04 - Editorial:

   Cónego João Aguiar

06 - Foto da semana

07 - Citações

08 - Nacional

14 - Internacional

24 - Opinião

    Rita Figueiras

26 - Opinião

    LOC/MTC

28 - Semana de..
   Luis Filipe Santos

 

 

30 - Dossier

  Encontro Mundial das Famílias

56- Estante

58 - Concílio Vaticano II

60- Agenda

62 - Por estes dias

64 - Programação Religiosa

65 - Minuto Positivo

66 - Liturgia

68 - Ano da Vida Consagrada

72 - Fundação AIS

74 - LusoFonias

Foto da capa: WMF 2015

Foto da contracapa:  Agência ECCLESIA

 

 


AGÊNCIA ECCLESIA 
Diretor: Paulo Rocha  | Chefe de Redação: Octávio Carmo
Redação: Henrique Matos, José Carlos Patrício, Lígia Silveira,.
Luís Filipe Santos,  Sónia Neves
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Opinião

 

 

 

Papa faz história em Cuba e nos EUA

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Jornadas Nacionais de Comunicação Social

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Famílias do mundo em Festa

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D. Pio Alves | Joao Aguiar Camos | Manuel Barbosa | Paulo Aido | Tony Neves | Paulo Rocha | LOC/MTC|Rita Figueiras

 

Um coraçãà janela

  João Aguiar Campos  
  Secretariado Nacional das 
  Comunicações Sociais 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Eram umas jornadas da pastoral familiar, aparentemente como quaisquer outras; partilhando, porventura, muitos dos participantes com as edições anteriores e repetindo mesmo algum palestrante de há anos atrás.

Hoje tenho alguma dificuldade em recordar o tema genérico do encontro; mas de uma coisa me lembro claramente: à entrada do grande salão havia um painel com muitas frases afixadas e alguns cartazes artesanalmente desenhados. Foi um destes que me chamou a atenção e se gravou, como mensagem maior, na minha memória: mostrava uma rua de casas alinhadas, aparentemente muito semelhantes. No entanto, uma era distintiva: a uma das janelas assomava um coração!...

Olhei e voltei a olhar, assimilando a afirmação de um amor que se mostrava àquele parapeito; um amor que não se continha nas expressões dentro de quatro paredes, mas se apresentava ali, rosado e descontraído, testemunhando, a quem passava, uma alegria incapaz de se esconder.

Passados anos, acompanha-me esta imagem – que sempre recordo cada vez que desejo retirar da clandestinidade e do falso pudor uma vida de compromisso que tem de mostrar-se, sob pena de se negar.

Este meu texto apressado é, por isso, um pedido sentido às famílias cristãs: sem angelismos que negam problemas ou dificuldades, ponde o vosso amor à janela e deixai que se veja a alegria de amar e ser amado; mostrai a vossa beleza e testemunhai o alegre trabalho de constantemente aprofundar

 

 

uma relação que também cresce ao revelar-se.

Esta humilde visibilidade pode ter, para muitas situações de sofrimento, o valor de um farol -- que não é brilho orgulhoso, mas luz de misericórdia: não visa denunciar as agruras de quem ostenta dificuldades no caminho, mas acolher sofrimentos e dizer a quem procura que há possibilidades que a cultura vigente parece sistematicamente negar

O encontro mundial de Filadélfia vai repetir, nos próximos dias, que o amor é a missão da família. Pois, que se veja, que se veja!... Que se veja na fortaleza de o conservar, revelar e comunicar. Que se veja nas lições de humanidade que oferece.

Que se veja. Porque as famílias cristãs não podem habitar um condomínio fechado ou inscrever-se numa

 

 espécie de “confraria dos ausentes”, para usar a expressão do cardeal Cañizares, a respeito do silêncio dos crentes no mundo. Seria atrofiar-se na autorreferência em vez de ser berço da sociedade.

"Património da humanidade", como lhe chamou Bento XVI, se a família naufraga, afoga-se o homem!.. Por isso, as famílias – e a fortiori as famílias cristãs – têm de estar conscientes da sua dimensão social e assumi-la com um protagonismo ativo. Os conteúdos e modos da sua ação social são, entre outros, o amor, a vida e a educação.

A caminho de Filadélfia, falando às famílias na catedral de Nossa Senhora da Assunção, em Cuba, o papa Francisco mostrou o melhor legado que se pode deixar para um mundo melhor: "Deixemos um mundo com famílias" – pediu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um papamóvel nos EUA

 

 

 

 

 
É possível que alguma explicação tenha dado a impressão de ser um pouquinho mais «esquerdista», mas seria um erro de explicação. Não. A minha doutrina na Laudato si’, sobre tudo isso, sobre o imperialismo económico e tudo o mais, é da Doutrina Social da Igreja. E, se for necessário que recite o «Credo», estou disposto a fazê-lo.
(Papa Francisco, em declarações aos jornalistas no voo entre Cuba e os EUA)
 
Os eleitores devem orientar as suas escolhas pelo atenção ao bem comum, mais do que por interesses individuais ou de categoria. O bem comum deve ser encarado numa perspetiva nacional, mas também universal, e nele se incluem as gerações futuras. (Associação de Juristas Católicos)
 
No dia em que tem início a campanha para as eleições legislativas que terão lugar, já no próximo dia 4 de Outubro, a Cáritas, a Comissão Nacional Justiça e Paz e a Sociedade de S. Vicente Paulo vêm apelar aos diversos partidos políticos que divulguem amplamente as medidas de apoio económico e social aos mais vulneráveis constantes dos seus programas eleitorais.

 

 

Família e Comunicação

O diretor do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais (SNCS) afirmou que as jornadas nacionais promovidas entre quinta e sexta-feira pela Igreja Católica dão continuidade ao tema proposto pelo Papa Francisco aprofundando a sua “mensagem e desafios”. “Na família podemos ser nós próprios e revelarmo-nos como somos e depois numa outra fase dizermo-nos fora da família porque a família vivendo em comunicação vive também a comunicação para fora dela própria”, analisou o cónego João Aguiar Campos sobre o tema das Jornadas Nacionais da Comunicação Social.

As Jornadas Nacionais de Comunicação Social decorrem na Casa Domus Carmeli em Fátima, com o tema “Comunicação e Família: Partilha de afetos”, encerrando-se com uma conferência de D. Manuel Clemente.

O cardeal-patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa vai falar a poucas dias do início da assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a Família.

As jornadas iniciaram-se com uma intervenção de D. Pio Alves, presidente da comissão episcopal responsável pelo setor dos media.

 

Os participantes no primeiro painel apelaram a uma valorização dos aspetos positivos da vida das famílias. A jornalista Rita Carvalho, do ‘Sol’, sublinhou que o foco habitual está em “tudo o que é negativo” e que “muitos temas sobre as questões familiares são pouco aprofundados”.

No painel sobre «Família na Comunicação», perante cerca de 100 participantes, a profissional observou que as temáticas “fraturantes” e “as questões sobre a vida” têm “grande peso” na comunicação social.

No mesmo painel, Tito de Morais sublinhou que a sua família – “muito dispersa geograficamente” - sofreu “alterações comunicacionais” depois do aparecimento da internet.

A internet veio desenvolver de “forma brutal” a comunicação entre as pessoas, disse o fundador do projeto «MiudosSegurosNa.Net».

Já no domínio da publicidade, José Mateus referiu que as “temáticas da família” estão na agenda comunicacional.

“A publicidade reflete a sociedade” e “promove, antes do tempo, temas que vão ser importantes para a sociedade”, afirmou o especialista.

 

 

 

 

 

 

Para o cónego João Aguiar, os novos meios de comunicação podem ser bons ou maus, “dependendo do uso”. “É bom porque às vezes traz assuntos novos e abre-nos para além dos horizontes da nossa porta da rua, da sala ou da cozinha, e pode ser mau se cada um fizer destes novos meios fator de isolamento”, desenvolve, alertando que por causa deste, “às vezes, os outros membros da família “são mandados calar”.

 
O programa de dia 25 começa com a conferência ‘Comunicação e família’, D. Manuel Clemente, seguindo-se um tempo de debate. “Penso que será um momento também muito importante não apenas pela capacidade de comunicação do cardeal-patriarca mas por duas experiências, uma vivida estes dias, a visita ‘Ad Limina’, e outra nos próximos tempos, o sínodo [4-25 de outubro, Vaticano]”, destacou o cónego João Aguiar Campos.

 

 

Semana nacional incentiva
à misericórdia e perdão

A responsável pelo setor da Catequese, do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), explica o propósito de dedicar a Semana Nacional da Educação Cristã ao tema da misericórdia, dando enfoque no perdão e reconciliação. “Estamos a preparar-nos para o Ano da Misericórdia e temos uma expectativa em termos da formação, da reflexão e como o Papa pede em torno do perdão, da aceitação e da compreensão do outro”, assinala Cristina Sá Carvalho.

À Agência ECCLESIA, a responsável pelo setor da Catequese, no SNEC, contextualiza que consideram esta dimensão “fundamental” no processo de conversão de cada educador e “obviamente” também para “alimentar todos os projetos” que a Igreja em Portugal desenvolve com os valores e a qualidade de fé.

A Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé publicou uma nota intitulada ‘Felizes os misericordiosa porque alcançarão misericórdia’ que, segundo Cristina Sá

 

 

Carvalho, centra-se no que cada um “deve ser e naquilo que deve dar”, num mundo que vive situações de “grande dureza”.

Neste contexto, a responsável pelo setor da Catequese destacou também da nota dos bispos portugueses e da Bula do Papa Francisco para o Ano Jubilar a “dimensão do perdão” e em concreto o “sacramento da reconciliação” na educação cristã.

Durante sete dias, pretende-se "mostrar e dar visibilidade à Educação Cristã em Portugal através de várias iniciativas", com destaque para as Jornadas Nacionais de Catequistas – Educar na Misericórdia de Deus -, que se iniciam esta sexta-feira, em Fátima.

 

 

 

 

 

Instituições católicas pedem maior divulgação dos programas eleitorais 

A Cáritas Portuguesa, a Comissão Nacional Justiça e Paz e a Sociedade de S. Vicente de Paulo apelam aos partidos políticos que “divulguem amplamente” as medidas de “apoio económico e social aos mais vulneráveis”, durante a campanha eleitoral.

Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, as três instituições da Igreja Católica manifestam o seu “desejo” de que as medidas de “apoio económico e social” para os mais vulneráveis”, bem como as relativas à saúde e à educação, “se tornem prioritárias” para o próximo Governo de Portugal.

 

As organizações católicas apelam também ao “sentido de responsabilidade” das portuguesas e dos portugueses para que no dia 4 de outubro cumpram o “importante dever cívico” de votar. “O futuro dos Portugueses deverá depender da escolha de muitos e não de um pequeno número de eleitores”, acrescenta o comunicado intitulado ‘Votar é um direito, mas também um dever’.

A eleição dos deputados à Assembleia da República que determina a escolha do próximo Governo está marcada para o próximo dia 04 de outubro.

