04 - Editorial:

   Paulo Rocha

06 - Foto da semana

07 - Citações

08 - Nacional

14 - Internacional

20 - Opinião:
    Miguel Oliveira Panão

22 - Semana de..

    Carlos Borges

24 - Dossier

   Mil dias com o Papa
 
 

48- Estante

50 - Multimédia

52 - Concílio Vaticano II

54- Agenda

56 - Por estes dias

58 - Programação Religiosa

59- Minuto Positivo

60 - Liturgia

62 - Ano da Vida Consagrada

66 - Fundação AIS

68 - Lusofonias

Foto da capa: Com as 1000 imagens do Papa Francisco

Foto da contracapa:  Agência ECCLESIA

 

 

AGÊNCIA ECCLESIA 
Diretor: Paulo Rocha  | Chefe de Redação: Octávio Carmo
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Opinião

 

 

 

Papa levou esperança a África


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Açores receberam novo bispo

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Mil dias com o Papa Francisco

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Paulo Rocha | Miguel Oliveira Panão | Jorge Reis-Sá | Carlos Borges | Manuel Barbosa | Paulo Aido | Tony Neves | Fernando Cassola Marques

 

O homem e a máquina

  Pauloo Rocha   
  Agência Ecclesia     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um objetivo sem um plano

é apenas um desejo.

(Saint-Exupéry)

 

Cruzei-me com a sabedoria de Saint-Exupéry, expressa sempre em poucas palavras, ao pensar no pontificado do Papa Francisco. Não tanto a pessoa do cardeal Bergoglio, determinante para o perfil do líder da Igreja Católica e para a imagem que cria atualmente, mas a missão que tem em curso na instituição.

1000 dias após a eleição de um Papa que veio “quase do fim do mundo”, há muitas imagens fortes, emocionantes, significativas, comoventes, enternecedoras… 

 

 

 

Transcendentes, mesmo! E não será necessário muito mais do que as imagens, 1000 imagens, para fixar a relevância deste pontificado, a energia transformadora que trouxe à Igreja Católica, o impacto que provoca na sociedade mediatizada e a expectativa em relação ao ponto de chegada de um jeito único, autêntico, pessoal e próximo de comando a partir da cúpula, que tem na forma de transformar o poder da cúpula em possibilidade de diálogo a primeira chave de leitura do seu pontificado.

No dia em que se completam 1000 dias da eleição do Papa Francisco, todas as imagens e todas as palavras poderiam ser traduzidas apenas numa: misericórdia. É esse o modo de agir de Deus. E do Papa. E o que Deus e o Papa querem para toda a Igreja.

O Jubileu da Misericórdia, que inicia no dia 8 de dezembro, quando se completam 1000 dias de pontificado de Francisco e 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, 

 

 

vai, por certo, oferecer muitas oportunidades para compreender que a misericórdia é o ambiente de todos gestos, desafios, provocações e surpresas do Papa. Deste, como foi de todos!

Incerto é o fim da história, como tem de ser quando o curso dos acontecimentos não se circunscreve a horizontes possíveis de avistar, mas aos que derivam de uma era inaugurada há 2000 anos com o mistério do Natal: a incarnação de Deus em Jesus, a Sua morte e ressurreição.

Uma circunstância bastante para motivar pessoas e instituições que a seguem neste tempo à renovação que implica a realização da experiência crente, não permitindo que projetos permaneçam desejos pela passividade de quem tem por missão elaborar os planos que concretizam os primeiros.

Nesta como noutras ocasiões é necessário ajustar ritmos, os da máquina aos do homem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cimeira do Clima seguida com expetativa em todo o mundo  (Reuters)

 

 

 

 

 

 

- “Um povo abandonado, um povo assassinado, um povo esquecido precisa de uma mensagem de esperança. E o Papa Francisco veio trazer-nos essa mensagem de esperança, convidou-nos à reconciliação, a ter um coração misericordioso, a perdoar, e sobretudo, a semearmos para construir um país belíssimo que se chama República Centro-Africana”. D. Dieudonné Nzapalainga, arcebispo de Bangui, Rádio Vaticano, 30.11.2015

 

- Alguns perguntam porque é que estamos a perder tempo a debater o clima, no meio da ameaça terrorista e da necessidade de protegermos as nossas populações. A resposta é que esta questão, das mudanças climáticas, afeta todas as outras, é um imperativo económico e de segurança que temos de enfrentar agora”. Barack Obama, presidente dos Estados Unidos da América, Reuters, 01.12.2015

 

- “ [O essencial] é não gastar dinheiro a subsidiar a precariedade, mas a concentrar os recursos na criação de postos de trabalho para jovens qualificados. É não só uma forma de beneficiarmos do seu talento, como também do seu impulso e contributo essencial para a modernização do nosso tecido empresarial”. António Costa, primeiro-ministro, RTP, 02.12.2015

 

 

 

Açores celebraram chegada do bispo coadjutor

D. João Lavrador tomou posse este domingo como bispo coadjutor da Diocese de Angra, na sala dos Atos do Paço Episcopal, dois meses depois de ter sido nomeado pelo Papa Francisco. Já na Missa de entrada solene, na Sé local, D. João Lavrador afirmou que se quer inserir na “riquíssima” experiência de vida cristã e ser integrado na “vastíssima” tradição açoriana.

“Tenho consciência de que me venho inserir na riquíssima experiência de vida cristã, desenvolvida ao longo de quase cinco séculos”, referiu na mensagem que dirigiu à diocese.

O bispo coadjutor valorizou o trabalho realizado de “edificação de uma comunidade diocesana ativa” e comprometida com a “construção de uma sociedade melhor e digna do ser humano”. “Venho aprender de vós, irmãos e irmãs, a vossa riquíssima experiência religiosa que tão significativamente fostes forjando”, afirmou

D. João Lavrador quer “usufruir” da “riquíssima cultura” açoriana, valorizar a “comunhão sacerdotal a edificar com

 

os presbíteros” e construir uma “comunidade diocesana na comunhão e na corresponsabilidade”. “Peço com humildade que me aceiteis e que pacientemente me ajudeis e melhor servir-vos”, disse D. João Lavrador no fim da Missa presidida pelo bispo da Diocese de Angra, D. António Sousa Braga, e concelebrada pelo núncio apostólico (embaixador da Santa Sé) em Portugal.

Na homilia da Missa, o bispo de Angra desde 1996 agradeceu o “ato de coragem e de generosidade” de D. João Lavrador. “É uma graça a sua vinda para a Diocese”, disse D. António de Sousa Braga, valorizando a “consciência muito viva” do agora bispo coadjutor diante dos “grandes desafios da presença e ação da Igreja no mundo de hoje, a partir, precisamente, dos que mais precisam de carinho e de misericórdia”

Durante esta celebração, foi lida a Bula de nomeação de D. João Lavrador, até agora bispo auxiliar da Diocese do Porto, pelo núncio apostólico.

A Missa contou com a participação do bispo do Porto, D. António Francisco

 

 

 

 

 

 dos Santos e de D. Pio Alves, bispo auxiliar desta diocese e presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais; do bispo de Setúbal, D. José Ornelas, e D. Gilberto Reis, emérito da mesma diocese; e o bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes.

