familiar para tentar que o pai venha para Portugal, mas é um processo que leva tempo.

A distância causa ansiedade, depois causa também muita ansiedade o facto deste pai e desta família terem ainda familiares e amigos a viverem num país que continua a ser fustigado por bombardeamentos, por uma situação que continua sem fim à vista.

Portanto é sem dúvida uma situação que temos de cuidar, porque esta família continua com uma ligação umbilical à terra de onde veio, e vai ter sempre essa ligação.

 

 

 

 

E cabe a nós portugueses também perceber isso. Isto não é a situação ideal para eles, foi um desinstalar grande, foi o deixar toda uma vida para trás para encontrarem paz. Mas continuam a ter pessoas lá e vão continuar a ter. E isso é algo que é preciso cuidar e apoiar.

 

AE – Que necessidades é que esta família ainda tem e que apelo gostaria de deixar às comunidades portuguesas, naquilo que possam ajudar.

RSM – Neste caso como a resposta é muito local, as comunidades de Nova Oeiras e São Julião da Barra têm estado a organizar-se bem.

O que eu queria frisar era a importância de cada pessoa tentar estar desperta para, na sua região, na sua localidade, na sua comunidade paroquial perceber: já acolhemos, vamos acolher, como é que eu posso ajudar?

 

 

Posso ajudar dando aulas de português, dando roupa, dando um donativo porque o dinheiro efetivamente é importante para financiar estes projetos.

Há muito a fazer e muitas pessoas com capacidade, com muitos talentos para colocarem a render, e eu deixo este apelo de vamos acolher, porque acolher vale de facto a pena.

 

 

Fim do DAESH não pode provocar
um DAESH 2.0

 

Chegou a Dohuk há um mês, à Região Autónoma do Curdistão Iraquiano. A sua missão é “cuidar”, “curar” e “construir” o futuro de um povo com diferentes tradições religiosas. Todos querem o fim do DAESH. E todos sabem que a forma como “isto for feito” pode dar origem ou não a um DAESH 2.0. A convicção é da Irmã 

 

 

Irene Guia, religiosa das Escravas do Sagrado Coração de Jesus que já trabalhou em campos de Refugiados no Ruanda e na República Democrática do Congo. Agora, está no Curdistão Iraquiano.

Para a irmã Irene Guia, o povo que hoje está a ser alvo de guerras e de extermínios vai “renascer das cinzas”.

 

 

 

 

 

“Este povo vai renascer das cinzas. Aqui não se pode brincar como se brinca noutras zonas do planeta. Aqui há uma forte componente cultural que não é possível eliminar. É a cultura mais antiga à face da terra”, lembrou.

Alguns dias após o início da tomada de Mosul pelas tropas do Curdistão Iraquiano e do Iraque, através de uma aliança inédita, a irmã Irene Guia acredita na conquista da cidade diante da fraqueza do DAESH, mas alerta para o perigo de poder gerar um DAESH 2.0.

“Qualquer solução que derive do medo vai provocar o DAESH 2.0; provoca violência e agressão e essa é uma decisão erradíssima”, sublinhou.

A responsável pelos projetos do JRS no distrito de Dohuk não acredita que os iraquianos sejam “marionetas” nas mãos da comunidade internacional sem “capacidade para ler a realidade”, mesmo que “os poderes externos os usem como marionetas”.

A irmã Irene Guia disse, a partir do Curdistão Iraquiano, que a conquista de Mosul vai ser demorada e pode provocar até um milhão de novos deslocados na região.

“Os campos que estão preparados

 

de longe chegam para acolher as populações que se pensa que venham fugir”, referiu.

Os projetos do JRS, coordenados pela religiosa portuguesa no distrito de Dohuk, tem dois objetivos: “a cura e construção do futuro”.

Para a Irmã Irene Guia, não bastam “cuidados paliativos”, mas é necessário “dar esperança” a todos os povos da região e “promover a preparação para um futuro melhor” porque a maioria “quer regressar a casa”.

A viver uma grande crise financeira, a cidade de Dohuk viu a sua população aumentar 35% pela chegada de deslocados, sendo cada vez menor a possibilidade de conseguir um trabalho.

“Temos de dar formação, criar mais competências nas pessoas que estão à espera de regressar”, sublinhou. 

 

 

Perseguição aos cristãos
e eliminação dos «yazidis»

A Irmã Irene Guia disse à Agência ECCLESIA que é necessário “alargar” os destinatários das campanhas de apoio às populações do Médio Oriente, nomeadamente aos yazidis que estão a “ser eliminados”.

“Os cristãos estão a ser perseguidos, mas os yazidis estão a ser eliminados”, afirmou a religiosa que é responsável pelos projetos do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) no distrito de Dohuk, na Região Autónoma do Curdistão Iraquiano.

A comunidade étnico-religiosa yazidi é constituída por perto de um milhão de pessoas, a maioria vive no Iraque, acredita num Deus criador e que a terra é protegida por um sete anjos, sendo o principal Shaytan, símbolo do mal e nome de satanás no Alcorão.

Perseguida por diferentes regimes, os yazidis estão a ser alvo de um genocídio desde 2014 por parte do autoproclamado Estado Islâmico.

Para a irmã Irene Guia é “terrorífico” o que se está a passar com as mulheres yazidis, que estão a ser alvo de “violações, vendidas em mercados e passadas de mão-em-mão para todo o tipo de abusos”.

 

“Há algumas mulheres que conseguem fugir ou são compradas e são libertadas. São como escravas readquiridas para a liberdade. São escravas neste mercado de homens”, referiu a religiosa que está a trabalhar no Curdistão Iraquiano há um mês.

O JRS está a desenvolver projetos de ajuda a esta comunidade, nomeadamente às mulheres, através de um programa de saúde mental porque essas pessoas têm a cabeça “feita num caco”, sublinhou.

Para a irmã Irene Guia, as campanhas de apoio aos cristãos perseguidos devem ser desenvolvidas mas é necessário “alargar os corações e a generosidade”.

“Que as campanhas sejam mais universais e não exclusivamente para os cristãos”, alertou.

“Não podemos ficar com o olhar exclusivo aos nossos quando vemos um povo a ser eliminado e não têm apoios internacionais”, acrescentou a religiosa.

De acordo com a Irmã Irene Guia, os cristãos “estão mal” na região, sofrem perseguições, mas “todos eles têm

 

 

 

 

 apoio”, enquanto os estão a viver na piores condições”.

“Que as nossas campanhas pelos 

 

 

cristãos de aqui signifique também que temos de olhar pelos yazidis daqui”, alertou.

 

 

 

Perto do Jardim do Eden

A Irmã Irene Guia está há um mês a viver numa cidade perto do Araden, uma povoação no norte do Curdistão Iraquiano onde se afirma ter sido o jardim do Eden, no início da criação.

A harmonia inicial não é a que se vive na região, nomeadamente nas cidades em guerra. Mas “o paraíso mantem-se nestas terras, na capacidade de acolhimento e de bondade das pessoas”, referiu a religiosa. “Na gente comum o paraíso continua”, afirmou.

 

Tarefa missionária não é opcional

 

O presidente da Comissão Episcopal das Missões considerou que a “tarefa missionária não é uma opção” mas uma “consequência lógica da fé e do Batismo”, lembrando que em cada cinco pessoas “só uma conhece Jesus Cristo”. “Precisamos, pois, de missionários. De homens e mulheres  

 

 

«comuns» que se disponham a dar largas ao impulso de uma fé que é dinamicamente «contagiante». E que, em nome da Igreja, vão por esse mundo fora «gerar» novos filhos de Deus, na fé e no batismo”, explica D. Manuel Linda.

Na mensagem publicada no Guião 

 

 

 

 

 

Missionário 2016/2017, o prelado refere que aos “novos filhos de Deus” é preciso “nutri-los” com a formação religiosa e a promoção humana em todas as áreas – saúde; educação; alimentação; convivialidade - e também na “purificação” dos aspetos da “cultura ancestral que não se coadunam com a dignidade humana e com a nobreza dos filhos de Deus”.

O presidente da Comissão Episcopal das Missões começa por recordar que o Papa Francisco, no âmbito do Ano Santo Extraordinário, instituiu os sacerdotes designados por ‘Missionários da Misericórdia’ cuja caracterização – “ser testemunha da proximidade de Deus e do seu modo de amar” – exige-se “a todo o batizado”. Neste contexto, o prelado questiona se a presença do cristão “na cidade dos homens” pode exercer-se de outra forma que “não seja anunciando que Deus não se retirou do mundo”.

