04 - Editorial:

     Paulo Rocha

06 - Foto da semana

07 - Citações

08 - Nacional

14 - Internacional

20 - Opinião

     António Rego

22 - Semana de..

     Octávio Carmo

     Jornadas Nacionais de Comunicação Social


   

 

26 - Entrevista:

     Carlos Matos

52 - Estante

54 - Concílio Vaticano II

56 - Agenda

58 - Por estes dias

60 - Programação Religiosa

61  - Minuto Positivo

62 - Liturgia

64 - Jubileu da Misericórdia

66 - Fundação AIS

68 - LusoFonias

Foto da capa: Nova Imagem gráfica da Agência ECCLESIA. 

Foto da contracapa:  DR

 

 

AGÊNCIA ECCLESIA 
Diretor: Paulo Rocha  | Chefe de Redação: Octávio Carmo
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Opinião

 

 

 

«Só a paz é santa»

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Religiões unidas contra o terrorismo

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A comunicação da Igreja em Portugal

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António Rego | José Aguiar | Alberta Marques Fernandes | Jorge Pires Ferreira | Paulo Agostinho

Octávio Carmo |

Manuel Barbosa | Paulo Aido

Tony Neves

 

Comunicar sem bancada da oposição

  Paulo Rocha  
  Agência ECCLESIA   

 
 

 

 

A eficácia da comunicação depende muito da bancada da oposição. Alimenta-se num ping-pong de ideias, argumentos e contra-argumentos que passa por cenários muito diversos. De facto, não são só as discussões parlamentares que se alimentam dessa lógica mediática. Ela sustenta diálogos na praça pública, debates em associações locais ou com emissões globais, controvérsias feitas para entreter e ainda mais as contestações entre adeptos de clubes com cores diferentes.

Quando a comunicação é institucional, procurar a eficácia e a emoção mediática, ou seja a audiência, a partir das reações que possam surgir na bancada da oposição pode não ser a melhor opção. Porque, de facto, a bancada da oposição não existe! Existe um público que é preciso conhecer, que se tem conquistar pela credibilidade, verdade e transparência e com o qual é necessário saber construir uma comunidade.

Considerações feitas a propósito da comunicação na Igreja Católica, em análise nestes dias nas Jornadas Nacionais de Comunicação Social, com o perigo de se referirem apenas a um público muito específico, mas no propósito de envolver todos os públicos na urgência da comunicação quando em causa está a evangelização.

Parcerias, sinergias, trabalho em rede, partilha de recursos e de conteúdos… Desejos, ideias que raramente se transformam em projetos. Mas permanece a vontade de que assim seja entre todos os que coordenam setores da comunicação

 

 

 

 

 em diferentes estruturas eclesiais porque esse é o objetivo é certo e sabido, “apenas” falta descobrir o caminho para lá chegar.

Colocado o tema novamente na agenda, os diálogos realizados, os debates provocados e os encontros efetuados motivam o compromisso com o desafio da comunicação na Igreja Católica numa atitude de proximidade, de escuta e de irrenunciável e permanente ligação à História que tem sustentado todas as aventuras de comunicação 

 

há dois mil anos: o Verbo, a Palavra, Jesus Cristo.

Num ambiente digital, a comunicação vive ainda mais de histórias, momentos, imagens que quase sempre se veem apenas vez. E poucas instituições têm a garantia de que a mesma Imagem resulta quando comunicada muitas vezes como a Igreja Católica: os rostos de Jesus. Um compromisso que exige unidade, onde os comunicadores, os evangelizadores, estejam todos do mesmo lado, sem bancada da oposição.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Papa Francisco em Assis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Eu tenho defendido sempre que uma coisa é a política, outra coisa são as questões privadas e da intimidade das pessoas e não gostaria de ficar associado a isso", Pedro Passos Coelho sobre a apresentação do livro do jornalista José António Saraiva

 

 

“Prometemos uma alternativa que respeitasse o nosso programa, as posições da maioria que apoia o Governo e os compromissos internacionais do nosso país - e é isso que estamos a cumprir" primeiro ministro António Costa, no primeiro debate quinzenal da legislatura

 


Vamos evocar o 50.º artigo e, nesse pedido, iremos estabelecer alguns parâmetros de como nos propomos a levar isto adiante. Não acredito que iremos precisar dos dois anos." ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson.

 


"O aumento da carga fiscal sobre os trabalhadores com baixos rendimentos foi particularmente elevado em Portugal, onde o sistema de crédito fiscal foi tornado menos progressivo" OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico

 

Líderes religiosos querem
ser parte da solução para a Paz

 

A Comissão Nacional Justiça e Paz publicou a nota ‘Religiões pela Paz’, sobre o encontro inter-religioso que se concluiu esta terça-feira em Assis, com a presença do Papa, sublinhando que os líderes das várias confissões mostraram a vontade de ser “parte da solução”.

“A força incomparável que têm as religiões na vida das pessoas e dos povos pode, e deve, ser canalizada em função do diálogo, da harmonia social, da justiça e da paz. Na construção

 

 

da paz, as religiões não são parte do problema, mas parte da solução”, escreve o organismo laical ligado à Conferência Episcopal Portuguesa.

A nota enviada à Agência ECCLESIA por Pedro Vaz Patto, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), considera “importante sublinhar” que as religiões quando “vividas na sua pureza e autenticidade” não são fonte de conflito e de ódio mas “de paz e de unidade”, quando se difunde a 

 

 

 

 

 

 

tese do “choque de civilizações” onde as religiões teriam um papel como fonte de divisões e conflitos. “Não podemos ignorar um passado, e um presente, de guerras e conflitos com motivações religiosas que encobre a sede de poder ou outro tipo de motivações”, acrescenta o texto.

“Todas as religiões deveriam, a este respeito, proceder a uma salutar autocrítica”, observa a CNJP no documento que pretende assinalar a realização do encontro inter-religioso de Assis, no 30.º aniversário do primeiro destes encontros por “iniciativa profética” do Papa São João Paulo II.

Para o organismo católico, os encontros de Assis são “um sinal de uma outra era que começa”, que o destino futuro da humanidade “não tem que ser marcado pelo ‘choque de civilizações’”.

A Comissão Nacional Justiça e Paz refere que é nas religiões que a maioria dos seres humanos encontra a “motivação mais profunda que dá sentido às suas vidas” e muitos povos encontram um “elemento decisivo de identidade cultural e coesão social”.

 

 

“Quando não deturpadas, podem desencadear o melhor das energias humanas”, destaca a CNJP, na nota também divulgada na sua página na internet.

O Papa Francisco e dezenas de líderes religiosos assinaram uma declaração conjunta pela paz, na qual rejeitam o terrorismo e o fundamentalismo. “A paz é o nome de Deus. Quem invoca o nome de Deus para justificar o terrorismo, a violência e a guerra, não caminha pela sua estrada: a guerra em nome da religião torna-se uma guerra contra a própria religião”, lê-se no ‘Apelo pela Paz 2016’.

 

 

Prémio para a recuperação dos Clérigos

 

O presidente da Irmandade dos Clérigos, padre Américo Aguiar, disse que o trabalho de recuperação da Igreja e Torre dos Clérigos, no Porto, mostrou a possibilidade de conciliar “culto e cultura” de uma nova forma. “É uma maneira nova, diferente, de encarar a presença de um edifício destes, um edifício de culto, um edifício de cultura, provando a nós próprios que o culto e a cultura não têm de viver de costas voltadas”, explicou o responsável, em declarações à Agência ECCLESIA.

O projeto de restauro e recuperação da Igreja e Torre dos Clérigos venceu a 9.ª edição do Prémio Vasco Vilalva, no valor de 50 mil euros, uma distinção que foi entregue esta terça-feira, numa cerimónia pública.

O padre Américo Aguiar sublinha o “peso institucional” desta distinção da Gulbenkian, mostrando-se “honrado” pelo facto de o prémio reconhecer “a excelência de uma intervenção” de conservação e restauro, realizada por ocasião da comemoração dos 250 anos da construção da torre. “A tradição e a modernidade também podem trabalhar em conjunto”, sublinha.

 

 

O presidente da Irmandade dos Clérigos, padre Américo Aguiar, distinguiu a 11 de julho de 2015 o visitante ‘1 Milhão’ neste monumento do Porto, numa contagem que começou em fevereiro de 2013, no jubileu dos 250 anos. “Dentro de semanas, acreditamos que vamos ter de fazer uma segunda festa, para o visitante 2 milhões”, adiantou o sacerdote, que fala numa grande “responsabilidade”.

Já o presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, Artur Santos Silva, referiu à Agência ECCLESIA que a distinção visou o “trabalho extraordinário de recuperação” que foi feito nos Clérigos, “muito bem concebido, muito bem executado”.

 

 

 

Secretário de Estado do Vaticano em Fátima

O secretário de Estado do Vaticano vai estar em Fátima para presidir à peregrinação internacional aniversária do 13 de outubro, na reta final da preparação para a celebração do centenário das aparições, em 2017. “Imagino que devem ter pensado que, por ocasião do 99º aniversário das aparições, ter a presença do colaborador direto do Papa Francisco poderá ser uma boa preparação para o centenário que será no próximo ano”, salienta D. Pietro Parolin, em entrevista divulgada pela sala de imprensa do Santuário de Fátima.

Esta será a primeira vez que o atual chefe da diplomacia do Vaticano estará na Cova da Iria e o cardeal italiano mostra-se “contente e agradecido pelo convite, sublinhando que essa visita terá muito mais do que um cariz institucional. “Estou a preparar-me refletindo sobre o significado de Fátima e sobretudo deixando-me envolver, porque não serei só uma presença institucional mas sobretudo um filho que visita a sua Mãe”, realça D. Pietro Parolin.

A peregrinação internacional de outubro assinala a sexta aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria e este ano tem como tema “Quem perder a sua vida… salvá-la-á”. O convite para a vinda do secretário de Estado da

 

Santa Sé a Fátima foi feito há cerca de um ano, durante a última visita ‘ad limina’ dos bispos portugueses a Roma.

“Tínhamos feito o convite e ele ter-se-á aconselhado com o Papa, que lhe terá dito: ‘vais abrir o caminho, vai como precursor’”, adiantou na altura D. António Marto, o bispo de Leiria-Fátima, em declarações à Agência ECCLESIA.

