04 - Editorial

       Paulo Rocha

06 - Foto da semana

07 - Citações

08 - Nacional

14 - Internacional

20 - Semana de...
       Henrique Matos

         Pedrógão Grande


 

 

70 - Multimédia

72 - Estante

74 - Vaticano II

76- Agenda

78- Por estes dias

80 - Programação Religiosa

81 - Minuto Positivo

82 - Liturgia

84 - Fátima 2017

88 - Fundação AIS

90 - LusoFonias

Foto de capa: Lusa

Foto da contracapa:  DR

 

 

AGÊNCIA ECCLESIA 
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Opinião

 

 

 

Pedrógão Grande, dor e solidariedade

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D. António Barroso declarado venerável

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I Congresso Eucarístico em Angola

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Paulo Rocha| Pedro Jerónimo | Henrique Matos | Manuel Barbosa | Paulo Aido | Tony Neves | Fernando Cassola Marques

 

Cinco decisões 
para acabar com os incêndios

  Paulo Rocha    

  Agência ECCLESIA   

 
 

 

A tragédia que aconteceu em Portugal nos últimos dias, sobretudo nas primeiras horas de um incêndio que ceifou mais de seis dezenas de vidas, deixou na fragilidade centenas de pessoas e queimou projetos e sonhos de lugares e populações inteiras, é uma ocasião para reler um texto com pouco mais de uma página. Tem por título “Cuidar da casa comum da criação - prevenir e evitaros incêndios” e foi publicado no final de abril último. Autor: Conferência Episcopal Portuguesa.

De relevar, desde logo, o facto de ter sido discutido durante o outono e o inverno últimos, quando os dias frios e chuvosos mais levavam a considerações sobre lareiras do que labaredas e diante das interrogações, que subscrevi, por, mês após mês, os relatórios do trabalho do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa insistir na reflexão sobre a prevenção dos incêndios num tempo que não constituíam qualquer ameaça.

O documento em causa tem depois a lucidez de, em cinco pontos, dizer tudo sobre os incêndios, a prevenção e o combate. Não por ser um manual de uma corporação de bombeiros ou qualquer outro organismo de proteção civil, mas por incluir as indicações essenciais que levam a uma mudança de culturas e comportamentos, as únicas vias para contrariar um “flagelo com proporções quase incontroláveis”, rejeitando “vãs lamentações” e assumindo a urgência de “mudarmos realmente de mentalidade e de hábitos sociais”.

 

 

 

 

 

 

 

As cinco decisões :

 

1. Apurar as causas de “comportamentos criminosos” que estão na origem de muitos incêndios, “detetar e combater interesses” associados e punir os “responsáveis, diretos ou indiretos, por tais crimes”;

 

2. Respeitar e seguir as “medidas de prevenção, nomeadamente de limpeza das matas e de ordenamento territorial”, apoiando os proprietários nos casos em que “os terrenos lhes proporcionam rendimentos escassos” e desafiando o Estado a “dar o exemplo”;

 

3. Valorizar, promover e alargar o sentido do bem comum, traduzido no compromisso ativo de muitos cidadãos “quer na prevenção quer no combate aos incêndios”, “destacando-se os bombeiros pelo profissionalismo e o modo abnegado e desinteressado com que o fazem”, e nas “manifestações de humanismo e solidariedade” que sempre surgem;

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4. Olhar a natureza “não como uma simples fonte de utilidade e rendimento económico” e “sujeita a explorações”, mas “respeitá-la e

valorizá-la, na sua bondade, harmonia e equilíbrio, como um dom que recebemos e um legado que devemos esforçar-nos por transmitir às gerações futuras”;

 

5. Mobilizar “toda a sociedade” para a “mudança de mentalidades e hábitos sociais”, “tão necessária para a prevenção e o combate aos incêndios”: o Estado, a “Igreja e todas as outras confissões religiosas”, as autarquias, as escolas, a comunicação social e “as mais variadas associações.

Cinco. Cabem numa mão as normas para prevenir e combater os incêndios.

 

Vamos a isso!

Em todas as estações do Ano!

 

 


Paulo Rocha

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pela ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, pelo presidente da Câmara Municipal de Castanheiro de Pêra, Fernando Lopes, pelo presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, pelo ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, e por outras individualidades prestam um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do incêndio de sábado, em frente à Câmara Municipal de Pedrógão Grande

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa agradeceu as mensagens de condolências enviadas pelos Chefes de Estado e de Instituições Internacionais que, num momento tão difícil para o País, quiseram deixar palavras de conforto e amizade para com o povo português

Presidência da República, Lisboa, 21.06.2017

 

Todos os mecanismos de apoio do Ministério do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social (MTSSS), do Ministério do Planeamento, do Ministério da Agricultura e ainda o Fundo de Emergência Municipal estão ativados e disponíveis

António Costa, primeiro-ministro, Lisboa, 22.06.2017

 

As explicações são ainda incompletas e vai ser importante que todas as explicações sejam mesmo dadas. E todas significa que é preciso que uma instância que seja constituída por peritos, técnicos com independência sobre a administração possam elencar todas as questões que são relevantes

Pedro Passos Coelho, líder do PSD, Bruxelas, 22.06.2017

 

O Ministério Público (MP) esteve presente, no teatro das operações, desde o início na perspetiva de exercer com rapidez as suas competências. Todos os elementos da Polícia Judiciária, Instituto de Medicina Legal e demais instituições presentes tinham contacto, direto, com os magistrados do MP que estiveram, aliás, desde domingo e segunda-feira, não só contactáveis como mesmo presentes em alguns desses sítios

Joana Marques Vidal, procuradora-geral da República (PGR), Viana do Castelo, 22.06.2017

 

D. António Barroso mais perto da beatificação

 

O bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, saudou o reconhecimento das “virtudes heroicas” de D. António Barroso, antigo bispo da diocese e missionário, que fica assim mais perto da beatificação. “Com esta decisão do Papa Francisco, o processo de canonização de D. António Barroso 

 

 

recebe agora novo e determinante incentivo”, escreve o prelado, numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

O Papa Francisco aprovou este sábado a publicação do decreto que reconhece as “Virtudes heroicas” de D. António José de Sousa Barroso (1854-1918), missionário e bispo do Porto

 

 

 

de 1899 a 1918.

D. António Francisco dos Santos explica que, assim, a “Igreja reconhece deste modo oficialmente as Virtudes e o exemplo de vida de ministério e de missão de D. António Barroso”.

O novo venerável nasceu em Remelhe, Barcelos, a 5 de novembro de 1854; estudou no Seminário das Missões Ultramarinas, em Cernache do Bonjardim e foi ordenado sacerdote em 20 de setembro de 1879. “Partiu no ano seguinte para Angola onde foi missionário desde 1880 a 1891. Nomeado neste ano Bispo-Prelado de Moçambique, aí permaneceu até 1897; nesse ano, obedecendo a novo mandato da Igreja, parte para o Oriente, como Bispo de Meliapor. A 21 de fevereiro de 1899 foi nomeado Bispo do Porto, tendo entrado na nossa Diocese em agosto desse mesmo ano”, recorda D. António Francisco dos Santos.

O bispo do Porto evoca esta figura da Igreja Católica como “um místico de olhos abertos para a realidade”. “D. António Barroso soube conjugar sempre a bondade e a coragem, a simplicidade de vida e a ousadia missionária, a proximidade com os 

 

sacerdotes e com as comunidades cristãs e a voz profética junto da sociedade civil”, escreve.

O prelado destacou-se como missionário, ficando célebre pela forma como lutou contra a perseguição feita à Igreja Católica por Afonso Costa, na sequência da implantação da República Portuguesa. “Devemos-lhe muito do que hoje somos no Porto”, refere o atual bispo da diocese.

A causa de canonização de D. António Barroso começou, por decreto de D. Júlio Tavares Rebimbas, a 31 de julho de 1992 e foi concluído na fase diocesana em março de 2015, decorrendo agora na Congregação da Causa dos Santos em Roma.

“O centenário da morte de D. António Barroso, que vemos celebrar no próximo ano, tem agora novo horizonte e acrescido significado”, conclui o bispo do Porto, que estende as suas felicitações à Sociedade Missionária da Boa Nova e às Igrejas de Braga, Angola, Moçambique, Meliapor e Aveiro, onde D. António Barroso foi sacerdote e bispo. 

 

 

Diocese da Guarda
debate reorganização pastoral

O bispo da Guarda vai nomear uma “comissão multidisciplinar” para elaborar uma proposta de reorganização pastoral, a partir das 89 proposições aprovadas nas três sessões da assembleia diocesana. No documento conclusivo da terceira sessão da Assembleia Diocesana enviado à Agência ECCLESIA, D. Manuel Felício informa que a “Comissão diocesana multidisciplinar, integrando clérigos, religiosos e leigos” vai ter o mandato para apresentar uma reorganização pastoral da Diocese “sem prazo limite para concluir” o trabalho.

A diocese já não vai terminar, “como é habitual”, o atual ano pastoral no final de julho, mas vai prolongá-lo até outubro e na peregrinação ao Santuário de Fátima, nos dias 23 e 24 de agosto, vão apresentar “as 87 proposições aprovadas” pedindo “especial bênção” para a sua aplicação.

Na sessão realizada este sábado, o bispo da Guarda convidou os delegados da assembleia diocesana para uma 4.ª sessão a 5 de outubro, onde se vão “refletir critérios de aplicação” das proposições, “incluindo o estabelecimento  

 

de prioridades”.

“Esperamos que haja já algum contributo da comissão mandatada para pensar a reorganização pastoral da Diocese”, acrescenta a nota.

Ao Secretariado Diocesano da Coordenação Pastoral é confiado “o encargo de pensar a melhor” maneira de apresentar as proposições e programar o ano pastoral 2017-18.

Já este domingo, o bispo da Guarda presidiu à ordenação sacerdotal do diácono Bruno António. “Consideramos este acontecimento e a celebração em que estamos a participar um verdadeiro presente de Deus e a garantia de que Ele está sempre connosco, apontando-nos os caminhos que devemos seguir para darmos cumprimento, nos tempos de hoje ao mandato missionário recebido do próprio Cristo”, afirmou.

 

 

 

Articular sinergias nos media,
cultura e património

O novo presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais afirmou que é preciso “articular sinergias” e “formas de atuação” que ofereçam uma “visão harmoniosa e atual” da ação da Igreja nestes diversos campos. “Temos de alguma maneira estudar os problemas e implicar toda a Igreja se torne protagonista das respostas a dar às diversas problemáticas que vão aparecendo”, disse D. João Lavrador à Agência ECCLESIA.

Segundo o responsável, a área dos media “é talvez” o setor “onde se colocam mais problemáticas” devido à realidade atual da Comunicação Social em termos gerais. “Já não estamos só perante meios”, desenvolve.

Quanto à relação da Igreja Católica com o setor da Cultura, “um campo vastíssimo”, aponta-se a necessidade de fazer escolhas, dando como exemplo a história do Prémio Árvore da Vida- Padre Manuel Antunes que “manifesta” a atenção “às diversas áreas”. Na área dos Bens Culturais, o presidente da respetiva comissão episcopal destaca que “têm estado a fazer um trabalho muito interessante” e realça a “expressão da beleza e o 

 

trabalho” na revista Invenire que “já tomou cidadania no meio de outras revistas”.

D. João Lavrador, bispo de Angra, preside a uma comissão episcopal que tem como vogais com D. Nuno Brás (bispo auxiliar de Lisboa), D. Pio Alves (bispo auxiliar do Porto) e D. Amândio Tomás (bispo de Vila Real).

Como secretário da comissão continua Paulo Rocha, diretor da Agência ECCLESIA e cada uma das áreas tem um secretariado próprio com diretores cujo “trabalho meritório” foi “aprovado”. Na Pastoral da Cultura é responsável o professor universitário José Carlos Seabra Pereira; nas Comunicações Sociais o diretor é o padre Américo Aguiar; Sandra Costa Saldanha é a diretora do Secretariado Nacional dos Bens Culturais.

 

 

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial portuguesa nos últimos dias, sempre atualizados em www.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Incêndios: Papa mostrou consternação ao embaixador português junto da Santa Sé

 

 

 

Novo impulso ao acolhimento de refugiados 

 

 

Devolver a palavra aos pobres

 

O Papa afirmou que é preciso “devolver a palavra” e respeitar a dignidade dos mais pobres, numa visita à localidade italiana de Barbiana, onde homenageou o padre Lorenzo Milani (1923-1967). “É preciso devolver a palavra aos pobres, porque sem a palavra não há dignidade e, portanto, não há liberdade nem justiça”, defendeu Francisco.

O Papa esteve esta terça-feira no 

 

 

norte da Itália, para uma homenagem pessoal a dois sacerdotes católicos do século XX, Primo Mazzolari (1890-1959) e, mais tarde, o padre Lorenzo Milani, por ocasião do 50º aniversário da sua morte.

Na sua última intervenção, Francisco sublinhou que a palavra que “pode abrir caminho para a plena cidadania na sociedade, através do trabalho, e para a plena pertença à Igreja, com uma fé consciente”. “No nosso

 

 

 

 tempo, só a possibilidade de ter a palavra pode permitir o discernimento de tantas e, muitas vezes, confusas mensagens que chovem agora”, prosseguiu.