“O fiel em Cristo poderá «armazenar» somente para si o conhecimento desta alegre novidade e ora, se esta tarefa é urgentíssima nas nossas dioceses, não o é menos no vasto mundo”, observa.

D. Manuel Linda alerta para a “terrível 

 

verdade” do número de pessoas que ainda não conhece Jesus, mesmo com o “imenso trabalho, de suor e martírio” de dois mil anos de fé cristã.

O Centenário das Aparições de Fátima, em 2017, também está presente nas páginas centrais do Guião Missionário 2016/2017 e o presidente da Comissão Episcopal Missões pergunta se essa celebração “não impulsionará” os portugueses a levar ao mundo “o desígnio da misericórdia de Deus”.

O Dia Mundial das Missões cumpre este ano o seu 90.º aniversário e as dioceses católicas são chamadas a destinar as ofertas que se recolhem nessa data às comunidades cristãs necessitadas de ajuda.

 

 

Outubro missionário desafia batizados ao anúncio sem distinções socioculturais

O presidente dos Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) destaca o desafio que é o sonho de chegar a todos, “sem distinções socioculturais, rompendo fronteiras, construindo pontes, aproximando pessoas”, na sua mensagem no Guião Missionário 2016/2017. “Viver e celebrar a missão é proclamar continuamente a misericórdia e transformar a vida quotidiana num tempo de graça e de paz, impelidos por um desejo de conversão e um sentimento de alegria que contagie a todos”, escreve o padre António Fernandes.

O presidente dos IMAG considera um “enorme desafio” que todos os batizados têm em serem verdadeiros canais da misericórdia do Pai que, alcançando-nos, não nos deixa indiferentes, nos impulsiona a partir e a proclamar a Boa Notícia do Evangelho.

Segundo o padre António Fernandes, missionário da Consolata, e no contexto do tema deste mês - Com Maria missionários da misericórdia – assinala que com Nossa Senhora caminha-se “ao encontro do Outro” iluminados pelo Espírito: “A vida 

 

crescerá e será envolvida pela alegria do encontro, o calor do abraço terno e fraterno, a doçura da palavra partilhada, a beleza da mesa, onde todos podem sentar-se e sentir-se em casa”.

O guião do ‘Outubro Missionário’ disponibiliza várias propostas de oração e celebração como a vigília missionária e o rosário; a ‘Via Sacra com os Mártires’, pelo arcebispo de Évora, D. José Alves, e uma proposta para a Infância Missionária que através de três passos leva “as crianças a reconhecer o seu caminho missionário” de serem evangelizadores de outras crianças. No subsídio é apresentada também a mensagem ‘Igreja missionária, testemunha de misericórdia’ que o Papa Francisco escreveu para o 90.º Dia Mundial das Missões 2016.

O presidente da Comissão Episcopal Missões, o bispo D. Manuel Linda, também escreveu uma mensagem e o tema do ano é apresentado pelo professor universitário Juan Ambrósio que partilha “notas breves, para uma leitura” da Exortação Apostólica Pós-Sinodal do Papa Francisco ‘A alegria do amor’, dedicada à família.

 

 

 

 

O Centenário das Aparições de Fátima (2017) também está presente nas páginas centrais do Guião Missionário 2016/2017. “Celebrar o Centenário das Aparições é, por isso, oportunidade preciosa para valorizar o dinamismo missionário inerente, quer à devoção mariana, quer à mensagem de Fátima, deixando-nos conduzir pelo Imaculado Coração de Maria até Deus”, assinala o artigo.

Disponível no sítio online das Obras 

 

Missionárias Pontifícias (OMP), o guião para o mês dedicado às missões termina com a sugestão de preces diárias para cada um dos 31 dias do ‘Outubro missionário’.

As OMP explicam que o mês missionário tem origem no Dia Mundial das Missões, que se celebra este domingo, dia 23, e a data foi instituída pelo Papa Pio XI em 1926, como um “dia de oração e ofertas em favor da evangelização dos povos”.

 

 

 

«Ad gentes», a terra de missão continua a chamar pelo padre José da Silva Vieira

O superior provincial dos Missionários Combonianos, o padre José da Silva Vieira, já teve como morada os países de missão Etiópia e Sudão do Sul para onde espera voltar depois de servir a congregação como responsável em Portugal.

“Quando olho para a minha vida rio-me”, começa por assinala o sacerdote português que viveu oito anos de uma “experiência lindíssima” missionária na Etiópia, de 1993 a 2000, quando o seu desejo era partir para o Sudão.

“Tinha já tudo combinado com o provincial do Sudão, o provincial de Portugal, com a direção geral, quando mudaram de governo em Roma e mandaram-me para a Etiópia”, um país que o missionário “não tinha ideia” de onde ficava e só “das historiazinhas” que ouviu na escola.

Diz o provérbio popular que “Deus escreve certo por linhas tortas” e na vida do padre José da Silva Vieira isso é uma realidade porque quando se preparava para regressar à Etiópia o bilhete, em novembro de 2006, tinha como destino o país vizinho do Sudão do Sul.

“Estive lá sete anos e foi uma 

 

experiência muito linda, profissionalmente como jornalista foi a experiência melhor da minha vida”, recorda, explicando que aquando a proposta não pôs “objeção, a única era encontrar um diretor para os conteúdos editoriais da congregação.

O sacerdote esteve na redação das revistas combonianas’ Além-Mar’ e ‘Audácia’, de 1985 a 1992; Regressou a Portugal em 2000 para retomar a direção das revistas até 2006. tendo

Jornalista e responsável por uma cadeia de rádios no Sudão do Sul o padre José Vieira teve a “experiência bonita” de fazer a crónica de um país a nascer e a crescer que deu lugar a uma “tristeza muito grande” porque regressou “uma semana ou duas antes da guerra começar”.

A partir da sua experiência refere que o missionário “combina duas realidades”, as Obras de Misericórdia com o anúncio da Palavra de Deus: “Não podemos dizer que Deus te ama e mandá-los para casa cheios de fome. Tem de se envolver nos problemas das pessoas.”

Para o entrevistado as áreas principais são a saúde, a educação, porque 

 

 

 

“para sair” do marasmo “é preciso as pessoas serem capazes de pensar”, e o desenvolvimento da responsabilização das pessoas, afinal é necessário um código de conduta que “torne possível a convivência sem agressividade”, que é um dos grandes problemas do Sudão do Sul.

Saudade é uma palavra e sentimento tipicamente português e o missionário comboniano não lhe é imune quando vê nas fotografias “caras, vistas, trabalho”.

O também presidente da CIRP – 

 

Conferência dos Institutos Religiosos em Portugal – recorda a ainda a “qualidade de vida” em terras de missão em África com “muito menos” tecnológica, consumo, mas uma “relação mais próxima da gente, mais ecológico da vida”.

O padre José da Silva Vieira contínua com desejo de partir mas numa congregação missionária onde “todos têm de sair, alguns têm de ficar”: “Acho que daqui a três anos é importante que me mandem.”

 

 

O paralelismo entre chá e liturgia
no país da paciência

 

 

O superior geral da Sociedade Missionária da Boa Nova, o padre Adelino Ascenso, foi missionário no Japão durante 12 anos e recorda que num país onde a cerimónia do chá “tem muito a ver com a liturgia” o melhor conselho é paciência, são precisas “doses imensas”.

“A paciência no oriente, no Japão é algo que se vai adquirindo, que se vai alimentando. Vamos aprendendo no dia a dia que é necessário não são pastilhas de paciência, são doses imensas que é necessário termos”, começa por explicar o missionário.

O sacerdote recorda que quando chegou ao país do sol nascente um missionário veterano espanhol, há 50 anos no Japão, como conselho disse apenas “paciência”.

Após 12 anos de vida no Japão, 

 

 

 

 

o padre Adelino Ascenso comenta que o japonês “vive no meio de contradições” e, naturalmente, de conflitos. O ritmo de vida diário “avassaladoramente rápido”, muito veloz contrasta com a necessidade “de natureza, de ir passear para o bosque, de ter o seu jardim” porque “ajuda-o a encontrar esse equilíbrio”.

“Talvez seja o equilíbrio desse stress diário, essa paciência que é necessário adquirirmos e educarmos primeiro, conquistarmos”, sublinha o padre Adelino Ascenso.

Num país onde o caminhar “é muitas vezes silencioso” primeiro é preciso aprender a língua e depois faz-se silêncio porque “muitas vezes o japonês transmite mais através desse silêncio entre duas palavras”, talvez uma “porta de entrada” para a evangelização.