D. Pietro Parolin acrescenta que esta será também uma ocasião para “buscar força e empenho para o serviço à Igreja Católica e ao Papa”. A peregrinação internacional do 13 de maio de 2017 deverá contar com a presença do Papa Francisco, que já manifestou a sua intenção de presidir à celebração do centenário das aparições.

 

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial portuguesa nos últimos dias, sempre atualizados emwww.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Religiosa trouxe a Fátima testemunho sobre guerra na Síria

 

 

 

Vindima Solidária em Setúbal 

 

 

Só a paz é santa, não a guerra

 

O Papa Francisco foi a Assis para unir-se a centenas de responsáveis religiosos e da Cultura, num encontro inter-religioso pela paz, o qual encerrou com a afirmação de que nenhuma guerra é “santa” ou pode ser justificada com o “nome de Deus”.

“Não nos cansamos de repetir que o nome de Deus nunca pode justificar a violência. Só a paz é santa, só a paz é santa, não a guerra”, exclamou, na conclusão da iniciativa que levou representantes de várias comunidades cristãs e religiões, além do mundo da cultura e do pensamento, à cidade 

 

 

italiana que viu nascer São Francisco de Assis.

Perante centenas de responsáveis, o Papa aludiu aos “dramas” de quem teve de deixar a sua terra ou de quem foi vítima da violência. “Todos eles têm uma grande sede de paz. Não queremos que estas tragédias caiam no esquecimento. Desejamos dar voz em conjunto a quantos sofrem, a quantos se encontram sem voz e sem escuta”, assinalou.

Na Praça de São Francisco, junto do Papa, estavam o rabino Abraham Skorka, da Argentina, seu amigo 

 

 

 

de longa data; Abbas Shuman, vice-presidente da Universidade Al-Azhar (Egito); e Gijun Sugitani, conselheiro supremo da Escola Budista Tendai (Japão).

Os participantes ouviram o testemunho de Tamar Mikalli, vítima da guerra na Síria, que teve de fugir da cidade de Alepo e chegou à Itália através de corredores humanitários, bem como o testemunho de um rabino, sobrevivente do Holocausto, e intervenções de vários representantes religiosos.

Francisco encerrou o encontro de terça-feira com uma reflexão sobre a importância da oração pela paz num mundo que vive “o paganismo da indiferença”. O Papa recordou, a este respeito, a sua viagem à ilha grega de Lesbos, juntamente com o patriarca ecuménico de Constantinopla (Igreja Ortodoxa), Bartolomeu I, também presente em Assis.

“Vimos nos olhos dos refugiados o sofrimento da guerra, a angústia de povos sedentos de paz”, assinalou.

A presença de várias tradições religiosas, defendeu Francisco, mostra que a diferença não é motivo de “conflito”. “Hoje não rezamos uns contra os outros, como às vezes infelizmente sucedeu na História. 

 

Pelo contrário, sem sincretismos nem relativismos, rezamos uns ao lado dos outros, uns pelos outros”, precisou.

No 30.º aniversário do primeiro encontro inter-religioso do género, promovido pelo Papa João Paulo II em Assis, Francisco pediu que todas as confissões se mobilizem para defender a “sacralidade da vida humana”, promover a paz entre e “salvaguardar a criação”. “O nosso futuro é viver juntos. Por isso, somos chamados a libertar-nos dos fardos pesados da desconfiança, dos fundamentalismos e do ódio”, observou.

O Papa lamentou o “cinismo” ignora os problemas alheios e a “abordagem virtual” de quem “julga tudo e todos no teclado dum computador”. “A nossa estrada é mergulhar nas situações e dar o primeiro lugar aos que sofrem”, realçou.

 

 

Pelas vítimas das guerras e da indiferença

O Papa Francisco recordou em Assis, Itália, as vítimas da guerra e os refugiados que sofrem perante a “indiferença” da sociedade, durante uma celebração ecuménica na cidade italiana. “Imploram paz as vítimas das guerras que poluem os povos com ódio e a terra com armas; imploram paz os nossos irmãos e irmãs que vivem sob a ameaça dos bombardeamentos ou são forçados a deixar a casa e emigrar para o desconhecido, despojados de tudo”, disse o pontífice argentino, na primeira intervenção pública que proferiu neste encontro inter-religioso pela paz.

Depois de ter chegado de manhã a Assis, onde cumprimentou responsáveis religiosos, representantes do mundo da cultura e refugiados, o Papa participou ao início da tarde na oração ecuménica que decorreu na basílica inferior de São Francisco.

Durante a celebração, foram nomeados 27 países em guerra no mundo, acendendo-se uma vela por cada um. Francisco partiu do tema escolhido para o encontro inter-religioso, ‘Sede de paz’, no 30.º aniversário do primeiro evento

 

 

do género, promovido pelo Papa João Paulo II.

“As palavras de Jesus interpelam-nos, pedem acolhimento no coração e resposta com a vida. Na sua exclamação ‘tenho sede’, podemos ouvir a voz dos que sofrem, o grito escondido dos pequenos inocentes a quem é negada a luz deste mundo, a súplica instante dos pobres e dos mais necessitados de paz”, declarou.

O Papa alertou para a “rejeição” que estas pessoas recebem, criticando “o silêncio ensurdecedor da indiferença”, o “egoísmo” e a “frieza” de quem ignora o “grito de ajuda” do próximo “com mesma facilidade com que muda de canal na televisão”. 

 

 

 

Religiões unidas na condenação
do terrorismo

O Papa Francisco e os líderes religiões que se reuniram a 20 de setembro na cidade italiana de Assis assinaram uma declaração conjunta pela paz na qual rejeitam o terrorismo e o fundamentalismo. “A paz é o nome de Deus. Quem invoca o nome de Deus para justificar o terrorismo, a violência e a guerra, não caminha pela sua estrada: a guerra em nome da religião torna-se uma guerra contra a própria religião”, refere o ‘Apelo pela Paz’ assinado no final do encontro inter-religioso que decorreu desde domingo, concluído hoje na presença de Francisco.

“Com firme convicção, reiteramos que a violência e o terrorismo se opõem ao verdadeiro espírito religioso”, acrescenta o documento.

O texto foi lido publicamente após testemunhos de uma refugiada e líderes religiosos, além de um minuto de silêncio em memória das vítimas da guerra e do terrorismo.

O ‘Apelo pela Paz 2016’ foi entregue simbolicamente a um grupo de crianças, que levaram vários exemplares a responsáveis políticos e diplomáticos presentes em Assis. 

 

 

“Colocamo-nos à escuta da voz dos pobres, das crianças, das gerações jovens, das mulheres e de tantos irmãos e irmãs que sofrem por causa da guerra; com eles, bradamos: Não à guerra!”, referem os signatários do documento.

Os representantes das várias confissões religiosas evocam “o grito de dor de tantos inocentes” e pedem à comunidade internacional que trave “a ganância de quem trafica armas” e combatam situações de “pobreza, injustiça e desigualdade”.

 

 

 

 

A Agência ECCLESIA escolhe sete acontecimentos que marcaram a atualidade eclesial internacional nos últimos dias, sempre atualizados em www.agencia.ecclesia.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 


«Sexta-feira da misericórdia»: Papa visitou bebés internados em serviço de neonatologia 

 

 

 

Papa associou-se à celebração do Dia Mundial da Doença de Alzheimer

 

 

As nossas geringonças

  Cónego António Rego    
  Jornalista   

 

Que  temos nós contra o tempo? Deve ser a criatura que mais queixas ouve. Ou porque não passa, ou porque passa muito depressa. Ou não nos organiza de forma que tenhamos os acontecimentos colocados no momento certo. Tantas vezes nos enganamos no ano ou no dia em que decorreram eventos de ordem pessoal ou social. Há uma espécie de convenção para se assinalar datas relacionadas com acontecimentos exatamente para que não venha a traça que desfaz o mais fino tecido pelo esquecimento e reduz a nada obras de grande valor. Felizmente há calendários.

Tentamos para nós arranjar sempre tempo. Nem sempre somos felizes. Os nossos planos saem ao contrário e parece que o relógio se perde na organização do nosso dia. São já poucos os que fazem o tic-tac sonoro resultante da corda que fizemos rodar e das engrenagens que se envolvem na ativação de toda a máquina para que a geringonça mereça a nossa confiança. Quantas vezes para ele olhamos e, seja electrónico ou mecânico, sabemos que nos está a enganar. Agora os satélites dão ordens para o pequeno mecanismo às frações de segundo  que bailam no nosso pulso. E, para nossa surpresa, apontando o tempo certo. Já esquecemos o Big Ben de Londres ou o relógio da nossa Igreja para onde toda a freguesia olhava e sentia que era o grande regente do povo, do trabalho, do repouso, dos divertimentos. E a hora da missa.

Tudo isto porquê? Porque vivemos no tempo. Porque se não fosse o tempo, não chegaríamos

 

 

 

a viver. Porque nos perdemos no tempo quando começamos a repartir a história. Os anos de luz cegam-nos na contagem da grande abóbada do céu que nos deslumbra com a grandeza da sua pequenez. Uma estrela no nosso olhar é mais pequena que uma cabeça de alfinete. O relógio celestial continua  a trabalhar com perfeição e não vemos quem lhe dá corda e muda as baterias. E o nosso sistema solar, pequenino em relação a tantos outros  que de noite se espreguiçam no esbelto arco celeste. Mas o homem lá se intrometeu. E lá roda em estações espaciais e até manda para o nosso telemóvel a hora certa que passa e a rota que segue. Podemos, da terra, acompanhar e dizer com certeza: ali vai um humano como nós. É ele o “comandante” daquela “estrela”. Não é ficção, é realidade. Podemos testemunhá-la numa noite destas se as nuvens não taparem o céu.

E Deus, onde se esconde que não o vemos no meio de tal magnitude humilde, se olharmos o espaço como um conjunto de fragmentos de luz? Maravilhoso esse silêncio de Deus, com o brilho oculto na noite, a energia escondida em todos os

 

 

 sistemas, a força que confere a todos os seres animados ou não. E nós sempre presos à estreiteza do tempo. Tão curta a nossa vida e por vezes  com momentos tão longos. Fugaz  é a nossa alegria e interminável por vezes, a nossa dor. Tão rápida a nossa passagem de etapas – criança, jovem, adulto e.. velho. Tudo demorou tanto enquanto decorria e tão pouco se forçamos a memória para narrar o mais significativo.