O Papa apelou a uma “plena humanização” para cada pessoa nesta terra, defendendo o direito “ao pão, à casa, ao trabalho, à família” e à “possa da palavra, como instrumento de liberdade e de fraternidade”.

Na praça junto à igreja paroquial, o Papa dirigiu-se aos presentes para pedir amor pela Igreja e atenção aos “mais pobres e frágeis, seja na vida social como na vida pessoal e religiosa”.

A intervenção evocou o padre Lorenzo Milani como um sacerdote que “testemunhou como no dom de si 

 

a Cristo se encontram os irmãos nas suas necessidades”.

A visita contou com a presença de antigos discípulos e alunos do sacerdote florentino, que o Papa citou: "Aprendi que os problemas dos outros são iguais aos meus. Sair deles juntos é política. Sair sozinho deles é mesquinhez".

Antes, o Papa prestou homenagem ao padre Primo Mazzolari (1890-1959), no norte da Itália, elogiando um sacerdote “incómodo” que foi capaz de ir ao encontro dos pobres e dos mais distantes. Francisco deslocou-se à localidade de Bozzolo, numa iniciativa pessoal, e rezou junto ao túmulo do sacerdote, depositando ali um ramo de flores, na igreja paroquial de São Pedro.

 

 

 

Vitalidade da Igreja Católica marcou I Congresso Eucarístico em Angola

 

O cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, disse que o primeiro Congresso Eucarístico Nacional em Angola foi um sinal “forte e convincente” de “vitalidade”, em termos do que é hoje “o catolicismo” naquele país.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, D. Manuel Clemente, que participou

 

 

nos trabalhos na cidade de Huambo, enquanto enviado extraordinário do Papa Francisco, considera se este evento foi como um “certificado de maturidade” para uma comunidade católica que parece ter passado a sua “fase inicial de desenvolvimento”.

No congresso, que entre 12 e 18 de junho assinalou os 150 anos da

 

   

 

 segunda fase de evangelização de Angola, participaram cerca de 100 mil pessoas, provenientes das 19 dioceses do país. “Uma Igreja que é capaz de organizar algo deste género, com o que isto implica de preparação, não apenas espiritual e de formação mas também material e de deslocação de pessoas, de logística, de alojamento, e correr tudo tão bem. Fiquei com uma impressão muito forte”, salienta aquele responsável.

Entre os exemplos positivos que encontrou, D. Manuel Clemente destaca em primeiro lugar a riqueza das vocações, num território onde “os seminários estão cheios” e “todos os anos as ordenações acontecem”.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa aponta depois a 

 

existência de muitos leigos “com formação” e capazes de abordar os desafios do país “com uma clareza muito grande, com coisas já assumidas, meditadas, bem explicadas”. “Quer mais virada para a parte interna da Igreja, quer para as relações Igreja – mundo, o lugar dos leigos na sociedade, a vida religiosa, isso ressaltou muito”, acrescenta.

Através da consolidação das suas estruturas, a Igreja Católica em Angola pode olhar com otimismo para o futuro, e para a abordagem aos desafios que marcam a sociedade local, como as feridas da guerra que ainda estão bem presentes, e problemas como a pobreza e o desemprego.


O bispo de Bragança-Miranda afirmou no Primeiro Congresso Eucarístico Nacional de Angola que “a Missa leva sempre à Missão” e que são necessários “novos evangelizadores”. “Precisamos de novos evangelizadores para a Evangelização. Não podemos enfrentar os desafios de hoje com respostas de ontem”, disse D. José Cordeiro durante conferência, enviada à Agência ECCLESIA.

O bispo de Bragança-Miranda participou no Primeiro Congresso Eucarístico de Angola e fez uma comunicação no segundo dia dos trabalhos sobre o tema “Evangelizado, evangeliza”. D. José Cordeiro lembrou que “o grande desafio” continua a ser passar “da (de)missão à missão de evangelizar”, afirmou que “ensinar o Evangelho, significa apresentar sinais e chaves interpretativas para o viver” e sublinhou que “ninguém o pode fazer se o não viver primeiro”.

 

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial internacional nos últimos dias, sempre atualizados em www.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Roma: Papa encontrou-se com refugiados acolhidos pela Igreja Católica

 

 

 

Francisco lamenta tragédia em Pedrógão Grande

 

 

Resiliência

  Henrique Matos   
  Agência ECCLESIA   

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 

Capacidade para lidar com os problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas...

Bastaram alguns instantes para que uma definição de dicionário se transformasse na condição de vida de algumas centenas de portugueses. Desta vez, a tragédia do fogo não se ficou pela floresta e levou vidas humanas, gente com história e com rostos...  Pessoas incrivelmente parecidas connosco e por isso, nos revimos na sua fatalidade pensando que podíamos também estar ali e que as decisões que tomaram foram as mesmas que nos viriam à cabeça em condição semelhante.

No século XXI, na era digital em que os satélites nos vigiam e a segurança é uma obsessão, morre-se como na Idade Média, lembrava Nicolau Santos na sua newsletter no Expresso.

De tempos a tempos, há situações que nos interrompem o sonho e nos devolvem, de forma cruel, à realidade. A experiência de perda e de incapacidade experimentada no concelho de Pedrógão Grande não nos pode remeter à resignação, mas lembra-nos que falta muito para a autossuficiência que alguns elogiam. Somos frágeis e apesar de toda a parafernália tecnológica, nada substitui a relação com o próximo e o valor da vizinhança.

O trabalho levou-me esta semana ao epicentro da tragédia. Cheguei ali com o propósito de mostrar outra realidade que não apenas o choro e o desespero já mostrados à exaustão. Percebi como a tragédia é dolorosa, mas também como se revela um potente fator de unidade.

 

 

 

Nas aldeias de Pedrógão, Figueiró dos Vinhos ou Castanheira de Pera foi a unidade entre vizinhos, a cumplicidade de uma vida inteira lado a lado, que determinou uma resistência heroica ao que estava a acontecer. Partilha de bens alimentares, a defesa da casa alheia perante as chamas e a iniciativa de partir de porta em porta para alertar da proximidade do fogo...   percebi ali o que é uma verdadeira comunidade. Lembrei-me então do que seria a tragédia de Pedrógão no anonimato das nossas cidades. E se o drama um dia acontecer num prédio de vizinhos que não se conhecem nem se falam? 

 

Entre a cidade e o campo vai uma distância que não se mede em habilitações académicas ou artefactos tecnológicos, é a diferença entre a soberba dos “esclarecidos” e a humildade dos que conhecem a sua fragilidade, que convertem em força com a ajuda do próximo.

No meio da cinza que ainda fumega, o sofrimento é agora um ponto de partida. Se há muitas lições a retirar destes acontecimentos, uma delas é que precisamos sempre do outro e que nada substituiu a capacidade humana de gerir a dor e converter a desgraça em oportunidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

O Semanário ECCLESIA recorda hoje o cenário de cinzas, de dor e morte, que atingiu Pedrógão Grande e fez vítimas de tantas proveniências e idades, num mar de chamas imparável. Desse mesmo mar emergiu uma onda de solidariedade que está no centro deste dossier.

A notícia chegou rapidamente ao Vaticano, de onde o Papa enviou uma mensagem ao bispo de Leiria-Fátima após o incêndio em Pedrógão Grande, mostrando-se “consternado” com o número de vítimas.

“Consternado pelas numerosas vítimas do incêndio em Pedrógão Grande e localidades vizinhas, o Papa Francisco pede-lhe para transmitir a todos enlutados e provados por este drama a expressão do seu pesar e a certeza da sua proximidade orante”, refere o texto enviado à Agência ECCLESIA.

A mensagem a D. António Marto é assinada, em nome do Papa, pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, e foi transmitida pela Nunciatura Apostólica (embaixada da Santa Sé) em Portugal, a qual sublinha “a solidariedade do Santo Padre, o Papa Francisco, pelas vítimas do incêndio”.

O Papa “recomenda as vítimas a Deus Omnipotente e invoca a força e o conforto divinos sobre feridos e desalojados”, concedendo a todos a sua bênção apostólica.

Já este domingo, Francisco tinha rezado no Vaticano pelas vítimas, em silêncio, após deixar uma mensagem de solidariedade. “Manifesto a minha proximidade ao querido povo português pelo devastador incêndio que está a atingir as florestas à volta de Pedrógão Grande, causando numerosas vítimas e feridos", disse, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro para a recitação do ângelus.

O incêndio que deflagrou ao início da tarde de sábado numa área florestal em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande (distrito de Leiria), e alastrou a municípios vizinhos, provocou até ao momento 64 mortos e mais de 160 feridos, além de desalojados e elevados danos materiais.

 

Bispo de Coimbra encontrou panorama absolutamente desolador

 

O bispo de Coimbra encontrou um “panorama absolutamente desolador” quando visitou as localidades mais atingidas pelos incêndios que deflagraram este sábado na região de Pedrógão Grande, onde encontrou também nas pessoas “fé e esperança”. “Há situações de muita ansiedade. É um panorama duro e difícil de encarar porque são as pessoas, são os seus haveres, são os familiares e não se pode passar ali de forma tranquila 

 

e simples”, disse D. Virgílio Antunes à Agência ECCLESIA.

O bispo da diocese a que pertence este território, na jurisdição católica, presidiu a uma Missa pelas 10h00 se gunda-feira, com a participação de um “bom grupo de pessoas”. À tristeza somou-se uma “expressão de confiança e de fé”, que é a “única proposta” que a Igreja tem a fazer.

“Esta ajuda nasce da fé e esta gente é gente de fé, penso que é a ajuda

 

 

   

 

maior, ouvi isso esta manhã: «Foi a minha fé que me fez resistir e ajuda a aceitar esta realidade de outra forma e olhar para o futuro mesmo no meio da tragédia»”, referiu D. Virgílio Antunes.

O prelado observou que, “felizmente, há uma onda muito grande de solidariedade” à qual a Igreja também se associa.

A Diocese de Coimbra vai destinar o ofertório das Missas deste domingo para a ajuda às populações afetas pelos incêndios que estão ativos na região. “É uma forma de toda a gente sentir e participar ativamente”, realçou o bispo local.

Na Diocese de Coimbra, acrescenta, a Cáritas Diocesana é a nível local a entidade e instituição da Igreja que tem “mais capacidade” para gerir o “dinamismo da ajuda e da solidariedade”, mesmo que outras instituições possam dar o seu apoio.

D. Virgílio Antunes informa que “há relativamente pouco tempo” fez a visita pastoral às comunidades que pertencem aos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, e conheceu uma “região verde, de gente feliz, bem-disposta”. “Conheci as igrejas, as capelas onde pudemos estar juntos e passar agora é uma relação com a realidade, com

 

as pessoas, muito marcante”, recorda.

Segundo D. Virgílio Antunes é necessário mudar em muitas áreas como a prevenção, a organização do território, as condições em que trabalham e funcionam as corporações de bombeiros e a questão cultural: “É nesse papel que a Igreja pode dar maior contributo unida às instituições públicas, ao Estado, a todos aqueles que se interessam por estas questões que são fundamentais na vida de um país e da sua população”.

 

 

 

 

 

 

 

A Diocese de Coimbra vai destinar o ofertório das Missas deste domingo para a ajuda às populações afetas pelos incêndios que estão ativos na região. 

 

 

 

 

Pároco de Pedrógão Grande é filho da terra

O padre Júlio dos Santos, responsável pela comunidade católica de Pedrógão Grande, nasceu em Escalos Fundeiros, onde se julga que o fogo de sábado começou, e vive de forma particular este drama, “como pároco e filho da terra”. “O que mais preocupa é o estado de espírito das pessoas, a parte psicológica”, referiu à Agência ECCLESIA.

O responsável sublinha o papel fundamental de uma “solidariedade maior” da Igreja Católica, para responder às necessidades das pessoas, a começar pelas “palavras de ânimo”, mostrando proximidade a quem sofre. “Qualquer gesto é importante, neste momento”, sustenta o pároco.

O sacerdote está em diálogo com a Cáritas e manifesta a intenção de “permanecer no terreno” até que as várias situações se resolvam.

No sábado, quando o incêndio deflagrou, o padre Júlio dos Santos confessa que também ficou “desorientado”, procurando saber das gentes, uma situação que continua a marcar o quotidiano de muitas pessoas. “Isto é aflitivo, as pessoas andam à procura umas das outras, 

 

ainda”, realça, acrescentando que “é nestes momentos que as pessoas se unem mais”.

O pároco acompanhou o bispo de Coimbra numa visita que D. Virgílio Antunes realizou às povoações mais afetadas. “Estarmos com as pessoas é a nossa obrigação, é o nosso povo”, sublinha.

A organização dos funerais é agora outra das preocupações, um momento delicado para a população.

O Governo português decretou três dias de luto nacional, no último domingo.

 

 

 

 

 

"O que mais preocupa é o estado de espírito das pessoas, a parte psicológica”,
 

 

 

 

 

 

 

A Missão Católica de Língua Portuguesa do Luxemburgo está “empenhada na recolha de fundos e apoios”, em sintonia com a Cáritas Portuguesa, para as vítimas dos incêndios que ocorrem na região centro. As associações portuguesas no Luxemburgo também estão a mobilizar-se para ajudar as vítimas dos fogos e adotaram como lema «Luxemburgo ajuda Pedrógão Grande», lê-se numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

Associações como o Centro de Apoio Social e Associativo (CASA), a Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo (CCPL) ou a Associação da Bairrada vão “recolher donativos durante as festas que já estavam agendadas”.