“A pessoa que trabalha, ganha a sua vida, vive com uma máscara de trabalhador de uma empresa e chega a casa põe outra muitas vezes de pai de família, ou da mãe. A pessoa consegue tirar essa máscara quando vai para a floresta, para a montanha, quando entra em contacto com a natureza ou jardim japonês e respira aquela atmosfera”, desenvolve.

 

O missionário da Boa Nova entrou para o seminário aos 37 anos e quando a congregação decidiu rumar ao oriente mostrou-se disponível para o novo desafio.

Segundo o superior geral da Sociedade Missionária, eleito em 2014 para um quadriénio (2018), a característica cerimónia do chá dos japoneses encontra paralelismo na liturgia católica a partir de “quatro ideogramas”.

“Há quatro ideogramas japoneses diretamente relacionados com a cerimónia do chá – harmonia, respeito, pureza interior e limpeza interior e exterior - tem muito a ver com a nossa Eucaristia”, exemplifica.

A Sociedade Missionária da Boa Nova tem atualmente 106 membros que trabalham em Portugal, Moçambique (desde 1937), Angola (desde 1970), Brasil (desde 1970), Zâmbia (desde 1980) e Japão (desde 1998).

Inicialmente denominada Sociedade Portuguesa das Missões Católicas, foi fundada pelo Papa Pio XI, em 1930, respondendo ao apelo dos bispos portugueses.

 

 

O missionário da Boa Nova entrou para o seminário aos 37 anos e quando a congregação decidiu rumar ao oriente mostrou-se disponível para o novo desafio.

Segundo o superior geral da Sociedade Missionária, eleito em 2014 para um quadriénio (2018), a característica cerimónia do chá dos japoneses encontra paralelismo na liturgia católica a partir de “quatro ideogramas”.

“Há quatro ideogramas japoneses diretamente relacionados com a cerimónia do chá – harmonia, respeito, pureza interior e limpeza interior e exterior - tem muito a ver com a nossa Eucaristia”, exemplifica.

A Sociedade Missionária da Boa Nova tem atualmente 106 membros que trabalham em Portugal, Moçambique (desde 1937), Angola (desde 1970), Brasil (desde 1970), Zâmbia (desde 1980) e Japão (desde 1998).

Inicialmente denominada Sociedade Portuguesa das Missões Católicas, foi fundada pelo Papa Pio XI, em 1930, respondendo ao apelo dos bispos portugueses.

De Leiria-Fátima para Angola, as diferenças no anúncio no serviço de sacerdote

O padre David Nogueira Ferreira, da Diocese de Leiria-Fátima, há 10 anos que é missionário em Angola com o grupo Onjoyetu e em novembro regressa à terra onde o anúncio “é diferente”, principalmente, nas circunstâncias que encontrou e no que “é exigido”.

“O anúncio do Evangelho neste contexto europeu em geral ou na Igreja portuguesa é muito mais pastoral ou servindo-nos das estruturas que já são seculares. Na missão em Angola o trabalho acaba por ser muito diferente, não temos uma estrutura, até estamos a criar uma, ou seja, estamos a ajudar a tornar esta missão um dia uma paróquia”, explica à Agência ECCLESIA.

Segundo o padre David Nogueira Ferreira o trabalho do missionário para além de ser muito pastoral é também “social” porque em Angola ainda não existem as estruturas todas que “proveem” algumas das necessidades das pessoas, como a saúde, o autodesenvolvimento e “é um desafio para a Igreja”.

O sacerdote de Leiria-Fátima que dedicou 10 anos ao serviço do

 

povo angolano, com o grupo diocesano Ondjoyetu, vai regressar a África em novembro mas recorda que em 2006 teve de “desmontar, em primeiro lugar, a Igreja” e, depois, a própria maneira de ler a realidade e transpor isso para a sua vocação.

“Digamos que tive de aprender uma maneira diferente de ser padre naquelas circunstâncias”, observa o padre David Nogueira Ferreira que vai para a Diocese do Sumbe.

Para o entrevistado as perguntas sobre a missão «o que é que já fizeram, vale a pena lá estar, o que mudou», são influenciadas pela mentalidade calculista europeia porque a tarefa do grupo diocesano “é semear” e caso não tenha germinado toda ou ainda não esteja a frutificar vão animar-se na que já frutifica.

“E ganhar mais coragem para tratar melhor o terreno, para semear porque, às vezes, não é a nossa sementeira que é bem-feita. É uma interpelação para semearmos melhor, para cuidarmos melhor do terreno, vermos se a semente é adequada”, acrescenta David Nogueira Ferreira, o padre missionário que entrou

 

 

 

 

para o seminário aos 11 anos.

O Grupo Missionário Ondjoyetu (que significa “A Nossa Casa”, em 

 

umbundo), da Diocese de Leiria-Fátima, iniciou o seu percurso em agosto de 1999.

 

 

Missão em português na Síria

 

A irmã Miry entrou aos 20 anos na congregação das monjas de Belém. Esteve 7 anos na Terra Santa e depois dada a necessidade partiu para a Síria.

A monja contemplativa relatou à Agência ECCLESIA a ajuda humanitária que as religiosas de Antioquia prestam à população. “O mosteiro foi atingido, mas Deus não quis que a comunidade partisse. Sentimos que foi a mão de Deus que não nos deixou partir. Ficámos. Somos para a população um meio para os encorajar a recomeçar a sua vida”, disse a religiosa portuguesa sobre a situação de crise que vive

 

 

no Convento de São Tiago Mutilado, em Qarah.

O perigo “de ter de perder tudo, o trabalho de uma vida, os preços são altíssimos, a ausência de estabilidade e de esperança” torna a população num “vulcão em ebulição”.

“A população depende da ajuda humanitária”, sublinha a Irmã Myri que acredita numa vontade de “erradicar o cristianismo no Médio Oriente”.

“Sente-se o êxodo forçado dos cristãos do Oriente. Hoje perderam muita coisa, as suas casas e tiveram de

 

 

 

 

 

sair das suas vilas. Há várias vilas formadas a partir dos primeiros cristãos convertidos por São Paulo e Santa Tecla perdidas”, assinala.

Apesar do relato de sofrimento, a irmã Myri traduz a vontade de permanência na ajuda aos que mais necessitam. “Levamos em nós o sofrimento do povo. É um grande sofrimento o que está a acontecer e não poder fazer grande coisa. A nossa única esperança é a fé e as promessas que foram feitas nas escrituras”, prossegue.

 

 

No ano passado, em Julho, um grupo de monjas do mosteiro cristão em Qara – onde vive a irmã Myri, oriunda do Milharado, na região Oeste – fez a entrega, ao bispo de Leiria-Fátima, para oferta a Nossa Senhora de Fátima, de três balas e um lenço trazidos da localidade síria de Maalula, como símbolos materiais do martírio de um grupo de jovens cristãos em Setembro de 2013.

 

 

«Vida e conflito» na Amazónia, ser leigo missionário num lugar com «dois rostos»

Luis Ventura Fernandez, de nacionalidade espanhola, é com a esposa leigo missionário da Consolata e durante nove anos viveu com os povos indígenas na Amazónia, na Diocese de Roraima, no norte do Brasil, onde desenvolveu um trabalho de educação. Numa experiência de vida e pela vida foi pai três vezes.

“O nosso trabalho inicial era numa escola com os jovens indígenas. Trabalhávamos questões ligadas à terra, à agricultura, à liderança dentro das comunidades e à saúde. A partir dai fomo-nos envolvendo na organização comunitária dos povos que era muito forte na defesa da sua terra, na luta pelo reconhecimento da sua terra”, explicou à Agência ECCLESIA.

Luis Ventura Fernandez e a esposa partiram para a missão em Roraima em 2002 e passado três anos, em 2005, viveram o “maior momento de felicidade” com os povos indígenas: “Foi a homologação da terra indígena Raposa Serra do Sul, que era uma luta há mais de 30 anos.”

Para o missionário da Consolata o reconhecimento do o Estado 

 

brasileiro foi a expressão que na vida o “direito termina prevalecendo sobre a violência e força dos poderosos”, e essa boa nova foi “uma festa do direito e da vida”.

“O trabalho missionário na Amazónia de defender a vida, os direitos, a mãe-terra, que lá é esplendida, leva a tomar e a ser parte dessa relação de conflito. A Igreja que está comprometida com os povos indígenas é também perseguida, os grandes poderes não gostam dela”, recorda.

Neste contexto, Luis Ventura Fernandez considera que esteve a trabalhar num sítio que tem “dois rostos”, porque é “lugar de vida, pela vida” o que origina a “aprender a trabalhar no conflito”.