 

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial portuguesa nos últimos dias, sempre atualizados emwww.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

Francisco levou a Cuba mensagem
de reconciliação e mudança

O Papa Francisco encerrou na terça-feira a sua primeira visita a Cuba, iniciada no sábado, após ter passado pelas cidades de Havana, Holguín e Santiago onde deixou mensagens centradas na reconciliação e na mudança. Sem nunca criticar diretamente o regime comunista, Francisco aludiu por várias ocasiões às “feridas” e dificuldades do povo cubano, recordando também todos os que saíram da ilha.

Na homilia da Missa que reuniu cerca de 200 mil pessoas na Praça da Revolução, em Havana, o Papa falou dos mais frágeis e necessitados, advertindo os cubanos para os perigos de “projetos que podem parecer sedutores” mas acabam por desinteressar-se das “pessoas de carne e osso”.

Em várias ocasiões, as intervenções papais ligaram a identidade cubana ao catolicismo, desejando que este possa ter um papel de relevo nas transformações em curso na ilha.

Ao chegar a Cuba, o Papa elogiou a “normalização” das relações 

 

diplomáticas com os Estados Unidos da América, apelando ao aprofundamento do diálogo político, “em favor da paz e do bem-estar dos seus povos, de toda a América, e como exemplo de reconciliação para o mundo inteiro”. Já no Santuário de Nossa Senhora da Caridade, padroeira de Cuba, rezou pela “reconciliação” do país e recordou a diáspora cubana.

Em Holguín, o Papa elogiou o “esforço e sacrifício” da Igreja Católica para preservar a sua identidade e ação na sociedade cubana, mesmo perante a falta de templos e sacerdotes.

Francisco sublinhou em particular o trabalho nas chamadas «casas de missão», que permitem a muitas pessoas “ter um espaço para a oração, a escuta da Palavra, a catequese e a vida comunitária”.

Já no último dia da visita, o primeiro pontífice sul-americano da história afirmou que a Igreja Católica propõe uma “revolução” que passa pelo serviço ao próximo e o diálogo, depois de aludir às “dores e privações” 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
da história do país, sublinhando que estas dificuldades não conseguiram “extinguir a fé” nem apagar a “alma do povo cubano”.

Francisco encontrou-se com o presidente Raúl Castro, em privado, bem como com o seu irmão, Fidel Castro, longe das câmaras, privilegiando celebrações litúrgicas

 

 

 

e momentos de oração no seu programa de quatro dias, acompanhadas por centenas de milhares de pessoas.

A viagem ficou marcada pela detenção de alguns dissidentes que, alegadamente, terão sido impedidos de ver o Papa.

 

 

EUA: Papa apresentou programa
da viagem na Casa Branca

O Papa Francisco visitou na quarta-feira a Casa Branca para a cerimónia oficial de boas-vindas aos Estados Unidos da América, um dia depois de ter chegado ao país, vindo de Cuba, e pediu a defesa dos “direitos inerentes à liberdade religiosa”. “Esta liberdade permanece como uma das conquistas mais valiosas da América”, disse, perante o presidente norte-americano, falando em inglês.

O pontífice argentino foi recebido junto ao portão sul da residência oficial do presidente por Barack Obama e a sua mulher Michelle, que o acompanharam até ao ‘South Lawn’, onde os esperam cerca de 11 mil convidados, incluindo os cardeais e bispos católicos dos EUA.

Francisco apresentou-se simbolicamente como “filho duma família de emigrantes” e saudou uma nação “construída em grande parte por famílias semelhantes”. Nesse contexto, apelou à “construção duma sociedade que seja verdadeiramente tolerante e inclusiva”, na defesa dos direitos dos indivíduos e das comunidades, e na “rejeição de 

 

qualquer forma de discriminação injusta”.

O Papa elogiou as iniciativas de Obama em favor da redução da poluição ambiental, face à “urgência” da atual mudança climática, que “já não pode ser um problema deixado à geração futura”.

Francisco aludiu indiretamente ao ‘degelo’ das relações com Cuba ao elogiar os esforços para “reconciliar relações que tinham sido rompidas e para a abertura de novas vias de cooperação”. “Almejo que todos os homens e mulheres de boa vontade desta grande e próspera nação apoiem os esforços da comunidade internacional para proteger os mais vulneráveis no nosso mundo e promover modelos integrais e inclusivos de desenvolvimento”, acrescentou.

O primeiro discurso em solo norte-americano recordou alguns pontos do programa nos próximos dias, como a intervenção no Congresso (quinta-feira). “Como irmão deste país, espero dizer uma palavra de encorajamento a todos aqueles que são chamados a 

 

 

 

 

guiar o futuro político da nação na fidelidade aos seus princípios fundadores”, adiantou.

“Irei também a Filadélfia, para o 8.º Encontro Mundial das Famílias, cuja finalidade é celebrar e apoiar as instituições do matrimónio e da família, num momento crítico da história da nossa civilização”, acrescentou.

O discurso concluiu-se com o 

 

tradicional ‘God bless America’ (Deus abençoe a América).

No final da cerimónia de boas-vindas,teve lugar uma visita de cortesia de Francisco ao presidente norte-americano, na Sala Oval, para uma conversa privada, a troca de presentes e a apresentação de familiares.

Francisco é o quarto Papa a visitar os EUA, depois de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI.

 

 

Comunista? Antipapa? Francisco responde

O Papa defendeu as posições que tem vindo a tomar em questões políticas e económicas, face às críticas que tem recebido, afirmando que repete a “Doutrina Social da Igreja”. Francisco falou aos jornalistas que o acompanharam no voo entre Santiago de Cuba e Washington D.C., nos Estados Unidos da América (EUA), tendo mesmo brincado com quem pergunta se o Papa é “católico”.

“Se for preciso, recito o Credo”, disse, após ter sido questionado sobre as acusações de “comunista” e mesmo de “antipapa”.

O Papa explicou que não espera que a Igreja o siga, porque o que acontece é precisamente o contrário: “Sou eu a seguir a Igreja e quanto a isso penso que não me engano”. “Talvez alguma coisa tenha dado a impressão que sou pouco mais de esquerda, mas é um erro de interpretação”, sustentou.

Francisco antecipou algumas das preocupações que leva aos EUA, mas negou que vá apresentar ao Congresso norte-americano qualquer pedido direto relativamente ao embargo económico a Cuba. “Espero que se chegue a um acordo que satisfaça as partes. Em relação à posição da Santa Sé sobre os embargos,

 

os Papas anteriores falaram disso, não só deste caso, fala a Doutrina Social da Igreja”, explicou.

“Não vou falar ao Congresso de forma específica deste tema, mas vou abordar de forma geral os acordos como sinal de progresso na convivência”, acrescentou.

Em relação à viagem a Cuba, o Papa explicou que não iria receber ninguém em audiência privada, fossem dissidentes ou outros chefes de Estado [a presidente da Argentina participou na Missa em Havana, ndr].

O pontífice argentino rejeitou ter sido menos duro com o sistema comunista do que com o capitalismo “selvagem”. “Em Cuba, a viagem foi muito pastoral, com a comunidade católica, com os cristãos e também as pessoas de boa vontade. As minhas intervenções foram homilias”, observou.

 

 

 

Discurso histórico no Congresso dos EUA

O Papa apelou hoje no Congresso norte-americano ao fim da pena de morte e do tráfico de armas, num dia em que fez história ao ser o primeiro pontífice a discursar perante as duas Câmaras deste órgão legislativo. “Desde o início do meu ministério [venho] a sustentar a vários níveis a abolição global da pena de morte. Estou convencido de que esta é a melhor via, já que cada vida é sagrada, cada pessoa humana está dotada duma dignidade inalienável, e a sociedade só pode beneficiar da reabilitação daqueles que são condenados por crimes”, declarou, em Washington.

Francisco falava diante dos membros do parlamento federal, constituído pela Câmara dos Representantes e o Senado. “Encorajo também todo saqueles que estão convencidos de que uma punição justa e necessária nunca deve excluir a dimensão da esperança e o objetivo da reabilitação”, assinalou, associando-se à campanha pelo fim da pena capital levada a cabo pelos bispos norte-americanos.

A intervenção realçou que os políticos devem estar “verdadeiramente”  

 

determinados a reduzir e “a longo prazo, pôr termo a tantos conflitos armados em todo o mundo”.

“Aqui devemos interrogar-nos: Por que motivo se vendem armas letais àqueles que têm em mente infligir sofrimentos indescritíveis a indivíduos e sociedade?”, questionou.

Segundo o Papa, “infelizmente” a resposta é apenas “por dinheiro, dinheiro que está impregnado de sangue, e muitas vezes sangue inocente”. “Perante este silêncio vergonhoso e culpável, é nosso dever enfrentar o problema e deter o comércio de armas”, prosseguiu.

O pontífice apelou “à coragem e à inteligência, a fim de se resolverem as muitas crises económicas e geopolíticas de hoje”.

 

 

 

 

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Canonização de São Junípero Serra

 

 

 

Papa Francisco em Cuba

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cáritas        Editorial   Catálogo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cáritas

 

 

Cáritas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cáritas

 

 

Cáritas

 

A Sátira Política e o Jornalismo

  Rita Figueiras    
  Universidade Católica   

   Portuguesa   

 
 

A sátira política regressou ao horário nobre da televisão generalista portuguesa nestas eleições Legislativas de 2015. Sob a forma de rubrica no Jornal Nacional da TVI, o espaço de humor dedicado à campanha, intitulado “Isso é tudo muito bonito, mas...”, é conduzido pelo mesmo grupo de humoristas que esteve à frente do programa “Os Gato Fedorento Esmiúçam os Sufrágios”, que liderou as audiências da SIC durante o período de campanha das eleições Legislativas e Autárquicas de 2009.

Num primeiro nível de leitura, o programa parece pôr à prova o fair play dos candidatos, sujeitando-os a momentos de embaraço. O teste, materializado numa entrevista sem rede feita por um entrevistador desafiador, o humorista e comentador Ricardo Araújo Pereira, funciona como uma espécie de teste às capacidades dos candidatos de lidarem com o espontâneo num tempo da política de guião. Mas o desafio é menor do que muitos portugueses possam pensar. Este tipo de programa é benéfico para os políticos que aceitam nele participar. Os candidatos mostram um lado mais humano, apresentando-se de modo informal, e, no que parece ser um exercício de autenticidade, promovem uma imagem simpática de si mesmos perante um vasto auditório composto também por indivíduos pouco motivados para a política. Por outro lado, para a estação de televisão, e para o noticiário da noite em particular, a inclusão deste olhar humorístico ajuda a diversificar a cobertura da campanha, a trazer

 

 

 

 

novos públicos para o programa e, principalmente, a elevar as audiências do canal.