 

 

 

 

 

 

 

 

Igreja Católica promove peditório nacional a 2 de julho

 

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) anunciou que as dioceses católicas vão promover um peditório nacional, a 2 de julho, para ajudar as vítimas dos incêndios que atingiram o país nos últimos dias. “Pedimos a todas as comunidades cristãs, e a quem deseje associar-se, que além de outras iniciativas solidárias dediquem a oração, o sufrágio e o ofertório do primeiro domingo de julho a esta finalidade”, refere uma nota divulgada ao início da tarde pelo porta-voz do 

 

 

episcopado, padre Manuel Barbosa.

O montante recolhido vai ser enviado para a Cáritas Portuguesa, “a fim de ser encaminhado, com brevidade, para aqueles que necessitam”. A Cáritas já tinha avançado com a abertura de uma conta solidária - 'Cáritas com Portugal abraça vítimas dos incêndios'.

Os bispos católicos manifestam o seu “reconhecimento e apoio” aos bombeiros, às organizações de socorro e aos “numerosos” voluntários que estão no terreno e desenvolvem 

 

 

 

 

“todos os esforços para salvar vidas, minorar danos e evitar a perda de pessoas e bens”, mesmo à custa de “riscos pessoais”.

“Nós, os bispos portugueses, acompanhamos com dor, preocupação solidária e oração a dramática situação dos incêndios, que provocaram numerosas vítimas e que estão a causar enorme devastação no país”, refere a nota da CEP.

Os bispos católicos deixam uma palavra de proximidade com a “dor dos que choram os seus familiares e amigos que perderam a vida, pedindo a Deus que os acolha junto de si”. “Neste momento, em cada uma das nossas Igrejas diocesanas, sentimo-nos próximos e comprometidos com a situação dramática dos que sofrem”, observam os membros da CEP.

A nota sublinha a participação das comunidades cristãs, das Cáritas diocesanas, da Cáritas Portuguesa e de outras instituições eclesiais nos esforços de “acudir às vítimas, providenciar meios de primeira necessidade e colaborar no ressurgir da esperança, da solidariedade e do alento para reconstruir a vida, o alento e o futuro”.

 

A Conferência Episcopal Portuguesa tinha denunciado a 27 abril o “flagelo” dos incêndios e pedia a toda a sociedade que se mobilize para contrariar uma “chaga” de “proporções quase incontroláveis”.

Hoje, a CEP reforçou a necessidade de “medidas mais preventivas, concretas e concertadas” sobre uma “calamidade” que atinge Portugal “todos os anos”.

O organismo episcopal esteve reunido em Fátima para as suas jornadas anuais de estudo e reflexão, em Assembleia Plenária Extraordinária.

 

 

 

"Nós, os bispos portugueses, acompanhamos com dor, preocupação solidária e oração a dramática situação dos incêndios, que provocaram numerosas vítimas e que estão a causar enorme devastação no país"
 

 

Igreja Católica em Portugal pede medidas de fundo contra flagelo dos fogos

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, diz que incêndios como os de Pedrogão Grande, que teve um custo “caríssimo, em termos humanos e ambientais”, deve levar a repensar as estratégias de prevenção e segurança. “Parece que estamos à espera de que quando temos tempo quente vamos ter incêndios, não. Isso pode ter uma resolução de raiz, outros países resolveram, deram passos firmes, não somos só nós que temos floresta, que temos pinhais e eucaliptais. É preciso atacar as causas para não termos as consequências”, realça aquele responsável, em declarações à Agência ECCLESIA.

Numa altura em que está a ser investigada a origem desta tragédia que abalou o país, D. Manuel Clemente sublinha que “uma desgraça” tão “grande” tem de levar à criação de “medidas estruturais” que mostrem que Portugal “não se conforma” com esta realidade.

Para o presidente da CEP, há toda uma reconfiguração “ecológica e ambiental” a fazer, de forma “consistente”, de modo a que a 

 

expressão “época de incêndios” deixe de fazer parte do léxico dos portugueses. “A melhor maneira de homenagear os mortos é evitar que haja outros. Agora isso tem que ser efetivamente levado por todos, antes de mais pelo Estado que é o primeiro servidor do bem-comum e é quem tem recursos para isso”, refere o cardeal-patriarca de Lisboa.

Em abril deste ano, os bispos portugueses publicaram uma nota pastoral intitulada “Cuidar da casa comum – prevenir e evitar os incêndios”. “As causas do flagelo dependem direta ou indiretamente da vontade humana”, tendo “na origem de muitos incêndios, talvez da maioria, estão comportamentos criminosos, uns intencionais, outros pelo menos negligentes”, assinalavam os bispos.

Neste contexto, “há que apurar não apenas as causas da dimensão desta prática – o que verdadeiramente ainda se não conseguiu até hoje – como há sobretudo que detetar e combater interesses que dela possam beneficiar”.

No próximo dia 2 de julho, a Igreja Católica vai promover um peditório 

 

 

 

 

 

 

 

 

nacional, durante as celebrações eucarísticas, a favor das vítimas dos incêndios que fustigaram o Concelho de Pedrógão Grande e vários outros concelhos vizinhos.

Para D. Manuel Clemente, “a primeira atitude dos católicos deve ser de solidariedade e presença, não podia ser de outra maneira, para levantar o ânimo das pessoas e permitir reconstruir o futuro”.

 

“Vamos ter esse primeiro domingo de julho reservado a rezar pelos que partiram e pelos que ficaram, por quem foi vitimado, e também recolher apoios financeiros que serão encaminhados para a Cáritas Portuguesa o que for preciso apoiar. É um dia que viveremos intensamente e solidariamente, mas temos que encontrar soluções de futuro e de raiz”, reforça o presidente da CEP.

 

 

Provedor da Santa Casa de Pedrógão Grande elogia generosidade dos portugueses

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande, um dos centros de acolhimento de apoio à população, considera necessário “mobilizar muitos mais recursos para apoiar os sobreviventes”. Em declarações à Agência ECCLESIA, João Marques afirma que “depois das chamas se apagarem” é preciso manter a atenção sobre as necessidades das populações.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande explica que são precisos mais recursos de apoio social, psicológico e médico para ajudar as pessoas, sendo também preciso apoio na alimentação e “realojamento das pessoas que ficaram sem casa”. “Há casas devolutas no nosso concelho, há que identificá-las e falar com os proprietários para porem ao dispor de quem necessita”, acrescenta.

Neste contexto, o responsável adianta que a Santa Casa já recebeu contacto de pessoas que “têm casas de férias, de fim de semana ou mais do que

 

 uma casa no concelho” a disponibilizarem-se para alojar “graciosamente” quem perdeu as habitações que nos incêndios que deflagraram a 17 de junho.

É com a voz embargada que João Marques revela, no meio da dor, orgulho pela solidariedade porque as pessoas “têm sido extraordinárias” no espírito de entreajuda. “Todos os portugueses, temos tido manifestações de apoio de solidariedade incríveis, de empresas, instituições, comunicação social, pessoas anónimas. Somos um povo bom, os portugueses são boas pessoas”, realça.

Para o provedor da misericórdia de Pedrógão Grande é necessário “reconstruir rapidamente as casas queimadas”, apoiar quem perdeu empregos, afinal, “muitas fabricas fecharam, toda a indústria da madeira que era a principal está destruída” e “cortar a madeira queimada” é para uns meses deixando depois de haver trabalho.

 

 

 

 

 

O entrevistado não estava em Pedrógão Grande no sábado e recorda que, quando chegou, encontrou um cenário assustador que pelos relatos tudo aconteceu “com uma rapidez que apanharam toda a gente de surpresa e não preparada para uma tragédia”. Recuando no tempo, relembra “fogos com grande dimensão” no concelho com muitos hectares ardidos em 1991, 2001 e 2005, mas sem “vítimas humanas a lamentar, foi terrível, é indescritível e impar”.

Foi nesse cenário considerado “inexplicável” que a Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande disponibilizou as instalações para acolher os serviços do centro regional da Segurança Social de Leiria, Cruz

 

 Vermelha, polícia marítima” e outras instituições, para além de disponibilizar os seus 130 funcionários, o pessoal de saúde – enfermeiros, médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais – ao serviço da população.

João Marques conta ainda que ali alojaram pessoas que perderam as casas e, principalmente, “pessoas que foram evacuadas das aldeias”, com o pico a acontecer na noite de domingo para segunda-feira quando receberam “mais de 170 pessoas”. “Pusemos equipas no terreno a distribuir água, leite, alimentação, e dar apoio mais direto e premente que julgamos e sentimos ser necessário”, conta ainda.

 

 

 

 

Cáritas de Coimbra ao lado da população

 

A Cáritas de Coimbra reforçou o seu “compromisso” em ajudar as populações atingidas pelos incêndios de Pedrógão Grande, no sentido de estas “reencontrarem a sua vida e os seus meios de sustento”. Em declarações à Agência ECCLESIA, o presidente daquela instituição

 

 

lamenta o “cenário de terror” causado pelas chamas.

“É ver uma situação ímpar, pelo número de vítimas que perdemos, é olhar para uma região e não a reconhecer”, descreve o padre Luís Costa, para quem “o mais importante” é agora que os portugueses sejam 

 

 

 

 

“solidários” e ajudem as pessoas e as famílias que “aqui vivem e construíram a sua vida”.

“As necessidades serão muitas, não só para as pessoas, para as casas, até para a vida económica daquela região, de agricultura, da criação de animais, vão existir muitas necessidades”, alerta aquele responsável.

No que diz respeito à Cáritas Diocesana de Coimbra, por agora foram reunidos 100 mil euros de donativos, e está em marcha um plano de fornecimento de bens essenciais, a começar pela alimentação e pela roupa. “Temos um centro logístico em articulação com a Paróquia de Pedrógão Grande, junto à igreja, para que depois o centro de triagem e de distribuição seja o mais perto possível das pessoas”, explica o padre Luís Costa.

Um pouco de todo o país têm chegado ofertas solidárias de vestuário, mas os agentes da Cáritas no terreno têm a indicação para “comprar tudo o que seja roupa interior e de vestir, ou calçado que não exista nas doações”. “Existem sempre necessidades que não estavam identificadas inicialmente mas que vão aparecendo ao longo do

 

 tempo”, realça o presidente da Cáritas Diocesana de Coimbra, que dá como exemplo a falta de “papas e de fraldas para crianças” e de “fraldas para idosos”.

Outras prioridades apontadas são o apoio psicossocial às vítimas e o fornecimento de alojamento temporário a quem precise. “Temos alguns centros que podem acolher pessoas, mas sempre em termos provisórios, e tenho indicação de uma família de Idanha-a-Nova que disponibiliza lugar para 30 pessoas. Mas por agora as necessidades estão asseguradas”, realça aquele responsável num balanço possível, uma vez que as condições de análise ainda são muito difíceis.

 

Nas localidades do Concelho de Pedrogão Grande há muitas famílias que ficaram desalojadas e casas desabitadas pela morte de todos os elementos da família

 

Responder às necessidades das famílias

A Cáritas Diocesana de Coimbra está instalada em Pedrógão Grande, após o incêndio que deflagrou este sábado, apostando numa resposta de “proximidade” às necessidades presentes e futuras das populações. Mariana Figueiredo, da organização católica, disse à Agência ECCLESIA que a prioridade passa neste momento

 

por “dar resposta às necessidades das famílias afetadas” e às solicitações de “entidades, empresas e anónimos” que querem ajudar neste momento.

A responsável sublinha a mobilização solidária de “Portugal inteiro” para tentar pôr cobro a uma “tragédia”.

“A Cáritas tomou logo a iniciativa, logo no domingo de manhã o presidente 

 

 

 

 

da Cáritas de Coimbra, padre Luís Costa, e o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, deslocaram-se ao local e tomaram conta das necessidades que havia, bem como dos recursos que estavam a ser disponibilizados por outras entidades”, relata Mariana Figueiredo.

Nos próximos dias, o trabalho passa por visitar as aldeias que ainda estão isoladas, procurando saber junto das pessoas “exatamente o que é preciso” para fazer face às dificuldades. Além do material exigido pela resposta de emergência médica, os bens mais necessários são papas lácteas, fraldas para crianças e adultos e produtos de higiene, dado que quem deixou a sua casa saiu sem sequer “um pente ou uma escova de dentes”.

As pessoas que foram realojadas, por outro lado, têm sido ajudadas com vestuário, lençóis e atoalhados. Outra das maiores necessidades no terreno continua a ser a ração para animais - cães, gatos e rebanhos -, como explica Mariana Figueiredo.

“Há rebanhos que sobreviveram mas que podem morrer, entretanto, porque não há pasto”, adverte.

Em causa está a “subsistência” das 

 

pessoas, algo que não “pode ser esquecido” neste momento, acrescenta.

Os voluntários contam com uma estrutura montada para dar resposta às várias solicitações, num momento em que “logisticamente não é fácil trabalhar”, admite a responsável da Cáritas Diocesana de Coimbra.