O leigo espanhol sublinha que a Amazónia é um lugar privilegiado “pela diversidade de vida, pela riqueza humana”, afinal é “extraordinário” ter a oportunidade de viver com os povos indígenas, o que se torna “impressionante”.

“As pequenas dificuldades de um ambiente novo foram mais simples porque os jovens indígenas na escola e as famílias nas comunidades 

 

 

 

 

acolheram-nos muito bem. Fizeram com que a nossa vida fosse mais cómoda”, acrescentou o missionário recordando que ao fim de um, dois anos, praticamente, sentiam-se “parte do lugar”.

Em nove anos de serviço na Diocese de Roraima como Missionários da Consolata a Igreja doméstica que é Luis Ventura Fernandez e a esposa também aumentou afinal foi no norte do Brasil que viu nascer três dos seus quatros filhos.

Luis Ventura Fernandez comenta ainda que os índios da Raposa Serra do Sul consideram-se católicos e têm uma relação com a evangelização de “mais de 100 anos, uma organização, nesse sentido, extraordinária, uma fé muito profunda”.

“Para eles a fé e o Evangelho foi a força definitiva para se organizar e defender a terra diante de interesses de pessoas mais fortes politica e economicamente”, observou.

 

 

 

Um missionário que aprendeu a sorrir
com os filipinos

É missionário Comboniano e no seu trajeto pastoral esteve 15 anos nas Filipinas. Com 56 anos, o padre Vítor Dias é natural da zona de Viseu, da “bonita região de Lafões”, mas reconhece que a experiência naquele país asiático foi “esplêndida” porque estava no fulgor da sua vida.

Entrou no seminário dos Combonianos com 10 anos e ainda se recorda que “chorou muito pelos pais” quando era “pequenito” e estava naquela instituição dos «filhos» de Daniel Comboni (1831-1881). Como a maioria dos Combonianos trabalha em África e na América Latina, o padre Vítor Dias teve “a graça de ir para a missão no Oriente, para aquele encanto de país”, disse à Agência ECCLESIA.

Depois da formação em Viseu e Santarém, o padre Vítor Dias estudou Teologia em Inglaterra e partiu para aquele “imenso país católico” formado por mais de sete mil ilhas. Durante a sua estadia naquele país, o missionário esteve em cerca de 20 ilhas e, com olhar nostálgico, reconhece que ainda sonha voltar para aquele território.

 

Nos primeiros tempos esteve a trabalhar na revista missionária e a “fazer a propaganda da publicação pelas paróquias” e na formação dos missionários filipinos. No contacto com aquele povo, o missionário da região de Viseu aprendeu “a sorrir” e a celebrar “missa com alegria”.

Sendo um país “do terceiro mundo”, os filipinos sofrem porque “o nível de pobreza é muito elevado” e a alimentação é feita à base do arroz. Apesar dessas contingências, os habitantes têm sempre um “sorriso nos lábios” e é “uma alegria que radica na fé”.

Com um sorriso frequente, o padre Vítor Dias realça que um missionário quando vai para um território de missão “é contagiado por aquele povo” e foi “uma graça que recebeu daquele povo filipino”. Apesar das catástrofes, a alegria está sempre patente no rosto daquele povo. “Eles recomeçam sempre com uma esperança maravilhosa”, frisou este missionário Comboniano que, atualmente, é mestre de noviços em Santarém.

A vida nas Filipinas não é “apenas 

 

 

 

 

um mar e rosas” porque há zonas onde “existem perseguições aos missionários”. O padre Vítor Dias relata que esteve num funeral de um missionário (não Comboniano) que primeiro “arrancaram-lhe as unhas” e “depois arrancaram-lhe a cabeça”. Uma região das Filipinas onde “os grupos revolucionários estão a atuar com muita força”.

Nascido no seio de uma família “muito cristã e alegre”, o padre Vítor Dias aprendeu, nas Filipinas, o “respeito pela pessoa humana e pela harmonia”. Com o tempo, este missionário foi entrando no ritmo de vida daquele povo que “não diz a palavra «não» para não ferir o outro”. Só depois de sete ou oito anos nas Filipinas é que percebeu as diferenças na forma de dizer sim porque “há sins que significam não”.

 

 

 

 

O sentido de Deus hoje

 

O cardeal Robert Sarah, o prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (Santa Sé), veio a Portugal falar sobre as suas preocupações com a “crise de Deus” no Ocidente e do seu percurso de vida, desde uma aldeia remota da Guiné-Conacri. Nascido em 1945, foi nomeado bispo por São João Paulo II em 1979, chegando ao Vaticano em 2001, num percurso que o levou a ser criado cardeal por Bento XVI em 2010.

 

Entrevista conduzida por Henrique Matos

 

 

Agência ECCLESIA (AE) - Como é que uma criança da Guiné-Conacri faz a descoberta de Deus na sua vida e chega a ser cardeal da Igreja Católica?

Cardeal Robert Sarah (RS) - Deus utiliza sempre pessoas para se dar a conhecer. No meu caso, foram os missionários Espiritanos que estavam na Guiné e me deram a conhecer o Evangelho e Jesus Cristo. Ensinaram-me a rezar, isto é, a encontrar Deus na oração. Através da Missa, porque era acólito, pouco a pouco, descobri quem era Deus. Da mesma forma, Ele suscitou em mim esta escuta do seu apelo para ser padre.

Ouvi este apelo e, naturalmente, julgava que não fosse possível para um africano, porque eu só tinha visto missionários. Quando falei disso aos meus pais, eles não acreditavam que

 

 

isso fosse possível, foi o sacerdote que disse: “Sim, ele pode ser padre”. Foi uma surpresa.

 

AE - É fácil ser cristão na Guiné-Conacri?

RS - Não, porque o meu país é maioritariamente muçulmano, pelo menos 73% da população é muçulmana. 12% é animista. Apenas 3, 4% da população é católica e o ambiente nem sempre é favorável. Devo dizer, ainda assim, que tanto o Islão como o animismo tiveram sempre boas relações com os católicos, relações que nos estimulam a colocar Deus na nossa vida, no nosso trabalho, nas nossas relações. Na Guiné, a palavra Deus está sempre em primeiro lugar, por isso, apesar destas diferenças de credo, há boas relações entre nós.

 

 

 

 

AE - Por vezes, esteve mesmo em perigo…

RS - Sim, corri perigo do ponto de vista político mas Deus não permite que sejamos atingidos. Em abril de 1984, o Governo revolucionário da época [ditadura militar de Lansana Conté, após a morte de Sékou Touré, ndr], com outras pessoas, decidiu eliminar-nos, mas felizmente Deus não o permitiu, porque quem queria matar-nos acabou por morrer, durante uma operação. A pessoa que nos deveria

 

 

prender caiu, magoou-se numa perna, foi levada para fora da Guiné para ser tratada e foi assim que escapamos. 

 

AE - Foi um sinal de Deus?

RS - Foi um sinal de Deus, que me disse: “Eu protejo-te”. Eu não fiz nada, tudo o que fiz na vida foi feito por Deus, tudo aquilo em que me tornei, foi Deus que o fez. Eu sou natural de uma pequena aldeia, de uma pequena família, somos apenas três, sou filho único. Deus tomou este filho para o 

 

 

 

 

 

levar ao seminário, ele tornou-se padre, bispo, cardeal… Tudo isso foi Deus que o fez, eu apenas fui dócil ao que Ele quis fazer de mim.

 

AE - A Igreja Católica está a crescer em África, onde tem caraterísticas próprias. É uma lição para a Europa?

RS - Efetivamente, a Igreja cresce em África e é uma graça de Deus. Há um século, em 1900, havia só 2 milhões de católicos; hoje somos 200 milhões. É um crescimento extraordinário, com muitas vocações à vida religiosa e sacerdotal, muitas conversões. Apesar da pobreza, das doenças, da guerra, a Igreja cresce. Isso é um dom, uma graça de Deus.

Não temos lições a dar à Europa, o que temos ao nosso dispor é o que Deus realizou em África. Sei que Deus realiza sempre coisas magníficas com os pobres, com os que não têm nada, os que não são nada. Não temos lições a dar ao Ocidente, mas penso que este pode olhar à sua volta, para a Ásia, a África, para ver como é que estes continentes respondem ao Evangelho, respondem ao apelo de Deus, e, talvez, voltar à sua fé original.

 

AE - Fala-se numa crise de Deus no mundo ocidental. Qual é o papel dos cristãos neste cenário?