Todavia, num outro nível de leitura, a popularidade do humor crítico é um indicador, simultaneamente direto e indireto, da forma como a sociedade encara o exercício do jornalismo na atualidade. A autoridade da pergunta jornalística tem sido minada por dentro devido à crescente comercialização dos conteúdos e da competição pelas audiências, aumentando a percepção pública de que os profissionais deixaram de saber fazer as perguntas certas, as perguntas que interessam ao espetador-cidadão. Ao perder a capacidade de verdadeiramente 

 

questionar, o jornalismo foi abrindo espaço para que olhares alternativos menos reverentes para com a autoridade, e menos coniventes com ela também, ganhassem protagonismo no debate público. A sátira política tem-se crescentemente instituído como um olhar desafiador nas democracias ocidentais, que tem renegociado a hegemonia do discurso jornalístico no espaço público, conduzindo a uma redistribuição do poder simbólico do entretenimento, por um lado, e do jornalismo, por outro. Neste processo, os profissionais da informação contribuem tanto mais para esta mudança quanto mais se esquecerem que o jornalismo é esclarecimento e não espetáculo.

 

Trabalho Digno
e Rendimento Básico Incondicional

  LOC/MTC   

  Movimento de  

  trabalhadores Cristãos  

 

O MMTC – Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos, vai celebrar mundialmente uma Jornada pelo Trabalho Digno, no próximo dia 7 de Outubro. Esta iniciativa consiste em diversas ações e debates, unindo trabalhadoras e trabalhadores dos quatro continentes, Europa, África, Asia e América. O Trabalho Digno e o Rendimento Básico Incondicional são as temáticas que darão unidade a esta ação mundial. Neste dia, o MMTC quer dar voz às angústias e às esperanças dos homens e das mulheres, com trabalho ou sem ele, tantas vezes injustiçados e empobrecidos por um sistema económico mercantilista e desumano.  

Esta ação mundial do MMTC coincide, propositadamente, com a Jornada Internacional pelo Trabalho Digno da OIT prevista para esse dia. Devemos dizer que a OIT - Organização Internacional do Trabalho, debate-se, desde 1999, pela promoção de iguais oportunidades, para mulheres e homens, no acesso a um trabalho produtivo em condições de liberdade, de justa remuneração, de equidade e de dignidade.

Não obstante este caminho já percorrido, o que sentimos, atualmente, é o retrocesso sem limites nos direitos laborais que resulta num trabalho que embrutece as pessoas que o executam e que descarta quem não produz e não dá lucro. Trabalho assim serve, essencialmente, para enriquecer acionistas e empobrecer humanamente quem trabalha. A par deste retrocesso histórico em 

 

 

 

 

países mais desenvolvidos, existem ainda milhões de pessoas no mundo que não têm qualquer rendimento para viver. Não têm trabalho e não têm qualquer proteção social.

Consequentemente, como Movimento de Trabalhadores Cristãos fundamentamo-nos no Ensino Social da Igreja que defende, de modo singular, o trabalho como realização e dignificação humanas para fornecer substância as estas nossas ações.

Estão sempre presentes, também, os constantes apelos do Papa Francisco para uma mudança de mentalidades e de sistema económico, pelo acesso, em igualdade de oportunidades, à Terra, ao Teto e ao Trabalho: “...Um anseio que deveria estar ao alcance de todos, mas que hoje vemos, com tristeza, cada vez mais longe 

 

 

da maioria... Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, Teto e Trabalho são direitos sagrados” (Papa Francisco),

Vamos debater e intervir civicamente pelo reconhecimento a um rendimento básico incondicional que permita a todas as pessoas ter independência económica e viver com dignidade.

O MMTC, através dos movimentos nos diversos países, vai continuar a debater e a lutar para que se dê prioridade ao trabalho sobre o capital, ao bem comum sobre o privado, incluindo a reivindicação a um rendimento básico incondicional para todos os cidadãos e cidadãs. Porque queremos uma sociedade mais justa, fraterna e sustentável, centrada na humanidade.

 

 

A debandada portuguesa

  Luís Filipe Santos   
  Agência ECCLESIA   

 

De tempos a tempos, alguns conceitos saem das amarras dos dicionários e entram na linguagem oral dos portugueses. Este mês, durante a visita «ad limina» dos bispos lusos ao Vaticano, o Papa Francisco mostrou-se preocupado com a «debandada» da juventude na Igreja. Um termo pouco utilizado na gíria, mas que ganha folego e intensidade vindo da pena do papa argentino.

Depois da leitura dos relatórios das dioceses lusitanas, Francisco, com a ajuda diplomática, concluiu que existe uma debandada dos jovens da Igreja. De seguida faz algumas questões pertinentes… Considero essas observações e as respetivas respostas um programa pastoral. Qual a razão dos jovens fugirem da Igreja? Alguns culpam o hedonismo da sociedade. Outros apontam o dedo aos jovens pela cultura light. Será que os mestres do evangelho já se questionaram se a culpa não reside na forma de se expressarem e na preparação que fizeram para a atividade?

Certo dia, numa reportagem sobre escutismo, um pastor, na homilia, vociferava: “Tendes que vos amar uns aos outros”. Repetiu a frase até à exaustão. Apetecia-me dizer-lhe para baixar os graves e não gritar tanto porque, nem sempre, quem fala mais alto é o mais ouvido. Com aquele forma de anunciar a mensagem, os jovens debandam com mais facilidade do que parece.

Mas também existe os que anunciam com voz adocicada e cheia de laivos intelectuais. Com expressões históricas e chavões. Na primeira vez, os jovens gostam… Na segunda nem tanto… 

 

 

 

E na terceira fazem o check-in para fora da Igreja. 

Nestes casos é a chamada miopia escatológica centrada no mito de Narciso.

Alguns gostam de utilizar as línguas mortas para anunciar, mas os jovens têm uma linguagem específica. Gostam da terminologia da terra e das novas tecnologias. Falar grego ou latim é erudito, mas as homilias não são para o espelho mas para as pessoas.

Também existem pastores com o chamado discurso de «pescadinha de rabo na boca». Em cada frase utilizam uma expressão de um evangelista. Dizem o que os outros escreveram, 

 

mas não sabemos o que eles pensam.

Será que depois daquilo que o Papa Francisco escreveu, a Pastoral Juvenil vai ter um programa alicerçado, consistente e virado para o futuro, com o intuito de estancar a debandada ou continuam as síndromes de Diógenes?

Hoje começou o outono. Nesta época do ano, as andorinhas debandam para outras paragens… Mas prometem voltar na próxima primavera. Os jovens debandam da Igreja, mas não deixaram escrito que voltam. Depois daquele pequeno/grande puxão de orelhas do papa argentino será que vamos ter uma estação verdejante na Igreja…

 

 

 

 

 

 

 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Encontro Mundial
das Famílias

 

Filadélfia está em festa à espera do Papa para com ele celebrar a maior reunião de famílias a nível global. Esta celebração da fé e do Evangelho da Família está no centro da edição do Semanário ECCLESIA, com entrevista a participantes portugueses, textos de responsáveis eclesiais e uma reflexão do próprio Francisco sobre o valor e o lugar da família. Boa leitura

 

Comunicação e família

Como vem sendo habitual, as Jornadas, organizadas pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, têm como pano de fundo a Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Como recordam, a Mensagem deste ano intitula-se Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor (17.05.2015).

A relação bilateral comunicação / família é abordada tendo à vista as duas dimensões: a família na comunicação social ou família e comunicação social, por um lado, e a comunicação na família, por outro. Este último aspeto é, sem dúvida, aquele que merece uma especial atenção da Mensagem. Partindo de um improvável texto da Sagrada Escritura (a visita de Maria a Isabel: Lc 1, 39-56), a Mensagem identifica, com verdade, na família, um elenco de aspetos que a constituem em referencial magnífico de comunicação: a linguagem do corpo, a irrepetível diferença de cada pessoa, a língua materna, a dimensão religiosa da comunicação, a descoberta e a construção da proximidade, 

 

a experiência das limitações, a escola de perdão, as deficiências e a comunicação inclusiva, a comunicação feita de bênção e não de ódio ou discórdia, a família comunidade comunicadora.

E conclui: “A família mais bela, protagonista e não problema, é aquela que, partindo do testemunho, sabe comunicar a beleza e a riqueza do relacionamento entre o homem e a mulher, entre pais e filhos. Não lutemos para defender o passado, mas trabalhemos com paciência e confiança, em todos os ambientes onde diariamente nos encontramos, para construir o futuro”.

Quando no título destas Jornadas se fala de “partilha de afetos” sublinha-se precisamente a família como protagonista e não como problema. Não que nos situemos num mundo cor-de-rosa onde tudo é azeite e mel; não que nos fechemos à leitura da realidade, sempre difícil e tantas vezes dura; mas, para além de tudo isso, a família pode e deve ser permanentemente redescoberta como alicerce, testemunho e motor de uma sociedade renovada. E porque não há sociedade sem comunicação; 

 

 

 

 

e porque não há sociedade renovada sem renovada comunicação, parece claro e urgente que nos disponhamos a reaprender no livro da família.

O desafio é, pois, “construir o futuro” sobre o alicerce de um presente assumido e revitalizado. E o elenco das dimensões comunicacionais da família, recordadas acima, desenha um promissor programa.

Mas, sendo a família “célula base da sociedade”, como tantas vezes é recordado, é imprescindível recomeçar por aí. É imprescindível que esse elenco de dinamismos 

 

comunicacionais não seja apenas uma ementa onde cada um petisca o que mais lhe agrada, mas, antes, o rol de ingredientes – todos importantes – de um prato forte e substancial.

Mas, postos a sublinhar um, não duvido referir a família como escola de perdão, de comunicação feita de bênção e não de ódio ou discórdia. Ingrediente que se consubstancia, ou encontra a sua mais normal expressão, na trilogia evocada pelo Papa Francisco: “com licença, obrigado, perdão” (Audiência geral, 13. 05. 2015). Se estas palavras não 

 

 

 

forem apenas recursos formais, vazios de conteúdo, mas expressão de verdadeira relação comunicacional, estaremos a construir, núcleo a núcleo, um verdadeiro mundo de pessoas.

Infelizmente, somos forçados a reconhecer que um mundo assim está tão longe da realidade que mais se parece a um sonho ingénuo que a meta a que seja razoável aspirar. E, contudo, é assim o mundo que Deus criou.

Com efeito, os relatos dos primeiros capítulos do Livro do Génesis (1-3), na profundidade da sua aparente ingénua simplicidade, descobrem-nos um paraíso de afetos familiares onde tudo faz sentido: na harmonia interior do ser humano, na harmonia da comunicação com Deus, na harmonia da relação com o universo criado. E tudo se rompe, neste relato, com um gesto da liberdade humana que inventa o dedo acusador em substituição da comunicação construtiva. E seguem, depois, as referências às ruturas, nas mais variadas formas. Menciono apenas, como símbolo permanente de confusão institucional, o mito de Babel (cfr. Gen 11). Como escreveu S. João Paulo II (exortação 

 

apostólica Reconciliação e Penitência 15. 13), “segundo a narração dos factos de Babel, a consequência do pecado é a desagregação da família humana, que já começara com o primeiro pecado e agora chega ao extremo na sua forma social. (…) O drama do homem de hoje, como o do homem de todos os tempos, consiste precisamente no seu caráter babélico”.

A desagregação nasceu e cresceu em cada pessoa no seio de uma família; a reconstrução terá nas pessoas de cada família o seu principal pilar. E aí, sem dedo acusador, a comunicação – a comunicação feita de afetos e que consolida afetos – continuará a ser um ingrediente imprescindível.