Não há que ter medo do mistério. Ninguém sabe com rigor o que é o tempo. Olhar o relógio com o ponteiro ou o dígito dos segundos sempre, sempre a avançar, e nem uma vez voltou atrás para nos conceder mais um átomo de vida.

Não tenhamos medo Deus. Ele é só eternidade e infinito. E sabe que o relógio de sol um dia irá parar porque o astro Rei gastou a sua carga. Só Ele continua. Só Ele nos basta,como dizia Santa Teresa.

 

 

 

Fé no Jornalismo

  Octávio Carmo   
  Agência ECCLESIA   

 

 

 

As jornadas nacionais de comunicação social em Fátima são anualmente um momento de encontros e reencontros com quem está no mesmo barco. Um espaço de reflexão e de convívio para ouvir sonhos, dificuldades, projetos e realizações que vão acontecendo um pouco por todo o país.

Este ano, houve a coincidência de, antes do início dos trabalhos em Fátima, o Papa ter recebido no Vaticano um grande grupo da Ordem dos Jornalistas da Itália. Desde logo, duas coisas me saltaram à vista:

1. Há uma Ordem dos Jornalistas na Itália. Parece óbvio, mas em Portugal, nunca se sabe muito bem por quem é que regulado o exercício da profissão. Desde logo, porque uma coisa é acompanhar ou regulamentar as empresas do setor, outra é representar os jornalistas. Uma ordem deveria desempenhar um papel de representação e fiscalização, assumindo um papel fundamental de referência que ganha cada vez mais relevância face ao esvaziamento que a crise económica e a revolução tecnológica têm provocado no jornalismo. É um tema que, por certo, estará no centro do 4.º (apenas o quarto) congresso de jornalistas portugueses que se vai realizar no início de 2017.

2. O Papa Francisco vê o jornalismo à moda antiga, como uma espécie de “sacerdócio”. Não é que confunda os planos mediático e religioso: o Papa vê no jornalista uma figura de referência para a sociedade, alguém em quem devemos poder confiar, que não só fala a verdade como a pratica 

 

 

na sua vida diária. É uma grande responsabilidade, talvez maior do que aquilo que conseguimos realizar, mas não deixa de ser uma honra que ainda haja pessoas com expectativas tão elevadas. E que, por isso mesmo, se sentem desiludidas quando as defraudamos.

 

Já há algum tempo que ouvimos perguntar para que servem, afinal, os jornalistas. Hoje tudo se sabe num instante. Não em profundidade, claro está, mas sem filtro, sem necessidade de mediação – e os próprios media estão a entrar na onda de se transformarem em meros fornecedores de “stream” 

 

constante sobre os acontecimentos, sem a mínima preocupação de os interpretar.

Como já escrevi antes, isto não me faz perder a fé no jornalismo ou sequer conjeturar que os jornalistas vão deixar de existir. Pelo contrário. Julgo que esta avalanche de dados, sem qualquer tratamento, confusa e acrítica, vai sublinhar, a médio prazo, a necessidade de um mediador, de alguém que valide e transforme esses dados em verdadeira informação. Como me dizia uma amiga desta luta, temos de voltar ao início, ao que é mais básico, e recordar a todos o que é um jornalista. Para que não haja confusões.

 

 


 

 

A Igreja Católica em Portugal promoveu em Fátima as

suas jornadas anuais de Comunicação Social, intituladas

'Pensar a Comunicação da Igreja em Portugal'.

O Semanário ECCLESIA apresenta uma entrevista a

Carlos Matos, presidente da Associação Portuguesa

de Empresas de Comunicação e Relações Públicas,

depoimentos de vários especialistas no setor do

jornalismo e da comunicação institucional, que

complementam a reportagem sobre os trabalhos

da iniciativa.

 

 

 

 

 

 

 

 

Construir comunicação com perspetiva de comunidade

 

Carlos Matos, presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Comunicação e Relações Públicas, fala à Agência ECCLESIA sobre os desafios que se coloca à Igreja Católica neste campo, num momento em que há cada vez menos espaço para o “monólogo”.

Entrevista conduzida por Paulo Rocha

 

 

Agência ECCLESIA (AE) - Qual é o segredo, se é que há, para que uma estratégia de comunicação da Igreja Católica resulte.

Carlos Matos (CM) - Não podemos falar propriamente em segredo, muito pelo contrário: deve haver na Igreja uma atitude aberta e de 

 

transparência, que não tem nada a ver com segredos. Qualquer estratégia de comunicação, seja para a Igreja ou para outra instituição, deve assentar, sobretudo, numa escuta eficiente daquilo que são os nossos públicos-alvos, ouvi-los e em função disso estabelecer o nosso diálogo com

 

 

 

 

 estes públicos. É algo que não tem nada a ver com segredos, mas com a total capacidade de leitura, de observação, também da transparência que é claramente um dos objetivos da Igreja Católica.

 

AE – E que metodologias ajudam a conhecer esses públicos-alvos?

CM – Hoje em dia há técnicas que nos permitem, obviamente, fazer uma leitura do que as pessoas pensam, estar mais ou menos a par de tudo o que se passa. Mas não tem de ser, necessariamente, uma resposta baseada naquilo que as pessoas pensam, é um processo, é uma construção. A Igreja Católica, toda a sua comunicação, tem muitas vezes uma conversa num só sentido, às vezes penso que falta um pouco mais 

 

 

de diálogo. Não é só um problema da Igreja Católica, contudo, é um problema muitas vezes de todas as instituições.

 

AE – Na Igreja Católica, há essa imagem de comunicação por excelência, que marcou muitos séculos: o púlpito. Essa estratégia ainda serve?

CM – Eu não digo que não serve, porque estamos a falar de outro registo. Na minha prática, há púlpitos que gosto de ouvir, há padres que gosto de ouvir, palestrantes de que gosto e outros de que não. Pode ter a ver, se calhar, com as qualidades intrínsecas de cada um, mas também tem a ver com essa situação, com um conhecimento relativamente profundo dos públicos a que nós nos dirigimos, para não estarem eles a querer ouvir uma coisa e nós a dizer outra. 

 

 

 

 

AE – Haverá alguma transição a fazer, uma mudança de estratégia, de metodologia, do púlpito à partilha?

CM – Exatamente, penso que é a partilha. Esta é uma palavra que pode ter vários sentidos, mas é a partilha no sentido do diálogo, da partilha de ideias, a partilha de conhecimentos. É evidente que isso se baseia numa perspetiva de diálogo, não só de estar a debitar um discurso: é estar a falar, mas a minha conversa ser construída na possibilidade de conhecer exatamente o que é que os meus interlocutores estão à espera que eu diga. Não se trata de algo formatado, mas com naturalidade. Não pode ser um monólogo.

 

AE – Também não se trata de uma comunicação de massas?

CM – Cada vez mais a comunicação tenderá a ser vista numa perspetiva de comunidade. É evidente que numa comunidade de freguesia em Lisboa é completamente diferente do tipo de conversa, do tipo de trabalho que se tem de fazer numa comunidade de outra localidade qualquer, com todo o respeito pelos dois tipos de comunicação.

 

 

 

AE – Esse desafio de construir comunidades novas, de comunidades que podem não corresponder àquelas que existem na geografia, é algo que a comunicação pode ajudar a alcançar?

CM – Completamente. Isso é óbvio, no fundo a Igreja Católica cada vez mais tem essa obrigação, até na perspetiva de não excluir, daquilo que o Papa Francisco tanto fala. E isto a vários níveis, dos abusos sexuais aos refugiados, independentemente das suas religiões.

 

AE – Essas comunidades têm de ser consideradas?

CM – Têm de ser entendidas. A Igreja Católica, tendo a obrigação, de facto, de estabelecer relações com todas essas comunidades, deve ser capaz de ter capacidade de se lhes dirigir de uma forma específica. Há aqui, como é evidente, vários níveis de relação com as comunidades, porque agora até estava a falar de comunidades mais exteriores, mas no interior da Igreja Católica também há comunidades. Existem vários níveis, cultural, de pensamento.

 

 

 

 

 

 

 

AE – Pensando na comunicação mediática, rádios, jornais, televisões, que presença é necessário ter?

CM – Isso vai depender: há que criar temas, ter uma perspetiva de transmissão desses temas. Por exemplo, há jornalistas que são mais próximos ou mais afastados da Igreja Católica, o que vai influenciar

 

a estratégia de comunicação. Aí, se calhar, faz sentido comunicar com os mais próximos, mas pode ser mais interessante aproximarmo-nos daqueles que estão mais afastados. Isso precisa de estratégia específica de aproximação bem pensada, de mensagens trabalhadas nesse sentido.

 

 

 

 

 

CM – A respeito dos meios de comunicação: normalmente as pessoas queixam-se de que os jornalistas são sensacionalistas ou porque estão muito virados menos interessantes. Mas dentro dos seus conteúdos, a Igreja Católica tem de ser capaz de motivar essas pessoas a falar dos temas que lhe interessam. Isso, com certeza, vai ser um trabalho difícil, que exige uma atitude profissional na abordagem, mas é possível fazer.

Depois há outra coisa: já vai o tempo em que os media, em que a comunicação era intermediada. Eles eram intermediários entre a fonte 

 

 

e o destinatário da comunicação; hoje em dia, a situação, sobretudo com a internet, trouxe de facto uma capacidade de avançar para outro tipo de relacionamento com as tais comunidades, que revolucionou por completo a situação. Inclusive, nesse avanço para essas comunidades, estão as próprias comunidades jornalísticas, porque hoje em dia os jornalistas acabam por ter como base do seu trabalho a pesquisa, a nível dos diferentes canais. A Igreja tem de gerir esses canais de uma forma mais eficiente, mais profissional. E depois dirigir esses canais para as comunidades.

 

 

 

 

Isto é um trabalho muito longo, é uma construção que não é fácil, mas que é possível e que exige, sobretudo, algum profissionalismo. É o contrário das comunicações de massa, onde eu abro a janela, tenho um megafone e falo. Hoje em dia, já não é bem assim.