RS - Têm a missão de ser testemunhas, de manifestar a fé que têm Deus, pelo qual vivemos e nos movemos. Sem Deus, não saberíamos para onde ir, quem somos, porque fomos criados à imagem e semelhança de Deus, Ele guia-nos, respeitando a nossa liberdade. Se nos separarmos de Deus, é como uma árvore sem raízes, morre. Se o rio não tiver uma nascente que o alimente, ele seca, já não tem água.

O homem não pode ter a pretensão de dispensar Deus sem correr o risco de morrer e de desaparecer, pela violência que ele próprio cria, as guerras, todas as situações de conflito, de barbárie. Foi o homem que criou tudo isso, porque virou as costas a Deus, porque pensamos que somos autónomos, independentes, que podemos fazer tudo o que queremos.

O cristão tem o dever, sem impor a sua fé a ninguém, de manifestar que Deus tem um lugar importante na sua vida.

 

 

 

 

AE - Relativamente ao seu trabalho no dicastério para a Liturgia, o que é que podemos esperar em termos de mudanças?

RS - O trabalho mais importante que estamos a fazer hoje são as traduções do Missal Romano em várias línguas. De momento, está apenas terminada e aprovada a tradução em língua inglesa, em vigor há mais de três anos. A linguagem da Liturgia, naturalmente, é uma linguagem sagrada, não é a linguagem que utilizamos num mercado. Mesmo que queiramos facilitar a compreensão, é preciso manter a sacralidade da Palavra de Deus, é preciso manter a sua beleza. A Liturgia tem de ser bela, tem de ser silenciosa, não barulhenta.

Esse é o trabalho que procuramos fazer, que a Liturgia seja verdadeiramente um encontro, face a face, pessoal, com Deus. Se a Liturgia não me coloca diante de Deus, se não me permite encontrar-me com Ele, não permite crescer na fé.

A Liturgia não é feita para mim, é feita para Deus, a fim de que Deus se revele e eu o possa conhecer. Portanto, é um ato de obediência: quando Deus me fala, quando me ordena algo, tenho de fazê-lo, por 

 

amor e por obediência a Ele. Não sou eu que tenho de inventar a Liturgia, não sou eu que a tenho de criar, mas tenho de entrar naquilo que a Igreja sempre viveu, desde os primeiros séculos.

 

AE - Pode dizer-se que a Liturgia perdeu a sua sacralidade nalguns momentos?

RS - Penso que alguns têm a impressão de que é preciso banalizar a Liturgia, é preciso coloca-la ao nível das pessoas, que seja compreensível. É verdade que temos de fazer que todos compreendam o que fazem durante a Missa, mas isso não deve acontecer em detrimento da sacralidade, do mistério. Se eu entrar no mistério, ele leva-me para a intimidade de Deus.

 

AE - No recente Sínodo dos Bispos sobre a família houve um grande debate sobre a situação dos católicos divorciados, a sua integração nas comunidades. Como é que viu esta discussão?

RS - A missão da Igreja é revelar o pensamento de Deus sobre o matrimónio, a família, a pessoa humana. O pensamento da Igreja não é inventar coisas, mas revelar 

 

 

 

 

 

o que Deus pensa. Por isso, a Igreja não pode inventar, para fazer bem ao homem deve dizer-lhe: Isto é o que Deus pensa, é bom para ti. Isso não significa que a Igreja não se deva interessar, estar próxima de quem vive situações difíceis, como por exemplo os divorciados que voltaram a casar. Como ajudá-los? Primeiro, promover a reconciliação, se for possível. Se isso não puder acontecer, ajudá-los a praticar a sua fé, a ir à Missa, a ensinar a catequese aos filhos. Naturalmente, não poderão participar no Sacramento da Eucaristia, porque não estão na disposição necessária para comungar, mas poderão perfeitamente estar na comunidade, participar na vida comunitária, na organização da paróquia. 

 

 

 

 

 

 

             AE - Aqui, em Portugal,                              estamos a caminhar para

                o Centenário das Aparições.

                 Como vê a mensagem

                 de Fátima?

             RS - A mensagem de Fátima

            é tão clara, tão benéfica para a humanidade e para a Igreja, que penso que este centenário vai despertar em nós essa mensagem da Virgem Maria que pede conversão, que nos pede sacrifícios. É tão válida como há um século. O homem tem necessidade de romper com o pecado, converter-se, voltar para Deus, rezar pela sua conversão, fazer sacrifícios para a sua purificação, pela purificação do mundo. Espero que Nossa Senhora desperte a Igreja, a humanidade, para a sua mensagem.

 

 

 

 

 

 

AE - Como antigo presidente do Conselho Pontifício ‘Cor Unum’ [organismo da Santa Sé que coordena as atividades das organizações caritativas], qual é a sua opinião sobre o novo secretário-geral da ONU, António Guterres?

RS - É um grande privilégio, uma grande honra para Portugal poder dar o seu contributo ao mundo de hoje, para que este não se preocupe apenas com o sucesso material mas também com o sucesso interior. Um sucesso espiritual.

Portugal levou sempre o Evangelho a todo o mundo, em particular à América Latina. Esta função é também uma ocasião para que Portugal fale dos seus valores, fale da sua fé, para dizer que conserva a sua identidade católica, os seus valores católicos, universais, e que vai combater para proteger a família, proteger a vida, a dignidade da pessoa humana. Penso que é capaz disso.

Penso também que é bom que António Guterres diga que é cristão, que não tenha qualquer vergonha de ser cristão, pelo contrário. Sem impor a sua fé a ninguém, sem julgar-se superior, mas afirmando claramente que acredita em Deus e que acredita no valor que Deus nos deu para sermos felizes, humana e espiritualmente.

 

AE - Uma das questões humanitárias mais prementes é a dos refugiados que chegam à Europa. Como vê esta situação?

RS - O Ocidente não pode julgar-se inocente em relação ao que se passa hoje. Se há refugiados, isso deve-se, em boa parte, ao Ocidente, que destruiu o Iraque, a Líbia… Quem apoia hoje a rebelião síria contra o Governo estabelecido?

O Ocidente não pode dizer que está inocente do caos que se gerou à nossa volta. Naturalmente, eu desejaria uma solução para os refugiados na sua terra. Ninguém vai para o estrangeiro se puder ter trabalho, do quê viver, tranquilidade, paz. Mas se há guerra, é claro que as pessoas vão fugir. E quem faz a guerra? Quem fabrica as armas, quem dá as armas a quem não tem dinheiro para as pagar? Por quê motivo?

Nós somos todos responsáveis por esta situação, principalmente o Ocidente.

 

 

Teólogos portugueses
na Feira do Livro de Frankfurt

 

A Paulus Editora está a participar na Feira do Livro de Frankfurt (Alemanha), onde disponibiliza ao público cerca de duas dezenas de títulos de autores portugueses até este domingo. Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a editora católica explica que das propostas

 

 

no certame internacional livreiro destacam-se obras em vista ao Centenário das Aparições de Fátima, em 2017, a coleção Clássicos da Literatura Espiritual Portuguesa e os novos títulos da coleção “para crentes e não crentes”.

A Teologia portuguesa “continua 

 

 

 

 

 

a ser uma das bandeiras” e é uma das apostas do catálogo para o evento que termina este domingo na cidade alemã. O nome de frei Isidro Lamelas com ‘As origens do Cristianismo’ e o do padre Renato Oliveira com ‘Os Milagres como Evangelho’ chegam ao mercado internacional pela Paulus, bem como, os “grandes temas da atualidade social” que são uma “preocupação” editorial com livros como ‘Cuidados Paliativos’ e ‘E Deus fez-Se célula’, “sobre o mistério da Encarnação e a origem da vida à luz da fé”.

A Feira do Livro de Frankfurt começou esta quarta-feira e o diretor editorial da Paulus, o padre José Carlos Nunes, é o representante da editora no seu renovado stand internacional, “com expressão em 41 países dos cinco continentes”. “Para além das 

 

 

 

novidades, a PAULUS Editora continua a apostar nos seus autores de referência”, explica o sacerdote destacando também os novos livros de José Luís Nunes Martins e de Maria Stella Salvador.

Para o também superior regional da Sociedade de São Paulo (Paulistas) “tudo leva a crer” que a temática entre a arte e a fé vai ter “uma boa aceitação junto dos mercados internacionais” e o stand apresenta ‘Imagens da Fé’, do bispo coadjutor de Beja D. João Marcos, e ‘Sacra Pagina’ do historiador Luís Correia de Sousa.

A Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, termina este domingo e o padre José Carlos Nunes espera “um bom acolhimento das obras”, dando continuidade aos anos anteriores, onde a Paulus Editora “tem conseguido vender direitos para diversos países”.