Além dos prelados, participaram na celebração vários sacerdotes da Diocese de Angra e a alguns da Diocese do Porto, além de responsáveis políticos, entre eles o presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro.

 

D. João Lavrador saudou a comunidade diocesana açoriana, nomeadamente os que estão na diáspora “lutando por melhores condições de vida em terras estrangeiras, mas que continuam animados pela mesma fé e pela mesma devoção que souberam preservar em outros contextos humanos”.

No fim da celebração, D. António de Sousa Braga entregou ao coadjutor da diocese um báculo como oferta de todo o clero açoriano, desejando-lhe que "promova e viva o seu trabalho como pastor”.

 

 

Natal para humanizar o mundo

A LOC/MTC – Movimento de Trabalhadores Cristãos alerta na sua mensagem de Natal  deste ano para a necessidade de ter “compaixão com o sofrimento de cada um” e em comunidade “ver o que faz falta para humanizar o mundo”. “Nesta sociedade onde vivem tantas pessoas atropeladas na sua dignidade, amachucadas no seu local de trabalho, retiradas à força do seu ambiente e da sua cultura, escravas das máquinas do nosso tempo, só uma montanha de ternura e afeto pode curar tais feridas”, refere a organização católica.

A mensagem de Natal destaca que como cristãos e cidadãos deve haver preocupação com os outros. “Ter compaixão com o sofrimento de cada um, sair do nosso mundo pessoal para, em comunidade, ver o que faz falta para humanizar o mundo”, acrescenta.

O movimento de trabalhadores cristãos recorda que o atentado terrorista na cidade de Paris (França), a 13 de novembro, fez com que a ’cidade das luzes’ visse-se “coberta de sombras” e alerta que noutras cidades e aldeias do mundo “as sombras da guerra continuam” mas “muitas não passam na televisão”. 

 

A LOC/MTC contextualiza que com as guerras chegam os refugiados e “muitas interrogações” que se juntam às “interrogações de vida” de outros homens e mulheres “sofridos, mergulhados no desemprego, na precariedade, na incerteza permanente, na desestruturação da vida familiar, na violência doméstica, na pobreza”.

Neste contexto, os trabalhadores cristãos adiantam que vão “privilegiar” o encontro com as pessoas “em relação às redes sociais e às mensagens de conveniência” assumindo os riscos desses encontros pessoais. Na mensagem de Natal ‘Uma montanha de ternura’, a LOC/MTC afirma que a necessidade de “lutar pela dignidade de todas as pessoas”, especialmente do mundo do trabalho.

 

 

 

 

 

Preparar o mundo para acolher Cristo

O arcebispo de Braga diz que este tempo de Advento é um desafio às comunidades católicas para “acordarem da sonolência” e se empenharem na construção de “um mundo melhor”. Numa nota pastoral enviada à Agência ECCLESIA, D. Jorge Ortiga realça que o Advento, a caminhada para o Natal, só faz sentido quando serve para preparar o mundo para acolher Cristo.

“E o mundo”, refere o prelado, “está a ser construído sem referência a valores e princípios que deviam ser identificativos da nossa identidade portuguesa”.

Neste sentido, o arcebispo bracarense convida as suas comunidades a assumirem a condição de missionárias, mostrando que “ser cristão é uma opção consciente e desejada, e não apenas tradição”. “Não basta sermos formalmente cristãos. Isso não abre espaço a um encontro pessoal com Cristo, não nos implica nem nos transforma interiormente”, realça D. Jorge Ortiga, que aponta depois alguns setores da sociedade onde a ação cristã é mais necessária.

 

 

Primeiro junto dos mais carenciados, onde é urgente “responder às inquietações de quem sofre com a ausência de bens materiais de primeira necessidade mas também de quem sofre espiritual e psicologicamente”. Depois no exercício de uma missão solidária, dentro da Igreja Católica ou junto de alguma instituição social. 

“O voluntariado, na comunidade e a partir da comunidade, mostra a alegria do compromisso responsável. Jesus está aí”, lembra o arcebispo.

Também na disponibilização de tempo para a família, para o diálogo com os amigos, com os vizinhos, com quem “se afastou da Igreja”. “Há vizinhos que não conhecemos e pessoas a necessitarem de gestos representativos da ternura de Deus”, alerta D. Jorge Ortiga.

 

 

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial portuguesa nos últimos dias, sempre atualizados emwww.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

África: Papa concluiu viagem
em nome da paz, contra o terror

 

O Papa concluiu na República Centro-Africana (RCA) a sua primeira viagem a África, com mensagens e gestos pela paz e o perdão particularmente significativos neste país, marcado pelas guerras e conflitos inter-religiosos. Numa visita que se iniciou no Quénia, Francisco fez história este domingo ao abrir, pela primeira vez, 

 

 

a porta santa de um Jubileu fora de Roma.

O Ano Santo da Misericórdia começou assim a ser vivido na RCA, um território marcado pela violência, para travar a “espiral” da vingança e do ódio, segundo o Papa. “Bangui torna-se a capital espiritual da oração pela misericórdia do Pai”, explicou, à

 

 

 

 

 

 

 

porta da Catedral da cidade.

Pouco depois de chegar à capital da RCA, Francisco tinha mergulhado no entusiasmo das crianças e das centenas de pessoas que estavam à sua espera, algumas ainda incrédulas, no campo de refugiados da paróquia de São Salvador. “Desejo para vós e para todos os centro-africanos a paz, uma grande paz entre vós. Que possais viver em paz, qualquer que seja a etnia, cultura, religião, estatuto social. Mas todos em paz! Todos, porque todos somos irmãos”, sublinhou, numa mensagem que viria a repetir na mesquita central de Bangui.

“Juntos, digamos não ao ódio, à vingança, à violência, especialmente aquela que é perpetrada em nome duma religião ou de Deus. Deus é paz, salam”, apelou.

Francisco partira esta sexta-feira do Uganda, onde centrou as suas intervenções na herança deixada pelos mártires católicos e anglicanos que foram perseguidos e mortos em finais do século XIX, bem como no 

 

compromisso social junto dos mais desfavorecidos que deriva da vivência da fé. “A minha visita visa ainda chamar a atenção para a África no seu conjunto, para a promessa que representa, as suas esperanças, as suas lutas e as suas conquistas”, disse no palácio presidencial.

Antes, no Quénia, deixou mensagens contra o terrorismo, a exploração dos mais pobres e em defesa do meio ambiente. Num país que tem sido alvo de vários ataques terroristas nos últimos anos, Francisco defendeu a “tolerância e o respeito pelos outros”, em particular no diálogo entre religiões.

A 21.ª Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas que começou hoje em Paris não foi esquecida e o Papa sustentou que um eventual fracasso na COP21 seria “catastrófico” para a humanidade. A visita de Francisco a África, 11ª viagem internacional do pontificado, levou-o a percorrer 11 727 quilómetros em mais de 17 horas de voo.