 

AE – Nessa criação de canais, na criação de conteúdos, há sempre uma dupla possibilidade: ir respondendo à agenda do momento ou criar uma agenda própria. São duas apostas a ter em conta.

 

 

CM – São, e são simultâneas. Se a comunicação for muito bem feita, já vi situações em que isso aconteceu, a agenda mediática começa a ser dominada pela minha agenda. Tudo isto, em termos teórico, pode levar a uma certa ideia de controlo, o que não é verdade, porque se houver esse diálogo e essa dinâmica do ouvinte e de quem fala, estas coisas têm uma vivacidade própria.

 

 

 

AE – Um outro elemento é a possibilidade de ter meios próprios para a sua comunicação. É uma estratégia que interessa ter presente?

CM – Eu não vejo mal, mas ao mesmo tempo também é preciso, mais uma vez, que esses meios tenham credibilidade e que consigam atingir aqueles que não são propriamente os nossos amigos. Eu penso que esse é, de alguma forma, o problema das 

 

comunicações da Igreja: os órgãos próprios da Igreja devem ser pensados de uma forma muito inteligente para atingir essas comunidades fora do circuito da Igreja. Deve ser também um objetivo.

A Igreja tem de comunicar para dentro, mas também de comunicar para fora. Há um leque de pensamento muito grande dentro dos católicos, há assuntos em que nem todos estão de acordo.

 

 

 

 

 

 

AE – E esses são por vezes os que geram mais emoção na comunicação social?

CM – Sim, aí também há que saber criar, há que também saber jogar com aquilo que anima a comunicação social, que é exatamente um certo picante.

 

AE – O relacionamento com os públicos há de ser marcado por essa escuta, pelo diálogo, pela proximidade? E essas três palavras

 

 

servem para o relacionamento da Igreja com a comunicação social?

CM – Certamente. A comunicação social – sempre foi, mas hoje em dia é cada vez mais -, é um público com características específicas; temos de ter em atenção que a sua chegada à informação, as suas fontes mudaram. Hoje em dia, quando quero saber qualquer coisa de alguém, vou ao Google, imediatamente. Isso dá uma capacidade muito grande, é uma oportunidade. 

 

 

 

Potenciar recursos para fazer mais e melhor

 

O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais disse em Fátima que a Igreja Católica em Portugal deve promover uma ação em rede, nos media, para reforçar a sua presença no setor.

“Com os que somos e com o que temos, claramente podemos fazer mais e melhor”, disse D. Pio Alves, na abertura dos trabalhos das Jornadas Nacionais de Comunicação Social que reuniu cerca de uma centena de profissionais e responsáveis diocesanos.

 

 

A iniciativa foi promovida pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais (SNCS), procurando auscultar a realidade das várias instituições eclesiais e os recursos disponíveis.

D. Pio Alves considera que o trabalho deve ser feito sem “centralismo” nem “paroquialismos”, para potenciar os recursos, “melhorar a comunicação interna” e cultivar “as melhores relações com as comunicações no seu conjunto.

O também bispo auxiliar do Porto explicou que o encontro deste 

 

 

 

ano acontece “na sequência de um extenso périplo” do diretor do SNCS por todas as dioceses do país, nos últimos meses. “Era bom que falássemos uns para os outros e uns com os outros” para conhecer a realidade da Comunicação Social ligada à Igreja Católica em Portugal, explicou.

D. Pio Alves deixou votos de que as jornadas ajudem a situar a “realidade de cada instituição” no contexto global português, de forma a “pensar a comunicação a partir de um conhecimento tão objetivo quanto possível”. O presidente da Comissão Episcopal que acompanha o setor dos media deixou Palavra de “enorme gratidão” ao anterior diretor do SNCS, padre João Aguiar.

As jornadas de Comunicação Social tiveram como tema, em 2016, 'Pensar

 

a Comunicação da Igreja em Portugal'.

O diretor do SNCS, padre Américo Aguiar, agradeceu a presença e o “esforço permanente” dos que acompanham o setor dos media. Para o responsável, é necessária aprender a “colocar tudo em rede” e potenciar os “exemplos magníficos” que acontecem em tantas realidades, onde só “falta ligar tudo para que as coisas possam ter outra dimensão”.

“Às vezes temos dificuldade em ligar-nos”, admitiu.

Depois dos dois painéis dedicado ao tema das jornadas - Comunicação na Igreja em Portugal – com intervenções de responsáveis diocesanos e debate, esta quinta-feira, o programa continuou com a M&M – Mostra Multimédia, partilha de projetos de comunicação.

 

 

Desafio da Igreja Católica é captar atenção

 

O professor Fernando Ilharco, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, disse hoje em Fátima que o desafio que a Igreja enfrente no atual mundo comunicacional é “captar a atenção” das pessoas.

O especialista falava na abertura do segundo e último dia de trabalhos das Jornadas Nacionais de Comunicação Social, que reúnem cerca de uma 

 

 

centena de profissionais e responsáveis do setor, das várias dioceses portuguesas.

Numa conferência sobre o tema ‘Ideias e ações para um Plano de Comunicação na Igreja Católica em Portugal’, Fernando Ilharco começou por sublinhar que a comunicação contemporânea tem um maior peso da “intuição” face à lógica, com prevalência do “imediato, 

 

 


 

da superficialidade”.

Segundo o responsável, o grande desafio é, por isso, "captar a atenção" num “ambiente de estimulação constante”.

“Um desastre, um acidente, um fracasso, desde que seja em grande, é um sucesso de comunicação”, exemplificou, sublinhando que a atenção tende a ser captada pelo que é “mais sensacional”.

Numa situação de crise, acrescentou, é necessário “dizer alguma coisa” e “nunca tratar os media como adversários”.

“Comunicar mal, de uma forma amadora, é um tiro no pé”, alertou.

O especialista propôs uma aposta em “histórias” concretas, com “atores, com motivos, com causas e consequências”, para comunicar melhor num ambiente “aural”, mais emocional.

Fernando Ilharco pediu que seja tida em consideração a “dificuldade de encontrar o relevante” por causa da abundância de informação, num contexto marcado pela “inovação, mudança, novidade”.

As “potencialidades imensas das tecnologias da informação” não podem ser ignoradas pela Igreja Católica, tendo em conta que o ambiente digital, hoje em dia, é o “mais natural na comunicação”.

Para Fernando Ilharco, uma estratégia comunicacional deve ser hoje “tão 

 

mais simples quanto possível, duas ou três ideias-chave, porque o ambiente é muito confuso”.

O responsável deixou três ideias-chave para esta estratégia: falar do “ser cristão hoje”; “proximidade e cuidado”; “participar na sociedade”.

Outra necessidade, prosseguiu, passa por garantir presença “no mundo dos media sociais”, estabelecer uma relação com os jornalistas e promover o treino em “comunicação digital e comunicação de crise”.

As jornadas de Comunicação Social têm como tema, em 2016, 'Pensar a Comunicação da Igreja em Portugal'.

“Jesus é a mais espantosa história de sempre. Isso é um ativo imenso da Igreja, hoje em dia”, disse Fernando Ilharco.

O especialista admitiu que está em causa um “desafio vasto, imensamente complexo, com milhões de atores e sobre a história mais espantosa de sempre”.

O docente universitário propôs a criação de uma plataforma comunicacional para as dioceses portuguesas, com a ajuda da rede social Facebook, que permita partilhar as “melhores práticas” na comunicação digital da Igreja e abra a possibilidade de que qualquer pessoa coloque perguntas sobre “problemas que está a enfrentar”.

“Não podemos estar sempre a descobrir a pólvora”, precisou.

 

 

Relação serena e amiga com os media

O presidente da Comissão Episcopal responsável pelo setor dos media disse hoje em Fátima que a Igreja Católica tem de promover uma relação “serena” e “amiga” com os profissionais da comunicação.

No final das Jornadas Nacionais de Comunicação Social, D. Pio Alves destacou como uma “nota fundamental” dos trabalhos as chamadas de atenção para a importância da “relação serena, amiga, com as pessoas que trabalham no mundo da comunicação, estejam elas onde estiverem”.

O bispo auxiliar do Porto defendeu ainda uma “especial atenção” e “especial cuidado” pelo “aprofundamento” do que é a “especificidade” da comunicação eclesial.

O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais desejou que as propostas surgidas nestas jornadas ajudem a uma “melhoria da comunicação social em geral” e a responder aos desafios que a Igreja Católica tem neste setor.

Nesse sentido, desafiou os presentes a “construir uma boa comunicação”, sem refugiar-se nas “dificuldades

 

 que existem”, tal como tinha feito na sessão de abertura da iniciativa organizada pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais.

O início do segundo e último dia de trabalhos contou com a presença do antigo diretor do Secretariado de Meios de Comunicação Social de Espanha, padre José María Gil Tamayo.

O atual porta-voz Conferência Episcopal Espanhola defendeu a necessidade de “procurar um lugar para Deus nos media”, porque o mundo da comunicação é “um cenário da evangelização”.

“Também temos de abrir um lugar para os media na Igreja”, acrescentou.

O sacerdote assinalou que num contexto de “uma comunicação secularizada”, tem faltado à Igreja Católica uma “pastoral orgânica”, para que “toda a pastoral seja mais comunicativa”

As jornadas de Comunicação Social tiveram como tema, em 2016, 'Pensar a Comunicação da Igreja em Portugal', reunindo cerca de uma centena de profissionais do setor e responsáveis das várias dioceses portuguesas.

O padre José María Gil Tamayo falou num “novo cenário” comunicativo, que mudou e exige que a Igreja 

 

 

 

Católica seja, como tem sido ao longo da história, “muito ativa, muito criativa”.

“A comunicação é uma realidade humana fundamental”, declarou.

A conferência recordou a intervenção do então cardeal Jorge Mario Bergoglio no Consistório de 2013, antes da sua eleição pontifícia, no qual convidava a ir ao encontro das “periferias existenciais”, também as “periferias da comunicação”.

“A comunicação não serve para uma Igreja fechada em si mesma”, mas para uma “Igreja em saída”, assinalou o porta-voz da Conferência Episcopal Espanhola.

 

O especialista defendeu a passagem de “uma comunicação instrumental para uma comunicação cultural, nas linguagens, nos comportamentos” do homem digital.