Os incêndios que atingiram de “forma dramática” as populações de Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos e outras zonas de Portugal Continental levaram a Cáritas Portuguesa a avançar com a abertura de uma conta solidária para apoiar todas as vítimas dos incêndios.

As equipas da Cáritas no terreno têm feito chegar ajuda médica, psicológica, alimentos e bebidas, bem como alimentos para os animais, estando a apurar junto das populações afetadas quais os bens que ainda são emergentes.

 

 

Aldeia da Graça recorda bola de fogo que apanhou tudo à frente

 

A aldeia da Graça foi uma das localidades mais tocadas pelo incêndio no Concelho de Pedrogão Grande. Em entrevista Agência ECCLESIA, no local, Pedro Pereira, tesoureiro da Junta de Freguesia da Graça, realça “uma situação lamentável”, que “vai levar muito tempo a sarar”, pela “perda de vidas humanas”.

Aquele responsável recorda todos quantos “perderam os seus familiares e amigos” e assegura que tudo 

 

 

será feito para “tentar ajudar as populações” a retomarem as suas vidas. “Agora vai ser dramática a questão dos funerais, a seu tempo, toda esta situação é complicada. Mas depois vamos tentar fazer o melhor”, salienta.

O incêndio terá tido origem ao início da tarde de sábado, na localidade de Escalos Fundeiros, em Pedrogão Grande, e depois alastrou para os concelhos vizinhos de Figueiró dos 

 

 

 

Vinhos e Castanheira de Pêra, no Distrito de Leiria. As chamas atingiram também o Concelho da Sertã, no Distrito de Castelo Branco, numa situação que mobilizou mais de dois mil bombeiros de todo o país.

“Foi uma coisa inexplicável, ventos muito fortes como não há memória, mesmo das pessoas mais antigas, fizeram uma bola de fogo e essa bola de fogo evoluiu muito rapidamente. E apanhou tudo o que havia à frente, consumiu tudo, casas, os haveres das pessoas, tudo”, recorda Pedro Pereira.

Além das pessoas que perderam a sua vida para o fogo, ou que ficaram feridas, estão contabilizadas dezenas de pessoas deslocadas e um número ainda indeterminado de casas e de viaturas destruídas. “Tudo propagou muito rapidamente, 

 

 

com ventos fortíssimos que fizeram a projeção do fogo com uma dimensão, uma rapidez, uma força impressionantes, que apanhou as populações desprevenidas”, relata o tesoureiro da Junta de Freguesia da Graça, uma das localidades evacuadas devido ao avanço das chamas.

A dificuldade ao nível dos acessos aos locais, por parte dos bombeiros, obrigou as pessoas a “socorrerem-se com o que tinham, sufocadas pelo fumo intenso e pela dificuldade em respirar”.

Uma calamidade que os habitantes só agora começam a ter “noção” e que Pedro Pereira admite ainda “pode aumentar”, com o “levantamento que as autoridades estão a fazer no terreno”.

 

Prioridade ao realojamento

Eugénio Fonseca sublinhou que a instituição católica está comprometida fase “mais decisiva”, a do realojamento, que visa “respeitar a dignidade das pessoas” atingidas pela tragédia de Pedrógão Grande. O projeto inclui a ideia de “apadrinhamento da construção das casas ou das empresas que a Cáritas vier a assumir”, com o apoio de várias personalidades públicas, procurando que estas sejam “fator de mobilização” solidária.

“O importante é que as casas sejam devolvidas às pessoas, o mais depressa possível, e os postos de trabalho”, sublinha o presidente da Cáritas Portuguesa.

O responsável admite que estes processos são “morosos”, num território muito extenso que vai ser necessário “reordenar”. “O financiamento não vai ser difícil, o que vai ser difícil é limpar todos os terrenos, depois perceber onde ficam localizadas as casas, porque as pessoas vão querer certamente regressar ao seu espaço anterior, e desenharam-se projetos”, precisa.

Para Eugénio Fonseca, as pessoas que perderam a sua casa “devem ser envolvidas” no processo, 

 

 

privilegiando-se também “construtores da zona”. A prioridade vai para situações “de maior carência, vulnerabilidade”, contando com a participação das câmaras municipais, nomeadamente na elaboração de projetos e licenciamentos, das seguradoras dos imóveis, caso existam, e os donativos recolhidos pela Cáritas.

Neste momento prossegue, no terreno, o “levantamento de necessidades”, que têm sido respondidas com a ajuda da “solidariedade extraordinária dos portugueses”. “Tragédias com estas proporções são dramáticas”, sublinha Eugénio Fonseca.

A primeira resposta passou pela recolha de vestuário, com “toneladas de donativos”, entrega de colchões e por assegurar a alimentação dos animais que sobreviveram. “Nos incêndios de 2016 estivemos, durante muito tempo, a sustentar 25 mil cabeças de gado com a ajuda dos portugueses e vamos também acionar já esse mecanismo”, referiu o presidente da Cáritas.

Para este responsável, é fundamental manter a atenção pelos “legítimos interesses das pessoas” assim que 

 

 

 

 

 

 

acabar a fase de maior “mediatismo”.

Eugénio Fonseca defende também a necessidade de mostrar aos portugueses o que foi feito com o dinheiro dos seus donativos.

A conta 'Cáritas com Portugal abraça vítimas dos incêndios' tem o número  

 

0001 200000 730 e o IBAN PT50 0035 0001 00200000 730 54, na Caixa Geral de Depósitos.

A Cáritas Portuguesa, com a ajuda de seis Cáritas diocesanas, conseguiu recolher uma “verba própria” no montante de 450 mil euros.

 

O presidente da Cáritas quer manter a atenção da sociedade sobre o problema dos incêndios e anunciou a realização de um colóquio sobre o tema, em julho. “É preciso perceber que corresponsabilidade é que todos temos na prevenção destas situações”.

A iniciativa vai retomar a nota pastoral ‘Cuidar da casa comum – prevenir e evitar os incêndios’, divulgada pela Conferência Episcopal em abril. A Cáritas Portuguesa vai ainda promover um encontro com as suas congéneres de territórios que “foram recentemente alvo de tragédias”, para trocar experiências e formas de atuação.

 

 

 


 

 

Misericórdias solidárias com a população

A União das Misericórdias Portuguesas (UMP), através do Secretariado Nacional e das suas estruturas regionais dos distritos de Coimbra e Leiria, mobilizou-se para apoiar a população das zonas afetadas pelo incêndio que deflagrou no concelho de Pedrógão Grande. “Em estreita colaboração com o Governo, entidades locais e instituições de emergência e segurança, as Misericórdias de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Góis, Sertã, Pampilhosa da Serra, entre outras, e a UMP instalaram pontos de acolhimento e de informação para prestar toda a ajuda, apoio e 

 

 

 

esclarecimentos possíveis”, adianta um comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

Para dar resposta às “maiores necessidades” da população afetada por este incêndio, foi criada uma conta solidária no Montepio para reunir donativos de apoio às vítimas. "Todos os portugueses poderão contribuir com um donativo para ajudar e dar resposta às maiores necessidades das vítimas através do IBAN PT 50 0036 0000 99105922157 78", refere a instituição.

A UMP informa que está também a ser realizado um levantamento das necessidades e que outras 

 

 

 

 

 

Misericórdias do país já manifestaram disponibilidade para apoiar no que for necessário. “Em simultâneo, a UMP e o Ministério da Saúde estão a trabalhar em conjunto na região de Pedrogão Grande, para dar apoio às vítimas”, assinala a nota de imprensa.

A Santa Casa da Misericórdia de Macau fez um donativo de 200 mil euros para o apoio às vítimas do incêndio e manifesta o seu “profundo pesar” pela situação que atingiu o povo português, e em particular as populações da região de Pedrogão Grande.

 

 

Aquela instituição católica espera que este apoio monetário possa servir para a “reabilitação e auxílio às famílias mais afetadas pelos incêndios”.

 

 

CNIS apoia populações

A Confederação das Instituições Sociais de Solidariedade Social (CNIS) está a mobilizar os seus meios para o apoio às populações atingidas pelo incêndio no concelho de Pedrogão Grande, que já causou 64 mortos.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o padre Lino Maia, presidente da CNIS, refere que neste momento a prioridade está no “acolhimento de emergência” às pessoas e para o fornecimento no terreno de “bens essenciais”, como “roupas e alimentos”. “Neste momento está a haver uma concentração de esforços, ainda não temos números concretos mas há grande disponibilidade. Temos instituições com capacidade para, nas suas instalações, receber pessoas, fornecer refeições e camas de emergência, porque muitas pessoas ficaram absolutamente sem nada”, 

 

salienta aquele responsável.

Este esforço está a envolver sobretudo as “Uniões Distritais de IPSS de Leiria e de Coimbra”, em parceria com a “Câmara Municipal de Pedrogão  Grande”. “É aí que mais se pode fazer porque são os distritos da proximidade”, frisa o sacerdote, que esteve este domingo na região de Pedrogão Grande, a inteirar-se da realidade em que se encontram as populações.

Por calcular está ainda o número de habitações e de carros destruídos pelas chamas, que alastraram aos concelhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e ao concelho da Sertã, no distrito de Castelo Branco.

 

 

 

Esta tragédia veio levantar mais uma vez o debate à volta da importância da prevenção dos fogos, e da garantia da segurança das populações. Para o presidente da CNIS, “mais do que erguer dedos acusadores ou fazer julgamentos apressados”, importa refletir seriamente sobre questões como “o abandono progressivo do interior do país”, para o qual importa “recentrar a atenção”.

“Penso que aqui o bem comum implica de facto que os meios sejam disponibilizados às zonas mais  

 

carenciadas e necessitadas. E o que se verifica neste momento é reflexo deste abandono irremediável do centro do país”, sustenta o padre Lino Maia.

 

 

Santuário de Fátima disponibiliza ajuda material às vítimas

O Santuário de Fátima anunciou que vai disponibilizar “ajuda material” para as vítimas do “grande incêndio” que atingiu Pedrógão Grande, assim que seja possível. “Acompanhamos as vítimas, os desalojados, os feridos e os que perderam algum ente querido com a nossa oração, mas também materialmente iremos disponibilizar ajuda monetária” afirma o reitor do Santuário de Fátima em declarações à Sala de Imprensa da instituição, enviadas à Agência ECCLESIA.

“Tão rapidamente quanto possível, concretizar-se-á esta ajuda para poder fazer face às necessidades daqueles que foram tão duramente atingidos por esta tragédia”, acrescenta o padre Carlos Cabecinhas.

 

“Ao drama já habitual dos incêndios junta-se agora a tragédia da perda de vidas humanas e de perdas tão elevadas” refere o reitor do Santuário de Fátima, pedindo que ninguém “fique indiferente” diante destes acontecimentos.

O padre Carlos Cabecinhas informou que em todas as celebrações oficiais do Santuário se rezou “pelas vítimas mortais e seus familiares, bem como pelos feridos”.

Em Fátima, durante a recitação do Rosário na Capelinha das Aparições, esta manhã, rezou-se pelas vítimas: "Esta manhã vamos estender sobre os que sofrem por causa do incêndio o manto materno da Senhora".

 

 

Cáritas diocesanas organizam apoio

As Cáritas das várias dioceses portuguesas promove recolhas de donativos e vestuário para as populações atingidas pelo incêndio. A Cáritas Diocesana de Leiria-Fátima informou em comunicado enviado à Agência ECCLESIA que enviou para o local “1500 peças de roupa, entre atalhados, lençóis, roupa de criança e adulto e calçado”, e 20 colchões tripartidos para os bombeiros que atuam no terreno.

Para apoio imediato às “primeiras necessidades” que afetam as populações, a Cáritas Portuguesa já disponibilizou uma verba de 200 mil euros, a que se somam 100 mil euros da Cáritas Diocesana de Coimbra, 40 mil de Lisboa, 25 mil do Algarve, 10 mil de Leiria-Fátima e 5 mil de Viana do Castelo.

 

A Cáritas de Lisboa decidiu ainda canalizar as doações que venha a receber nos próximos três meses “para o mesmo fim”, adianta numa nota divulgada hoje.

Na Diocese de Bragança-Miranda, os sacerdotes foram convidados a colaborar com a Cáritas local, "mobilizando as paróquias no sentido de conseguirmos que todos deem o seu contributo, na medida do possível".

A Cáritas Europa associou-se aos esforços em curso no território português, manifestando-se “horrorizada” pela dimensão dos fogos. “Juntamo-nos à Cáritas Portuguesa nas suas orações e trabalho pelos que foram afetados por esta calamidade. Apoiemos os seus esforços”, refere a instituição, numa nota enviada à Agência ECCLESIA.

 

 

Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança sublinha choque generalizado

 

D. Manuel Linda, bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança, manifestou a sua solidariedade com as vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, falando num “choque” para todos. “A inenarrável dor e sofrimento da população de Pedrógão Grande e concelhos limítrofes colocaram muitos de nós quase em estado de choque: as imagens terríveis que a comunicação social nos apresenta induzem-nos a uma tal solidariedade com os afetados que fazemos da sua aflição a nossa 

 

 

angústia”, escreve o responsável, numa mensagem enviada à Agência ECCLESIA.