 

+Pio Alves

Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais

 

 

Encontro Mundial das Famílias reúne «a essência da sociedade»

 

O Papa Francisco vai presidir aos atos conclusivos do 8.º Encontro Mundial das Famílias (EMF) que tem como tema «O amor é a nossa missão: a Família plenamente viva!», nos dias 26 e 27 de setembro, em Filadelfia, Estados Unidos da América.

O casal Elsa e Ricardo Irédio, pertencem ao Departamento Nacional da Pastoral Familiar e integram o grupo de 11 portugueses que estão na cidade norte-americana. Antes de partirem falaram sobre as expetativas com o EMF, onde vão encontrar “culturas e realidades diferentes”, o sínodo sobre a família e o Papa Francisco.

 

 

Agência Ecclesia (AE) – Quais são as vossas expectativas para o Encontro Mundial das Famílias 2015?

Ricardo Irédio (RI) - Vamos com uma grande expectativa. Vamos encontrar-nos com famílias de todo o mundo, no fundo celebrar a família e temos a expectativa de partilhar experiências com pessoas de outras culturas, que têm outras realidades.

Por outro lado, o encontro com o Papa Francisco é para nós motivo de grande alegria e expectativa porque esperamos uma mensagem muito positiva, e que também se sinta acarinhado por todas as famílias que vão ao seu encontro.

 

 
 
AE- Neste contexto, quais são então as vossas expectativas do encontro com o Papa. O que esperam que ele transmita às famílias quando estão no centro das atenções, digamos assim?

Elsa Irédio (EI) - Pessoalmente não espero nada muito novo. Espero que transmita e continue a transmitir a mensagem que tem vindo a ser habitual de grande acolhimento a todas as famílias e um especial carinho por todas elas. É um Papa que está muito próximo do povo, logo das famílias.

Tem transmitido, desde sempre, a importância que a família tem na sociedade, por isso é que temos o

 

 

 

sínodo logo a seguir. Não estou à espera de uma grande revelação, simplesmente à espera de um Papa que está junto dos seus filhos, é como ir ao encontro de um pai.

RI - Próximo do sínodo vai reforçar esta mensagem de que é preciso cuidarmos da família que é a essência da sociedade. E, como famílias católicas, temos de ser modelo para ajudar a mudar a sociedade que é isso que como Igreja temos pretensão de fazer, dar bons exemplos e mostrar bons caminhos à sociedade.

 

AE - Como Departamento Nacional da Pastoral Familiar o que esperam 

 

trazer para Portugal desse contacto com outras famílias e realidades?

EI - No fundo pretendemos trazer essa vivência. Eu acho que deve ser uma experiência única, nunca a tivemos e muito poucas pessoas têm essa possibilidade.

O nosso objetivo vai ser tentar beber ao máximo tudo o que se vai passar no encontro, participando nas conferências, nas atividades e depois trazermos todos esses ensinamentos para todos os que não puderam participar, nomeadamente nas nossas Jornadas Nacionais da Pastoral Familiar. Pretendemos transmitir e dar testemunho do que vivemos neste encontro.

 

 

 

 

 

RI – E há um conjunto de assuntos que vão ser apresentados, há diversas conferências em paralelo mas a perspetiva será tentarmos beber o maior conhecimento e partilha possíveis para que depois possamos partilhar quer com o departamento e conferência e a uma audiência mais ampla para que toda a pastoral familiar possa ter ecos desta participação e da mensagem que de lá trouxermos.

 

AE - «O amor é a nossa missão: a Família plenamente viva!», é o tema do Encontro Mundial de Famílias. O que vos diz este tema?

EI - Essencialmente este tema toca-nos de uma forma muito particular porque para nós a missão é essa, é o amor, e sentimo-nos muito ligados ao tema do amor. A família tem de aprender a amar mais porque o mundo depende do amor e o amor começa na família. Há aqui um amplo tema para ser mais aprofundado e discutido pela família.

 

RI – Só falta a segunda parte do lema – “a família plenamente viva”. E nós particularmente como portugueses, que somos um povo alegre e bem-disposto, reforçar essa perspetiva

 
de que a família só é família se viver com plenitude a sua missão.

Como a Elsa referiu aprendemos a amar na família e, de facto, achamos que é aquilo que o mundo mais precisa e tem falta nos dias de hoje é amor. E a escola do amor é a família e temos de reforçar isso com o nosso viver, com o nosso modo de ser alegres, com esperança e com confiança no futuro, apesar de todas as circunstâncias que nos estão a rodear.

 
AE - Segundo a vossa análise qual é a realidade da Pastoral Familiar em Portugal?

EI - Reforçar se calhar o papel da família na sociedade e na Igreja. Penso que a família poderá e deverá ser mais intervencionista e nós procuraremos dar o nosso contributo para transmitir essa mensagem e gostaria de relembrar o tema do encontro: “O amor é a nossa missão.” E procuraremos transmitir a todas as famílias que cá estão que esta é a missão das famílias, e que só com o amor é que de facto se cresce, evolui..

 

 
 

 


 

O Sínodo dos bispos sobre a Família

AE - Qual é a importância que o encontro de Filadelfia poder ter no contexto do Sínodo dos Bispos sobre a  Família, que começa logo no dia 4 de outubro, passado uma semana?

EI - É curioso como as datas quase coincidiram, é curioso analisar esta coincidência na fé da Divina Providência. Nós acreditamos que este Encontro Mundial das Famílias irá dar um voto de confiança ao Papa e aos bispos da Igreja para o Sínodo.

As famílias de todo o mundo vão ao encontro do Papa e vamos todas estar ao lado dele e dizer-lhe, como nosso pastor, que estamos aqui, que 

 

 

acreditamos nele, que queremos continuar a segui-lo. Portanto vai ser um voto de apoio e confiança ao Papa.

 

AE - Do que têm acompanhado, da assembleia extraordinário e do que foi comentado, quais os pontos que consideram mais sensíveis e quais os que devem ser debatidos, os prioritários?

RI - Não tenho tanto a preocupação de apontar uma lista curta dos assuntos que possam ser mais importantes. Consideramos que todos esses assuntos, uns obviamente podem ter mais impacto que outros, mas todos têm a ver com o estado da sociedade e da família atualmente e vemos isto de uma forma integrada.

 

 

 

 

Achamos particularmente este sínodo deve procurar dar todas as respostas. Ou seja, que ninguém fique sem resposta mas dar respostas novas não implica alterar a essência dessa resposta. Fundamental é que todas as pessoas gente depois do documento que há de sair se possa sentir acolhido daquilo que há de ser vertido nesse documento. Acima de tudo enquanto Igreja e seguindo Jesus Cristo temos de ser acolhimento para todos independentemente da sua condição. Em primeiro lugar acolher e Jesus foi exímio porque foi ter com os mais rejeitados, os mais desprovidos.

Não deixando de apontar os caminhos, nessa abordagem percebemos que de muitas partes pessoas que não partilham, não concordam ou não gostam da doutrina tentam muitas vezes influenciar e alterar a forma da Igreja. A própria legitimidade de quem não pertence, não segue, é questionável mas acima de tudo temos de ser muito coerentes com o que é a base da nossa fé.

Ter presente que se calhar há muitas pessoas à espera de respostas que vão ser completamente diferentes em termos de as vivências ou as práticas e nós temos dúvidas que assim seja.

 

Não sabemos o que vai resultar e estamos expectantes mas não temos essas perspetiva de que vai haver um conjunto de alterações radicais.

 

EI - Pensamos que vai ser como o Papa já nos tem mostrado uma abordagem muito mais próxima de todos independentemente de qualquer situação e acho que isso sim, é capaz de mudar.

 

RI - É um vinculo muito particular que este Papa tem dado, a cultura do encontro, para todas as situações novas que tem aparecido na sociedade, particularmente para os mais desprovidos, mais necessitados, irmos ao encontro porque enquanto cristãos católicos é essa a nossa primeira missão.

 

O Papa Francisco a família

AE - Qual a vossa opinião sobre o Papa em relação à família?

RI - Achamos que este Papa tem uma preocupação que, se calhar, pela forma simples e próxima como comunica tem chamado mais pessoas até ele. Sentimos que, com essa forma de comunicar, ele se tem feito próximo e ido ao encontro das 

 

 

 

realidades para a perceber e, no fundo, a Assembleia Extraordinária, no ano passado, foi nesse sentido. Vamos primeiro perceber melhor o que é que temos para depois trabalharmos de outra forma, com conhecimento mais profundo das coisas. Isso é fundamental para nós de uma forma geral, e os católicos em particular, não acharmos que está alguém em Roma e nos sínodos que decide sem olhar à realidade 

 

e aos pormenores mais pequenos do dia-a-dia.

E depois de encontrar repostas concretas para essas situações, atendendo à realidade de cada um na sua debilidade. Ou seja, não podemos permitir que a Igreja deixe de acolher esta ou aquela condição sem lhe darmos um caminho alternativo mas acima de tudo que se sintam acolhidos.

 

AE - Vão estar durante oito dias no EML. Como é que se prepara a logística para participar no encontro tendo quatro filhos?

Elsa Irédio - É difícil e de coração apertado porque vai ser a primeira vez desde que temos filhos que vamos estar estes dias todos sem eles.

Fiz duas listas com dicas e com afazeres porque os meus sogros vêm para cá. Temos quatro filhos, dos cinco aos 15 anos, não são autónomos, e deixamos várias dicas e avisos. Acima de tudo temos rezado muito com eles e estão muito alegres e felizes por irmos. Aliás foram eles os primeiros que incentivaram porque sabem que vamos trazer uma grande riqueza para nós e para os outros.

RI – Mas isto e só porque confiamos muito no Espirito Santo que sabemos que fica a cuidar deles.

 

 

Filadélfia em festa
com as famílias do mundo

A cidade norte-americana de Filadélfia acolhe até domingo o oitavo Encontro Mundial das Famílias (EMF), promovido pela Igreja Católica, iniciativa que vai ser encerrada pelo Papa Francisco. O programa oficial iniciou-se com um congresso temático que se prolonga até sexta-feira, seguindo-se dias de oração e encontro com Francisco, em volta do tema ‘O amor é a nossa missão: a família plenamente viva’.

Francisco enviou uma mensagem à cidade norte-americana de Filadélfia, antes da sua viagem: “Anseio cumprimentar os peregrinos e o povo de Filadélfia quando ali for para o Encontro Mundial das Famílias”. “Estarei lá porque vós estareis lá. Vemo-nos em Filadélfia”, acrescentou, em inglês.

O Papa vai presidir às cerimónias conclusivas do 8.º Encontro Mundial das Famílias, na noite de sábado e no domingo, perante uma multidão estimada em 1,5 milhões de pessoas.

Os dados foram avançados pelos responsáveis do Conselho Pontifício da Família (CPF), da Santa Sé, 

 

e da Arquidiocese de Filadélfia.

D. Vincenzo Paglia, presidente do CPF, disse que ninguém está “excluído” deste grande encontro de famílias, o qual acontece uma semana antes do início do Sínodo dos Bispos, sobre o tema ‘A Vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo’ (4-25 de outubro, no Vaticano).