 

 

Jubileu quer despertar revolução
da ternura

O Papa Francisco quer que o Jubileu da Misericórdia provoque uma “revolução da ternura” nos mais diversos níveis, prometendo um “gesto” simbólico durante cada mês do Ano Santo extraordinário (dezembro 2015-novembro 2016). “A revolução da ternura é o que temos de cultivar como fruto deste ano da misericórdia: a ternura de Deus para com cada um”, disse, em entrevista à revista oficial do Jubileu, ‘Credere’, divulgada pelo Vaticano.

Francisco adiantou que o programa prevê “muitos gestos” e que ele próprio irá concretizar “um gesto diferente” numa sexta-feira de cada mês, durante o Jubileu da Misericórdia, promovendo uma “atitude mais tolerante, mais paciente, mais terna”.

O Papa deu como exemplo de mudanças a promover o relacionamento entre patrões e trabalhadores. “Se um empresário contrata um empregado de setembro a julho não faz a coisa certa, porque o manda embora para as férias e vai buscá-lo de volta com um novo contrato”, negando-lhe direitos, precisou.

 

 

O Papa nega que este ano santo seja uma “estratégia”, mas diz que é algo presente na tradição da Igreja e que, pessoalmente, lhe vem de dentro, recordando que já em 1994 tinha apresentado, durante um Sínodo dos Bispos, esta ideia da misericórdia como “revolução da ternura”, algo pelo qual foi repreendido “por um bom homem”, já muito idoso. “Eu continuo a dizer que hoje a revolução é a da ternura, porque daqui deriva a justiça e tudo o resto”, assinala. Para o Papa Francisco, este Jubileu é “o ano do perdão, o ano da reconciliação”, uma proposta da Igreja a todo o mundo. “Está em curso – permita-me que o diga – um sacrilégio contra a humanidade”, alertou.

 

 

 

 

COP21: Papa diz que mundo caminha para o «suicídio»

O Papa Francisco disse que o mundo caminha para o “suicídio” e que é preciso travar as alterações climáticas antes que seja tarde demais, numa mensagem dirigida à Cimeira do Clima, que começou em Paris. “Julgo que o posso dizer: é agora ou nunca”, sublinhou, em conferência de imprensa durante o voo de regresso a Roma, desde a República Centro-Africana.

O Papa lamentou o “pouco” que se fez desde o Protocolo de Quioto (1997) e alertou que todos os anos os problemas são “cada vez mais graves”. “Estamos no limite de um suicídio, para usar uma expressão forte, e tenho a certeza de que quase todos os que estão em Paris têm esta consciência e querem fazer algo”, referiu aos jornalistas que o acompanharam na sua primeira viagem a África.

Francisco aludiu às consequências do degelo e do aumento do nível do mar, mostrando-se confiante de que haverá decisões em Paris.

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as alterações climáticas consagra como meta limitar a um valor inferior a 2ºC o aumento da temperatura média global.

 

Francisco falou aos jornalistas durante cerca de uma hora e condenou também as injustiças na distribuição da riqueza mundial, que provocam “grande dor”. “Ontem [domingo], por exemplo, foi ao hospital infantil, o único hospital pediátrico de Bangui ou do país. Nos cuidados intensivos não há aparelhos de oxigénio, havia tantas crianças malnutridas, tantas”, lamentou.

Reforçando as suas críticas à “idolatria” do dinheiro, o Papa sustentou que “se a humanidade não mudar, vão continuar as misérias, as tragédias, as guerras, as crianças que morrem de fome, a injustiça”. “O que pensa de tudo isto a minoria que tem nas suas mãos 80% da riqueza do mundo? E isto não é comunismo, está bem? É a verdade”, declarou.

 

 

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial internacional nos últimos dias, sempre atualizados em www.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 


Papa alerta para perigos do fundamentalismo

 

 

 

Viagem do Papa Francisco a África 

 

 

Não Esquecer

  Miguel Oliveira Panão   

  Professor Universitário   

 

Entra em funções um novo Governo de Portugal, nomeadamente para a pasta que diz respeito à Ciência. O que conheço do Prof. Manuel Heitor, novo Ministro da Ciência e Ensino Superior permite-me respirar um pouco de alívio no sentido de o conhecer como uma pessoa muito capaz de dar um rumo diferente à forma como se desenvolve o tecido científico português, nomeadamente naquilo que diz respeito à relação entre política e o papel do investigador na sociedade atual.

Será que existe um domínio do poder político sobre a independência científica do investigador?

Todos reconhecemos o valor da ciência para o desenvolvimento cultural e progresso tecnológico, mas o que motiva o desenvolvimento da própria ciência? Alguns poderão pensar: “o desejo de conhecer o universo e como este funciona”, outros, se são crentes, poderão pensar “o desejo que conhecer melhor a Obra da Criação de Deus” … pois é, quem me dera. Infelizmente, vivemos demasiado centrados na “ciência útil”, ou seja, se tiver uma aplicação prática, financia-se, caso contrário, “lamento, mas não há financiamento para todos” e há ciência criativa que fica por fazer. Porém, como afirma o filósofo Charles Taylor, o maior desafio da era secular é … o esquecimento. O apoio exacerbado à “ciência útil” esquece que o mundo tecnológico através do qual o leitor tem acesso a este artigo de opinião assenta também na “ciência inútil”. Toda a ciência que hoje consideramos como útil era inútil no período

 

 

 

 em que foi desenvolvida, bastando pensar no bosão Higgs. É importante não esquecer isso.

Seja “útil” ou “inútil”, o progresso científico está muito ligado ao financiamento através de projetos. São esses projetos que permitem, posteriormente, aos políticos encontrar critérios de apoio à decisão como os que estão na base do COP 21, em Paris, dedicado às alterações climáticas e à necessidade de chegar a uma acordo global sobre a redução da emissão de gases com efeito de estufa para a atmosfera. Porém, ao nível global, independentemente do tema que se escolhe para um projeto científico, tem-se verificado ser sempre bom dar uma volta ao texto, de modo a que o chavão “alterações climáticas” apareça. Porquê? É importante sensibilizar os políticos que possuem a decisão de apoiar a nossa investigação. Considero este 

 

aspeto perigoso por dois motivos. Primeiro, a gradual perda da independência científica proveniente da criatividade humana. Segundo, a instrumentalização de um assunto tão sério como o das alterações climáticas.

 

Como ultrapassar estes desafios? Não sei, mas lembro-me do Evangelho e do quanto Jesus, após ter sido preso, personifica o inútil, pois nada pode fazer senão amar, nem que seja com um simples olhar (Lc 22, 61). O cientista que se dedica à “ciência inútil” apenas o faz por amor ao desejo de conhecer, pois não há ciência (in)útil, mas apenas ciência. E através da ciência encontramos o sentido e significado do deslumbramento com o universo, criação de Deus, que somos cada vez mais chamados a trazer à dimensão litúrgica da nossa vida. Penso que isto seja algo a não esquecer. 