 

O livro “O amor é contagioso”, com intervenções do Papa Francisco, acaba de chegar às livrarias portuguesas, uma obra que sublinha a promoção da justiça como uma missão que deve congregar todas as pessoas. “Não basta evitar a injustiça, se não se promove a justiça”, escreve o Papa argentino, sublinhando que “cada ato tem uma consequência e até o mais pequeno vestígio de injustiça e de maldade pode ser uma ameaça para o mundo”.

A Editora Nascente, responsável pela distribuição da obra em Portugal, realça “os insistentes apelos de Francisco em defesa da dignidade e dos direitos humanos”, temas centrais deste livro.

 

 

A Terra Treme

http://www.aterratreme.pt/

 

No passado dia 13 de outubro todos fomos chamados a participar no exercício nacional “A Terra Treme”. Esta iniciativa, “promovida pela Autoridade Nacional de Proteção Civil teve a duração de apenas 1 minuto e procurou chamar a atenção para o risco sísmico e para a importância de comportamentos simples que os cidadãos devem adotar em caso de sismo, mas que podem salvar vidas”. De facto, “muitas zonas do globo são propensas a sismos e Portugal também é um território suscetível, com zonas particularmente sensíveis a este risco”. Assim, esta semana proponho que visitemos o espaço virtual inteiramente dedicado a este projeto.

Ao digitarmos o endereço 

 

www.aterratreme.pt encontramos um ambiente graficamente agradável e que, apesar de simples, possui todos os elementos essenciais para melhor nos prepararmos para estas catástrofes naturais.

Na página principal já podemos ver algumas imagens do que foi este exercício, quantos foram os participantes e ainda o pequeno  esquema dos três gestos (baixar, proteger e aguardar).

Em “o exercício” dispomos de um resumo do que é pretendido com este exercício público de cidadania no âmbito do risco sísmico.

No item “antes, durante e depois” entramos no espaço principal. Aqui ficamos a saber o que é preciso fazer antes, o que devermos fazer durante, quer nos encontremos num edifício

 

 

ou na rua e o que fazer depois de um sismo. Temos ainda um tutorial em sete pequenos passos que nos orientarão em caso de ocorrência deste tipo de fenómenos.

Em “recursos” temos um conjunto enorme de conteúdos que nos ajudarão a melhor preparar e difundir esta iniciativa. Desde cartazes a imagens, vídeos e apresentações são de facto recursos que pretendem ajudar a formar mais e melhor a sociedade.

Por último em “infantil” entramos num espaço completamente diferente, direi mesmo que é um 

 

“pequeno sítio” dentro do grande sítio. Isto porque é dada uma nova roupagem aos conteúdos apresentados no espaço principal e mesmo em termos gráficos este se ajusta perfeitamente ao público infantil a que se destina.

Fica então lançada a sugestão para que visitem este sítio, porque “nós podemos estar em qualquer lado quando começar um sismo: em casa,na escola, no trabalho ou mesmo de férias”, portanto o melhor é estarmos preparados.

Fernando Cassola Marques

fernandocassola@gmail.com

 

 

II Concílio do Vaticano: Missionar para além dos territórios geográficos

 

A celebração, no próximo domingo, da jornada missionária leva-nos a olhar para o II Concílio do Vaticano (1962-65) e para os documentos anteriores a esta assembleia magna realizada na Basílica de São Pedro (Vaticano). Como preparação do «Ad Gentes» do II Concílio do Vaticano já tinham aparecido importantes documentos sobre a «Res Missionaria», entre eles as encíclicas de Pio XI «Rerum Ecclesiae» (1926); de Pio XII a «Evangelii Praecones» (1951) e a «Fidei Donum» (1957); de João XXIII a «Princeps Pastorum» (1959), todas elas citadas no «Ad Gentes». Após aquela assembleia convocada pelo Papa João XXIII, a «Evangelii Nuntiandi» (1975) de Paulo VI e a «Redemptoris Missio» (1990) de João Paulo II deixaram também as suas marcas no seio da Igreja.

Na época dos descobrimentos, onde os portugueses tiveram um papel fulcral, abriram-se novos mundos ao mundo e a atividade missionária foi intensa, levada a cabo pelas diversas igrejas cristãs que se implantaram em diversas partes de África, Ásia, Oceânia e América. Papel relevante tiveram as famílias religiosas já existentes e outras que nasceram como foi o caso da Companhia de Jesus que se virou mais para o Oriente e para a América Latina. Nesta primeira globalização, “os poderes políticos e eclesiásticos atuavam fortemente ligados do que resultou a criação dos padroados de Portugal e Espanha, subordinados às duas coroas” (In: Manuel Augusto Rodrigues; «Correio de Coimbra» 17 de outubro de 2013).

 

 

 

Com o aparecimento da congregação «De Propaganda Fide», em 1622 (hoje Congregação para a Evangelização dos Povos com várias obras pontifícias a ela agregadas) constituiu a primeira afirmação do poder papal.

Se nos séculos passados as missões desempenharam um papel essencial na evangelização dos povos e na divulgação do Evangelho, hoje, em pleno século XXI os missionários devem ser os verdadeiros protagonistas neste mundo global. Como realça o Papa Francisco, “a fé é um dom precioso de Deus que abre a nossa mente a fim de o podermos conhecer e amar”. A fé exige que “seja ouvida e que se lhe dê resposta, é um dom que não se guarda individualmente mas deve ser partilhado”. Caso contrário, “os cristãos tornam-se isolados, estéreis e doentes”, lamentou o papa argentino.

A missionação não é apenas questão de territórios geográficos, mas de povos, de culturas e de pessoas singulares, porque os «confins» da fé não atravessam só lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e de cada mulher.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

outubro 2016

22 de outubro

. Portalegre – Abrantes - Envio diocesano de catequistas

 

. Lisboa - Ordem dos Arquitectos (Auditório Nuno Teotónio Pereira) – A II jornada de liturgia, arte e arquitetura realiza-se no auditório da Ordem dos Arquitetos, em Lisboa, e tem como tema «A igreja na cidade».

 

. Guarda – Sé -  Aniversário da dedicação da Sé da Guarda.

 

. Porto - Casa do Vilar - A cidade do Porto acolhe, dias 22 e 23 deste mês, o II Encontro internacional de Confrarias e Irmandades de São Telmo que pretendem elaborar um documento onde fique ratificado o apoio ao “processo de canonização” desta figura da Igreja.

 

. Lisboa - Paróquia da Ramada - A Paróquia da Ramada, em Lisboa, vai acolher, dias 22 e 23 deste mês um Fórum das Missões com a presença de vários missionários nas diversas paróquias da vigararia de Loures/Odivelas.

 

 

 

Braga - Guimarães (junto ao Mosteiro de S. Torcato) - Feira Missionária para ajudar alunos carenciados na Índia dinamizada pelos «Amigos do Verbo Divino» e o grupo «Diálogos»

 

Fátima - Seminário do Verbo Divino - As jornadas nacionais de Pastoral Familiar querem desafiar os responsáveis da Igreja Católica a motivar as famílias para que estas vivam o seu amor e a vitalidade do Evangelho na sociedade atual. (dias 22 e 23 de outubro)

 

Lisboa - Fundação Calouste Gulbenkian -  A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) organiza uma conferência, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, sobre «Sistema fiscal e justiça social».

 

Porto - sede da Associação Católica (Rua Passos Manuel, nº 34), 09h30 - A Associação «Campo Aberto», em parceria com o jornal «Voz Portucalense» realiza, no Porto, um encontro sobre a encíclica «Laudato Si» numa perspetiva ecuménica.

 

 

 

 

 

 

 

Guarda - Centro Apostólico D. João de Oliveira Matos, 09h30 - O Movimento da Mensagem de Fátima da Diocese da Guarda organiza, no Centro Apostólico D. João Oliveira Matos, umas jornadas marianas sobre «Eu vim para que tenham vida».

 

Lisboa - Pavilhão do Conhecimento, 10h00 - O Corpo Nacional de Escutas (CNE) organiza, em Lisboa, um seminário sobre «Identidades Juvenis: Sociabilidades, Performatividades, Valores»

 

Aveiro – CUFC, 10h30 -  Sessão de esclarecimento sobre voluntariado missionário

 

Viana do Castelo, 14h30 - No âmbito de um projeto de Roteiro Turístico-Religioso da cidade de Viana do Castelo realiza-se um percurso guiado que inclui, além do Santuário de Nossa Senhora da Agonia, as igrejas de S. Domingos, Sé Catedral, Misericórdia, Congregação da Caridade e Ordem do Carmo.