Após apelar à oração pelos mortos e por todos os que foram afetados pela calamidade, D. Manuel Linda deixa uma palavra de “imenso respeito e apreço” pela ação de dirigentes, bombeiros, militares, guardas, polícias e pessoal sanitário, entre outros. “Fundamentalmente, apelo à oração: rezemos! Rezemos para que esta tragédia jamais se repita e que Deus, 

 


 

Pai providente, Se mostre favorável aos que a sofreram”, refere o responsável.

“É possível que a sociedade organize ações de solidariedade para com as vítimas que perderam bens e, fundamentalmente, vidas humanas. Demasiadas vidas humanas! Apelo a que todos nós os que constituímos o Ordinariato Militar para Portugal estejamos na linha da frente da colaboração, do zelo, da solidariedade operativa”, pede D. Manuel Linda.

O bispo das Forças Armadas e de Segurança considera que onde “existe sofrimento a Igreja deve estar presente” por isso esteve em Avelar, concelho de Ansião, local onde está instalado um centro de apoio aos incêndios que deflagram na região centro do país.

A ida de D. Manuel Linda a Avelar e 

 

(Ansião, Distrito de Leiria e Diocese de Coimbra), deve-se também à presença “de muitos militares e polícias” qu estão a ajudar no combate aos incêndios, disse à Agência ECCLESIA.

Quando acontecem situações destas, D. Manuel Linda, que está ligado umbilicalmente aos bombeiros – “quer pela amizade quer pelo facto de ter desempenhado as funções de capelão de uma corporação antes de ser bispo” –, sublinha que à Igreja compete “apelar ao coração humano”.

“Se os incêndios são de origem criminosa” deve-se “apelar às pessoas que não se comportem como animais” e se os incêndios são de origem natural “como parece ter sido este, deve-se criar condições durante o inverno para que estas desgraças não aconteçam”, frisou o bispo das Forças Armadas e de Segurança.

 

 

 

D. José Ornelas apela à solidariedade das comunidades católicas

O bispo de Setúbal manifestou o seu pesar pela “tragédia” que aconteceu em Pedrógão Grande, na sequência de um incêndio, e apelou à oração e solidariedade das comunidades católicas, em articulação com a Cáritas Diocesana.

“Recomendo a todas as paróquias, comunidades religiosas e movimentos da diocese, que mobilizem todos os seus membros para lançar um olhar de solidariedade para quem precisa”, escreve D. José Ornelas, numa mensagem enviada à Agência ECCLESIA e publicada na internet.

No próximo domingo, as comunidades sadinas vão fazer um peditório 

 

especial com esta finalidade. “Pedi à Cáritas Diocesana que, em ligação com a Cáritas Nacional, coordene estas e outras ações que venham a ter lugar, de modo que a solidariedade possa chegar o mais rapidamente possível a quem precisa”, informa o bispo de Setúbal.

D. José Ornelas lamenta a “tristíssima notícia da catástrofe do fogo” que atingiu muitas populações do centro do país. “Se notícias destas não são, infelizmente, raras no nosso país, esta assume dimensões especialmente dramáticas, que não podem deixar ninguém indiferente, pela perda de tão numerosas vidas humanas e 

 

 

 

 

pela destruição de ingentes bens necessários à vida”, sublinha o prelado.

O bispo de Setúbal recorda os que morreram e todos os que foram atingidos pela catástrofe. “Não podemos ignorá-los e queremos estar ativamente próximos de quem perdeu os seus entes queridos, de quem ficou sem os seus bens, de todos os que lutam e se empenham em socorrê-los: bombeiros, instituições de socorro e voluntários”, assinala.

D. José Ornelas apela à oração e reforça o pedido de “esforços solidários para ajudar quem precisa”. “Que a nossa oração chegue ao 

 

Coração misericordioso do Senhor, que celebramos na semana que agora começa, por aqueles que perderam a vida tão tragicamente, por aqueles que os choram e pelos que perderam os seus meios de vida”, escreve.

A Cáritas Diocesana de Setúbal, respondendo a um apelo urgente da Cáritas Portuguesa, promoveu uma recolha de lençóis, atoalhados, cobertores de verão e roupa de criança. De acordo com Domingos Sousa, presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal, estes bens seguiram para Pedrógão, sendo o seu transporte assegurado pela organização católica.

 

 

Bispo do Porto evocou dor e lágrimas
das vítimas

 

O bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, recordou este domingo em Fátima a “dor e lágrimas” das populações atingidas pelos incêndios na zona de Pedrógão grande, este sábado. “Este céu de azul e de sol que nesta manhã nos cobre e nos abraça, toldou-se de dor e de lágrimas”, disse o prelado, que presidiu à Missa 

 

 

no recinto de oração da Cova da Iria.

Esta Eucaristia assinalou a Peregrinação Nacional dos Missionários da Boa Nova e a Peregrinação Jubilar das Pessoas com Deficiência e suas famílias, informa o Santuário de Fátima.

D. António Francisco dos Santos sublinhou, a respeito da tragédia

 

 

 

 

 

de Pedrógão Grande, alguns dos documentos da Igreja que alertam para a necessidade de cuidar da “casa comum”. “É necessário que todos nós respeitemos a vida, os bens, as pessoas, o clima, a natureza desta casa comum de todos nós. É necessário que façamos da educação para os valores, do respeito por nós e pelos outros um dever maior e primeiro. É necessárioque façamos do cuidado dos outros a nossa maior missão”, salientou, numa intervenção citada pela página oficial do Santuário.

O bispo do Porto recordou as 

 

pessoas que estão a sofrer devido ao incêndio. “Fazemos nossas as lágrimas de tantos que sofrem e colocamos no coração de Deus e agradecemos aqueles que juntam às lágrimas que choraram ontem e hoje e que chorarão ao longo da vida o suor da sua oblação, a coragem da sua entrega, a dedicação ao serviço dos outros: nos bombeiros, na proteção civil, nas autoridades locais, nos voluntários anónimos, nos vizinhos, tantas vezes atentos e desesperados, que velam e defendem os bens dos outros e a sua vida”, declarou.

 

A Irmandade dos Clérigos, da Diocese do Porto, enviou um donativo de 50 mil euros para “apoiar as vítimas e famílias atingidas pela catástrofe das últimas horas no concelho de Pedrógão Grande”. “Esta ajuda material será entregue ao senhor bispo de Coimbra, D. Virgílio do Nascimento Antunes, para que, com o seu sentido pastoral, possa apoiar as vítimas e familiares”, refere o comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

A Irmandade dos Clérigos refere que o trágico incêndio é já considerado “um dos mais graves” ocorridos no continente europeu, nas últimas décadas” e por isso decidiu enviar este donativo para o apoio imediato às vítimas, “em comunhão” com o bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos.

“Conforme o presidente da Irmandade dos Clérigos, padre Américo Aguiar, disse noutras ocasiões «é nos momentos difíceis que todos devemos agir para além das nossas possibilidades»", acrescenta o comunicado.

 

 

 

Aveiro associa-se à dor de Pedrógão Grande

O bispo de Aveiro manifestou hoje a sua solidariedade com as vítimas da “tragédia” provocada pelo incêndio que deflagrou este sábado em Pedrógão Grande, na sua primeira mensagem na rede social Twitter, ‘@AntonioMoiteiro’.

A Comissão Diocesana da Cultura de Aveiro também manifestou a sua “dor solidária” numa nota a respeito do incêndio em Pedrógão Grande, que considera uma “advertência da natureza”. No comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a Comissão une-se 

 

 

a “todos os voluntários” que prestam cuidados às pessoas atingidas pelos fogos ou outros flagelos, aos “combatentes” que arriscam as suas vidas nas linhas da frente e à tutela do Estado que “diligencia em ordem a coordenar esforços e a disponibilizar recursos”.

O texto intitulado ‘Tragédia de Pedrógão Grande – advertência da natureza’ faz eco também do apelo dos bispos portugueses que publicaram a nota pastoral ‘Cuidar da casa comum – prevenir e evitar 

 

 

 

 

 

 

A ADAV-Aveiro associa-se à dor de todas e cada uma das vítimas do trágico incêndio de Pedrógão Grande, das suas famílias e amigos. A dor deles é a dor de todos nós, porque na fragilidade de uns vivenciamos a nossa própria fragilidade. Cada perda humana é irreparável.

Esta hora é, por isso, momento para expressar a solidariedade no sofrimento e nas respostas. A ADAV-Aveiro associa-se, institucionalmente, às campanhas solidárias em curso, e desafia os seus sócios, amigos e benfeitores a participarem nelas, de modo a minorar o sofrimento dos que, de modo mais direto, sofreram os efeitos desta tragédia.

A ADAV-Aveiro interpela, ainda, a que às homenagens devidas e sentidas a estas vítimas se associe a ação eficaz que permita que tais situações não se repitam no futuro. As vidas sumidas entre as chamas clamam por respostas corajosas e destemidas. Tudo fazermos para que a calamidade dos incêndios não seja uma fatalidade nacional será uma justa homenagem a quem partiu deixando um clamor na alma de todos nós. Porque cada vida humana que se perde não se pode recuperar.

 

 

os incêndios’, a 27 de abril.

Perante a tragédia que “desfigurou a realidade e semeou o pânico” com “mortos a lamentar e feridos a cuidar”, a Comissão Diocesana da Cultura de Aveiro alerta para a “inquestionável verificação” de que a natureza faz ouvir a sua voz a chamar a “atenção de que está a ser 

 

maltratada e as suas forças se podem descontrolar”.

“A trovoada seca, a ser esta a causa próxima do que aconteceu, ilustra bem este descontrolo. E o agravamento está em curso se os humanos não se prevenirem e mudarem de atitudes e hábitos”, afirma a comissão.

 

 

 

Vítimas da calamidade lembradas em Angola

 

Cerca de 100 mil participantes na Missa de encerramento do Primeiro Congresso Eucarístico Nacional de Angola, que terminou este domingo na cidade do Huambo, rezaram pelas 

 

 

as vítimas do incêndio em Pedrógão Grande.

D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa, enviado extraordinário do Papa a este Congresso Eucarístico, 

 

 

A Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Almada, vai acolher um concerto solidário, a 26 de junho, para as vítimas dos incêndios que deflagram em Pedrogão Grande. A iniciativa «Oratória Mariana» conta com a presença de Teresa Salgueiro, Nélson Almeida e Óscar Torres e a participação do coro «Totus Tuus Maria», realça uma nota enviada à Agência ECCLESIA.

 


 

 

 

Os Missionários Claretianos abriram uma conta bancária, com 5 mil euros, para ajudar as vítimas dos incêndios que ocorrem no centro do país. Esta iniciativa é uma forma de estar solidário “com as dificuldades por que estão a passar tantas famílias afetadas pelo incêndio de Pedrogão Grande”, lê-se na nota enviada à Agência ECCLESIA.

Uma parceria entre a Procuradoria das Missões Claretianas com a Cáritas Portuguesa que pretende minimizar os estragos provocados pelos incêndios que têm fustigado aquela região do país. Pode fazer seu donativo para Procuradoria das Missões, de acordo com as seguintes indicações: transferência bancária para a conta «Fundação Claret – PROCURA» com o IBAN PT500018.0003.399.912.45020.98 indicando que o donativo se destina ao «Ajuda PG».

 

 

 

pediu a todos os presentes para se unirem “atodos os que morreram neste gigantesco incêndio”.

Em declarações enviadas à Agência ECCLESIA, o secretário e porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, padre Manuel Barbosa, disse que os cerca de 100 mil participantes neste celebração tiveram presentes também os familiares das vítimas e “todos

 

os que no terreno lutam contra esta calamidade”. “Fica esta expressão solidária do presidente da CEP e minha e desta imensa multidão de cristãos que celebram na fé e na esperança a sua vida eucarística”, disse o padre Manuel Barbosa que participou, com D. Manuel Clemente, no Primeiro Congresso Eucarístico de Angola.

 

 

 

Corpo Nacional de Escutas no terreno

O Corpo Nacional de Escutas (CNE) manifestou a sua solidariedade às vítimas da “enorme catástrofe” do incêndio em Pedrógão Grande e informou que agrupamentos das Regiões de Coimbra e Portalegre/Castelo Branco estão a apoiar bombeiros e população. “O Corpo Nacional de Escutas, através do seu chefe nacional, Ivo Faria, dedica às famílias das vítimas desta enorme catástrofe uma nota de solidariedade e profundo pesar”, refere um comunicado da instituição, enviado à Agência ECCLESIA.

 

“Os escuteiros têm o lema de estar sempre alerta para servir, todos os dias e a cada necessidade. Mas nestas situações de particular emergência e dor, estamos ainda mais atentos e disponíveis para, com segurança para os nossos escuteiros, prestar o apoio necessário e servir operacionais e populações”, afirma Ivo Faria.

O Departamento Nacional de Proteção Civil e Segurança do Corpo Nacional de Escutas (DNPCS-CNE) garante “o apoio de retaguarda” em situações de necessidade provocadas por episódios de intervenção das entidades de 

 

 

  

 

proteção civil no teatro de operações.

“A propósito do incêndio de Pedrógão Grande, o DNPCS-CNE intervém na retaguarda dos bombeiros, no apoio alimentar e na manutenção operacional dos aquartelamentos, e ainda no apoio a evacuações e no suporte alimentar a deslocados”, 

 

precisa a nota de imprensa.