 

 

Calçado em Paris e em Portugal…

  Carlos Borges  
  Agência ECCLESIA   

 

A Praça da República, na capital francesa, foi “invadida” este domingo por cerca de 20 mil pares de sapatos, botas, chinelos, ténis. Este foi um protesto silencioso um dia antes de começar a 21.ª Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP21, onde delegações de cerca de 200 países têm como objetivo chegar a um acordo para diminuir a emissão de gases de estufa.

Se o governo francês não tivesse decretado o estado de emergência, depois dos atentados terroristas de 13 de novembro, e proibido a marcha estes sapatos podiam ter pessoas como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, a estilista Vivienne Westwood ou o Papa Francisco, não estivesse de visita à República Centro-Africana, porque o calçado simbolicamente estava em Paris.

Já o calçado feito em Portugal está entre os melhores do mundo, no top 20 da produção mundial, mais concretamente somos o 19.º produtor e o 12.º maior exportador em valor mas esta situação não quer dizer que todos tenham calçado digno, como as pessoas em condição sem-abrigo.

Por isso, a Comunidade Vida e Paz (CVP) lançou a campanha ‘Este Natal, Dar é Calçar’ e convida os portugueses a deixarem os ténis que já não usam, nas várias caixas de sapatos que vão estar espalhadas em diferentes pontos de Lisboa e Porto.

Com apenas nove dias esta iniciativa decorre até 31 de dezembro e todos podem contribuir, segundo a CVP colocando as sapatilhas nos postos aderentes como a própria Comunidade Vida e Paz, a Montra

 

 

 

Solidária no Atrium Saldanha, o Café Galeria House of Wonders, em Cascais, e mesmo no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

Quem não puder deslocar-se a uma destas caixas pode enviar os ténis numa embalagem solidária dos CTT para CVP que o “envio é gratuito”.

Se os seus sapatos não foram a Paris podem sempre ajudar pessoas sem-abrigo em Portugal. Escolha os que já não gosta, não servem e até já passaram de moda mas ainda estão bons.

A Arte chocalheira, ou seja, o fabrico de chocalhos em Portugal, foi classificada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, 

 
Ciência e Cultura (UNESCO) como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente, na 10.ª reunião do Comité Intergovernamental, esta terça-feira, na capital da Namíbia.

Será que podemos aproveitar esta arte com necessidade de salvaguarda para chocalhar as ideias dos governantes mundiais para chegarem a um acordo sobre o clima na Cimeira de Paris e a nível nacional colocar a pessoa sem-abrigo na agenda do dia.

 

 

 

 

1000 dias com o Papa Francisco

A Agência ECCLESIA assinala os primeiros 1000 dias do pontificado de Francisco com 1000 imagens que marcam o quotidiano do Papa. Eleito no dia 13 de março de 2013, Francisco completa 1000 dias de pontificado a 8 de dezembro de 2015.

 
A escolha das imagens foi feita pela redação e por todos os que quiserem participar no desafio proposto pela Agência ECCLESIA: enviar uma imagem tirada com o Papa ou um momento do pontificado de Francisco que tenha sido particularmente marcante, seja nos encontros públicos seja nas suas expressões.

Jorge Mario Bergoglio, de 78 anos de idade, foi eleito como sucessor de Bento XVI após a renúncia do agora Papa emérito; Francisco é o primeiro Papa jesuíta na história da Igreja e também o primeiro pontífice sul-americano.

 

 

 

 

Em 32 meses, o Papa argentino visitou o Brasil, Jordânia, Israel, Palestina, Coreia do Sul, Turquia, Sri Lanka, Filipinas, Equador, Bolívia, Paraguai, Cuba e Estados Unidos da América, Quénia, Uganda e República Centro-Africana, bem como as cidades de Estrasburgo (França), onde passou pelo Parlamento Europeu e o Conselho da Europa, Tirana (Albânia) e Sarajevo (Bósnia-Herzegovina).

Realizou também dez viagens em Itália, incluindo uma passagem pela ilha de Lampedusa e uma homenagem no centenário no início da I Guerra Mundial, para além de outras visitas a paróquias na Diocese de Roma.

As Filipinas acolheram a 18 de janeiro a maior celebração do atual pontificado, junto ao estádio ‘Quirino Grandstand’, na área do Parque Rizal, com seis milhões de participantes, o que representa um recorde na história da Igreja Católica.

Entre os principais documentos do atual pontificado estão as encíclicas ‘Laudato si’, dedicada a questões ecológicas, a ‘Lumen Fidei’ (A luz da Fé), que recolhe reflexões de Bento XVI, e a exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’ (A alegria do Evangelho).

 

O Papa argentino promoveu um Sínodo sobre a Família, em duas sessões, com consultas alargadas às comunidades católicas, e simplificou os processos de nulidade matrimonial.

Francisco está a promover uma reforma da Cúria Romana, a começar pelo setor administrativo-financeiro, com auditorias externas às contas do Vaticano e a criação de uma Secretaria para a Economia na Santa Sé, para além da implementação de medidas de transparência financeira no Instituto para as Obras de Religião (IOR, conhecido como Banco do Vaticano).

Além das várias críticas a um sistema económico e financeiro que “mata”, o Papa tem apelado à paz nas várias regiões do mundo afetadas por conflitos, assumindo a defesa dos cristãos no Médio Oriente, perseguidos pelo autoproclamado ‘Estado Islâmico’, e criticando quem justifica ataques terroristas com as suas convicções religiosas.

O Papa criou 38 novos cardeais, incluindo D. Manuel Clemente, patriarca de Lisboa, e prelados de Cabo Verde, Etiópia, Mianmar, Panamá, Tonga, Tailândia e Vietname, entre outros.

 

 

Grazie Mille

1. Mille é muito. Mil, no entanto, é muito pouco.

 

2. “Pensávamos que todo mundo nos tinha abandonado, mas ele não abandonou. Ele também nos ama, aos muçulmanos, e eu estou muito feliz.” Quem o disse foi Idi Bohari, um ancião que se juntou à passagem do Papa, há dias, na República Centro-Africana.3.

 

3. Ecumenismo. Tolerância. Vontade.

 

4. Não se trata aqui de fala. Trata-se de acção. Francisco não ama a Humanidade enquanto conceito lato e geral. Francisco ama os homens, um a um. Quando estamos a um clique de uma reacção a uma tragédia – como se quiséssemos saber – o que nos ensina este outro ancião é um regresso: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.” Também aqui há uma trindade, santíssima: Ele, tu e eu. Não é “Ele” e uma abstracção. É “Ele e tu”. Francisco toca-nos porque nos toca sem ser na alma – toca-nos nas mãos e na pele quando nos encontra. E só não nos abraça a todos fisicamente porque não consegue, sei-o.

 

5. Não acredita na matização, disse-nos. Na entrevista a que assisti e onde tive o enorme privilégio de lhe dizer umas palavras, disse-nos que não se trata de matizar as diferenças. Antes de as aceitarmos e vivermos para além delas.

 

6. Francisco é um pobre. E desses será o reino dos céus.

 

7. Ensina-nos o significado radical do despreendimento. Não nos diz para nos tornarmos fundamentalistas – acha qualquer fundamentalismo absurdo. Ensina-nos o bom senso, que o despreendimento vale em todas as áreas da nossa vida, desde que acordamos até que adormecemos; desde que nascemos até que adormeceremos para sempre.