Filadélfia, “cidade-pátria da independência americana”, vai ser a “capital da família”, não como “ideologia”, mas como “famílias” falando de si próprias, de forma “concreta”, sublinhou o arcebispo italiano.

No congresso prévio, com participação de 17 mil e 500 pessoas de mais de 100 países, incluindo Portugal - a maior de sempre -, foram apresentadas investigações que sublinham o papel central das famílias na sociedade, como o seu principal “recurso” e um “bem da humanidade”.

D. Charles Joseph Chaput, arcebispo de Filadélfia, assinalou que os conferencistas convidados incluíamm vários não católicos, como sinal 

 

 

 

 

de que a iniciativa está aberta “ao mundo”.

O responsável adiantou que o encontro mundial tem um orçamento de 45 milhões de dólares, que chegam através de donativos, para garantir a segurança dos participantes e a limpeza dos espaços, para além de oferecer bolsas a todas as dioceses do México e a cada conferência episcopal latino-americana, bem como às dioceses pobres dos Estados Unidos da América e Canadá.

Na noite de sábado, o Encontro Mundial das Famílias vai celebrar um “festival intercultural”, com a presença confirmada da 

 

 

norte-americana Aretha Franklin, do cantor colombiano Juanes e do tenor italiano Andrea Bocelli.

O Papa preside à Missa conclusiva do EMF 2015 no Benjamin Franklin Parkway, naquele que é o último ato público da décima viagem ao estrangeiro deste pontificado.

Simbolicamente, o Papa vai oferecer 200 mil cópias do Evangelho segundo São Lucas, assinadas por si, para as “famílias das periferias” de cinco “grandes cidades”, uma de cada continente: Havana (Cuba), Marselha (França), Hanói (Vietname), Sidney (Austrália) e Kinshasa (Quénia).

 

 

Família, Igreja doméstica

O Evangelho de João apresenta-nos, como primeiro acontecimento público de Jesus, as bodas de Caná, uma festa de família. Está lá com Maria, sua mãe, e alguns dos seus discípulos partilhando a festa familiar.

As bodas são momentos especiais na vida de muitos. Para os «mais veteranos», pais, avós, é uma ocasião para recolher o fruto da sementeira. Dá alegria à alma ver os filhos crescerem, conseguindo formar o seu lar. É a oportunidade de verificar, por um instante, que valeu a pena tudo aquilo por que se lutou. Acompanhar os filhos, apoiá-los, incentivá-los para que possam decidir-se a construir a sua vida, a formar a sua família, é um grande desafio para todos os pais. Os recém-casados, por sua vez, encontram-se na alegria. Todo um futuro que começa; tudo tem «sabor» a coisas novas, a esperança. Nas bodas, sempre se une o passado que herdámos e o futuro que nos espera. Sempre se abre a oportunidade de agradecer tudo o que nos permitiu chegar até ao dia de hoje com o mesmo amor que recebemos.

E Jesus começa a sua vida pública numa boda. Insere-Se nesta história de sementeiras e colheitas, 

 

de sonhos e buscas, de esforços e compromissos, de árduos trabalhos lavrando a terra para que dê o seu fruto. Jesus começa a sua vida no interior duma família, no seio dum lar. E é no seio dos nossos lares que Ele incessantemente continua a inserir-Se, e deles continua a fazer parte.

É interessante observar como Jesus Se manifesta também nos almoços, nos jantares. Comer com diferentes pessoas, visitar casas diferentes foi um lugar que Jesus privilegiou para dar a conhecer o projeto de Deus. Vai à casa dos seus amigos – Lázaro, Marta e Maria -, mas não é seletivo: não Lhe importa se são publicanos ou pecadores, como Zaqueu. E não era só Ele que agia assim; quando enviou os seus discípulos a anunciar a boa nova do Reino de Deus, disse-lhes: «Ficai na casa [que vos receber], comendo e bebendo do que lá houver» (Lc 10, 7). Bodas, visitas aos lares, jantares: algo de «especial» hão de ter estes momentos na vida das pessoas, para que Jesus prefira manifestar-Se aí.

 

Lembro-me que, na minha diocese anterior, muitas famílias me explicavam que o único momento que tinham para estar juntos era, 

 

 

 


normalmente, o jantar, à noite, quando se voltava do trabalho e as crianças terminavam os deveres da escola. Era um momento especial de vida familiar. Comentava-se o dia, aquilo que cada um fizera, arrumava-se a casa, guardava-se a roupa, organizavam-se as tarefas principais para os dias seguintes. São momentos em que uma pessoa chega também cansada, e pode acontecer uma ou outra discussão, um ou outro «litígio». Jesus escolhe estes momentos para nos mostrar o amor de Deus, Jesus escolhe estes espaços para entrar nas nossas casas e ajudar-nos a descobrir o Espírito vivo e actuante nas nossas realidades quotidianas. É em casa 

 

onde aprendemos a fraternidade, a solidariedade, o não ser prepotentes. É em casa onde aprendemos a receber e agradecer a vida como uma bênção, e aprendemos que cada um precisa dos outros para seguir em frente. É em casa onde experimentamos o perdão, e somos continuamente convidados a perdoar, a deixarmo-nos transformar. Em casa, não há lugar para «máscaras»: somos aquilo que somos e, duma forma ou doutra, somos convidados a procurar o melhor para os outros.

Por isso, a comunidade cristã designa as famílias pelo nome de igrejas domésticas, porque é no calor do lar onde a fé permeia cada canto, 

 

 

 

 

 

ilumina cada espaço, constrói comunidade; porque foi em momentos assim que as pessoas começaram a descobrir o amor concreto e operante de Deus.

 

Em muitas culturas, hoje em dia, vão desaparecendo estes espaços, vão desaparecendo estes momentos familiares; pouco a pouco, tudo leva a separar-se, a isolar-se; escasseiam os momentos em comum, para estar juntos, para estar em família. Assim não se sabe esperar, não se sabe pedir licença ou desculpa, nem dizer obrigado, porque a casa vai ficando vazia: vazia de relações, vazia de contactos, vazia de encontros. 

 

Recentemente, uma pessoa que trabalha comigo contava-me que a sua esposa e os filhos tinham ido de férias e ele ficara sozinho. No primeiro dia, a casa estava toda em silêncio, «em paz», nada estava fora do lugar. Ao terceiro dia, quando lhe perguntei como estava, disse-me: quero que regressem todos já. Sentia que não podia viver sem a sua esposa e os seus filhos.

Sem família, sem o calor do lar, a vida torna-se vazia; começam a faltar as redes que nos sustentam na adversidade, alimentam na vida quotidiana e motivam na luta pela prosperidade. A família salva-nos de dois fenómenos atuais: a 

 

 

fragmentação (a divisão) e a massificação. Em ambos os casos, as pessoas transformam-se em indivíduos isolados, fáceis de manipular e controlar. Sociedades divididas, quebradas, separadas ou altamente massificadas são consequência da rutura dos laços familiares, quando se perdem as relações que nos constituem como pessoa, que nos ensinam a ser pessoa.

 
A família é escola da humanidade, que ensina a pôr o coração aberto às necessidades dos outros, a estar atento à vida dos demais. Apesar de tantas dificuldades que afligem hoje as nossas famílias, não nos esqueçamos, por favor, disto: as famílias não são um problema, são sobretudo uma oportunidade; uma oportunidade que temos de cuidar, proteger, acompanhar.
 

 

 

Discute-se muito sobre o futuro, sobre o tipo de mundo que queremos deixar aos nossos filhos, que sociedade queremos para eles. Creio que uma das respostas possíveis se encontra pondo o olhar em vós: deixemos um mundo com famílias. É certo que não existe a família perfeita, não existem esposos perfeitos, pais perfeitos nem filhos perfeitos, mas isso não impede que sejam a resposta para o amanhã. Deus incentiva-nos ao amor, e o amor sempre se compromete com as pessoas 

 

que ama. Portanto, cuidemos das nossas famílias, verdadeiras escolas do amanhã. Cuidemos das nossas famílias, verdadeiros espaços de liberdade. Cuidemos das nossas famílias, verdadeiros centros de humanidade.

 

Não quero concluir sem fazer menção da Eucaristia. Tereis notado que Jesus, como espaço do seu memorial, quis utilizar uma ceia. Escolhe como espaço da sua presença entre nós um momento concreto da vida familiar; 

 

 

 

 

 

um momento vivido e compreensível a todos: a ceia.

A Eucaristia é a ceia da família de Jesus, que, de um extremo ao outro da terra, se reúne para escutar a sua Palavra e alimentar-se com o seu Corpo. Jesus é o Pão de Vida das nossas famílias, quer estar sempre presente, alimentando-nos com o seu amor, sustentando-nos com a sua fé, ajudando-nos a caminhar com a sua esperança, para que possamos, em todas as circunstâncias, experimentar que Ele é o verdadeiro Pão do Céu.

Daqui a alguns dias, participarei 

 

juntamente com famílias do mundo inteiro no Encontro Mundial das Famílias e, dentro de um mês, no Sínodo dos Bispos, cujo tema é a família. Convido-vos a rezar especialmente por estas duas intenções, para que saibamos todos juntos ajudar-nos a cuidar da família, para que saibamos cada vez mais descobrir o Emanuel, o Deus que vive no meio do seu povo fazendo das famílias a sua morada.

Papa Francisco,

Santiago de Cuba, 22 de setembro de 2015

 
 

 

Três Papas, sete cidades, três continentes

Os Encontros Mundiais das Famílias iniciaram-se na cidade de Roma, em 1994, repetindo-se a cada três anos com o objetivo de “celebrar o dom divino da família” e aprofundar a “compreensão da família cristã como Igreja doméstica e unidade básica de evangelização”.

Aquele que é hoje o maior encontro das famílias a nível mundial foi pensado em 1992 por São João Paulo II e veio a ser concretizado por ocasião do Ano Internacional da Família. As famílias do mundo inteiro são convidadas pelo Santo Padre para participar deste encontro global.

No congresso que inaugura os trabalhos, as famílias partilham pensamentos, diálogos e orações, trabalhando juntas para crescer como indivíduos e núcleos familiares. As famílias podem participar em grupos de discussão sobre o papel da família cristã na Igreja e na sociedade, liderados por muitos conferencistas.

Bento XVI prosseguiu esta tradição e o Papa Francisco celebra agora a sua primeira experiência do género.

 

Sedes anteriores do EMF

1994: Roma, Itália – São João Paulo II

"Família: Coração da civilização do amor”

 

 

1997: Rio de Janeiro, Brasil – São João Paulo II

“Família, dom e compromisso, esperança da Humanidade”

 

2000: Roma, Itália – Ano Santo Jubilar – São João Paulo II

“Os filhos, primavera da família e da sociedade”

 

2003: Manila, Filipinas – São João Paulo II (através de videoconferência)

“Família cristã: uma boa nova para o terceiro milénio”

 

 

 

 

2006: Valencia, Espanha – Bento XVI

“Transmissão da fé na família”

 

 

 

2009: Cidade do México, México – Bento XVI (através de videoconferência)

“A família, formadora dos valores humanos e cristãos”

2012: Milão, Itália – Bento XVI

“A Família – trabalho e festa”

 

2015: Filadélfia, Estados Unidos – Papa Francisco

“O amor é a nossa missão, a família plenamente viva”.