A atuação centrou-se em dois “pontos fulcrais”, Pedrógão Grande e Penela. “Os nossos pensamentos e as nossas orações estão agora virados para os familiares e as comunidades enlutadas”, conclui o comunicado.

 

A Cáritas Arquidiocesana de Évora está a pedir “cobertores (de verão), lençóis e roupa de criança”, em solidariedade com as vítimas do incêndio de Pedrógão Grande. Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a instituição explica que a “megaoperação de solidariedade”, até ao próximo dia 26, abrange “todo o território” da diocese e têm “constituídos pontos de recolha” nas paróquias com a missão de reunir “todos os bens doados” pelas comunidades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Deixo a todos uma palavra de conforto e peço à Diocese que se una na comunhão de solidariedade pelos que sofrem e de oração pelos que perderam a vida"

D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra

 

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, deixou uma mensagem de solidariedade às vítimas.

 

"Estou solidário e em oração pelas vítimas e familiares, pelos que combatem os incêndios e para que tudo se faça para prevenir as situações"

D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa

 

"#Pedrógão Grande deixa-nos a todos em luto. Rezemos! #PedrógãoGrande".

D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga

 

“O silêncio é a linguagem da tragédia que assolou o nosso país. Pedimos a Deus a força necessária para todas as vítimas dos incêndios”

D. António Moiteiro‏, bispo de Aveiro

 

Paróco e leigos de Pedrogão Grande estavam em retiro

Drama dos incêndios
vivido no Seminário de Leiria

 

As primeiras chamadas telefónicas começaram a meio da tarde de sábado e nunca mais pararam. Antes, durante o almoço e quando já se sabia da existência de incêndios, o padre Júlio dos Santos tranquilizava os seus paroquianos: “está tudo bem!” Mas de repente, tudo mudou. Aquele grupo de 32 leigos e pároco de Pedrogão Grande entraram em sobressalto, com os telemóveis a tocar permanentemente. E as notícias 

 

não eram animadoras: o fogo cercava familiares e bens. A um já ardera o trator, a outra os currais e arrecadações, a outra era o marido que estava em casa cercado pelas chamas... Eram as mais variadas situações, todas com denominadores comuns: o medo por verem partir familiares e bens, bem como a ansiedade por receber as boas e desejadas notícias que tranquilizassem.   

 

 

 

 

Assim foi durante todo o dia. E nem a celebração eucarística, celebrada já pela noite, parecia ajudar a acalmar aquela gente. Eram o grupo maior, por entre cerca de 100 pessoas, que se encontrava no Seminário Diocesano de Leiria, desde sexta-feira à noite, para o convívio conclusivo dos encontros catequéticos do Caminho Neocatecumenal, decorridos em algumas paróquias das dioceses de Leiria-Fátima e Coimbra. A celebração começou e decorreu de forma sobressaltada. Dos toques dos telemóveis ao corropio de pessoas a entrar e sair. Embora num ambiente difícil, algumas daquelas pessoas começaram a experimentar ali um pouco de paz, de esperança. De tal forma que, embora a ansiedade não se dissipasse de todo, no final as expressões eram outras. A esperança e alegria apoderam-se da assembleia, que terminava a celebração, cantando um hino pascal. “Oh morte, onde está morte?” “Onde está a tua vitória?” “Ressuscitou!” “Aleluia!”. Assim cantavam, com voz forte. Já à saída, pelos corredores e por entre mais telefonemas, esse sinal de esperança traduzido em palavras: “os meus filhos estão descansados por saber que estou aqui e não lá”, ouvíamos de uma idosa, e “Deus trouxe-me aqui  

 

para não ser uma daquelas vítimas”, comentava outra mulher. A noite terminava com um pequeno momento de convívio, que serviu para partilhar as dores e alegrias, angústias e esperanças daquelas gentes. As das paróquias de Pedrogão Grande e Castanheira de Pêra (Diocese de Coimbra) – estas entretanto também já fustigadas com o drama dos incêndios - e as de Marrazes, São Mamede e Souto da Carpalhosa (Diocese de Leiria-Fátima).

Já no domingo pela manhã, em plena celebração de laudes, chegavam palavras de ânimo do bispo local, D. António Marto, que fez questão de se associar à dor daqueles gentes e se juntar a elas em oração. Um gesto de conformo que se sentiu naquela sala, entretanto mais despida de assembleia, em virtude de algumas pessoas terem tentado regressar a casa mais cedo. Os que ficaram e deixaram Leiria um pouco mais tarde, fizeram-no com ânimo e esperança redobrados. Sabendo que Deus fala através dos acontecimentos, que nem sempre cabem no entendimento do homem. Contudo, nunca deixa de ser Pai e Amor. Assim escutaram e assim regressaram a Pedrogão Grande, o padre Júlio e os seus paroquianos. 

 

Pedro Jerónimo

 

 

Cuidar da casa comum

- prevenir e evitar os incêndios

Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa

1. O nosso país, de ano para ano, tem sido de tal modo assolado por incêndios que estes se tornaram um autêntico flagelo com proporções quase incontroláveis. É a área anualmente ardida que já supera a de qualquer outro país europeu, mesmo aqueles que têm condições climatéricas semelhantes à nossa. É o património florestal que se vai perdendo de uma forma igualmente sem paralelo. São os notórios custos humanos, sociais, económicos e ecológicos decorrentes desta situação.

Que fazer? Vamos resignar-nos a uma chaga com tais dimensões, como se de uma fatalidade impossível de contrariar se tratasse? De modo algum. Estamos convencidos de que as causas do flagelo dependem direta ou indiretamente da vontade humana. E, como tal, só pode prevenir-se ou combater-se com eficácia, se todos nós, desde o cidadão mais simples ao mais responsável, em vez de vãs lamentações, mudarmos realmente de mentalidade e de hábitos sociais. Quais?

 

2. Sabemos que, na origem de muitos incêndios, talvez da maioria, estão comportamentos criminosos, uns intencionais, outros pelo menos negligentes. Há que apurar não apenas as causas da dimensão desta prática – o que verdadeiramente ainda se não conseguiu até hoje – como há sobretudo que detetar e combater interesses que dela possam beneficiar.

A punição dos responsáveis, diretos ou indiretos, por tais crimes é não só uma exigência de justiça, mas deve servir também de mensagem dissuasora contra tais condutas. Não se esqueça porém que a ação das entidades políticas e judiciárias depende em muito da colaboração dos cidadãos com informações relevantes para provar esses factos. Haja a coragem de as prestar.

 

3. Sabemos que os incêndios dependem também do estado de conservação em que se encontram os terrenos e as florestas. Daí as medidas de prevenção, nomeadamente de limpeza das matas e de 

 

 

 


 

 

ordenamento territorial, que, neste ponto, têm sido promulgadas pelos responsáveis estatais. Há que respeitá-las, apoiá-las e segui-las.

Existem porém casos em que tais exigências podem ultrapassar as capacidades dos proprietários, quando os terrenos lhes proporcionam rendimentos escassos. 

 

Sendo, mais do que bens individuais, o bem comum que está em causa, há também que apoiar os proprietários com outros incentivos. E tratando-se de propriedades do Estado, seja este o primeiro a dar o exemplo no cumprimento das exigências que impõe.

 

 

 

 

 

4. Felizmente são cada vez mais os cidadãos que, entre nós, se empenham ativamente quer na prevenção quer no combate aos incêndios. Há quem se dedique, designadamente no verão, a serviços de atenta vigilância. Nisso e sobretudo no combate destacam-se os bombeiros pelo profissionalismo e o modo abnegado e desinteressado com que o fazem, arriscando a própria vida e, por vezes, perdendo-a mesmo.

 

 

 Honra lhes seja feita pelo serviço que prestam. Como são de louvar ainda as inumeráveis iniciativas e manifestações de humanismo e solidariedade que, mormente em casos de perda de habitações e outros bens, têm surgido entre nós.

Quer isto dizer que ainda existe, como de resto sempre existiu, o sentido do bem comum, absolutamente necessário para a prevenção e o combate aos incêndios. Há que 

 

 

 

 

promovê-lo e alargá-lo de tal modo que se torne dominante em toda a sociedade.

 

5. Para isso é fundamental que todos olhemos a natureza não como uma simples fonte de utilidade e rendimento económico e por isso facilmente sujeita a explorações de tal modo desordenadas que a destroem totalmente. Até mesmo por não nos ser possível viver sem ela, há que respeitá-la e valorizá-la, na sua bondade, harmonia e equilíbrio, como um dom que recebemos e um legado que devemos esforçar-nos por transmitir às gerações futuras.

Veja-se como o Papa Francisco reforça o mesmo, numa perspetiva crente: «A natureza entende-se habitualmente como um sistema que se analisa, compreende e gere, mas a criação só se pode conceber como um dom que vem das mãos abertas do Pai de todos, como uma realidade iluminada pelo amor que nos chama a uma comunhão universal» (Laudato si', 76).

 

6. Finalmente, para a mudança de mentalidade e hábitos sociais, tão necessária para a prevenção e o 

 

combate aos incêndios, há que mobilizar toda a sociedade, nas suas diversas instâncias: o Estado com os seus responsáveis mais diretos; a Igreja e todas as outras confissões religiosas; as autarquias locais de maior e menor amplitude; as escolas nos seus sucessivos graus de ensino; a comunicação social nas suas diversas expressões; as mais variadas associações e muitas outras instituições, seja qual for a sua dimensão. Mas todos de forma concertada.

Da nossa parte, apelamos às comunidades cristãs a que tudo façam para comprometer os seus membros nesta causa que é tão cristã quanto humana.

 

Fátima, 27 de abril de 2017

 

 

Proteção Civil online

http://www.prociv.pt

 

É impossível ficar indiferente ao que se passou no fim-de-semana passado em terras de Pedrógão Grande. Fruto dessa tragédia, que a todos nos marcou, esta semana a minha sugestão passa pela visita ao sítio da Autoridade Nacional de Proteção Civil. Com o objetivo de fornecer a melhor e mais completa informação sobre a área da proteção civil, aqui podemos encontrar um vasto conjunto de informações sobre os mais diversos domínios de atuação desta organização.

Ao digitarmos o endereço www.prociv.pt encontramos um espaço eminentemente informativo onde, naturalmente, a situação dos fogos em território nacional merecem um destaque relevante.

Se clicarmos no mapa conseguimos rapidamente identificar os locais onde estão a decorrer ocorrências e ainda, de uma forma interativa, perceber exatamente qual o tipo de incidente, o local e ainda informações complementares (meios envolvidos e operacionais). Uma ferramenta 

 

bastante útil para acompanhar a evolução de qualquer situação anómala no nosso país.

Em “proteção civil” podemos saber que a Autoridade Nacional da Proteção Civil nasceu em 2007, fruto da fusão do Serviço Nacional de Proteção Civil, Serviço Nacional de Bombeiros e Comissão Nacional Especializada de Fogos Florestais. É ainda possível perceber como funciona o sistema de proteção civil, qual a legislação que regula esta área e o que é o Conselho Nacional de Bombeiros.

Na opção “riscos e prevenção” temos ao dispor vários conteúdos que nos ajudam a identificar melhor as situações vulneráveis bem como formas de nos precavermos das mesmas. Desde fenómenos naturais a riscos de diferentes graus das mais distintas formas, são elencados e fornecidas orientações muito relevantes.

Caso pretenda saber como funcionam as associações humanitárias de bombeiros, quais os seus estatutos, formas de financiamento e regulamentação basta que clique em bombeiros. Pois além do referido 

 

 

  

 

dispomos de informações relativas aos corpos de bombeiros, manuais de apoio técnico e ainda um conjunto de perguntas frequentes que nos ajudam a conhecer a realidade dos soldados da paz.

Por último é relevante também dominar melhor a segurança que deverá existir nos casos de incêndios em edifícios.

Aqui fica a sugestão de visita a acompanhamento regular desde  

 

 espaço online dado que a “ação diária da proteção civil na prevenção, proteção e socorro ao cidadão obriga a uma permanente atualização de conteúdos”. É importante termos cidadãos mais informados e sensibilizados sobre os riscos e medidas preventivas em caso de acidentes e catástrofes.

 

Fernando Cassola Marques

fernandocassola@gmail.com

 

 

 

 

Os avós hoje - Prazeres e armadilhas

 

Mais jovens e ativos do que no passado, os avós de hoje são por vezes chamados a viver situações mais complexas com os seus filhos e netos ao longo do seu crescimento.

‘Os avós hoje’ pretende ajudar estes novos avós, propondo recursos para o desenvolvimento de uma relação familiar harmoniosa que lhes permita assumir o seu papel com prazer, sugerindo diversas atividades, concebidas em especial para os seus netos.
 

Ficha Técnica

Título: Os avós hoje

Autor: Francine Ferland

Categoria: Multinova

Formato: 13x21,5 cm

Páginas: 189

 

 

 


Questão Género

A diferença entre o homem (masculino e pai) e a mulher (feminina e mãe), considerada como um dado essencial e imprescindível da natureza humana hoje está sujeita a um debate orientado pela recente cultura sexual, que, contestando a naturalidade da diferença entre macho e fêmea, reivindica o direito, inclusivamente no plano jurídico, a definir de um modo distinto o género sexual a que cada um pertence.