“O surgimento de cada nova tecnologia muda as pessoas”, observou, pelo que não basta “multiplicar o anúncio”.

Nesse sentido, a comunicação para a Igreja é também uma questão “antropológica”, recordando que as pessoas já não sabem o que é “estar em silêncio”.

“A Igreja fala, explica, ensina, mas muitas vezes não comunica”, advertiu.

 

Plano de comunicação da Igreja em Portugal

Quatro perguntas a quatro profissionais dos media

O tema da comunicação na Igreja Católica esteve em debate nas Jornadas Nacionais que decorreram em Fátima. O Semanário ECCLESIA convidou jornalistas e assessores de imprensa para responderem às mesmas quatro questões, sobre a relação Igreja-Media.

 

1. Qual a primeira decisão que tomarias para definir uma estratégia de comunicação na Igreja Católica?

 

2. Que conteúdos interessa produzir e comunicar?

 

3. Que metodologias de divulgação/partilha possibilitam chegar a novos públicos?

 

4. É possível ativar uma rede de comunicação a partir da rede paroquial e diocesana existente? Como?

 

 

 

 

 

 

José Aguiar

All Comunicação

1.

Rodear-me de profissionais competentes que me pudessem ajudar a estabelecer as linhas orientadoras e globais de comunicação, bem como a definir prioridades e a respetiva alocação de recursos. 

 

2.

A definição de conteúdos deve ser feita depois de estabelecidas as linhas gerais de comunicação e as prioridades. Atendendo ao que que ser comunicar, deve ser elaborado um cronograma e planear a comunicação no tempo. A mediação e a aferição de resultados deve ser uma constante, bem como a atualização permanente do plano (sem perder o fio à estratégia) pois a comunicação é uma realidade dinâmica.

 

3.

As novas tecnologias e as redes sociais oferecem possibilidades interessantes, mas não se substituem à dimensão presencial que tem sempre que existir. Por outro lado, a Igreja, por opção e ao longo dos anos, apagou-se 

 

bastante do espaço público e mediático, tendo reduzido a sua intervenção através da comunicação social. Recuperar esse espaço perdido exige esforço, exige adaptação e compreensão sobre o tempo e o contexto dos media (mais plurais, mais diversificados, mais tecnológicos, mais imediatistas, multiplataforma) mas requer sobretudo a resposta a um conjunto de questões essenciais: comunicar para quê? Com que objetivos? Com que método e regra? Em que circunstâncias? Sobre que temas? Através de que canais e com que pessoas? Em que momentos? Para que públicos devo adaptar a minha mensagem?

 

4.

Elaborando um plano, definindo prioridades e alocando recursos. Convocando pessoas competentes e interessadas que, trabalhando em rede, de forma colaborativa e criativa, fazendo também uso das redes sociais, possam chegar aos públicos-alvo.

 

Alberta Marques Fernandes

Jornalista na RTP

1.

Reunir com todos os responsáveis pela comunicação, desde paroquias, dioceses, movimentos, leigos, toda a gente, e ouvi-los, reunir todas as opiniões.

 

2.

Todos os conteúdos podem ter uma perspectiva da Igreja. Somos, ou devemos ser católicos em tudo. Por isso, penso que desde temas como a saúde, a economia, os assuntos internacionais, até assuntos da Igreja devem ou podem ser produzidos e comunicados.

 

 

 

3. 

Chegar a novos públicos é ir para onde eles estão: nos novos meios de comunicação. É isso aliás que o Papa Francisco faz e com muito sucesso.

 

4. 

Acho que a rede tem de ser mais alargada e abranger os Movimentos e leigos especializados em comunicação. Mas sim: as paróquias e as dioceses podem ser a base dessa rede. O que penso que é importante é a não dispersão, trabalhar em rede sim, mas ter uma" task force" para definir a estratégia de comunicação e executá-la com profissionalismo

 

 

 

Jorge Pires Ferreira

Correio do Vouga

1. 

- Decisão: Estudar a fundo a comunicação de Jesus, o como ele comunicava, o que ele comunicava e como ele se comunicava. Para os comunicadores católicos e organismos da Igreja Católica, o modelo mínimo e máximo tem de ser Jesus Cristo, que é, afinal, o Verbo, a Palavra.

Derivado deste princípio, penso que seria útil estudar o modo como comunicaram os grandes comunicadores católicos. Penso no Papa Francisco, mas também em Tiago Alberione, Dom Bosco ou Francisco de Sales e Francisco de Assis. E penso no modo criativo, audaz, inovador – o que não quer dizer necessariamente na vanguarda – que assumiram para enfrentar os problemas nas suas épocas.

 

2. 

- Por um lado, é importante dizer o que acontece, quer por antecipação, quer pós acontecimento. Contar tornando acessível o que é complexo e contar mostrando a relevância do que é importante. Isto, do ponto de vista noticioso. O que quer dizer que se nada acontece ou se o que acontece é pouco relevante, pouco 

 

há a comunicar. Em boa parte, a comunicação, principalmente informativa, é o reflexo das ações eclesiais. Ora, quando as ações eclesiais são pouco cativantes, desfasadas, sem novidade, sem conteúdos significativos para as pessoas de hoje, a comunicação não pode ser melhor.

Por outro lado, de um ponto de vista que eu diria mais espiritual e não tão virado para a atualidade, é preciso comunicar o que dá sentido, alento, esperança às pessoas no meio da vida que levam. Refiro-me à oferta de espiritualidade nos nossos meios, à formação bíblica e dogmática, ao conhecimento dos tesouros da espiritualidade, à divulgação de livros, sites, filmes, etc. que inspiram sentido, à oferta de consolo para os momentos de desalento e de dor, à proposta de valores para a ação cristã no campo político, social, económico, ecológico…

Mesmo as melhores ideias têm de ser comunicadas. E sucessivamente explicadas e comunicadas. Ainda estamos convencidos que temos (Igreja Católica) as melhores ideias?

 

 

 

 

 

3. 

Receio que a própria pergunta tenha implícito que só os novos meios possam chegar aos novos púbicos (agora mesmo fiquei a saber do Google Duo e do Google Allo). Tenho muitas reticências quanto à pertinência de estar a acompanhar o que de mais avançado se faz, não só pela incapacidade de seja quem for acompanhar (quem é capaz de adivinhar o que se vai manter nas novas redes, novos sites, novas apps, dada a efervescência neste campo e dado o cemitério de tecnologias e redes outrora promissoras e com milhões de adepto, como o Hi5 ou o MySpace...?), como pelas presenças que se limitam a replicar o que era típico de outro meio em que estávamos mais à vontade. Mais, se pensarmos na ação de Jesus, ele não estava propriamente à frente das tecnologias do seu tempo. Foi criativo na oralidade, mas a tecnologia avançada era a da escrita, deixada para Paulo e os evangelistas. Bem, talvez seja este o papel o papel dos comunicadores católicos.

Metodologias? Li há pouco que as igrejas cristãs (não sei quais) de Singapura (sociedade altamente tecnologizada) foram ter com um alto criativo da OgilvyOne Worldwide e

 

lhe disseram: “Deus tem um problema de imagem. Podem ajudar-nos?” Os publicitários, entre outras coisas (mas não sei quais), idealizaram uma campanha de sms dirigida a pessoas específicas, em determinados momentos. Algumas das mensagens eram: “Graças a Mim, é sexta-feira. Deus”; “Até eu descansei ao sétimo dia. Deus”; “Queres vir a minha casa hoje? Deus”.

Isto foi no tempo das sms (aonde isso já vai). E não sei qual o resultado. É disto que precisamos? Campanhas virais no facebook, instagram, snapchat? Por vezes penso que a comunicação cristã mais importante e insubstituível é o contacto face a face, testemunhal, que parece até descurado em função de outras presenças virtuais. O resto (dos jornais às redes sociais, das notícias clássicas às campanhas virais) é só um antecedente ou um reflexo deste, mas nunca o centro.

 

4. 

Suponho que se refere uma rede nacional. Será possível, mas sem grandes esperanças, com muitas dificuldades e poucos resultados. Da minha experiência, há dificuldades em fazer circular a informação da rede paroquial para a diocesana e desta 

 

 

 

para a nacional. Porquê? A paróquia, tal como a diocese, funciona muito à volta de si própria. Mas quando um ou mais voluntários nas paróquias se empenham, produzem a torto e direito, quer o que é relevante, quer o que não é, por vezes ficando melindrados por verem outros critérios colidirem com os seus. Estou a pensar nas muitas notícias pouco relevantes que de determinada paróquia chegam a um jornal diocesano. Podem ser relevantes a nível paroquial, mas não a nível arciprestal e diocesano.

Já quem trabalha a nível diocesano, geralmente profissional, tem dificuldade em partilhar com o nível nacional porque anda muito absorvido com as suas próprias 

 

 

tarefas, sem disponibilidade para pensar fora do que lhe é estritamente pedido. Pode colaborar, mas de um modo não sistemático, logo esquecido após a primeira ou segunda colaboração.

As colaborações entre níveis diferentes acontecem quando há pedidos concretos, não por a máquina estar oleada, não por sistema. Como oleá-la? A forma mais evidente seria com incentivos e compensações, pagando colaborações ou dando outro tipo de recompensa – refiro-me principalmente entre o nível paroquial e diocesano. Mas não há recursos para tal. Não vejo, pois, possibilidades reais de ativar uma rede de comunicação consistente e durável.

 

Paulo Agostinho

Agência Lusa

1.

Definir uma marca comum, do ponto de vista de comunicação. Uma identidade de comunicação, um layout que permita dar coerência a todas as partes. Essa identidade deveria ser definida na sequencia da articulação, discussão e análise das dezenas de estruturas de comunicação que a Igreja tem Portugal. Só envolvendo equipas é que depois seria possível corresponsabilizar e envolver várias partes num projeto ou plano de comunicação. Esta decisão de posicionamento partiria não das queixas conjunturais relativamente a algum jornal ou a algum líder de opinião mas sim da avaliação das características endógenas da própria instituição, com análise às vantagens e desvantagens, forças e fraquezas, riscos e oportunidades. Sem isso, não é possível definir um caminho, que depois faça sentido para todas as partes.

 

2. 