 

 

A Família gera o mundo
as catequeses do Papa

A Editora do Vaticano reuniu em livro o ciclo de catequeses do Papa sobre a família, iniciado em dezembro de 2014, como forma de preparação para o próximo Sínodo dos Bispos e o 8.º Encontro Mundial das Famílias.

Após a assembleia extraordinária do Sínodo dos Bispos, sobre a família, em 2014, Francisco proferiu 28 catequeses e uma oração dedicadas a este tema.

A obra ‘A Família gera o mundo’, publicada em inglês, espanhol e italiano, faz parte da coleção “Família e Vida” dirigida pelo padre Gianfranco Grieco, do Conselho Pontifício para a Família.

“Entre as duas assembleias sinodais sobre a família – de outubro de 2014 a este ano – Francisco ofereceu-nos um ciclo orgânico de catequeses sobre a família. O Conselho Pontifício considerou oportuno recolhê-las e apresentá-las ao público, oferecendo toda a sua profundidade pastoral e espiritual”, escreve no prefácio o arcebispo Vincenzo Paglia, presidente do dicastério.

Neste ciclo de catequeses, o Papa começou por Nazaré, pela família

 

 composta por Jesus, Maria e José, focando especialmente o papel desempenhado pelas mães, pais, irmãos, avós, crianças, homem e mulher, o matrimónio, as palavras “com licença, obrigado e desculpa”, a educação, o noivado, a pobreza, a doença, o luto, as feridas, a festa, o trabalho e a oração”.

Francisco criticou a “ideologia do género”, numa catequese dedicada à importância da diferença entre homem e mulher na definição da família e do matrimónio. “Questiono-me, por exemplo, se a chamada teoria do género não é também uma expressão de frustração e de resignação, que procura eliminar a diferença sexual porque não já sabe confrontar-se com ela”.

O Papa sublinhou noutra audiência a necessidade da Igreja Católica saber integrar os casais divorciados ou recasados. “Estes batizados, que estabeleceram uma nova relação depois da dissolução do seu matrimónio sacramental, precisam de um acolhimento fraterno e atento, no amor e na verdade, estas pessoas não foram excomungadas, e não podem 

 

 

 

 

ser tratadas como tal, elas fazem sempre parte da Igreja”.

O pontífice argentino disse que “a Igreja não ignora que a situação dos divorciados e recasados contradiz o sacramento do matrimónio, mas, por outro, o seu coração materno, animado pelo Espírito Santo, leva-a sempre a buscar o bem e a salvação de todas as pessoas”.

Já numa intervenção sobre a figura 

 

dos pais, Francisco alertou para as consequências de uma crise da paternidade nas famílias e na sociedade civil que leva a um “sentimento de orfandade”. “Os pais centraram-se de tal forma em si próprios e no seu trabalho, às vezes nas suas realizações individuais, que acabam por esquecer-se até da sua família e deixam sós as crianças e os jovens”.

 

Família e Legislativas

A Federação Portuguesa pela Vida enviou uma carta aberta aos 22 partidos que concorrem às eleições legislativas para que manifestem a sua posição sobre “a defesa da vida humana e a família, pontos fundamentais para a sociedade”.

Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a Federação Portuguesa pela Vida (FPV) considera que a resposta a seis perguntas sobre os “dois temas fundamentais” à sociedade portuguesa podem “ajudar os eleitores a ajuizar” o sentido do seu voto, em especial os que se reveem no ideário desta instituição.

“O valor da vida humana é independente do seu estádio de desenvolvimento ou das capacidades”, assinala a FPV que pretende respostas sobre a defesa da vida humana, nomeadamente em relação ao aborto; a procriação medicamente assistida e a eutanásia.

Sobre a família, a organização recorda que “não é apenas” uma realidade onde se gera vida mas o “local por excelência” onde o homem no seu estádio mais frágil “encontra apoio, sustento e proteção”.

Neste ponto a FPV questiona, por exemplo, a posição dos partidos em relação à ‘Lei n.º 134/2015 de apoio à

 

 maternidade, à paternidade e pelo direito a nascer’; sobre o quociente familiar e quais as “medidas concretas” de apoio à natalidade para “inverter a crise demográfica”.

“Sem família não há povo, trabalhadores, Estado Social, não há Portugal”, alerta ainda na carta aberta enviada aos 22 partidos que concorrem às eleições legislativas do dia 4 de outubro que vai eleger os deputados à Assembleia da República que determina a escolha do próximo Governo.

A Federação Portuguesa pela Vida “promove e defende” a maternidade, a vida e a família considera que os partidos têm o “dever cívico de informar o povo com transparência” e só, assim, “será possível” que “todos os portugueses votem em liberdade e consciência”.

 

 

 

 

Famílias com mais filhos são penalizadas

A presidente da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN) considerou, durante o evento «Family Land», que em Portugal, as famílias são “penalizadas” quando têm mais filhos. Para Rita Mendes Correia, a APFN pretende ajudar as famílias a serem “mais famílias” e “não serem penalizadas no IRS e no IMI”.

Durante dois dias (19 e 20), em Cascais, muitas famílias estiveram reunidas no «Family Land» onde passaram “bons momentos junto dos seus filhos e de outros amigos”, realçou a presidente da APFN.

Com atividades tanto para os pais como para os filhos, os participantes tiveram oportunidade de sair dos círculos mais fechados e viverem “momentos ao ar livre”, disse. “É importante que a APFN tenha muitos associados” porque “todos juntos temos uma força maior”, realçou Rita Mendes Correia.

Com a proximidade das eleições legislativas, a presidente da APFN sublinha que “algumas promessas foram cumpridas, pequenas coisas” mas que ajudam as famílias.

Atualmente, para que “possam 

 

 

 

nascer mais crianças” é fundamental que se criem “mais condições” e só assim a taxa de natalidade pode aumentar em Portugal, proferiu Rita Mendes Correia. “O país necessita que nasçam crianças”, finalizou a presidente da APFN.

A «Family Land» foi um evento para toda a família, promovido pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas com o apoio da Câmara Municipal de Cascais e foi concebida para receber toda a família.

Ao longo dos dois dias realizaram-se concertos, workshops, insufláveis, showcookings, lasertag, paintball, airsoft, ateliers de cozinha, concursos para pais e filhos e muitas outras atividades.

 

 

Padre Dâmaso Lambers,
uma vida de doação

O padre Hermano Nicolau Maria Lambers nasceu em 1930, na Holanda. Ordenado sacerdote em 1955, sonhava trabalhar na longínqua Polinésia, mas acabou por ser enviado para Portugal, onde chegou no início de 1957. Foi coadjutor numa paróquia de Lisboa, pregou em missões populares, lançou os Cursilhos de Cristandade, visitou prisões e fundou a associação «O Companheiro», de ajuda à inserção social de pessoas reclusas e ex-reclusas, além de colaborar com a Renascença há 

 

 

 

quase 40 anos. Este livro recorda, em primeira pessoa, as seis décadas de sacerdócio do padre Dâmaso, narrativa que é enriquecida por fotografias e testemunhos.

O livro vai ser apresentado no auditório da Renascença, em Lisboa, a 29 de setembro, às 18h30, com intervenções de Isabel Figueiredo, coordenadora de conteúdos da emissora católica, cón. João Aguiar, presidente do Grupo Renascença (que assina a introdução), e irmã Eliete Duarte, diretora da Paulinas Editora.

 

 

 

 
 
 

 

 
 
Há gente que precisa de Deus
Mais uma história. Alguém me telefonou para a Renascença. Convidou-me a visitá-lo. Era um homem, tinha tido uma educação católica e praticado a religião durante muitos anos. Mas depois, já com o curso de advogado, foi convidado a entrar numa certa empresa. Aceitou, porque nessa altura andava à procura de trabalho. Não vou contar tudo, mas a certa altura deixou de praticar o cristianismo por certos motivos que não eram religiosos...

Agora encontrava-se com 72 anos e canceroso. Estava com muitos problemas de consciência – ele abandonou Jesus conscientemente –, e por isso convidou-me a visitá-lo. Posso dizer que se reconciliou com Deus e que, apesar da sua doença, ainda reencontrou a felicidade de vida e se entregou a Deus «de alma e coração»! Foi desta maneira que faleceu, talvez quatro ou cinco meses após o seu reencontro com Deus! O seu morrer foi cheio de paz, também graças à Rádio Renascença, como me disse!

 

(Excerto divulgado pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura)

 

 

 

 

II Concílio do Vaticano: O odor do mar nas veias de D. Manuel Trindade Salgueiro

 

 

Quando se aproximava o início da IV sessão do II Concílio do Vaticano, faleceu D. Manuel Trindade Salgueiro, arcebispo de Évora, com 67 anos de idade. Este bispo, natural de Ílhavo, foi um dos participantes portugueses na assembleia magna convocada pelo Papa João XXIII e continuada por Paulo VI.

Este prelado, que nasceu 1898, fez os estudos no Liceu de Aveiro e no Seminário de Coimbra onde concluiu o curso teológico. Era também licenciado em Direito Canónico e doutorado em Teologia pela Universidade de Estrasburgo. Ficaram célebres as suas homilias dominicais na Sé Nova de Coimbra e na Igreja de São Domingos de Lisboa, das quais foi o 1º volume (1944), sob o tema «Mensagem Cristã».

Nas sessões conciliares, o arcebispo de Évora (1955-1965) teve três intervenções orais. Uma sobre «Mensagem a enviar ao mundo», outra sobre o segundo capítulo do esquema «De Sacra Liturgia» e, por fim, uma intervenção sobre o esquema «De Ecclesiae Unitate».

O bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade, conheceu bem o arcebispo de Évora e faz-nos uma bela descrição da personalidade deste homem de Ílhavo. Era alto, franzino e quase transparente. “Tenho nos ouvidos o timbre da sua voz, a que o gesto nervoso e amplo mais vivacidade emprestava”, relatou o bispo de Aveiro que faleceu em agosto de 2008.

“Parece-me sentir ainda a cadência dos seus passos, que o faziam adivinhar ao longe. A frase de Pascal, que ele tantas vezes citou na vida: «I'homme c'est un roseau...» o homem é uma cana, mas uma cana que pensa, quase que se lhe poderia aplicar à letra.

 

 

 

 

 

A encimar aquele “corpo débil, que uma aragem faria vergar, havia uma cabeça – uma bela e inconfundível cabeça. Ela era o espelho da sua personalidade”, escreveu D. Manuel de Almeida Trindade sobre o padre conciliar.

Quando esteve em Coimbra, D. Manuel Trindade Salgueiro publicou «Apontamentos de Oratória Sagrada» (1929) e também algumas orações fúnebres: D. Manuel Coelho da Silva; rainha D. Amélia; D. Marcelino Franco; Pio XII e João XXIII.