 

Évora – Elvas, 17h00 - Celebração dos 750 anos da fundação do Convento de Nossa Senhora dos Mártires (Elvas) presidida por D. José Alves.

Lisboa - Igreja Matriz de Oeiras, 21h30 - Recital de órgão e trompete integrado no ciclo de concertos de misericórdia

 
23 de outubro

Guarda – Sé - A Diocese da Guarda vai ter um novo diácono e dois novos leitores,.

 

Açores - Ilha Terceira - Jubileu dos catequistas presidido por D. João Lavrador, bispo de Angra

 

Setúbal - Casa de Santa Ana, 10h00 - Primeiro encontro pós Jornada Mundial da Juventude (JMJ) promovido pelo Secretariado da Pastoral Juvenil da Diocese de Setúbal.

 

Leiria - Amor (Colégio Dinis de Melo), 15h00 - O selecionador nacional de futebol, Fernando Santos e a sua esposa, vão falar, sobre «sociedade, família e Igreja», em Amor, Diocese de Leiria.

 

Aveiro, 16h00 - Colóquio e concerto na Igreja do Senhor Jesus das Barrocas integrado na celebração do Dia Nacional dos Bens Culturais

 

24 de outubro

Alemanha - Bad Staffelstein - A cidade alemã Bad Staffelstein vai acolher, de 24 a 28 deste mês, o encontro pastoral das missões de Língua Portuguesa na Europa

 

 

 

 

 

 

Sábado, dia 22, «A igreja na cidade» é tema para a II Jornada de Liturgia, Arte e Arquitetura que decorre no auditório da Sede Nacional da Ordem dos Arquitetos.

A presença da igreja paroquial como elemento agregador dos moradores na cidade que se estruturava em paróquias e freguesias, e o novo lugar do cidadão na cidade que mudou também relação da Igreja com o espaço urbano.

 

Também no sábado, a Comissão Nacional Justiça e Paz organiza uma conferência, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, sobre «Sistema fiscal e justiça social». Em debate: “O sistema fiscal na Doutrina Social da Igreja”; “Sistema fiscal e justiça social”; “A ética e os impostos” e “O que é uma tributação justa?”.

 

Ainda no dia 22, no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa, o Corpo Nacional de Escutas organiza, um seminário sobre «Identidades Juvenis: Sociabilidades, Performatividades, Valores». Esta atividade do CNE, em parceria com a Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, vai abordar várias temáticas dirigidas a todos os que se dedicam a acompanhar e educar os jovens.

 

Domingo, 23 de outubro, ocorre o 90º Dia Mundial das Missões. "Igreja missionária, testemunha de misericórdia" dá tema à mensagem do Papa Francisco para este dia.

 

Dia 25, no Hotel Lux Fátima, em Fátima, tem lugar uma Conferência sobre: «Política, guerra, sociedade e economia» por José Miguel Sardica e integrada no ciclo "Conversas de Fátima: Portugal 1917 - Estado, Sociedade - Razão e Fé" promovido pela sociedade civil.

 

Programação religiosa nos media

Antena 1, 8h00

RTP1, 10h00

Transmissão da missa dominical

 

 

11h00 - Transmissão missa

 

 

 

Domingo: 10h00 - O Dia do Senhor; 11h00 - Eucaristia; 23h30 - Ventos e Marés; segunda a sexta-feira: 6h57 - Sementes de reflexão; 7h55 - Oração da Manhã;  12h00 - Angelus; 18h30 - Terço; 23h57-Meditando; sábado: 23h30 - Terra Prometida.

 
RTP2, 13h00

Domingo, 23 outubro - Calcutá: a Santa dos últimos

 

Segunda-feira, dia 24, 15h00 

Entrevista a Helena Águeda Marujo sobre a Semana Nacional da Educação Cristã

 

Terça-feira, dia 25, 15h00  Informação e entrevista José Luís Nunes Martins sobre o livro "O Rosário para crentes e para não-crentes"

 

Quarta-feira, dia 26, 15h00 - Informação e entrevista ao padre João Lourenço sobre os 30 anos do encontro interreligioso em Assis

 

Quinta-feira, dia 27, 15h00 -Informação e entrevista a Elisa Urbano e Fernando Moita sobre a Semana Nacional da Educação Cristã.

 

Sexta-feira, dia 28, 15h00  -  Análise à liturgia de domingo com o padre Robson Cruz e o padre Vitor Gonçalves

 

 

Antena 1

Domingo, dia 23 de outubro - 06h00  - A festa das colheitas em Escariz de São Martinho, em Vila Verde, diocese de Braga

 

 

Segunda a sexta-feira, dias 24 a 28 de outubro - 22h45 - Pastoral Juvenil: a realidade e os desafios

 

 

  

 

 

     

 

 

 

 

 

 

Ano C – 30.º Domingo do Tempo Comum

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Que atitude tomar face a Deus?
 

No Evangelho deste trigésimo domingo do tempo comum, Jesus apresenta-nos a parábola do fariseu e do publicano, apontando duas atitudes orantes que o crente deve assumir face a Deus. Recusa a atitude dos orgulhosos e autossuficientes, convencidos de que a salvação é o resultado natural dos seus méritos; e propõe a atitude humilde de um pecador, que se apresenta diante de Deus de mãos vazias, mas disposto a acolher o dom de Deus. É essa atitude de pobre que Lucas propõe aos crentes do seu tempo e de todos os tempos.

Este fariseu é vilão, nada simpático, olhando apenas para os seus méritos, tomando-se como modelo de virtudes. Este publicano é um exemplo de humildade, que não se coloca à frente, mas baixa os olhos e reconhece-se pecador.

Mas não andemos demasiado depressa nos nossos juízos. O fariseu é um homem profundamente religioso, habitado pela preocupação em obedecer à Lei de Deus. Vai ao templo para rezar, a fé absorve toda a sua vida de ação de graças. Jesus não havia dito «aquele que violar um dos mais pequenos preceitos da Lei será tido como o mais pequeno no Reino»?

O publicano, ao contrário, é um homem a não frequentar. Fica à distância, porque lhe é proibido entrar no templo. É um colaborador dos romanos, contaminado pela impureza dos pagãos, é considerado pecador, como Zaqueu. O fariseu tem um sentimento de desprezo para com este publicano que todo o mundo detesta. O próprio Jesus havia dito: «Se o teu irmão pecar e recusar escutar a comunidade, seja para ti como o pagão e o publicano».

Sabendo isso, somos certamente provocados pela palavra de Jesus: «Quando o publicano voltou a casa, foi ele que se tornou justo e não o fariseu».

 

 

 

Procuremos ler atentamente a parábola. O centro da mensagem não é o fariseu nem o publicano, mas Deus. Deus deu a Lei a Moisés, mas nunca disse que Se identificava pura e simplesmente com os preceitos jurídicos. Com os profetas, vemos que Deus só quer amar o seu povo. É esse traço do rosto misericordioso de Deus Pai que Jesus veio não somente privilegiar, mas colocar à frente de todos os outros aspetos.

A primeira leitura ajuda-nos a meditar no mesmo sentido, ao dizer que Deus não faz aceção de pessoas  

 

nem favorece ninguém, salvo se há prejuízo do pobre e oprimido, se há desprezo do órfão e da viúva. É um Deus que nunca desiste de nós.

Que seja também essa a nossa atitude face a Deus, à maneira do publicano, de humildes adoradores do Senhor, para que a oração nos purifique e atravesse as nuvens até Deus, que nos ama com infinita misericórdia e derrama o seu amor nos nossos corações.

 

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

 

 

 

Francisco visitou Aldeia SOS

 

O Papa fez uma visita surpresa a uma ‘Aldeia SOS’ para crianças na região de Roma, no âmbito das chamadas “sextas-feiras da misericórdia” do ano santo extraordinário, anunciou o Vaticano. As casas, na zona de Boccea, acolhem menores sinalizados pelos Serviços Sociais e os Tribunais.

Na ‘Aldeia SOS’ há cinco casas, 

 

 

cada uma com o máximo de seis crianças menores de 12 anos, acompanhadas por uma responsável, uma ‘Mãe SOS’. Os meninos e meninas, acompanhados pelo pessoal do centro, mostraram ao Papa as zonas verdes ao seu dispor, com um campo de futebol e um parque infantil.

 

 

 

Francisco passou depois pelos quartos das crianças, para ver os seus brinquedos e ouvir as suas histórias, antes de lanchar com todos.