 

8. Na República Centro-Africana milhares de cristãos atacam muçulmanos, sitiados numa prisão a céu aberto. Francisco disse-me na altura da preocupação que sentia pelas perseguições a cristãos no médio-oriente, ainda o autoproclamado estado islâmico estava no seu início. Anos depois, 

 

 

 

 

mesmo sem solução para essa dor, quis dizer-nos da perseguição a muçulmanos por cristãos. Quis dizer-nos de como nas diferenças por vezes somos iguais – infelizmente até no pior de nós.

 

9. A Humanidade é uma abstracção inútil. Francisco ensina-nos a amar um homem e uma mulher. Este, aquele, aqueloutra. Foram mil dias de ensinamentos pelo exemplo, como lhe ouvi. Que se somem muitos mais mil.

 

10.Grazie mille.

 

Jorge Reis-Sá

 

 

 

 

 

 

 

 

Poderá ver as 1000 imagens
também em
www.ecclesia.pt/francisco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Associação Portuguesa de Deficientes online

http://www.apd.org.pt/

 

No próximo dia 3 de dezembro comemoramos mais um dia internacional da pessoa com deficiência, assim como forma de me juntar a esta causa que deverá ser de todos, esta semana proponho uma visita ao sítio da Associação Portuguesa de Deficientes (APD).

A 14 de Outubro de 1992, o 37º plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas, através da resolução nº 47/3, convida todos os estados membros e as organizações envolvidas na problemática da deficiência, a intensificarem os seus esforços de forma eficaz e sustentada, com vista a melhorar a situação das pessoas com deficiência, proclamando o dia 3 de Dezembro como o “Dia Internacional da Pessoas com Deficiência”. Segundo os mais recentes dados estatísticos cerca de 10% da população nacional possui algum tipo de deficiência ou incapacidade

Ao digitarmos o endereço www.apd.org.pt entramos num espaço eminentemente informativo, onde a componente gráfica não é de todo a grande mais-valia deste 

 

ambiente, mas por outro lado possui, como não poderia deixar de ser, todas as certificações em termos de acessibilidade.

Em “APD” ficamos a saber que esta “é uma organização de pessoas com deficiência, constituída e dirigida por pessoas com deficiência. Enquanto organização de direitos humanos, tem por objeto a promoção e defesa dos interesses gerais, individuais e coletivos das pessoas com deficiência em Portugal”.

Na opção “projetos APD” podemos conhecer quais os projetos que anualmente esta associação abraça. Para o presente ano tem em curso o projeto Capacitação/Participação/Inclusão, e ainda o projeto Deficiência: litoralidade e interioridade”.

No item “documentos” acedemos à biblioteca online da APD. Aí dispomos de vários textos relacionados com a temática da deficiência. Seja da relação com o emprego (acesso ao emprego, inclusão no mercado de trabalho), com a formação e outros de âmbito mais geral.

O jornal da APD também se encontra disponível online e com acesso livre. Facilmente podemos consultar

 

 todas as edições, organizadas por ano, desta publicação intitulada “associação”.

Se pretender conhecer todas as leis que se encontram em vigor que de alguma forma se relacionam com a questão da deficiência, basta que clique em “legislação”.

Por último em “transportes acessíveis” podemos facilmente perceber que tipo de enquadramento deverá existir para que as pessoas 

 

com deficiência possam ser transportadas com o máximo de conforto e dignidade, seja por meio aéreo, rodoviário ou de comboio.

Aqui fica uma sugestão bastante interessante porque, como nos diz o lema deste ano, "a inclusão importa: acesso e capacitação para pessoas de todas as habilidades".

 

Fernando Cassola Marques

fernandocassola@gmail.com

 

 

 

 

Revista Invenire dá a conhecer
brilho das iluminuras

O Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja (SNBCI) decidiu lançar anualmente um número especial da revista ‘Invenire’, para “especializar” os conteúdos da publicação, e começou pelas iluminuras em Portugal. “O primeiro número especial é dedicado a um conjunto de estudos sobre 

 

manuscritos iluminados em Portugal, uma área de investigação no nosso país que tem vindo a ser bastante desenvolvida nos últimos anos”, explicou Sandra Costa Saldanha, diretora do SNBCI e da publicação, em declarações à Agência ECCLESIA.

Na apresentação da primeira edição especial, no Mosteiro de São Vicente

 

 

 

 de Fora em Lisboa, a responsável observou que a iluminura é um tema “muito interessante e fascinante” pela sua qualidade e beleza, tendo conseguido aliar “naturalmente, a qualidade e um leque excelente de investigadores”.

Neste contexto, Sandra Costa Saldanha assinala ainda a receção positiva da edição «Fiat Lux: Estudos sobre manuscritos iluminados em Portugal», que “ao fim de um mês se encontra esgotada”.

A revista conta com uma coordenação científica e uma comissão científica especializada para “avaliar e avalizar a qualidade” desses conteúdos, informou a diretora do SNBCI. Fernanda Maria Guedes de Campos, coordenadora do número especial começa por explicar que iluminura é “tudo que é a pintura que consta nos livros ou nos documentos manuscritos da Idade Média”, uma arte de pintar em consonância com a expressão – “uma imagem vale mais do que mil palavras” – que na época tinha o mesmo sentido, “explicar um texto que podia ser mais ou menos difícil para as pessoas”.

À Agência ECCLESIA, contextualizou que “as catedrais podem ter sido pintadas” mas atualmente “só se distingue a escultura” e estes manuscritos “conservam a cor”. A  

 

coordenadora da edição especial considera que “faltava” uma obra que levasse esta pintura aos leitores, tanto ao conhecedor, porque “são artigos de muita qualidade”, como a quem não conhece, porque “fica a conhecer”.

Henrique Leitão, físico e vencedor do Prémio Pessoa 2014, apresentou a nova revista e comentou que a ideia é levar ao “grande público” um tema no qual há um conjunto de especialistas portugueses “a fazer trabalho do mais alto nível”. “Os artigos são alguns deles de grandíssima qualidade mas ao mesmo tempo tem de ser um tema que seja visualmente, esteticamente, muito apelativo, que também é o caso”, observou.

Os 14 artigos abrangem cronologicamente do século XII ao XVI, e houve dos autores e da comissão científica a “preocupação” de não fazer um “número hermético do ponto de vista académico e científico”. “Do ponto de vista científico informações o mais rigorosas possível sempre com a ideia que estávamos a trabalhar para o público em geral. A vertente pedagógica dos textos tinha de estar presente”, explicou Catarina Barreira.

Para 2016, o SNBCI vai apresentar as Catedrais Portuguesas, num número cujo alinhamento está “em fase de conclusão”, adiantou Sandra Costa Saldanha.