Num artigo publicado na «Um século de cultura católica em Portugal», 

 

Filipe Figueiredo escreveu que D. Manuel Trindade Salgueiro “era uma inteligência lúcida, uma pena brilhante, um orador que arrebatava e encantava, pelo estilo fulgurante e pela firmeza da doutrina”

“D. Manuel Trindade Salgueiro foi um homem de Ílhavo. Dizer que foi um homem de Ílhavo é dizer que foi um homem que trazia o mar no coração e nas veias. Se se encostasse o ouvido ao seu peito, talvez se ouvisse dentro dele, como acontece aos búzios, o murmúrio das ondas”, completou D. Manuel de Almeida Trindade.

 

 

setembro 2015 

Dia 25 Setembro

* Porto – UCP - A Escola das Artes e a Faculdade de Teologia, no Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa promove uma pós-graduação em Música Sacra para «desenvolver, qualificar e promover» a música da Igreja

 

* EUA - Nova Iorque - Visita e discurso do Papa Francisco à sede da ONU

 

* Porto – UCP - Início da pós-graduação em Música Sacra na Península Ibérica

* EUA -  A ONU hastea pela primeira vez a bandeira da Santa Sé

* Lisboa - Convento de São Domingos - Conferência sobre «Riqueza e pobreza: interpretações dos padres da Igreja» por frei José Manuel Fernandes, OP.

* Leiria - Aula magna do Seminário - Abertura das atividades do Centro de Cultura e Formação Cristã com sessão de apresentação da encíclica «Laudato Si» com D. António Marto e outros oradores.
 
* Fátima - Seminário do Verbo Divino - IV Jornadas Nacionais da Pastoral Juvenil com o tema «O Jovem (t)em saída?» (25 e 26)

* Fátima - Centro Pastoral Paulo VI - Jornadas Nacionais de Catequistas com tema «Educar na Misericórdia de Deus» (25 a 27)

Dia 26 Setembro
* Beja - Dia da Diocese de Beja

* Conselho Nacional da Pastoral Operária (LOC/MTC; MAC; JOC e religiosos e padres ligados ao movimento) para delinear o próximo ano.

* Lisboa – Estoril - Workshops dos Salesianos sobre «E-vangelizar»

* Bragança - Freixo de Espada à Cinta - Abertura do Ano Pastoral de 2015-16 da Diocese de Bragança-Miranda

* Santarém - Convento de São Francisco - Assembleia da Diocese de Santarém e apresentação (10:30) da Carta Pastoral «Caminhos de misericórdia seguindo o Bom Pastor»

 

 

 

* Guarda - Centro Apostólico - Jornada de apresentação do programa pastoral 2015-16 centrado nas orientações do II Concílio do Vaticano sobre a Liturgia

* Porto - Casa de Vilar - Encontro diocesano de casais novos

* Fátima - Peregrinação nacional do Rosário e da Família Dominicana (26 e 27)

* Lisboa - Venda do Pinheiro - Semana de atividades dedicada aos idosos promovida pela Santa Casa da Misericórdia da Venda do Pinheiro. (26 a 02 de outubro).

Dia 27 Setembro
Mensagem para o Dia Mundial do Turismo.

* Porto - Casa de Vilar - Encontro sobre o centenário de nascimento do padre Narciso Rodrigues

* Fátima - Casa das irmãs Doroteias - Encontro da Juventude Doroteia para o início das atividades de 2015-2016

* Guarda - Visita da imagem peregrina de Fátima na Diocese da Guarda (27 a 11 de outubro)

 
 
Dia 28 Setembro

Lisboa - Instituto de Serviço Social da Universidade Lusófona - Conferência/debate sobre «A banalização do mal» no Instituto de Serviço Social da Universidade Lusófona com a presença de D. Manuel Clemente.

 

* Lisboa - Torres Vedras (Casa de Espiritualidade do Turcifal) - Conselho de Congregação dos Missionários Scalabrinianos (membros da direcção geral e todos os superiores provinciais da congregação) (28 a 01 outubro)

Dia 29 Setembro
Lisboa - Reunião de vigários com a presença de D. Manuel Clemente e bispos auxiliares.

* Porto - UCP (Instituto de Bioética) - Conferência sobre «As células mães de todas as outras - Células Estaminais» integrada no ciclo «Conversas com ética».

* Lisboa - Auditório da Rádio Renascença - Apresentação da obra «Padre Dâmaso Lambers - Uma vida de doação» com intervenções de Isabel Figueiredo, coordenadora de conteúdos da RR, cónego João Aguiar, presidente do Grupo Renascença e irmã Eliete Duarte, diretora da Paulinas Editora.
 
 

 

 

 

 

 

25 de setembro

A bandeira oficial da Santa Sé vai ser hasteada pela primeira na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, pela visita do Papa Francisco, que vai ser o quarto pontífice a discursar na sede da organização, depois de Paulo VI (1965), João Paulo II (1979 e 1995) e Bento XVI (2008).

 

Entre 25 e 27 de setembro

Jornadas Nacionais de Catequistas com o tema  «Educar na Misericórdia de Deus», inseridas na Semana Nacional da Educação Cristã, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima.

 

De 26 a 02 de outubro

A Santa Casa da Misericórdia da Venda do Pinheiro, Lisboa, promove uma semana de atividades dedicada aos idosos, com teliês de pintura, música e culinária, uma sessão de yoga do riso, entre outras atividades, no contexto do Dia Internacional do Idoso.

 

27 de setembro

O Papa Francisco encerra a 10.ª visita pastoral a Cuba e aos Estados Unidos da América no Encontro Mundial das Famílias, que tem como tema «O amor é a nossa missão: a Família plenamente viva!», na cidade norte-americana de Filadelfia.

 

29 de setembro

«Da memória à gratidão», a Diocese do Porto celebra os bispos, presbíteros e diáconos que serviram esta Igreja com uma Eucaristia na Sé Catedral, a partir das 19h00.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Programação religiosa nos media

Antena 1, 8h00

RTP1, 10h00

Transmissão da missa dominical

 

11h00 - Transmissão missa

 

12h15 - Oitavo Dia

 

Domingo: 10h00 - O Dia do Senhor; 11h00 - Eucaristia; 23h30 - Ventos e Marés; segunda a sexta-feira: 6h57 - Sementes de reflexão; 7h55 - Oração da Manhã;  12h00 - Angelus; 18h30 - Terço; 23h57-Meditando; sábado: 23h30 - Terra Prometida.

 
RTP2, 11h30

Domingos, 27 de setembro -

Legislativas 2015 

 

 

RTP2, 15h30

Segunda-feira, dia 28 - Entrevista a Rui Marques sobre a plataforma de Apoio aos Refugiados

 

Terça-feira, dia 29 -Informaçao e entrevista a Juan Ambrosio sobre curso de Voluntariado e Saude

 

Quarta-feira, dia 30 - Informação e entrevista ao Eugenio Fonseca sobre projetos da Caritas de apoio aos Refugiados

 

Quinta-feira, dia 01 - Informação e entrevista  sobre o dia Mundial do Idoso

 

Sex-feira, dia 02 -  Análise às leituras bíblicas das missas de domingo com frei José Nunes e Juan Ambrosio

 

Antena 1

Domingo, dia 27 de setembro - 06h00 - Neste programa Ecclesia antecipamos o Encontro Mundial das Famílias com a família Irédio que irá participar 

 

Segunda a sexta-feira, 28 setembro a 02 de outubro  - 22h45 -  Ecos da Visita Ad Limina com os bispos: D. Pio Alves; D. António Marto; D. José Cordeiro; D. Manuel Martins; D. Manuel Quintas.

 

  

 

 

     

 

 

 

 

 

 

Ano B - 26.º Domingo do tempo Comum

 
 
 
 
 
 
 
Amar, sem muros nem barreiras
 

No Evangelho deste 26.º Domingo do Tempo Comum temos uma instrução através da qual Jesus procura ajudar os discípulos a situarem-se na órbita do Reino. Convida-os a constituírem uma comunidade que, sem arrogância, sem ciúmes, sem presunção de posse exclusiva do bem e da verdade, procura acolher, apoiar e estimular todos aqueles que agem em favor da libertação dos irmãos; convida-os também a não excluírem da dinâmica comunitária os pequenos e os pobres; convida-os ainda a arrancarem da própria vida todos os sentimentos e atitudes que são incompatíveis com a opção pelo Reino.

Quando Jesus chama, pede para deixar tudo para O seguir. Quando Jesus fala do Reino, anuncia um mundo totalmente novo. Quando Jesus pede para amar, propõe um regresso radical. Mas será necessário tempo aos seus discípulos para compreender tudo isso, e sobretudo para vivê-lo. Eles conhecerão hesitações, procurarão compromissos, porão condições.

Para Jesus, nada deve ser obstáculo à entrada no Reino de Deus. Jesus coloca a pessoa face à sua liberdade de escolher. Se opta pelo Reino, deve aceitar as suas exigências, que se resumem na essencial atitude de amar; amar com todo o seu ser, mãos para partilhar, pés para reencontrar, olhos para olhar. Cabe à pessoa fazer com que todo o seu ser responda à sua vontade de amar.

Diz o discípulo João no Evangelho: «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco». João quer delimitar as fronteiras do grupo dos discípulos, pôr em ordem, classificar os bons de um lado, os maus de outro, separar aqueles que estão em regra daqueles que estão à margem.

 

 

 

Esta tentação de erguer muros e barreiras entre os homens em nome de Deus é uma tentação mortal contra o amor. É a tentação de todos aqueles que pretendem agir em nome de Deus, que se declaram, eles e apenas eles, detentores da Verdade e reivindicam serem eles os únicos verdadeiros fiéis de Deus. Todos os outros, que não pensam, que não agem como eles devem ser rejeitados, condenados.

Essa tentação gera fanatismo, bem concreta no nosso mundo e também na história, antiga e atual, de praticamente todas as religiões. Mas Jesus conduz-nos para além disso. Sem dúvida diz Ele: «Eu sou a Verdade», mas não reivindica 

 

qualquer poder. Recusa entrar no jogo de João: «Não impeçais este homem de expulsar os demónios em meu nome». Jesus veio para reunir na unidade os filhos de Deus dispersos e, como diz São Paulo, para destruir a barreira que separava os judeus e os pagãos, para fazer a paz e reconciliar no amor todos os homens com Deus e entre eles.

Neste quase início de outubro, mês do Rosário, peçamos a Maria, humilde serva do Senhor, que nos ensine a humildade, o serviço, a disponibilidade, o amor.

 

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.pt

 

Franciscanos têm novo Santo

O Papa canonizou esta quarta-feira nos Estados Unidos da América (EUA) o Beato Junípero Serra (1713-1784), franciscano que evangelizou a Califórnia, durante a sua viagem aos Estados Unidos da América. “E hoje recordamos uma daquelas testemunhas que souberam testemunhar nestas terras a alegria do Evangelho: padre Junípero Serra. Soube viver aquilo que é ‘a Igreja em saída’, esta Igreja que sabe sair e ir pelas estradas, para partilhar a ternura reconciliadora de Deus”, disse, na homilia da celebração que decorreu no Santuário nacional de Washington, dedicado à Imaculada Conceição.