As redes sociais e a pulverização do modelo tradicional da comunicação trazem novos desafios às instituições. A Igreja tem de comunicar para

 

todos e uma estrutura de comunicação para a instituição tem de abraçar a hierarquia ao mais alto nível. Porque não é só comunicar para os media externos (assessoria) ou para os media cristãos, a igreja tem de saber comunicar com os seus fiéis de modo direto e usando as redes sociais. Ora, isto implica uma articulação direta entre a distribuição do conteúdo e a hierarquia. Além disso, esse gabinete central deveria dar formação aos quadros múltiplos da Igreja nesta área. Cada projeto de comunicação local pode e deve ser acompanhado tecnicamente. O serviço desse gabinete não deve ser apenas a redistribuição de conteúdos produzidos mas deve incluir formação e ajuda à estruturação dos vários projetos paroquiais ou diocesanos. Além disso, o mundo atual é muito diferente de há dois mil anos mas também já é muito diferente do Concílio Vaticano II, que enforma as mudanças mais recentes da Igreja. O mundo, na área da comunicação, é diferente desde há dez anos. E a Igreja deve perceber e trabalhar com isso. Julgo essencial uma disciplina de comunicação, que inclua educação para os media e gestão de imagem,

 

 

 

 

na formação sacerdotal e deveria ser pensada uma ação de formação mais vasta para todos os quadros da Igreja. Por exemplo, o que escrever numa rede social e o que partilhar, como fazê-lo, procurando envolver a comunidade paroquial, são questões que, julgo eu, só uma pequena maioria tem noção. Ora, o púlpito já não é apenas o do templo nem sequer o pequeno ecrã televisivo aos domingos. O  púlpito é diário e permanente. E pulverizado.

 

3. 

O segredo da comunicação hoje está na divulgação. As redes sociais, enquanto empresas ou marcas, vieram para ficar. E cada vez estamos a assumir uma ‘persona’ digital, seja sob a forma de perfil nas redes, blog ou simplesmente pela compra de produtos ou escrita em caixas de opinião, através de avatares. Por isso, cada vez mais estaremos na rede, interagindo progressivamente com a vida real. O Pokemon Go é apenas um dos vários exemplos do modo como essa virtualização da nossa realidade concreta se verifica.

Se a vocação da Igreja é o trabalho missionário então é necessário investir fortemente nesta área. Porque a partilha de conteúdos ou publicação nas redes sociais é, hoje, um elemento essencial de qualquer  

 

estratégia de comunicação. A grande questão é saber o que fazer ou como fazer. Mas existem tutoriais e equipas de formação que, articulando, poderão ajudar os vários setores da instituição a fazerem o seu caminho. Existem regras, horas, estilos e solução que podem ser usados caso a caso, conforme os objetivos do plano de comunicação concreto.

 

4.

É possível sim, mas qualquer estratégia de comunicação tem de ter coerência e permanência. O voluntarismo das redes locais nem sempre é compatível com esta exigência. Sendo isso resolvido, julgo que é possível. Sempre numa lógica piramidal. A cúpula estabelece um conjunto de linhas orientadoras; as direções intermédias adequam essas linhas à realidade desses setores e depois, a nível local, adaptam na concretização do plano, sempre respeitando as indicações superiores. Isto implica muito compromisso e muita formação, porque só é possível envolvermos redes e estruturas locais se esses quadros perceberem os objetivos de comunicação inicialmente traçados e a sua importância no conjunto global da Igreja de que somos todos, em última análise, fiéis.

 

 

 

Cooperação Interdiocesana

 

 

(…)

O modo de comunicar faz-se com as capacidades técnicas e humanas de que cada um vai dispondo, com os meios que tem, pode ter ou consegue ter. Por isso, é necessário uma maior cooperação interdiocesana. Quando se fala em trabalhar em sinergia, esta deve começar pela disponibilidade e vontade de o fazer, e ter conta a diversidade dos públicos nas 20 dioceses do país. No entanto pode acontecer a partilha de meios, de experiências, de sabedorias adquiridas. E o Secretariado Nacional poderá ajudar a coordenar essas 

 

 

 

 

 

sinergias, promovendo o contacto entre todos.

Todos somos a mesma Igreja e temos o mesmo objectivo. Cada diocese vai trabalhando ao seu modo, na sua quinta, como ouvimos dizer, mas é importante que todos nos alegremos, também, com o que vai sendo feito em cada lugar e se precisamos de ajuda, que sejamos também capazes de a pedir. Não há competição na Igreja. Essa palavra não deve fazer parte da nossa cultura de comunicação em Igreja, e na Igreja.

Por outro lado, o Secretariado Nacional poderá, também, ser o

 

 

 

 

 

 

 elo de ligação da Igreja com os meios de comunicação de âmbito nacional. Talvez fosse de pensar, na minha pobre opinião, numa estrutura de gabinete de imprensa com capacidade de resposta às muitas solicitações que vão surgindo, de cada vez que é necessária uma reação da Igreja, uma voz oficial da Igreja para falar à imprensa. Existe o porta-voz da Conferência Episcopal mas penso ser necessária uma estrutura mais abrangente, até com a capacidade de tratamento das situações de crise.

Atualmente o SNCS dispõe de um conjunto de meios, muitos abrangentes, que considero úteis e bem elaborados para todos os públicos, seja o consumidor doméstico, seja o consumidor profissional, embora os profissionais nem sempre recorram a eles, e refiro-me de modo especifico à Agencia Ecclesia.

Por isso, e tendo em conta o

 

 que já se faz, e existindo uma maior cooperação de todos, acredito ser possível partir para algo mais ousado. Persiste o fantasma da 4,  mas os tempos e a tecnologia são diferentes e hoje é bem mais fácil fazer televisão. O que é necessário é um projecto consistente e bem elaborado, com conteúdos à imagem da nossa realidade eclesial, da nossa sociedade, da nossa cultura, da nossa fé.

Fátima, Jornadas Nacionais de Comunicação Social 2016

 

Padre Nuno Rosário Fernandes

Departamento da Comunicação do Patriarcado de Lisboa

 

 

Texto na íntegra

 

 

Qual é o valor da vida?

 

Se Deus Se fez célula, que implicações tem isso na vida dos cristãos? Como ver e viver a gravidez, a fecundidade, o aborto, a contraceção ou as técnicas de fertilização in vitro? Estas e outras questões são respondidas pelo médico cardiologista Manuel Martínez-Sellés no livro E Deus fez-Se célula, da PAULUS Editora.

O lançamento da obra inclui uma conferência proferida pelo autor. O livro será apresentado por António Pinheiro Torres, da Federação Portuguesa pela Vida, e Dina Matos Ferreira, professora universitária

 

 

 

 e autora da nota introdutória da edição portuguesa. O lançamento da obra será hoje, no auditório da Igreja do Cristo Rei da Portela, em Lisboa, pelas 21h00.

Na nota introdutória, Dina Matos Ferreira sublinha os eixos da mensagem que o autor quer passar: «A priorização e a aceitação da vida como dom maior. Num tempo tão ansioso e ávido de controlo, a vida – com todas as suas incógnitas - é apresentada em todo o seu esplendor, como dom magnífico que vale por si mesmo e está acima de qualquer 

 

 

 

outro bem; O trabalho como meio para encontrar Deus e para levar Deus aos outros. Se a vida pode ser defendida mesmo por aqueles que não têm fé, por maioria de razão deve ser defendida por aqueles que a têm, nesse Deus encarnado, “feito célula”, igual a nós.»

António Pinheiro Torres elogia o «uso de argumentos laicos e religiosos, de conhecimentos científicos e de outras disciplinas do saber, da sua experiência de envolvimento nestes debates fundamentais» e a «simplicidade na abordagem dos assuntos que só tem quem os domina em profundidade». O vice-presidente da Federação Portuguesa pela Vida diz que o livro é importante para o futuro porque «a realidade move-se, o conhecimento aumenta tal como a pretensão louca dos homens sobre a sua natureza».

Em E Deus fez-Se célula, da PAULUS Editora, Manuel Martínez-Sellés analisa os argumentos científicos sobre o valor da vida desde o momento da conceção. Relacionando ciência e fé, estudos científicos e ensinamentos da Igreja, o autor introduz questões polémicas e concretas que se colocam aos jovens, aos casais e a todos os cristãos como contraceção, técnicas de fertilização ou aborto.  

 

Manuel Matínez-Sellés é casado e tem sete filhos. É médico cardiologista, professor universitário, presidente da secção de Cardiologia Geriátrica da Sociedade Espanhola de Cardiologia e vice-presidente do Comité de Ética do Hospital Universitário Gregorio Marañon. Já recebeu inúmeros prémios nas áreas de cardiologia e bioética. O autor é Doutor em Medicina e Cirurgia, Mestre em Desenho e Estatística em Ciências da Saúde e Especialista Universitário em Pastoral Familiar.

 

 

 

II Concílio do Vaticano: O olho visionário de D. Manuel Falcão

 

No dia do encerramento das jornadas nacionais de comunicação social, que decorreram em Fátima e subordinadas ao tema «Pensar a comunicação na Igreja Católica em Portugal» uma figura da igreja portuguesa merece ser recordada na área da comunicação social: D. Manuel Franco Falcão.

O II Concílio do Vaticano (1962-65) e os actos preparatórios entraram na casa dos portugueses e na comunicação social devido ao zelo pastoral e ao olho visionário de D. Manuel Franco Falcão. Não foi o único, mas a ele se deve muito do que se noticiou em Portugal sobre este acontecimento magno da Igreja.

Falecido a 21 de fevereiro de 2012, o bispo emérito de Beja teve um passado glorioso na imprensa de inspiração católica. Fundou o Boletim de Informação Pastoral (BIP), em Maio de 1959, no seguimento da criação pelo episcopado português (janeiro do mesmo ano) do Secretariado de Informação Religiosa.

O então padre Manuel Falcão, mais tarde cónego do Patriarcado e, posteriormente, bispo auxiliar de Lisboa teve um papel central na divulgação do II Concílio do 

 

 

 

Vaticano no nosso país. Através da sua pena, tal como dos diversos colaboradores, as notícias conciliares chegam aos lares dos portugueses.