 

 

II Concílio do Vaticano: O fim dum tempo
e o nascer de outro

 

 

O dia 08 de dezembro de 1965 fica nos anais da história, não apenas religiosa, mas também da humanidade. Com o encerramento do II Concílio do Vaticano – convocado por João XXIII e continuado pelo seu sucessor – uma nova porta se abriu e entrou uma epifania do Espírito Santo. Um acontecimento que os órgãos de comunicação social da altura trouxeram ao nível do homem da rua. Foi um facto histórico, daqueles que ficam a marcar o fim dum tempo e o nascer de outro.

No II Concílio do Vaticano redescobriu-se a Palavra de Deus na sua genuína fonte da Escritura-Tradição, na proclamação querigmática da Boa Nova anunciada aos pobres, na celebração litúrgica que a distribui aos fiéis reunidos em torno da sua mesa. A própria linguagem desta assembleia magna libertou-se das formulações jurídicas e teológicas, para se enriquecer das expressões imaginosas e animadas de que a Palavra de Deus concretamente se revestiu ao sair da boca ou da pena dos profetas e do Mestre.

Se o milagre das línguas permitiu a todos os estrangeiros entenderem a palavra dos apóstolos naquela primeira manhã da Igreja ativa, também neste concílio (1962-65) a Igreja se começou a expressar mais claramente na linguagem de todos os homens, cristãos e não cristãos.

Os padres conciliares entabularam na esperança o diálogo ecuménico e o diálogo com o mundo. Uma nova forma de dialogar que repudia as distâncias do «eu e eles», para a todos englobar no fraternal «nós» dos filhos de Deus. Com a realização do concílio, a Igreja

 

 

 

 

 não se sente como cidade forte fora do mundo e defendida dele, mas como fermento na massa a levedá-la toda. Há quem diga que o II Concílio do Vaticano encontrou uma nova maneira de apresentar ao nosso tempo as verdades de sempre. Dizer isto é pouco.

O interesse da nossa vida, do nosso pensamento e da nossa ação voltou-se para temas que andavam esquecidos. Temos novas possibilidades de refletir e de atuar. A Igreja recebeu uma nova estruturação nas suas esferas superiores e tomou

 

 consciência de funções das quais só tinha uma ideia relativamente confusa. Adquiriu um novo modo de presença no mundo. É esta a novidade do Concílio.

Fora da Basílica de São Pedro, no interior da imensa muralha circular que delimita as colunas de Bernini, o II Concílio do Vaticano findou numa quarta-feira com uma grandiosa cerimónia. O facto de se ter realizado ao ar livre marca a vontade do concílio e do Papa Paulo VI, de não colocar nenhum limite à solicitude da Igreja.

 

 

dezembro 2015 

04 de dezembro

. Lisboa - A Confederação Portuguesa do Voluntariado (CPV) vai entregar o Troféu Português do Voluntariado 2015 no encerramento da iniciativa Lisboa Capital Europeia do Voluntariado 2015.

 

. Aveiro - Albergaria (Biblioteca municipal), 18h - Exposição de presépios «Olhares sobre o nascimento» com cerca de 150 presépios de todo o mundo. (até 06 de janeiro)

 

. Leiria - Aula Magna do seminário diocesano, 21h - O padre Feytor Pinto vai dinamizar o tema «Sexualidade humana – O jogo dos afetos» no ciclo de conferências «Escuta-me», do Grupo Cáritas Jovem de Leiria

 

. Faro - Igreja de Nossa Senhora do Carmo, 21h30 - Concerto de coral da Associação dos Médicos Católicos Portugueses promovido pelo núcleo algarvio desta organização.

 

05 de dezembro

. Porto - Casa de Vilar -Encontro das Associações, Movimentos e Obras da Diocese do Porto

 
Fátima - Centro João Paulo II, 9h30 - Eleições dos novos corpos sociais da União das Misericórdias Portuguesas

 

Leiria – Ourém, 15h - Dia de advento na «Casa Velha» com o padre Vasco Pinto Magalhães com reflexão sobre a encíclica «Laudato Si»

 

Fátima - Museu da Consolata, 16h - Tarde de Poesia Natalícia com declamação de poemas por crianças do 1.º ciclo do Agrupamento de Escolas de Ourém e cerimónia oficial da abertura da exposição temporária «Mães coragem … e o vazio das crianças que não puderam ser felizes» com fotografias de Francisco Pedro

 

Terra Santa – Belém, 19h30 -  Os sinos das igrejas de Belém tocam pela «paz, justiça e dignidade»

 

06 de dezembro

Algarve - Visita da Imagem Peregrina na Diocese do Algarve (até 20 de dezembro)

 

Braga - Seminário menor, 15h30 - Dedicação da capela de Nossa Senhora da Conceição (Seminário menor) por D. Jorge Ortiga

 

 

 

Lisboa - Alfragide (Seminário dos Dehonianos), 15h30 - Lançamento da obra «Mística e Psicanálise - Experiências do desejo e do amor do absoluto» da autoria de Eugénia Magalhães e com apresentação de D. José Ornelas de Carvalho, José Eduardo Franco, José Augusto Ramos e Ana Teresa Penim

 

Lisboa – Sé, 16h - Sessão do ciclo de concertos do órgão da Sé de Lisboa

Braga - Igreja dos Congregados, 16h - Concerto de Natal promovido pela FAIS

 

Lisboa - Igreja de Nossa Senhora de Fátima, 16h30 - Conferência sobre «Desbravando caminhos da comunicação em casal» pelo casal  Fátima e António Carioca

 

Setúbal - Azeitão (Igreja de Vila Fresca), 17h - Concerto de Natal pelo INov’Arte Camerata Vocal

 

07 de dezembro

Porto - Valadares (Seminário da Boa Nova), 21h30 - Concerto da Imaculada pelo Coro do Mosteiro de Grijó dirigido pelo professor Joaquim Marçal

 

08 de dezembro

Vaticano -Início do Jubileu da Misericórdia convocado pelo Papa Francisco

 

 
Lisboa - Rua Garret (junto à Basílica dos Mártires) -Iniciativa «Presépio na Cidade» com o tema «Todos os homens verão a salvação de Deus» (até 22 de dezembro)

 

Vaticano -Inauguração do presépio e da árvore de Natal

 

Lisboa -Bênção das grávidas promovida pela Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa

 

Beja – Sé -Ordenações sacerdotais

 

Setúbal - Capela de Santo António -A Comissão Diocesana de Arte Sacra de Setúbal compilou os poemas do primeiro vigário-geral da diocese que vão ser apresentados no livro «A Fonte do Solitário e Outros Poemas»

 

Fátima - Basílica da Santíssima

Trindade -Abertura da Porta Santa da Misericórdia na Basílica da Santíssima Trindade por D. António Marto

 

Porto - Valadares (Seminário da Boa Nova), 16h - Ordenação diaconal de Hipólito Maria André Julião Vida por D. António José da Rocha Couto, Bispo de Lamego

 

Lisboa - Igreja do Sagrado Coração de Jesus, 21h15 - O Instituto Diocesano da Formação Cristã, do Patriarcado de Lisboa, promove uma «Leitura Crente da Atualidade», pelos 50 anos da Constituição Pastoral «Gaudium et Spes»

 

 

 

 

 

As Misericórdias preparam-se para ir a votos no próximo dia 5 de dezembro. A eleição dos novos corpos sociais da UMP para o quadriénio 2016-2019 vai ter lugar no Centro João Paulo II, em Fátima, e começa às 09h30. A única lista a ser escrutinada pelos provedores é liderada pelo presidente em funções.