“Junípero procurou defender a dignidade da comunidade nativa, protegendo-a de todos aqueles que abusaram dela; abusos que hoje continuam a encher-nos de pesar, especialmente pela dor que provocam na vida de tantas pessoas”, acrescentou.

A decisão tinha sido anunciada pelo próprio Papa em janeiro, durante a viagem que o levou do Sri Lanka às Filipinas, ao falar das canonizações ‘equipolentes’, um processo em que o Papa reconhece a santidade sem

 

a necessidade de um milagre após a beatificação, como aconteceu com São José Vaz (1651-1711), missionário no Sri Lanka que nasceu em Goa, então território português.

A canonização, maioritariamente celebrada em espanhol, reuniu cerca de 40 mil pessoas ao ar livre, diante da Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, maior templo católico dos EUA, no nordeste da capital norte-americana e longe dos símbolos políticos como a Casa Branca e o Congresso.

O Papa sublinhou que São Junípero Serra “soube deixar a sua terra, os seus costumes, teve a coragem de abrir sendas, soube ir ao encontro de muitos aprendendo a respeitar os seus costumes e as suas características”. Simbolicamente, no final da Missa, Francisco quis cumprimentar representantes das comunidades nativas da Califórnia, cujas línguas foram utilizadas nas orações da Missa.

Junípero Serra nasceu em Maiorca, em 1713, tendo sido ordenado padre em 1737; cerca de dez anos depois, ofereceu-se para ser missionário, tendo começado a trabalhar no continente americano na Sierra Gorda, México, junto dos indígenas Pame.

 

 

 

 

Desde 1769 até 1784, ano da sua morte, Junípero Serra foi presidente das missões franciscanas desta região, com ação junto de diversos grupos de indígenas -  Kumeyaay, Ohlone, Salinan, Tongva, Acjachemen e Chumash.

O novo santo aprendeu a língua Pame e traduziu neste idioma as orações e os preceitos cristãos, difundindo também a devoção pela Imaculada; de 1767 a 1784, percorreu só na Califórnia cerca de dez mil quilómetros a pé.

 
A biografia divulgada pelo Missal oficial da viagem do Papa recorda que o futuro santo entrou em confronto frequentemente com as autoridades militares “sobre a melhor maneira de tratar os indígenas”.

O texto admite que muitos indígenas “morreram nas missões, muitas vezes por causa das doenças introduzidas pela incursão espanhola na área”.

O religioso foi beatificado pelo Papa João Paulo II a 25 de setembro de 1988.

 

 

Francisco recomenda «pobreza e misericórdia» aos religiosos

 

O Papa disse em Havana que Deus quer uma Igreja “pobre”, convidando os padre e religiosos de Cuba a viver na “pobreza e misericórdia, porque aí está Jesus”. “Amem a pobreza como uma mãe”, recomendou, numa intervenção improvisada durante a celebração de Vésperas, com membros do clero, institutos religiosos e leigos cubanos, Catedral da Imaculada Conceição e São Cristóvão.

No início do encontro de oração, o cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, falou de uma “Igreja pobre” e, simbolicamente, um grupo de pobres ajudados pela comunidade católica de Santo Egídio estava à porta da Sé, para receber o Papa.

Francisco deixou depois de lado a homilia que tinha preparado e apresentou uma reflexão sobre a palavra “pobreza”, que apresentou como “muito incómoda” por ir contra a corrente “cultural” do mundo contemporâneo. “O espírito mundano não a conhece, não a quer, esconde-a, não por pudor, mas por desprezo”, advertiu.

 
O Papa recordou que, nos Evangelhos, o seguimento de Jesus implica “deixar tudo” e brincou com o que chamou de “ecónomos desastrosos”, apresentando-os como uma “bênção de Deus” para a Igreja, porque a fazem pobre e “livre”.

Francisco comentou depois o testemunho de uma jovem religiosa que trabalha junto de pessoas com deficiência. “Quando alguém procura, na preferência interior, o mais pequeno, o mais abandonado, o mais doente, aquele que ninguém tem em conta, que ninguém quer”, está a “servir Jesus de forma superlativa”, defendeu.

Neste sentido, criticou a prática dos abortos seletivos e elogiou os religiosos e religiosas que “queimam” a sua vida ao serviço dos que o mundo “descarta”. Em particular, o Papa sublinhou o valor do trabalho em favor das pessoas com deficiência, dos que muitos consideram “inúteis”, com os quais não se pode “fazer dinheiro”.

“Obrigado a todos os consagrados e consagradas que fazem isto”, disse.

O pontífice argentino citou Santo 

 

 

 

 

 

Ambrósio e disse que “onde há misericórdia, está o espírito de Jesus; onde há rigidez, estão apenas os seus ministros”.

A intervenção escrita por Francisco referia, por sua vez, as “discussões” 

 

na Igreja são “necessárias” para a sua vida. O texto recordava os “sacrifícios” que os religiosos cubanos têm feito, realçando que “para alguns, os sacrifícios têm sido duros há décadas”.

 
 
 

 

Iraque: Missionário argentino
descreve “sofrimento” dos cristãos

Perder tudo menos a fé

Bagdade é uma cidade sitiada. Os cristãos têm medo mas não renegam a sua fé. São exemplo para todos nós. Do Iraque chega-nos o testemunho de um padre argentino, Luís Montes, que nos interpela directamente a fazermos alguma coisa por estes irmãos na fé. A começar pela oração.

 

Luís Montes, é argentino e sacerdote do Verbo Encarnado. São sete irmãos, um já faleceu. Três são sacerdotes e um outro é leigo consagrado. O pai morreu há 8 anos e a mãe, viúva, decidiu então que era tempo de, também ela, seguir a vida religiosa de forma mais radical. Aos 82 anos tomou o hábito e agora passa os dias num lar. Voltemos a ele. Luís Montes está em Bagdade há cinco anos. Foi acolhido ainda com o cheiro da pólvora, com as pessoas assustadas, a ouvir a palavra “medo” em todas as conversas. Chegou ao Iraque em 2010, em Dezembro. Poucas semanas antes,  um grupo armado jihadista entrou na catedral de Bagdade e fez reféns todos os que ali se 

 

encontravam. Meia centena de pessoas perderam a vida e muitos ficaram feridos. Dois dias depois, novos atentados. Mais umas dezenas de mortos. Já havia, nesses dias, uma tempestade no ar. Os cristãos eram já uma comunidade em fuga, que carregavam nas malas o medo de serem um dos alvos dos extremistas. Bagdade é hoje uma cidade sitiada. Não há dia em que não rebentem bombas… Não há dia que passe sem que alguma rua fique manchada de sangue, cravada de balas, cemitério de gente. É uma cidade sitiada que se prepara para a guerra total. Os cristãos sabem disso.

 

Guerra aberta

Conta-nos o padre Montes: “Para os Cristãos a vida é particularmente difícil, porque são apanhados no meio destes problemas  que existem entre os xiitas e os sunitas. Há muita injustiça”. Em conversa com a Fundação AIS, este missionário esclarece que “a zona tomada pelo 

 

 

 

 

 

‘Estado Islâmico’, que ainda não é Bagdade, ainda está pior. Mossul e os arredores estão um autêntico desastre”. O medo está ao rubro mas os Cristãos do Iraque têm dado tremendos exemplos de fé. “Há muitos mártires, muitas pessoas que disseram: ‘não vou deixar de ser cristão, mate-me!’. E depois há quem tenha abandonado tudo, mesmo tudo, para poderem continuar a ser Cristãos. Para nós, eles são um exemplo muito edificante” - diz o padre Montes. Quando questionado sobre o que nós, portugueses, podemos fazer pelos cristãos iraquianos, a sua resposta é quase 

 

instintiva. “Em primeiro lugar, peço a oração. São precisas mais pessoas que rezem pelos Cristãos perseguidos, pois estão a passar por sofrimentos indescritíveis. Em segundo lugar, divulguem o que se está a passar. Em terceiro lugar, enviem um donativo que ajudará directamente os refugiados.” Por fim, o padre Luís Montes pede-nos para vivermos mais activamente a caridade. “Se vivermos mais a caridade, seremos construtores da paz. E essa força é irresistível.” Certo?

 Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | www.fundacao-ais.pt

 

 

Refugiados, nossos irmãos

  Tony Neves   
  Espiritano   

 
 

A violência arrasadora na Síria, no Iraque e noutros países em convulsão gerou uma onda de deslocados e refugiados que há muito a história não registava. E com a vantagem (às vezes convertida em desvantagem) de estarmos numa época altamente mediatizada. Assim, entram-nos pelos olhos dentro estas filas intermináveis de gente a fugir das guerras e a querer entrar, a qualquer preço, em espaços territoriais que ofereçam vida e segurança. Em resumo, há muita gente desesperada á procura de um futuro que parecem não encontrar nas suas terras natais.

Diante de drama tão horrendo, que vamos fazer? O Papa Francisco já lançou um grito de alerta ao mundo, a pedir braços e corações abertos para acolher, pois estamos diante de irmãos com a cabeça a prémio.

A Europa decidiu abrir as portas, sem as escancarar. Todos os dias há mais gente a pronunciar-se, uns a favor e outros contra o acolhimento. Em Portugal surgiu a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) que integra muitas instituições. Parece claro para o mundo que estes irmãos não estão a querer invadir-nos, mas apenas a fugir da perseguição e da morte. E mais não nos resta que apoiar, pondo em prática os valores da fraternidade e da solidariedade sem fronteiras.

As Jornadas Missionárias Nacionais, realizadas em Fátima, contaram com o testemunho emocionante do Padre Paul Karran, presidente da Caritas do Líbano. Explicou às três centenas de participantes que o Líbano, país pequeno e pobre, com

 

 

 

 

 

Luso Fonias

 

 

 fronteiras para o Iraque e a Síria, acolheu mais de oito milhões de refugiados! E nós que na Europa estamos aflitos com a possibilidade de acolher apenas alguns milhares, espalhados por um imenso continente!

A história mostra que ninguém consegue parar fluxos migratórios quando as circunstâncias o exigem. Poderemos construir muros e reforçar a vigilância de fronteiras. Mas perante o horror da morte e o desespero da 

 

perseguição ninguém tem força para parar um povo em fuga… E da parte de quem se sente ‘invadido’ há apenas uma resposta humana: acolher e ajudar.

Estes momentos abrem aos países mais ricos e estáveis a possibilidade de se mostrarem humanos. A Europa não pode perder esta oportunidade de salvar vidas. Esta é uma Missão com o tamanho do infinito.

 

 

“Pode ouvir o programa Luso Fonias na rádio SIM, sábados às 14h00, ou em www.fecongd.org. O programa Luso Fonias é produzido pela FEC – Fundação Fé e Cooperação, ONGD da Conferência Episcopal Portuguesa.”

 

 

 

“A Igreja sem fronteiras, mãe de todos, propaga no mundo a cultura do acolhimento e da solidariedade, segundo a qual ninguém deve ser considerado inútil, intruso ou descartável”

 

Mensagem do Papa Francisco,

Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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