Este órgão surgiu numa época exaltante que coincidiu com o anúncio da convocação do Concílio, com a sua realização e com os primeiros passos orientadores deste ato eclesial. Teve o seu fim em 1970, com um número duplo. Nesse editorial lia-se: “O que se passa é que o BIP de facto nunca foi um órgão de informação das vicissitudes da vida da Igreja. O que se passa é que não podemos ser nós os responsáveis pela eventual definição de uma política pastoral que não está feita e cuja existência faz «perder o pé»”. (Osório, Rui; In: Voz Portucalense 29 Fevereiro de 2012).

Ficou a confissão do sonho por realizar: “(…) desejaríamos que o BIP fosse de verdade um espelho fiel da Igreja em Portugal. Não apenas nas falhas confessadas e nas lacunas insofridas, mas sobretudo na coragem de ver os sinais que já não falam e na vontade de ler, em coerência, osnovos sinais que têm coisas para dizer”.

Não se pode afirmar que D. Manuel Falcão tinha o «dom» da sinestesia, 

 

 

mas quando pronunciava a expressão «II Concílio do Vaticano», o prelado saboreava o conteúdo e visualizava a sua concretização.

Como dizia no editorial do BIP nº 16 (Janeiro-Março de 1962), o ano do Concílio ficará “na história da Igreja como marco miliário a assinalar o termo de uma época e o início de outra.   

 

 

 

 

 

 

setembro 2016

24 de setembro

. Fátima, Santarém, 03 jun 2016 (Ecclesia) – A peregrinação nacional do Rosário e da Família Dominicana ao Santuário de Fátima e é presidida por D. Manuel Pelino, bispo de Santarém. (termina a 25 de setembro)

 

. Portalegre – Sertã -  Assembleia da Diocese de Portalegre-Castelo Branco

 

. Santarém - Encontro dos movimentos da Diocese de Santarém que trabalham na pastoral familiar

 

. Vaticano - Papa Francisco recebe sobreviventes e familiares das vítimas do atentado de Nice (França)

 

. Aveiro - Conselho nacional da Pastoral Operária

 

. Bragança - Miranda do Douro - Dia Diocesano das Oficinas de Oração e Vida com a presença de D. José Cordeiro, bispo de Bragança-Miranda.

 

. Funchal - Convento de Santa Clara – 09h15 -  A Diocese do Funchal vai apresentar o novo programa pastoral,

 

 

 

no convento de Santa Clara, que tem como tema “Viver em Igreja a alegria de ser cristão”.

 

Convento de Santa Clara (Funchal) – 09h30 - O bispo do Funchal vai reunir com todos os responsáveis dos secretariados diocesanos, dos movimentos e obras laicais, para apresentar o programa e o calendário da diocese para os próximos anos.

 

Lisboa - Salão Paroquial de Santo António de Nova Oeiras, 16h00 - Encontro Cristão da Grande Lisboa dedicado ao tema da Eutanásia

 

Lisboa - Campo de Ourique (Salesianos) – 21h00 -  Festival diocesano da Canção

 

Leiria – Batalha, 21h00 - O Mosteiro da Batalha apresenta leituras espirituais encenadas

 

Igreja de S. Tomás de Aquino, Lisboa, 21h30 - Num comunicado enviado à Agência ECCLESIA, Fernando Pinto, que dirige o grupo 'Capela Nova', informa que o concerto intitulado ‘Pai de Misericórdia’, pelas 21h30 na igreja de S. Tomás de Aquino, em Lisboa, tem entrada livre e insere-se no ciclo ‘Misericordias Domini’.

 

 

 

 

Fundão - Souto da Casa, 09h45 - Homenagem ao padre Alberto Neto na sua terra natal (Souto da Casa) com uma sessão de evocação da memória deste sacerdote e momentos musicais.

 

25 de setembro

Vaticano - Jubileu dos Catequistas

 

Porto - Jubileu da Misericórdia dos catequistas

 

Lisboa -  Assembleia diocesana da JOC

 

Leiria - Vale do Lapedo, Santa Eufémia, 09h00 - O grupo missionário Ondjoyetu organiza uma caminhada solidária com o objetivo de angariar fundos para a aquisição de um jipe para continuar o trabalho “de desenvolvimento humano e sustentável” nas montanhas do Gungo, em Angola.

 

Braga - Auditório Vita, 11h00 - Celebração dos 50 anos dos Focolares em Portugal com a presença de D. Jorge Ortiga, arcebispo de Braga.

 

Coimbra - O bispo de Coimbra convoca todos que “trabalham ativamente” na ação pastoral da diocese para a ‘Festa do 

 

Compromisso’ que vai marcar a abertura solene do novo ano pastoral, no dia 25 de setembro, na Sé Nova, com a oração a ser recitada na Eucaristia às 17h00.

 

26 de setembro

Viseu - auditório da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Viseu, 09h00 - A União das Misericórdias Portuguesas (UMP) promove o Dia do Património das Misericórdias, dia 26 de setembro, em Viseu, dedicado ao tema “Património Documental Histórico”.

 

Fátima - Assembleia nacional do Movimento Vida Ascendente (termina a 27 de setembro)

 

Fátima - No âmbito das comemorações do Dia Mundial do Turismo e a partir do tema proposto «Turismo para Todos - Promover a Acessibilidade universal», o CONSOLATA MUSEU Arte Sacra e Etnologia, oferece um programa de visitas guiadas gratuitas onde, além das explicações habituais sobre o acervo, estarão em evidência os cuidados e preocupações já patentes na época da sua construção, há 25 anos, pela acessibilidade de pessoas em cadeiras de roda em todo o circuito.

 

 

 

 

- É já amanhã que o Papa Francisco recebe em audiência os sobreviventes e familiares das vítimas do atentado de Nice, França, que ocorreu a 14 de julho.

Mais de 80 pessoas morreram e 200 ficaram feridas quando um camião avançou sobre a multidão na ‘Promenade des Anglais’, em Nice, ali reunida para assistir ao fogo-de-artifício que assinalava o dia de França.

 

- Também no Sábado vai ser homenageado o padre Alberto Neto. Será no Fundão, na sua terra natal, em Souto da Casa, que a memória do sacerdote português, que se destacou como educador e pelo seu papel no movimento católico progressista contra a guerra colonial, vai ser evocado.

 

- Domingo o grupo missionário Ondjoyetu organiza caminhada solidária e de sensibilização para os projetos missionários. A «Caminhada SOBRE RODAS», um percurso de sete quilómetros, vai contar com a participação do bispo diocesano D. António Marto, com o presidente da autarquia de Leiria Raul Miguel de Castro, e com a atleta olímpica de Fundo e Maratona Aurora Cunha.

O grupo missionário, da diocese de Leiria – Fátima, apresenta como objetivo da caminhada a angariação de fundos para a aquisição de um jipe para continuar o trabalho “de desenvolvimento humano e sustentável” nas montanhas do Gungo, em Angola.

 

- A cidade de Mirandela recebe uma conferência do médico Walter Osswald sobre eutanásia. A conferência «A morte a pedido (eutanásia), à luz da fé e da cidadania», será no dia 27 de setembro, às 21h00, no Museu Municipal Armindo Teixeira Lopes. 

 

Programação religiosa nos media

Antena 1, 8h00

RTP1, 10h00

Transmissão da missa dominical

 

 

11h00 - Transmissão missa

 

 

 

Domingo: 10h00 - O Dia do Senhor; 11h00 - Eucaristia; 23h30 - Ventos e Marés; segunda a sexta-feira: 6h57 - Sementes de reflexão; 7h55 - Oração da Manhã;  12h00 - Angelus; 18h30 - Terço; 23h57-Meditando; sábado: 23h30 - Terra Prometida.

 
RTP2, 13h30

Domingo, 25 de setembro, 13h25 - Oração pela Paz em Assis.

 

Segunda-feira, dia 26, 15h00 

Entrevista ao padre Ismael Teixeira, sobre a participação na prova "ironman".

 

Terça-feira, dia 27, 15h00  Informação e entrevista ao padre Carlos Godinho sobre o Dia Mundial do Turismo.

 

Quarta-feira, dia 28, 15h00 - Informação e entrevista a Pedro Monteiro sobre o curso de música sacra, na UCP/POrto.

 

Quinta-feira, dia 29, 15h00 -Informação e entrevista a Nelson Ribeiro, diretor da Faculdade de Ciências Humanas da UCP.

 

Sexta-feira, dia 30, 15h00  -  Análise à liturgia de domingo pela irmã Luísa Almendra e cónego António Rego.

 

Antena 1

Domingo, dia 25 de setembro - 06h00  - Jornadas Missionárias

 

Segunda a sexta-feira, 26 a 30 de setembro - 22h45 - Arranque do Ano Pastoral: Santarém, Casa do Soutelo, Escolas Católicas, Rabisgrafia e E-vangelizar

 

  

 

 

     

 

 

 

 

 

 

Ano C – 26.º Domingo do Tempo Comum

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Receber os bens para partilhar
 

A liturgia deste vigésimo sexto domingo do tempo comum faz-nos pensar de novo sobre a nossa relação com os bens deste mundo: não nos pertencem de forma exclusiva, são dons que Deus colocou nas nossas mãos para que os administremos e partilhemos, com gratuidade e amor.

As palavras do profeta Amós são muito provocadoras: denuncia violentamente uma classe dirigente ociosa, que vive no luxo à custa da exploração dos pobres e que não se preocupa minimamente com o sofrimento e a miséria dos humildes; anuncia que Deus não pactua com esta situação, pois este sistema de egoísmo e injustiça não tem nada a ver com o seu projeto para os homens e para o mundo.

O Evangelho oferece-nos uma catequese sobre a posse dos bens, na parábola do rico e do pobre Lázaro, uma das parábolas da misericórdia. É a única parábola em que Jesus dá um nome a um dos protagonistas da história que inventa. O pobre chama-se Lázaro, que, em hebraico, significa “Deus socorreu”. É o que Jesus faz pelo seu amigo. O rico é descrito com todo o fausto que o rodeava: vestidos luxuosos, festins sumptuosos e quotidianos. Mas não tem nome, é “o rico”. Aos olhos de Deus, os que ocupam o primeiro lugar são os pobres.

Uma frase é central no relato: “Lázaro bem desejava saciar-se do que caía da mesa do rico, mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas”. Uma frase muito próxima da parábola do filho pródigo, quando o filho mais novo lamenta não poder comer as bolotas dos porcos. Esse filho simboliza o homem pecador fechado na sua solidão, o pobre Lázaro é vítima do pecado do rico, mas o resultado é o mesmo: não são vistos por ninguém.