Com o propósito de oferecer alguns elementos interpretativos essenciais para iluminar esta questão, Aristide Fumagalli, evidencia o desenvolvimento das teorias de género e a sua incidência no plano político e jurídico e faz a distinção entre ideologia de género e perspetiva de género, assinalando os limites da primeira e os valores da segunda.

 

 

Ficha Técnica

Título: A Questão Género

Autor: Aristide Fumagalli

Formato: 13x22 cm

Páginas: 98

Editora: Multinova

ISBN: 9789895510719

 

 

 

Questão Género

A diferença entre o homem (masculino e pai) e a mulher (feminina e mãe), considerada como um dado essencial e imprescindível da natureza humana hoje está sujeita a um debate orientado pela recente cultura sexual, que, contestando a naturalidade da diferença entre macho e fêmea, reivindica o direito, inclusivamente no plano jurídico, a definir de um modo distinto o género sexual a que cada um pertence.

Com o propósito de oferecer alguns elementos interpretativos essenciais para iluminar esta questão, Aristide Fumagalli, evidencia o desenvolvimento das teorias de género e a sua incidência no plano político e jurídico e faz a distinção entre ideologia de género e perspetiva de género, assinalando os limites da primeira e os valores da segunda.

Ficha Técnica

Título: A Questão Género

Autor: Aristide Fumagalli

Formato: 13x22 cm

Páginas: 98

Editora: Multinova

ISBN: 9789895510719

Junho 2017

Dia 23 de junho

*Coimbra - Pombal (Centro Paroquial) - Assembleia diocesana do clero com reflexão sobre os 50 anos da encíclica «Populorum Progressio».

 

*Fátima - Reunião dos diretores diocesanos de catequese presidida por D. António Moiteiro.

 

*Aveiro – D. António Moiteiro, bispo de Aveiro, convida diocese à oração pelos sacerdotes

 

*Coimbra – Mealhada - A Cáritas Diocesana de Coimbra apresenta «As tecnologias ao serviço de um envelhecimento ativo e saudável – o projeto GrowMeUp», no Congresso Internacional de Geriatria e Saúde Mental.

 

*Lamego – Seminário - Conselho presbiteral da Diocese de Lamego

 

*Setúbal - Igreja de Nossa Senhora do Rosário - Quinta catequese «Sai do Sofá... e Constrói-te!» com tema «Retrato de Família» proferida pelo casal Fernando Magalhães e Eugénia Magalhães e promovida pela Pastoral da Juventude de Setúbal.

 

*Aveiro – Seminário - Concerto de órgão e canto no Seminário de Aveiro

 

Dia 24 de junho

*Évora - Seminário de Évora - Encontro de reflexão dos candidatos ao Diaconado Permanente com D. José Alves, arcebispo de Évora.

 

*Guarda - Encontro de D. Manuel Felício, bispo da Guarda, com o Departamento de Educação Moral e Religiosa Católica.

 

Dia 25 de junho

*Aveiro - Dia da Igreja Diocesana de Aveiro

 

*Viseu – Sé - Ordenações sacerdotais

 

*Aveiro - Tomada de posse dos membros do tribunal próprio para dar início à fase diocesana do Processo de Canonização da Beata Joana.

 

*Barcelos - Santuário da Franqueira - Encontro das famílias do arciprestado de Barcelos com o tema «Família com Maria: a alegria do amor».

 

 

 

 

 

*Porto - Casa de Vilar - Encontro diocesano de cuidadores que estão envolvidos na Pastoral da Saúde e na Pastoral Social

 

*Aveiro - Eleições para os órgãos regionais do escutismo

*Guarda – Trancoso - O bispo da Guarda, D. Manuel Felício, benze o novo quartel dos Bombeiros Voluntários de Trancoso.

 

*Setúbal - Almada (Seminário) - Conferência sobre «Família e Vocações» no Seminário de Almada por D. José Ornelas, bispo de Setúbal.

 

*Coimbra - Sé Nova - Ordenação de 17 diáconos permanentes para a Diocese de Coimbra

 

Dia 26 de Junho

*Porto - Santa Maria da Feira (Seminário dos Passionistas) - O Secretariado da Pastoral da Cultura da Diocese do Porto organiza um ciclo sobre «Desamordaçar o futuro – A voz dos cristãos no mundo contemporâneo». Com reflexões dos professores universitários, Diogo Lourenço e Nuno Higino

 

*Évora - Conselho presbiteral da Diocese de Évora

 

 

*Setúbal - Almada (Igreja de Nossa Senhora da Assunção) - A Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Almada, vai acolher um concerto solidário, dia 26 deste mês, para as vítimas dos incêndios que deflagram em Pedrogão Grande.

 

*Porto - Reunião de Vigários da Diocese do Porto (26 e 27)

 

Dia 28 de Junho

*Vaticano - Consistório para a criação de 5 novos cardeais

 

*Aveiro – CUFC - A Comissão da Cultura da Diocese de Aveiro realiza uma ação formativa sobre «Como cuidar do Património Religioso?» que tem como intervenientes Sandra Costa Saldanha e Vítor Serrão.

 

Lisboa - Fundação Calouste Gulbenkian - Colóquio internacional «'Ninguém sabe que coisa quer': A Grande Guerra e a Crise dos Cânones Culturais Portugueses» organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian. (28 a 30)

 

 

II Concílio do Vaticano:
Verbos a conjugar por um bispo

 

O II Concílio do Vaticano (1962-65) deu à luz o documento «Christus Dominus» (CD) sobre a missão dos bispos na Igreja. Esse decreto conciliar coloca em destaque três verbos que devem estar sempre presentes no múnus pastoral dos bispos: Ensinar, Santificar e Governar. Três verbos clássicos que todos os bispos devem conjugar de forma correta. O grande acontecimento eclesial – convocado pelo Papa João XXIII e continuado pelo seu sucessor – recorda lapidarmente aos bispos “que o bem do rebanho do Senhor seja sempre a regra suprema” no desempenho das suas funções pastorais (CD 25).

Os bispos são para o serviço do povo de Deus e não o contrário (cf. Mc 2, 27). Em relação ao primeiro verbo - «Ensinar» -, o documento conciliar realça que não se trata de “um gosto ou uma característica que temperamentos fortes exercitarão, consoante julgarem oportuno. É uma obrigação imperativa, que não admite desculpas ou exceções”, lê-se na obra «Ser Cristão à luz do Vaticano II» de Manuel Morujão, S.J. e com a chancela do «Apostolado da Oração».

O concílio recorda aos bispos que devem “proclamar o Evangelho de Jesus a todos os homens e mulheres” e devem mostrar que “as instituições terrenas e humanas não são algo alheio à visão da fé cristã”, mas são queridas por Deus e devem ser aproveitadas como caminho para a construção do reino de Deus. O decreto não esquece também de apontar o modo ou estilo como os bispos devem exercer esse dever de ensinar. Ensino não teorético, desenraizado, cheios de chavões, mas “qu

 

 

 

e responda às reais necessidades, problemas e aspirações daqueles a quem se dirige”.

Neste caminho de ensino, os bispos devem fomentar o diálogo com as pessoas e grupos sociais, unindo verdade com caridade, e “impondo-se pela humildade e mansidão. A palavra «diálogo» é fundamental na linguagem conciliar, sendo das que mais aparecem, largas dezenas de vezes” (cf. Livro citado anteriormente).

Em relação aos dois verbos seguintes - «Santificar» e «Governar» - o documento «Christus Dominus» é 

 

bem elucidativo. O serviço episcopal é muito mais do que o ofício de um professor ou de administrador. Eles devem dar o exemplo “de santidade pela caridade, humildade e simplicidade de vida” (CD15). No dicionário cristão, os verbos «Reger» e «Governar» são sinónimos de servir. A solicitude pastoral não admite fronteiras, mas deve estender-se a todos, sem discriminação de idade, nacionalidade, raça, religião ou condição social. O II Concílio do Vaticano deixou boas diretivas…

 

 

 

   

Hoje

Jornada Mundial de Oração pelos Sacerdotes na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

 

Barreiro, 21h30

Pastoral da Juventude de Setúbal dinamiza sessão quinta catequese «Sai do Sofá... e Constrói-te!» - com o tema «Retrato de Família» proferida pelo casal Fernando Magalhães e Eugénia Magalhães, na igreja de Nossa Senhora do Rosário.

 

25 de junho - Ordenações sacerdotais e diaconais nas Diocese de Viseu e Coimbra.

 

26 de Junho - Santa Maria da Feira, Diocese do Porto

Primeira sessão do ciclo ‘Desamordaçar o futuro – A voz dos cristãos no mundo contemporâneo’ do Secretariado Diocesano da Pastoral da Cultura no Seminário dos Passionistas com professores universitários Diogo Lourenço e Nuno Higino.

 

Almada, Diocese de Setúbal, 21:30

Concerto solidário ‘Oratória Mariana’ para as vítimas dos incêndios que deflagram em Pedrogão Grande, na igreja de Nossa Senhora da Assunção . Xom Teresa Salgueiro, Nélson Almeida e Óscar Torres e a participação do coro «Totus Tuus Maria».

 

28 de junho - Vaticano - Papa Francisco preside ao quarto consistório do seu pontificado para a criação de cinco cardeais eleitores na véspera da festa de São Pedro e São Paulo.

 

Programação religiosa nos media

Antena 1, 8h00

RTP1, 10h30

Transmissão da missa dominical

 

 

11h00 - Transmissão missa

 

 

 

Domingo:

10h00 - Porta Aberta; 11h00 - Eucaristia; 23h30 - Entrevista de Aura Miguel

 

Segunda-feira:

12h00 - Informação religiosa

 

Diariamente

18h30 - Terço

 

 

 
RTP2, 13h00

Domingo, 25 junho, 13h30 - Cinza e morte em Pedrógão Grande

 

Segunda-feira, dia 26, 15h00 

Entrevista a Alexandre Castro Caldas sobre o curso de Medicina na Universidade Católica Portuguesa.

 

Terça-feira, dia 27, 15h00 Informação e entrevista a Thereza Carvalho e Fátima Esteves sobre a carta aberta do juristas católicos contra a legalização da eutanásia.

 

Quarta-feira, dia 28, 15h00 - Informação e entrevista ao padre Gonçalo Fernandes, CM, sobre o XII Clericus Cup.

 

Quinta-feira, dia 29 junho, 15h00 - Informação e entrevista sobre a atualidade.

 

Sexta-feira, dia 30, 15h00  -  Entrevista de análise à liturgia de domingo com a irmã Paula Jordão e frei José Nunes.

 

Antena 1

Domingo, 25 de junho - Incêndios na zona centro de Portugal e campanhas de solidariedade para ajudar as vítimas.
 
Segunda a Sexta-feira, 26 a 30 junho -

 

  

 

 

     

 

 

 

 

 

 

Ano A – 12.º Domingo do Tempo Comum 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
Deus cuida
de nós
 
 

As perseguições e as dificuldades estão sempre no horizonte da vida do discípulo missionário, mas a solicitude e o amor de Deus não abandonam o discípulo que dá testemunho da salvação de Deus. É nesta tonalidade que podemos acolher a Palavra de Deus neste 12.º Domingo do Tempo Comum.

A primeira leitura apresenta-nos o exemplo de Jeremias, paradigma do profeta sofredor, que experimenta a perseguição, a solidão e o abandono por causa da Palavra. Mas Jeremias nunca deixa de confiar em Deus e de anunciar, com coerência e fidelidade, as propostas de Deus.

Na segunda leitura, Paulo demonstra aos cristãos de Roma, e a todos nós hoje, como a fidelidade aos projetos de Deus gera vida e como uma vida organizada numa dinâmica de egoísmo e de autossuficiência gera morte.

No Evangelho, Jesus envia os discípulos e avisa-os das perseguições e incompreensões que vão enfrentar, mas garante a sua presença contínua, a solicitude e o amor de Deus ao longo de toda a sua caminhada pelo mundo.

O projeto de Jesus para nós, vivido com radicalidade e coerência, não é um projeto simpático, aclamado e aplaudido por aqueles que mandam no mundo e na opinião pública. É um projeto radical e provocador, que exige a vitória sobre o egoísmo, o comodismo, a instalação, a opressão e a injustiça. É um projeto capaz de abalar os fundamentos da ordem injusta e alienante sobre a qual o mundo se constrói.

Há um certo mundo que se sente ameaçado nos seus fundamentos e que procura, todos os dias, encontrar formas para subverter e domesticar o projeto de Jesus. A nossa época inventou formas de reduzir ao silêncio 

 

 

 

os discípulos de Jesus, através da calúnia e da publicidade enganosa de valores efémeros.

Como a comunidade de Mateus, também nós podemos andar assustados, confusos e desorientados, interrogando-nos se vale a pena continuar a remar contra a maré. A todos nós, Jesus diz: ?não temais?. O medo não pode impedir-nos de dar testemunho. A Palavra libertadora de Jesus não pode ser calada, escondida e escamoteada; mas tem de ser vivamente afirmada com palavras, gestos e atitudes coerentes e interpeladoras. Viver uma fé instalada e cómoda, que não faz ondas e não muda nada, que aceita passivamente valores, esquemas, dinâmicas e 

 

estruturas desumanizadoras não chega para nos integrar plenamente na comunidade de Jesus.