 

 

Também no sábado, pelas 17h30, em Lisboa, o presidente da Junta de Freguesia e o pároco, padre Miguel Pereira, presidem à reabertura oficial da Capela de Santo Amaro ao público.

 

 

Numa iniciativa da Paróquia de Aljustrel, com o apoio do Sindicato dos Mineiros, do Município e de outras entidades locais, realiza-se no próximo sábado, dia 5 de Dezembro, pelas 17h00, no Sindicato Mineiro, a conferência Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, e a identidade aljustrelense.

 

 

D. Jorge Ortiga preside este domingo, às 15h30, à cerimónia de Dedicação da Capela Imaculada do Seminário de Nossa Senhora da Conceição, da Arquidiocese de Braga.

 

 

O Papa Francisco vai abrir a 8 de dezembro a Porta Santa do Jubileu da Misericórdia na Basílica de São Pedro. A Missa tem início marcado para as 09h30 (menos uma em Lisboa).

 

 

 

 

 

 

 

 

Programação religiosa nos media

Antena 1, 8h00

RTP1, 10h00

Transmissão da missa dominical

 

11h00 - Transmissão missa

 

12h15 - Oitavo Dia

 

Domingo: 10h00 - O Dia do Senhor; 11h00 - Eucaristia; 23h30 - Ventos e Marés; segunda a sexta-feira: 6h57 - Sementes de reflexão; 7h55 - Oração da Manhã;  12h00 - Angelus; 18h30 - Terço; 23h57-Meditando; sábado: 23h30 - Terra Prometida.

 
RTP2, 11h30

Domingo, 06 de dezembro - Papa Francisco: De África para o mundo.

 

RTP2, 15h30

Segunda-feira, dia 07 - Entrevista ao padre Manuel Morujão sobre o Jubileu da Misericórdia.

 

Terça-feira, dia 08 - Informação e entrevista a Juan Ambrosio sobre o Jubileu da Misericórdia.

 

Quarta-feira, dia 09 - Informação e entrevista às Irmãs Isabel Francisco e Maria da Conceição Pena sobre a Madre Wilson.

 

Quinta-feira, dia 10 - Informação e entrevista  a Verónica Policarpo sobre o trabalho doméstico em Portugal 

 

Sexta-feira, dia 11 - Análise às leituras bíblicas das missas de domingo com a Irmã Luísa Almendra e Cónego António Rego.

 

Antena 1

Domingo, dia 06 de dezembro - 06h00 - O pontificado do Papa Francisco para os colaboradores da Conferência Episcopal Portuguesa.

 

Segunda a sexta-feira, 07 a 11 de dezembro - 22h45 - Presépio passo a passo: regato, Nossa Senhora, céu, vaca e burro; propostas da Paulus Editora, Movimento ao Serviço da Vida; o livro do Papa, livro "A história do Natal" e a Associação Nova Humanitas

 

  

 

 

     

 

 

 

 

 

 

Ano C – 2.º Domingo do tempo do Advento

 
 
 
 
 
 
 
Somos transformados em Deus ou preferimos outros endireitas?
 

A missão profética marca este segundo domingo do Advento. Ela é um apelo à conversão, à renovação, no sentido de eliminar todos os obstáculos que impedem a chegada do Senhor ao nosso mundo e ao coração dos homens. Esta missão é uma exigência que é feita a todos os batizados, chamados, particularmente neste tempo, a dar testemunho da salvação que Jesus Cristo veio trazer.

O Evangelho apresenta-nos o profeta João Baptista, que nos convida a uma transformação total quanto à forma de pensar e de agir, quanto aos valores e às prioridades da nossa vida.

Para que Jesus possa caminhar ao nosso encontro e apresentar-nos uma proposta de salvação, é necessário que os nossos corações estejam livres e disponíveis para acolher a Boa Nova do Reino. É esta missão profética que Deus continua, hoje, a confiar-nos.

No Evangelho, todos os grandes responsáveis estão em cena: o poder central, com o imperador Tibério e o seu prefeito Pôncio Pilatos; o poder local, com Herodes, Filipe e Lisânias; o poder religioso, com os sumo-sacerdotes Anás e Caifás. Em face deles, um homem despojado, sem qualquer poder humano, João, filho de Zacarias.

Três anos mais tarde, um outro homem, despojado, em face dos mesmos poderosos, as mãos trespassadas pelos pregos, Jesus, filho de Maria.

Dos poderosos nada resta de essencial. Mas João permanece pela sua vida autêntica e pela Palavra de Deus que foi dirigida no deserto: “Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as suas veredas”.

Esta voz ressoa nos nossos ouvidos, não já nos desertos de areia, mas no deserto dos nossos corações, muitas vezes demasiado desertos de esperança, de alegria, 

 

 

 

 

 

de amor. Há sempre entre os homens passagens tortuosas que tornam tão difícil a comunhão, montanhas demasiado altas que impedem de nos vermos, ravinas demasiado profundas que impedem a reconciliação e a paz.

A voz de João ressoa ainda nos nossos ouvidos, para que a Palavra possa penetrar sempre nos nossos corações. João desapareceu, mas a Palavra eterna, feita carne, está sempre presente, porque Jesus ressuscitou, está vivo para sempre. A morte não tem mais nenhum poder sobre Ele, nem qualquer outro poder, político, 

 

militar, económico e mesmo religioso!

Esta Palavra é-nos dada a nós, hoje. Quando deixamos a Palavra iluminar o nosso caminho e comemos o Pão da Vida na Eucaristia, é Jesus vivo que vem endireitar os nossos caminhos, preencher as nossas ravinas interiores.

Para que isso aconteça mesmo é preciso deixar que seja Deus a endireitar os nossos caminhos. Ou preferimos outros endireitas?

 

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.pt

 

Fidelidade à memória dos mártires

O Papa encontrou-se no Uganda com membros do clero e institutos religiosos, a quem pediu “fidelidade” ao testemunho dado pelos mártires cristãos do final do século XIX. Numa celebração que decorreu na Catedral de Campala, Francisco deixou de lado o discurso que tinha preparado e apresentou uma breve reflexão centrada em três ideias centrais, “memória, fidelidade e oração”.

“Pelo sangue dos católicos ugandeses corre o sangue dos mártires, não percam a memória desta semente para que assim continuem a crescer”, apelou.

Segundo o Papa, o “principal inimigo da memória é acostumar-se a herdar 

 
os bens dos mais velhos”. “As glórias passadas foram o princípio”, mas os religiosos de hoje são chamados a ser as “glórias futuras”, precisou.

A intervenção deixou um pedido particular aos sacerdotes, para que se ofereçam “para ir para outra diocese que precise de clero”, como missionários. “O Uganda foi regado com o sangue de mártires, de testemunhas, e precisa de continuar a ser regado” para que a “pérola de África” não acabe “guardada num museu”, advertiu.