 

 

 

 

 

 Ninguém lhes dá atenção. Só os cães vêm lamber as chagas do pobre.

Temos aqui uma descrição muito realista do que são as nossas relações, muitas vezes anónimas e indiferentes. Mesmo com os mais próximos de nós, acontece que não os vemos verdadeiramente, a ponto de nos esquecermos de lhes dizer bom dia e de estarmos atentos ao que são e fazem. Jesus recorda-nos que, para Ele e para o seu Pai, cada ser humano é olhado como único, ninguém é descartável, como nos diz constantemente o Papa Francisco.

A Palavra de Deus desafia-nos com toda a sua força profética. Diante 

 

de todos os desastres do mundo, temos um olhar diferente para com todos os “Lázaros” da nossa sociedade ou ficamo-nos por um simples relance no ecrã da televisão? Ouvimos os golpes discretos à nossa porta? Ou serão somente cães a dar-lhes assistência?

Levados pela Palavra em Ano Santo da Misericórdia, só podemos receber os bens para partilhar, contribuindo para eliminar o enorme abismo entre ricos e pobres, a todos os níveis: material, espiritual e cultural.

 

Manuel Barbosa, scj

www.dehonianos.org

 

Jubileu dos Núncios Apostólicos

 

O Papa Francisco recebeu no último sábado os núncios apostólicos, seus representantes diplomáticos nos cinco continentes, e pediu que as Nunciaturas sejam “verdadeiramente a Casa do Papa” e de acompanhamento às Igrejas locais. Na audiência que decorreu na Sala Clementina, o Papa explicou que o serviço do núncio deve ser feito

 

 

com “sacrifício como humildes enviados” a cada realidade.

“Não basta apontar o dedo ou agredir quem não pensa como nós. Esta é uma mísera tática das atuais guerras políticas e culturais mas não pode ser o método da Igreja”, disse Francisco.

Para o pontífice argentino, o olhar da Igreja, representada nesses embaixadores, deve ser “vasto 

 

 

 

 

e profundo” sendo “a formação das consciências” o “dever primordial de caridade”, algo que quer “delicadeza e perseverança” na forma de agir. “A sua missão não deve se sobrepor ao bispo, nem substitui-lo ou impedi-lo, mas o respeita, aliás, o favorece e apoia com o fraterno e discreto conselho”, assinalou, recordando o Beato Papa Paulo VI, que reformou o serviço diplomático da Santa Sé.

Na audiência aos núncios apostólicos, que participam no seu Jubileu da Misericórdia, foi pedido que as Nunciaturas sejam “verdadeiramente a Casa do Papa” ou seja um lugar permanente de “apoio e conselho a todo o âmbito eclesial” e também referência para as autoridades públicas “não apenas para a função diplomática”. “Vigiem para que as Nunciaturas não sejam refúgio dos ‘amigos e amigos de amigos’. Fujam das fofocas e dos carreiristas”, alertou.

Neste contexto, o Papa assinalou também a necessidade dos núncios apostólicos acompanharem as Igrejas “com o coração de pastores” e os


  

 

povos “nos quais a Igreja de Cristo está presente”. “Não somos vendedores de medo e da noite mas guardiões do alvorecer e da luz do Ressuscitado”, observou Francisco no final da audiência.

“O medo mora na obscuridade do passado e é provisório. O futuro pertence à luz. O futuro é nosso porque pertence a Cristo”, acrescentou, divulga a Sala de Imprensa da Santa Sé.

Antes da audiência Francisco já tinha celebrado a Eucaristia na Capela da Casa Santa Marta com a presença dos núncios. "Quando chega a um novo país, o núncio deve realizar uma outra saída: sair de si mesmo para conhecer, o diálogo, para estudar a cultura, o modo de pensar, referiu, na homilia da celebração.

Ainda no âmbito das celebrações do Jubileu da Misericórdia, o Papa promove a 18 de novembro um encontro para o qual convidou 163 colaboradores efetivos de representações pontifícias: conselheiros, secretários e adidos.

 

 

 

Nas Ilhas Salomão, o Jubileu da Misericórdia é tempo de festa

O bispo voador

Para muitos, as Ilhas Salomão, são apenas um exótico destino de férias. Para os seus habitantes, apesar das águas cristalinas, das inúmeras ilhas de areia fina e vegetação tropical, as coisas não são assim tão fáceis. A começar pelo isolamento em que vivem. Para o Bispo Capelli, não há, porém, problema que não tenha solução…

Apesar da imagem magnífica que transpira em cada fotografia, a vida nas Ilhas Salomão não é nenhum mar de rosas. Pobreza, isolamento, fortes abalos sísmicos, além da diversidade cultural e linguística… tudo ajuda a transformar este país num lugar especial. Ao todo, na Diocese de Gizo, há mais de 40 ilhas espalhadas por 

 

300 quilómetros, onde se fala mais de uma dezena de dialectos. Um verdadeiro quebra-cabeças. Como chegar a todas estas pessoas? Ainda agora, por causa do Ano Santo da Misericórdia, foi necessário puxar pela imaginação para que todos pudessem experimentar o sentimento de perdão e reconciliação que se vive para quem atravessa a Porta Santa. Mas como fazê-lo, quando a maioria da população vive isolada em ilhas remotas do arquipélago e não consegue deslocar-se até à Catedral? A solução foi fácil: construindo uma porta itinerante que pudesse ser levada num pequeno barco. E assim tem sido. Graças à energia de Luciano Capelli e à coragem de um punhado

 

 

 

de cristãos mais empenhados, lá se arranjou um barco de madeira, com um pequeno motor, para levar a Porta Santa a todos os habitantes das Ilhas Salomão.

 

Reconciliação e perdão

A chegada da Porta Santa tem sido uma oportunidade, também, para a Igreja levar uma proposta de reconciliação e perdão às comunidades mais isoladas. “Estamos em lugares remotos”, afirma D. Luciano. “Aqui não há tribunais, nem juízes ou advogados…”, explica. Por isso, a chegada da Porta Santa a cada uma destas ilhas tem representado, também, um sentimento de partilha, de inclusão. De pertença à mesma comunidade. A Fundação AIS tem ajudado, desde há anos, a igreja nas Ilhas Salmão e, em particular, a diocese de D. Luciano Capelli. 

Apesar dos seus 60 anos, nada parece demover este prelado. A Porta Santa foi um bom exemplo de como é possível fintar as dificuldades que a natureza coloca ao trabalho pastoral. Se as pessoas não podiam deslocar-se até à Catedral, levou-se a Porta Santa até elas. Mas as viagens de barco são muito demoradas. Como ultrapassar isso? De avião claro! Bom, bem vistas as coisas, um avião seria impraticável. Não haveria dinheiro para ele 

 

nem pistas onde pudesse aterrar. E foi assim que se chegou a um minúsculo avião. O ultraligeiro da diocese é agora o meio de transporte preferido de D. Luciano Capelli. A necessidade aguça o engenho. Neste caso, tem ajudado a aproximar pessoas e a fazer comunidade entre os habitantes das Ilhas Salomão. E quando se escuta, ao longe, o ronronar da hélice do ultraligeiro, já se sabe que “o senhor bispo” está a chegar para mais uma visita…

Paulo Aido| www.fundacao-ais.pt

 

 

Vai filho, Deus te protege!

  Tony Neves   
  Espiritano   

 
 

São palavras de Mãe. Quem as partilhou foi D. Juan José Aguirre, comboniano espanhol há 40 anos na República Centro Africana e Bispo de Bangassou há quase 20. A RCA tem vivido tempos dramáticos com o ataque constante de grupos fundamentalistas e islâmicos e outros anti-islâmicos, mas igualmente com práticas que traduzem barbaridade. O Bispo tem aguentado heroicamente com os missionários esta insegurança constante pela simples razão de ficar com o povo. Não foi por acaso que o Papa Francisco abriu a ‘Porta santa da Misericórdia’ na catedral de Bangui uma semana antes de abrir em Roma! E a Mãe deste Bispo missionário, senhora muito idosa, quando ele a vem visitar a Espanha, despede-se sempre com uma palavra de fé e incentivo. Pois, se Deus envia, Deus protege.

As Jornadas Missionárias Nacionais, realizadas em Fátima a 17 e 18 de Setembro, apresentaram rostos de misericórdia. Ou melhor, trocaram as habituais conferências por partilhas em primeira pessoa. D. Juan Jose cativou a assembleia. Mas não foi o único. Também calaram fundo as palavras da Irmã Myri, uma portuguesa a viver num Convento na Síria. Foram atacadas, a guerra passou e passa por ali, mas as irmãs ficam sempre, por qualquer preço. São uma presença de paz, reconciliação e ajuda. Acreditam que a paz virá um dia para ficar!

Marcou-me ainda um momento triplo de testemunho. O P. Adelino Ascenso falou da missão no Japão onde ele esteve. Os cristãos são 1% da população e remam contra ventos e marés num 

 

 

 

 

 

 

 

 

contexto que lhe é adverso, onde são uma minoria absolutíssima. O P. José Vieira falou da sua missão por terras do Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo. A guerra civil continua a dizimar este país tão pobre de África, não se vendo fim á vista neste conflito. Ali, a Igreja é fonte de paz, geradora de reconciliação, salvadora de vidas, apontadora de caminhos de futuro. Luis Fernandez é um leigo espanhol que partiu com a sua jovem esposa para a Amazónia. Ali se colocaram ao serviço dos povos indígenas partilhando a sua pobreza e o risco das suas lutas pela defesa das terras e da sua dignidade. Ali 

 

nasceriam e cresceriam três filhos. Agora em Espanha, já com um quarto filho, dão continuidade á Missão apoiando a Amazónia e a causa dos povos indígenas.

Afinal, aqui como lá fora, a Missão vai acontecendo e marcando vidas. Os workshops foram sobre desenvolvimento, voluntariado, ecologia integral, inclusão e reconciliação. Dificilmente se encontrariam temas missionários mais decisivos para os tempos que correm. Os convites do Papa Francisco para idas às periferias e margens da história continuam a ser apelos que merecem ser escutados e vividos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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