Desde janeiro deste ano, o pontífice argentino tem realizado mensalmente uma visita surpresa como gesto de misericórdia, no ano santo extraordinário, e já visitou um centro para idosos e doentes em estado vegetativo; uma comunidade de toxicodependentes; um centro de acolhimento para refugiados, na Quinta-feira Santa; refugiados na ilha grega de Lesbos; pessoas com deficiências mentais graves, padres idosos e em sofrimento em duas comunidades em Roma. Em julho, 

 

 

durante a visita pastoral à Polónia, o Papa fez uma oração silenciosa nos campos de concentração nazis de Auschwitz-Birkenau e esteve com crianças no hospital pediátrico de Cracóvia.

Já em agosto, Francisco visitou a Comunidade Papa João XXIII, onde conversou com 20 mulheres de várias nacionalidades que foram “libertadas de redes de prostituição”, explicou a Santa Sé. A 16 de setembro, o Papa passou pelo serviço de neonatologia do Hospital San Giovanni de Roma, seguindo depois para a ‘Villa Speranza’, unidade que acolhe 30 doentes terminais.

 

O Jubileu da Misericórdia (dezembro 2015-novembro 2016) já levou ao Vaticano cerca de 18 milhões de peregrinos, segundo os últimos dados revelados pela Santa Sé.

O número avançado pela Rádio Vaticano, a pouco mais de um mês do encerramento do Ano Santo extraordinário, baseia-se no total dos “peregrinos que se registaram online para as celebrações jubilares e para atravessar a Porta Santa” da Basílica de São Pedro.

Segundo o serviço informativo da Santa Sé, para “o aumento” da afluência dos peregrinos a Roma, nas últimas semanas, contribuíram eventos como “a canonização de sete novos santos”, no dia 16 de outubro. Outras iniciativas que contribuíram para o sucesso do Jubileu da Misericórdia foram a canonização de Madre Teresa de Calcutá, no dia 04 de setembro, a exposição dos corpos do padre Pio de Pietralcina e de São Leopoldo Mandic; e as audiências extraordinárias do Papa Francisco, integradas no jubileu, uma vez por mês ao sábado.

 

 

 

 

Diocese de Manono, na República Democrática do Congo

“Ninguém nos visita”

Na história deste país assombrado pela guerra, há uma cidade que parece ser hoje terra de ninguém, como se fosse um lugar fantasma. Em Manono vivem pessoas que estão como que exiladas na própria terra. A pobreza é chocante e interpela-nos. É preciso fazer alguma coisa…

 

Christine du Coudray, chefe de departamento de projectos da Fundação AIS, visitou a República Democrática do Congo e ainda está em estado de choque. Neste país, as marcas da guerra estão por todo o lado, como se fossem um aviso, uma ameaça. A violência, nesta região de África, é uma história antiga. Na base de tudo está a riqueza imensa do subsolo e as profundas rivalidades étnicas. Nos últimos vinte anos morreram mais de cinco milhões de pessoas neste país por causa da guerra.
A responsável pelos projectos da AIS visitou a diocese de Manono. Esta cidade foi idealizada nos tempos coloniais. Os belgas descobriram a riqueza que se esconde no subsolo desta região e decidiram criar uma empresa de extracção de minérios. 

 

Por causa disso nasceu uma cidade que ainda hoje é recordada pela excentricidade de bem-estar que oferecia para os padrões de África na época. As casas tinham água e luz eléctrica, havia escolas e centros de saúde e estradas. Ainda hoje, vista dos céus, Manono parece ter preservado a promessa de felicidades desses tempos. Mas quando se caminha pelas ruas, quando se repara nos destroços das casas, percebe-se bem a dimensão da tragédia. “Vista de perto, é uma cidade fantasma. Tudo foi destruído pela guerra, em 1999. Só sobraram ruínas”, explica Christine.

 

Pobre país rico

Quando Christine du Coudray se encontrou com o Bispo de Manono, D. Vicente de Paulo, ele acolheu-a dizendo: “Bem-vinda. Ninguém nos visita, a não serem vocês.” Pior do que a pobreza que espreita nas ruas, é a sensação de que tudo isso é inevitável por causa da guerra e a guerra é inevitável por causa da riqueza que se esconde debaixo da terra. É uma aparente contradição. Por causa do ouro, estanho, coltan e tungsténio, 

 

 

 

o país sucumbiu. A cobiça alimentou grupos armados. Os conflitos abriram caminho à violência, às populações em fuga. A Igreja de Manono é o retrato do país. Quando D. Vicente chegou, a diocese estava sem bispo há 5 anos. Era preciso recomeçar. Hoje, aos poucos, há sinais de esperança. Em setembro foram ordenados dois diáconos e dois sacerdotes. Na diocese de Manono, a ajuda prestada através dos benfeitores e amigos da Fundação AIS tem feito toda a diferença. É preciso e urgente ajudar o bispo a reconstruir igrejas e 

 

capelas, a fazer renascer das ruínas os seminários e enchê-los de jovens. É fundamental que continuemos todos a ter presente, nas nossas orações, as necessidades da igreja deste país africano. Como dizia o Arcebispo de Bukavu, D. François-Xavier Rusengo, que visitou o nosso país em 2013, a convite da AIS: “Deus escuta as orações de todos, muito mais escutará as dos portugueses pela intercessão da Virgem de Fátima”.

 

Paulo Aido

www.fundacao-ais.pt

 

 

Vidas com 150 anos de Missão

  Tony Neves   
  Espiritano   

 
 

O Dia Mundial das Missões, celebrado a 23 de Outubro, recorda a todos uma ideia que o Papa Francisco tem repetido à saciedade: a Igreja ou é missionária ou não é a Igreja de Cristo. Sim, temos de ser Igreja em saída, na direcção das periferias e margens onde estão (e não deveriam estar!) irmãos nossos, excluídos, postos á margem.

Neste dia, queria partilhar a alegria que senti nestes últimos tempos com a celebração das bodas de ouros sacerdotais de três Espiritanos, ordenados no ano centenário da chegada dos Espiritanos a Angola: 1966. São eles os Padres Manuel Durães, Veríssimo Teles e Manuel Viana.

Foram e são missionários da lusofonia: Portugal, Angola, Cabo Verde e Brasil foram ou são as suas terras de Missão.

O P. Manuel Durães Barbosa, natural de Barcelos, tem um percurso missionário muito português. Formado em Roma, foi nomeado para formador de futuros Missionários, sendo diretor de diversos Seminários Espiritanos e também professor na Universidade Católica. Foi Superior Provincial de Portugal, entre 1982 e 1988. Além-fronteiras, trabalhou em Cabo Frio, nas periferias do Rio de Janeiro, entre 1989 e 1991. Foi diretor nacional das Obras Missionárias Pontifícias e trabalhou no cuidado pastoral da comunidade francófona em Lisboa, como reitor de S. Luís dos Franceses. Hoje, é parte da comunidade que anima o CESM (Centro de Espiritualidade Espiritana), em Barcelos.

O P. Veríssimo Teles, natural de Bragança, teve como primeira Missão Cabo Verde, onde

 

 

 

 

 

 

 

 

 trabalhou até 1972. Este ‘primeiro amor’ acabou por marcar a continuação do seu trabalho missionário em Portugal: em Lisboa, trabalhou muito de perto com os imigrantes, sobretudo africanos, grande parte oriundos das ilhas de Cabo Verde. Foi como capelão dos imigrantes africanos e foi diretor do CEPAC (de apoio a imigrantes). Em Portugal, trabalhou ainda na formação, animação missionária e vocacional e administração provincial. Foi o primeiro pároco de Nossa Senhora da Conceição da Abóboda, no interior de Cascais. Hoje, integra a comunidade espiritana de Braga.

O P. Manuel Viana foi ordenado e partiu para Angola, onde ainda permanece. Começou por trabalhar no seminário de Luanda, mas, alguns anos depois, partiu para Malanje, onde trabalhou mais de 30 anos. 

 

Nem a violência dos conflitos o demoveu. A primeira metade da década de 90 foi particularmente sangrenta naquela região. O “pai Viana” – como ainda hoje é carinhosamente conhecido – fez o possível e o impossível para ajudar a população. Chegou a acolher perto de um milhar de crianças na missão. Em Malanje, foi Vigário Geral da Diocese durante muitos anos. Hoje, trabalha na missão de Kalandula, na mesma diocese.

No início das celebrações do jubileu dos 150 anos de presença em Portugal, três espiritanos portugueses celebraram o seu jubileu de 50 anos de sacerdócio. Três vezes cinquenta dá cento e cinquenta. Três itinerários diferentes, mas a mesma missão. Uma longa história, mas um compromisso sempre novo e atual. A Missão continua.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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