Francisco convidou os religiosos à oração e confissão frequentes, porque nenhum consagrado deve “levar uma vida dupla”.

 

 


 

 

 

 

 

 

 

Após ter estado no continente africano pela primeira vez na sua vida, Francisco deixou um agradecimento aos missionários e missionárias por uma “vida de tanto e tanto trabalho, às vezes dormindo no chão, toda a vida”.

De improviso, recordou o encontro em Bangui com uma religiosa italiana de 81 anos que vive em África há quase seis décadas e saiu do Congo, em canoa, para ir ver o Papa. “Como esta irmã há tantas, tantas irmãs, tantos padres, tantos religiosos que consomem a sua vida para anunciar Jesus Cristo. Que belo é ver isto”, disse.

A religiosa é uma parteira, que ajuda também as mulheres muçulmanas: “Toda uma vida pela vida, pela vida dos outros”. “Testemunho: esta é a grande missionariedade, heroica, da Igreja, anunciar Jesus Cristo com a própria vida”, precisou.

O Papa deixou por isso um desafio aos jovens: “Pensem no que querem fazer da vida”.

 

 

 

 

China: Igreja Clandestina chora a morte do padre Peter Wei

Semente de fé

São muitos os padres, religiosas e bispos pertencentes à Igreja Clandestina, fiel a Roma, que estão detidos na China. No início do mês, o corpo de um padre apareceu a boiar nas águas de um rio. “Suicídio”, apressaram-se a dizer as autoridades.

 

Tinha apenas 41 anos. Era uma pessoa inspiradora, incansável, sempre preocupado com os outros, os mais pobres, os mais vulneráveis. O padre Peter Wei morreu. O seu corpo apareceu a boiar no passado dia 6 de Novembro, no rio Fen, em Taiyuan, província de Shanxi. As autoridades apressaram-se a dizer que Peter teria cometido suicídio. Todos os que o conheceram negam essa hipótese. Peter Wei HePing pertencia à Igreja Clandestina, fiel ao Papa, que o regime de Pequim não tolera. Na verdade, o padre Peter terá escrito a sua própria sentença de morte pela forma entusiástica como viveu o sacerdócio, fundando um seminário clandestino, mobilizando jovens, levando-os em memoráveis peregrinações a pé, lançando até

 

um “site” com notícias da Igreja no mundo.
O Partido Comunista desconfiava do seu entusiasmo. Peter era uma ameaça. Importava afastá-lo. Sobra agora a tese de suicídio e a certeza dessa mentira pelos seus amigos. A Fundação Cardeal Kung, com sede nos EUA - instituição que tem como missão auxiliar a Igreja perseguida na China -, exigiu de imediato “um inquérito” para se apurar o que terá ocorrido. O padre Peter Wei incomodou o regime com a sua alegria, a sua perseverança, o seu testemunho.

 

Com os mais pobres

O padre Peter nunca se acobardouNasceu na véspera do Natal de 1974, oriundo de uma família católica na província de Shanxi. Toda a sua formação foi junto da Igreja Católica. Entrou para o seminário em 1993 e, passado uns anos, foi enviado para a Europa, para continuar os seus estudos. Foi ordenado sacerdote clandestinamente no dia 24 de 

 

 

 

Agosto de 2004, em terras da China, por um bispo também ele fiel ao Papa. Agora, estava em missão em Yunnan. “Há 3 anos comecei a visitar os católicos de Miao Yi, perto da fronteira com o Vietname, que vivem em condições de extrema pobreza. Algumas destas regiões remotas não têm um sacerdote há mais de 40 anos, mas, ainda assim, conseguem manter a fé católica, através das tradições familiares. Quando cheguei, surpreendi-me ao ver o fervor religioso destas pessoas.”

O Padre Peter Wei, encarava cada dia como uma bênção. Pergunta agora a Fundação Cardeal Kung: “poderia 

 

um pastor tão zeloso e com uma fé tão forte cometer suicídio?”
Nunca se saberá o que aconteceu nesse dia 6 de Novembro, mas ninguém tem dúvidas de que o padre Peter Wei viveu heroicamente a sua fé em Cristo e a sua fidelidade ao Papa. São muitos os sacerdotes, religiosas e bispos ainda presos na China. São muitos, também, os que estão desaparecidos, os que morreram nos cárceres do regime. São, porém, cada vez mais os que abraçam a fé em Jesus.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

 

 

Direitos Humanos via Rádio

  Tony Neves   
  Espiritano   

 
 

10 de Dezembro é data reservada nos calendários. Neste dia de 1948 foi assinada em Paris a Declaração Universal dos Direitos Humanos. A ONU, nascida no fim da Segunda Grande Guerra Mundial, quis dizer um ‘não’ rotundo a guerras futuras e lançou-se na aventura de construir um texto que os países todos do mundo assinassem e pelo qual se comprometessem. Assim nasceu esta Declaração e os Direitos Humanos ganharam direito de cidadania, tornando-se referência contra as suas violações.

Já lá vão 67 anos… e, verdade seja dita, é mais longo o caminho a percorrer que aquele que já foi palmilhado. A boca está cheia de afirmações sobre os Direitos Humanos, mas os corações e os compromissos ainda estão muito longe de os assumir e praticar. Por isso, há que continuar a falar deles, a explica-los, a toma-los a sério, a pratica-los.

Na promoção dos Direitos Humanos, as estações de Rádio continuam a desempenhar um papel de decisivo. Em contextos mais pobres, pouca gente lê ou tem acesso a títulos de imprensa. Também não são numerosos os que dispõem de aparelhos de televisão ou computadores para aceder à internet. Assim, as Rádios chegam mais longe lá onde os Direitos Humanos são desafio incontornável. E, verdade seja dita, mesmo em contextos economicamente mais favorecidos, as Rádios continuam a ter o seu lugar insubstituível e desempenham um grande papel na formação

 

 

 

 

 

Luso Fonias

 

 

 e informação acerca dos Direitos Humanos fundamentais.

A ligação entre a Rádio e os Direitos Humanos faz-me sempre regressar a Angola no tempo da guerra civil. Sem internet, televisão, revistas nem jornais, só sobrava a Rádio para informar, formar e empurrar a compromissos pela justiça e paz. Claro que era obrigatório escutar emissoras estrangeiras, porque as nacionais faziam a propaganda da guerra, de acordo com os interesses militares. Mas as emissoras estrangeiras 

 

ajudavam a perceber quanto os Direitos Humanos estavam a ser violados e apontavam para a urgência de um cessar-fogo que trouxesse paz e liberdade ás populações martirizadas pela guerra civil.

É sempre longo o caminho que leva ao cumprimento integral dos Direitos Humanos. Mas ninguém questiona a sua importância para a construção de um mundo solidário e fraterno. Todos nunca serão demais nesta missão e as Rádios estão a dar uma colaboração decisiva.

 
 

“Pode ouvir o programa Luso Fonias na rádio SIM, sábados às 14h00, ou em www.fecongd.org. O programa Luso Fonias é produzido pela FEC – Fundação Fé e Cooperação, ONGD da Conferência Episcopal Portuguesa.”

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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