A Palavra de Deus que nos é proposta hoje convida-nos também a fazer a descoberta de Deus que tem um coração cheio de ternura, de bondade, de solicitude. Se nos entregarmos confiadamente nas mãos de Deus que nos dá confiança e proteção, que nos dá amor e que nos pega ao colo quando temos dificuldade em caminhar, não teremos qualquer receio de enfrentar as perseguições e dificuldades. Confiemos em Deus que cuida de nós com ternura e amor!

 

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

 

 

 

Pensar Fátima Hoje

 

O Santuário de Fátima e a Faculdade de Teologia, da Universidade Católica Portuguesa (UCP) promovem até sábado o congresso internacional ‘Pensar Fátima’, numa perspetiva interdisciplinar, para abrir novas oportunidades de estudo. “O congresso permitirá, assim o cremos, fazer o balanço dos estudos científicos feitos até à data. Aprofundar as várias dimensões do evento Fátima e abrirá perspetivas de estudo, 

 

 

aprofundamento e investigação”, disse o reitor do santuário, na sessão de abertura do evento.

O padre Carlos Cabecinhas explicou que o encontro internacional ‘Pensar Fátima’ é, de algum modo, o “ponto culminante e síntese” da sequência de seis simpósios teológicos pastorais realizados nos últimos anos de preparação para o Centenário das Aparições.

Neste contexto, o evento que estava,

 

 

 

 “desde o início”, no programa dos 100 anos das aparições na Cova da Iria pretende “sublinhar a convicção” que a celebração do jubileu “é desafio e oportunidade para a promoção do estudo científico pluridisciplinar de Fátima”. “Permite alcançar uma perceção aprofundada deste rico e significativo fenómeno que é Fátima”, acrescentou o reitor do Santuário mariano.

No evento de teor académico vão ser estudadas várias das dimensões de Fátima, em perspetiva interdisciplinar: Teologia, Sociologia, Psicologia, Cultura, História, Arte. ‘Fátima em caleidoscópio’ foi o tema que o bispo de Leiria-Fátima deu à sua intervenção e explicou que é um “lugar multifacetado e plural” desde a “sua génese”.

Para D. António Marto, num congresso em que se reúnem “leituras das múltiplas disciplinas” que ao longo da “feliz história de 100 se interessaram por Fátima” não podem deixar de recordar “o quanto os diferentes prismas têm contribuído” para o quanto Fátima é para Portugal e para o mundo. “A Igreja tem muito a acolher deste exercício interdisciplinar”, observou, sobre

 

um lugar que “é motor de transformação de pessoas e sociedades”.

Por sua vez, o presidente da comissão organizadora do congresso assinalou que há 100 anos “algo de especial despoletou” na Cova da Iria e “ninguém imaginaria” na ocasião o que viria a acontecer em Fátima e “em muitos outros lugares”.

O teólogo João Manuel Duque observou que, um século depois das aparições de Nossa Senhora aos Pastorinhos, “ainda hoje, escapa muito do que aconteceu e do que continua a acontecer”, por isso, o trabalho de compreensão “não encontra descanso”.

Inserido no programa, esta quinta-feira, o serão cultural ‘Conversar Fátima 100 anos depois’, debateu a relevância das aparições com o bispo de Leiria-Fátima, a jornalista Helena Matos, o eurodeputado português Paulo Rangel e o historiador Henrique Leitão.

O Santuário de Fátima e a Faculdade de Teologia, da UCP, convidaram o presidente do Conselho Pontifício da Cultura (Santa Sé) para a conferência final, este sábado; o cardeal italiano Gianfranco Ravasi vai apresentar o tema ‘Fátima como promessa’.

 

 

Visita a Fátima deixou marca

 

O embaixador português junto da Santa Sé, António Almeida Ribeiro, encontrou-se esta segunda-feira com o Papa Francisco, para uma audiência de despedida, e disse à Agência ECCLESIA que a visita a Fátima deixou marca no pontífice. “Foi uma emoção não só para os portugueses, em geral, mas também para o próprio Papa. Foi uma emoção muito forte e isso também esteve hoje presente, na nossa conversa”, relatou o 

 

 

representante diplomático.

António Almeida Ribeiro acrescenta que o Papa repetiu, a respeito da viagem à Cova da Iria, nos dias 12 e 13 de maio: “Fez-me muito bem, cá por dentro”. “Acho que Fátima foi para o Papa uma descoberta, uma descoberta boa, e ele estava claramente feliz por aquilo que observou e viveu”, sublinha o embaixador.

Outro momento evocado pelo diplomata foi a primeira deslocação

 

 

 

 

 internacional do atual presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, em março de 2016, que teve como destino o Vaticano. “Foi muito significativo que o presidente da República eleito tenha optado por vir precisamente ao Vaticano. Essa antiga ligação histórica foi realçada por ele”, recordou.

Nas relações bilaterais Portugal-Santa Sé, prossegue, esse gesto do chefe de Estado foi registado “com enorme apreço”.

O embaixador português participou em quatro dos encontros anuais do Papa com o corpo diplomático acreditado na Santa Sé, momentos que recorda de forma particular. “O Papa é, na atualidade, a grande 

 

 

referência moral do mundo e, por isso tudo o que diz é importante analisar, escutar com atenção”, sustenta.

Dos encontros individuais, o diplomata recorda “momentos extraordinários”, muito marcados pela referência a Fátima, no Centenário das Aparições. “Foi uma forma de assinalar que Fátima tem algo de especial para a Igreja e para Portugal, também para os Papas. Tudo isto ajudou, acho eu, à tomada da decisão [sobre a viagem à Cova da Iria]”, concluiu.

António Almeida Ribeiro iniciou funções em abril de 2013, pouco depois da eleição pontifícia do Papa Francisco, e vai deixar o cargo de embaixador português junto da Santa Sé em agosto.

 

O cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, vai proferir no dia 30 de junho a conferência de encerramento do colóquio internacional «'Ninguém sabe que coisa quer': A Grande Guerra e a Crise dos Cânones Culturais Portugueses» organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Ao longo dos três dias (28 a 30 de junho), vários oradores vão abordar temáticas relacionadas com a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). “Fátima: a Procura do Milagre da Paz e o Choque de Culturas” por Bruno Cardoso Reis será um dos temas refletidos nesta iniciativa, comissariada por António Telo, que pretende recordar o centenário do fim daquela guerra (1914-18).

 

 

Histórias de solidariedade na cidade de Marawi, nas Filipinas

O fanatismo da caridade

Grupos de jihadistas tomaram de assalto a cidade de Marawi, no sul das Filipinas e andaram literalmente à caça de cristãos. Alguns foram raptados, outros mortos. Mas muitos conseguiram escapar graças à solidariedade e à coragem de muçulmanos para quem a vida humana está acima de tudo.

 Num par de horas, a cidade de Marawi, no sul das Filipinas, transformou-se num campo de batalha. No dia 24 de Maio, terroristas, ligados ao auto-proclamado Estado Islâmico irromperam pelas ruas, aos tiros. Num par de horas, atacaram a cadeia, saquearam todo o armamento que lá se encontrava e, em seguida, dirigiram-se para a Catedral e raptaram o Padre Teresito Suganob e outros quinze cristãos que se encontravam no templo a rezar. Depois, destruíram imagens de santos, derrubaram a cruz, vandalizaram o altar e deitaram fogo ao edifício. Os terroristas pretendem a criação de um califado na região sul do país e não esconderam, logo nas primeiras horas do ataque, que 

 

 

seriam impiedosos para com todos os não-muçulmanos. O que eles não imaginavam é que seriam muçulmanos, arriscando a própria vida, a defender os cristãos de Marawi. O que se passou nesse dia 24 de Maio dificilmente será esquecido por Farida, uma muçulmana que tem uma loja na cidade e que se sentiu completamente impotente quando os terroristas irromperam na sua loja. Ela sabia que seria uma estupidez tentar impedir que eles esvaziassem as prateleiras da sua loja, mas afligiu-se quando os viu a dirigiram-se para um dos cantos do estabelecimento onde estavam, meio escondidos, os seus 13 empregados. Percebia-se que estavam assustados. Pudera, eram todos cristãos. Farida, sem pensar nas consequências, enfrentou os terroristas e disse-lhes, com a voz mais determinada que lhe foi possível: “Têm que me matar primeiro, antes de tocarem neles”. Falou-lhes no dialecto local, o Maranao. Os terroristas, todos muito jovens, compreenderam que ela estava mesmo determinada e deixaram a loja com os bolsos cheios de coisas roubadas mas sem 

 

 

 

terem derramado sangue, sem terem disparado uma única vez as suas metralhadoras. Porém, foi por pouco. Depois de os terroristas terem deixado a loja, Farida contactou com um familiar para ajudar os seus empregados a apanharem um barco para atravessarem o lago Maranao, rumo à  cidade Iligan, onde estariam a salvo.

 

Histórias de heróis

Não foi só Farida que mostrou coragem e compaixão nestes dias de tumulto em Marawi. Mais histórias de solidariedade vão começando a surgir na Imprensa. O próprio Bispo Edwin de la Peña contou à Fundação AIS como um alto dirigente muçulmano local deu indicações precisas ao seu motorista e à sua família sobre o que deveriam dizer caso alguma vez fossem interpelados pelos terroristas. Depois, ele próprio os acompanhou até ao autocarro que os transportou também para a cidade de Iligan. “Considero-o um herói”, disse D. Edwin. “Considero-o um herói por se ter ocupado pessoalmente de um grupo de cristãos que procuravam fugir do perigo.” A cidade de Marawi transformou-se num lugar fantasma.

 

 

As casas estão destruídas e não se vê vivalma. Porém, todos sabem que centenas de jihadistas estão entrincheirados e continuam decididos a lutar até ao fim. Este ataque veio demonstrar que a solidariedade também existe e é possível muçulmanos e cristãos viverem lado a lado em paz e sem ódio. Essa é outra guerra. É uma guerra que se trava sem armas e sem vingança. Por estes dias, ressoam ainda as palavras que o Santo Padre proferiu recentemente no Egipto: “O único fanatismo permitido por Deus é o da caridade.”

Paulo Aido | www.fundacao-ais.pt

 

Santos populares?

  Tony Neves   
  Espiritano   

 
 

Carlos Paião, de grata memória, cantou: ‘Viva o S. António, viva o S. João, viva o dez de Junho e a Restauração! Viva até S. Bento se nos arranjar dias feriados para festejar!’. E, como a brincar se dizem grandes verdades, Carlos Paião pôs um dedo numa das feridas da nossa relação com as realidades sagradas: usamos e abusamos das pessoas e realidades religiosas!

Não tenho nada, rigorosamente nada contra as festas do povo. As pessoas precisam delas para descarregar stresses e recarregar baterias. E mais: as festas que juntam o povo são vitais para o exercício de uma cidadania responsável, pois obrigam as pessoas a congregar esforços e a celebrar juntos a alegria de viver. Fique aqui registada a minha concordância e apoio às festas das aldeias, vilas e cidades.

Mas (há sempre ‘mas’…) há que distinguir o que é festa popular e o que os santos e santas trazem de valor acrescentado à história da humanidade. São inspiração pela vida, pelas escolhas feitas, pelos compromissos radicais assumidos, pela fé testemunhada. Para nós, cristãos, celebrar Santo António, S. João e S. Pedro tem de ir além de sardinhas, marchas, alhos porros, martelos e muito bailarico! As suas vidas continuam a falar alto e calar fundo. Olhar para o sentido de Missão, a coragem da pregação, a largura de vistas da peregrinação de S. António, rasgas horizontes novos à vida. Ver com olhos de ver a coragem profética de um S. João Baptista a apelar para 

 

 

 

 

 

valores radicais e essenciais, a denunciar injustiças e atitudes indignas, aponta caminhos de mudança social. Perceber como S. Pedro deixa redes e passa o resto da vida como pastor da Igreja nascente, correndo riscos e dando a vida pelo Evangelho, fortalece as vidas marcadas pelas contrariedades e dores que não se suportam sem fé.

Ora, celebrar os Santos Populares é perceber, de uma vez por todas, que a vida cristã gera felicidade e alegria e, por isso mesmo, merece ser transformada em festa. É bom ver que, ao longo da história, o sagrado e o profano andaram de mãos dadas. Nos países de tradição cristã, as festas do povo eram as festas da Igreja, assentes na celebração da memória dos santos que carimbaram, com fé e coragem, convicções profundas.

Então, em que ficamos? Damos graças a Deus porque os santos marcam o ritmo festivo do povo. Mas não 

 

podemos aceitar, como cristãos, a perda de passar ao lado do essencial das suas vidas. Façamos festa de rua, mas participemos activamente nas celebrações litúrgicas que dão graças a Deus pela Sua presença nas vidas das pessoas. E é bom aprofundar a vida e a Missão destes santos populares para vermos a riqueza que ali vamos buscar.

Os santos são inspiração, Ninguém imita ninguém, porque não há duas vidas iguais. Mas as suas intuições e compromissos abrem-nos os olhos do coração para construir um mundo mais humano e mais fraterno. Não será esta parte da festa que as sociedades hoje esquecem, descapitalizando o muito de valioso que os santos têm para oferecer a todos e cada um dos cidadãos deste mundo?

Viva o Santo António, viva o S. João, viva o S. Pedro, vivamos todos com Fé e com Festa. Se assim for, o mundo será melhor porque mais feliz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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